Portal de Arte e Cultura | Rede Géh Editores Web | Blog Corporativo e Mídias Sociais | SEO - Otimização de sites

Seguindo os passos de Reich na busca pelo entendimento do papel da corporalidade na sexualidade (parte II) | Sexualidade by géh

Quer mais visitas para seu site? Contrate um blog corporativo para sua empresa! Entre em contato!

Géssica Hellmann
E-mail: geh@gehspace.com
http://redegehspace.gehspace.com

Seguindo os passos de Reich na busca pelo entendimento do papel da corporalidade na sexualidade (parte II)


Géssica Hellmann

Como vimos no artigo anterior, Reich afirmou que a “antecipação mental do prazer não somente gera tensão, mas descarrega excitação sexual em pequena quantidade, até finalmente atingir o clímax e a descarga total da tensão”. A excitação sexual regride antes de atingir o seu ápice, pois a descarga dissolve a tensão acumulada e reduz a excitação a zero.

No Children Allowed por Randolphlee McIver

No Children Allowed por Randolphlee McIver

Como exemplo Reich cita um paciente que tratou, um garçom que jamais havia experimentado uma ereção. O exame médico, segundo ele, não apresentou nenhuma deficiência orgânica aparente. Segundo Reich, o paciente não apresentava fantasias genitais, o que chamou sua atenção para diferentes práticas masturbatórias em outras pessoas. Ele perguntou aos pacientes no que pensavam enquanto se masturbavam, e soube que eles não tinham idéias definidas e a expressão “relação sexual” era usada mecanicamente. (Reich, 1991). Em resumo a expressão denotava aspectos variados, menos prazer sexual genital.

Reich dividiu em dois grupos seus pacientes: um pelo papel desempenhado pelo pênis na fantasia, havendo ejaculação, mas não prazer genital. No segundo grupo, não havia atividade e nem fantasias genitais. Esses pacientes excitavam-se com o dedo no ânus, imaginavam-se estar sendo surrados, ou comendo excrementos, ou que lhe chupavam o pênis, comprimiam o pênis entre as pernas. Apesar de fazerem uso do órgão genital, suas fantasias não tinham um objetivo genital.

Em suas observações clínicas, Reich chegou a conclusão de que “a forma pela qual era fantasiado o ato sexual e a maneira pela qual se realizavam essas fantasias ofereciam fácil acesso aos conflitos inconscientes”. Em outubro de 1922, Reich apresentou um breve relatório “Sobre a especificidade das formas de masturbação”.

No congresso psicanalítico de 1922, em Berlim, Freud propôs uma competição a respeito de investigações sobre a correlação entre a teoria e a terapia. Segundo Reich, graças a esta proposta ele chegou ao resultado em 1940: a vegetoterapia de análise do caráter.

Ainda em 1922, quando recebeu seu grau médico da Universidade de Viena e tornou-se membro da Associação Psicanalítica de Viena, estava empenhado em várias investigações clínicas. Seu principal interesse então a esquizofrenia.

Na mesma época, Schilder estava em processo de pesquisa para seu tratado sobre a “imagem corporal”, onde pretendia demonstrar que “o corpo é psiquicamente representado por meio de sensações unitárias de forma, e que essa ‘imagem psíquica’ corresponde toscamente às funções reais dos órgãos”. Schilder afirmava que o inconsciente de Freud, de certa forma, podia ser percebido no corpo.

Reich descreve um paciente catatônico, ou seja, que não respondia a estímulo algum, e que passou do estupor à violência. Depois da descarga da tensão, tornou-se lúcido e acessível, sem se recordar da sua fase apática. Percebeu, então, que era capaz de causar acessos de violência em neuróticos emocionalmente bloqueados e muscularmente hipertensos, conseguindo obter melhoras em seus pacientes.

“Reich descobriu que cada atitude de caráter tem uma atitude física correspondente e que o caráter do indivíduo é expresso corporalmente sob a forma de rigidez muscular ou couraça muscular. Reich começou a trabalhar, então, no relaxamento da couraça muscular. Ele descobriu que a perda da couraça muscular libertava energia libidinal e auxiliava o processo de psicanálise. O trabalho psiquiátrico de Reich lidava cada vez mais com a libertação de emoções (prazer, raiva, ansiedade) através do trabalho com o corpo. Ele descobriu que isto conduzia a uma vivência muito mais intensa do que o material infantil trabalhado pela psicanálise”. (Reich, 2007)

Reich (1991) afirma também que uma pessoa que tenha permitido a sexualidade proibida, mas que ainda mantém sua defesa contra ela, podia se sentir como estranho o mundo exterior, se desequilibrando emocionalmente. “Da mesma forma o mundo empurra sensações sexuais para cima do paciente psicótico de maneira tão violenta que ele tem de afastar-se dos modos comuns de pensar e de viver”.

