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	<title>Sexualidade by géh &#187; aids</title>
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	<description>Sexualidade: artigos de pesquisa e entrevistas</description>
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		<title>Como reagi ao diagnóstico positivo (parte II)</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 20:11:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Por Claudio Santos de Souza
Editor do www.soropositivo.org</p>
<p>Naquele momento autorizaria até minha decapitação. Rapidamente fui garroteado e o sangue colhido, e fui encaminhado para a internação. Passou-se um <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/como-reagi-ao-diagnostico-positivo-parte-ii/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Claudio Santos de Souza<br />
Editor do www.soropositivo.org</p>
<p>Naquele momento autorizaria até minha decapitação. Rapidamente fui garroteado e o sangue colhido, e fui encaminhado para a internação. Passou-se um tempo até que eu acordasse de verdade, e me recordo de uma enfermeira que me dava café da manha com uma seringa de injeção (lágrimas) dizendo que se eu não comesse (muitas lágrimas) eu não ia “sarar”.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img title="Loneliness por Ali Hammoud" src="http://gehspace.com/edicao%20110%20imagens/Loneliness-ali%20hammoud.jpg" alt="Loneliness por Ali Hammoud" width="400" height="320" /><p class="wp-caption-text">Loneliness por Ali Hammoud</p></div>
<p>Já faz tanto tempo isso, e na época tudo era tão diáfano. Mas consigo me recordar de seu rosto. No dia da alta, minha médica, doutora Guadalupe me chamou a sua sala e me disse assim, à queima roupa: “ Cláudio, preciso que você vá ao CRTA para fazer um exame confirmatório para o HIV, pois seu primeiro exame deu positivo. Eu, em choque, disse a seguinte pérola:</p>
<p>“-Tudo bem, eu já vivi bastante mesmo&#8230;”</p>
<p>Doutora Guadalupe então começou a falar que a AIDS não era mais uma sentença de morte, que a ciência tinha avançado muito e que&#8230; Mas eu já não podia não podia ouvi-la. O medo me arrastara para outras dimensões e lá, eu encontrei a culpa. Eu matei Verônica, pensei. Não me passou pela cabeça que eu poderia ter contraído de Verônica. Só entendia tê-la matado e a culpa por isso era avassaladora. Pensei em suicídio. Mas uma voz em mim disse-me que tivesse, ao menos, a decência de suportar as conseqüências de meus atos com dignidade. Isso realmente me deteve&#8230; Não sei como, mas cheguei ao centro de referência, que ficava na rua Antônio Carlos; cheguei lá visivelmente consternado. Tive de assistir uma palestra de quase uma hora, uma angustiante hora até fazer o exame. Pensei que o resultado saísse na hora.</p>
<p>Quinze dias. Foi aí que começou meu sofrimento. Sentindo-me culpado pela própria doença, envergonhei-me dela. Envergonhado, não consegui pedir ajuda para ninguém.</p>
<p>Voltando às boates onde eu trabalhara, descobri que corria á boca miúda que eu morrera, e morrera de AIDS; isso se deu porque foi bem prolongada a minha permanência no hospital.</p>
<p>Na noite, um boato se transforma em verdade em menos de uma hora. E quando eu cheguei, quarenta quilos mais magro, confirmou-se que eu tinha AIDS. Estava vivo, mas tinha AIDS. Fui enxotado da Rua Bento Freitas como um cão sarnento e uma das coisas que me lembro ter ouvido foi, some daqui lixo aidético (&#8230;) Fui ao hotel onde eu morava e, naturalmente, meu quarto fora desocupado. O dono do hotel me devolveu minhas coisas sem me cobrar as diárias e eu passei a perambular pelas ruas com uma mala pesadíssima de roupas, sem saber o que fazer. Tudo o que eu tinha na mente era que em poucos meses eu morreria, eu secaria como uma samambaia num xaxim abandonado, morte lenta, angustiante e dolorosa, eu nada sabia sobre a AIDS.</p>
<p>Eu sentia que as pessoas, nas ruas de São Paulo, ao olharem para mim, percebiam que eu tinha HIV. Isso criou uma sensação de paranóia, como se eu pudesse ser “denunciado” a qualquer momento. Enfim lembrei-me de uma gerente de uma casa GLBT em que trabalhei e que ela era envolvida nestas causas, na causa de apoio a portadores de HIV e me ocorreu procurá-la, mas isso só poderia ser feito na quarta feira, pois a casa em que trabalháramos juntos só abria de quarta a domingo.</p>
<p>Não lhe porei nome, ela me recebeu, me ouviu, enxugou minhas lágrimas e disse que havia uma solução. Pediu-me alguns minutos, mandou servissem-me um lanche e foi dar um telefonema. Voltou com o sorriso que lhe era natural e disse–me que fosse até a rua tal, número Y que havia um leito à minha espera, mas que eu fosse rápido.</p>
<p>Assim consegui uma vaga numa casa de apoio, que pode não ser a melhor alternativa, mas era tudo o que me restava. Era um bom lugar. Cinco refeições por dia, roupa lavada, TV a cabo, todo o conforto que alguém pode desejar. Mas as saídas para a rua só eram permitidas aos sábados ou nos dias de consulta. De certa forma, era uma prisão. Tirem-me tudo, pois tudo eu posso recuperar, mas não me tirem a liberdade, eu vos imploro. Mesmo assim dei graças a Deus quando tive assegurada a minha permanência ali, pois de uma forma ou de outra, eu me conheço, eu encontraria meios de me reerguer. E enquanto isso, eu me alimentava, recuperava peso, ganhava forças, preparava o espírito.</p>
<p>Mas tinha um problema: Verônica. Eu pensava que se eu tinha possibilidades de tratamento, era justo que ela tivesse também, em se confirmando o diagnóstico positivo&#8230; Para isso, eu tinha de contar a ela.<br />
Mas como? Como é que você olha nos olhos de sua ex e diz: Verônica, você precisa fazer um exame para HIV. O meu deu positivo.</p>
<p>É a certeza de uma tempestade e o mais reservado dos locais não poderá esconder o escândalo, o dramático escândalo. Como era fim de ano deliberei que deixaria ela ter um natal tranqüilo, ninguém tem o direito de estragar o natal de alguém assim.</p>
<p>Seriam cerca de 50 dias de agonia e, se houve natais em que senti-me só, nenhum deles foi povoado por tantas lágrimas, fantasmas e medos como aquele, Verônica, me perdõe. Passou o natal, passou o ano novo chegou o dia de reis e eu não tomava coragem de fazer o que tinha de ser feito.</p>
<p>Mas tinha de ser feito e um amigo fez por mim. Conta-me ele que a reação dela foi tão avassaladora que um segundo depois de ter dito ele já estava arrependido. Ela disse que não faria exame, que se fizesse e desse positivo ela não ia se cuidar, desfiou o rosário do desespero. Fez o exame e deu negativo. Diz-se que ela fez mais de dez exames até o responsável pelo laboratório se recusar a fazer outros, dizendo que, “se não deu positivo até agora, não vai mais dar”.</p>
<p>Eu soube por telefone que o exame dela deu negativo, foi num sábado e toda a tensão acumulada em mais de cinqüenta dias explodiu, e eu comecei a chorar. Um choro convulso, de criança, que durou por todo o sábado (eu adormecia e acordava chorando) até o fim do domingo.</p>
<p>Mas, mas para que se diga toda a verdade e que o homem se mostre como ele é, faz-se preciso dizer que, embora houvesse um grande alívio por minha parte por ela não ter contraído HIV, uma parte de mim lamentava o fato, pois tinha ciência que tal circunstância abria um abismo de proporções cósmicas entre nós, que eu jamais a veria e jamais a teria em meus braços novamente.</p>
<p>Sou apenas um homem, tenho tendências egoísticas , como qualquer um de vós, que me ledes. Perdoai minha fraqueza de caráter. “A gente, por amor, põe a mão em cumbuca&#8230;”</p>
<p>Na casa de apoio as coisas iam mais ou menos no esquema de hospital prisão, até que me pediram para fazer um serviço: Acompanhar um doente ao hospital. Eu aceitei. Era uma possibilidade de sair à rua, ver gente e ser útil. O paciente chamava-se Walter* e estava pesando pouco mais que trinta quilos.</p>
<p>Minha missão era levá-lo até o hospital e acompanhá-lo, velar por ele enquanto ele estivesse lá. Walter não dava trabalho nenhum. Eu só tinha de lhe dar água, comida, trocar suas fraldas (aprendi muito em matéria de humildade, tocar num pênis que não o meu não me fez menos homem).</p>
<p>E sobrava-me tempo para visitar os doentes dos outros quartos e, assim, ter o privilégio de servir mais. Depois de algum tempo as enfermeiras confiavam em mim, me davam tarefas, me ensinavam procedimentos de segurança e tudo o que fosse útil à minha proteção. Acabei fazendo parte, tacitamente, do corpo de voluntários do hospital, sem nunca descuidar do Walter.</p>
<p>Numa manhã, por volta das 8h30m ouvi o choro de uma moça e corri para lá. Era um problema que hoje eu conheço bem: Depois de anos levando picadas nas veias (em dez anos creio ter tomado mais de 4500), elas ficam difíceis de serem acessadas e o trabalho de alcançar uma delas era particularmente doloroso.<br />
Corri ao lado da moça e perguntei o que ela tinha. Ela: “- Me ajuda, ta doendo&#8230;”</p>
<p>Eu a abracei e disse calma, relaxa, ó, tem um homem grande e bonito ao seu lado (delírios de narcisista) e você não pode chorar na frente dele. Ela relaxou e, Acréscimo de Misericórdia Divina, ficou mais fácil achar a veia. E eu passei a ter um compromisso com aquela moça e todos os dias, ás 8h30m eu estava lá, a postos, para ajudá-la a receber remédios.</p>
<p>Walter é que não melhorava, ao contrário, piorava. Durante três meses eu vivi na ilusão que poderia ajudar aquele homem a se reerguer, retomar a vida e vivê-la em sua plenitude. Mas todo este trabalho, que se constituía em lhe dar banho, alimentá-lo, trocar suas fraldas era um trabalho estafante e me deram uma “folga”, um final de semana inteiro para eu ir onde quisesse. Eu fui. E quando voltei na segunda feira cheguei perguntando por ele, quando uma daquelas dementadas de lá me disseram que ele estava nas últimas, que “até as coisas dele já tinham sido divididas”.</p>
<p>Corri para o CRTA. Quarto andar, internação. Quis entrar e o segurança me deteve. Chamei a médica de plantão e ela me negou a visita. Entrei à viva força. Deparei-me com uma das visões mais tristes de minha vida. Aquele homem não me via mais, sua atenção estava voltada para outra esfera onde eu não tinha o menor significado. Depois de ter entrado à viva força entendi o porquê de tentarem me deter. Ninguém me puniu. Minha dor me bastava.</p>
<p>Cuidei de seu funeral, simples, e a cada pá de terra que caía surdamente sobre o sarcófago de papelão, frágil como a própria vida, mais certeza eu tinha que não faria o menor sentido se tudo acabasse ali, tinha, tem, de haver um propósito maior para tanto sofrimento, inaceitável que acabe tudo sob um amontoado de terra.<br />
Depois disso seria impossível voltar a ser prisioneiro da casa de apoio e eu preferi as ruas a ficar lá.</p>
<p>Como me levantei já é outro processo, que não vou contar aqui, pois não faz parte do ponto; mas me levantei e acredito que qualquer um se levantaria. Não é um simples vírus que vai me derrotar, se toda a sociedade, agindo veladamente e em conjunto não o conseguiu. É certo que morrerei um dia, mas de vós que me ledes, não creio haveis de escapar ao menos um.</p>
<p>Anos depois percebi que havia uma grande falta de informações na Internet sobre HIV. Então me decidi a criar um site e por nele tudo o que eu pudesse encontrar sobre a AIDS. Eu pesquisei, traduzi, aprendi HTML, depois ASP, procurei, eu mesmo, compreender melhor a doença, a aceitá-la melhor, para amparar outras pessoas que me procuram em momentos de medo e de dúvida, enfim, eu me coloquei á disposição.</p>
<p>Não recebo amparo ou suporte material de quem quer que seja e vivo com recursos pífios e inconstantes. Mas até aqui Deus tem sido pródigo comigo e nada me tem faltado. Foi assim, então, que reagi ao HIV.<br />
Com medos, com dúvidas, com vergonhas, com culpas. Mas durante todo o processo era clara a minha opção pela vida e eu sobrevivi, Deus sabe como, eu sobrevivi!</p>
<p>Se morrer amanha, sei que terei dado o melhor de mim e partirei da Terra com certa tristeza (amo este planetóide) mas com a consciência em paz relativa. Mas acho que não terminei de reagir ao diagnóstico positivo para AIDS. Eu continuo reagindo todos os dias e estarei a reagir por todos os dias, enquanto me houver forças.</p>
<p>Escolhi o computador como meio de trabalho e expressão baseado no seguinte raciocínio: “Enquanto eu tiver um braço, um olho que funcione e um cérebro, poderei ir em frente”. E foi assim que sobrevivi a uma embolia pulmonar, um enfarto e mais três meningites. No caminho houve perdas amorosas, algumas por conta do preconceito, outras porque eu sou mesmo um caso perdido.</p>
