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Uma missão de amor | Sexualidade by géh

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Géssica Hellmann
E-mail: geh@gehspace.com
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Uma missão de amor


Géssica Hellmann

O artigo publicado na edição anterior tratava da violência, de crimes de ódio. Já este falará sobre o amor. A missão desta revista é promover a arte em prol da solidariedade, promover o respeito ao ser humano. É um ato constante de amor ao próximo.

Primeiramente gostaria de fazer uma reflexão sobre minhas três últimas pinturas: “Tormenta”, “Vaticínio” e “A caverna”. Elas foram feitas num momento de reflexão sobre o amor. Em seguida abordarei a importância do ato solidário, do ato de amor e da esperança na humanidade.

Tormenta - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann

Tormenta - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann

Tormenta: Utilizei pinceladas curtas e fortes inspiradas na pintura expressionista. Cores irreais enfatizando a alucinação do êxtase de um pesadelo. O medo, a culpa de uma sexualidade reprimida. A escolha entre um fim de um relacionamento fracassado ao amor pelos filhos, a uma frigidez sexual pela sensação de culpa de sentir prazer. Sexo, orgasmo um pecado? As mãos tentando ocultar o órgão sexual, um corpo transformado por sentimento de culpa, por preconceitos e tabus enraizados na mente. Uma pintura dramática que expressa o sentimento de dualidade entre o bem e o mal, o certo e o incerto, num caminho entre a luz e as trevas do próprio ser.

Vaticínio - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann

Vaticínio - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann

Vaticínio: A boca como canal de amor ou de ódio. É preciso aprender a controlar a língua, para que da sua boca saiam sempre mensagens de luz, de amor, de fraternidade, de esperança. Aprender este controle, aprender a responsabilidade de praticar e ensinar os bons sentimentos é possível. Vaticinar para o bem é uma escolha, é a elevação do espírito mas, acima de tudo uma grande responsabilidade.

A Caverna - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann

A Caverna - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann

A Caverna: Foi acreditando na evolução do ser que criei “A caverna”. A realidade do “lusco-fusco”, da falta de fé, de seres aprisionados pelo medo de amar. Aprisionados pelos próprios preconceitos, pela violência, pela ignorância, por ter medo da luz.
É possível a evolução do ser? É possível evoluir sem a luz? Luz esta reflexo do conhecimento e do próprio amor.

Quem por muito tempo vive com os braços aprisionados ao próprio corpo, teme amar o amor. Porque a inércia de movimentos para o bem, quando recebe grande dose de amor, sente dor, pois seus braços há muito não se exercitavam. Praticar o bem é praticar o amor. Por mais que doam os primeiros movimentos, é preciso ter fé para evoluir. É esta a mensagem que quero deixar: “Acredito na evolução pelo amor. Amar é possível e vale a pena”.

“Tormenta” e “Vaticínio” chocam à primeira vista. Transmitem um sentimento enraizado, uma escolha entre a luz e as trevas, o amor e o ódio. As pincelas curtas e fortes, os olhos vazados, as cores irreais, revelam o verdadeiro “eu” interior, o sentimento cru, despido de vestes. As pinturas induzem à reflexão sobre a escolha entre praticar o bem ou o mal.

Já “A Caverna” descreve o aprisionamento do ser, do espírito. As duas realidades se fundindo, a realidade material e a espiritual. Acredito na evolução do ser humano, na quebra de tabus e preconceitos. É possível anular o ódio com amor. Quando sofremos preconceitos, injustiças, a melhor maneira de responder é retribuir com amor em dobro. Associações e campanhas em prol da solidariedade possibilitam mudanças para uma sociedade mais justa, menos preconceituosa.

Falamos muito de solidariedade, de amor, de atitudes contra a violência, mas é importante definir certos termos para repensarmos nossas atitudes e sensibilizar nossos corações.

Boeira (2006) afirma que “A solidariedade, sendo um processo de libertação social, de autoconhecimento coletivo, não é qualidade que se tem ou não se tem, mas que se aprende e se ensina partindo das mais variadas condições sociais, dos mais variados ambientes ou ecossistemas”.

