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	<title>Sexualidade by géh &#187; arte</title>
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	<description>Sexualidade: artigos de pesquisa e entrevistas</description>
	<lastBuildDate>Tue, 07 Jul 2009 14:51:44 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Sexualidade, corporalidade e arte &#8211; um aprendizado constante</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 18:35:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[corporalidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 91 a 95]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>Parece que foi ontem que recebi a proposta para fazer um portal de arte e sexualidade. Os primeiros artigos foram surgindo, ainda que um tanto tímidos. <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/sexualidade-corporalidade-e-arte-um-aprendizado-constante/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>Parece que foi ontem que recebi a proposta para fazer um portal de arte e sexualidade. Os primeiros artigos foram surgindo, ainda que um tanto tímidos. E com a pesquisa neste campo tão carregado de tabus que é a sexualidade fui buscando informações pictóricas em artes visuais, principalmente na pintura, que refletissem os temas da pesquisa.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img title="Exorcismo - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann" src="http://gehspace.com/edicao%2091%20imagens/exorcismo%20copy.jpg" alt="Exorcismo - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann" width="400" height="283" /><p class="wp-caption-text">Exorcismo - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann</p></div>
<p>Como escrever de modo que meus leitores entendessem facilmente os palavreados acadêmicos no que se referia as teorias psicanalíticas e fatos históricos/políticos sobre a sexualidade? Falar de libido, eros, sem parecer &#8220;marciano&#8221; ou superficial?</p>
<p>A pesquisa é extensa e contínua. Sim contínua! Quanto mais pesquiso sobre sexualidade e corporalidade, mais percebo na sociedade e, muitas vezes, em mim mesma, o que, usando as palavras de Reich, a &#8220;Peste Emocional&#8221; provoca nos seres humanos.</p>
<p>Segundo Tosta (2007), &#8220;A peste emocional está intrínseca nas sociedades que reprimem a livre educação sexual, ou seja, sociedades que tentam estabelecer o controle alienante sobre os indivíduos, atingindo o ser na sua principal forma de alívio das tensões, garantindo uma redução ou ausência do potencial orgástico, resultando em indivíduos encouraçados, rígidos e incapazes de um saudável metabolismo energético de carga e descarga&#8221;.</p>
<p>A peste emocional geralmente aparece velada, por trás de boas intenções, no intuito de ajudar o outro e a sociedade. (Volpi, 2007)</p>
<p>O autor afirma também que um educador acometido por esta doença geralmente alega que as crianças são difíceis de educar e, por isso, seus métodos severos e autoritários são necessários; encontram toda espécie de argumentos superficiais para apoiar sua convicção de que age pelo bem da criança.</p>
<p>Isto me faz do modismo atual de falar em &#8220;impor limites&#8221;. Os maiores fascistas que já existiram na humanidade tiveram uma criação &#8220;tradicional&#8221;. Desconheço até o momento, algum &#8220;facínora&#8221; que tenha sido criado com uma educação libertária.</p>
<p>Muitos fingem que querem ser livres. A liberdade é crua e esbofeteia. Como dizia Reich quando afirmava que dentro de nós há um Zé Ninguém e a basta a nós, e somente a nós, querer libertá-lo, &#8220;a segurança é-te mais importante que a verdade&#8221; (Reich, 1982, 54)</p>
<p>O autor afirma também &#8220;Não és tu que perseques a &#8216;mãe solteira&#8217; como uma criatura imoral, Zé Ninguém? Não és tu que estabelece uma distinção severa entre as crianças &#8216;legítimas&#8217; e as crianças &#8216;ilegítimas&#8217;? Pobre criatura que não entendes as tuas próprias palavras &#8211; ou não és tu que veneras o Cristo enquanto criança? Cristo menino, que nasceu de uma mãe que não possuia um certificado de casamento? Sem fazeres idéia de que assim seja, como veneras no Cristo criança o teu desejo de liberdade sexual! Fizeste do Cristo criança, nascido ilegitimamente, o filho de Deus, que não reconhece a ilegitimidade das crianças. Para logo em seguida, como Paulo, o apóstolo, perseguir os filhos nascidos do amor e proteger sob a alçada das leis religiosas os nascidos do ódio. És realmente um desgraçado, Zé Ninguém!&#8221; (Reich, 1982, 40)</p>
<p>Suas palavras fortes gritam a cada Zé Ninguém que carregamos dentro de nós. Porque carregamos tantos tabus e preconceitos? É tão fácil julgar as pessoas quando não enxergamos o que há dentro de cada um de nós, nossos próprios desejos camuflados!</p>
<p>Vejam, não estou dizendo que as pessoas devem ou não devem &#8220;impor limites&#8221;, nem em qual medida. Só apresento fatos e deixo a cargo de cada um a melhor maneira de criar seu filho. Peço a Deus sabedoria e iluminação para saber educar meu filho para ser livre desta &#8220;doença de massa&#8221;, desta sociedade neurótica, com tantos tabus e preconceitos. Que nossos filhos possam aprender a conviver e a respeitar as diferenças. Saibam também respeitar os que ainda preferem viver reprimidos por assim acharem ser mais &#8220;seguro&#8221; que a responsabilidade da liberdade. Ensinar, acima de tudo, o amor ao próximo.</p>
<p>Segundo Volpi (2007), &#8220;O importante é sabermos reconhecer a peste emocional em nós mesmos e nos outros e procurarmos ajuda para isso. Se a humanidade soubesse discernir os momentos em que está se sentindo com a peste emocional, se fizesse respeitar e a tratasse, tudo seria diferente&#8221;.</p>
<p>Como vimos nos artigos anteriores, Reich descobriu no corpo um caminho para a cura da neurose sexual e dos problemas originados por ela. Reich mapeou o corpo humano através de um estudo biológico, fisiológico e psicológico.</p>
<p>Reich sempre procurava estabelecer o que era um comportamento natural de um comportamento inatural. Ele em seu trabalho procurava isolar e desmascarar as atitudes de caráter, sempre com o objetivo de liberar as emoções reprimidas. Segundo o autor, desde crianças somos levados a controlar nossos sentimentos; somos tão reprimidos que esquecemos como respirávamos quando éramos bebês e começamos a fazer uma respiração incompleta.</p>
<p>Isto me faz lembrar da última entrevista publicada em corporalidade sobre a prática milenar do Chi Kun que &#8220;surgiu da necessidade de certos &#8216;monges&#8217; &#8211; chamamo-los de &#8220;monges&#8221; por falta de palavra melhor, mas, certamente, eles nem eram exatamente &#8220;monges&#8217; &#8211; que buscavam a transformação através da observação da Natureza&#8221; segundo Felipe Ribeiro Alvares.</p>
<p>Felipe afirma também &#8220;Assim, aqueles &#8216;monges&#8217; a que nos referimos começaram a prestar atenção nos animais que voavam&#8221;. Por observação da natureza (do que é natural) criou-se a prática de Chi Kun que é a combinação de um movimento ou postura com a respiração e a concentração. &#8220;Chi Kun significa &#8216;exercitar o sopro&#8217;, &#8216;exercitar a energia&#8217;&#8221;.</p>
<p>Mas o que isto tem a ver com sexualidade? Muito, eu diria. Nossa sexualidade reflete intimamente em nosso corpo. Criamos couraças musculares como forma de &#8220;proteção&#8221; do medo da rejeição e traumas de uma educação repressora passada de geração em geração.</p>
<p>Reich em sua pesquisa, descobriu a importância de uma &#8220;respiração completa&#8221; quando investigava o comportamento natural. O ocidente mais uma vez atrasado em séculos. A cultura oriental a muito tempo já sabia da importância para a saúde do corpo e da mente de uma respiração completa, do desenvolvimento de atividade corporal e do reequilibrio energético.</p>
<p>O Tai Chi Chuan é eficiente na cura de doenças orgânicas e psicóticas, como reumatismo, hipertensão, insônia, depressão, asma, gastrite e enxaqueca &#8211; exatamente as doenças que a medicina convencional considera incuráveis. (Kit, 2003).</p>
<p>Doenças estas, segundo vimos no artigo anterior, ocasionadas pelo mau fluxo de energia, ocasionado pelo encouraçamento muscular, originário da repressão sexual, da repressão do que é natural.</p>
<p>Em meu trabalho artístico, busco sempre refletir o meu aprendizado da sexualidade e da corporalidade durante esta caminhada. A arte é um meio de auto-conhecimento. Procuro sempre refletir em minha vida este rico estudo sobre o comportamento humano. As cores, refletidas em minhas pinturas, possuem um vocabulário próprio, pessoal. A algumas cores relaciono energias positivas ou negativas.</p>
<p>Apresento agora algumas pinturas que refletem fortemente a dita &#8220;Peste Emocional&#8221;.</p>
<p><strong><img class="imagemaesquerda" src="../../GaleriaGeh/mini_Tormenta%20copy.jpg" border="0" alt="Géssica Hellmann - Tormenta" width="100" height="143" />Tormenta</strong>:            Nesta pintura o verde representa o bloqueio de energia, ou &#8220;encouraçamento            do ser&#8221;: dúvidas, tabus, medos, preconceitos. Os tons de vermelho            representam a energia em sua potência máxima, energia fluente            e vital. O amarelo representa forças douradas, forças            positivas, solares, construtivas, que têm em seu potencial a evolução            do espírito. O preto, neste caso, é o inverso do amarelo:            a ausência de luz, uma energia destrutiva.</p>
<p>A boca aberta, como se um grito de socorro escapasse      de seu íntimo, faz uma referência e uma suíte com outro      trabalho realizado na mesma época: Vaticínio,      &#8220;A boca como canal de amor ou de ódio&#8221;.</p>
<p>As pinceladas fortes e curtas simbolizam a revolução      interna que reflete em todo seu corpo, ela quer amar a si mesma, viver sua      sexualidade, mas sente medo. Sente-se reprimida, culpada por sentir prazer.      Vive em uma sociedade repressora. Ela quer se libertar, mas saberá      ela viver em liberdade? Saberá ela viver &#8220;curada&#8221; em uma      sociedade sexualmente neurótica? &#8220;Uma pintura dramática      que expressa o sentimento de dualidade entre o bem e o mal, o certo e o incerto,      num caminho entre a luz e as trevas do próprio ser&#8221;.</p>
<p><strong><img class="imagemaesquerda" src="../../GaleriaGeh/mini_rotulos%20copy.jpg" border="0" alt="Géssica Hellmann - Rótulos" width="100" height="141" />Rótulos</strong>:            Qual é a sua identidade? Um ser coberto por rótulos de            puro preconceito? Esta obra reflete o preconceito dentro de outros grupos            discriminados. Já existe preconceito por ser simplesmente mulher,            não importa a classe social. Mas, e quando esta mulher é            pobre, negra, mãe solteira, soropositiva, lésbica? Onde            ela se encaixa? A que grupo pertence? É possível que,            dentro de um grupo de homossexuais, uma mulher soropositiva seja discriminada            pelo próprio grupo? Hipocrisia? Não. Hipocrisia seria            dizer que preconceito não existe. O que quero refletir com este            trabalho é que você e eu, sejam quais forem os rótulos            que pendurem em nós, somos maiores do que eles: somos seres humanos,            necessitamos de carinho e amor como todos os seres humanos. Ao assinar            minha tela em um desses rótulos, estou dando a minha cara a tapa,            dispo-me contra mais essa forma de violência.</p>
<p><strong><img class="imagemaesquerda" src="../../GaleriaGeh/mini_peste%20emocional%20-%20instintos%20perversos.jpg" border="0" alt="Géssica Hellmann - Peste Emocional Instintos Perversos" width="100" height="142" />Peste            Emocional &#8211; Instintos Perversos</strong>: Nesta            pintura quase caricata, carregada de símbolos míticos            como &#8220;A maçã, Eva, Adão e a Serpente&#8221;. Porque tanta            repressão ao órgão sexual? O que é natural            em muitas espécies, no ser humano, parece ser algo inatural,            proibido e carregado de medos reprimidos.</p>
<p><strong><img class="imagemaesquerda" src="../../GaleriaGeh/mini_couraca.jpg" border="0" alt="Géssica Hellmann - Couraça" width="100" height="141" />Couraça</strong>:            Camadas de resistências envolvem seu corpo.            A energia (verde) bloqueada, cria um grande vazio interno. Seu corpo            parece paralisado, enraizado, impedido de sentir a energia vital, de            amar e sentir prazer. A energia natural da vida (representada pelo vermelho)            está presente mesmo que ele não a sinta. Ele pode mudar            esta situação? Pode reaprender a sentir a vida pulsando            como algo natural e não perverso? A esperança está            em suas mãos.</p>
<p><img class="imagemaesquerda" src="../../GaleriaGeh/mini_pesco%E7o%20encoura%E7ado%20copy.jpg" border="0" alt="Géssica Hellmann - Estudo - Pescoço Encouraçado" width="100" height="142" />Estudo            do pescoço encouraçado: Estudo            sobre peste emocional e encouraçamento dos sentimentos enraizados            no pescoço. O verde representa a energia reprimida. O vermelho,            a energia pulsante da vida.</p>
