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DST´s e Sexualidade – Entrevista com a palestrante Zélia Carmo | Sexualidade by géh

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Géssica Hellmann
E-mail: geh@gehspace.com
http://redegehspace.gehspace.com

DST´s e Sexualidade – Entrevista com a palestrante Zélia Carmo


Géssica Hellmann e Alexis Kauffmann

Tivemos o imenso prazer de conhecer esta mulher maravilhosa, Zélia Carmo, em uns dos nossos primeiros contatos com o IPrA. Sorridente, cativante, sempre com uma palavra doce e positiva nos lábios. É assim que ela se apresenta e conquista a atenção e o carinho de quem está em seu convívio. Uma mulher guerreira, forte e batalhadora, mas acima de tudo uma Mulher. Zélia nos conta de sua experiência como palestrante e ativista na prevenção à AIDS.

Zélia Carmo - voluntária do IPrA

Zélia Carmo

Tenho abordado Reich nas últimas edições, seu trabalho sobre sexualidade e corporalidade. Percebemos como as pessoas na época desconheciam seu próprio corpo, quantos mitos e medos enraizados. Mas será que algo mudou? Será que aprendemos a dar e receber prazer? Ou a desinformação ainda continua?

Como resposta a estes questionamentos relato aqui o depoimento da palestrante, voluntária no IPrA, Zélia Carmo.

Zélia ministra palestras de prevenção à AIDS em várias instituições. Afirma ser assustadora a desinformação quanto às doenças sexualmente transmissíveis (DST’s), à sexualidade e a falta de conhecimento da própria anatomia.

Ninguém está livre, nem por idade, há pessoas que pensam que “depois da menopausa não se pega AIDS”, afirma Zélia.

Quando ministra palestras nos colégios ela costuma dizer aos adolescentes “As mães e os pais de vocês também correm risco por desinformação” – quem garante que o um deles não pode cometer um “deslize” fora do casamento?

“Hoje, a realidade é que a maioria das meninas de quinze anos já não são mais virgens”, constata Zélia. Ela costuma aconselhar as meninas levarem sempre na bolsa uma camisinha feminina, porque se o parceiro, na hora do sexo, estiver desprevenido sem preservativo ou não quiser usar, a menina deve tomar iniciativa de usar. Em uma das palestras, uma das garotas perguntou como poderia urinar usando camisinha feminina.

Espantada com a dúvida, Zélia perguntou qual seria a dificuldade. A menina pensava que o preservativo iria “tampar” a passagem da urina… A palestrante teve que explicar que o orifício não era o mesmo! Pode se perceber o quanto as mulheres, ainda hoje, desconhecem o próprio corpo.

Outra adolescente perguntou se não havia perigo fazer sexo durante a o período menstrual. Ela achava que o sangue menstrual poderia “subir para a cabeça”.

Zélia também já ministrou palestras para militares, em quartéis. “Você pode imaginar aquele mundo de homens… A expressão que eles fazem quando escutam uma senhora de 70 anos falando em “pênis”, “vagina”, “relação sexual”? Digo a eles: “Eu sei que muitos de vocês não querem usar camisinha com a esposa mas, pelo menos, usem com as “de fora”! Provavelmente tenho menos experiência que vocês, não sou médica, mas com o tempo que tenho contato com soropositivos como voluntária do IPrA, já ouvi muitas vezes “não uso camisinha com a minha esposa porque ela pode achar que eu tenho outra”. No mundo de hoje quem pode garantir que o comportamento tanto do homem quanto da mulher”?

Em suas palestras, Zélia evita falar sobre detalhes biológicos, como o processo de infecção do vírus na célula. “Não é isso que interessa ou fará com que as pessoas se previnam. A mulher deve ir a cada seis meses fazer preventivo, ao perceber qualquer sinalzinho anormal procurar um ginecologista. As DST’s são as doenças mais fáceis de evitar: basta usar preservativos. Já um vírus de gripe ou outras infecções, não, você pode pegar muitas vezes até no ar”.

Ainda prevalece o conceito de que usar camisinha durante a relação sexual é “chupar bala com papel”. Ao que ela retruca: “Vocês tem que enriquecer o seu conceito de relação sexual. Uma relação sexual não é somente penetração pura e simplesmente. Tem que ter um envolvimento para que a relação seja mais rica, pra que não fique somente na penetração. O corpo da gente é enorme, você pode descobrir várias maneiras de dar e receber prazer no corpo do parceiro ou da parceira, tocando, acariciando, não fazer com que a penetração seja toda ela a relação”. E volta a afirmar “o corpo é tão maravilhoso, então pra que só enfatizar a penetração? Usar camisinha não é chupar bala com papel, a relação sexual é muito mais que a penetração”. Uma relação sexual é também ficar abraçado com o parceiro, beijar, dar prazer de tantas outras formas, é usar a criatividade. Para desanuviar, ela brinca: “Com tanta coisa para chupar sem papel, vocês vão reclamar do papelzinho na hora da penetração? Deixem o papel lá!”.

A promiscuidade não é ruim somente porque a pessoa vai “ficar falada”, é ruim porque faz com que a relação fique mecanizada. Uma relação sexual é algo que pode ser muito bonito, enriquecedor, algo que faça sentir moralmente e espiritualmente satisfeito.

Para as adolescentes, ela alerta: “Procurem se cuidar mais, valorizar mais uma relação. Temos uma apresentação com imagens de todas as DST’s. As imagens são das doenças em estágio já avançado e, por isso, bastante chocantes. Quando mostro nas palestras eu digo que é pra chocar mesmo, para que fiquem com medo e se lembrem de usar camisinha”.

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