<p>Hoje estou casado, e a minha esposa é a maior Mulher que encontrei na vida; também ela, é soropositiva, mas nos já nos conhecemos assim, pela Internet. Em suma eu fiz uma opção pela vida e pedi muito a Deus que me permita ser útil, peço o tempo que for possível, que meus méritos de hoje possam representar algumas horas a mais no futuro, pois eu preciso continuar reagindo à sorologia positiva para HIV, ajudando outras pessoas, que são surpreendidas e que não sabem a quem procurar; é comum que deus as mande para mim.<br />
Espero que meu site, www.soropositivo.org possa ser útil a você que me lê, com já foi para quase um milhão e meio de pessoas.</p>
<p>E espero também que www.amorpositivo.eti.br também possa ser um pólo de reunião de pessoas vivendo com HIV e outras que não vivem com HIV, e que de lá nasçam namoros, noivados, casamentos, filhos, famílias.<br />
Se este site que estou acabando de por no ar gerar uma só família, eu terei pago muitos, mas muitos de meus pecados. Milito em causa própria, pode ser, mas os resultados são bons para todos.</p>
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		<title>Como reagi ao diagnóstico positivo (parte I)</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 20:07:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Por Claudio Santos de Souza
Editor do www.soropositivo.org</p>
<p>Quando fundei a comunidade Soropositividade e Sexualidade sabia que estava começando a lidar com um assunto complexo. Sexo é complexo até <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/como-reagi-ao-diagnostico-positivo-parte-i/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Claudio Santos de Souza<br />
Editor do www.soropositivo.org</p>
<p>Quando fundei a comunidade Soropositividade e Sexualidade sabia que estava começando a lidar com um assunto complexo. Sexo é complexo até entre duas pulgas. A primeira pergunta que lancei foi a seguinte: O exame está feito. Deu positivo. O que você faria?</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 376px"><img title="Loneliness por Sergei Chepik" src="http://gehspace.com/edicao%20109%20imagens/loneliness-sergei%20chepik.jpg" alt="Loneliness por Sergei Chepik" width="366" height="466" /><p class="wp-caption-text">Loneliness por Sergei Chepik</p></div>
<p>Chovi no molhado. A maioria ali é soropositiva e já sabe como reagiu.  Então resolvi contar como eu reagi, quanto tempo isso custou. Não vou contar a luta pela sobrevivência material, um caso à parte, e que a Adriana conhece bem. Vou contar apenas as coisas que pensei, vivi e senti.</p>
<p>Penso que para as pessoas soronegativas ou sorointerrogativas isso pode ser de grande valia, pois ainda me recordo de uma amiga que suspeitou ter contraído HIV e que me disse, com todas as letras: “se der positivo me jogo aqui do décimo oitavo andar”</p>
<p>É preciso recolocar que fui DJ. As condições que me levaram a ser DJ na noite paulista eu vou eclipsar. Como DJ eu tinha facio acesso às mulheres e, em virtude de carências da infância e da adolescência eu buscava nestas mulheres algo que jamais poderia encontrar: O amor sonegado de minha mãe.</p>
<p>A cada desencontro uma troca, a cada troca lágrimas de uma mulher ferida, mas eu segui à frente. MOVE ON!!!</p>
<p>Eu me tornei um adicto do sexo. Um sexólatra. Precisava de sexo mais do que cigarro, e olhem que fumo à bessa. Toda noite uma mulher. Às vezes duas. E outra de dia.<br />
Quando eu falhava na sedução, pagava uma garota de programas. Nunca me preocupei com DST e não vou enumerar nem listar as que tive. Mas foram muitas, o suficiente para eu pressentir que era vulnerável ao HIV; mas quanto a isso, eu não me importava.</p>
<p>Minha personalidade foi formada de uma forma torta e eu tinha pouco ou nenhum apego à vida e absolutamente nenhum medo de morrer. Na minha ignorância, acreditava que contrair HIV era simplesmente condenar-se à morte e morrer em pouco tempo.</p>
<p>Esta proposta me parecia ótima!</p>
<p>Posso dizer sem medo de errar que não foi apenas uma, nem apenas duas, as vezes em que, ao penetrar a garota eu me lembrava do HIV e pensava assim. Se pegar, f&#8230;-..</p>
<p>Eu estava completamente equivocado sobre o que era, ou no que vinha se tornando a infecção por HIV e a AIDS e esta ignorância custou-me caríssimo mais adiante.</p>
<p>Esta minha corrida pelo sexo foi arrefecendo na mesma medida em que eu percebia que a minha busca era inútil (esta percepção era subjetiva) e que a vida de DJ já não me agradava tanto.</p>
<p>Perto do melancólico final de minha carreira de DJ trabalhei numa casa que já não existe, como quase todas as em que eu trabalhei (as que existem lembram filmes do Stephen king), o Club de Paris.  Ali conheci uma morena muito faceira, muito esperta, bonita e, para que ela possa ter um nome e estar morta em paz, eu a chamarei de Veruska*. Foi amor à primeira vista. E como todo amor à primeira vista queimou como um rastilho de pólvora e acabou alguns meses depois.</p>
<p>Eu não sabia, ela não sabia, mas dela, eu traria comigo bem mais que boas e más lembranças. Eu traria uma pequena capa protéica, que protege uma seqüência de RNA, e não DNA, chamada HIV. Sei disso porque fui comunicado do passamento dela em virtude de complicações da AIDS.</p>
<p>Juntei lé com cré e conclui isso. Sei bem que posso estar errado, mas quero poder me reservar o direito de, em tendo sido tão irresponsável e descuidado comigo, que eu tenha contraído o HIV numa relação em que o que contava era o amor.</p>
<p>Por favor, aceitem isso sem questionamentos. Eu me basto para me questionar. Sou meu juiz mais severo&#8230;</p>
<p>Depois que perdi Veruska andei um tempo meio ao leo, sem saber bem o que fazer de mim e de minha vida até que encontrei uma outra moça, Verônica*. Verônica não era da noite. Era diferente. E o diferente naquela altura da vida era fascinante. Vinha, ela, de uma decepção amorosa. Eu, idem.</p>
<p>Fizemos um acordo silencioso e, como dois bêbados encostados um ao ombro do outro, começamos a longa caminhada para a sobriedade.  Pelo caminho exploramos a sexualidade com pujança e nem mesmo o coreto da Praça da República e o nicho entre as colunas de uma certa estação do metro escaparam. Loucos seria uma palavra que nos definiria, mas definiria mal, pois loucos não sabem o que estão fazendo, e nós sabíamos.<br />
Mas eu não soube cumprir a minha parte do trato e a cada dia que se passava eu gostava mais dela. E não parava para mensurar se havia reciprocidade de sentimentos.</p>
<p>Grave engano que me custou uma terrível decepção quando ela, finalmente, recuperou a sobriedade e me disse adeus por telefone. Fiquei muito mal, mal de verdade. Mas nem chorar eu chorava, eu simplesmente comecei a definhar. Meu sofrimento por Verônica era silencioso, não havia lágrimas. Havia uma indizível sensação de perda irreparável.</p>
<p>Como DJ, eu havia chegado ao fundo do poço e estava trabalhando de porteiro numa casa da boca do lixo chamada Barroco. Não que houvesse algo de barroco lá como rios de fogo que congelam ou geleiras que queimam, o maldito lugar se chamava barroco por mera coincidência.</p>
<p>Eu não tinha mais vontade de nada. Acho que duas perdas emocionais em seis meses foram mais do que eu poderia agüentar. Importa dizer que Verônica quis me abrir portas a outro mundo e me apresentou esta entidade fantástica, o computador; e importa dizer que eu não me interessei muito com planilhas e editores de texto mas, sim, com a maneira com que este engenho diabólico funciona. Mas isso teria de ficar para outros tempos.</p>
<p>O fato é que definhei, definhei até que acabei adoecendo.</p>
<p>Uma bela manha eu acordei com uma dor de cabeça infernal e pedi a uma das moças, uma que me olhava com outros olhos, mas que eu não tinha condições de corresponder, que me levasse a farmácia para tomar alguma injeção para a dor.</p>
<p>A injeção teve o efeito de um copo de água com açúcar e eu acabei indo para o hotel onde morava.<br />
Na manhã seguinte fui a um hospital famoso por atender qualquer pessoa, tendo ela documentos ou não. Era uma instituição de caridade que diagnosticou meu caso, como um “quadro gripal”. Esperei uma semana e o quadro gripal não melhorou, aliás, piorou, e voltei ao hospital.</p>
<p>Outra médica, outra residente e o mesmo diagnóstico, que se repetiu ainda por uma terceira semana, até que um amigo me disse: “Ei, ai não ta dando certo, vá ao hospital tal que lá é “batata”; Neste ponto me cabe inquirir o leitor sobre o por que de lar ser batata? Eu não entendo nada de batatas, mas creio que elas não são boas em diagnósticos, acho que o House é melhor nisso.</p>
<p>Bem, cheguei lá e a atendente olhou para mim com olhos de pânico, pediu eu me sentasse, coisa que não fiz e voltou com uma médica, que ao olhar para mim teve dois vocábulos: “Meu Deus!” Colocou-me em observação por algum tempo e veio com um neurologista, para o Licquor.</p>
<p>Por conta da minha semi inconsciência, e dados os riscos do exame, foram necessárias seis pessoas para me segurar, dentre elas uma enfermeira de quadris generosos que ficou bem à frente dos meus olhos, e que me deu toda a tranqüilidade para fazer o exame (uma vez flamengo, sempre flamengo&#8230;)</p>
<p>Um tempo mais tarde uma médica me disse assim: Claudio&#8230; Você está com meningite. Uma meningite viral, e não seria tão sério, mas parece que você andou muito tempo com ela. Estou internando você. Mas, Cláudio, você é um homem da noite, solteiro, sem residência fixa e tudo isso se encaixa num padrão que pede um exame para HIV. Você autoriza este exame?</p>
<p>(continuação na próxima edição)</p>
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		<title>Você sabe se é portador do vírus HIV?</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 19:44:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
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		<category><![CDATA[edições 101 a 105]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Por Géssica Hellmann</p>
<p>Inicio esse artigo com uma indagação: Você            sabe se é portador do vírus HIV?</p>
<p <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/voce-sabe-se-e-portador-do-virus-hiv/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Géssica Hellmann</em></p>
<p>Inicio esse artigo com uma indagação: <strong>Você            sabe se é portador do vírus HIV</strong>?</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 238px"><img title="Fear of the Future por Cassandra Tiffin-Lavers" src="http://gehspace.com/edicao%20101%20imagens/fearfuture_cassandra.jpg" alt="Fear of the Future por Cassandra Tiffin-Lavers" width="228" height="500" /><p class="wp-caption-text">Fear of the Future por Cassandra Tiffin-Lavers</p></div>
<p>Por favor não responda! Quero apenas que você, leitor, reflita sobre os sentimentos que emergiram a partir dessa pergunta, pois trata-se de uma pergunta extremamente intrusiva, que envolve uma série de pressupostos relativos à sua intimidade: atividade/inatividade sexual, com parceiros estáveis ou ocasionais, com uso ou não preservativos durante o ato sexual, questionamentos sobre a fidelidade no casamento/relacionamento, entre muitas outras questões sensíveis.</p>
<p>Note como é diferente perguntar se “você sabe se é portador de diabetes”?</p>
<p>O diabetes não é uma doença sexualmente transmissível. Logo, tende a não ser sentida como uma pergunta tão “íntima” ou “intrusiva”.</p>
<p>O que me leva a outra questão, extremamente grave: algum médico, já pediu a você um exame de HIV? De minha parte, respondo que o assunto nunca veio à baila no consultório médico até que eu ficasse grávida! Por quê? Será que, talvez, a pergunta não seja feita justamente para não provocar o “mal-estar” e todos os sentimentos que acarreta?</p>
<p>Ou será que os médicos que me atenderam ainda trabalham com a idéia superada de “grupo de risco” e, conseqüentemente, julgaram improvável que eu pudesse ter contraído a doença?</p>
<p>Os profissionais de saúde são unânimes em afirmar que não existem mais “grupos de risco”. Cito, como exemplo, o caso de uma senhora a quem entrevistei, portadora de HIV/AIDS, que acaba de celebrar 80 anos de idade.</p>
<p>Ela afirmou que seu clínico achava que “idosos não pegam AIDS.” Ela teria se infectado aos 70 anos de idade, com seu namorado. Ela atribui à “pílula azul” e às próteses de silicone um aumento na atividade sexual do idoso – grupo definido pelo IBGE como a população a partir dos 60 anos de idade – o que os teria deixado tão expostos ao risco de infecção pelo HIV quanto os mais jovens.</p>
<p>Segundo Parker e Aggleton (2001) “ao longo de duas décadas, enquanto os países, em todo mundo, lutam para dar resposta à epidemia de HIIV/AIDS, as questões do estigma, da discriminação e da negação vêm sendo alguns dos dilemas mais mal entendidos e mais persistentes enfrentados pelo desenvolvimento dos programas de saúde e educação públicas”.</p>
