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	<title>Sexualidade by géh &#187; amor</title>
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	<description>Sexualidade: artigos de pesquisa e entrevistas</description>
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		<title>Maternidade e Paternidade uma missão de amor</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 18:18:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[edições 86 a 90]]></category>
		<category><![CDATA[maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[paternidade]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann e Alexis Kauffmann</p>
<p>Como dizia Wilhelm Reich, a procriação não é finalidade da sexualidade, como muitos afirmavam na época, mas faz parte dela. Hoje falaremos sobre <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/maternidade-e-paternidade-uma-missao-de-amor/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Géssica Hellmann e Alexis Kauffmann</p>
<p>Como dizia Wilhelm Reich, a procriação não é finalidade da sexualidade, como muitos afirmavam na época, mas faz parte dela. Hoje falaremos sobre maternidade e paternidade. Um texto escrito a quatro mãos e três corações.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 414px"><img title="Martin adormecido - acrílico sobre tela - Géssica Hellmann" src="http://gehspace.com/edicao%2089%20imagens/Martin%20adormecido_copy.jpg" alt="Martin adormecido por Géssica Hellmann" width="404" height="402" /><p class="wp-caption-text">Martin adormecido - acrílico sobre tela - Géssica Hellmann</p></div>
<p>Junho de 2005 foi quando decidimos que queríamos ter um filho. Corre-corre atrás de plano de saúde, de informações sobre pré-parto, ginecologista-obstetra. Um sentimento crescente de amor dentro do peito.</p>
<p>Meses se passaram, e já no final de agosto, sabendo que minhas regras estavam com uma semana atraso, eu e meu marido fomos fazer um passeio no shopping aqui perto de casa. Lá ele entra por impulso em uma farmácia e compra um kit de teste de gravidez.</p>
<p>Lá fui eu ao banheiro do shopping para fazer o teste. O nervosismo e a ansiedade eram tão grandes que não consegui fazer o teste. Senti algumas gotas de sangue saindo de mim. Abalada, com lágrimas nos olhos e o coração apertado corri para os braços de meu marido. Sentia-me frustrada. Ele carinhosamente me aninhou e me levou pra casa.</p>
<p>Após algumas horas, já mais calma, ele me pede para fazer o teste, mesmo que minha menstruação aparentemente tivesse descido, &#8220;para saber como é que se faz&#8221;. Fiz o teste e não acreditava no resultado que aparecia no visor. Chorei, ri, vibrei e senti algo muito maior dentro de mim. Positivo era o resultado. Sim eu estava esperando um filho, o fruto de nosso amor.</p>
<p>Como pais de primeira viagem, surgiram as primeiras dúvidas, será que seriamos bons pais? Trazer uma criança à vida ao mundo atual é certamente uma grande responsabilidade. Um fato era certo: ele havia sido planejado, esperado e amado mesmo antes de ser feito. O amor superava todos os receios.</p>
<p>Sentia uma energia nova, uma vida nova se formava em meu ser. Já não era somente eu, éramos dois e três ao mesmo tempo.</p>
<p>Mesmo após o resultado positivo obtido pelo teste adquirido na farmácia, continuava um pequeno corrimento de sangue, que nos preocupava. Saímos a procura de obstetras para acompanhar o pré-natal. A primeira médica que fomos solicitou vários exames e me receitou um medicamento de uso ginecológico. Mal olhou na minha cara e disse que não acreditava em testes de farmácia.</p>
<p>Anjos da guarda existem! Meu marido comprou o remédio prescrito e me entregou, pouco antes de usa-lo resolvi fazer algo que não é de meu costume: ler bula de remédio. E lá dizia &#8220;Não deve ser utilizado durante a gravidez e a amamentação. Informe seu médico se ocorrer gravidez ou iniciar amamentação durante o uso deste medicamento&#8221;.</p>
<p>Guardo o remédio até hoje, não sei exatamente o motivo, talvez para lembrar-me sempre destes anjos que nos acompanham. Fomos a outros médicos, até encontrar um em quem sentimos confiança.</p>
<p>O teste de laboratório confirmou a gravidez. Um novo ser crescia dentro de mim. No primeiro mês meu filho escolheu seu nome. Sim é dele o mérito. Seria Martin. Como já sabia que era um menino? Impossível explicar, mas já o sabíamos. Nosso lado racional nos pedia para escolher um nome feminino, o fizemos, mas sem muita convicção.</p>
<p>A maternidade é maravilhosa, só o sabem que é mãe. Os preparativos dos meses a seguir, roupinhas, comprar o berço, a expectativa e, a cada dia, uma nova descoberta, uma nova sensação.</p>
<p>Senti-lo desenvolver-se dentro de mim foi fantástico. Cada ultra-sonografia uma emoção, um sentimento de incredulidade misturado com esperança. O pai emocionado brinca com palavras e rimas para expressar seu sentimento:</p>
<p>Amor de pai</p>
<p>&#8220;Tuas mamas amnióticas<br />
Ferem as trompas de Eustáquio<br />
Do teu homem mais neurótico<br />
Reduzido a batráquio<br />
Ciúme sente psicótico<br />
Como o empalador Valáquio<br />
Um desejo estrambótico<br />
Por teu útero terráqueo<br />
Isto não é um soneto<br />
Ângulo de hipotenusa<br />
Vértice ou longitude:<br />
Um amor que amiúde<br />
Envaidece minha Musa<br />
Sete notas de um cateto!&#8221;</p>
<p>Minha gravidez foi tranqüila, inicialmente com um pouco de anemia e um pequeno corrimento, que cessou após tratamento correto. Enjôo, só com creme dental. O pai cantava e tocava sua velha guitarra para nós. A mãe pintava seus quadros em meio a cores e emoções. Os meses se passaram, já estávamos na reta final&#8230; Ou inicial? Quase nada podia usar de meu guarda-roupa, a barriga imensa e imponente. A avó materna do Martin, chega ao Rio semanas antes do seu nascimento para acompanhar os pais de primeira viagem.</p>
<p>Sempre quis parto normal, mas minha médica argumentava falando sobre a dificuldade de encontrar leitos em boas maternidades (pelo menos, nas que meu plano de saúde cobria), e que, se fosse o parto fosse à noite ela não poderia realiza-lo. É a realidade aqui no Rio de Janeiro: violência, medo de assaltos e o que eu costumo chamar de &#8220;parto industrializado&#8221;.</p>
<p>Sim é verdade que os obstetras ganham mais em cesáreas, e também é verdade que são muito mais práticos para a maternidade aqueles que são realizados com hora marcada. A livre escolha da mãe é, muitas vezes, comprometida por essas inseguranças e por esta realidade.</p>
