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Géssica Hellmann
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Sexualidade e Corporalidade – Seguindo os passos de Reich: A irrupção no campo biológico III


Géssica Hellmann

Em 1933, os entendimentos do campo psíquico e somático mostravam para Reich que os impulsos e sensações não eram produzidos pelos nervos, mas apenas transmitidos por eles. “Todos os impulsos biológicos e sensações biológicas do organismo podem ser reduzidos à expansão (alongamento, dilatação) e contração (encolhimento, constrição)”.

por Erin Prucha

por Erin Prucha

O autor afirma que as pesquisas sobre as “inervações vegetativas” dos órgãos mostra que o sistema parassimpático funciona quando há expansão, dilatação, hiperemia, tensão e prazer. Já os nervos simpáticos funcionam quando há contração, quando o sangue foge da periferia e aparecem a palidez, angústia e a dor.

“Na experiência do prazer, os vasos sanguíneos se dilatam na periferia, a pele se torna corada, o prazer é experimentado desde a mais suave das formas até o mais alto grau de êxtase sexual”. No prazer, ocorre a dilatação parassimpática, em que o coração se expande. Na angústia, o coração se contrai, aumentando a freqüência cardíaca.

Psiquicamente, a expansão biológica é experimentada como prazer e, a contração, como desprazer. No campo dos fenômenos instintivos, a expansão funciona como excitação sexual e a contração como angústia. Já no nível da fisiologia, a expansão corresponde ao funcionamento parassimpático e, a contração, ao funcionamento simpático.

Reich, pouco a pouco, mapeava o funcionamento das emoções no corpo humano. Aprofundou seus estudos no campo biológico, principalmente no prazer e desprazer (expansão e contração). Concluiu que as emoções (sensações) estavam ligadas a carga e descarga de tensão. Como vimos anteriormente, Reich percebeu que as resistências dos pacientes se manifestavam através do encouraçamento do caráter e também da couraça muscular, ocasionando tensões musculares que impediam o ser humano de manifestar claramente suas emoções.

Reich, então, se questiona: de onde se origina a energia vegetativa? Onde era seu centro? Levando em conta dados conhecidos na época: “Na região abdominal – a chamada sede das emoções – encontramos os geradores da energia biofísica. São os grandes centros como do sistema nervoso autônomo, especialmente o plexo solar, o plexo hipogástrico e o plexo lombo-sagrado”.

Reich se perguntava como cada órgão funcionava normalmente no prazer e na angústia. O sistema nervoso parassimpático dilata os vasos sanguíneos, aumentando o fluxo de sangue para a periferia, tornando lenta a ação do coração. Já o sistema simpático contrai os vasos sanguíneos da periferia para o centro, estimulando a ação do coração.

Podemos perceber o funcionamento da função simpática da angústia quando lembramos que o sistema nervoso simpático estimula o músculo que impede a micção, enquanto o sistema nervoso parassimpático tem efeito contrário, relaxando ou inibindo o mesmo músculo. No organismo em geral, é também significativo que, no prazer, as pupilas sejam contraídas pelo sistema parassimpático, aguçando a visão. Na angústia, ou paralisia causada pelo medo, a visão diminui por causa da dilatação das pupilas.

Em 1934, Reich escreve uma pequena monografia sobre seus estudos e tenta participar do XIII congresso psicanalítico, sem sucesso. Ao chegar ao congresso, Reich soube, por meio do secretário da Sociedade Psicanalítica Alemã, da qual havia sido membro, que havia sido expulso da Sociedade, sem prévia justificativa ou notificação, em 1933.

Segundo Reich, a teoria do orgasmo podia orgulhar-se de ter feito importantes contribuições à compreensão da fisiologia do organismo. Cada vez mais desvendava as emoções e seus reflexos corporais, unindo suas descobertas sobre a sexualidade e corporalidade humana.

No próximo artigo, introduziremos as reflexões reichianas sobre o reflexo do orgasmo e a técnica da vegetoterapia de análise do caráter.

Bibliografia

Reich, Wilhelm. A função do orgasmo – Problemas econômico-sexuais da energia biológica. São Paulo: Círculo do Livro, 1991.

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