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Sexualidade e Corporalidade – Seguindo os passos de Reich: A couraça do caráter | Sexualidade by géh

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Géssica Hellmann
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Sexualidade e Corporalidade – Seguindo os passos de Reich: A couraça do caráter


Géssica Hellmann

A couraça do caráter foi o resultado do tratamento de Reich em sua busca por desfazer as resistências dos pacientes.

“A função da terapia psicanalítica era descobrir e eliminar resistências… O analista devia partir da repressão dos impulsos inconscientes pelo ego moralista. Mas não era somente um ponto que precisava se romper para penetrar nas defesas do ego, atrás das quais se estende o grande domínio do inconsciente. Na realidade, os desejos instintivos e as funções de defesa do ego se entretecem e se permeiam com a estrutura psíquica inteira”. (Reich, 1991).

por Erin Prucha

por Erin Prucha

Reich encontrou algumas inconsistências na teoria psicanalítica, como o fato de que os psicanalistas, em seus trabalhos teóricos, não faziam diferença entre a teoria, a estrutura hipotética e fenômenos claramente visíveis, e ao fato de se referirem ao inconsciente como algo concreto, obstruindo, desta forma, uma investigação das bases biológicas do funcionamento psíquico.

Em sua observação clínica, Reich conseguiu perceber a “unidade funcional antitética que existe entre o que reprime e o que é reprimido”. Afirma também que o caráter de uma pessoa seria a soma funcional de todas as experiências passadas.

Reich esquematiza um caso de “efeito cascata” de repressões-reações da seguinte forma:

=> Um paciente com amor genital objetivo em relação à mãe se defenderia com um sentimento de desapontamento com a mãe;

=> A esse desapontamento, o paciente reage com medo da vagina;

=> Esse medo da vagina provocaria uma atitude sádica em relação a mãe; com um desejo de transpassar; um desejo fálico.

=> O desejo fálico criaria um medo de ser mulher, originando uma reação de atitude passivo-feminina em relação ao pai; um erotismo anal.

=> O erotismo anal criaria um medo de ser castrado originando uma reação de desejo de castrar o pai.

=> O desejo de castrar o pai criaria como reação de autoproteção, um medo de ser destruído, originando impulsos assassinos em direção ao pai.

=> Os impulsos assassinos criariam um medo de agressão, originando uma defesa em forma de agressão à autoridade.

=> A agressão à autoridade originaria medo e sentimento de inferioridade em relação à autoridade,

=> O medo da autoridade daria origem a uma atitude de despeito, ridículo, desconfiança e ânsia de poder.

=> Finalmente, essa ânsia de poder criaria um medo de perder o amor e a proteção o transformando em um adulto polido, impotente, ascético e angustiado.

Reich acreditava que, eliminando as camadas de resistências, era possível encontrar o cerne do problema. No caso acima, o “amor genital objetivo em relação à mãe”. A soma dessas resistências Reich chamou de “couraça”.

Após anos de pesquisa, Reich compreendeu que a “tendência destrutiva cravada no caráter não é senão a cólera que o indivíduo sente por causa da sua frustração na vida e de sua falta de satisfação sexual”.

O autor afirma ainda que uma pessoa orgasticamente insatisfeita desenvolve um caráter artificial e um medo às reações espontâneas da vida.

A avaliação de Reich sobre as várias teorias conflitantes entre os psicanalistas da época não era das mais generosas. Stekel rejeitava as neuroses atuais e o complexo de castração. Adler, que lutava contra a teoria da sexualidade, chegou a um beco-sem-saída quando percebeu sentimentos de culpa e agressão, transformando-se em um filósofo finalista e moralista social. Jung generalizou a tal ponto o conceito de libido que este perdeu completamente seu significado de energia sexual. Ferenczi tinha perfeita consciência da desolação reinante no campo da terapia e procurou a solução no corpo, mas por estar pouco familiarizado com a neurose estásica, cometeu o erro de não levar a sério teoria do orgasmo.
Todos afundaram por uma única questão: “onde e como deverá o paciente expressar sua sexualidade natural quando esta for libertada da repressão”? Freud fugia à discussão sobre esse problema.

Segundo Reich, seus colegas não conseguiam ver que era justamente a incapacidade de experimentar satisfação sexual o que caracterizava a neurose. A satisfação sexual poderia resolver todos os problemas, mas nem sempre era fácil consegui-la. Era preciso encontrar os pontos que desviavam essa energia.

Seu método de cura era estabelecido em quatro etapas:

1 – Completa investigação do comportamento humano, incluindo o ato sexual;
2 – Compreensão e controle do sadismo humano;
3 – Investigação das manifestações mais importantes da enfermidade psíquica que tem suas raízes em períodos anteriores a fase genital da infância;
4 – Investigação da causa social das perturbações genitais.

Na psicanálise, confundiam-se muito os termos “agressão, sadismo, destruição e instinto de morte”. A elucidação deste equívoco e a seqüência da pesquisa de Reich sobre o caráter será vista no próximo artigo.

Bibliografia

Reich, Wilhelm. A função do orgasmo – Problemas econômico-sexuais da energia biológica. São Paulo: Círculo do Livro, 1991.

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