<p>Dia 18 de abril véspera do dia tão esperado. Quem conseguia dormir? Mala preparada, primeira roupinha que meu amor usaria quando viesse ao mundo. Vovó, mamãe e papai ansiosos pelo dia amanhecer. Jejum desde as 20:00 do dia 18, parto marcado para as 10:00 horas da manhã do dia 19 de abril.</p>
<p>Dores do pós-operatório não se comparavam a emoção de ter meu filho nos braços, meu guerreiro iluminado. Ser mãe vale a pena!</p>
<p>Curtir cada dia sua evolução, suas descobertas, seu olhar carinhoso com um sorriso maroto. Primeiros gestos expressivos, sua sinceridade em avaliar as pessoas. Um ser iluminado. Mesmo quando os pais sentiam-se cheios de dúvidas, sofrendo pressões no dia-a-dia, lá estava ele, sempre pronto para nos doar carinho e coragem para seguir em frente.</p>
<p>Nos questionamos sempre sobre sua educação para que tenha uma vida saudável, nesta sociedade com tantos preconceitos e tabus, com tantas neuroses enraizadas. Como pesquisadora em corporalidade e sexualidade, procuramos educar nosso filho para o amor ao próximo, para aprender a respeitar a diferenças, para uma sexualidade sadia e natural. Rezamos e agradecemos a Deus a cada dia pela oportunidade ser pais de um menino tão amado.</p>
<p>Aos três meses, já queria &#8220;andar&#8221; e percorreu sua primeira &#8220;maratona de um metro&#8221;. Filmamos, fizemos festa. Sim ele só tinha três meses, não era idade nem para engatinhar e já queria andar.</p>
<p>No aniversário do pai, em janeiro deste ano, ele o presenteou aprendendo a engatinhar e a percorrer toda a casa com uma rapidez incrível. No aniversário da mãe em março ele me acorda batendo palmas. Alegria única. Chama mamãe de &#8220;Mã&#8221; e papai de &#8220;Tdê&#8221;. Hoje, em seu primeiro aniversário, presenteou a avó e as tias que moram longe com um espetáculo de beijos pela webcam.</p>
<p>Ele é assim, nossa vida, nosso amor, nossa razão de ser e existir. Esta edição é dedicada ao Martin, nosso filho e amigo que completa hoje um ano de existência.</p>
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		<title>A união no amor</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 19:15:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[edições 61 a 65]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p class="wp-caption-text">Circle Of Love por Hall Robin</p>
<p>Esta edição é de agradecimento. Agradecimento a todos que já colaboraram e continuam colaborando para a realização deste projeto. Unidos <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/09/a-uniao-no-amor/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Géssica Hellmann</em></p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 412px"><img title="Circle Of Love por Hall Robin" src="http://gehspace.com/edicao%2062%20imagens/Circle%20Of%20Love%20Hall%20Robin.jpg" alt="Circle Of Love por Hall Robin" width="402" height="302" /><p class="wp-caption-text">Circle Of Love por Hall Robin</p></div>
<p>Esta edição é de agradecimento. Agradecimento a todos que já colaboraram e continuam colaborando para a realização deste projeto. Unidos nesta missão de amor. Um projeto que iniciou como um sonho e hoje é realidade. Desde a primeira edição o objetivo é de iluminar, de combater o preconceito, de quebrar tabus, de amar o próximo, de lutar no combate ao ódio e à violência com amor.</p>
<p>Abordamos o corpo, o sexo, a sexualidade e arte com o objetivo de vivenciar e ensinar que é possível amar o amor. É na Arte Solidária que com a união de nossos de nossos corações Venceremos!</p>
<p>É preciso ser solidário com todos aqueles que são injustiçados, pois sabemos que a Arte e suas Manifestações Artísticas promovem a solidariedade, a fraternidade. Aprender a aceitar e conviver com a diferença, amar a si mesmo e ao próximo com a mesma proporção.</p>
<p>As pessoas são mais do que rótulos, são seres humanos e querem e precisam ser amados. Temos conhecimento de vários grupos que lutam contra o preconceito. A proposta do géh é de união: Unir forças em prol da solidariedade, da união de todos os grupos, sejam grupos que lutam pela mulher, por opções sexuais, por amamentação, contra preconceitos raciais, contra a miséria, em solidariedade as pessoas especiais, ou seja, todos os grupos que, por amor e com amor, lutam por uma sociedade mais justa.</p>
<p>A Arte Solidária é união dessas forças no amor. Unidos teremos um alcance muito maior. Pergunto a você agora: quer fazer parte deste ato de amor?</p>
<p>Promova esta campanha, espalhe esta idéia. Seja você também mais uma gota neste oceano de prosperidade e amor. Vamos promover esta união? Vamos promover este ato de amor?</p>
<p>Deixo a todos, independente de religião &#8211; é mais uma atitude diante da vida &#8211; uma mensagem universal de amor:</p>
<p>Oração do amor</p>
<p>Senhor,<br />
Fazei-me instrumento de vossa paz!<br />
Onde hover ódio que eu levo o amor;<br />
Onde houver ofensa que eu leve o perdão.<br />
Onde hover discórdia, que eu leve a união;<br />
Onde houver dúvida que eu leve a fé;<br />
Onde houver erro, que eu leve a verdade;<br />
Onde houver desespero que eu leve a esperança;<br />
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;<br />
Onde houver trevas que eu leve a luz!<br />
Ó Mestre,<br />
Fazei que eu procure mais consolar que ser consolado;<br />
Compreender, que ser compreendido;<br />
Amar, que ser amado.<br />
Pois é dando que se recebe,<br />
É perdoando que se é perdoado<br />
E é morrendo que se vive para a vida eterna!</p>
<p>(Francisco de Assis)</p>
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		<title>Quem é seu próximo?</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 17:46:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[amor ao próximo]]></category>
		<category><![CDATA[edições 56 a 60]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Géssica Hellmann</p>
<p>Ao ler um artigo do Dr. Luiz Mott, antropólogo, me deparei com a seguinte afirmação: &#8220;Quando se fala em discriminação, via de regra, cada minoria <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/09/quem-e-seu-proximo/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Géssica Hellmann</p>
<p>Ao ler um artigo do Dr. Luiz Mott, antropólogo, me deparei com a seguinte afirmação: &#8220;Quando se fala em discriminação, via de regra, cada minoria procura puxar o quanto pode a brasa para mais perto de sua sardinha&#8221;.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 324px"><img title="Amar o próximo - Acrilico sobre papel - Géssica Hellmann" src="http://www.gehspace.com/edicao%2056%20imagens/amar%20o%20proximo%20copy.jpg" alt="Amar o próximo - Acrilico sobre papel - Géssica Hellmann" width="314" height="450" /><p class="wp-caption-text">Amar o próximo - Acrilico sobre papel - Géssica Hellmann</p></div>