<p>Por último gostaria de compartilhar a experiência      e o significado da obra &#8220;<strong>Exorcismo</strong>&#8220;.      Nesta caminhada pesquisando, compartilhando conhecimentos, estudando e aprimorando      meu trabalho artístico, encontrei um caminho de auto-conhecimento.      Descobri o motivo por trás de certas dificuldades, como falar sobre      alguns sentimentos, medo de cantar&#8230; Meu corpo todo conseguia sentir a energia,      conseguia expressá-la, muitas vezes, através das mãos,      da arte, mas era como se não houvesse conexão do meu corpo com      minha cabeça, as palavras não surgiam em minha mente e nem em      minha boca.</p>
<p><img class="imagemaesquerda" src="../../GaleriaGeh/mini_exorcismo.jpg" border="0" alt="Géssica Hellmann - Exorcismo" width="141" height="100" /> Ao exercitar minha garganta, ao forçar-me a exercícios            sugeridos por Reich, sentia as lágrimas já secas e reprimidas            há tanto tempo em minha garganta. A musculatura encouraçada.            Aos poucos tornei consciente fatos ocorridos na infância que haviam            sido &#8220;esquecidos&#8221; e, que, separados pareciam ter pouca importância,            mas, no conjunto, fizeram todo o sentido.</p>
<p>O primeiro passo para a cura é estar ciente da causa e do problema.      Nesta pintura exorcizei todas as experiências reprimidas. Aquela menina      ressentida que queria receber amor, não sabia que seus pais, por motivos      que hoje sei, não sabiam como doar amor. Sim, eles me amavam, mas não      sabiam demonstrar, provavelmente por uma educação repressiva.      Também é certo que ela merecia ser amada e não se sentir      culpada por não ter &#8220;mérito&#8221; para receber este amor,      como ela achava.</p>
<p>Como disse no inicio deste artigo, é uma pesquisa extensa e contínua      e uma descoberta nova a cada dia que tenho o grande prazer de compartilhar      com vocês.</p>
<p><strong>Bibliografia</strong></p>
<p>Kit, Wong Kiew. <strong>O Livro completo do Tai Chi Chuan</strong>.      São Paulo: Pensamento, 2003. 2a ed.</p>
<p>Reich, Wilhelm. <strong>Escuta, Zé Ninguém!</strong> Portugal: Martins Fontes Editora, 1982. 10a ed.</p>
<p>Tosta, Francisco. <strong>Psicopatologia do trabalho e a peste      emocional</strong>. Disponível em: &lt;http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/A0329.pdf&gt;.      Acessado em: 04/05/2007.</p>
<p>Volpi, José Henrique. <strong>Peste emocional</strong>.            Curitiba: Centro Reichiano, 2003. Disponível em: &lt;http://www.centroreichiano.com.br/artigos/artigo2.pdf&gt;.            Acessado em 04/05/2007.</p>
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		<title>Arte Terapia &#8211; Entrevista com Angela Phillipinni &#8211; POMAR</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 18:45:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
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		<category><![CDATA[edições 61 a 65]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Por Alexis Kauffmann</p>
<p>O que é Arte Terapia? Em que se diferencia de outras formas de terapia? Qual é o seu alcance e quais são suas limitações?</p>
<p>Para esclarecer <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/09/arte-terapia-entrevista-com-angela-phillipinni-pomar/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Alexis Kauffmann</em></p>
<p>O que é Arte Terapia? Em que se diferencia de outras formas de terapia? Qual é o seu alcance e quais são suas limitações?</p>
<p>Para esclarecer essas e muitas outras questões relacionadas a temas já abordados neste site, entrevistamos Angela Phillipinni, coordenadora geral do Espaço POMAR &#8211; Proposta de Orientação Multidimensional Arte Realidade &#8211; uma instituição não-governamental que se dedica ao trabalho com Arte Terapia desde 1982, sendo reconhecida como de Utilidade Pública por Lei Municipal (1985) e por Lei Estadual (1986). De sua criação até a data atual, a POMAR tem se dedicado a promover atividades relacionadas a Arte Terapia, bem como a trabalhar pela difusão das informações sobre os benefícios deste processo terapêutico. A Clínica POMAR fica no Rio de Janeiro, na Rua Engenheiro Adel, 62 &#8211; casa 2 &#8211; Tijuca &#8211; Tel/Fax: (21) 2569-0547.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 307px"><img title="Angela Philippini" src="http://www.gehspace.com/edicao%2061%20imagens/angela.jpg" alt="Angela Philippini - arte terapeuta" width="297" height="331" /><p class="wp-caption-text">Angela Philippini</p></div>
<p>Alexei: Começando pela origem da Arte Terapia. Pode contar um pouco da história da Arteterapia, relacionando-a com as outras formas de terapia existentes até então?</p>
<p>Angela: Surgiu fora do Brasil, no pós-guerra &#8211; 2ª Guerra Mundial &#8211; devido ao grande contingente de pacientes poli-traumatizados que não respondiam às formas convencionais de tratamento.</p>
<p>Alexei: Poli-traumatizados?</p>
<p>Angela: Sim, com traumatismos de ordens diversas, físicos e psíquicos. Como esses pacientes não respondiam às formas convencionais de tratamento, surgiu uma demanda natural por novas formas de atendimento, entre elas, a surgiu a Arte Terapia. Na realidade, ela está inscrita em um movimento maior chamado de &#8220;terapias expressivas&#8221;, que incluem a Bioenergética, a Gestalt, a Biodança, entre outras. A Arte Terapia se destaca pelo uso das artes visuais.</p>
<p>Alexei: O que diferencia as chamadas &#8220;terapias expressivas&#8221; das outras formas, &#8220;não-expressivas&#8221;, para usar esse termo?</p>
<p>Angela: É uma boa pergunta porque, na realidade, todas as terapias, em tese, são &#8220;expressivas&#8221;, porque buscam a expressão do indivíduo em seu íntimo, em seu inconsciente. Mas as terapias expressivas têm a tendência de serem não-verbais, usando recursos outros que não a palavra. Daí ter-se convencionado chamá-las &#8220;expressivas&#8221;</p>
<p><a href="http://www.arteterapia.org.br/" target="_blank"><img src="http://www.gehspace.com/Erosmania/banner%20pomar%20copy.jpg" border="0" alt="Arte Terapia - Pós Graduação Lato Sensu - Informações Clínica POMAR - (21) 2569-0547" width="250" height="278" /></a></p>
<p>Alexei: Sobre o conceito de &#8220;arte&#8221;. Você disse que a Arte Terapia usa preferencialmente as artes visuais. E as outras formas de arte?</p>
<p>Angela: O foco da Arteterapia é preferencialmente nas artes visuais, mas ela recebe um ajuda significativa do movimento, incluindo a consciência corporal, a música &#8211; para criar ambientes sonoros enquanto são realizados os trabalhos expressivos, e alguns elementos de encenação, histórias, contos&#8230; Mas o fundamento que dá mais consistência ao trabalho é o campo das artes visuais.</p>
<p>Alexei: Qual o motivo dessa preferência pelas artes visuais?</p>
<p>Angela: É uma hipótese. Eu creio que as artes visuais, as artes plásticas, conferem uma materialidade que outras artes têm maior dificuldade de oferecer. Por exemplo, eu tenho ali uma escultura (aponta para um objeto no consultório) feita por uma pessoa que se encantou pelo barro. Isso foi há muitos anos e, no entanto, está aqui, presente neste momento. Se eu recito uma poesia para você, ou canto uma canção, ou danço uma música para você ver&#8230; Bem, se você gravar o recital, a canção ou filmar a minha dança, tudo bem. Mas aquela escultura é um documentário perene, ele ajuda a ancorar uma coisa que é muito difusa, intangível, impalpável. Um dos grandes benefícios terapêuticos da Arteterapia está em que ela dá materialidade a coisas que eram completamente difusas, intangíveis. Essa materialidade não só facilita o trabalho do terapeuta, como beneficia a própria pessoa, pois ela tira de si alguma coisa muito incômoda e tem bastante tempo para se relacionar com o objeto criado, porque ele permanece ali, e ela pode, aos poucos, se aproximar dele e tomar contato. Outras formas de arte apresentam maiores dificuldades para criar essa materialidade, embora seja preciso admitir que outras modalidades terapêuticas têm um alcance que nós não temos, cada uma com sua especificidade.</p>
<p>Alexei: Vamos tratar então dessa especificidade. Quais seriam as indicações clínicas para as quais a Arte Terapia seria a recomendação preferencial em relação a outras modalidades terapêuticas?</p>
<p>Angela: Eu creio que as melhores indicações são os distúrbios psicossomáticos. Quando a pessoa, por não encontrar um canal expressivo, ela usa o próprio corpo para manifestar o sofrimento psíquico, se ela recebe um outro canal para expressar esse sofrimento que não o próprio corpo, a produtividade terapêutica é muito grande. Então, para toda aquela ordem de distúrbios que a gente convenciona chamar de &#8220;psicossomáticos&#8221;, a Arte Terapia funciona muito bem, porque ela oferece um canal expressivo para que o indivíduo não precise pressionar um determinado órgão, bloqueando energia do próprio corpo. Ele passa a poder usar sua energia fora de si mesmo.<br />
Agora, nós costumamos dizer que a Arteterapia é um processo terapêutico de &#8220;ampla elegibilidade&#8221;, isto é, produtivo para várias populações. Desde a criança, que se adequa naturalmente às mil maravilhas a essa metodologia, até ao indivíduo idoso, muitas vezes esquecido numa residência, com cabecinha caída, na frente da televisão, ou dormindo&#8230; É muito interessante testemunhar a transformação porque os idosos passam quando começam a se ver novamente como seres criativos. Muda toda aquela sintomatologia, incluindo queixas de dores, sonolência, apatia&#8230; A Arteterapia ajuda a revitalizar o idoso.</p>
<p>Alexei: Inclusive porque o idoso sofre muita hostilidade somente por ser idoso&#8230;</p>
<p>Angela: Exclusão, é verdade. Nós, aqui na nossa instituição, temos um campo de estágio para nossos estudantes, que incluem casos que vêm das camadas médias e mais abastadas da população, o que não muda o fato de que os idosos estão ali afastados, à revelia, excluídos de suas famílias. Então, ao proporcionar a essas pessoas um resgate da auto-estima, fazer com que eles se sintam criativos novamente, se sintam vivas, numa situação de prazer, de criação&#8230; È muito interessante.</p>
<p>Alexei: E em termos de limites? Onde a Arteterapia não chega ou chega parcialmente?</p>
<p>Angela: Precisamos ser muito claros a esses respeito. A Arteterapia não chega a pacientes em estados muito graves, incapazes de simbolizar, porque o processo terapêutico demanda que o indivíduo tenha uma capacidade simbólica. Então, se existe um distúrbio psiquiátrico muito grave ou uma deficiência mental muito profunda, outros métodos serão mais adequados. Para esses casos, provavelmente serão indicadas a Musicoterapia, ou terapias de movimento, porque elas se dirigem ao corpo do indivíduo. Estabelecer uma relação fora de si mesmo, com conteúdo emocional, através da criação de uma forma, demanda que a pessoa seja capaz de simbolizar.<br />
Um outro caso é o de pessoas extremamente verbais, que se resolvem na palavra. Para essas pessoas o método provavelmente não será tão produtivo, porque essas pessoas preferem falar e, para elas, provavelmente será mais interessante um método terapêutico predominantemente verbal. Inclusive porque eu posso passar uma sessão de Arte Terapia em silêncio: o paciente trabalha e eu acompanho o processo de criação sem necessidade de conversar.<br />
Para alguns pacientes, essa característica é excelente. Por exemplo, o adolescente que chega e diz &#8220;Tudo bem? E aê?&#8221; (risos) e acabou a conversa, estamos conversadíssimos com meia-palavra e um gesto, deixando implícito &#8220;não pergunte mais nada, que não estamos a fim, fui!&#8221;.<br />
Um outro lado da questão são as aplicações externas da Arteterapia. Ela chegou ao Brasil há cerca de vinte anos, começou a tomar corpo há uns dez e virou modismo há uns cinco, tem em tudo que é lugar. Mas existem lugares em que ela atua de forma incrível, como, por exemplo, na humanização hospitalar. Você imagina: um espaço cinzento, com uma cama de metal, equipamento de soro&#8230; A Arteterapia tem muito a contribuir, especialmente em Pediatria, mas não só. Qualquer outra especialidade merece uma humanização do ambiente, com cores, formas, trazendo vida para um espaço de dor.</p>
<p>Alexei: Quem já esteve internado, nem que seja para uma simples cirurgia de amídala, sabe muito bem do que você está falando!</p>
<p>Angela: Eu trabalhei como professora visitante da Universidade Federal de Goiás &#8211; foi o primeiro curso de Arte Terapia no Brasil. O hospital de estágio era o Hospital de Clínicas, e os arteterapeutas entraram pela cardiopatia infantil. Eram crianças que vinham de cidades distantes da cidade de Goiânia, ficavam internadas muito tempo se preparando para a cirurgia cardíaca, que é muito invasiva, e depois se recuperando, no pós-operatório.</p>
<p>Alexei: Que é uma fase terrível, também.</p>
<p>Angela: Extremamente traumática. Então, os arteterapeutas transformaram a vida daquelas crianças, colorindo e enfeitando os quartos, transformando as rotinas hospitalares em histórias, fazendo um livro, criando um coração em forma de almofada&#8230; Então, o que antes era uma experiência muito dolorosa, passou a ser tratada em um contexto de brincadeira.</p>
<p>Alexei: E no contexto empresarial, quais são as aplicações da Arte Terapia?</p>
