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Géssica Hellmann
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Entrevista com voluntário do IPrA – Instituto de Prevenção à AIDS
“O que vejo como minha responsabilidade é fazer um trabalho de formiguinha. Conscientizar as pessoas sobre como se prevenir, para usar a camisinha, como se tratar, especialmente as mulheres grávidas. Sempre pergunto se estão seguindo o pré-natal direitinho, se fizeram exame de HIV, sífilis, hepatites… Porque hoje, a transmissão vertical diminuiu muito. Os filhos de mães portadoras de HIV nascem sem o vírus. As mães não podem amamentá-los, mas os bebês não nascem com a doença. Outro benefício do tratamento é que as mães vão viver por muito mais tempo do que antes e poderão acompanhar o crescimento de seus filhos.
“Órfãos da AIDS”
Os filhos da primeira geração da AIDS, aqueles bebês que nasceram soropositivos pois ainda não se sabia como controlar a transmissão vertical, hoje já são adolescentes, na faixa dos 17 anos. No geral, tiveram que superar o trauma de não conhecer os pais e sabem que são portadores do vírus. Mas são psicologicamente muito mais bem trabalhados do que a maioria dos adolescentes, no sentido de que entendem a gravidade da situação. Os adolescentes se expõem a maiores riscos, por uma soma de desinformação, preconceito, estímulo sexual precoce e acesso fácil a drogas injetáveis.
“Preconceito”
Espanto-me em saber que, em pleno Rio de Janeiro, em 2007, ainda existam pessoas que digam “Fulano era gay, por isso morreu de AIDS”. Na Baixada Fluminense, há coisa de até cinco anos, ainda existia essa mentalidade. Hoje, o que se ouve é “Fulano morreu de HIV porque não se tratou”.
“Prostituição infantil e mau-caratismo”
É lógico que um sujeito que não tem escrúpulos de fazer sexo com um menino ou menina de 9, 10 anos, não vai ter a consciência de usar camisinha e, assim, sai espalhando a doença entre crianças.
Outro comportamento mau-caráter é o do sujeito que, ao descobrir-se com HIV no centro urbano, decide “mudar de vida”, vai para uma cidade de interior. Chega nessa cidade com outra identidade, tentando “apagar o passado”, mas leva o vírus com ele. Casa-se, muitas vezes continua levando a vida desregrada que levava na cidade e espalhando o vírus pelo interior do país. Porque, como ninguém vem com uma faixa “sou portador do HIV” estampada na testa, essas pessoas se transformam em vetores da epidemia. Foi muito frustrante descobrir que um trabalho de conscientização que eu comecei em uma cidade do interior havia chegado tarde demais, porque já havia muitas pessoas contaminadas por um desses “vetores”.