<p>Um choque, uma realidade. Me fez parar e refletir sobre o assunto. Sou mulher e sei que mulheres sofrem preconceitos em uma sociedade machista. Mas acima de tudo sou ativista em nome do amor, da solidariedade, da aceitação da diferença, seja ela qual for: nacionalidade, religião, raça, gênero ou opção sexual. Sou a favor do amor, da tolerância, da compaixão e da solidariedade.</p>
<p>Não puxarei a brasa para a minha sardinha! Aqui já falamos da violência contra a mulher, dos crimes homofóbicos, de solidariedade. Hoje falaremos sobre etnia: preconceito racial.</p>
<p>Segundo a definição de &#8220;Heler (1988) o preconceito está pautado em um forte componente emocional que faz com que os sujeitos se distanciem da razão. O afeto que se liga ao preconceito é uma fé irracional, algo vivido como crença, com poucas possibilidades de modificação. O preconceito difere do juízo provisório, já que este último é passível de reformulação quando os fatos objetivos demonstram sua incoerência, enquanto os preconceitos permanecem inalterados, mesmo após comprovações contrárias&#8221; (MENEZES, 2006).</p>
<p>A sociedade brasileira caracteriza-se por uma pluralidade étnica, sendo esta produto de um processo histórico que inseriu num mesmo cenário três grupos distintos: brancos (europeus), índios e negros de origem africana.</p>
<p>Simon Schwartzman, sociólogo, membro da Academia Brasileira de Ciências e presidente do IBGE entre 1994 a 1999, em um artigo para a Folha de São Paulo, afirma que houve um estágio na ideologia nacioanal em que autores como Nina Rodrigues e Oliveira Vianna propagavam que os males do país eram causados pela mistura do &#8220;sangue ruim&#8221; (negros e indígenas) e que era necessária uma &#8220;purificação da raça&#8221;. Posteriormente, Gilberto Freire tentou difundir o conceito de uma &#8220;civilização luso-tropical&#8221;, em que negros e brancos conviviam harmoniosamente. Mais tarde, foi a vez dos sociólogos marxistas argumentarem que a questão racial era uma questão de luta de classes. Finalmente, duas décadas atrás, o IBGE demonstrou que a &#8220;cor&#8221; dos brasileiros associa-se a uma série de importantes características sociais: &#8220;Os &#8216;pretos&#8217; e &#8216;pardos&#8217; recebem remuneração inferior pela mesma função e têm menos educação que os &#8216;brancos&#8217; na mesma faixa de renda&#8221; (SCHWARTZMAN, 2006).</p>
<p>Sim o preconceito racial no Brasil existe e é fato. Basta observar a população carcerária, cuja maioria é composta por homens negros.</p>
<p>&#8220;Para reduzir os impactos negativos das desigualdades raciais é importante priorizar as regiões metropolitanas, diminuir a violência urbana, equacionar a segurança pública, gerar expectativa de educação, trabalho e renda para a juventude negra e melhorar a qualidade de vida das mulheres negras&#8221; (CARDOSO, 2006).</p>
<p>Entretanto, o que é um &#8220;negro&#8221;? Esta questão aparentemente simples é objeto de controvérsias e acusações de manipulação de dados estatísticos:</p>
<p>&#8220;A racialização do Brasil procede manipulação estatística ao propor que quase 50% da população nacional seja negra. O Brasil possui estados com forte população afro-descendente e outros dominados por descendentes de nativos e europeus. Em todos eles, existe forte população formada por intercruzamentos étnicos. Essa quase maioria é obtida somando-se como negros todos os brasileiros com alguma ascendência africana.&#8221; Ou seja, &#8220;um brasileiro com três avós europeus e um afro-descendente é contado estatisticamente como negro. O que enseja a fusão de nacionais com forte afro-descendência, objetos da violência racista, e outros que, conforme a região e, sobretudo, a situação social, se têm e são em geral tidos socialmente como brancos&#8221; (MAESTRI, 2006).</p>
<p>Então eu pergunto: Qual a sua cor? Como você se define? Qual a cor do povo brasileiro?</p>
<p>Mas são os negros os únicos que sofrerem preconceito raciais no Brasil? Vale lembrar a comemoração dos 500 anos de descobrimento do Brasil, em que testemunhamos violência contra outra minoria &#8211; e o termo &#8220;minoria&#8221;, neste caso, não aplicável somente no sentido sociológico, mas também no quantitativo:</p>
<p>Rememorando os fatos: índios Xavantes e Mehinakus entregaram uma carta de protesto ao Presidente Fernando Henrique Cardoso, em ocasião da comemoração dos 500 anos do Brasil. A mensagem dizia: &#8220;esta não é a nossa comemoração&#8221;, &#8220;não estamos comemorando nada&#8221;. A carta afirmava que &#8220;o povo brasileiro não conhece o povo indígena&#8221; e concluía que os índios estavam ali com o objetivo de realizar &#8220;um ritual de passagem para transformar este lugar num país onde nosso povo possa viver&#8221;.</p>
<p>O conflito foi inevitável: em plena comemoração dos 500 anos do Descobrimento (Invasão?) ocorreu um violento confronto entre policiais e manifestantes indígenas na BR-367: a PM avançou sobre os índios, que fugiram na direção de Santa Cruz Cabrália. Alguns reagiram, disparando flechadas e jogando pedras. A polícia perseguiu os manifestantes por cerca de um quilômetro, soltando bombas, até dispersar totalmente o protesto. No momento do conflito, Gildo Terena, 18, da tribo terena de Campo Novo (MT), postou-se em frente à barreira policial pedindo para que parassem de jogar bombas e foi agredido pelos policiais. O índio teve traumatismo no maxilar direito, segundo o médico José Caires, do Sindicato dos Médicos da Bahia (FOLHA, 2006).</p>
<p>Que &#8220;cordialidade racial&#8221; é essa? Os &#8220;brancos&#8221; tão ciosos de sua superioridade, há 500 anos invadiram, tomaram posse, e exterminaram as populações indígenas. Uma cultura de que muito se perdeu e continua sendo destruída, para nosso grande pesar.</p>
<p>É importante valorizar a cultura, um povo precisa conhecer sua história, sua origem. Mas acima de tudo é preciso saber aceitar as diferenças.</p>
<p>É preciso exercer a solidariedade, a fraternidade e o amor. E é aqui que esclareço o título deste artigo: &#8220;quem é o seu próximo? &#8220;Amar o próximo como a ti mesmo&#8221; (Mt 22:39).É preciso aprender a conviver com as diferenças, amar a si mesmo e ao próximo com a mesma proporção. Por que tanto preconceito se, aos olhos de Deus, somos todos iguais, independente de rótulos?</p>
<p>Acredito nesta possibilidade: amar o amor e com esta intenção promover a solidariedade e fortalecer a luta contra os preconceitos &#8211; todos eles! &#8211; contra os crimes de ódio, a favor da esperança na evolução do ser humano. E termino com um convite: Vamos nos dar as mãos para atingir esse objetivo?</p>