<p>Angela: Vou dar um exemplo. No ano passado, uma aluna daqui fez um trabalho para a Petrobras que tinha como objetivo levar a cor para dentro da empresa no Dia da Saúde. Então ela organizou vários ambientes coloridos, com cores diferentes para cada campo simbólico. Por exemplo, o ambiente vermelho tinha a ver com dinamismo, vitalidade; o azul, com a tranqüilidade, e assim por diante. As pessoas transitavam e faziam atividades nesses espaços. Foi uma experiência de apenas um dia, mas que despertou as pessoas para um outro tipo de informação que elas normalmente não têm. Existe uma especialização, a cromoterapia, mas pouca gente presta atenção. Assim, normalmente, a entrada na empresa é para trabalhar a questão da criatividade e para organizar programas de pré-aposentadoria&#8230; Nós já fomos chamados por uma empresa grande que estava organizando um programa de pré-aposentadoria com sete anos de antecedência, porque eles perceberam que, já com sete anos de antecedência, a produtividade do funcionário começava a cair, porque ele não só já estava preocupado em como seria o futuro após aposentadoria, como já estava com um pé dentro e outro fora da empresa. &#8220;Faltam apenas sete anos, o que será de mim? Vou vestir o pijama, vou abrir um negócio, mudar de país&#8230;&#8221;? E esses questionamentos tiravam a concentração das pessoas. A Arte Terapia entra, nesses casos, para ajudar essas pessoas a descobrir suas possibilidades criativas, porque elas vão precisar usar o tempo de uma outra forma. Inclusive, porque vivemos numa cultura capitalista, em você é como uma garrafa PET de refrigerante, descartável. Você se transforma em um &#8220;inativo&#8221;&#8230;</p>
<p>Alexei: O que já é um rótulo pesado.</p>
<p>Angela: Para você ver &#8211; você mencionou que trabalha na UFF. Você sabia que eles têm um programa de aposentadoria chamado &#8220;Pé-na-cova&#8221;? É um conjunto de leis rotuladas como &#8220;pé-na-cova&#8221;, um rótulo extremamente preconceituoso. O Niemeyer, por exemplo, está com 97 anos e fazendo projetos! Ok, em algum momento, você vai morrer, mas enquanto estiver vivo é importante se manter vivo.</p>
<p>Alexei: Eu gostaria de abordar alguns segmentos específicos da população e de que forma a Arteterapia pode atuar. Por exemplo, os deficientes físicos, portadores de necessidades especiais. Como a Arteterapia atuaria no caso de uma pessoa que sofre um acidente e, por exemplo, fica paraplégica, ou perde um membro&#8230;?</p>
<p>Angela: Acho que atua de forma semelhante a todos os outros casos. Por exemplo, guardadas as devidas proporções, uma mulher que enviúva, perde o marido que amava, tem uma perda traumática tão intensa quanto uma pessoa que perde a capacidade de deambular. São dores de igual tamanho. Eu penso que as dores se equivalem, são perdas muito profundas. Então a Arteterapia vai entrar, como teoricamente outros processos terapêuticos, para ajudar o indivíduo a reconstruir sua vida psíquica através da criação de novas alternativas de funcionamento na nova situação. Como a matéria-prima de nosso trabalho é o processo criativo, o que vamos fazer é estimular a pessoa a encontrar novos olhares sobre seu estar-no-mundo. Porque não vai mais poder dirigir, nadar&#8230; Mas o que ela continua podendo fazer? Durante o processo criativo, essa pessoa vai descobrir uma alternativa de continuar vivendo.</p>
<p>Alexei: E as crianças que vivem em situações de violência doméstica, abuso sexual, de abandono e falta de afeto, as crianças que vivem na rua, enfim, que sofrem um bombardeio sobre a auto-estima independentemente de classe social. Nós sabemos que as crianças que vivem nas ruas estão mais expostas a todo tipo ofensa e abusos, mas dentro de casa, muitas vezes as crianças sofrem horrores tão fortes ou até piores, porque ocorrem na privacidade de quatro paredes&#8230;</p>
<p>Angela: &#8230;e, portanto, os abusos têm a oportunidade de ser mais freqüentes.</p>
<p>Alexei: Exato. Como a Arte Terapia pode agir nesses casos?</p>
<p>Angela: Na minha visão, o maior benefício que a Arte Terapia pode ter para a criança é a possibilidade de resgatar, para a criança, a vivência do brincar, a exploração da cor, o imaginário, a fantasia, trabalhar com histórias&#8230; Porque essa atividade é regeneradora. Seja para a criança que vive na rua e sofreu violência da polícia, seja a criança que dentro de casa sofreu uma violência de um familiar que você nem imaginava que fosse capaz disso, essas feridas emocionais podem ser cicatrizadas pelo brincar, pintar, modelar; pela criação de histórias em que a criança conta o que não sabe falar sobre si, mas coloca no personagem. Eu já trabalhei em postos-de-saúde e posso dizer que a quantidade de crianças que sofrem violências e abuso é quase inacreditável.</p>
<p>Alexei: Gostaria de abordar mais dois segmentos, que já foram objeto de artigos e entrevistas em nossa publicação. O primeiro, o das mulheres que sofrem violência doméstica. Em conversa com um dos nossos parceiros, o Dr. Carlos Zuma, do Instituto NOOS, mencionou que, nesses casos, há um fator de co-dependência. Eu perguntei se eles trabalhavam esses casos com Arteterapia e ele me respondeu na época que não até aquele momento. Então, eu gostaria de saber quais as possibilidades de intervenção da Arteterapia nesses casos, considerando tanto o ponto-de-vista do homem que, além do fator cultural que o incentiva a se achar dono da mulher e, portanto, ter o direito de bater, quanto da mulher que se permite ficar nessa situação, muitas vezes em silêncio, dentro da lógica &#8220;ruim com ele, pior sem ele&#8221;.</p>
<p>Angela: Eu penso que esse problema se relaciona com a auto-estima. A mulher que fica nesse lugar por semanas, meses, anos, tem uma construção psíquica que lhe faz crer que esse é o seu lugar.</p>
<p>Alexei: Diferente da criança, que não tem a opção de mudar.</p>
<p>Angela: Exato. Estamos falando de um indivíduo adulto. Se uma mulher está saudável e leva um tapa do companheiro, ou ela dá dois tapas nele, ou bota a boca no trombone e chama todos os vizinhos, ou vai à delegacia e registra uma queixa&#8230; Agora, se ela permanece ali naquele lugar, apanhando em silêncio, é porque a auto-estima dela está muito desconstruída, a visão que ela tem de si é de muito menosprezo. Então, ao incentivar o indivíduo a se apropriar de seu processo criativo, ele se fortalece. Ele percebe que pode criar, transformar seu mundo, pode criar novas alternativas, enfim, ele percebe que tem saída, porque sabe que pode construir as saídas. Uma pessoa que está com a auto-estima muito enfraquecida, pensa que não tem alternativa, o clássico &#8220;ruim com ele, será muito pior sem ele&#8221;&#8230; Será nada! Até na próxima esquina pode aparecer uma outra pessoa, ou não vai aparecer ninguém e ela vai conquistar um emprego, viver melhor&#8230; Porque, quem vive bem apanhando? Então, se trabalhamos com o processo criativo, fortalecemos o ego e esse é o primeiro passo para as outras transformações.</p>
<p>Alexei: E do ponto-de-vista do perpetrador da violência?</p>
<p>Angela: Aí, já acho mais complexo. Porque mais do que as questões emocionais que podem levar o indivíduo a cometer uma violência contra a parceira, há estudos que indicam que o sádico sofreu muitos abusos, mas essa violência faz com que ele crie dispositivos emocionais que o levam a repetir esse ciclo&#8230; Mas, &#8220;vamos combinar&#8221;: vivemos numa cultura machista que trata com muita naturalidade esse comportamento. Eu vi, há pouco tempo, ressurgir das cinzas o assassino da Ângela Diniz e ele declarava estranhar porque muitas vezes ele era aplaudido, algumas pessoas o abordavam para dizer que era isso mesmo, que ele agiu certo&#8230; E eu mesma me vi travando quase um combate com um motorista de táxi por ocasião do assassinato da Daniela Perez, em que ele dizia &#8220;mas tinha que ter sido furada mesmo&#8221;, e teceu vários comentários a respeito da vida pessoal da vítima, e aquilo me revoltou. Nada justifica que uma pessoa seja furada até a morte. Nada. E a nossa cultura, eu creio que justifica. Então eu acho muito mais difícil esse trabalho com quem pratica a violência do que com quem sofre a violência. Mas essa é uma posição pessoal, é possível que existam grupos de terapeutas que saibam trabalhar com facilidade com esse grupo.</p>
<p>Alexei: Sobre a nossa campanha, Arte Solidária. Ela é resultado de pesquisas que vimos lendo e acompanhando, inclusive já escrevemos vários artigos sobre esse assunto, que indicam que a apreciação do Belo, da Arte, estimularia sentimentos de fraternidade. Qual a sua opinião a respeito?</p>
<p>Angela: Faz todo sentido, acho perfeitamente plausível. Tudo aquilo que a gente convencionou chamar de &#8220;culturas da paz&#8221; tem como o eixo o trabalho das artes!</p>
<p>Alexei: Pode contar alguns casos?</p>
<p>Angela: O primeiro curso que eu fiz fora do Brasil foi em um Instituto de Arteterapia localizado em um bairro de Paris com famílias de diversas etnias, todas excluídas. Africanos, indianos, tailandeses&#8230; A maioria em situação de imigração ilegal&#8230; Era um bairro muito violento, perigoso, mas como eu não sabia disso, não tinha medo e achava que estava tudo certo (risos). Mas o que eu quero contar é que essa instituição tinha um trabalho de praça pública, muito interessante, chamado &#8220;Torre de Babel&#8221;. Todos os sábados, a equipe de arteterapeutas ia para rua, colocava os materiais de arte disponíveis para as pessoas de todas as idades e raças, que não sabiam falar francês, para que elas se comunicassem. Porque eles eram excluídos pelos franceses, mas também se excluíam uns aos outros. E a arte os irmanava a todos com aquela vivência com a cor, com o prazer, esse me parece um exemplo bem claro.</p>
<p>Alexei: Para finalizar, conte um pouco da trajetória do Espaço Pomar.</p>
<p>Angela: Iniciamos as atividades em 1982, no ano que vem já vamos fazer &#8220;bodas de prata&#8221;. Nós começamos assim: um grupo de cinco amigas, todas funcionárias públicas, que terminaram seus mestrados em criatividade e, ao retornar às nossas instituições de origem, fomos todas avisadas que não haveria a menor possibilidade de colocar em prática o que havíamos aprendido em nossas instituições. Aí, nos juntamos e abrimos o POMAR. Ao longo desse período, entraram e saíram pessoas. Eu sou uma remanescente do grupo original. Somos reconhecidos nacional e internacionalmente como um centro de formação profissional em Arteterapia. Nós temos um núcleo em Recife, outro em Belo Horizonte, onde fazemos a mesma coisa. Há três anos, fizemos um convênio com uma universidade e criamos uma pós-graduação lato sensu para formar profissionais de uma maneira &#8220;oficial&#8221;.</p>
<p>Alexei: E qual é a formação exigida para fazer esse curso?</p>
<p>Angela: Graduação em qualquer área, porque o campo é transdisciplinar. Eu já tive aqui, entre meus melhores alunos, alguns arquitetos. Alguns dizem que é necessária formação em Psicologia. Eu diria que pode ajudar, mas os arquitetos que passaram por aqui proporcionaram uma experiência muito interessante. Temos uma estrutura de pós-graduação, reconhecida pelo MEC, para proporcionar uma formação profissional completa.</p>
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		<title>Arte x Pornografia</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 18:01:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[edições 56 a 60]]></category>
		<category><![CDATA[pornografia]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Ariadna Garibaldi</p>
<p>Introdução</p>
<p>Este site é objeto de freqüente julgamento na internet. As ferramentas de busca Google, MSN e Yahoo!, censuram nossas imagens se o internauta não desabilitar <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/09/arte-x-pornografia/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Ariadna Garibaldi</em></p>
<p><em>Introdução</em></p>
<p><em>Este site é objeto de freqüente julgamento na internet. As ferramentas de busca Google, MSN e Yahoo!, censuram nossas imagens se o internauta não desabilitar o filtro de &#8220;conteúdo adulto&#8221; &#8211; sendo que a maioria dos navegantes sequer sabe da existência de tal filtro! Por outro lado, os sistemas de trocas de links &#8211; que recusam sistematicamente sites com &#8220;conteúdo adulto&#8221; &#8211; adotam critérios diferentes.</em></p>
<p><em>Algumas empresas brasileiras, como a Trocando e a GlobalBanner, recusaram nosso site. Entretanto, galerias de arte baseadas no exterior, como a Saatchi Gallery e a Artelistas aceitaram os trabalhos da Galeria Géh como artísticos. Recentemente, a Link2Me, sistema de troca de links, aceitou nosso site na categoria &#8220;Artes Visuais&#8221;. Já as listas de diretório brasileiras divergem muito sobre a classificação do site, variando desde a recusa inapelável até a aceitação imediata em categorias como &#8220;Arte&#8221; e &#8220;Cultura&#8221;. Por outro lado, para nosso espanto e contra nossa vontade, algumas listas de diretório e ferramentas de busca de conteúdo pornográfico incluíram o géh em seus índices!</p>
<p>Ou seja, percebe-se claramente que não há uma definição precisa do que vem a ser &#8220;conteúdo adulto&#8221; na Internet, dependendo tal classificação de critérios absolutamente subjetivos e arbitrários.<br />
Por esse motivo, pedimos à advogada Ariadna Garibaldi que iniciasse um estudo sobre esse assunto: afinal, como podemos definir juridicamente de forma precisa a fronteira entre o que é Arte, Pornografia e esse bicho-papão chamado de &#8220;conteúdo adulto&#8221;?</em></p>
<p><em>(Os editores)</em></p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 383px"><img title="Nude 2 por Larisa Malysheva" src="http://www.gehspace.com/edicao%2058%20imagens/Malysheva,%20Larisa%20-%20nude2.jpg" alt="Nude 2 por Larisa Malysheva" width="373" height="260" /><p class="wp-caption-text">Nude 2 por Larisa Malysheva</p></div>
<p>Pornografia (Dicionário Aurélio Século XXI)</p>
<p>[Do gr. pornográphos, 'autor de escritos pornográficos', + -ia1.]<br />
S. f.<br />
1. Tratado acerca da prostituição.<br />
