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Géssica Hellmann
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Sexualidade e Corporalidade – Seguindo os passos de Reich: O reflexo do orgasmo e a técnica da vegetoterapia de analise do caráter
Wilhelm Reich, durante seu trabalho sobre análise do caráter, tentou, de maneira sistemática, isolar e desmascarar as atitudes de caráter, sempre com o objetivo de liberar as emoções reprimidas. Todas as dissoluções bem-sucedidas da couraça muscular liberavam emoções de cólera ou e angústia. O tratamento das emoções liberadas tornava possível a restauração da motilidade sexual. Reich descobriu que, se aliasse o tratamento de caráter ao tratamento da couraça muscular, os resultados se tornavam muito mais eficazes.

Circus por Erin Prucha
Reich tinha a opinião de que a “rigidez somática” representava a parte mais essencial do processo de repressão. (Reich, 1991).
Segundo o autor, na infância é que se cria o encouraçamento muscular, seja prendendo a respiração ou aumentando os músculos abdominais. As crianças, muitas vezes, são levadas a reprimir o choro, anular seus impulsos de ódio, angústia ou, até, de amor. Até então, a psicologia analítica havia se dedicado somente aos sentimentos que a criança anularia e aos motivos que a levariam a fazer isso, deixando de lado o “modo” pelo qual as crianças lutariam contra os impulsos, ou seja, o processo fisiológico da repressão.
“A estrutura psíquica é ao mesmo tempo uma estrutura biofísica que representa um estado especifico indicativo da intervenção das forças vegetativas de uma pessoa” (Reich, 1991, 256).
Segundo o autor, aliar a terapia de análise do caráter às atitudes musculares possibilita evitar o complicado rodeio pela estrutura psíquica, ao atingir-se diretamente os afetos a partir da atitude somática.
A atitude muscular não é nada além que do que aquilo que chamamos de “expressão corporal” ou “corporalidade”.
“Reich achava que a couraça muscular está organizada em sete principais segmentos de armadura, que são compostos de músculos e órgãos com funções expressivas relacionadas. Estes segmentos formam uma série de sete anéis mais ou menos horizontais, em ângulos retos com a espinha e o torso. Os principais segmentos da couraça estão centrados nos olhos, boca, pescoço, tórax, diafragma, abdome e pelve” (Reich 2, 2007).
O autor afirma que, para a dissolução da couraça, são importantes três instrumentos:
- Armazenamento de energia no corpo por meio de respiração profunda;
- Ataque direto aos músculos cronicamente tensos (por meio de pressão) a fim de soltá-los;
- Manutenção da cooperação do paciente, lidando abertamente com quaisquer resistências ou restrições que possam emergir.
A vegetoterapia tem por objetivo dissolver os bloqueios musculares dos sete segmentos citados acima. A energia liberada se expressaria através de ondas de excitação, liberando os afetos e gerando uma elaboração dos conteúdos reprimidos. As couraças podem estar representadas em qualquer um destes segmentos e seu desbloqueio deve ser no sentido céfalo-caudal, iniciando pelo primeiro (ocular) e seguindo em direção ao sétimo nível (pélvico) (Rodrigues, 2007).
Reich descreve as características e os mecanismos de várias atitudes musculares típicas. Dentre elas, a região da cabeça e do pescoço. Dor de cabeça forte é um sintoma comum em muitos pacientes, afirma o autor. Localiza-se freqüentemente acima do pescoço, sobre os olhos ou na testa. (Reich, 1991)
Segundo o autor, quando as pessoas mantém o pescoço tenso por muito tempo, sentirão logo uma dor na parte posterior da cabeça. Já uma dor de cabeça supra-orbital (como uma faixa apertando a cabeça), é geralmente causada pelo hábito de uma elevação crônica das sobrancelhas, causando uma tensão em toda a musculatura do crânio e uma contínua expectativa com relação aos olhos. Outro exemplo citado pelo autor são os espasmos da boca, do queixo e da garganta. Estes pacientes sofrem freqüentemente de náuseas, sua voz é habitualmente baixa, monótona. A mesma reação têm as crianças quando prendem o choro, provocando a tensão no assoalho da boca. Reich afirma que a face como um todo deve ter uma atenção especial, porque ela revela muito do paciente.
Segmento ocular:
A couraça dos olhos é expressa por uma imobilidade da testa e uma expressão vazia dos olhos. A couraça pode ser desfeita fazendo com que os pacientes abram bem seus olhos como se estivessem com medo, forçando uma expressão emocional e encorajando o movimento livre dos olhos.
Segundo Santos (2007) “Como doenças degenerativas do sistema nervoso podemos encontrar o mal de Parkinson, mal de Wilson, Esclerose em placa, biopatias neuromusculares como distrofia muscular progressiva, miotroia de Thomsen, etc. Como biopatias da pele podemos citar o eczema, urticária, psoríase, miotrofia de herpes, alopecia, etc. Nos olhos encontramos os erros de refração da visão tais como miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia, além de dores de cabeça, enxaqueca, etc. No nariz e ouvido temos a rinite, otites, etc. No âmbito emocional, irá resultar em uma dificuldade de contato com outras pessoas, confusão de pensamentos e idéias, falta de ponto, de foco (objetivos), etc. (NAVARRO, 1995)”.