<p>Porque a realidade do HIV/AIDS parece tão fora do nosso círculo “familiar”? É importante enfatizar que, quando o assunto abrange AIDS, o corte na pirâmide socioeconômica é vertical. A AIDS atinge todos os segmentos da população, por qualquer crítério que se queira adotar: sexo, idade, profissão, classe social, grau de instrução, etnia, religião.</p>
<p>Nesses últimos dois anos, realizei entrevistas com psicólogas, profissionais de saúde, jornalistas e pacientes soropositivos. Uma das declarações mais freqüentes é a de que a desinformação mata e ainda é uma das principais causas do assustador crescimento da epidemia de AIDS.</p>
<p>Por exemplo, é alarmante a seguinte declaração de Cláudio Oliveira, assessor de comunicação da ABIA – Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS, fundada pelo sociólogo Herbert de Souza, o “Betinho”: “É importante ressaltar que não há &#8216;cura&#8217; para a AIDS. Um grande problema é que muitas pessoas, não tão bem informadas, ao receberem fragmentos de informação na mídia, ficaram com a impressão de que a AIDS se tornou uma doença crônica, parecida com o diabetes. As pessoas pensam que você passa o resto da vida tomando o remédio e tudo bem, não vai morrer da doença. Só que, em nenhum momento, recebe o devido destaque a realidade das infecções oportunistas, dos efeitos colaterais fortíssimos dos medicamentos&#8230; Há casos de pessoas que vêm a falecer em função desses efeitos colaterais”.</p>
<p>É importante entendermos como o processo de estigmatização, descriminação e negação funciona no meio social. O Brasil é considerado país-modelo no terceiro mundo em combate a epidemia de AIDS. Então porque a epidemia continua crescendo assustadoramente, não só no Brasil, como em outros países?</p>
<p>Gaiarsa (2006) sugere que a “abstração e a generalização” podem ser tidas como defesas neuróticas coletivas, e que a generalização, mais vezes sim do que não, “existe a serviço da agressão”, ela é um mecanismo neurótico coletivamente criado e aceito para permitir agressão sem culpa. Um mecanismo gerador de preconceitos. O autor cita como exemplo: “os negros” (todos os negros) “não prestam”, “os judeus” (todos os judeus) “só pensam em dinheiro”, “os americanos”, “os árabes”, e assim por diante. O autor continua: “a raiz do fanatismo é esta: o agarrar-se a uma interpretação da realidade como se ela fosse a única”. Seguindo essa linha de raciocínio, a generalização pode ser a causa “inconsciente” do preconceito contra o que é diferente.</p>
<p>Marshall (segundo Parker e Aggleton, 2001) afirmaria que os primeiros sociólogos viam a discriminação como uma expressão de etnocentrismo ou, em outras palavras, um fenômeno cultural de “não gostar dos diferentes”. Já análises sociológicas mais recentes sobre a discriminação concentram-se em padrões de dominação e opressão, vistos como expressões de busca de poder e privilégio.</p>
<p>Em resumo, pode-se afirmar, segundo Parker e Aggleton (2001), que a natureza do estigma é contextual, histórica, empregada estrategicamente para produzir e reproduzir relações e desigualdades sociais.</p>
<p>Quando falamos da relação de sexualidade, cultura, poder e noções de diferença, parece não ser possível deixar de citar Foucault. Para Parker e Aggleton (2001), “os estudos mais influentes que Foucault fez sobre o poder, Vigiar e Punir e A História da Sexualidade, volume I: A Vontade de Saber, enfatizavam o que ele definia como novo regime de conhecimento/poder que caracterizou as sociedades européias modernas durante o final do século dezenove e começo do século vinte. Dentro desse regime, a violência física ou a coerção foram cada vez mais dando lugar ao que ele descreveu como &#8216;sujeição&#8217;, ou controle social exercido não através da força física, e sim pela produção de sujeitos adestrados e corpos dóceis. Ele explicou como a produção social da diferença está ligada aos regimes estabelecidos de conhecimento e poder”.</p>
<p>Os autores afirmam ainda que é possível ver a estigmatização desempenhando um papel-chave na transformação da diferença em desigualdade, e pode funcionar, em princípio, em relação a qualquer dos eixos principais da desigualdade estrutural interculturalmente presente: classe, gênero, idade, raça ou etnia, sexualidade ou orientação sexual, e assim por diante. Segundo, e mais importante ainda, “o estigma é empregado por atores sociais reais e identificáveis que buscam legitimar o seu próprio status dominante dentro das estruturas de desigualdade social existentes”.</p>
<p>Resumindo, a estigmatização está diretamente relacionada às desigualdades de poder; ela faz com que as desigualdades sociais pareçam ‘razoáveis’ e, por fim, criam e reforçam a exclusão social.</p>
<p>“Um foco sobre as relações entre cultura, poder e diferença na determinação da estigmatização motiva um entendimento da estigmatização e discriminação ligadas ao HIV e à AIDS como parte do que talvez possa ser descrito da melhor forma como economia política da exclusão social presente no mundo contemporâneo” (Parker e Aggleton, 2001).</p>
<p>Desde o início da epidemia de HIV e AIDS, mobilizou-se uma série de metáforas poderosas para reforçar a estigmatização: morte, horror, punição, crime, guerra, vergonha, acontece com “o outro”. É importante enfatizar que, antes do surgimento do HIV/AIDS, já existiam outras formas de estigmatização que, hoje, interagem com a estigmatização da epidemia de HIV/AIDS, tais como a de gênero, orientação sexual, posicão no sistema socioeconômico e raça.</p>
<p>Atrevo-me, então, a supor que, se essas outras formas de estigmatização já estivessem superadas, o portador do vírus HIV, poderia ser encarado como uma pessoa com diabetes ou câncer. O estigma, caso existisse, seria muito menor.</p>
<p>Em entrevista com a psicóloga Mariceli Bernini que trabalha no IPrA como portadores do vírus HIV, ela atesta que, como o fato de que a principal via de transmissão do virus da AIDS é o contato sexual, criam-se muitos problemas adicionais, advindos de questões culturais relacionadas à sexualidade. Se é uma mulher a portadora do HIV, ou é rotulada como “a promíscua” ou como “a traída”; se é um homem, já está previamente rotulado como “homossexual”, se o caso envolve uma pessoa idosa, trata-se de uma “velhinha ou velhinho safado”. Dessa maneira todo soropositivo já se sentiria socialmente pré-rotulado para a exclusão.</p>
<p>Outro estigma relacionado propriamente com a AIDS, é o medo da infecção e o medo da morte. Muita desinformação sobre os meios de contágio, apesar das diversas campanhas realizadas nos últimos 20 anos, ainda transforma os doentes em “Infames” pela sociedade. A desinfomarção continua gerando preconceito, vitimando e culpando os portadores de HIV/AIDS.</p>
<p>Agora, podemos ter uma visão mais ampla dos motivos por trás desses “sentimentos confusos” despertados na indagação quanto a ser ou não portador do vírus HIV. Imagine então como é dificil para uma pessoa portadora do vírus HIV lidar com seus próprios sentimentos, exorcizar os medos, viver um dia de cada vez. E ainda, o quanto é importante o auxílio dos amigos, dos familiares e de profissionais que lidam diretamente com os portadores de HIV para que esse “viver um dia de cada vez” possa ser feito com o máximo de harmonia possível.</p>
<p>A AIDS não acontece somente nos “centros urbanos”. Outra questão de pesquisa gravíssima é o fenômeno da interiorização da AIDS, isto é, a migração da epidemia dos grandes centros urbanos para cidades médias e pequenas do interior do país. Segundo relatos individuais, que pretendo investigar mais a fundo, há casos de pessoas residentes em centros urbanos que, ao se descobrirem com HIV, decidiram “mudar de vida” e migraram para uma cidade menor, tentando “apagar o passado”, mas levando o vírus com elas. E, chegando lá, namoram, casam-se, muitas vezes sem avisar o parceiro(a) que é portador do HIV.</p>
<p>Você sabe com quem seu namorado/parceiro(a) manteve relações sexuais? Sabe que um vírus HIV pode ficar anos incubado sem se manifestar?</p>
<p>“Segundo o Boletim Epidemiológico de 2002, publicado pelo Ministério da Saúde, o número de mulheres contaminadas com o vírus da Aids tem crescido a cada ano e, na maioria dos casos, através de relações heterossexuais. Entre as décadas de 80 e 90 as mulheres maiores de 13 anos, contaminadas pela relação heterossexual, perfaziam um total de 61,1%. No ano de 2002 esta porcentagem elevou-se a 93,5%”. (Giacomozzi, 2004).</p>
<p>A autora afirma ainda que “os dados revelam um aumento desta epidemia, principalmente entre indivíduos heterossexuais com parceiro fixo, em regime de conjugalidade”.</p>
<p>Então lembre-se: AIDS é problema seu também. AIDS é um problema da humanidade!</p>
<p>O HIV não é transmitido por beijos, abraços, suor, saliva, lágrimas, pelo uso comum de piscinas, copos, talheres ou roupas. O contágio é feito por relações sexuais sem protenção (camisinha), transfusões de sangue, pelo uso de agulhas e seringas contaminadas, de mãe soropositiva ao filho durante a gestação, o parto ou a amamentação.</p>
<p>Então agora que você já sabe, seja solidário, converse com seus familiares e amigos, e faça essa pergunta: Você já fez um teste de HIV? Sabe como se prevenir? Com o avanço assustador da epidemia, você pode ser o próximo a precisar de apoio. Pense nisso.</p>
<p>Bibliografia:</p>
<p>Gaiarsa, José Ângelo. Meio século de psicoterapia verbal e coporal. São Paulo: Ágora, 2006.</p>
<p>Giacomozzi, Andréia Izabel. Confiança no parceiro e proteção frente ao hiv: estudo de representações socias. Florianópolis, 2004. Dissertação (Mestrado em Psicologia) &#8211; Universidade Federal de Santa Catarina. Disponível em:</p>
<p>Parker, Richard. Aggleton, Peter. Estigma, discriminação e AIDS. Rio de Janeiro: ABIA, 2001.</p>
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		<title>O Papel da Psicoterapia no Tratamento de portadores de HIV/AIDS &#8211; Entrevista com Mariceli Bernini (Parte 2)</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 18:46:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[aids]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Alexis Kauffmann</p>
<p>A diferença entre ser HIV positivo e ter AIDS</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Alexis Kauffmann</em></p>
<p>A diferença entre ser HIV positivo e ter AIDS</p>
<p>&#8220;Essa história de que &#8216;não é preciso se preocupar com a AIDS porque tem tratamento&#8217;, como vimos, é uma irresponsabilidade. Tem tratamento sim, mas não tem cura. O melhor tratamento continua sendo a prevenção. Depois de se descobrir contaminado, o caminho é procurar profissionais bem preparados e informados. Porque há muitos profissionais de saúde, inclusive médicos, que ainda não estão aptos a lidar com a AIDS, por desinformação.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 401px"><img title="Mariceli Bernini" src="http://gehspace.com/edicao%2093%20imagens/Mariceli5.JPG" alt="Mariceli Bernini" width="391" height="322" /><p class="wp-caption-text">Mariceli Bernini</p></div>
<p>Posso te dar o exemplo de uma paciente que se descobriu soropositivo quando a ginecologista pediu uma série de exames, entre eles o teste anti-HIV. Bem, ela recebeu a informação de que era soropositivo como quem recebe a informação de que o nível de colesterol está elevado. Ela saiu desesperada do consultório da ginecologista e, quando me procurou, já chegou dizendo “estou com AIDS”. Durante a entrevista, expliquei a diferença entre estar contaminada com o HIV e ter AIDS.</p>
<p>Quando uma pessoa faz um exame anti-HIV e o resultado é positivo, a pessoa pode se considerar &#8216;soropositivo&#8217;, ou seja, foi contaminada pelo HIV. Isso não significa que ela tenha AIDS. O HIV deprime o sistema de defesa do organismo, mas isso não é sinônimo de &#8216;ter AIDS&#8217;. Só se pode dizer que uma pessoa tem AIDS quando os exames detectarem que a carga viral está muito elevada e o CD4 estiver muito baixo. É nesse momento que a pessoa começa a apresentar um conjunto de sintomas, como diarréia, perda de peso, infecções oportunistas mais sérias, como pneumonias em seqüência, uma dor-de-garganta que não passa nunca, &#8216;caroços&#8217; espalhados pelo corpo sem origem conhecida (mais freqüentes no pescoço)&#8230; Enfim, pessoa começa a ter uma série de doenças, todas ao mesmo tempo: isso é AIDS.</p>
<p>Definindo melhor, a AIDS é uma &#8216;síndrome&#8217;. O que é uma “síndrome”? É um conjunto de sintomas. Por exemplo, a “Síndrome do Pânico”. Por que a chamamos de &#8216;Síndrome&#8217;? Porque a pessoa sua frio, a boca fica seca, sente um terror que vem do nada&#8230; É esse conjunto que forma uma síndrome.</p>