2. Figura(s), fotografia(s), filme(s), espetáculo(s), obra literária ou de arte, etc., relativos a, ou que tratam de coisas ou assuntos obscenos ou licenciosos, capazes de motivar ou explorar o lado sexual do indivíduo.<br />
3. Devassidão, libidinagem.</p>
<p>Era o ano de 1935 e algumas meninas entre sete e oito anos brincavam de bonecas em uma pequena cidade do Rio Grande do Norte. Com panelas de barro, alguns pedacinhos de madeira e algumas bonequinhas de pano, simulavam o cotidiano, quando uma delas tem a idéia de que a família de bonecos precisava de um filho&#8230; Mas como será que fariam para que tal fosse possível? Sem saber direito como fazer, uma delas vai à vizinha que varria o quintal e observava a alegre brincadeira e pergunta: Donana, minha boneca casou, agora como é que faz pra ela ter um bebê? A mulher arregala os olhos sem esconder o espanto, larga a vassoura e sai correndo pela rua em direção à casa da menina, que fica a olhar atônita sem entender coisa alguma. Poucos minutos o seu pai a chama e sem nada perguntar aplica-lhe uma sova para que ela nunca mais &#8220;fale safadezas&#8221;. Isso aconteceu com a minha ex-sogra.</p>
<p>Muita coisa mudou dessa época pra cá e nenhuma criança acredita mais em cegonha. Todos sabem de onde nascem os bebes e muitos, antes da adolescência, aprendem como são feitos. Nunca se falou tanto sobre sexo e nem tão abertamente, muitas vezes de forma apelativa, sem o menor critério e até com palavras e gravuras explícitas. Assim, passou-se a definir tais conteúdos como sendo de interesse adulto, no intuito de preservar a integridade física, moral e intelectual das crianças. Como, no mundo da era digital, diferenciar o que é arte visual ou sensual do que é pornografia, se, segundo o próprio dicionário, qualquer conteúdo gráfico erótico é conteúdo adulto e é pornográfico?</p>
<p>Com o fim da ditadura e da censura, abriu-se um portal para o que antes era proibido e ao invés de se usar isso em favor da cultura, houve uma verdadeira deterioração na programação de TV&#8217;s. Com o advento da internet, proliferaram os sites de conteúdo pornográfico e até pedofilia. E novos conceitos precisaram ser formados para separar o joio do trigo. Foi nessa expectativa que convencionou-se denominar os sites com conteúdo erótico de sites de conteúdo adulto e é a partir daí que surgiu uma verdadeira distorção de interesses. Que tipos de assuntos interessam aos adultos? Será que apenas sexo explícito? E o conceito de pornografia, tal como está no dicionário corresponde à realidade? Então um site sério, que trata da sexualidade de forma cientifica social e como expressão artística tal qual fazemos aqui no géh, pode ser tachado de pornográfico? Em que as obras de arte aqui mostradas agridem os olhos? Em que os assuntos aqui discutidos levam o individuo a pensar em sexo de forma alienada? Precisamos urgentemente definir o conceito jurídico de pornografia, e o conceito social de arte. Arte é arte e pornografia não é arte. A arte existe sob diversas formas e sob diversos aspectos inclusive o corporal. A sexualidade é inerente ao ser humano e por isso, também é expressa artisticamente desde tempos remotos. Vamos juntos tentar entender e, quem sabe, ajudar a conceituar melhor o uso da sexualidade dentro das artes e usar a arte a serviço da nossa sexualidade de modo saudável. É hipocrisia taxar o nosso site de pornográfico enquanto a noveleta das cinco instiga adolescentes a fazerem sexo e falam disso abertamente sem nenhum critério. Vamos juntos separar joio de trigo e aprender e ensinar o verdadeiro conceito de arte sensual de pornografia gratuita. É uma das coisas a que nos propomos desde o início e agora pretendemos fazer mais diretamente, já que fomos vitimados pelo preconceito de gente mal informada, talvez resquício de uma ditadura que teima em não morrer na cabeça de muitos.</p>
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		<title>Uma missão de amor</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 17:33:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[edições 51 a 55]]></category>
		<category><![CDATA[pinturas]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>O artigo publicado na edição          anterior tratava da violência, de crimes       <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/09/uma-missao-de-amor/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Géssica Hellmann</em></p>
<p>O artigo publicado na <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/09/violencia-de-genero/">edição          anterior</a> tratava da violência, de crimes          de ódio. Já este falará sobre o amor. A missão          desta revista é promover a arte em prol da solidariedade, promover          o respeito ao ser humano. É um ato constante de amor ao próximo.</p>
<p>Primeiramente gostaria de fazer uma reflexão sobre minhas três          últimas pinturas: &#8220;Tormenta&#8221;, &#8220;Vaticínio&#8221;          e &#8220;A caverna&#8221;. Elas foram feitas num momento de reflexão          sobre o amor. Em seguida abordarei a importância do ato solidário,          do ato de amor e da esperança na humanidade.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 325px"><img title="Tormenta - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann" src="http://www.gehspace.com/edicao%2054%20imagens/Tormenta%20copy.jpg" alt="Tormenta - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann" width="315" height="450" /><p class="wp-caption-text">Tormenta - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann</p></div>
<p><strong>Tormenta:</strong> Utilizei pinceladas curtas e fortes inspiradas na pintura expressionista. Cores irreais enfatizando a alucinação do êxtase de um pesadelo. O medo, a culpa de uma sexualidade reprimida. A escolha entre um fim de um relacionamento fracassado ao amor pelos filhos, a uma frigidez sexual pela sensação de culpa de sentir prazer. Sexo, orgasmo um pecado? As mãos tentando ocultar o órgão sexual, um corpo transformado por sentimento de culpa, por preconceitos e tabus enraizados na mente. Uma pintura dramática que expressa o sentimento de dualidade entre o bem e o mal, o certo e o incerto, num caminho entre a luz e as trevas do próprio ser.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 331px"><img title="Vaticínio - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann" src="http://www.gehspace.com/edicao%2054%20imagens/vaticinio%20copy.jpg" alt="Vaticínio - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann" width="321" height="450" /><p class="wp-caption-text">Vaticínio - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann</p></div>
<p><strong>Vaticínio:</strong> A boca como canal de amor ou de ódio. É preciso aprender a controlar a língua, para que da sua boca saiam sempre mensagens de luz, de amor, de fraternidade, de esperança. Aprender este controle, aprender a responsabilidade de praticar e ensinar os bons sentimentos é possível. Vaticinar para o bem é uma escolha, é a elevação do espírito mas, acima de tudo uma grande responsabilidade.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 430px"><img title="A Caverna - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann" src="http://www.gehspace.com/edicao%2054%20imagens/a%20caverna%20copy.jpg" alt="A Caverna - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann" width="420" height="297" /><p class="wp-caption-text">A Caverna - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann</p></div>
<p><strong>A Caverna:</strong> Foi acreditando na evolução do ser que criei &#8220;A caverna&#8221;. A realidade do &#8220;lusco-fusco&#8221;, da falta de fé, de seres aprisionados pelo medo de amar. Aprisionados pelos próprios preconceitos, pela violência, pela ignorância, por ter medo da luz.<br />
É possível a evolução do ser? É possível evoluir sem a luz? Luz esta reflexo do conhecimento e do próprio amor.</p>
<p>Quem por muito tempo vive com os braços aprisionados ao próprio corpo, teme amar o amor. Porque a inércia de movimentos para o bem, quando recebe grande dose de amor, sente dor, pois seus braços há muito não se exercitavam. Praticar o bem é praticar o amor. Por mais que doam os primeiros movimentos, é preciso ter fé para evoluir. É esta a mensagem que quero deixar: &#8220;Acredito na evolução pelo amor. Amar é possível e vale a pena&#8221;.</p>
<p>&#8220;Tormenta&#8221; e &#8220;Vaticínio&#8221; chocam à primeira vista. Transmitem um sentimento enraizado, uma escolha entre a luz e as trevas, o amor e o ódio. As pincelas curtas e fortes, os olhos vazados, as cores irreais, revelam o verdadeiro &#8220;eu&#8221; interior, o sentimento cru, despido de vestes. As pinturas induzem à reflexão sobre a escolha entre praticar o bem ou o mal.</p>
<p>Já &#8220;A Caverna&#8221; descreve o aprisionamento do ser, do espírito. As duas realidades se fundindo, a realidade material e a espiritual. Acredito na evolução do ser humano, na quebra de tabus e preconceitos. É possível anular o ódio com amor. Quando sofremos preconceitos, injustiças, a melhor maneira de responder é retribuir com amor em dobro. Associações e campanhas em prol da solidariedade possibilitam mudanças para uma sociedade mais justa, menos preconceituosa.</p>
<p>Falamos muito de solidariedade, de amor, de atitudes contra a violência, mas é importante definir certos termos para repensarmos nossas atitudes e sensibilizar nossos corações.</p>
<p>Boeira (2006) afirma que &#8220;A solidariedade, sendo um processo de libertação social, de autoconhecimento coletivo, não é qualidade que se tem ou não se tem, mas que se aprende e se ensina partindo das mais variadas condições sociais, dos mais variados ambientes ou ecossistemas&#8221;.</p>
<p>&#8220;Gramaticalmente, a palavra solidariedade é classificada como um substantivo, e substantivos servem para indicar os seres, os conceitos e os atos. Daí, que a solidariedade pode ser entendida como uma atitude. Atitude de apoio, proteção e cuidado com alguém. As grandes epidemias, as guerras e as catástrofes são exemplos de situações que colocam as pessoas diante da necessidade de serem apoiadas, protegidas e cuidadas. Nestas ocasiões, é preciso ter a clareza de que precisamos modificar algumas posturas pessoais, às vezes preconceituosas, e nos tornarmos disponíveis para enfrentar qualquer dificuldade&#8221;.(Solidariedade, 2006).</p>
<p>Para Gregório (2006 a) o amor pode ter definições variadas dependendo da cultura onde incide:</p>
<p>&#8220;Na cultura grega, amar implica o conhecer e o conhecer implica o amar.<br />
Na cultura judeo-cristã, o amor não partirá do mundo nem do homem, mas de Deus. Fundado no amor divino, o amor humano será ativo, histórico, concreto, e terá na imitação do próprio Deus, designadamente através de Cristo &#8211; imitatio Christi &#8211; o seu grande motor. (Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado)<br />
No Espiritismo, embora o termo amor seja polissêmico, nada nos impede de defini-lo como &#8220;a totalidade dos sentimentos e desejos que estruturam o pensamento para a liberação de energia e de forças que guiam a ação na produção do bem e possibilitam a aquisição de qualidades, constituintes do crescimento do Espírito&#8221;. (Curti, 1981, p.81)&#8221;</p>
<p>Para Goldkorn (2006) o amor é abrangente, é imanente, engole as fronteiras culturais e geopolíticas. Ele pode florescer espontaneamente ou como resultado da minha vontade. O amor não é algo que deva ser conquistado e, sim, construído; relaciona-se com o olhar, com a maneira de me colocar junto dos meus irmãos (todos) estrangeiros sem achá-los estrangeiros ou sem me achar o único nativo com direito a voto.</p>
<p>Cito dois grandes homens com espírito elevado, que acreditavam e fizeram da sua vida um ato de amor no combate a violência e a discriminação:</p>
<p>Ghandi, &#8220;cognominado de político da não-violência, afrontou o poderio britânico sem usar nenhuma arma. Preferiu humilhar-se e fazer jejum a levantar uma só arma para atacar o poderio britânico. Este nobre exemplo procurava passar aos seus comandados&#8221;. (Gregório, 2006 b)</p>
<p>Martin Luther King, &#8220;Outro herói do apelo à não-violência. Queria conseguir as coisas com as suas idéias de justiça e de liberdade, em que todos deveriam ser beneficiados com a política do estado e não o estado espoliar as pessoas mais pobres&#8221;. (Gregório, 2006 b)</p>
<p>Estes são exemplos de fé, de amor, de vida. Decidiram fazer de suas vidas uma causa, um ato de esperança na humanidade.</p>
<p>É preciso refletir, perguntar a si mesmo: de que lado estou? Você pratica o amor? Você combate o ódio, a violência, a discriminação? Não há mais tempo de ficar em cima do muro, o muro caiu. É só perceber o que está acontecendo no mundo: guerras, preconceitos raciais, religiosos, crimes de ódio. Acredito que só com amor e solidariedade podemos combater o ódio e os atos de violência. Tenho esperança e fé na evolução da humanidade. É através das manifestações artísticas que procuro fazer o que considero uma missão de vida: &#8220;Ensinar a amar o amor&#8221;.</p>
<p>Bibliografia</p>
<p>BOEIRA, Sérgio Luis. Solidariedade. Disponível em http://hps.infolink.com.br/peco/boeira02.htm Acessado em: 28/07/2006.</p>
<p>GREGÓRIO, Sérgio Biagi. Amar ao Próximo como a Si Mesmo. Disponível em: http://www.ceismael.com.br/artigo/artigo087.htm. Acessado em: 28/07/2006.</p>
<p>GREGÓRIO, Sérgio Biagi. O Amor e suas Dimensões. Disponível em: http://www.ceismael.com.br/artigo/artigo087.htm. Acessado em: 28/07/2006.</p>
<p>Solidariedade. Disponível em http://www.adolesite.aids.gov.br/solidariedade.htm . Acessado em 28/07/2006.</p>
