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Um ato de amor e solidariedade – Tópicos sobre a epidemia de AIDS – Entrevista com um soropositivo no IPrA – Instituto de Prevenção à AIDS | Sexualidade by géh

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Géssica Hellmann
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Um ato de amor e solidariedade – Tópicos sobre a epidemia de AIDS – Entrevista com um soropositivo no IPrA – Instituto de Prevenção à AIDS


“AIDS e Trabalho”

“Acho enganosa e nociva a forma como é divulgada na televisão a capacidade de trabalho do soropositivo. Enganosa porque, quando se mostra um suposto soropositivo no trabalho como se não tivesse nenhum problema, o soropositivo da vida real não se identifica com ele, porque sabe que a realidade é bem diferente. Nociva porque as pessoas que não têm a doença podem achar que AIDS não é mais um problema grave. É preciso entender que o trabalhador com AIDS é um trabalhador com problemas de saúde. Ele precisa ter horários flexíveis para consultas médicas, exames, psicoterapia, atividades físicas… Eventualmente pode passar mal devido aos efeitos colaterais da medicação. No meu caso, às vezes tenho crises de enjôo e diarréia”.

“Sim, o trabalho é importante para o soropositivo e ele pode se tornar um funcionário tão produtivo e motivado quanto os outros. Mas o caminho para chegar até lá é longo e requer muito esforço. Acho que deveriam mostrar o trabalhador soropositivo como um vencedor, que superou muitos obstáculos, com muito sofrimento, determinação e força de vontade para chegar até ali”.

“Campanhas de Prevenção”

“A AIDS parece uma realidade muito distante para algumas pessoas. O uso dos preservativos, da camisinha, deveria ser incentivado não só como prevenção à AIDS, mas para toda uma série de doenças graves, agressivas, que também provocam muito sofrimento, como a sífilis, a gonorréia, o lúpus, a herpes, as hepatites… Se eu fosse fazer uma campanha para estimular o uso da camisinha, eu colocaria uma lista de todas as DST’s em um cartaz com a foto de uma camisinha do lado”.

“Terapia”

“Eu contraí o HIV há 16 anos, por via sexual, de uma pessoa que eu achava que conhecia bem. Jamais me passou pela cabeça que essa pessoa poderia conscientemente me transmitir AIDS. Pois foi o que aconteceu.

Quando me descobri soropositivo, passei uma fase de forte depressão e isolamento. Todo mundo passa por isso antes de começar a reagir, se sente culpado, acha que vai morrer… Algumas pessoas superam essa fase em seis meses, outros, em um ano. Eu fiquei DEZ ANOS nesse processo. Tranquei-me em casa e mergulhei no trabalho, fugi totalmente ao contato social. Foi uma forma de me proteger, porque não confiava mais em ninguém. Se aquela pessoa em que eu confiava tanto pôde me causar tanto mal, o que poderia esperar do mundo? Só a partir de 2001 é que comecei a sair da casca, procurei terapia e grupos de apoio, porque já começava a pensar em me matar. Demorei a encontrar um lugar em que me sentisse bem, não me identificava com as pessoas. Finalmente, encontrei um primeiro grupo de terapia em que consegui começar a me abrir, no hospital Gafrée. Há pouco mais de um ano, encontrei aqui no IPrA um grupo terapêutico com que me identifiquei mais e tomei consciência dos processos psicológicos que me levaram ao isolamento. Hoje, as pessoas que me conheceram dizem que não me reconhecem mais, que estou mais aberto, conversador, sorridente. É muito importante levar a sério as propostas das psicólogas porque elas revelam muita coisa sobre você e, se você refletir a respeito, você começa um processo de recuperação que é muito positivo ao longo do tempo”.

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