<p>Bibliografia:</p>
<p>CARDOSO, Marcos Antonio. Igualdade racial &#8211; Desenvolvimento com promoção da igualdade racial. Disponível em:  . Acessado em: 11/08/2006.</p>
<p>FOLHA de São Paulo. Índios entregam carta de protesto a Fernando Henrique. Disponível em: . Acessado em: 11/08/2006.</p>
<p>MAESTRI, Mário. A racialização do Brasil. Disponível em: . Acessado em: 11/08/2006.</p>
<p>MENEZES,Valéria. Preconceito racial: o desencontro da alteridade. Disponível em:  . Acessado em 11/08/2006.</p>
<p>MOTT, Luiz. Direitos humanos e cidadania homossexual no Brasil: porque os homossexuais são os mais odiados dentre todas as minorias?</p>
<p>SCHWARTZMAN, Simon. Das estatísticas de cor ao Estatuto da Raça. Disponível em:  . Acessado em: 11/08/2006.</p>
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		<title>Uma missão de amor</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 17:33:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>O artigo publicado na edição          anterior tratava da violência, de crimes       <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/09/uma-missao-de-amor/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Géssica Hellmann</em></p>
<p>O artigo publicado na <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/09/violencia-de-genero/">edição          anterior</a> tratava da violência, de crimes          de ódio. Já este falará sobre o amor. A missão          desta revista é promover a arte em prol da solidariedade, promover          o respeito ao ser humano. É um ato constante de amor ao próximo.</p>
<p>Primeiramente gostaria de fazer uma reflexão sobre minhas três          últimas pinturas: &#8220;Tormenta&#8221;, &#8220;Vaticínio&#8221;          e &#8220;A caverna&#8221;. Elas foram feitas num momento de reflexão          sobre o amor. Em seguida abordarei a importância do ato solidário,          do ato de amor e da esperança na humanidade.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 325px"><img title="Tormenta - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann" src="http://www.gehspace.com/edicao%2054%20imagens/Tormenta%20copy.jpg" alt="Tormenta - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann" width="315" height="450" /><p class="wp-caption-text">Tormenta - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann</p></div>
<p><strong>Tormenta:</strong> Utilizei pinceladas curtas e fortes inspiradas na pintura expressionista. Cores irreais enfatizando a alucinação do êxtase de um pesadelo. O medo, a culpa de uma sexualidade reprimida. A escolha entre um fim de um relacionamento fracassado ao amor pelos filhos, a uma frigidez sexual pela sensação de culpa de sentir prazer. Sexo, orgasmo um pecado? As mãos tentando ocultar o órgão sexual, um corpo transformado por sentimento de culpa, por preconceitos e tabus enraizados na mente. Uma pintura dramática que expressa o sentimento de dualidade entre o bem e o mal, o certo e o incerto, num caminho entre a luz e as trevas do próprio ser.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 331px"><img title="Vaticínio - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann" src="http://www.gehspace.com/edicao%2054%20imagens/vaticinio%20copy.jpg" alt="Vaticínio - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann" width="321" height="450" /><p class="wp-caption-text">Vaticínio - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann</p></div>
<p><strong>Vaticínio:</strong> A boca como canal de amor ou de ódio. É preciso aprender a controlar a língua, para que da sua boca saiam sempre mensagens de luz, de amor, de fraternidade, de esperança. Aprender este controle, aprender a responsabilidade de praticar e ensinar os bons sentimentos é possível. Vaticinar para o bem é uma escolha, é a elevação do espírito mas, acima de tudo uma grande responsabilidade.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 430px"><img title="A Caverna - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann" src="http://www.gehspace.com/edicao%2054%20imagens/a%20caverna%20copy.jpg" alt="A Caverna - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann" width="420" height="297" /><p class="wp-caption-text">A Caverna - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann</p></div>
<p><strong>A Caverna:</strong> Foi acreditando na evolução do ser que criei &#8220;A caverna&#8221;. A realidade do &#8220;lusco-fusco&#8221;, da falta de fé, de seres aprisionados pelo medo de amar. Aprisionados pelos próprios preconceitos, pela violência, pela ignorância, por ter medo da luz.<br />
É possível a evolução do ser? É possível evoluir sem a luz? Luz esta reflexo do conhecimento e do próprio amor.</p>
<p>Quem por muito tempo vive com os braços aprisionados ao próprio corpo, teme amar o amor. Porque a inércia de movimentos para o bem, quando recebe grande dose de amor, sente dor, pois seus braços há muito não se exercitavam. Praticar o bem é praticar o amor. Por mais que doam os primeiros movimentos, é preciso ter fé para evoluir. É esta a mensagem que quero deixar: &#8220;Acredito na evolução pelo amor. Amar é possível e vale a pena&#8221;.</p>
<p>&#8220;Tormenta&#8221; e &#8220;Vaticínio&#8221; chocam à primeira vista. Transmitem um sentimento enraizado, uma escolha entre a luz e as trevas, o amor e o ódio. As pincelas curtas e fortes, os olhos vazados, as cores irreais, revelam o verdadeiro &#8220;eu&#8221; interior, o sentimento cru, despido de vestes. As pinturas induzem à reflexão sobre a escolha entre praticar o bem ou o mal.</p>
<p>Já &#8220;A Caverna&#8221; descreve o aprisionamento do ser, do espírito. As duas realidades se fundindo, a realidade material e a espiritual. Acredito na evolução do ser humano, na quebra de tabus e preconceitos. É possível anular o ódio com amor. Quando sofremos preconceitos, injustiças, a melhor maneira de responder é retribuir com amor em dobro. Associações e campanhas em prol da solidariedade possibilitam mudanças para uma sociedade mais justa, menos preconceituosa.</p>
<p>Falamos muito de solidariedade, de amor, de atitudes contra a violência, mas é importante definir certos termos para repensarmos nossas atitudes e sensibilizar nossos corações.</p>
<p>Boeira (2006) afirma que &#8220;A solidariedade, sendo um processo de libertação social, de autoconhecimento coletivo, não é qualidade que se tem ou não se tem, mas que se aprende e se ensina partindo das mais variadas condições sociais, dos mais variados ambientes ou ecossistemas&#8221;.</p>