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		<title>Arte em prol da solidariedade</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 16:21:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[edições 51 a 55]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[solidariedade]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>Começo este artigo com uma frase dita hoje por um cliente: &#8220;O que os pais vão pensar se entrarem no seu site e virem o anúncio <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/09/arte-em-prol-da-solidariedade/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Géssica Hellmann</em></p>
<p>Começo este artigo com uma frase dita hoje por um cliente: &#8220;O que os pais vão pensar se entrarem no seu site e virem o anúncio lá?&#8221; &#8211; gerente de uma oficina musical.</p>
<p>Não! Este artigo não falará de gestão de marketing e planejamento de vendas. Este artigo busca refletir sobre a projeção do preconceito.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 340px"><img title="Anger (1991) por Polina Nechaeva" src="http://www.gehspace.com/edicao%2051%20imagens/NECHAEVA%20Polina%20-%20anger%201991.jpg" alt="Anger (1991) por Polina Nechaeva" width="330" height="450" /><p class="wp-caption-text">Anger (1991) por Polina Nechaeva</p></div>
<p>Uma revista virtual que aborda arte, sexualidade, corporalidade em prol da solidariedade humana e da inclusão, contra todos os tipos de preconceitos, é vítima também do preconceito. Infelizmente é uma realidade, mesmo no terceiro milênio, estando em um grande centro urbano, como o Rio de Janeiro, o preconceito ainda persiste. E isto é uma realidade não só desta cidade, mas uma realidade mundial. Casos como o citado acima, revelam pessoas preconceituosas que têm medo de serem vítimas de preconceito de outrem. Ironia? Não. É a realidade da sociedade em que vivemos.</p>
<p>O trabalho realizado pela revista há mais de 50 edições tem tido como principal objetivo sensibilizar os leitores através de artigos, da literatura, da música e principalmente das artes visuais que expressam o corpo humano. Como podem observar, realizamos um trabalho com muito carinho, dedicação e pesquisa. A revista em si é um grande estímulo visual, trata-se de um casamento de texto e imagem, com a grande diferença de proporcionar um enriquecimento visual com obras de artistas poucos conhecidos pelo grande público brasileiro. É verdade também que, às vezes, publicamos obras clássicas para ilustrar algumas edições temáticas, mas o grande objetivo na verdade é proporcionar visualmente algo novo ao nosso público.</p>
<p style="text-align: center;">Da mesma forma procuramos proporcionar espaço na revista a autores, poetas e escritores desconhecidos da &#8220;grande mídia&#8221;, mas extremamente talentosos.<br />
<img class="aligncenter" src="http://www.gehspace.com/edicao%2051%20imagens/anuncio%20nilza%20copy.jpg" alt="Nilza estética e cabeleireiro -- Estética - Beleza - Estética Facial - Rua Conde de Itaguaí, 28 - Tijuca - Fone (21) 2571-5499" width="240" height="100" /></p>
<p>Unir artes visuais, literatura, música e corporalidade a favor de uma sociedade mais solidária e menos preconceituosa tem sido nossa missão.</p>
<p>Segundo Puccetti (2006), a arte pode ser considerada como expressão da subjetividade. Expressão que possibilita múltiplas leituras; que em seu processo de produção transita entre a sensibilidade e a razão. E é justamente nessa mobilidade entre o sensível e o racional que reside o seu potencial transformador e inclusivo, em que não há diferenças entre os sujeitos, mas apenas singularidades.</p>
<p>A autora afirma ainda que &#8220;A subjetividade, por seu turno, se constitui socialmente por meio da linguagem. A linguagem é, então, meio de constituição do sujeito, modo de refletir sobre a realidade, sobre o mundo e sobre si mesmo. Porém, mais que meio de expressão, a linguagem representa a organização dos processos mentais&#8230; Se entendermos o conhecimento como a ação do sujeito sobre a realidade, numa interação mediada, na relação com os outros, então a arte propicia a construção de conhecimento e da própria consciência&#8221;.</p>
<p>Artes visuais, literatura, música e corporalidade são as principais manifestações artísticas abordadas pelo &#8220;géh&#8221;. É importante compreender os fundamentos de cada modalidade. Em conformidade com o projeto &#8220;Estratégias e orientações sobre artes &#8211; Respondendo com Arte às necessidades especiais&#8221; do Ministério da Educação:</p>
<p>Artes Visuais: A linguagem visual envolve um universo amplo de modos de expressão. O conhecimento e a leitura dos elementos visuais, dentre os quais ressalta-se a forma, a cor, o espaço bidimensional e tridimensional, o equilíbrio, o plano, as relações entre luz e sombra, a superfície, dentre outros elementos que compõem as manifestações visuais. O artista articula o sentir e o pensar, por meio da construção visual. Nesse processo, estão presentes o conhecimento e a leitura dos elementos visuais, a organização e a ordenação do pensamento, a significação, a construção da imagem, a história pessoal e social de vida.</p>
<p>Literatura: A Literatura é uma linguagem que se realiza por meio de palavras carregadas de significados. Ela representa uma das mais altas experiências da existência do ser humano, uma vez que nasce do mais profundo da alma humana, interagindo com a alma do leitor. Nessa condição, a Literatura representa o maior repositório da cultura, do pensamento e da história da sensibilidade humana. Ninguém pode, portanto, ficar excluído de seu espaço de usufruto e informação, pois significaria perder uma das formas vitais da arte e da cultura. Como uma das formas expressivas do sentimento e do pensamento, a literatura representa importante meio de aperfeiçoamento do ser humano, contribuindo para a educação da sensibilidade. Ela atribui emoção à dimensão ética, aprofunda uma visão de mundo plural e propicia a plena realização do cidadão, seja no exercício da cidadania, seja da dignidade de sua condição humana.</p>
<p>Música: A Música como linguagem sonora verbal e não-verbal utiliza os códigos lingüísticos do ritmo, do som, da letra e da melodia &#8211; estruturada ou não, harmônica ou dissonante &#8211; respeitando as singularidades e diferenças de cada um. A Música ajuda a pessoa a manter contato com a realidade e o sentido da totalidade, não somente com aspectos abstratos do pensamento, mas em múltiplas formas que demonstram uma transformação e entendimento de novas criações musicais, podendo chegar à palavra e à verbalização. A música está presente em todas as pessoas e em todos os grupos sociais e é parte ativa da cultura de todos os povos &#8211; está incorporada ao &#8220;inconsciente coletivo&#8221;.</p>
<p>Corporalidade (Teatro e Dança): A Dança se constitui de movimentos rítmicos que envolvem todas as partes do corpo, em sintonia com diversos estilos de música. Ela é vivenciada em todas as culturas, sendo uma das poucas atividades na qual o ser humano se encontra mais íntegro &#8211; corpo, mente e espírito. O trabalho de Dança, na perspectiva da educação, visa à consciência corporal, promovendo o respeito e a valorização das possibilidades de descobertas de cada pessoa sobre si mesma, no contato com o outro e com o grupo.</p>
<p>O Teatro, no âmbito da educação escolar é, sobretudo, linguagem, que possui uma gramática própria. Essa gramática se constitui de signos. São eles: os signos verbais &#8211; as palavras pronunciadas e sua entonação &#8211; o texto. Os signos corporais que articulados formam a expressão corporal &#8211; o gesto, o movimento, a mímica, a expressão facial. E mais os signos que estão fora do ator que são utilizados para dar ênfase, enaltecendo ou obscurecendo aspectos do texto: a maquiagem, o vestuário, o penteado e os acessórios. Complementando, surge o grupo de signos que delineiam e definem o espaço cênico &#8211; onde a trama acontece, são eles: o cenário e os objetos de cena. Temos ainda os signos auditivos que são a música e os ruídos. E, finalmente, a iluminação. Todos esses elementos se juntam e cuidadosamente se articulam para tornar vivo aquilo que chamamos de Teatro.</p>
<p>A corporalidade mais sentida nessas duas representações (teatro e dança), aqui na revista é representada através de pinturas do corpo humano.</p>
<p>Acredito que a arte e suas manifestações podem contribuir na construção de um mundo mais solidário, mais fraterno, menos preconceituoso. Acredito também na possibilidade de uma reeducação social através da arte.</p>
<p>Para Prosdócimo (2006) &#8220;Desde os primórdios da humanidade até os dias atuais, a história mostra que o ser humano, embora lentamente, vem crescendo interiormente e desenvolvendo a sua consciência moral. A arte acompanhou a humanidade nessa trajetória, servindo de apoio e inspiração para o afloramento de nobres sentimentos. Nos dias atuais, ela continua sendo a musa inspiradora do ser humano.&#8221;</p>
<p>O autor reforça também que &#8220;a arte é importante e necessária para essa tomada de consciência, pois reflete a plena capacidade humana para a associação de idéias, para a transformação de experiências, para conhecimento de si mesmo e reconhecimento do ser&#8221;. Onde, &#8220;as atividades artísticas como o teatro, as artes plásticas, a música, a dança e a literatura, agem como propulsoras do desenvolvimento moral (sentimento) e intelectual (razão e raciocínio). Atuam também sobre a vontade, auxiliando no processo educativo&#8221;.</p>
<p>Almeida (2006) afirma que &#8220;A educação pela arte vem se transformando significativamente nos últimos anos em uma alternativa de Educação para Jovens e Adultos. A expansão do ensino através do campo artístico está sendo utilizada freqüentemente tendo em vista a necessidade de valorização social de si e do outro&#8221;.</p>
<p>A arte como forma de inclusão social, como vimos no artigo &#8220;Arte x reeducação social&#8221; é uma possibilidade. É preciso continuar incansavelmente esse esforço, para que juntos possamos criar uma nova realidade, onde o preconceito não tenha vez em nossos corações, para aprendermos a aceitar a diferença, a aceitar o outro.</p>
<p>Nas palavras de Karla Hansen (2006), &#8220;E se cada um de nós nos entendermos como diferentes, em alguma medida, não existe &#8220;o diferente&#8221;. Não tem mais sentido. Existe, sim, o outro, que não é igual a mim, não é um clone, um reflexo no espelho&#8221;.</p>
<p>O meio pelo qual a arte promove essa mudança é esclarecido por Puccetti (2006): &#8220;A produção artística desloca o olhar. Rompe com o limite do racional e o estigma da diferença, pois ordena o pensamento; revela a expressão; convida à criação; comunga com a idéia da inseparabilidade; constrói a forma, tornando-a visível (imagem) e, enquanto construção se revela como linguagem e representação simbólica&#8221;.</p>
<p>A arte desperta sentimentos, sensações, afeta profundamente com nosso eu interior e estimula uma consciência cultural. Como afirma Serra (2006), &#8220;A arte é um meio de conhecimento através dos sentidos&#8221;. Outro autor afirma ainda que &#8220;A arte tem um papel de destaque importante na construção de uma vida mais livre. A experiência em arte é capaz de engrandecer toda e qualquer prática da vida humana&#8221;. (Almeida 2006)</p>
<p>Cito ainda Fayga Osttrrowerr (2006): &#8220;Assim, todas as formas de arte incorporam conteúdos existenciais. Estes se referem à experiência do viver, a visões de mundo, a estados de ser, a desejos, aspirações e sentimentos, e aos valores espirituais da vida. Enfim, são conteúdos gerais da própria consciência humana. Atravessando séculos, sociedades e culturas, tais conteúdos continuam válidos e atuais para cada um de nós. Por isso, a arte tem esse estranho poder de nos comover tão profundamente. Ela fala a nós, sobre nós, sobre o nosso mais íntimo ser.&#8221;</p>
<p>É esta nossa intenção: sensibilizar e tocar o íntimo de cada um em prol da solidariedade.</p>
<p>Freqüentemente, é preciso explicar o óbvio: a nossa missão. Missão que está no combate ao preconceito e, justamente por isso, é vítima de preconceitos por mostrar a beleza e a sensualidade do corpo humano. Como afirma Osttrrowerr (2006) &#8220;É justamente a sensualidade das linguagens artísticas &#8211; pintura, música, dança, arquitetura, ou também poesia &#8211; que as distingue de linguagens conceituais, como, por exemplo, a filosofia ou a matemática. Encanta-nos ver cores, ouvir sons, perceber movimentos e ritmos. Ainda que física, a sensualidade torna-se uma qualidade espiritual&#8221;.</p>
<p>Há tantos medos enraizados, tantos tabus e preconceitos a serem vencidos. Quando começaremos a evoluir? Quando vamos parar de ter medo do diferente?</p>
<p>Referências Bibliográficas</p>
<p>ALMEIDA, Heleuza Carrilho Tuka de. Inclusão através da arte: experiência com jovens e adultos na universidade de cruz alta. Disponível em: (http://www.funarte.gov.br/vsa/publicacao.htm) . Acessado em 05/07/06.</p>
<p>HANSEN, Karla. Arte, diversidade e inclusão. Diferença não é defeito. Disponível em: (http://www.educacaopublica.rj.gov.br/jornal/materia.asp?seq=234) . Acessado em 07/07/06.</p>
<p>MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO &#8211; SECRETARIA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL. Estratégias e orientações sobre artes. Respondendo com Arte às necessidades especiais. Brasília, Dezembro &#8211; 2002.</p>
