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Géssica Hellmann
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Violência de gênero
A violência de gênero é a que mais prejudica a qualidade de vida das mulheres, gerando insegurança e vários danos, tanto físicos quanto emocionais. Barsted (2006), afirma que apesar dos esforços dos movimentos e dos diversos tratados das Nações Unidas sobre o combate à violência de gênero, a violência ainda persiste e se manifesta sob as mais diversas formas.

Vulnerable por Yvonne Goldberg
“No caso específico de crime sexual, as mulheres agredidas são rapidamente transformadas em rés. A mensagem dominante na sociedade e, com uma certa constância assimilada pelas/pelos policiais, reforça a idéia de que a violência sexual e, sobretudo, o estupro é crime em que a vítima deve provar que não é culpada, além do fato de ter que exibir marcas físicas e comprovar, portanto, que em nada contribuiu para a o delito. Assim, grande parte das vezes, a mulher, mesmo ferida, humilhada, atemorizada, insegura e envergonhada acaba por arrastar interminavelmente a violência sofrida pelas unidades policiais, pelos serviços de saúde e pelo poder judiciário, como desaguadouros, agregando à sua dor outros tipos de desrespeito, vergonha e violência” (ALMEIDA, 2006).
Bunch (1991) chama a atenção para a banalização desse fenômeno, registrando que “parte importante da população do planeta está rotineiramente sujeita a tortura, humilhação, mutilação, inclusive assassinato, simplesmente por ser mulher – crimes que seriam reconhecidos como uma emergência civil ou política se fossem cometidos contra outro grupo humano. De fato, a ocorrência cotidiana desses atos tem o poder de ofuscar a visibilidade do problema e de descriminalizá-lo no imaginário social e até mesmo no imaginário das mulheres” (BARSTED, 2006).
Os crimes de violência de gênero diferem entre homens e mulheres. Grande parte das mulheres sofrem violência dentro da própria casa. Já os homens sofrem mais violência fora do ambiente familiar.
Nos casos de homicídio de mulheres, os dados mostram que os companheiros são os autores dos crimes entre 70 a 80% dos casos (VIOLÊNCIA, 2006).
Infelizmente a violência de gênero é uma triste realidade mundial. É preciso continuar bravamente a repudiar esse tipo de crime de ódio. Preconceito e desrespeito ao ser feminino ainda existe.
BARSTED (2006) afirma que um estudo estimou que, a cada 15 segundos, uma mulher é espancada por um homem no Brasil. Um terço das mulheres (33%) admitiu já ter sido vítima, em algum momento da vida, de alguma forma de violência física; 24% relataram ter sofrido ameaças com armas; 22% falaram de agressões propriamente ditas e 13%, de estupro conjugal ou abuso. Constatou-se também que, antes e após os 12 anos de idade, as agressões foram, em sua maioria, praticadas por familiares (74%), conhecidos (16%) e apenas uma minoria (10%) por estranhos (10%). Ao analisar os agressores da violência sexual antes dos 12 anos, os familiares responderam por 76% dos casos.
Problemas como o desemprego, o alcoolismo, a pobreza e a miséria estão por trás de muitos casos de violência doméstica contra meninos e meninas. Inúmeros estudos mostram, por exemplo, que o alcoolismo está intimamente ligado aos episódios de violência doméstica contra a mulher, a criança e o adolescente.
Conforme explica a psicóloga Maria Luíza Aboim, “a violência doméstica é uma epidemia que contamina todo o tecido familiar. Estatísticas mostram que homens que espancam suas parceiras também são violentos com as crianças dentro de casa”. (COMO, 2006)
Cionek (2006), afirma que “As conseqüências da violência doméstica podem ser muito sérias, pois crianças e adolescentes aprendem com cada situação que vivenciam, seu psicológico é condicionado pelo social e o primeiro grupo social que a criança e adolescente tem contato é a família. O meio familiar ainda é considerado um espaço privilegiado para o desenvolvimento físico, mental e psicológico de seus membros um lugar ‘sagrado’ e desprovido de conflitos”.
A violência pode ser tanto física, quanto sexual ou psicológica. Todas causam graves danos à vítima, podendo até destruir a sua auto-estima. “No meio desse emaranhado de sentimentos, com muita freqüência, a mulher agredida passa a acreditar que, de alguma forma, contribuiu para a violência por ela sofrida” (AGENDE, 2006).
Existem ainda outros tipos de violência, como o tráfico de mulheres e a prostituição forçada. Sobre este assunto pretendo me aprofundar mais adiante em outro artigo.
Como possíveis conseqüências físicas naa vítimas de violência podemos citar: doenças sexualmente transmissíveis; ferimentos, escoriações, hematomas, fraturas recorrentes; problemas ginecológicos, corrimentos, infecções, dor pélvica crônica; doença Inflamatória pélvica; gravidez indesejada, abortamento espontâneo; asma, síndrome do colo irritável; maior exposição a comportamentos danosos à saúde: sexo inseguro, abuso de álcool e drogas, prostituição, entre outras. Já como conseqüências psicológicas podemos citar: estresse pós-traumático, depressão, ansiedade, disfunção sexual, desordens alimentares, comportamentos obsessivo-compulsivos. Ou em pior hipótese a morte.