“Gramaticalmente, a palavra solidariedade é classificada como um substantivo, e substantivos servem para indicar os seres, os conceitos e os atos. Daí, que a solidariedade pode ser entendida como uma atitude. Atitude de apoio, proteção e cuidado com alguém. As grandes epidemias, as guerras e as catástrofes são exemplos de situações que colocam as pessoas diante da necessidade de serem apoiadas, protegidas e cuidadas. Nestas ocasiões, é preciso ter a clareza de que precisamos modificar algumas posturas pessoais, às vezes preconceituosas, e nos tornarmos disponíveis para enfrentar qualquer dificuldade”.(Solidariedade, 2006).

Para Gregório (2006 a) o amor pode ter definições variadas dependendo da cultura onde incide:

“Na cultura grega, amar implica o conhecer e o conhecer implica o amar.
Na cultura judeo-cristã, o amor não partirá do mundo nem do homem, mas de Deus. Fundado no amor divino, o amor humano será ativo, histórico, concreto, e terá na imitação do próprio Deus, designadamente através de Cristo – imitatio Christi – o seu grande motor. (Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado)
No Espiritismo, embora o termo amor seja polissêmico, nada nos impede de defini-lo como “a totalidade dos sentimentos e desejos que estruturam o pensamento para a liberação de energia e de forças que guiam a ação na produção do bem e possibilitam a aquisição de qualidades, constituintes do crescimento do Espírito”. (Curti, 1981, p.81)”

Para Goldkorn (2006) o amor é abrangente, é imanente, engole as fronteiras culturais e geopolíticas. Ele pode florescer espontaneamente ou como resultado da minha vontade. O amor não é algo que deva ser conquistado e, sim, construído; relaciona-se com o olhar, com a maneira de me colocar junto dos meus irmãos (todos) estrangeiros sem achá-los estrangeiros ou sem me achar o único nativo com direito a voto.

Cito dois grandes homens com espírito elevado, que acreditavam e fizeram da sua vida um ato de amor no combate a violência e a discriminação:

Ghandi, “cognominado de político da não-violência, afrontou o poderio britânico sem usar nenhuma arma. Preferiu humilhar-se e fazer jejum a levantar uma só arma para atacar o poderio britânico. Este nobre exemplo procurava passar aos seus comandados”. (Gregório, 2006 b)

Martin Luther King, “Outro herói do apelo à não-violência. Queria conseguir as coisas com as suas idéias de justiça e de liberdade, em que todos deveriam ser beneficiados com a política do estado e não o estado espoliar as pessoas mais pobres”. (Gregório, 2006 b)

Estes são exemplos de fé, de amor, de vida. Decidiram fazer de suas vidas uma causa, um ato de esperança na humanidade.

É preciso refletir, perguntar a si mesmo: de que lado estou? Você pratica o amor? Você combate o ódio, a violência, a discriminação? Não há mais tempo de ficar em cima do muro, o muro caiu. É só perceber o que está acontecendo no mundo: guerras, preconceitos raciais, religiosos, crimes de ódio. Acredito que só com amor e solidariedade podemos combater o ódio e os atos de violência. Tenho esperança e fé na evolução da humanidade. É através das manifestações artísticas que procuro fazer o que considero uma missão de vida: “Ensinar a amar o amor”.

Bibliografia

BOEIRA, Sérgio Luis. Solidariedade. Disponível em http://hps.infolink.com.br/peco/boeira02.htm Acessado em: 28/07/2006.

GREGÓRIO, Sérgio Biagi. Amar ao Próximo como a Si Mesmo. Disponível em: http://www.ceismael.com.br/artigo/artigo087.htm. Acessado em: 28/07/2006.

GREGÓRIO, Sérgio Biagi. O Amor e suas Dimensões. Disponível em: http://www.ceismael.com.br/artigo/artigo087.htm. Acessado em: 28/07/2006.

Solidariedade. Disponível em http://www.adolesite.aids.gov.br/solidariedade.htm . Acessado em 28/07/2006.

2 Responses “Uma missão de amor”

  1. Aterrissei aqui, vindo do LinkTo. Gostei do que vi. Há posts bem interessantes como este que acabei de ler. Voltarei mais vezes.

    Abraços e muito sucesso para o seu blog em 2009.

  2. Géssica Hellmann says:
    João
    Seja bem vindo! Este é um espaço criado com muito carinho… resultado de uma união de pessoas que acreditam na solidariedade e no amor.

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