<p>OSTTRROWERR, Fayga. Arte e artistas no século XX. In FARIA, Hamilton; GARCIA, Pedro, (Org.). O reencantamento do mundo: arte e identidade cultural na construção de um mundo solidário. São Paulo: Pólis, 2002. 152p. (Publicações Pólis, 41)</p>
<p>PROSDÓCIMO, Sérgio da Silva. A arte como meio auxiliar na reeducação de pessoas dependentes de drogas. Disponível em: (http://www.funarte.gov.br/vsa/publicacao.htm) . Acessado em 05/07/06.</p>
<p>PUCCETTI, Roberta. Arte: imagem e produção artística na diversidade. Disponível em: (http://www.funarte.gov.br/vsa/publicacao.htm) . Acessado em 05/07/06.</p>
<p>SERRA, Otoniel. Estética e o valor da produção e do produto artístico em suas diferentes linguagens. Disponível em: (http://www.funarte.gov.br/vsa/publicacao.htm) . Acessado em 05/07/06.</p>
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		<title>Arte x reeducação social</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 16:12:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[edições 46 a 50]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Géssica Hellmann</p>
<p class="wp-caption-text">A Deusa - acrílico e colagem sobre tela - Géssica Hellmann</p>
<p>Começo este artigo indagando: &#8220;É possível a reeducação social através da arte&#8221;? Atrevo-me ainda <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/09/arte-x-reeducacao-social/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Géssica Hellmann</em></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 388px"><img title="A Deusa - acrílico e colagem sobre tela - Géssica Hellmann" src="http://www.gehspace.com/edicao%2050%20imagens/a%20deusa%20por%20gessica%20hellmann.jpg" alt="A Deusa - Acrílico e colagem sobre tela - Géssica Hellmann" width="378" height="508" /><p class="wp-caption-text">A Deusa - acrílico e colagem sobre tela - Géssica Hellmann</p></div>
<p>Começo este artigo indagando: &#8220;É possível a reeducação social através da arte&#8221;? Atrevo-me ainda mais: &#8220;É possível utilizar a arte como ferramenta de inclusão e de combate ao preconceito&#8221;? &#8220;Qual a função cultural que a arte pode ter em uma sociedade&#8221;?</p>
<p>Vivemos numa sociedade com grandes diferenças sociais, culturais, uma sociedade que, apesar de se dizer contra injustiças, muitas vezes é a primeira a apontar o outro por ser diferente de si.</p>
<p>Em entrevista com a atriz e produtora de teatro Rocca Stockler ela afirmou que, &#8220;A arte em si é o melhor meio de cura que existe para um humano. Brinco que o artista usa os dotes para evitar futuro câncer. Digo isso por, antes de qualquer coisa, escrever. A escrita entrou na minha vida como forma de exorcizar meus próprios demônios, conflitos, situações sem resolução imediata. Não sei a importância disso no contexto íntegro de uma reabilitação social, no entanto sei ser fundamental o uso da arte como forma de extravasar os sentimentos sem compreensão até atingirmos um equilíbrio saudável para nossa mente e corpo. Estando neste equilíbrio&#8230; preconceitos ficam automaticamente fora de foco. Pessoas em harmonia não nutrem essas pequenezas.&#8221;</p>
<p>É possível utilizar a arte no combate ao preconceito. Alguns grupos de teatro utilizam a arte para formar um pensamento crítico sobre o combate ao preconceito. Um exemplo é o grupo teatral &#8220;Os Inclusos e os Sisos&#8221;, que une teatro e comédia para sensibilizar públicos diversos sobre a importância de pensar uma sociedade inclusiva.</p>
<p>Loureiro (2002), em um de seus artigos, afirma que &#8220;É indiscutível a relação entre a emoção estética e a solidariedade&#8221;. O autor cita Maffesoli: &#8220;nossas faculdades simpáticas e ativas são estreitamente ligadas e que é esta relação mesma que especifica a vitalidade de uma época dada, e serve de fundamento a toda forma da sociedade&#8221;. O estético terá, portanto, a capacidade de fazer emergir &#8220;formas de simpatia&#8221; acentuando seu papel de ligação e religação social. É como se ocorresse a formulação de um sistema de conhecimento humano a partir da sensibilidade.</p>
<p>Sempre acreditei ser possível sensibilizar os corações humanos através da arte e suas manifestações. Como artista plástica procuro através da pintura expressar a beleza do corpo humano. Como editora de uma revista de arte e sexualidade, tenho como missão fazer com que a arte provoque repercussões na maneira como o visitante encara a sua própria sexualidade e aprenda a aceitar as diferenças do outro como algo natural, quebrando tabus e idéias preconceituosas.</p>
<p>A arte pode ser uma forma de inclusão social, como prova o projeto de Educação Sexualizada e Jovens com Deficiência Mental, projeto que tinha o objetivo de verificar se a expressão corporal promove o conhecimento do corpo. Maria da Conceição Melo da Cunha (2002) conclui em sua pesquisa que a expressão corporal é um meio que promove o conhecimento do corpo, capacitando os indivíduos com deficiência mental para um melhor conhecimento de si, possibilitando uma vivência mais eficaz da sua sexualidade.</p>
<p>Maria afirma ainda que &#8220;Educar a sexualidade não é dar uma aula, ou uma boa explicação. Não chega informar, nem sequer promover uma dinâmica de grupo. É proporcionar experiências, onde as pessoas possam desenvolver facetas da personalidade que lhe permitam vivenciar a sua sexualidade de uma forma adequada. Estas passam por uma série de estratégias, como a psicomotricidade, a dança, o teatro, a pintura, os ateliers de imagem, tudo isto são peças importantes que proporcionam experiência e conseqüentemente aprendizagem de uma forma lúdica e envolvente. A sexualidade constitui uma força viva no indivíduo, é um meio de expressão dos afetos, é a forma de cada pessoa se descobrir e descobrir os outros.&#8221;</p>
<p>Como afirmei inicialmente, nos dizemos cidadãos contra as injustiças sociais. Mas será que realmente agimos dessa forma? Fomos educados desde sempre a esconder nossos sentimentos, a sermos racionais, a controlarmos nossas expressões corporais.</p>
<p>&#8220;A função principal de nossa educação é restringir movimentos&#8221;, diria José Angelo Gaiarsa, o &#8220;pai&#8221; da psicoterapia corporal no Brasil. A cada cem movimentos que uma criança poderia estar fazendo, faz somente cinco. E, de repente, estamos adultos (isto é, atingimos a idade cronológica adulta), e alguém nos pergunta: &#8220;o que você está sentindo?&#8221; &#8211; e não é de estranhar que fiquemos perdidos, assustados até, com a pergunta, que, provavelmente, passará pelo crivo do &#8220;deixe-me pensar&#8221; para responder. Então, bem treinados, continuamos a pensar que pensamos, e respondemos &#8211; quando respondemos &#8211; um tímido e/ou enorme &#8220;não sei&#8221;, ou mentimos: &#8220;Tô legal. Tá tudo bem!&#8221; Além de pensar que pensamos, pensamos que sentimos. A anestesia fará efeito, caso não haja uma guinada comportamental, até o último suspiro. (Martins, 2002)</p>
<p>O autor afirma ainda que &#8220;Este é o mundo normal, inclusivo e exclusivo de gente. E é nesse mundo que não sabemos &#8211; não sabemos mesmo! &#8211; lidar com a palavra &#8220;inclusão&#8221;, porque, mesmo incluídos, nos sentimos como não. Tudo porque estamos excluídos de nós mesmos!&#8221;</p>
<p>Como artista e apreciadora da arte penso que tanto o artista quanto o público aprendem com a arte. No processo de criação, o próprio artista é um pesquisador de sua própria sensibilidade, organiza conceitos, sentimentos, ou seja, educa-se. A arte como forma de educação e incentivo à corporalidade pode contribuir e muito para uma reformulação social, para aprendermos a sermos honestos com nós mesmos, como uma forma de aceitação do &#8220;outro&#8221; e do próprio &#8220;eu&#8221;.</p>
<p>Referências Bibliográficas:</p>
<p>CUNHA,Maria da Conceição Melo da. A importância dentro de mim &#8211; Educação sexualizada e jovens com deficiência mental. In Caderno de Textos : Educação, Arte, Inclusão / organização André Andries. Vol. 1, n. 1 (1. quandrim. 2002) &#8211; Rio de Janeiro : Funarte, 2002.</p>
<p>LOUREIRO, João de Jesus Paes. A estética de uma ética sem barreiras. In Caderno de Textos : Educação, Arte, Inclusão / organização André Andries. Vol. 1, n. 1 (1. quandrim. 2002) &#8211; Rio de Janeiro : Funarte, 2002.</p>
<p>MARTINS, Ademir. Expressão corporal é pleonasmo. In Caderno de Textos : Educação, Arte, Inclusão / organização André Andries. Vol. 1, n. 1 (1. quandrim. 2002) &#8211; Rio de Janeiro : Funarte, 2002</p>
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		<title>Arte, corporalidade e sexualidade</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Dec 2008 23:56:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[corporalidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 36 a 40]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Géssica Hellmann</p>
<p class="wp-caption-text">Mãos - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann</p>
<p>Este artigo é um momento reflexivo sobre o trabalho desenvolvido e apresentado nestas 36 edições. Primeiramente gostaria <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/08/arte-corporalidade-e-sexualidade/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Géssica Hellmann</em></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 460px"><img title="Mãos - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann" src="http://gehspace.com/edicao%2036%20imagens/maos%20copy%20ed36.jpg" alt="Mãos - Acrílico sobre papel por Géssica Hellmann" width="450" height="324" /><p class="wp-caption-text">Mãos - Acrílico sobre papel - Géssica Hellmann</p></div>
<p>Este artigo é um momento reflexivo sobre o trabalho desenvolvido e apresentado nestas 36 edições. Primeiramente gostaria de abordar um tema que tem sido focalizado nas últimas edições: Arte, Corporalidade e Sexualidade. Em seguida, enfocarei o valor social e cultural das manifestações artísticas, principalmente no que se refere às expressões do &#8220;olhar&#8221; no contexto das obras aqui apresentadas.</p>
<p>Podemos afirmar que a corporalidade e a sexualidade são fatores decisivos na construção da identidade pessoal, e de certa forma, do equilíbrio emocional. O corpo sente, pensa e expressa.</p>
<p>O ser humano manifesta o que sente através da sua corporalidade. Seja através, do olhar, da forma de ouvir, do falar, enfim em todos os gestos exprimimos os nossos sentimentos, isto é, são expressões corporais do nosso estado de espírito.</p>
<p>A sexualidade também é uma forma de expressão corporal, afetando o ser humano intimamente, de forma tanto positiva como negativa. É altamente dependente de crenças e valores inseridos pela sociedade em que vivemos. Precisamos educar nossa capacidade de expressão corporal e nosso modo de pensar para aprendermos a amar e nos entregar por inteiro. Enfim, o que vimos fazendo é estudar o papel da corporeidade na estruturação dos processos mentais, refletidas nas diversas expressões artísticas, seja na literatura, música ou artes plásticas.</p>
<p>É com o objetivo de manifestar as diversas formas de expressão sexual e combater todos os preconceitos, que desde as primeiras edições procuro dar liberdade à diversidade de idéias, preferências e reflexões neste espaço virtual, oferecendo uma tribuna a autores diversos, principalmente aos que ainda não atingiram voz &#8220;na grande mídia&#8221;.</p>
<p>Cito agora a idéia de arte e corporalidade na visão de Aguinaldo de Souza (2006): &#8220;Estrategicamente, parte-se da percepção do uso funcional que as artes, com suas especificidades, fazem do corpo humano, distinguindo tal uso de duas formas: primeiramente, as que partem da corporeidade, tendo o corpo como imagem, referência ou inspiração, denotado em processos descritivos ou modalidades plásticas que recuperam a imagem do corpo humano, quer figurativamente, quer de modo a diluir, em maior ou menor grau, as referências corporais; e, em segundo lugar, as que assumem um processo de corporificação, buscando a presença física do corpo, a exemplo das artes cênicas (dança, teatro, ópera, circo, musical) e demais modalidades de intervenção em que o corpo do artista é presente cenicamente.&#8221;</p>
<p>Ao pensar em arte, podemos afirmar que existem várias definições citadas por vários conhecedores e pensadores da arte. Mas não consigo me ater a uma como única definição; seguindo os passos de Delfin Sardo: &#8220;A arte não tem que ser conceptual&#8221; pois, quando a conceituamos, lhe damos limites, fronteiras. A arte é o próprio atrevimento, é um pensar além. A arte cria um impacto, no próprio artista, na obra em si e no espectador.</p>
<p>O acervo da seção &#8220;eroarte&#8221; e da &#8220;galeria géh&#8221;, assim como as diversas obras que ilustram nossas seções, têm o objetivo de representar a corporalidade humana, além de mostrar as diversas expressões da sexualidade na arte.</p>
<p>Desde o início, sabemos ser esta uma linha tênue. Para tanto tivemos sempre o cuidado de pensar no limite entre arte e pornografia. Mas qual seria este limite? &#8220;Arte na minha opinião é uma forma de expressão cultural da beleza. O que inclui o corpo e o ato sexual em si. Já a pornografia, reduz o corpo e o ato sexual a um simples objeto com a única finalidade de masturbação.&#8221; (Hellmann, 2006).</p>
<p>Seria ilusão dizer que não existe preconceito quanto à expressão visual do corpo humano, especialmente quando sexualizada. Reconhecemos que muitos podem até olhar os trabalhos aqui apresentados como &#8220;pornográficos&#8221;. Mas, quem adota essa visão estreita, põe em xeque o trabalho de artistas renomados, com produção extensa e valor social, histórica e até economicamente reconhecidos. Reafirmo a idéia de que é preciso reaprender a &#8220;olhar&#8221; sem os vieses impostos pelos tabus e preconceitos socialmente impostos. Refletir a beleza do corpo na arte é fundamental para o combate aos preconceitos quanto à sexualidade humana.</p>