<p>Por isso é preciso muito cuidado sobre como informar a pessoa que ela está soropositivo, porque ela pega o exame e acha que está morrendo. Não é assim. Na verdade, um resultado positivo para HIV, normalmente, não é nem tão sério quanto o paciente pensa, nem uma brincadeira que não deva ser levada a sério! Na década de 1980, o diagnóstico de HIV positivo era muito mais grave do que hoje, porque não existia medicação específica. Então, as pessoas se desesperam ao receber o resultado do exame, porque a imagem que vêm à mente é a lembrança de pessoas famosas definhando com a doença já em estado avançado, porque não existia tratamento adequado. Mas é importante, sempre, ressaltar que o tratamento para HIV não se assemelha ao tratamento para uma dor-de-cabeça, em que basta tomar um analgésico que a dor passa. Todo mundo reclama dos efeitos colaterais da medicação anti-retroviral”.</p>
<p>Contar ou não contar?</p>
<p>“A melhor hora de contar a alguém que você é soropositivo é a hora em que você se sente preparado, a não ser que o fato de não contar esteja expondo outras pessoas ao risco de contaminação pelo HIV. Por exemplo, se um paciente meu é soropositivo e é casado com uma mulher soronegativo, eu, como psicóloga, tenho obrigação profissional de alertá-lo quanto aos riscos de contaminação.</p>
<p>Voltando ao tema, por que a melhor hora para contar que se é soropositivo é a hora em você se sente preparado? Porque, se o contágio foi por via sexual, normalmente contar ao cônjuge envolve confessar uma traição, uma relação extra-conjugal. Como dizer ao marido ou esposa &#8216;olha, eu te traí e me contaminei com o HIV&#8217;? O casamento pode acabar nesse mesmo instante, eu não sei como anda o casamento dessa pessoa. Então essa questão é trabalhada na psicoterapia para que a gente desenvolva juntos uma maneira de contar ao cônjuge sem que a vida do paciente fique pior do que já está.</p>
<p>A infecção por HIV, queiramos ou não, está ligada à vida sexual. Quando uma pessoa conta para outra que está infectada com o HIV, está abrindo muito de sua intimidade. Normalmente, a outra pessoa quer saber quando, como e com quem contraiu a doença. Isso é uma invasão na privacidade do soropositivo. Por isso, é necessário que o soropositivo esteja se sentindo mais fortalecido psicologicamente, porque ninguém pode obrigá-lo a contar.</p>
<p>Esses aspectos são trabalhados na psicoterapia. Primeiro, é preciso trabalhar a auto-estima da pessoa. Porque aparece o sentimento de culpa, vêm pensamentos como &#8216;Mas que vacilo, eu não precisava ter me contaminado&#8217;. Ou seja, já é um momento de fragilidade; obrigá-la a expor sua condição de soropositivo não vai ajudá-la em nada. É preciso que o paciente esteja seguro, para que não conte aos outros sentindo medo.</p>
<p>Muitos pacientes chegam até mim sem saber praticamente nada sobre o vírus e a doença. Se eles mesmos não sabem o que têm, como vão contar aos outros?</p>
<p>Então, quando um paciente me pergunta se deve contar à família, eu peço que o paciente me diga o que ele sabe sobre o HIV/AIDS. Se ele mesmo não estiver seguro das informações que vai transmitir, vamos ter duas pessoas desesperadas em vez de uma!</p>
<p>No grupo de apoio aqui do IPrA, é constante o trabalho de fortalecimento da auto-estima das pessoas, e sempre surge a dúvida entre “contar ou não contar”. Cada caso envolve problemas diferentes. Por exemplo, um paciente já tem pais bastante idosos&#8230; Ele diz: “Se estou fisicamente bem, nem estou precisando tomar o coquetel, por que haveria de contar isso para meus pais”? Só que algumas dessas pessoas não contam para os pais, nem para os irmãos, amigos&#8230; Não contam para ninguém e ficam a ponto de explodir. Por isso, quando chegam aqui no IPrA, elas encontram a oportunidade de aliviar o stress de não ter com quem dividir seus sentimentos. Se não quiserem fazer terapia individual, podem participar das reuniões do grupo de apoio, em que os pacientes recebem todas as informações e o apoio necessário para seguir em frente com qualidade de vida, porque não estamos aqui para sofrer desnecessariamente&#8221;.</p>
<p>AIDS, Homofobia e Culpabilidade Sexual</p>
<p>&#8220;Até cerca de vinte anos atrás, a AIDS era conhecida como &#8216;peste gay&#8217;, porque, de cada dez pessoas infectadas, 9 eram homens homossexuais. Hoje, a proporção é dois homens para cada mulher infectada.</p>
<p>Alguns pacientes, nas reuniões de grupo, na primeira vez em que participam já vão dizendo, “olha pessoal, eu estou infectado, mas não sou gay”, sem que ninguém tenha perguntado nada sobre isso. Você percebe que a desinformação sobre esse tema ainda é muito grande. Soropositividade e AIDS não têm mais nada a ver com orientação sexual.</p>
<p>Mas o fato de que a principal via de transmissão do vírus da AIDS é o contato sexual, cria muitos problemas adicionais, que vêm da própria cultura de culpabilidade sexual. Por exemplo, se um bebê recém-nascido é contaminado com o HIV, todos caem em cima da mãe: &#8216;Como essa mulher, sabendo que era soropositivo, pôs um filho no mundo&#8217;? Se é um homem jovem, na faixa dos 18 aos 40 anos, então é rotulado como gay, todo mundo vai dizer que pegou o vírus com outro homem. Se é uma mulher jovem, logo é rotulada como promíscua, devassa&#8230;</p>
<p>E quanto aos idosos: você já reparou na reação das pessoas quando ouvem uma pessoa idosa falando sobre sexo? A própria TV ridiculariza nos programas humorísticos, com o rótulo de &#8216;velhinha safada&#8217;. Mas por que uma &#8216;velhinha&#8217; não pode fazer sexo? Esse preconceito quanto à sexualidade dos idosos não faz sentido. Então, imagine a dificuldade que enfrenta uma senhora na faixa de sessenta, setenta anos, de chegar ao seu meio social e contar que é soropositivo para as amigas na mesma faixa de idade, para os filhos e netos.</p>
<p>Então, todo soropositivo já está &#8216;pré-classificado&#8217; de forma muito preconceituosa: as mulheres são &#8216;as traídas&#8217; ou &#8216;as devassas&#8217;, os homens são &#8216;os gays&#8217;, as crianças são &#8216;as vítimas&#8217; e os idosos são &#8216;os safados&#8217;. Será que já não chegou a hora de mudarmos essa visão? As pessoas se contaminam porque fazem sexo ou usam drogas injetáveis, é uma realidade. E olhe, que estou falando do Rio de Janeiro&#8230; Imagine os problemas que um soropositivo passa em uma cidade pequena? Há muitas cidades no Brasil que não têm psicólogos, nem postos-de-saúde que distribuam preservativos, nem medicamentos anti-retrovirais. Eu ouvi de um paciente que, na parte rural da Zona Oeste do Rio de Janeiro, há uma grande quantidade de pessoas infectadas que não sabem o que é HIV, nem que estão contaminadas, embora já apresentem os sintomas da AIDS.</p>
<p>Mesmo sem considerarmos as DST&#8217;s, a AIDS entre elas, há todo um conjunto de culpas e tabus em torno do sexo. As meninas não contam para as mães que elas transam, os idosos não falam sobre sexo e, quando falam, são ridicularizados. As pessoas, quando vão falar sobre sexo, usam subterfúgios, eufemismos. Em reuniões de grupo, as pessoas falam em &#8216;meu pirulito&#8217; em vez de dizer a palavra &#8216;pênis&#8217;. Qual o sentido desse sentimento de vergonha e culpa em relação ao próprio corpo? Foi o jeito que essas pessoas aprenderam sobre sexo. Então, aprenderam errado e têm que &#8216;desaprender&#8217; o que sabem e aprender da maneira certa qual é função do pênis, da vagina, do sexo, da reprodução&#8230;</p>
<p>Os pacientes chegam então, ao atendimento, sentindo muito medo, sem saber o que podem falar e como podem falar. Por exemplo, eu já ouvi de uma paciente que, na primeira sessão, pensava: &#8216;será que se eu disser para essa psicóloga que eu saio com dois homens ao mesmo tempo ela vai me enxotar daqui&#8217;? Outro paciente era garoto-de-programa e demorou muito até que ele me contasse, por medo de que eu fosse expulsá-lo da sala de atendimento.</p>
<p>Imagine a situação de um jovem gay, que esconde dos pais a sua homossexualidade: como ele vai contar aos pais que é soropositivo? Já vai começar uma gritaria, o desespero, vão querer arrastá-lo para o hospital porque vão achar que está morrendo&#8230; Na psicoterapia, a gente precisa trabalhar não só os fatores mais imediatos relativos à infecção, como também, às vezes, problemas que acompanham a pessoa desde que ela nasceu.”</p>
<p>Complicações advindas da negação</p>
<p>“A negação acontece quando a realidade é tão dura que a pessoa não consegue suportá-la, e começa a viver uma ilusão. Por exemplo, se uma mulher sabe que o marido a está traindo, pode decidir fingir que não sabe e levar o casamento aos trancos e barrancos durante anos, porque admitir a realidade a obrigaria a tomar uma atitude.</p>
<p>No caso do HIV, a pessoa se contamina e, ao adotar a negação como saída, passando a acreditar em uma ilusão, ela troca de emprego, arruma outro namorado, muda de cidade&#8230; Essa é uma reação seriíssima, porque ela pode desenvolver doenças oportunistas crônicas e, também, transmitir o vírus para outras pessoas. Por isso é importante o trabalho multidisciplinar junto ao soropositivo. Não adianta o infectologista, por exemplo, florear o resultado do exame, dizendo que &#8216;está bom, mas vamos começar a medicação assim mesmo&#8217;&#8230; O certo é dizer a verdade, &#8216;Olha, seu exame não está bom. O que você anda fazendo? Está dormindo direito? Se alimentando bem? Tem bebido ultimamente? Anda estressado?&#8217;. Enfim, a realidade é dura, mas é melhor lidar com essa dureza do que negá-la.</p>
<p>Outra reação de negação é o caso das pessoas que &#8216;fogem&#8217; do exame, por medo de ver um mau resultado. Por que não vão ao infectologista e não fazem o exame? Por uma falta de fortalecimento interior, essa pessoa não se sente capaz de lidar com a realidade do resultado do exame.</p>
<p>Há vários fatores interligados quando se fala em &#8216;negação&#8217;. A mídia também é um fator importante, porque transmite muitas informações que eram verdadeiras cinco anos atrás mas que, hoje, já estão defasadas.</p>
<p>Por exemplo, eu assisti outro dia um comercial na TV, patrocinado pelo Ministério da Saúde, em que uma mulher, supostamente uma advogada, dizia: &#8216;Eu tenho AIDS. Olhando para mim, ninguém diz que eu tenho AIDS&#8217;, e assim por diante. Aí, eu fiquei pensando: &#8216;será que ela tem AIDS mesmo ou está só infectada pelo vírus&#8217;?</p>
<p>Ou seja, as informações sobre o HIV/AIDS viraram um balaio de gatos, em que ninguém mais entende do que está se falando. Se as informações fossem dirigidas às causas do sofrimento das pessoas, esse sofrimento diminuiria e não existiria todo esse pânico em torno do diagnóstico.</p>
<p>E veja, nós estamos falando do Brasil, que é considerado modelo no combate à AIDS, um país que divulga informações não tão corretamente quanto deveria, mas ainda divulga alguma coisa, e distribui medicamentos e preservativos. É terrível imaginar a situação em países onde a negação é &#8216;institucionalizada&#8217;, onde não existe distribuição de medicamentos, em que a religião proíba as mulheres de mostrar o rosto&#8230; Como falar sobre AIDS/HIV se, inevitavelmente, para abordar o assunto, é preciso falar sobre sexualidade e sexo?</p>
<p>A negação também pode ser induzida pela religião e, nessa área, pode ter conseqüências terríveis. Por exemplo, eu tive um paciente que estava muito bem, com a carga viral &#8216;zerada&#8217;, isto é, &#8216;indetectável&#8217;. O que significa &#8216;carga viral indetectável&#8217;? Significa apenas que a quantidade de vírus no sangue é tão baixa que ele não é detectado pelo exame. Mas não é sinônimo de &#8216;exame HIV negativo&#8217;. Isso não existe, uma vez infectado, infectado para sempre. Mas esse paciente dizia que estava curado, que Jesus o havia curado. Quando ele foi desafiado pelos membros do grupo a fazer novo exame, ele não compareceu mais às reuniões.</p>
<p>Acreditar em milagres é uma questão muito pessoal mas, como profissional, eu não posso dizer que milagres aconteçam no caso do HIV/AIDS; não posso dizer que &#8216;Jesus cura&#8217; a infecção por HIV. Muito provavelmente, esse paciente, com o passar do tempo, vai sofrer um aumento na carga viral porque parou com a medicação, o CD4 vai diminuir e ele vai adoecer.</p>
<p>O que posso afirmar com relação à religião é que as pessoas muito religiosas podem ter um nível de stress um pouco menor do que as outras. Se a pessoa tiver uma fé muito forte na cura, ela vai enfrentar a situação com menos stress e, conseqüentemente, vai ver uma redução na carga viral. Mas isso não significa que &#8216;Jesus a curou&#8217;, mas que o organismo vai secretar menor quantidade de hormônios de stress que, sabidamente, atacam as células de defesa. Nesse caso, a religião desempenha uma função muito semelhante à da terapia. Ela passa a freqüentar a Igreja e, com isso, faz um novo círculo de amizades, encontra apoio e conforto. Também se sabe que a fé contribui muito para melhorar a recuperação de várias doenças. Nesse sentido, a religião é muito positiva. O caso se torna grave quando um pastor diz ao doente que ele deve parar de usar a medicação. Até onde eu saiba, não conheço um único caso em que Jesus tenha curado alguém por procuração&#8221;.</p>