Segmento oral:
Este segmento inclui os músculos do queixo, garganta e parte de trás da cabeça. A “retenção do choro” ou de expressões emocionais como morder com raiva, gritar e fazer caretas são inibidas no segmento oral. O encouraçamento pode ser desfeito estimulando-se o choro e com exercícios com os lábios para trabalhar os músculos tencionados.
“Como biopatias mais comuns encontramos os problemas ortodônticos, bruxismo, bulimia, inapetência, boca seca, náuseas, sensação de “bolo” na garganta, etc”(Santos, 2007).
Segmento cervical:
Este segmento inclui músculos profundos do pescoço, da língua, do esternocleidomastoídeo e a glândula tireóide. O encouraçamento acontece principalmente ao reprimir o choro ou a raiva. Para desencouraçar estes músculos, os exercícios de gritar, cantar e vomitar podem liberar a energia tencionada.
Segundo Santos (2007), “As biopatias mais comuns são o torcicolo, tensão ou dor muscular na região dos ombros e pescoço, reumatismo muscular, artrose cervical, hiper ou hipotiroidismo, entre outras”.
Segmento torácico:
Neste segmento encontram-se o tórax, incluindo o coração, o pulmão, timo e os membros superiores. Ele serve como inibidor do riso, da raiva, da tristeza, do desejo, do amor e do ódio. A inibição da respiração, que é um meio importante de suprimir toda emoção, ocorre geralmente no tórax. O exercício respiratório completo é essencial para liberar as energias reprimidas neste segmento.
“As biopatias recorrentes dos bloqueios deste nível são a asma brônquica, aumento da frequência cardíaca, palpitações, dores no peito e nas costas, aterosclerose, arteriosclerose, hipertensão, enfisema pulmonar, tremores ou sensação de fraqueza, sudorese, mãos frias e úmidas, etc” (Santos, 2007).
Segmento diafragmático:
Neste segmento inclui-se o diafragma, o plexo solar, o estômago e outros órgãos internos, além dos músculos das vértebras torácicas baixas. Este encouraçamento inibe a raiva extremada.
“O bloqueio diafragmático traz uma ansiedade de espera da punição ocasionando biopatias como ansiedade, inquietação, falta de ar, fadiga, dores na região lombar, problemas no estômago (úlcera, gastrite), fígado, baço, diabete, etc” (Santos, 2007)
Segmento abdominal:
Neste segmento incluem-se os músculos abdominais longos e os músculos das costas. É importante lembrar que os segmentos devem ser liberados de primeiro ao sétimo, nesta ordem.
“As biopatias apresentadas neste nível ocasionam problemas intestinais, renais, etc” (Santos, 2007).
Segmento pélvico:
Este segmento inclui os músculos da pelve, dos membros inferiores, e os órgãos internos (ovários, útero, bexiga, genitais). Portanto este encouraçamento inibe a ansiedade, a raiva e o prazer. A inibição da ansiedade e a raiva resulta na inibição do prazer sexual.
“As biopatias deste segmento são problemas sexuais como frigidez, impotência, ejaculação precoce, varizes, etc” (Santos, 2007).
Reich afirma que a inibição respiratória e a fixação do diafragma são os principais atos da supressão das sensações de prazer no abdômen (Reich, 1991).
Segundo o autor, desde crianças somos levados a reter (controlar) nossas emoções; somos tão reprimidos que esquecemos como respirávamos quando éramos bebês e começamos a fazer uma respiração incompleta.
Com este mapeamento do corpo humano sugerido por Reich, torna-se possível e viável a técnica da vegetoterapia. Um ser humano com suas couraças liberadas está aberto a novas descobertas, e principalmente a uma nova maneira de olhar o mundo e a sociedade ao seu redor; está aberto a se conhecer, se amar e amar ao próximo com a mesma intensidade.
Como mãe, pesa a responsabilidade de uma boa educação para meu filho. Lembrar-nos constantemente da importância de como nos relacionamos com eles ainda pequenos. Frases como “não chore”, “fale baixo”, ou outras intimidações verbais, será que são necessárias? O quanto elas podem se transformar em couraças? Como incentivar meu filho a expressar seus sentimentos – e, conseqüentemente, sua corporalidade e sexualidade – de uma forma sadia?
Bibliografia
Reich, Wilhelm. A função do orgasmo – Problemas econômico-sexuais da energia biológica. São Paulo: Círculo do Livro, 1991.
Rodrigues, Henrique J. Leal F. Da Vegetoterapia à Orgonomia: uma mudança de paradigma. Disponível em: < http://www.reich.psc.br/pdf/Da%20Vegetoterapia%20a%20Orgonomia%20uma%20mudan%E7a%20de%20paradigma.pdf>. Acessado em 18/04/2006.
Santos, C. N. Mapeamento emocional do corpo humano. In: CONVENÇÃO BRASIL LATINO AMÉRICA, CONGRESSO BRASILEIRO E ENCONTRO PARANAENSE DE PSICOTERAPIAS CORPORAIS. 1., 4., 9., Foz do Iguaçu. Anais… Centro Reichiano, 2004. CD-ROM. [ISBN - 85-87691-12-0]







