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Depoimento de um soropositivo | Sexualidade by géh

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Géssica Hellmann
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Depoimento de um soropositivo


* “Eu me infectei com um namorado, há mais de dez anos. Eu trabalhava em uma clínica e até cheguei a alertá-lo algumas vezes para que usássemos preservativos, tentei conversar sobre o HIV, mas ele não quis saber. Ele, era muito machista, achava que AIDS era doença de homossexuais e que usar camisinha seria como confessar que ele era gay”.
* “Eu comecei a manifestar os sintomas sem saber que estava infectada. Tive várias pneumonias, um resfriado atrás do outro e ninguém me pediu um exame de HIV. Acho muito importante informar que muitos médicos são completamente desinformados sobre AIDS. Por exemplo, já ouvi médicos dizendo que só é possível pegar AIDS quando o homem tem uma ejaculação completa, o que não é verdade: aquela primeira gotinha de líquido seminal já é suficiente para infectar a parceira. Outra balela que já ouvi de médicos é que o coito interrompido seria suficiente para evitar a infecção”.
* “Durante quatro anos, fui ‘cobaia’ de todos os tipos de antibióticos. Como eu tinha uma gripe ou resfriado sérios praticamente a cada dois meses, com febrão, pneumonia e tudo mais, eu resolvi me tratar diretamente com um pneumologista. Depois de tanto tempo eu comecei a brincar que, se uma pneumonia não me matasse, eu teria câncer pelo efeito da radiação, tantos eram os raios X de pulmão que tive de fazer durante esse período. Também tive vários furúnculos, que tratei com dermatologista. Tudo isso já eram sintomas do HIV e nenhum médico que me tratou pediu um exame de HIV durante todo esse tempo”.
* “Um belo dia, eu fui dormir me sentindo bem e, no dia seguinte, acordei com 40 graus de febre, incapaz de me levantar da cama, mas sem nenhum sintoma de gripe. Pedi à minha irmã que fosse me ajudar e, alarmada, ela entrou em contato com o médico que a atendia. Ele recomendou que eu fosse internada e, no hospital, descobriram que eu estava com pneumonia dupla. Fui para o CTI e sequer conseguia respondia às perguntas do médico. Lá, o médico observou que um dos meus furúnculos não havia se curado completamente e pediu uma biópsia. Foi durante essa biópsia que descobriram que eu estava com infecção por HIV em estágio avançado”.
* “Eu não quis contar à minha família como havia contraído o HIV, eles nunca souberam desse meu relacionamento e não vi motivos para contar quatro anos após o fim do namoro. Então, aproveitei para ‘encaixar uma transfusão de sangue’ (risos) em uma cirurgia que tive de fazer alguns anos antes para justificar o contágio”.
* “Assim que eu comecei o tratamento no posto-de-saúde, me deram um cartãozinho aqui do IPrA e conheci a Rosa. Fiquei impressionada com sua força e imediatamente senti vontade de trabalhar aqui. Porque eu nunca me senti culpada por estar doente. Quando eu soube que estava infectada, meu maior desejo foi o de conhecer outras pessoas com o mesmo problema”.

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