<p>Mas neste momento, volto a me perguntar: os meus trabalhos apresentados na galeria podem ser considerados obras de arte? Têm valor artístico? Que valor podem ser atribuídos a eles? Não tenho esta resposta, sei que muito tenho a aprender. Mas não posso deixar de colocar a minha intenção, como autora e pintora, durante esta jornada. A intenção foi refletir meus sentimentos e transmitir um olhar pessoal sobre o corpo humano, principalmente o corpo feminino. Corpo, expressões e gestos, assim como este que ilustra o plano de fundo desta edição. Demonstrar através das &#8220;mãos&#8221;, o gesto que se materializa quando o pintor assume a paleta descrevendo um discurso interior. Mãos que fazem, que sentem, que brincam, que expressam, mãos que emocionam.</p>
<p>Como conclusão, assumo minha posição militante de combater a todos os tipos de discriminação de gênero, raça e sexualidade. É preciso crescer, e aprender a olhar, e da mesma forma repassar a nossos filhos e às próximas gerações esse novo modo de olhar, disseminando o amor e o respeito ao próximo.</p>
<p>Como presente aos que leram até aqui, deixo estes belos versos do poeta Carlos Drummond de Andrade:</p>
<p>&#8220;MISSÃO DO CORPO</p>
<p>Claro que o corpo não é feito só para sofrer,<br />
mas para sofrer e gozar.<br />
Na inocência do sofrimento<br />
como na inocência do gozo,<br />
o corpo se realiza, vulnerável<br />
e solene.</p>
<p>Salve, meu corpo, minha estrutura de viver<br />
e de cumprir os ritos do existir!<br />
Amo tuas imperfeições e maravilhas,<br />
amo-as com gratidão, pena e raiva intercadentes.<br />
Em ti me sinto dividido, campo de batalha<br />
sem vitória para nenhum lado<br />
e sofro e sou feliz<br />
na medida do que acaso me ofereças.</p>
<p>Será mesmo acaso,<br />
será lei divina ou dragonária<br />
que me parte e reparte em pedacinhos?<br />
Meu corpo, minha dor,<br />
Meu prazer e transcendência,<br />
És afinal meu ser inteiro e único.&#8221;</p>
<p>Bibliografia:<br />
HELLMANN, Géssica. <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/07/pornografia-erotismo-arte-onde-estao-as-fronteiras/">Pornografia, Erotismo e Arte: onde estão as fronteiras?</a> Disponível em: http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/07/pornografia-erotismo-arte-onde-estao-as-fronteiras/  Acessado em: 24/03/2006.</p>
<p>SARDO, Delfim. Disponível em: <span class="texto">http://www.c-e-m.org/producao/iniciativas/CEMHORAS/delfim_sardo.htm</span>. Acessado em: 24/03/2006</p>
<p>SOUZA, Aguinaldo de. TEXTO E CENA: OPERAÇÕES TRADUTÓRIAS DA CORPORALIDADE. Disponível em: <span class="texto">http://www.conexaodanca.art.br/imagens/textos/artigos/<br />
Opera%E7%F5es%20tradut%F3rias%20da%20corporalidade.htm</span> . Acessado em: 24/03/2006.</p>
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		<title>Entrevista com Jozé de Abreu</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Dec 2008 23:31:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[edições 31 a 35]]></category>
		<category><![CDATA[erotismo]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[pornografia]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Géssica Hellmann</p>
<p class="wp-caption-text">Foto por Jozé de Abreu</p>
<p>Géh &#8211; Perfil pessoal: Quem é Jozé de Abreu? Há quanto tempo está no ramo da fotografia? Pode falar sobre <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/08/entrevista-com-joze-de-abreu/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Géssica Hellmann</em></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 360px"><img title="Foto por Jozé de Abreu" src="http://gehspace.com/edicao%2034%20imagens/rd-100-b400.jpg" alt="Foto por Jozé de Abreu" width="350" height="263" /><p class="wp-caption-text">Foto por Jozé de Abreu</p></div>
<p>Géh &#8211; Perfil pessoal: Quem é Jozé de Abreu? Há quanto tempo está no ramo da fotografia? Pode falar sobre sua trajetória?</p>
<p>Jozé de Abreu: Poxa, se você me disser quem sou eu, ficarei eternamente agradecido. Pergunta difícil, moça. Sou ator de muitos papéis, malabarista por necessidade, gozador por opção, cheio de dúvidas e dívidas, como todo brasileiro que já passou dos 50. Tenho mulher, filhos, uma casa e muitos livros. Sou um privilegiado!</p>
<p>A fotografia entrou muito cedo em minha vida. Meu avô tinha uma coleção de daguerreótipos e cartões-postais franceses do início do século passado, com belas mulheres nuas. Eu era menino ainda e ele me mostrava às escondidas. Deve ter vindo daí meu interesse pela fotografia erótica. Mas só comecei a fotografar aos 25 anos, quando comprei minha primeira câmera.</p>
<p>Tem uma coisa que faço questão de deixar claro: não sou fotógrafo profissional. Raramente ganho dinheiro com minhas fotos.</p>
<p>Géh &#8211; Erotismo nos meios de comunicação: Fala-se muito sobre uma erotização crescente da exibição do corpo feminino por parte dos meios de comunicação brasileiros. Você concorda com essa visão? Em caso positivo, a que você atribui esse fenômeno? Em caso negativo, o que você diria sobre esse assunto?</p>
<p>Jozé de Abreu: Existe, sim, mas o fenômeno não é novo nem se restringe ao Brasil. Erotismo vende e a lógica da mídia ocidental é, obviamente, capitalista. Há mais de 30 anos, as Chacretes já faziam as delícias dos marmanjos rebolando aquelas bundas imensas na TV, em pleno sábado à tarde. Acho que às vezes rola um certo exagero na TV aberta, mas os códigos de auto-regulamentação são eficientes e terminam ajustando as coisas. Na verdade, não acho que essa seja uma questão muito importante. Pior, bem pior, é a banalização do mal, da violência. Prefiro ter filhos erotizados do que ter filhos bandidos.</p>
<p>Géh &#8211; Fronteiras entre erotismo e pornografia: A discussão sobre os limites entre &#8220;erotismo&#8221; e &#8220;pornografia&#8221; é um tema recorrente. Um exemplo é o de uma campanha humorística na web que exibia um banner com os dizeres &#8220;Abaixo as fotos sensuais! Quero ver mulher pelada&#8221;. Como diferenciar o que é o &#8220;nu artístico&#8221;, a &#8220;fotografia erótica&#8221; e a &#8220;fotografia pornográfica&#8221;? Como fotógrafo, qual a sua opinião sobre o limite entre arte e pornografia?</p>
<p>Jozé de Abreu: Essa é uma discussão estéril. A fronteira entre o erótico e o pornográfico é difusa, subjetiva e pessoal. Muda de acordo com a época, com a cultura. Durante a ditadura, era proibido mostrar os mamilos e os pelos pubianos. As modelos que saiam na Playboy não tinham pentelhos nem mamilos, pareciam umas &#8220;Barbies&#8221;. Hoje a Playboy é lida até em sala de espera de dentista e ninguém engasga com os pentelhos.</p>
<p>Acho a expressão &#8220;nu artístico&#8221; muito pedante. Qual seria o oposto do nu artístico? &#8220;Artístico&#8221; aí é usado como sinônimo de bom gosto e, nós sabemos, o bom gosto é socialmente determinado. Nem toda nudez tem apelo sexual. Por exemplo, as fotos do Spencer Tunik, aquele que fotografa um monte de gente nua amontoada nas ruas, não são eróticas, nem pornográficas. São políticas.</p>
<p>Mas, vamos lá! Do ponto de vista de quem consome: Pornográfica é a foto que você não se sente à vontade de admirar junto com seus pais ou com seus filhos. Do ponto de vista de quem produz: a foto é pornográfica quando tem a intenção de provocar excitação sexual. Pelo menos, essa é a distinção que me ocorre no momento.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 288px"><img title="Foto por Jozé de Abreu" src="http://gehspace.com/edicao%2034%20imagens/carol-125-d.jpg" alt="Foto por Jozé de Abreu" width="278" height="370" /><p class="wp-caption-text">Foto por Jozé de Abreu</p></div>
<p>Géh &#8211;  Pornografia e Internet: Recentemente, a Internet deu novo fôlego à indústria pornográfica, que fatura hoje pelo menos vinte vezes mais do que nas décadas de 1980 e de 1990. Agora se pode ter acesso a imagens e vídeos de sexo com um simples clique do mouse. A que você atribui esta incrível demanda?</p>
<p>Jozé de Abreu: De certo modo, a Internet democratizou o acesso a esse tipo de material. E as páginas com conteúdo sexual são realmente as campeãs de acesso. Acho que isso se deve a vários fatores. A maioria dos internautas é jovens, esse é o primeiro ponto. Outro aspecto importante é que a Internet permite que as pessoas acessem esse tipo de material sem se exporem, sem ter que ir à banca de revista ou à locadora de vídeo.</p>
<p>Géh &#8211; Masturbação: Percebe-se na mídia a crescente busca por imagens do corpo nu erotizado, atividades sexuais, com finalidade primariamente masturbatória. Na sua opinião o público masculino ainda é o maior consumidor neste mercado?</p>
<p>Jozé de Abreu: O público masculino ainda é maioria, mas isso vem mudando. É cada dia maior o número de mulheres que consomem material pornográfico. As estatísticas dos sites pagos mostram isso claramente. O número de assinantes do sexo feminino vem aumentando consistentemente.</p>
<p>Géh &#8211; Influência social da pornografia: Existem opiniões contraditórias sobre a pornografia em geral. Alguns sugerem que há uma relação entre pornografia e estupro, e outras formas de violência. Já a escritora Wendy McElroy afirma que: &#8220;Ela estimula fantasias sexuais. Ensina a pessoa a ter prazer no sexo&#8221;. Para outros, a pornografia incentiva a tratar o sexo com franqueza. &#8220;A pornografia beneficia as mulheres&#8221;, diz a escritora. Qual a sua visão sobre a influência social da pornografia?</p>
<p>Jozé de Abreu: Concordo com a Wendy. A pornografia é necessária e desejável. Ela confronta as pessoas com suas próprias fantasias, faz com que o homem ou mulher constate que não está sozinho em suas esquisitices, que existem outras pessoas que compartilham os mesmos gostos e interesses. A pornografia tem um lado educativo também. Mas é preciso ter em mente que os filmes pornográficos são ficção. Quem assiste ao Homem Aranha não sai por aí tentando saltar entre os edifícios. Do mesmo modo, quem assiste filme pornô não deve tomar o desempenho dos atores e atrizes como referência para seu próprio desempenho.</p>
<p>Géh &#8211; Vício Pornográfico: Nem todo mundo que vê pornografia ficará viciado. Alguns, talvez, apenas ficarão com algumas idéias distorcidas sobre mulher, sexo, casamento e crianças. Porém, outros terão algum tipo de abertura emocional que permitirá que o vício tome lugar. A pornografia pode distorcer o conceito que a pessoa tem sobre o sexo oposto?</p>
<p>Jozé de Abreu: Claro que pode. Toda mídia tem essa capacidade de distorcer conceitos e percepções. Portanto, não é só a pornografia que pode levar a uma visão distorcida do outro. Os programas de auditório, por exemplo, fazem isso de forma muito mais eficiente.</p>
<p>Géh &#8211; A Estética do belo: Na sua opinião, como apreciador da fotografia, gostaria que abordasse a &#8220;estética do belo&#8221; na fotografia primeiramente:</p>
<p>- Num conceito geral sobre fotografia:</p>
<p>Jozé de Abreu: Os conceitos estéticos mudam com o tempo. O problema é que, hoje, essas mudanças se processam mais rapidamente. Alguns fotógrafos conseguem superar isso e fazer fotos atemporais, que são belas hoje e continuarão sendo daqui a 50, 100 anos. Acho que o segredo é não se deixar influenciar por padrões impostos, ter um olhar só seu, mas isso nem sempre é possível.</p>
<p>Quem fotografa para revistas, por exemplo, não tem como escapar à ditadura da estética imposta pela mídia. Fotógrafos como Helmut Newton, Robert Maplethorpe e Irina Ionesco são exceções. A Irina, por exemplo, disse certa vez o seguinte: &#8220;em fotografia, só o que é estranho me interessa&#8221;.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 390px"><img title="Foto por Jozé de Abreu" src="http://gehspace.com/edicao%2034%20imagens/livia60.jpg" alt="Foto por Jozé de Abreu" width="380" height="284" /><p class="wp-caption-text">Foto por Jozé de Abreu</p></div>
<p>Géh:- Na fotografia do corpo, fotografia sensual:</p>
<p>Jozé de Abreu: O corpo é sempre um desafio e é isso que me fascina: conseguir uma abordagem nova e surpreendente. Claro que a técnica conta. A luz, o equipamento, a produção cuidadosa. Mas isso não basta. Fundamental mesmo é o olhar.</p>
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		<title>Entrevista &#8211; Aluízio Derizans</title>
		<link>http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/08/entrevista-aluizio-derizans/</link>
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		<pubDate>Mon, 08 Dec 2008 20:38:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[edições 31 a 35]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[produção fotográfica]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Géssica Hellmann</p>
<p>Meu primeiro contato com Aluizio Derizans foi através de seu site, admirando sua magnífica produção fotográfica, que inclui um pouco de tudo, mas em que <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/08/entrevista-aluizio-derizans/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Géssica Hellmann</em></p>