<p>&#8220;Gramaticalmente, a palavra solidariedade é classificada como um substantivo, e substantivos servem para indicar os seres, os conceitos e os atos. Daí, que a solidariedade pode ser entendida como uma atitude. Atitude de apoio, proteção e cuidado com alguém. As grandes epidemias, as guerras e as catástrofes são exemplos de situações que colocam as pessoas diante da necessidade de serem apoiadas, protegidas e cuidadas. Nestas ocasiões, é preciso ter a clareza de que precisamos modificar algumas posturas pessoais, às vezes preconceituosas, e nos tornarmos disponíveis para enfrentar qualquer dificuldade&#8221;.(Solidariedade, 2006).</p>
<p>Para Gregório (2006 a) o amor pode ter definições variadas dependendo da cultura onde incide:</p>
<p>&#8220;Na cultura grega, amar implica o conhecer e o conhecer implica o amar.<br />
Na cultura judeo-cristã, o amor não partirá do mundo nem do homem, mas de Deus. Fundado no amor divino, o amor humano será ativo, histórico, concreto, e terá na imitação do próprio Deus, designadamente através de Cristo &#8211; imitatio Christi &#8211; o seu grande motor. (Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado)<br />
No Espiritismo, embora o termo amor seja polissêmico, nada nos impede de defini-lo como &#8220;a totalidade dos sentimentos e desejos que estruturam o pensamento para a liberação de energia e de forças que guiam a ação na produção do bem e possibilitam a aquisição de qualidades, constituintes do crescimento do Espírito&#8221;. (Curti, 1981, p.81)&#8221;</p>
<p>Para Goldkorn (2006) o amor é abrangente, é imanente, engole as fronteiras culturais e geopolíticas. Ele pode florescer espontaneamente ou como resultado da minha vontade. O amor não é algo que deva ser conquistado e, sim, construído; relaciona-se com o olhar, com a maneira de me colocar junto dos meus irmãos (todos) estrangeiros sem achá-los estrangeiros ou sem me achar o único nativo com direito a voto.</p>
<p>Cito dois grandes homens com espírito elevado, que acreditavam e fizeram da sua vida um ato de amor no combate a violência e a discriminação:</p>
<p>Ghandi, &#8220;cognominado de político da não-violência, afrontou o poderio britânico sem usar nenhuma arma. Preferiu humilhar-se e fazer jejum a levantar uma só arma para atacar o poderio britânico. Este nobre exemplo procurava passar aos seus comandados&#8221;. (Gregório, 2006 b)</p>
<p>Martin Luther King, &#8220;Outro herói do apelo à não-violência. Queria conseguir as coisas com as suas idéias de justiça e de liberdade, em que todos deveriam ser beneficiados com a política do estado e não o estado espoliar as pessoas mais pobres&#8221;. (Gregório, 2006 b)</p>
<p>Estes são exemplos de fé, de amor, de vida. Decidiram fazer de suas vidas uma causa, um ato de esperança na humanidade.</p>
<p>É preciso refletir, perguntar a si mesmo: de que lado estou? Você pratica o amor? Você combate o ódio, a violência, a discriminação? Não há mais tempo de ficar em cima do muro, o muro caiu. É só perceber o que está acontecendo no mundo: guerras, preconceitos raciais, religiosos, crimes de ódio. Acredito que só com amor e solidariedade podemos combater o ódio e os atos de violência. Tenho esperança e fé na evolução da humanidade. É através das manifestações artísticas que procuro fazer o que considero uma missão de vida: &#8220;Ensinar a amar o amor&#8221;.</p>
<p>Bibliografia</p>
<p>BOEIRA, Sérgio Luis. Solidariedade. Disponível em http://hps.infolink.com.br/peco/boeira02.htm Acessado em: 28/07/2006.</p>
<p>GREGÓRIO, Sérgio Biagi. Amar ao Próximo como a Si Mesmo. Disponível em: http://www.ceismael.com.br/artigo/artigo087.htm. Acessado em: 28/07/2006.</p>
<p>GREGÓRIO, Sérgio Biagi. O Amor e suas Dimensões. Disponível em: http://www.ceismael.com.br/artigo/artigo087.htm. Acessado em: 28/07/2006.</p>
<p>Solidariedade. Disponível em http://www.adolesite.aids.gov.br/solidariedade.htm . Acessado em 28/07/2006.</p>
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		<title>O Amor Sublime III (em &#8220;O Núcleo do Cometa&#8221; por Benjamin Péret)</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 21:08:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Traduzido por Worgtal</p>
<p> (&#8220;Le Noyau de la Cométe&#8221;.          Fragmentos extraídos da introdução da &#8220;Anthologie     <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/o-amor-sublime-iii-em-o-nucleo-do-cometa-por-benjamin-peret/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Traduzido por Worgtal</p>
<p><strong><em> (&#8220;Le Noyau de la Cométe&#8221;.          Fragmentos extraídos da introdução da &#8220;Anthologie          de l’amour sublime&#8221;, tal como foram publicados na &#8220;Medium-Comunication          surréaliste&#8221;, nº 4, janeiro de 1955, Ed. Arcanes, Paris,          pág. 20/22. Tradução para o espanhol de Juan Carlos          Otaño.)</em></strong></p>
<p>Enquanto prosseguia o processo de diferenciação          entre os seres e os sexos, o amor não podia ser considerado. Durante          milênios, os seres humanos não haviam podido obedecer mais          que a impulsos sexuais primordiais, a mulher submetendo-se passivamente          ante o homem. Se sua inferioridade física lhe havia significado          conhecer uma das condições mais precárias (4), foi          também em seu benefício que se levou a cabo a primeira diferenciação:          o homem manifestando sua força e abusando dela, enquanto a mulher          exagerava sua debilidade e utilizando-a para proteger-se. De tal maneira,          o homem assegurava a vida cotidiana da família por meio da caça,          da pesca e da coleta, quer dizer, suprimindo a vida; a mulher, enquanto          isso, assumia a carga da perpetuação da espécie,          a fim de que o ciclo da vida e da morte pudesse prosseguir.<br />
