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Sexualidade e Corporalidade – Seguindo os passos de Reich: primeiras experiências para a base da teoria do caráter e da couraça muscular | Sexualidade by géh

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Géssica Hellmann
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Sexualidade e Corporalidade – Seguindo os passos de Reich: primeiras experiências para a base da teoria do caráter e da couraça muscular


Géssica Hellmann

Para Reich um dos fatos mais importantes que teria aprendeu no seminário de psicanálise foi que os analistas se referiam a “transferência” para designar somente a transferência positiva omitindo a negativa. “Os analistas temiam, ouvir, examinar, confirmar ou refutar opiniões depreciativas e criticas embaraçosas dos pacientes”. (Reich, 1991).

por Erin Prucha

por Erin Prucha

O autor percebia, na época, vários procedimentos incorretos que ocasionavam tratamentos ineficientes e errados. Tentou dissuadir os analistas de tentar “convencer” os pacientes da exatidão de uma interpretação. “Todo paciente é profundamente cético em relação ao tratamento”.

Debatia-se a estrutura pessoal do terapeuta, que tinha que enfrentar e dominar a agressão e a sexualidade. Mas, como atingir esse objetivo, se os próprios terapeutas eram filhos de sua época? “A situação da análise exigia liberdade dos padrões convencionais e, em relação à sexualidade, uma atitude desembaraçada de preconceitos morais”.

Reich, em sua experiência clínica constatava que se, por um lado, muitas vezes as neuroses se curavam rapidamente pela satisfação genital, por outro revelava que eram mais difíceis os casos em que a satisfação não era plenamente conseguida.

Em seu trabalho, começou a enfatizar o estudo das fixações pré-genitais, dos desvios da satisfação sexual e dos problemas sociais de uma vida sexual satisfatória. Ou seja, a estrutura social impunha muitos obstáculos para uma vida sexual plena.

As publicações de Freud “Além do princípio do prazer”, em 1920, e “O ego e o id”, em 1923, causaram um impacto desconcertante na prática analítica, cujo interesse central estava nas dificuldades sexuais do paciente. O instinto de morte colocava-se em pé de igualdade com o instinto sexual. Em vez de “sexualidade”, os analistas começaram a falar de “Eros”. O id era “mau”, o superego era “austero”, e o pobre “ego” se transformava em “medianeiro”. A descrição vívida dos fatos era substituída por um método mecânico, as discussões clínicas deixadas de lado. “A sexualidade tornou-se algo indistinto; o conceito de ‘libido’ foi despido de todos os traços de conteúdo sexual”. Reich se opunha a essa mudança.

Na mesma época, segundo o autor, Reik publicou “Geständniszwang und Strafbedürfnis” (Compulsão de confessar a necessidade de punição), cuja idéia poderia se descrita como a eliminação do medo da punição pelas transgressões sexuais cometidas na infância.

Freud presumia que a substância viva era governada por duas forças: “Eros”, que despertava os instintos turbulentos, clamorosos, responsáveis pelo tumulto da vida, e outro a que chamou “Thánatos”, instinto de morte, um instinto mudo, reduzindo a substância da vida a uma condição inanimada, manifestando-se em impulsos masoquistas.

“Agora se dizia que a neurose era um conflito entre uma exigência sexual e uma exigência de punição”. Para Reich, essa afirmação representava a completa destruição da teoria psicanalítica da neurose (Reich, 1991). Se o analista não conseguia curar um paciente, o instinto de morte era responsável por isso e não a inabilidade do analista de tratar da angústia de prazer do paciente.

No Congresso de 1924, Reich defendeu duas teses básicas:
- A neurose é a manifestação de uma perturbação genital e não apenas sexual em geral;
- Uma recaída em neurose após tratamento analítico pode ser evitada na medida em que a satisfação orgástica no ato sexual houver sido curada.

Com base na teoria psicanalítica da neurose, parecia lógico procurar a energia necessária para estabelecer a plena potência orgástica, na fase não-genital da primeira infância: se uma grande quantidade de interesse sexual se focalizar em sugar, morder ou nos hábitos anais, por exemplo, a capacidade de experimentar o prazer genital seria reduzida.

Para Reich “toda a idéia psíquica durante o ato sexual pode apenas prejudicar a concentração na excitação”. O autor afirmava também que “somente o aparelho genital é capaz de proporcionar o orgasmo e de descarregar plenamente a energia biológica”.

Muitas divergências ficaram evidentes depois de 1922 quanto ao problema central da angústia. A idéia original era que, se existisse um bloqueio para a descarga da excitação sexual, esta excitação se converteria em angústia. Mas nada se dizia sobre como se dava esta conversão.

Em 1924, Reich tratou de uma paciente com neurose cardíaca e percebeu que, com o aparecimento da excitação genital, diminuía a angústia cardíaca. Conseguiu também localizar o ponto da sensação de angústia na região do coração e do diafragma, concluindo assim que tanto a excitação sexual quanto a angústia tinham algo a ver com o sistema nervoso vegetativo.

A cada novo caso analisado, para Reich “tornava-se cada vez mais claro que a sobrecarga do sistema vasovegetativo com excitação sexual não descarregada é o mecanismo da angústia e, portanto da neurose”. Ele distinguia o conceitos de ansiedade e medo: ter medo de ser castrado, surrado ou punido é diferente da angústia quando se depara com um perigo real. Era preciso distinguir a angústia que resultava de uma estase de excitação, da angústia que era causada pela repressão sexual. A primeira determinava a neurose estásica e, a segunda, a psiconeurose, sendo que os dois tipos de angústia poderiam agir simultaneamente.

Mais tarde, Freud publicou “Inibição, sintoma e angústia”, afirmando que era impossível fazer uma conexão entre angústia real e angústia neurótica. Isso foi um duro golpe para o trabalho de Reich.

Mas Reich continuou firme em sua teoria. Em seus trabalhos clínicos, tornava-se cada vez mais necessário reconverter a angustia estásica em excitação genital. Quando alcançava esse objetivo, o paciente apresentava grandes melhoras. Mas nem sempre conseguia liberar a angústia cardíaca e fazê-la oscilar com a excitação genital. O que causava esse bloqueio? Parecia que os pacientes estavam “encouraçados” contra qualquer ataque. Era o caráter como um todo que resistia, retendo toda a energia.

Reich se aproximava da base do desenvolvimento da técnica de análise do caráter e da couraça muscular, a sexualidade refletida no próprio corpo, como veremos no próximo artigo.

Bibliografia

Reich, Wilhelm. A função do orgasmo – Problemas econômico-sexuais da energia biológica. São Paulo: Círculo do Livro, 1991.

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