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		<title>O Papel da Psicoterapia no Tratamento de portadores de HIV/AIDS &#8211; Entrevista com Mariceli Bernini (Parte 1)</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 18:38:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
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		<category><![CDATA[psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Alexis Kauffmann Mariceli Bernini é psicóloga formada na Universidade Estadual de Londrina. Atualmente, faz um trabalho voluntário de terapia individual e em grupo direcionado ao público <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/o-papel-da-psicoterapia-no-tratamento-de-portadores-de-hivaids-entrevista-com-mariceli-bernini-parte-1/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Alexis Kauffmann</em> Mariceli Bernini é psicóloga formada na Universidade Estadual de Londrina. Atualmente, faz um trabalho voluntário de terapia individual e em grupo direcionado ao público infectado com o vírus HIV no Instituto de Prevenção à AIDS – IPrA. Durante  90 minutos de uma conversa agradável e informativa, coletamos informações suficientes para uma série de três artigos. Nesta primeira parte, procuramos aprofundar o conhecimento sobre os estágios porque passam os portadores de HIV, desde o diagnóstico até o tratamento com a medicação anti-retroviral.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img title="Mariceli Bernini" src="http://gehspace.com/edicao%2092%20imagens/mariceli.jpg" alt="Mariceli Bernini" width="400" height="348" /><p class="wp-caption-text">Mariceli Bernini</p></div>
<p>Informação e Desinformação   &#8220;Por mais que a mídia bombardeie as pessoas com informações sobre o HIV/AIDS, eu noto que, quando essa informação não participa do cotidiano da pessoa, ela tende a ignorá-la. Aqui no IPrA, eu atendo a pessoas de todas as classes sociais e todos os graus de instrução. Há, inclusive, pessoas que poderiam pagar por atendimento individual, particular, mas que preferem ser atendidas na ONG, por ser direcionada exclusivamente para o público soropositivo.   Percebo também que o nível de desinformação do paciente com diagnóstico recente – defino como “infecção recente” o paciente que se descobriu portador do HIV há no máximo seis meses – é igual em todas as classes sociais e graus de instrução. Pois a frase que eu mais ouço aqui é &#8216;eu não me cuidei porque achava que isso nunca iria acontecer comigo&#8217;. Com essa mentalidade, as pessoas não prestam atenção e não absorvem as informações trasnsmitidas&#8221;.   Primeiras fases do processo terapêutico: negação e desespero.   &#8220;A primeira reação do paciente com diagnóstico recente, normalmente, é a negação. Essas pessoas procuram a terapia por causa do diagnóstico, me contam sobre sua soropositividade, mas não querem falar sobre o assunto. Qualquer informação que eu forneça nessa etapa tende a assustar muito o paciente.   Com o desenrolar do processo terapêutico, a negação cede lugar ao desespero. Por que o desespero se instala? Porque elas começam a prestar atenção nas informações sobre a doença e surgem as dúvidas, por exemplo, &#8216;como vou passar a transar agora&#8217;?   Quando a pessoa tem um parceiro fixo, ela já tem muita dificuldade de contar que é soropositivo. Mas muitas pessoas não têm parceiro fixo, algumas chegam a ter mais de um parceiro por semana. Então, surge o dilema: contar ou não contar ao parceiro no primeiro encontro? O que tenho ouvido dos meus pacientes é que, por exemplo, quando vão a um baile, conhecem uma pessoa e, logo no primeiro encontro, já partem para um relacionamento mais íntimo, é que eles não contam ao parceiro que são soropositivos. Só após algum tempo, se o relacionamento perdurar, é que decidem tocar no assunto.   Além do dilema &#8216;contar ou não contar&#8217;, há várias dúvidas que perturbam muito os pacientes, por exemplo, &#8216;como fazer sexo oral – com ou sem camisinha&#8217;? Uma queixa muito freqüente é a de que os homens não usam preservativos. Então, quando um homem soropositivo é heterossexual, isso significa que as mulheres com quem eles se relacionam também não usam o preservativo. Isso explica porque o número de mulheres infectadas está crescendo de forma alarmante. Se o uso do preservativo fosse generalizado, a epidemia não apresentaria o crescimento explosivo que tem atualmente&#8221;.   Soropositividade e Stress   &#8220;Numa terceira etapa, o desespero cede à medida que as informações vão sendo absorvidas e a pessoa consegue resolver suas dúvidas. A partir daí, é preciso cuidar de todos os fatores estressantes. O stress psicólogico, a fadiga, os estados depressivos, as crises existenciais, todos esses fatores são portas de entrada para as infecções oportunistas.   Esse fato explica em parte uma dúvida freqüente: por que algumas pessoas apresentam rapidamente uma série de infecções oportunistas enquanto outras, infectadas há quinze, vinte anos, nunca ficaram doentes? Porque a maneira como as pessoas reagem aos problemas cotidianos está estreitamente relacionada com as infecções oportunistas&#8221;.   Efeitos colaterais da medicação anti-retroviral   &#8220;Quando o paciente passa da fase do desespero e, porventura sua carga viral aumenta muito e seu CD 4 diminui consideravelmente, podendo, inclusive, começar a apresentar doenças oportunistas, o médico infectologista o encaminha para o uso da medicação anti-retroviral. Aí, começa uma nova fase no processo psicoterapêutico, que é o de lidar com os efeitos colaterais da medicação. Esses efeitos colaterais ainda são devastadores em alguns casos. Um de meus pacientes desenvolveu um problema seriíssimo no fígado, chegou a ser internado e quase morreu. O infectologista que tratava dele teve que mudar a medicação anti-retroviral porque ela ocasionou uma hepatite medicamentosa.  Há pessoas em que a medicação provoca alucinações, diarréia incessante, erupções na pele, insônia, dores de cabeça crônicas&#8230; Já outras pessoas não sentem nada, nenhum efeito colateral. Em qualquer caso, do ponto-de-vista psicólogico, surge o medo da morte: &#8216;se eu não tomar a medicação anti-retroviral, eu vou morrer. Mas, se eu tomar a medicação, vou ter que mudar o meu estilo de vida, não por causa do vírus, mas pelos efeitos colaterais&#8217;.   Nessa fase, a psicoterapia desempenha um papel muito importante porque, uma vez que o stress é a porta de entrada das infecções oportunistas, quanto melhor a pessoa estiver em equilíbrio e de bem consigo mesma, menos riscos ela vai enfrentar. O stress e a imunidade estão tão estreitamente relacionados que, se um soropositivo tiver um forte aborrecimento na parte da manhã e, na parte da tarde, ele fizer o exame de CD4 e carga viral, muito provavelmente será detectada uma forte alteração no resultado do exame. Agora, imagine como não ficará o organismo de um soropositivo vivendo em situação de stress prolongado por semanas ou meses?   Está comprovado cientificamente que o stress libera hormônios que atacam as células de defesa do organismo. Essa reação hormonal, quando somada ao ataque do próprio vírus HIV às células de defesa, pode deixar o soropositivo em situação terrível. A psicoterapia contribui conduzindo o paciente a uma situação de melhor equilíbrio interior, aprendendo a lidar melhor com a doença, com o diagnóstico de HIV positivo, ajudando a pessoa a criar estratégias para ter uma vida melhor&#8221;.   A rotina de vida de um soropositivo: adaptações e restrições   &#8220;Um diagnóstico positivo para HIV não significa que a pessoa tenha que sofrer incessantemente e que não possa mais fazer tudo o que fazia antes. É claro que pode, mas com um pouco mais de cuidado e algumas adaptações. Por exemplo, se a pessoa sente prazer no sexo, ela não precisa deixar de sentir esse prazer, mas terá que aceitar algumas restrições. Um de meus pacientes, antes de descobrir-se soropositivo, vivia em academias de ginástica. Depois do diagnóstico, por desinformação, ele parou com a atividade física, por achar que não podia mais fazer musculação. Pode sim. Ao contrário, o soropositivo deve fazer atividades físicas.   O nó da questão, nesta etapa, é conciliar a rotina de vida anterior ao diagnóstico com as restrições e modificações decorrentes da doença e do tratamento. O paciente não precisa mudar todo o seu estilo de vida, mas precisa, sim, fazer algumas adaptações. A pessoa tende a se sentir perdida no começo mas, com o tempo, por assim dizer, ela vai &#8216;se acostumando&#8217; com o diagnóstico e se adapta bem à nova situação.   Cada pessoa tem um tipo de reação à soropositividade, mas algumas coisas precisam ser iguais para todo mundo. Por exemplo, quando o paciente for ao dentista, ele deve comunicar ao profissional que é soropositivo. Quando for se relacionar sexualmente, caso não se sinta à vontade para contar ao parceiro que é soropositivo, insista no uso do preservativo, para não contaminá-lo.   Uma informação importante relacionado ao uso de preservativo é a de que a probabilidade de que uma mulher se contamine durante a relação sexual com um homem é muito maior do que a de um homem se contaminar ao fazer sexo com uma mulher. Assim, a responsabilidade da mulher exigir que o homem use o preservativo é igual à do homem ao assumir a posição irredutível de usá-lo. Mas muitas pessoas continuam não usando preservativos&#8221;.   Quando iniciar o tratamento anti-retroviral   &#8220;Por uma grande variedade de fatores, recomenda-se que o início do tratamento com drogas anti-retrovirais seja adiado o máximo possível. Há um valor de referência relativo ao nível de CD4 e de carga viral; só quando esse valor é atingido, ou seja, quando o nível de CD4 estiver muito baixo e a carga viral muito alta é que se recomenda o início do tratamento.   Digamos que um paciente descobre hoje que é soropositivo, mas seu CD4 está em um nível não muito baixo e sua carga viral não está muito alta. O médico provavelmente não vai entrar logo com a medicação anti-retroviral porque, quanto mais cedo for iniciado o tratamento, mais rapidamente o vírus poderá desenvolver resistência à medicação, o que poderá limitar suas opções futuras de tratamento.   Nesse aspecto, a desinformação assume um aspecto mais grave na disseminação da epidemia. Porque implantou-se a idéia de que a &#8216;AIDS não mata mais: se eu me contaminar, já existe remédio&#8217;. Sim, existe o remédio, a política de distribuição de medicamento para a AIDS no Brasil é excelente, mas a medicação ainda apresenta efeitos colaterais muito fortes. Ainda são freqüentes os casos de hepatite medicamentosa, isto é, uma hepatite provocada pelo próprio medicamento. Aí, a pessoa pode ter que ser hospitalizada e se ver forçada a trocar a medicação. A rotina de uma pessoa hospitalizada provoca várias alterações nas relações do trabalho, no relacionamento com marido, esposa, filhos&#8230;   Veja, eu não estou dizendo que todas as medicações anti-retrovirais provocam efeitos tão dramáticos. Como salientei antes, algumas pessoas iniciam o tratamento e sentem apenas uma leve dor-de-cabeça durante algum tempo e, depois, não sentem mais nada. Mas a grande maioria dos pacientes sente pelo menos alguns efeitos colaterais bastante incômodos. Como para qualquer medicação, há um leque imenso de efeitos colaterais registrados e grandes variações de um indivíduo para outro. Como não é possível adivinhar se você vai ter ou não efeitos colaterais antes de começar o tratamento, continua valendo a política de que o melhor remédio é a prevenção &#8220;.   Papel da psicoterapia na aderência ao tratamento anti-retroviral   &#8220;Por tudo isso, eu ouço muitas queixas, não do HIV, mas dos efeitos da medicação. É quase um lugar-comum as pessoas dizerem que o &#8216;tratamento é pior do que a doença&#8217;.   Eu tive um paciente, um rapaz muito jovem, que parou o tratamento porque não conseguiu suportar os efeitos colaterais e acabou morrendo. Uma outra paciente desenvolveu um quadro grave de depressão e está se tratando com antidepressivos, para suportar a avalanche de sensações e sentimentos que emergem quando se aproxima a hora de tomar a medicação. Ela toma uma dose de manhã e outra à tarde. Portanto, ela já acorda tensa, briga com todo mundo em casa, xinga as pessoas, tem crises de choro&#8230; E aí o marido dela a força a tomar o remédio. Doze horas depois, já no final da tarde, ela tem que tomar de novo. Ela me disse que o pôr-do-sol, para ela, se transformou em um pesadelo, porque o baixar do sol faz com que ela se lembre de que vai ter que tomar a medicação.   Tenho outros pacientes que têm efeitos colaterais leves, como uma diarréia. Incomoda? Sim, incomoda, mas existe coisa muito pior do que isso.   Resumindo, é uma bola-de-neve descendo morro abaixo: o stress pode desencadear doenças oportunistas que obrigam a pessoa a partir para o tratamento delas e/ou para o início do uso dos anti-retrovirais, que têm efeitos colaterais sobre o organismo e a psiquê. O papel do psicólogo, durante todo esse processo, é o de ajudar estas pessoas a encontrar alternativas para lidar com todas essas situações estressantes, auxiliar na adaptação do início do possível tratamento e também o de impedir que o paciente desista do tratamento, caso já tenha iniciado um. Porque, se o médico responsável chegou ao ponto de prescrever a medicação anti-retroviral, é porque essa pessoa está com a carga viral alta e o CD4 muito baixo (porta de entrada de doenças oportunistas). Nesse caso, se a pessoa não iniciar a medicação anti-retroviral ou descuidar-se do tratamento de alguma doença oportunista, dependendo da gravidade do conjunto de sintomas, a perspectiva é a de desenvolver sérios problemas de saúde, ter uma doença atrás da outra e chegar ao óbito&#8221;.   (continua&#8230;)</p>