Esta evolução, longe de traduzir-se por meio de uma linha          reta e contínua, esteve pelo contrário sujeita a toda sorte          de retrocessos e avatares. Conheceu etapas em que foi tentada uma conciliação          provisória, fragmentária ou ilusória. Enquanto a          mulher havia sido submetida passivamente ao homem, nenhum acordo era possível,          porque suas simples necessidades físicas não estavam satisfeitas.          Todavia, certos índios da América (5) proíbem às          companheiras qualquer manifestação de orgasmo, algo considerado          por eles como um sinal de libertinagem. Durante muito tempo, o homem deve          ter visto no orgasmo um privilégio de sua virilidade. Assim, viu-se          estabelecer uma nova distinção entre o homem e a mulher          que consolidava a divisão da humanidade em dois grupos, beneficiando-se          cada um por seu lado de uma solidariedade interna, sendo objeto reciprocamente          tanto da desconfiança quanto do desejo. Quando o homem foi impelido          a renunciar a este privilégio &#8211; no sentido mais enérgico          da palavra &#8211; que ele mesmo se havia atribuído, não podia          fazer menos que reconhecer o mérito daquilo que experimentava sua          companheira; por outro lado, o comportamento dela nessa situação          devia mobilizá-lo. Mas, ao não lhe ser possível compreender          o simples resultado das atitudes normais da mulher, que permaneciam invariáveis          no mundo mágico que era então o dela, o orgasmo feminino          devia representar-se somente como o produto da própria capacidade          de comunicação dela com um mundo sobrenatural. Assim, por          esse meio, o orgasmo feminino assumiu um caráter mágico          desde suas origens, no que constitui a primeira sublimação          da sexualidade, num plano que não é seu sob qualquer aspecto.          Esta origem mágica ainda não havia sido esquecida durante          a antigüidade clássica, porque o paganismo conhecia ritos          orgiásticos. Por outro lado, não foi completamente esquecido          na atualidade (6).<br />
Esta comunhão sexual se reveste de uma importância decisiva,          haja visto os intercâmbios levados a cabo entre o homem e a mulher,          no sentido em que revela uma primeira possibilidade de acordo, certamente          muito limitada, mas indispensável para um acordo futuro mais completo.          Indica também que esta conciliação se realiza em          virtude de uma sublimação &#8211; aqui artificial &#8211; da sexualidade          e de um alcance tanto mais limitado na medida em que somente é          o homem quem participa dela. Para que o homem e a mulher possam alcançar          um acordo total, será necessário que a sublimação,          em sentido convergente, se produza simultaneamente no plano humano mais          essencial, nunca mais em um mundo imaginado somente pelo homem.<br />
Por fim, a medida em que a comunhão sexual passava do sagrado ao          profano, integrando-se aos costumes, não podia de deixar de levar          o homem a reconsiderar sua apreciação da mulher. Sem dúvida,          não era ainda o caso para a época de Platão porque          no &#8220;Banquete&#8221;, o amor homossexual prevalece sobre o amor heterossexual,          até o ponto de não reconhecer outro papel à mulher          que não o da concepção. Somente o povo, segundo ele,          podia amar uma mulher, de tal modo que não considerava este sentimento          mais que um amor &#8220;popular&#8221;, grosseiro e sensual. O sábio          ama os rapazes não pelas satisfações sexuais que          lhe podem reportar &#8211; estas são secundárias &#8211; mas pelos prazeres          intelectuais que representa lidar com eles, sendo a mulher intelectualmente          inferior ao homem. O amor homossexual deveria assim ser um amor &#8220;celestial&#8221;.          A comunhão puramente sexual com a mulher acompanha-se de uma comunhão          espiritual com o homem, com conseqüências sexuais, abrindo          uma nova fase no processo alternativo de dissociação e conciliação          entre o homem e a mulher.</p>
<p>A simples comunhão sexual é então considerada insuficiente,          às vezes até grosseira. Assim, o homem e a mulher não          alcançam mais que um acordo fugaz, tornando-se em seguida completos          estranhos um para o outro. O homem evoluído desta época          é induzido a considerar, em virtude dos postulados platônicos,          que a inteligência é um privilégio da virilidade (da          mesma maneira que, pouco antes, havia-se atribuído o benefício          exclusivo do orgasmo), a subestimar a mulher, quando não a depreciá-la,          e a intercambiar com os homens um arranjo espiritual de que derivam relações          sexuais. Reciprocamente, a mulher é compelida a ter que preferir          a sensibilidade e doçura dos seres do seu sexo, antes que a violência          masculina. De tal maneira se pronunciou como nunca a separação          entre homens e mulheres. É a razão pela qual &#8220;a diferença          entre nossa vida erótica e a da antigüidade consiste em que,          outrora, era sobretudo a tendência que importava, enquanto que atualmente          é o objeto&#8221; (7). Ao mesmo tempo, estão dadas as condições          para uma conciliação superior entre o homem e a mulher,          uma vez reconhecida como ilusória a desigualdade imaginada por          Platão e descobertos os tesouros do psiquismo feminino. Plutarco          (8) foi o primeiro a percebê-los, mas o cristianismo já estava          ali.</p>
<p>Estava reservado a esta religião opôr à sexualidade          um amor inteiramente desencarnado, orientado unicamente para a divindade.          A moral cristã ensina que a mulher deve estar submetida ao homem          (ao marido); e o único objetivo que atribui à sexualidade          é o da concepção dentro do matrimônio. Esta          submissão do homem tem sido indicada até pela forma do coito          prescrita pela Igreja. Ao livre exercício da sexualidade, sem outro          objetivo inicial que sua satisfação, a Igreja impõe          uma mancha inevitável. Canaliza o impulso sexual sem esforçar-se          em transcendê-lo no plano afetivo, conformando-se em orientar para          a divindade as forças espirituais que tendem obscuramente à          metamorfose no amor. Por ele mesmo, o ser humano não encontra proveito,          não ganha mais que uma possibilidade de evasão. A mulher          se constitui numa simples matriz, cuja vida afetiva não encontra          outra saída que não a do exercício da maternidade          e na ternura que possa esperar dos filhos. É o único amor          carnal cujo benefício legítimo reconhece o cristianismo,          e se não lhe impõe limite algum é porque representa          um benefício para ele. Com esta religião, o homem, e a mulher          mais ainda, vão conhecer a angústia permanente do pecado.          Vendo-se a afetividade feminina compelida a prosseguir por vias divergentes,          quando não opostas: o amor maternal e o amor espiritual surgidos          do amor sexual negado à humanidade, cujos impulsos ela foi obrigada          a desviar na direção da divindade.</p>
<p><em>(4) A guerra é suficiente para que ela volte          a experimentá-la: telegramas de agências noticiosas reportavam,          em 1945-46, durante as primeiras semanas da ocupação russa,          que as autoridades civis de Viena haviam recebido 160 mil denúncias          de mulheres violentadas. </em></p>