“A violência contra a mulher tem outra feição, na maioria das vezes o episódio agudo e mais grave da violência é o fim de linha de uma situação crônica, insidiosa, que aos poucos foi desmontando as defesas das vítimas até deixá-la completamente à mercê do agressor, sem condições até de pedir ajuda. A violência nas relações de casal, nas relações afetivas, íntimas, no interior das famílias, expressa dinâmicas de afeto/poder, nas quais estão presentes relações de subordinação e dominação. E no contexto atual, na maioria das vezes, a mulher ainda está em posição desfavorável” (VIOLÊNCIA, 2006).
Geralmente, no caso de violência doméstica, inicia-se com a agressão verbal, depois com ameaças e, por fim, parte-se para a agressão física. Em entrevista exclusiva, Maria, 52 anos, vítima de violência doméstica, nos disse que “Ele chegava embriagado, quase todos os dias, não se controlava, fazia agressões verbais, me cobrando sobre as coisas que ele me dava”. Depois começou com ameaças: “A primeira vez que demonstrou violência, foi quando me empurrou contra parede. Ele só demonstrava violência quando estava embriagado, me agredia verbalmente, cobrando as coisas boas que tinha feito pra mim. Ameaçava que dormiria com uma faca para me matar, mas nunca o fez”. Finalmente, partiu para a violência física “Foi na noite em que ele chegou embriagado e me bateu. Foi terrível a pior noite da minha vida. Era um pesadelo sem fim”.
“De modo sintomático, uma vez que a violência contra as mulheres é pouco denunciada e pouco reconhecida como um importante problema público no mundo, os dados a respeito são raríssimos e os que existem são subnotificados.” (AGENDE, 2006)
Segundo Barsted (2006) “A ação do movimento de mulheres brasileiras no enfrentamento da violência doméstica e sexual, de forma mais sistemática, data do final da década de 1970, quando as feministas tiveram participação ativa no desmonte da famosa tese da ‘legítima defesa da honra’. Foi, portanto, no campo do Poder Judiciário a primeira manifestação organizada contra uma expressão cultural tradicionalmente utilizada com êxito pela defesa de homens que assassinavam a mulher”.
Sabe-se que muitos avanços já foram alcançados para garantir um atendimento qualificado as mulheres vítimas de violência. Mas sabe-se também que ainda hoje em muitos lugares as mulheres continuam sendo discriminadas, marginalizadas e envergonhadas pelo fato de serem mulheres. É preciso entender que existe infelizmente na cultura brasileira, uma discriminação, um enorme preconceito enraizado contra mulheres agredidas, principalmente por seus companheiros, transformando-as, muitas vezes, de vítimas em rés. Preconceitos esses que, muitas vezes, orientam as práticas dos profissionais responsáveis pelo atendimento aos casos de violência de gênero.
É imprescindível o treinamento qualificado e o acompanhamento contínuo destes profissionais para a garantir a qualidade deste atendimento. É preciso continuar constantemente esta luta, incentivando a denúncia, para que os criminosos não saiam impunes.
Bibliografia
Agende Ações em Gênero Cidadania e Desenvolvimento Violência contra as mulheres: a experiência de capacitação das DEAMs da Região Centro-Oeste/Agende; organizado por Lourdes Bandeira, Tânia Mara Campos de Almeida e Andrea Mesquita.– Brasília, 2004.
ALMEIDA, Tânia Mara Campos de. BANDEIRA, Lourdes.Políticas públicas e violência de gênero: uma discussão com base na rotina das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) da região Centro-Oeste. In Agende Ações em Gênero Cidadania e Desenvolvimento Violência contra as mulheres: a experiência de capacitação das DEAMs da Região Centro-Oeste/Agende; organizado por Lourdes Bandeira, Tânia Mara Campos de Almeida e Andrea Mesquita.– Brasília, 2004.
BARSTED, Leila Linhares. O Progresso das Mulheres no Brasil – A violência contra as mulheres no Brasil e a Convenção de Belém do Pará dez anos depois.
CIONEK, Maria Inês Gonçalves Dias. ROSAS,Fabiane Klazura. O impacto da violência doméstica contra crianças e adolescentes na vida e na aprendizagem. Conhecimento Interativo, São José dos Pinhais, PR, v. 2, n. 1, p. 10-15, jan./jun. 2006
Como a violência doméstica afeta as crianças? Disponível em: http://copodeleite.rits.org.br/apc-aa-patriciagalvao/home/index.shtml. Acessado em: 21/07/06.
Violência de gênero e saúde da mulher. Disponível em: http://www.ipas.org.br/rhamas/violenciagen.html. Acessado em: 21/07/2006.
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[...] artigo publicado na edição anterior tratava da violência, de crimes de ódio. Já este falará sobre o amor. A missão desta revista [...]