As pessoas “normais” também pensariam a sexualidade através de conceitos antinaturais, por exemplo, o ato sexual animal puro e simples. Para Reich, o que distinguiria o paciente esquizofrênico seria o fato de que, embora ele sentisse a biologia vital do corpo, não conseguiria enfrentá-la.
Reich observou uma menina que estava de cama na clínica havia anos e ficava o tempo todo movendo a região pélvica e passando o dedinho no clitóris. Estava bloqueada, alheia ao mundo. Se alguém, segundo Reich, conhece a terrível angústia das crianças pequenas que são proibidas de masturbar-se, entenderá o comportamento dos pacientes neuróticos. “Eles desistem do mundo e, dementes, praticam o ato que o mundo irracionalmente governado uma vez lhe proibiu”.

Freud havia conseguido se aproximar do problema, mas havia sido ridicularizado, sendo defendido prontamente por Reich.

Na época havia três conceitos básicos sobre a relação entre a esfera somática e a psíquica:

1 – “Toda a enfermidade ou manifestação psíquica pode ter somente uma causa física” (materialismo mecanicista).
2 – “Para o pensamento religioso, todas as enfermidades somáticas são também de origem psíquica” (idealismo metafísico).
3 – O psíquico e o somático são dois processos paralelos que exercem efeito recíproco um sobre o outro” (paralelismo psicofísico).

O que Reich percebeu é que não existia nenhum conceito funcional-unitário da relação corpo e mente.

“A técnica terapêutica da análise do caráter se desenvolveu paralelamente às primeiras
formulações teóricas da construção central do pensamento de Reich, A teoria do orgasmo. O artigo Sobre a genitalidade do ponto de vista do prognóstico e da terapêutica psicanalítica, publicado em 1924, iniciou a elaboração da teoria do orgasmo na obra reichiana” (Gasparotto, 2004).

Mais tarde em suas observações clínicas, Reich percebeu que a neurose é uma doença da massa, e não um capricho de mulheres mimadas, como se acreditava. Percebeu também que a perturbação da função genital era o motivo mais freqüente que levava as pessoas à clinica.

Uma de suas pacientes sofria de ninfomania, nunca conseguindo a satisfação sexual. Masturbava-se com o cabo de uma faca, ou mesmo com a própria lâmina, até sangrar sua vagina. Percebeu durante a sua análise que ela sofria a influencia destrutiva de uma família operária, pobre e materialmente atormentada e impiedosa. Nessas famílias geralmente as mães não tinham tempo para cuidar das crianças, e quando as percebiam se masturbando, atiravam uma faca na criança. Assim, a criança associava a faca à punição por sua masturbação, conseqüentemente sentindo-se culpada. Mais tarde, atormentada, tentava alcançar o orgasmo com a mesma faca.

Muitos histéricos e neuróticos compulsivos tiveram uma educação anti-sexual na infância, geralmente punidos com brutalidade, pouca conversa e instrução sobre o assunto, introjetando sentimentos de culpa que marcariam sua conduta adulta.

A repressão sexual era a maior fonte das neuroses, segundo Reich. Crianças criadas em uma atmosfera familiar neurótica e repressora os transformaria em adultos sexualmente reprimidos, culpados e com medo de sentir prazer. Ele afirmava que essa couraça muscular do caráter seria a base do isolamento, da miséria sexual e da neurose coletiva.

Bibliografia

Gasparotto, f. L. Wilhelm Reich: um homem e suas guerras. In: convenção Brasil Latino América, congresso brasileiro e encontro paranaense de psicoterapias corporais. 1., 4., 9., Foz do Iguaçu. Anais… Centro reichiano, 2004. Cd-rom. [isbn - 85-87691-12-0]

Reich. Disponível em: . Acessado em: 25/01/2007.

Reich, Wilhelm. A função do orgasmo – Problemas econômico-sexuais da energia biológica. São Paulo: Círculo do Livro, 1991.

Let us talk about
Name and Mail are required
Join the discuss
*