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		<title>Depoimento de um soropositivo</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 17:54:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[aids]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[edições 86 a 90]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>*   &#8220;Eu me infectei com um namorado, há mais de dez anos. Eu trabalhava em uma clínica e até cheguei a alertá-lo algumas vezes para que usássemos preservativos, tentei conversar sobre o HIV, mas ele não quis saber. Ele, era muito machista, achava que AIDS era doença de homossexuais e que usar camisinha seria como confessar que ele era gay&#8221;.<br />
* &#8220;Eu comecei a manifestar os sintomas sem saber que estava infectada. Tive várias pneumonias, um resfriado atrás do outro e ninguém me pediu um exame de HIV. Acho muito importante informar que muitos médicos são completamente desinformados sobre AIDS. Por exemplo, já ouvi médicos dizendo que só é possível pegar AIDS quando o homem tem uma ejaculação completa, o que não é verdade: aquela primeira gotinha de líquido seminal já é suficiente para infectar a parceira. Outra balela que já ouvi de médicos é que o coito interrompido seria suficiente para evitar a infecção&#8221;.<br />
* &#8220;Durante quatro anos, fui &#8216;cobaia&#8217; de todos os tipos de antibióticos. Como eu tinha uma gripe ou resfriado sérios praticamente a cada dois meses, com febrão, pneumonia e tudo mais, eu resolvi me tratar diretamente com um pneumologista. Depois de tanto tempo eu comecei a brincar que, se uma pneumonia não me matasse, eu teria câncer pelo efeito da radiação, tantos eram os raios X de pulmão que tive de fazer durante esse período. Também tive vários furúnculos, que tratei com dermatologista. Tudo isso já eram sintomas do HIV e nenhum médico que me tratou pediu um exame de HIV durante todo esse tempo&#8221;.<br />
* &#8220;Um belo dia, eu fui dormir me sentindo bem e, no dia seguinte, acordei com 40 graus de febre, incapaz de me levantar da cama, mas sem nenhum sintoma de gripe. Pedi à minha irmã que fosse me ajudar e, alarmada, ela entrou em contato com o médico que a atendia. Ele recomendou que eu fosse internada e, no hospital, descobriram que eu estava com pneumonia dupla. Fui para o CTI e sequer conseguia respondia às perguntas do médico. Lá, o médico observou que um dos meus furúnculos não havia se curado completamente e pediu uma biópsia. Foi durante essa biópsia que descobriram que eu estava com infecção por HIV em estágio avançado&#8221;.<br />
* &#8220;Eu não quis contar à minha família como havia contraído o HIV, eles nunca souberam desse meu relacionamento e não vi motivos para contar quatro anos após o fim do namoro. Então, aproveitei para &#8216;encaixar uma transfusão de sangue&#8217; (risos) em uma cirurgia que tive de fazer alguns anos antes para justificar o contágio&#8221;.<br />
* &#8220;Assim que eu comecei o tratamento no posto-de-saúde, me deram um cartãozinho aqui do IPrA e conheci a Rosa. Fiquei impressionada com sua força e imediatamente senti vontade de trabalhar aqui. Porque eu nunca me senti culpada por estar doente. Quando eu soube que estava infectada, meu maior desejo foi o de conhecer outras pessoas com o mesmo problema&#8221;.</p>
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		<title>Artists International Direct Support (A.I.D.S) &#124; Artistas em Apoio Internacional Direto</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 17:47:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[aids]]></category>
		<category><![CDATA[edições 86 a 90]]></category>
		<category><![CDATA[solidariedade]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Leigh-Anne          Tyson</p>
<p>In 2006, the population of Canada was just over 32 million people, and the total number of <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/artists-international-direct-support-aids-artistas-em-apoio-internacional-direto/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://quietlaughter.multiply.com/" target="_blank">Leigh-Anne          Tyson</a></p>
<p>In 2006, the population of Canada was just over 32 million people, and the total number of people globally affected by HIV/AIDS last year alone was 39.5 million. According to the &#8220;Annual AIDS Epidemic Update&#8221; report published by UNAids and WHO, almost two thirds (63%) of all persons, including children, infected with HIV are living in sub-Saharan Africa. Over 24.7 million adults and children lived with HIV in 2006, 2.8 million people became newly infected and 2.1 million adults and children died of AIDS in sub-Saharan Africa alone. These deaths represent 72% of global AIDS deaths. The impact of HIV/AIDS on women and children is staggering. Women are more likely to become infected with HIV, and most often carry the burden of caring for people infected with HIV. It is for this reason that Artists International Direct Support (A.I.D.S) has worked to create more awareness in Canada, and internationally about the HIV/AIDS epidemic and its impact on women and children in sub-Saharan Africa. Over the past 3 years, Artists International Direct Support has raised over a half million dollars for NGO organizations and projects who directly help women and children affected by HIV/ AIDS.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 344px"><img title="Amar o próximo por Géssica Hellmann" src="http://gehspace.com/edicao%2086%20imagens/amar%20o%20proximo%20copy.jpg" alt="Amar o próximo por Géssica Hellmann" width="334" height="480" /><p class="wp-caption-text">Amar o próximo por Géssica Hellmann</p></div>
<p>The funds raised through various twinning portfolios and matching projects has allowed Artists International Direct Support to distribute money to projects on the ground in Africa, including Topsy Foundation, Cotland&#8217;s Baby Sanctuary, Nkosi&#8217;s Haven and Nelson Mandela Children&#8217;s Fund. These projects all help women and children affected by the HIV/AIDS epidemic in Zimbabwe, South Africa, Malawi and Zambia. The projects that Artists International Direct Support chooses, fall into the following categories:</p>
<p>1. Orphanages, Granny projects, AIDS day cares;</p>
<p>2. Food, shelter and clothing for women and children affected by HIV/AIDS or</p>
<p>3. Sustainability projects that move people towards self-sufficiency (Soul of Africa, KwaZulu-Natal).</p>
<p>Artists International Direct Support does not give towards capital funding or infrastructure, and goes to sanctioned NGO&#8217;s, recommended by Stephen Lewis or Nelson Mandela. Artists International Direct Support works closely with the Rotary Club, who helps to ensure that the projects that are supported, are made accountable.</p>
<p>About Kids for Kids/ Art for Aids Twinning Projects:</p>
<p>Artists International Direct Support has developed Twinning projects with public school boards, and private schools in Ontario, Canada and South Africa, pairing each project with a corporate sponsor. Each project develops a portfolio of student artwork (collage) through art workshops that is then reproduced and made available for sale. The Kids for Kids projects present the creative works of youth between the ages of 13 &#8211; 17, as well as portfolios done with various universities and colleges across Canada, the United States, and South Africa. During HIV/AIDS awareness workshops, students are asked to create a collage, working with artist Hendrikus Bervoets, which thematically reflects various aspects of the Pandemic. In turn, these images are printed in limited editions of original hand signed giclee prints. These prints are exhibited and sold with all the funds being redirected to projects benefiting women and children affected by HIV/AIDS in sub Saharan Africa. To date over twenty portfolios have been completed and are for sale thanks to the cooperation of more than one hundred schools who have participated in these workshops. The total sponsorship of a twinning project is $22, 000, which includes 500 signed and numbered prints, a student exchange program, school workshops and printing of artwork. 1, 500 prints are also made available for sale with the potential to raise an additional $37,500 each portfolio. A number of corporations have partnered with schools, as illustrated below. The twinning projects have allowed the fundraising efforts of Artists International Direct Support to be propelled forward.</p>
<p>HIV/AIDS Projects Supported by Artists International Direct Support:</p>
<p>Nelson Mandela Children&#8217;s Fund</p>
<p>The Nelson Mandela Children&#8217;s Fun strives to change the way society treats its children and youth. Their mission statement is &#8221; In the pursuit of its vision, and in order to ensure that the legacy of its founder, Nelson Mandela, is secured in perpetuity, the Nelson Mandela Children&#8217;s Fund will:</p>
<p>o Develop partnership and initiate programs witch empower and improved the well being of children and youth<br />
o Promote the rights of children and youth through the influence of public policy and social awareness<br />
o Sustain these initiatives through the development of sound financial and knowledge support base</p>
<p>The guiding values and principles of the Nelson Mandela Children&#8217;s Fund are:</p>
<p>o Position the ultimate goal as poverty eradication and not just the amelioration of the difficult circumstances that the targeted beneficiaries (children and youth from birth to 22 years) find themselves in<br />
o Possess holistic and integrated approaches to the challenges confronting children. These strategies should recognize that children are an integral part of families and communities. The well-being of children cannot be isolated from that of their environment<br />
o Facilitate the participation of the Nelson Mandela Children&#8217;s Fund&#8217;s target group in the planning and implementation of projects and programs. These means finding cost effective methods of involving children, youth and their communities in decision making. Empowering such communities to take responsibility for their decisions should be a primary requisite.<br />
o Facilitate change through the work of societal norms and practices that force children to focus only on their basic needs. The absence of hunger, abuse, exploitation and homelessness are basic conditions that all children should enjoy. The programs of the Nelson Mandela Children&#8217;s fund&#8217;s partners should enhance the rights of children to reach their full potential; and promote best practice, encourage professionalism and be oriented towards achieving measurable results.</p>
<p>Cotlands Baby Sanctuary</p>
<p>Cotlands is one of South Africa&#8217;s biggest independent, non-profit organizations caring for abandoned and abused children, and one of a few organizations caring for children from birth to age six infected with HIV/AIDS. Cotlands facilitates the operation of two pediatric hospice for children with HIV/AIDS, as well as delivering basic needs, food and formula to malnourished infants and children, various programs including counseling projects and community outreach initiatives to HIV positive children and their mothers/ primary caregivers, mass training to health workers, schools, and people within communities and organizations. Cotlands has worked very hard to bring social awareness about the HIV/AIDS epidemic as well as providing necessary resources to help relieve the pain and suffering of children with HIV/AIDS.</p>