<p><em>(5) Marqués de Wavrin: &#8220;Moeurs et coutumes          des Indiens sauvages de l’Amérique du Sud&#8221;, Payot, París,          1937, p.176 e &#8220;Les Indiens sauvages de l’Amérique du          Sud&#8221;, Payot, 1948, p.138. </em></p>
<p><em>Tenho todo direito de crer que nestas sociedades, comumente,          a mulher ignora o orgasmo durante a vida inteira. A este respeito, uma          pesquisa levada a cabo no interior francês, seria sem dúvida          das mais edificantes. O relatório Kinsey sobre as mulheres norte-americanas          nos informa, por outro lado, que somente entre 40 ou 50% delas chega ao          orgasmo em cada relação e, 10% delas nunca chegam a experimentá-lo.          Informa-se também que 25% se sente frustrada durante seu primeiro          ano de casamento e que 14% tem de esperar 10 anos para atingir o orgasmo.          Faz-se referência inclusive ao caso de uma mulher que precisou completar          29 anos de casada para conseguir isso e de outra que não o obteve          se não com o quinto marido. Como compensação, a maioria          delas havia praticado o &#8220;petting&#8221; (carícias onde tudo          é permitido, menos penetração) desde os 12 anos de          idade. De tal modo, uma época de involução tem como          resultante levar uma mulher a um estado que ela havia conhecido em tempos          primitivos, em que existiam grupos de retardados. </em></p>
<p><em>(6) Geyraud (&#8220;L’Occultisme à Paris,          les Religions secrètes de Paris&#8221;, etc.) demonstra que a magia          sexual goza de predileção inclusive na atualidade. </em></p>
<p><em>(7) Freud: &#8220;Trois essais sur la sexualité&#8221;.</em></p>
<p><em>(8) Plutarco: &#8220;Oeuvres morales&#8221;, traduzidas          por Amyot, impressor de Cussac, Paris, ano X, T.V.: De l&#8217;amour, p. 68.</em></p>
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		<title>O Amor Sublime II (em &#8220;O Núcleo do Cometa&#8221; por Benjamin Péret)</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 20:58:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[edições 6 a 10]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Traduzido por Worgtal</p>
<p>
(&#8220;Le Noyau de la Cométe&#8221;. Fragmentos extraídos          da introdução da &#8220;Anthologie de l’amour sublime&#8221;,   <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/o-amor-sublime-ii-em-o-nucleo-do-cometa-por-benjamin-peret/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Traduzido por Worgtal</p>
<p><strong><em><br />
(&#8220;Le Noyau de la Cométe&#8221;. Fragmentos extraídos          da introdução da &#8220;Anthologie de l’amour sublime&#8221;,          tal como foram publicados na &#8220;Medium-Comunication surréaliste&#8221;,          nº 4, janeiro de 1955, Ed. Arcanes, Paris, pág. 20/22. Tradução          para o espanhol de Juan Carlos Otaño.)</em></strong></p>
<p>Se o homem é um ser social com toda certeza, é          porque tem o sentimento inato de insuficiência individual, derivada          de sua condição humana propriamente dita. Dali pode inferir-se          sua angústia. De tal maneira, desde sua origem, se vê inclinado          a buscar fora de si aquilo de que carece, já que &#8220;a necessidade          de amor revela em nós, desde esse instante, um princípio          de dissociação&#8221; (3). Se o ser humano fosse completo          e perfeito, não teria tendência alguma de unir-se a seus          semelhantes, tampouco inclusive de buscar sua companhia, por qualquer          motivo que fosse. Cada indivíduo seria um ser acabado sem evolução          possível. Unicamente poderia conceber uma harmonia individual num          universo imóvel para sempre, enquanto Heráclito já          via no mundo &#8220;uma harmonia de tensões opostas&#8221;, uma &#8220;harmonia          de tensões alternadamente convergentes e divergentes&#8221;, já          que &#8220;a discordância cria a mais bela harmonia&#8221;. Enquanto          isso, Platão, no &#8220;Banquete&#8221;, assinala que o grave e o          agudo só alcançam a harmonia em seu acorde. Para que este          acorde seja possível, é necessário, a partir do ponto          em que o grave e o agudo se confundem, que seja reconhecida a gama de          um e do outro, desde a mais alta do agudo até a mais baixa do grave.          Em uma palavra, é necessário alcançar a maior diferenciação          entre os sons para então poder examinar o acorde. O mesmo sucede          entre o homem e a mulher. Unicamente quando esta diferenciação          seja cumprida em sua totalidade, quer dizer, quando o homem tenha desenvolvido          todas as suas possibilidades viris e a mulher todas as suas virtudes femininas,          seu acorde perfeito se tornará possível. Para que a harmonia          reine, para conhecer a felicidade, cada parte, possuindo assim mesmo uma          individualidade claramente pronunciada, pode então pensar no ser          que lhe falta. O amor sublime é precisamente este acorde perfeito          entre dois seres harmonicamente combinados. É a esta harmonia que          aspira o Ocidente, sem ter dele uma consciência clara. Dali provém          que, no nosso mundo, o amor sublime continua sendo a-social e, às          vezes, inclusive anti-social, porque este mundo, o dos nossos dias, mantém          no limite um dualismo de que extrai todo o seu poder repressivo, perceptível          até nos detalhes mais ínfimos da vida cotidiana.</p>
<p><em>(3) Novalis: &#8220;Journal intime: Phsychologie&#8221;, Stock, París.,          1927.</em></p>
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		<title>O Amor Sublime (por Benjamin Péret)</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 20:49:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[edições 6 a 10]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[sexo]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Traduzido por Worgtal</p>
<p>
(&#8220;Le Noyau de la Cométe&#8221;. Fragmentos extraídos          da introdução da &#8220;Anthologie de l’amour sublime&#8221;,   <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/o-amor-sublime-por-benjamin-peret/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Traduzido por Worgtal</em></p>
<p><strong><em><br />
(&#8220;Le Noyau de la Cométe&#8221;. Fragmentos extraídos          da introdução da &#8220;Anthologie de l’amour sublime&#8221;,          tal como foram publicados na &#8220;Medium-Comunication surréaliste&#8221;,          nº 4, janeiro de 1955, Ed. Arcanes, Paris, pág. 20/22. Tradução          para o espanhol de Juan Carlos Otaño.)</em></strong></p>
