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Sexualidade


Por Claudio Santos de Souza
Editor do www.soropositivo.org

Nenhum tema pode ser tão complexo. Mesmo depois da pílula, da “revolução sexual” e da AIDS as pessoas continuam se recusando a falar sobre sexo.

Hermel Orozco

Hermel Orozco

Nenhum tema pode ser tão complexo. Mesmo depois da pílula, da “revolução sexual” e da AIDS as pessoas continuam se recusando a falar sobre sexo.

Às vezes parece-me que o sexo é uma coisa feia, suja, de gente de baixo nível…

“Troca de fluídos?…

Argh…”

Mas transar, fora uns loucos, todo mundo transa.

Minha sogra, 70 anos, disse a meu cunhado, 42 anos, pai de três filhos, um deles já adolescente, que é necessário falar sobre sexo com “as crianças”.

“Nããããooo! Eles aprendem na rua mesmo.

Quando eu era um púbere disseram-me que passar bosta de galinha no pênis faria os pelos pubianos crescerem mais depressa… Não fosse o nojo, bem, pode se imaginar o rebosteiro.

Veiculei hoje uma notícia que diz que 75% das idosas contaminadas com HIV foram contaminadas por seus maridos.

Dizem que a envelhescência é igual a adolescência e vai me parecendo que é verdade.

Os velhinhos pulam a cerca e acreditam-se imunes ao HIV, ou não sabem o quão perigoso ele é. Daí a não usar camisinha é só um passo e, daí para a contaminação, é roleta russa.

Sexo é uma coisa boa, que deveria ser praticada todos os dias por todas as pessoas.

Mas parece que não é assim; parece-me, mais, que as pessoas têm pudores com relação ao sexo, a velha noção de pecado (com minha mulher não) que tanto fez e faz sofrer mulheres neste orbe.

Muitas mulheres morreram, e muitas morrerão, sem saber com certeza o que é um orgasmo.

Sexo devia ser matéria de currículo escolar a partir da quarta ou quinta série. Mas currículo sério, falando de masturbação, caricia, sexo oral, preliminares, coito interrompido (falácia), Doenças sexualmente transmissíveis, incluindo a hepatite para que as “crianças” cresçam sabendo.

Sabendo que é bom, mas traz perigos e que, nos dias de hoje, o sexo desprotegido não é a melhor alternativa e que as conseqüências disso podem ser funestas…

A mídia precisa ser mais responsável, produzir campanhas e apresentar no horário diurno, para que crianças vejam, para que crianças aprendam e que idosos também.

Não é porque fez sessenta anos que a vida sexual acaba.

Pode ser até que ela ganhe novos contornos, outras emoções, mas ela existe.

Assim, de modo discreto, “o estimulo prostático” faz milagres muito superiores ao do Ciallis.

Pediram-me que escrevesse sobre sexualidade e sexualidade é coisa complicada até entre pulgas.

Não sei se logrei êxito na missão, pois estou em dúvida se falei claramente sobre sexo oral, anal, vaginal, inversão, sado-masoquismo, BDSM com a desenvoltura necessária.

Mas tenho uma comunidade no Orkut, Soropositivodade e sexualidade.

Dezoito membros.

Dezoito mudos.

A chamada da comunidade é esta:

“Não importa a sua orientação sexual. Homo, Hetero, Bi, Pan-sexual, Domme, Sub… Na vida você sempre poderá encontrar uma pessoa soropositiva para HIV. O que você faria? Fugiria? O portador de HIV não merece carinho, atenção e prazer? Ele deixou de ser humano? Você é soronegativo(A)? Tem certeza? Já fez o exame? Se não fez é sorointerrogativo. Você tomaria as precauções óbvias e deixaria rolar a transa? E você, soropositivo contaria antes? Esconderia pelo medo da rejeição? E se a transa virar caso? E se o caso virar compromisso? E se a camisinha estourar? E se ela(e) se apaixonar? Como resolver o problema da omissão da informação? A “tal hora de contar” é uma barra pesadissima e se a relação começou fundamentada em mentiras o caso é crítico… Minha proposta é discutir estes assuntos.”

Como se vê, a questão é repleta de outras questões.

E você, faria amor com alguém com HIV?

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