<p>Nkosi&#8217;s Haven</p>
<p>Nkosi&#8217;s Haven was first opened in 1999, founded by Gail Johnson in honour of her 12 year old foster son who was born with HIV, and in memory of his biological mother who was also HIV positive, and unable to look after Nkosi. Nkosi&#8217;s Haven and the Nkosi Johnson Foundation works to increase social awareness and help erase the stigma around HIV/AIDS in South Africa, as well as provide women and children with HIV/AIDS with shelter and care. The Foundation seeks to raise funds for establishing, maintaining and sustaining communal environments for women and their children affected by HIV/AIDS, supporting beneficiary organizations such as Nkosi&#8217;s Haven care centers, establishing educational and training trusts, raising awareness and de-stigmatizing HIV/AIDS in South Africa.</p>
<p>Topsy Foundation</p>
<p>The Tospy Foundation partners with rural communities, to bring about change to the consequences of HIV/AIDS through a multi-faceted approach. The Sanctuary, located an hour outside of Johannesburg, South Africa, is the base for community-outreach programs, in-house care programs, AIDS daycares, Hospice Care, Orphan Care, Antiretroviral Community programs, and other self-sufficient programs, such as the Vegetable Gardening project. These projects are directed mainly towards rural families, particularly women and children affected by HIV/AIDS, to increase awareness and education about HIV/AIDS as well as providing necessary programs to care for children who are affected by HIV/AIDS.</p>
<p>Artists International Direct Support (A.I.D.S) &#8211; Artistas em Apoio Internacional Direto</p>
<p>(Versão não-oficial em português por Alexis Kauffmann / Unofficial Portuguese Version by Alexis Kauffmann)</p>
<p>Em 2006, a população do Canadá era de pouco mais de 32 milhões de pessoas, enquanto o número total de pessoas afetadas pelo HIV/AIDS em todo o mundo no ano passado chegava a 39,5 milhões. De acordo o &#8220;Relatório Anual de Atualização sobre a Epidemia de AIDS&#8221; publicado pela UNAIDS e pela OMS, quase dois terços (63%) de todas as pessoas, inclusive crianças, infectadas pelo HIV, vivem na África Subsaariana. Mais de 24,7 milhões de adultos e crianças viviam com o HIV em 2006, 2,8 milhões de pessoas infectaram-se e 2,1 milhões de adultos e crianças morreram de AIDS somente nessa região. Essas mortes representam 72% das mortes por AIDS em todo o planeta. O impacto do HIV/AIDS sobre mulheres e crianças é estonteante. Mulheres têm maior probabilidade de se infectar com o HIV e, muitas vezes, carregam o fardo de cuidar de pessoas infectadas. É por esses motivos que a Artists International Direct Support (A.I.D.S) trabalha para aumentar a conscientização, tanto no Canadá quanto em nível internacional, sobre a epidemia de HIV/AIDS e seu impacto sobre as mulheres e crianças na África Subsaariana. Nos últimos 3 anos, a Artists International Direct Support (A.I.D.S) levantou mais de meio milhão de dólares canadenses para ONG&#8217;s e projetos que ajudam diretamente mulheres e crianças afetadas pelo HIV/AIDS.</p>
<p>Os recursos levantados a partir de portfolios gêmeos e projetos casados permitiram à Artists International Direct Support (A.I.D.S) distribuir dinheiro para projetos que agem diretamente na África, incluindo a Fundação Topsy, a Cotland&#8217;s Baby Sanctuary, o Abrigo Nkosi e o Fundo Nelson Mandela para a Infância. Todos esses projetos ajudam a mulheres e crianças afetadas pela epidemia do HIV/AIDS no Zimbábue, África do Sul, Malawi e Zâmbia. Os projetos que recebem o apoio da Artists International Direct Support recaem em uma das seguintes categorias:</p>
<p>1 &#8211; Orfanatos, creches, internatos,<br />
2 &#8211; Alimentação, abrigo e vestuário para mulheres e crianças afetadas pelo HIV/AIDS ou<br />
3 &#8211; Projetos de sustentabilidade que conduzam as pessoas à auto-suficiência (Soul of Africa, KwaZulu-Natal)</p>
<p>A Artists International Direct Support não faz investimentos em fundos financeiros ou em infra-estrutura e destina seus recursos somente para ONG&#8217;s oficializadas e recomendadas pela Fundação Stephen Lewis ou pela Fundação Nelson Mandela. A Artists International Direct Support trabalha em estreita colaboração com o Rotary Club, que ajuda a assegurar que os projetos financiados realmente façam diferença.</p>
<p>Sobre os Projetos Gêmeos &#8220;Crianças para Crianças&#8221;/&#8221;Arte pela Aids&#8221;:</p>
<p>A Artists International Direct Support desenvolveu projetos gêmeos com diretorias de escolas públicas e particulares em Ontario, no Canadá, e na África do Sul, mantendo cada projeto em igualdade de condições por meio de patrocinadores corporativos. Cada projeto desenvolve um portfolio de arte criada por estudantes (colagens), que então é reproduzido e colocado à venda. O &#8220;Projeto Crianças para Crianças&#8221; apresentam os trabalhos criativos de crianças e jovens entre 13 e 17 anos, bem como portfolios realizados em diversas universidades e faculdades do Canadá, Estados Unidos e África do Sul. Durante as oficinas de conscientização para o HIV/AIDS, pede-se aos estudantes que criem uma colagem, sob orientação do artista Hendrikus Bervoets, que reflita tematicamente os diversos aspectos da pandemia. Em retribuição, essas imagens são impressas em tiragens limitadas e assinadas a mão. Esses impressos são expostos e vendidos, com todos os fundos sendo revertidos para projetos que beneficiam mulheres e crianças afetadas pelo HIV/AIDS na África Subsaariana.</p>
<p>Até esta data, vinte portfolios foram criados e postos à venda graças à cooperação de mais de 100 escolas que participaram dessas oficinas. O valor total do patrocínio de um projeto-gêmeo soma 22 mil dólares canadenses, o que inclui 500 impressos assinados e numerados, um programa de intercâmbio estudantil, realização de oficinas nas escolas e impressão do trabalho artístico. Mil e quinhentos impressos adicionais também são postos à venda, com potencial para levantar 37.500 dólares canadenses adicionais para cada portfolio. Um grande número de empresas fez parcerias com escolas Os projetos-gêmeos ajudaram a impulsionar os esforços de levantamento de recursos pela Artists International Direct Support.</p>
<p>Projetos de HIV/AIDS que recebem apoio da Artists International Direct Support:</p>
<p>Fundo Nelson Mandela para a Infância</p>
<p>O Fundo Nelson Mandela para a Infância luta para mudar a maneira como a sociedade trata suas crianças e sua juventude. Sua declaração de missão é: &#8220;Com o objetivo de realizar esta visão e com o intuito de assegurar que o legado de seu fundador, Nelson Mandela, seja conservado perpetuamente, o Fundo Nelson Mandela para a infância:</p>
<p>o Desenvolverá parcerias e iniciará programas que estimulem e melhorem o bem-estar das crianças e jovens;<br />
o Promoverá os direitos das crianças e jovens através da influência de políticas públicas e conscientização social;<br />
o Sustentará essas iniciativas através do desenvolvimento de uma sólida base financeira e de conhecimento.</p>
<p>São seguintes os valores e princípios que norteiam o Fundo Nelson Mandela para a Infância:</p>
<p>o Posicionar como objetivo último a erradicação da pobreza e não apenas a amenizar as circunstâncias difíceis em que se encontram os beneficiários-alvos (crianças e jovens desde o nascimento até os 22 anos).<br />
o Adotar abordagens holísticas e integradas aos desafios com que se defrontam as crianças. Essas estratégias devem considerar as crianças como parte integrante de suas famílias e comunidades. O bem-estar das crianças não deve ser isolado do seu ambiente.<br />
o Facilitar a participação dos grupos-alvos do Fundo Nelson Mandela para a Infância no planejamento e implementação de projetos e programas. Isto significa encontrar métodos custo-eficientes de envolver crianças, jovens e suas comunidades no processo decisório. A transferência de poder decisório para que as comunidades assumam a responsibilidade por suas decisões é um pré-requisito essencial.<br />
o Facilitar a mudança através do trabalho de normais e práticas societais que forcem as crianças a focalizar somente suas necessidades básicas. A ausência de fome, abuso, exploração e desabrigo são condições básicas de que toda criança deveria desfrutar. Os programas dos parceiros do Fundo Nelson Mandela para a Infância devem reforçar os direitos das crianças até atingir seu pleno potencial e promover as melhores práticas, encorajar o profissionalismo e orientar-se para a obtenção de resultados mensuráveis.</p>
<p>Cotlands Baby Sanctuary</p>
<p>A Cotlands é uma das maiores ONG&#8217;s independentes da África do Sul dedicadas a cuidar de crianças abandonadas ou que sofreram abusos, e também uma das poucas organizações que atendem a crianças de zero a seis anos infectadas com HIV/AIDS. A Cotlands auxilia as operações de dois hospitais pediátricos para crianças com HIV/AIDS, bem como provê as necessidades de alimentação e medicamentos de bebês e crianças com desnutrição; implementa vários programas, que incluem projetos de aconselhamento e multiplicadores comunitários para crianças HIV positivas e suas mães ou responsáveis primários, treinamento em massa para profissionais de saúde, educadores e indivíduos atuantes em comunidades e organizações. Cotlands esforça-se ao máximo para promover conscientização social sobre a epidemia de HIV/AIDS bem como para prover os recursos necessários para aliviar a dor e o sofrimento das crianças com HIV/AIDS.</p>
<p>Abrigo Nkosi</p>
<p>O Abrigo Nkosi foi inaugurado em 1999 por Gail Johnson em honra a seu filho adotivo de 12 anos que nasceu com HIV, e em memória de sua mãe biológica, que também era HIV positiva e incapacitada de cuidar de Nkosi. O Abrigo Nkosi e a Fundação Nkosi Johnson trabalham para incentivar a conscientização social e ajudar a limpar o estigma que paira em torno do HIV/AIDS na África do Sul, bem como provê abrigo e cuidados para mulheres e crianças com HIV/AIDS. A Fundação busca levantar recursos para estabelecer, manter e sustentar ambientes comunitários para mulheres soropositivas e seus filhos, apoiar organizações beneficiárias como os Centros de Assistência Nkosi, estabelecer cooperativas educacionais, de formação profissional, conscientização e desestigmatização do HIV/AIDS na África do Sul.</p>
<p>Fundação Topsy</p>
<p>A Fundação Topsy forma parcerias em comunidades rurais com o objetivo de promover mudanças nas conseqüências do HIV/AIDS através de uma abordagem multifacetada. O Santuário, localizado a apenas uma hora de Johannesburgo, África do Sul, é a base para os programas de desenvolvimento comunitário, atendimento individual, creches, hospitais, orfanatos, distribuição comunitária de medicamentos antiretrovirais entre outros programas auto-sustentáveis. Esses projetos são principalmente direcionados para famílias rurais, particularmente mulheres e crianças afetadas pelo HIV/AIDS para aumentar a conscientização e educação sobre HIV/AIDS bem como oferecer programas de assistência a crianças infectadas com o HIV/AIDS.</p>
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		<title>Um ato de amor e solidariedade (IPrA Instituto de Prevenção à Aids)</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 17:43:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[aids]]></category>
		<category><![CDATA[edições 86 a 90]]></category>
		<category><![CDATA[solidariedade]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>Primeiramente quero agradecer a todos os amigos que colaboraram com sua generosidade, divulgando o trabalho realizado pelo IPrA ao adicionar um link em seus sites pessoais. <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/um-ato-de-amor-e-solidariedade-ipra-instituto-de-prevencao-a-aids/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>Primeiramente quero agradecer a todos os amigos que colaboraram com sua generosidade, divulgando o trabalho realizado pelo IPrA ao adicionar um link em seus sites pessoais. Um gesto tão simples e de extrema importância para esta instituição que faz seu trabalho por amor ao próximo.</p>
<p>Sim, AMOR AO PRÓXIMO. O IPrA é uma instituição sem fins lucrativos, &#8220;considerado pelos governos federal, estadual e municipal, como centro de reconhecida Utilidade Pública. Sobrevive com ajuda de donativos de voluntários e com o que consegue com eventos culturais e confraternizações que promove&#8221;.</p>
<p>Por isso afirmo que é por amor, fé e através da generosidade que eles continuam sua luta na prevenção à Aids. É preciso aprender a conviver com as diferenças, amar a si mesmo e ao próximo com a mesma proporção. Quem não tem amor, quem não sabe amar, não consegue amar ao próximo.</p>