<p>Todos os mitos refletem a ambivalência do homem frente          ao mundo e frente a si mesmo, ambivalência que, por sua vez, é          resultante do profundo sentimento de dissociação experimentado          pelo homem e inerente a sua natureza. Considera-se a si mesmo como débil,          desamparado, frente às forças naturais que o dominam. Pressente          que poderia levar uma existência menos precária, sentir-se          mais afortunado. Mas não pode discernir o caminho do seu bem-estar          sob as condições de vida que a natureza e a sociedade lhe          impõe e se consola em situá-lo em uma idade de ouro perdida          ou em um futuro extraterrestre. A importância dos mitos reside então          na aspiração à felicidade que contém, na percepção          de sua possibilidade, e nos obstáculos que se interpõem          entre o homem e seu desejo. Em suma, expressam o sentimento de uma dualidade          na natureza da qual o homem participa, e na qual não vê uma          solução possível na extensão de sua existência.</p>
<p>Os mitos religiosos refletem esse processo; mas em vez de tentar resolver          essa dualidade inicial, ocupam-se em acentuá-la ao extremo. É          por isso que sua função consiste em proteger a estrutura          da sociedade da qual reclamam ou que as aceita. Os mitos primitivos tendem          a um mesmo fim, porém em menor escala, tanto sua sociedade seja          mais homogênea. Por isso, em compensação e numa mesma          proporção, valorizam os elementos de exaltação          inerentes a esses mitos. Apresentam, em temas diversos, o aspecto dual          referido ao consolo e a exaltação, depositando a ênfase,          quase sempre, sobre o primeiro destes. Expressam, portanto, o desejo humano          e o sentimento dos obstáculos que deve superar para alcançar          seu objetivo.</p>
<p>Até aqui a humanidade não concebeu mais do que um único          mito de exaltação pura, o amor sublime, o qual, partindo          mesmo do coração do desejo, aspira à sua satisfação          total. É assim o grito da angústia humana metamorfoseado          em canto de alegria. Com o amor sublime, o maravilhoso perde igualmente          seu caráter sobrenatural, extraterrestre ou celeste, que até          então havia tido em todos os mitos. De alguma forma, regressa à          sua fonte para descobrir sua verdadeira solução e inscrever-se          nos limites da existência humana.</p>
<p>Partindo das aspirações primordiais mais poderosas do indivíduo,          o amor sublime lhe oferece uma via de transmutação confluente          rumo a um acordo entre a carne e o espírito, tendendo a confundi-los          numa unidade superior onde já não podem ser distinguidos          mutuamente, encarregando-se o desejo de realizar esta fusão que          é sua justificativa última. É o ponto extremo ao          qual a humanidade atual pode aspirar. Em conseqüência, o amor          sublime se opõe à religião e especialmente ao cristianismo,          posto que o cristão não pode senão reprovar o amor          sublime, chamado a divinizar o ser humano. Como conseqüência,          este amor não tem lugar senão em sociedades onde a divindade          aparece como oposta ao homem: o cristianismo e o islamismo; em acréscimo          neste último caso, sendo que desde sua origem, o peso da teologia          impediu que pudesse integrar-se ao ser humano (1).</p>
<p>O amor sublime representa então em princípio, uma revolta          do indivíduo contra a religião e a sociedade, dado uma apoiar-se          na outra.</p>
<p>É o &#8220;Grande Desejo, aquele que une o Corpo e o Espírito,          durante um tempo muito mais vasto do que a união com o corpo no          pequeno desejo&#8221; (2). O &#8220;Grande Desejo&#8221; enraizado na condição          humana expressa essa tensão do homem orientada rumo à felicidade          total, que pode ser esperada pela supressão de sua ruptura, não          sendo esta felicidade possível até que suas causas sejam          descobertas. O amor sublime só poderia satisfazer este &#8220;Grande          Desejo&#8221; entrementes, se alimentado e ampliado pela satisfação          do &#8220;pequeno desejo&#8221; carnal. O reconhecimento da universalidade          deste desejo, de sua significação cósmica e de suas          manifestações no homem, reclama por sua vez sua sublimação          e a do seu objeto. Ao manter-se afastado do amor sublime, o ser humano          &#8211; o homem, sobretudo &#8211; quase não se entrega ao desejo exceto na          medida em que este o conduza ao seu estado mais primitivo. No amor sublime,          os seres arrebatados pela vertigem não aspiram senão a deixar-se          levar o mais longe possível nesse estado. O desejo, permanecendo          ligado à sexualidade, se vê então transfigurado. Frente          à perspectiva da saciedade, tem a possibilidade de incorporar todos          os benefícios que sua sublimação anterior, inclusive          a mais absoluta, lhe haviam acarretado e que provocam sua renovada exaltação.          Fora do amor sublime, de algum modo, a sublimação do desejo          leva implícita sua desencarnação, já que para          obter satisfação, deve perder de vista o objeto que a suscitou.          Por este meio se mantém no homem um estado de dualidade, em favor          do qual a carne e o espírito permanecem opostos. Por outro lado,          no amor sublime essa sublimação não é possível          a não ser a partir da intermediação com seu objeto          carnal, que tende a restabelecer no homem uma coesão com a anterioridade          inexistente. O desejo, no amor sublime, longe de perder de vista o ser          carnal que lhe deu origem, tende então, em definitivo, a sexualizar          o universo.</p>
<p><em>(1) Os sufis árabes parecem, à primeira          vista, conter uma aspiração ao amor sublime; mas se trata          na verdade de um amor que rechaçou todo objeto humano em proveito          da divindade a qual atributos humanos, às vezes carnais, são          atribuídos. Ref. &#8220;Les plus beaux textes arabes&#8221;, apresentados          por Emile Dermenghem, ed. La Colombe, Paris.</em></p>
<p><em><br />
(2) R. Schwaller de Lubicz: &#8220;Adam l’homme rouge&#8221;, Librairie          Le Soudier, Paris. Nesta obra consagrada ao esoterismo do amor, me indica          André Breton, o autor exalta uma concepção dos intercâmbios          amorosos que, em mais de um ponto, coincide com o amor sublime.</em></p>
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