<p>Ontem participei pela primeira vez da reunião de grupo que acontece em toda última quarta-feira do mês e é aberta ao público em geral. A energia de amor e solidariedade que senti ao ser recebida com tanto carinho me deixou emocionada.</p>
<p>Fui convidada a fazer uma oficina de expressão artística e todos participaram com entusiasmo. Foi uma troca de energia, de idéias, de formas diferentes de se ver o mundo.</p>
<p>Ao oferecer voluntariamente esta oficina recebi em troca uma certeza no fundo de meu coração de estar no caminho certo, a alegria de poder proporcionar solidariedade através da arte. Pois sabemos que a Arte e suas Manifestações Artísticas promovem a solidariedade, a fraternidade.</p>
<p>Agradeço também a todos os que participaram por terem me recebido de forma tão carinhosa e calorosa, senti-me em casa, entre amigos queridos.</p>
<p>A todos, meu muito obrigada!</p>
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		<title>DST´s e Sexualidade &#8211; Entrevista com a palestrante Zélia Carmo</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 17:35:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[aids]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[dst]]></category>
		<category><![CDATA[edições 81 a 85]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann e Alexis Kauffmann</p>
<p>Tivemos o imenso prazer de conhecer esta mulher maravilhosa, Zélia Carmo, em uns dos nossos primeiros contatos com o IPrA. Sorridente, cativante, sempre <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/dst%c2%b4s-e-sexualidade-entrevista-com-a-palestrante-zelia-carmo/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Géssica Hellmann e Alexis Kauffmann</p>
<p>Tivemos o imenso prazer de conhecer esta mulher maravilhosa, Zélia Carmo, em uns dos nossos primeiros contatos com o IPrA. Sorridente, cativante, sempre com uma palavra doce e positiva nos lábios. É assim que ela se apresenta e conquista a atenção e o carinho de quem está em seu convívio. Uma mulher guerreira, forte e batalhadora, mas acima de tudo uma Mulher. Zélia nos conta de sua experiência como palestrante e ativista na prevenção à AIDS.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 387px"><img title="Zélia Carmo" src="http://gehspace.com/edicao%2084%20imagens/zeliacarmo.jpg" alt="Zélia Carmo - voluntária do IPrA" width="377" height="400" /><p class="wp-caption-text">Zélia Carmo</p></div>
<p>Tenho abordado Reich nas últimas edições, seu trabalho sobre sexualidade e corporalidade. Percebemos como as pessoas na época desconheciam seu próprio corpo, quantos mitos e medos enraizados. Mas será que algo mudou? Será que aprendemos a dar e receber prazer? Ou a desinformação ainda continua?</p>
<p>Como resposta a estes questionamentos relato aqui o depoimento da palestrante, voluntária no IPrA, Zélia Carmo.</p>
<p>Zélia ministra palestras de prevenção à AIDS em várias instituições. Afirma ser assustadora a desinformação quanto às doenças sexualmente transmissíveis (DST&#8217;s), à sexualidade e a falta de conhecimento da própria anatomia.</p>
<p>Ninguém está livre, nem por idade, há pessoas que pensam que &#8220;depois da menopausa não se pega AIDS&#8221;, afirma Zélia.</p>
<p>Quando ministra palestras nos colégios ela costuma dizer aos adolescentes &#8220;As mães e os pais de vocês também correm risco por desinformação&#8221; &#8211; quem garante que o um deles não pode cometer um &#8220;deslize&#8221; fora do casamento?</p>
<p>&#8220;Hoje, a realidade é que a maioria das meninas de quinze anos já não são mais virgens&#8221;, constata Zélia. Ela costuma aconselhar as meninas levarem sempre na bolsa uma camisinha feminina, porque se o parceiro, na hora do sexo, estiver desprevenido sem preservativo ou não quiser usar, a menina deve tomar iniciativa de usar. Em uma das palestras, uma das garotas perguntou como poderia urinar usando camisinha feminina.</p>
<p>Espantada com a dúvida, Zélia perguntou qual seria a dificuldade. A menina pensava que o preservativo iria &#8220;tampar&#8221; a passagem da urina&#8230; A palestrante teve que explicar que o orifício não era o mesmo! Pode se perceber o quanto as mulheres, ainda hoje, desconhecem o próprio corpo.</p>
<p>Outra adolescente perguntou se não havia perigo fazer sexo durante a o período menstrual. Ela achava que o sangue menstrual poderia &#8220;subir para a cabeça&#8221;.</p>
<p>Zélia também já ministrou palestras para militares, em quartéis. &#8220;Você pode imaginar aquele mundo de homens&#8230; A expressão que eles fazem quando escutam uma senhora de 70 anos falando em &#8220;pênis&#8221;, &#8220;vagina&#8221;, &#8220;relação sexual&#8221;? Digo a eles: &#8220;Eu sei que muitos de vocês não querem usar camisinha com a esposa mas, pelo menos, usem com as &#8220;de fora&#8221;! Provavelmente tenho menos experiência que vocês, não sou médica, mas com o tempo que tenho contato com soropositivos como voluntária do IPrA, já ouvi muitas vezes &#8220;não uso camisinha com a minha esposa porque ela pode achar que eu tenho outra&#8221;. No mundo de hoje quem pode garantir que o comportamento tanto do homem quanto da mulher&#8221;?</p>
<p>Em suas palestras, Zélia evita falar sobre detalhes biológicos, como o processo de infecção do vírus na célula. &#8220;Não é isso que interessa ou fará com que as pessoas se previnam. A mulher deve ir a cada seis meses fazer preventivo, ao perceber qualquer sinalzinho anormal procurar um ginecologista. As DST&#8217;s são as doenças mais fáceis de evitar: basta usar preservativos. Já um vírus de gripe ou outras infecções, não, você pode pegar muitas vezes até no ar&#8221;.</p>
<p>Ainda prevalece o conceito de que usar camisinha durante a relação sexual é &#8220;chupar bala com papel&#8221;. Ao que ela retruca: &#8220;Vocês tem que enriquecer o seu conceito de relação sexual. Uma relação sexual não é somente penetração pura e simplesmente. Tem que ter um envolvimento para que a relação seja mais rica, pra que não fique somente na penetração. O corpo da gente é enorme, você pode descobrir várias maneiras de dar e receber prazer no corpo do parceiro ou da parceira, tocando, acariciando, não fazer com que a penetração seja toda ela a relação&#8221;. E volta a afirmar &#8220;o corpo é tão maravilhoso, então pra que só enfatizar a penetração? Usar camisinha não é chupar bala com papel, a relação sexual é muito mais que a penetração&#8221;. Uma relação sexual é também ficar abraçado com o parceiro, beijar, dar prazer de tantas outras formas, é usar a criatividade. Para desanuviar, ela brinca: &#8220;Com tanta coisa para chupar sem papel, vocês vão reclamar do papelzinho na hora da penetração? Deixem o papel lá!&#8221;.</p>
<p>A promiscuidade não é ruim somente porque a pessoa vai &#8220;ficar falada&#8221;, é ruim porque faz com que a relação fique mecanizada. Uma relação sexual é algo que pode ser muito bonito, enriquecedor, algo que faça sentir moralmente e espiritualmente satisfeito.</p>
<p>Para as adolescentes, ela alerta: &#8220;Procurem se cuidar mais, valorizar mais uma relação. Temos uma apresentação com imagens de todas as DST&#8217;s. As imagens são das doenças em estágio já avançado e, por isso, bastante chocantes. Quando mostro nas palestras eu digo que é pra chocar mesmo, para que fiquem com medo e se lembrem de usar camisinha&#8221;.</p>
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		<title>Um ato de amor e solidariedade &#8211; Tópicos sobre a epidemia de AIDS &#8211; Entrevista com um soropositivo no IPrA &#8211; Instituto de Prevenção à AIDS</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 17:25:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[aids]]></category>
		<category><![CDATA[dst]]></category>
		<category><![CDATA[edições 81 a 85]]></category>
		<category><![CDATA[solidariedade]]></category>

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		<description><![CDATA[<p class="texto" align="left">“AIDS e Trabalho”</p>
<p class="texto">&#8220;Acho enganosa e nociva a forma como é divulgada na televisão a capacidade de trabalho        <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/um-ato-de-amor-e-solidariedade-topicos-sobre-a-epidemia-de-aids-entrevista-com-um-soropositivo-no-ipra-instituto-de-prevencao-a-aids/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="texto" align="left"><strong>“AIDS e Trabalho”</strong></p>
<p class="texto">&#8220;Acho <strong>enganosa</strong> e <strong>nociva</strong> a forma como é divulgada na televisão a capacidade de trabalho          do soropositivo. Enganosa porque, quando se mostra um suposto soropositivo          no trabalho como se não tivesse nenhum problema, o soropositivo          da vida real não se identifica com ele, porque sabe que a realidade          é bem diferente. Nociva porque as pessoas que não têm          a doença podem achar que <strong>AIDS</strong> não é          mais um problema grave. É preciso entender que o <strong>trabalhador          com AIDS</strong> é um <strong>trabalhador com problemas de saúde</strong>.          Ele precisa ter <strong>horários flexíveis</strong> para          consultas médicas, exames, psicoterapia, atividades físicas&#8230;          Eventualmente pode passar mal devido aos efeitos colaterais da medicação.          No meu caso, às vezes tenho crises de enjôo e diarréia&#8221;.</p>
<p class="texto">&#8220;Sim, o trabalho é importante para o soropositivo          e ele pode se tornar um funcionário tão produtivo e motivado          quanto os outros. Mas o caminho para chegar até lá é          longo e requer muito esforço. Acho que deveriam mostrar o trabalhador          soropositivo como um <strong>vencedor</strong>, que <strong>superou muitos          obstáculos</strong>, com muito <strong>sofrimento</strong>, <strong>determinação</strong> e <strong>força de vontade</strong> para chegar até ali&#8221;.</p>
<p class="texto"><strong>“Campanhas de Prevenção”</strong></p>
<p class="texto">&#8220;A AIDS parece uma realidade muito distante para algumas          pessoas. O uso dos preservativos, da camisinha, deveria ser incentivado          não só como prevenção à AIDS, mas para          toda uma série de doenças graves, agressivas, que também          provocam muito sofrimento, como a <strong>sífilis</strong>, a <strong>gonorréia</strong>,          o <strong>lúpus</strong>, a <strong>herpes</strong>, as <strong>hepatites</strong>&#8230;          Se eu fosse fazer uma campanha para estimular o uso da camisinha, eu colocaria          uma lista de todas as DST&#8217;s em um cartaz com a foto de uma camisinha do          lado&#8221;.</p>
<p class="texto"><strong>“Terapia”</strong></p>
<p class="texto">&#8220;Eu contraí o <strong>HIV</strong> há          16 anos, por via sexual, de uma pessoa que eu achava que conhecia bem.          Jamais me passou pela cabeça que essa pessoa poderia conscientemente          me transmitir AIDS. Pois foi o que aconteceu.</p>
<p><span class="texto">Quando me descobri soropositivo, passei uma fase de        forte <strong>depressão</strong> e <strong>isolamento</strong>. Todo        mundo passa por isso antes de começar a reagir, se sente culpado,        acha que vai morrer&#8230; Algumas pessoas superam essa fase em seis meses,        outros, em um ano. Eu fiquei DEZ ANOS nesse processo. Tranquei-me em casa        e mergulhei no trabalho, fugi totalmente ao <strong>contato social</strong>.        Foi uma forma de me proteger, porque não confiava mais em ninguém.        Se aquela pessoa em que eu confiava tanto pôde me causar tanto mal,        o que poderia esperar do mundo? Só a partir de 2001 é que        comecei a sair da casca, procurei <strong>terapia</strong> e <strong>grupos        de apoio</strong>, porque já começava a pensar em me matar.        Demorei a encontrar um lugar em que me sentisse bem, não me identificava        com as pessoas. Finalmente, encontrei um primeiro grupo de terapia em que        consegui começar a me abrir, no </span><a class="link2" href="http://www.unirio.br/hugg/index.htm" target="_blank"><strong>hospital        Gafrée</strong></a><span class="texto">. Há pouco mais de        um ano, encontrei aqui no IPrA um grupo terapêutico com que me identifiquei        mais e tomei consciência dos processos psicológicos que me        levaram ao isolamento. Hoje, as pessoas que me conheceram dizem que não        me reconhecem mais, que estou mais aberto, conversador, sorridente. É        muito importante levar a sério as propostas das psicólogas        porque elas revelam muita coisa sobre você e, se você refletir        a respeito, você começa um processo de recuperação        que é muito positivo ao longo do tempo&#8221;.</span></p>
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