<p>Meu primeiro contato com Aluizio Derizans foi através de seu site, admirando sua magnífica produção fotográfica, que inclui um pouco de tudo, mas em que se destacam suas imagens flores, vestidas e despidas: de orquídeas a lindas mulheres. Um perfeito cavalheiro, homem de papo sempre interessante, agradável e bem-informado, Aluizio Derizans merece ser ouvido atentamente por quem ama a fotografia em geral &#8211; e as imagens de belas flores em especial.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 448px"><img title="Aluízio Derizans por Ivan de Almeida" src="http://www.gehspace.com/edicao%2031%20imagens/derizans.jpg" alt="Aluízio Derizans por Ivan de Almeida" width="438" height="300" /><p class="wp-caption-text">Aluízio Derizans por Ivan de Almeida</p></div>
<p>Géh: Quem é Aluízio Derizans? Há quanto tempo está no ramo da fotografia?<br />
Derizans: Carioca, de 72 anos, liberal, mangueirense e, atualmente, desocupado.<br />
Há cinco anos não tenho feito outra coisa exceto fotografar e estudar fotografia.</p>
<p>Géh: Numa profissão apaixonante como a da fotografia, quais são as barreiras mais difíceis?</p>
<p>Derizans: No início, uma forte autocrítica e, depois, a aceitação de suas próprias limitações. Por exemplo, gosto de imaginar como um determinado objetivo poderia ser visto por outros olhos. Mais ou menos como se, em vez de fotógrafo, eu fosse um pintor. Alguns de meus últimos trabalhos estão se situando nesta linha.</p>
<p>Sobre esse tema, vale acrescentar que eu só me permiti tais exercícios após a entrada das câmeras digitais de captura de imagens, que todos chamamos simplesmente de digitais. Defendo que a fotografia tradicional, isto é, aquela que usa o filme ou o cromo, é &#8220;imexível&#8221;. Creio no conceito de &#8220;escrita com a luz&#8221; &#8211; quando a luz através da objetiva impregna ou emulsiona o filme absolutamente. Uma única via. Com as digitais, a história é outra: a mesma luz passa por um sensor subordinado a um software ou um firmware que impõe condições (que variam de digital, fabricante, modelo, etc.) não mais tão naturais quanto o método tradicional. Assim, se é algo que não foi a luz quem escreveu, que não é realmente o que foi capturado, por que não usar os mesmos sistemas e criar uma outra imagem mais ao meu gosto, ou talvez, como eu gostaria de vê-la? Esta minha argumentação, com certeza, não será aceita pelos &#8220;capturadores&#8221; de imagens digitais mas, que fazer? Não existe mais Inquisição!</p>
<p>Géh: Quando você tomou contato com a fotografia do nu artístico, e o que ela representa para você?</p>
<p>Derizans: Visitando a Feira do Palácio do Catete fui apresentado ao Góes, que expõe lá seus trabalhos em P&amp;B. Ele faz uma fotografia muito realista e, mesmo quando usa artifícios de iluminação, por exemplo, a liberdade da modelo não é tolhida. Como não gosto de estúdio, que é o campo mais usado por ele, propus que ele viesse à minha casa para analisarmos um workshop de fotografia de nus ao ar livre. A conseqüência foi que, até agora, fizemos três. Fotografar o nu feminino, para mim, é a possibilidade de conseguir fotografar o perfeito. As curvas, as sombras, os poros, a cor da pele, a vida que se sente dentro do corpo da modelo, tudo isso forma o perfeito. Mas o nu não é perfeito em função da juventude, beleza ou sensualidade que a modelo mostra. É perfeito para mim o que se consegue ver no rosto de uma modelo menos jovem, menos escultural, menos plástica. O perfeito é aquilo que eu vou conseguir alcançar quando a fotografia estiver pronta e aquelas coisas que chamam, geralmente, a atenção de quem olha para um nu deixarem de ser importantes. O que passou a ser importante é o contexto da obra em sua essência mais ampla. É única. É perfeita.</p>
<p>Géh: Como é o preparo de uma produção fotográfica de nu?</p>
<p>Derizans: Basicamente, é necessária uma interação completa de modelo e fotógrafo. Caso a comunicação entre os dois não seja a mais absoluta, não adianta nem tentar. Para mim o estúdio é cerceante. O modelo fica sujeito aos efeitos artificiais da iluminação e então a realidade fica descaracterizada. A luz ambiente, digamos assim, se integra ao modelo. A sombra do redor se mescla com as sombras das curvas do corpo e tudo fica mais suave, mais natural, mais autêntico. Em um estúdio é possível &#8220;mascarar&#8221; a realidade. Então, se a modelo não for uma pin-up, com uma luz aqui, outra ali, uma curva da anca mais ou menos acentuada, um seio meio que escondido, etc, eis aqui a imagem de uma mulher dentro dos padrões de beleza. Já ao ar livre, o bicho pega!</p>
<p>Géh: O que você faz para que uma fotografia de nu não se torne vulgar?</p>
<p>Derizans: Conseguir essa interação. E, quando o trabalho, ao término, conduzir o espectador à admiração do trabalho como um todo.</p>
<p>Géh: Como você propõe o projeto para a modelo? Já aconteceram recusas? Como quebrar o gelo inicial?</p>
<p>Derizans: São duas situações distintas: a modelo profissional e aquela mulher que quer ser fotografada, geralmente, para guardar uma lembrança, presentear o companheiro, se auto-afirmar. Nunca tive recusas. No segundo caso sou procurado por pessoas que já tomaram uma decisão. Sempre dou um documento que garante sigilo e compromisso de não divulgar o resultado a ninguém sob qualquer pretexto. Fotografo por partes. Primeiro vestida e, depois, como se fosse uma sessão de strip.</p>
<p>Géh: Você pode desenvolver um pouco mais suas idéias sobre a relação modelo-fotógrafo?</p>
<p>Derizans: Não pode deixar de ser de absoluta e total confiança. Seja uma profissional ou uma mulher que quer se ver fotografada. Nunca parto para uma sessão de fotos com uma não-profissional sem primeiro me encontrar com a modelo pelo menos duas vezes. É das conversas que mantivermos que vou saber como começar o trabalho. Uma senhora de meia-idade, mais do que disposta a ser fotografada precisou de três sessões vestida e meio vestida para poder tomar coragem. Com outra mais jovem, foi diferente. Não houve jeito. Esteve aqui por duas vezes e não conseguiu se despir. Nem quando veio com o marido. De qualquer forma, a confiança mútua é definitiva como caminho para uma sessão de fotos com sucesso.</p>
<p>Géh: Quanto tempo uma sessão fotográfica dura em média?</p>
<p>Derizans: Uma manhã ou uma tarde. Depende, pois como só faço ao ar livre, existe o problema da luz, sombras, etc.</p>
<p>Géh: Podemos afirmar que na mídia, em relação à imagem do corpo feminino, o que mais se vende é a da &#8220;mulher-objeto&#8221;. Na sua opinião porque esta &#8220;fome&#8221; deste tipo de representação?</p>
<p>Derizans: Pobreza. De certas mídias e de seus leitores.</p>
<p>Géh: Os fotógrafos iniciantes sempre querem saber dos profissionais qual é a dica mais essencial para um amador. Que conselhos você daria aos leitores que desejam iniciar na fotografia do nu?</p>
<p>Derizans: Procurem um bom professor e deixem a libido em casa quando forem fotografar.</p>
<p>Géh: Para conhecer melhor o seu trabalho, como o interessado pode se comunicar?</p>
<p>Derizans: aluizio.derizans@terra.com.br &#8211; 55 21 33225277 99755192</p>
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		<title>Pornografia, Erotismo e Arte: onde estão as fronteiras?</title>
		<link>http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/07/pornografia-erotismo-arte-onde-estao-as-fronteiras/</link>
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		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 15:46:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[edições 21 a 25]]></category>
		<category><![CDATA[erotismo]]></category>
		<category><![CDATA[pornografia]]></category>

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		<description><![CDATA[
<p>por Géssica Hellmann</p>
<p>No presente artigo farei uma introdução            aos limites entre arte e a pornografia, procedendo <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/07/pornografia-erotismo-arte-onde-estao-as-fronteiras/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p><em>por Géssica Hellmann</em></p>
<p>No presente artigo farei uma introdução            aos limites entre arte e a pornografia, procedendo uma breve revisão            teórica e expondo minha posição a respeito do tema.</p>
<p>O erotismo está presente nas manifestações            artísticas desde a Antiguidade, uma constante, inesgotável,            fonte de inspiração. Na Bíblia há várias            passagens relativas ao tema, referindo-se principalmente à prostituição.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><img title="Courtesan (1900) por Auguste Rodin" src="http://gehspace.com/edicao%2022%20imagens/auguste%20rodin.jpg" alt="Courtesan (1900) por Auguste Rodin" width="300" height="393" /><p class="wp-caption-text">Courtesan (1900) por Auguste Rodin</p></div>
<p>O Antigo Testamento nos revela um belíssimo exemplo          erotismo poético-literário em o &#8220;Cântico dos          Cânticos&#8221;:</p>
<p><em>Primeiro canto<br />
&#8220;<strong>Anseios de amor</strong></em></p>
<p><em>Sua boca me cubra de beijos!<br />
São mais suaves que o vinho tuas carícias,<br />
e mais aromático que teus perfumes<br />
é teu nome, mais que perfume derramado;<br />
por isso as jovens de ti se enamoram.<br />
Leva-me contigo! Corramos!<br />
O rei introduziu-me em seus aposentos.</em></p>
<p><em>Coro.<br />
Queremos contigo exultar de gozo e alegria,<br />
celebrando tuas carícias, superiores ao vinho.<br />
Com razão as jovens de ti se enamoram. &#8221;<br />
(&#8230;.)</em></p>
<p><em>Terceiro canto<br />
(&#8230;)</em></p>
<p><em>&#8220;<strong>Recanto de amor</strong></em></p>
<p><em>Ele.<br />
És um jardim fechado, minha irmã e minha noiva,<br />
uma nascente fechada, uma fonte selada.<br />
(&#8230;)&#8221;</em></p>
<p><em>&#8220;<strong>Apelo da amada</strong></em></p>
<p><em>Ela.<br />
Que entre meu amado em seu jardim<br />
para comer dos frutos deliciosos!</em></p>
<p><em>Ele.<br />
Já vou ao meu jardim, minha irmã e minha noiva,<br />
colher mirra e bálsamo,<br />
comer do favo de mel, beber vinho e leite.<br />
(&#8230;)&#8221;</em></p>
<p>Costa (2003), afirma que basta ter um mínimo de          leitura antropológica e observar a semelhança entre os cânticos          e ao estilo do antigo lírico-árabe, para notarmos que se          trata mesmo de amor entre homem e mulher.</p>
<p>A Igreja Católica contesta essa idéia afirmando          que, se fosse referente a um amor profano, não teria sido jamais          inserido nos livros das Escrituras. De acordo com a Igreja, os Cânticos          referem-se ao amor mútuo entre Deus e o fiel piedoso e que o racionalismo          moderno tentou despojá-lo dessa auréola divina, reduzindo          ao eco de simples amores profanos. (Bíblia Sagrada. São          Paulo: Paulinas, 1989. P. 716.)</p>
<p>O Brasil nasceu erótico. Desde o descobrimento,          o Novo Mundo era descrito com sedução e grande carga erótica,          principalmente no que se referia a nudez das índias no Brasil.</p>
<p>Silva (2005) afirma que &#8220;A sociedade escravista tinha          o homem branco como centro do poder e dono da moral&#8221;. Senhor do corpo          do escravizado, o patriarca esmerou-se em construir uma imagem &#8216;para inglês          ver&#8217; e, outra, para satisfazer-se. Do outro escravizado, fez seu objeto          de prazer, enquanto defendia-se de sua culpa com um forte moralismo, auxiliado          pelo aparato religioso.</p>
<p>Prossegue o autor: &#8220;Com a hipocrisia fundamentada,          a pulsação erótica trabalhou no sentido de elaborar          sua vingança. Realizou-se como sátira. Termos ligados ao          sexo adquiriram significados fortemente agressivos que, até hoje,          servem aos objetivos de uma sexualidade reprimida e por isso problemática.&#8221;</p>
<p>O erotismo na Literatura Brasileira adotou aspectos resultantes          da &#8220;moral e bons costumes&#8221; ao estilo do &#8220;faça o          que digo mas não o que faço&#8221;. Era comum entre os autores          que falavam sobre sexo, em suas poesias, usarem pseudônimos.</p>
<p>Silva (2005) afirma ainda que, na produção          erótica, não houve grandes avanços poéticos          na passagem para o século XX. As dificuldades de expressão          permaneceram. Foi encontrada a forma da malandragem para permitir o trânsito          da vertente erótica. &#8220;Macunaíma&#8221; é um exemplo,          em que encontra-se o uso de eufemismos como &#8220;brincar&#8221; para significar          a relação sexual.</p>
<p>Tabus e preconceitos estão presentes fortemente          em nossa cultura. E são incentivados, principalmente, pelos que          estão no &#8220;poder&#8221;, seja Igreja ou Estado, tendo como principal          objetivo o controle através da sexualidade.</p>
<p>Como escritora de poemas eróticos, sofri preconceitos.          Algumas pessoas claramente me viam como devassa, promíscua, garota          de programa, entre outros rótulos. Estudar a sexualidade humana          nos permite reconhecer mitos sexuais, entender e mitigar esse tipo de          preconceito.</p>
<p>Sabemos que não é fácil abordar o          sexo sem cair na vulgaridade. Segundo a escritora Ariadna Garibaldi &#8220;é          difícil falar porque a linha que separa o sensual do vulgar é          muito tênue&#8221;.</p>
<p>Denomino essa linha tênue de &#8220;andar no fio da          navalha&#8221;. Poder falar sobre sexualidade sem cair na pornografia.          Tabus e preconceitos existem, negar é hipocrisia. Falar sobre o          &#8220;sexo&#8221; ou algo relacionado ao &#8220;órgão sexual&#8221;          é sempre complicado. Mas o que vem ser o órgão sexual,          se não um órgão como qualquer outro do corpo humano?          Estômago, fígado, pulmão, genitália: no final,          tudo &#8220;é pó e ao pó reverterá&#8221;.</p>
<p>Nas artes plásticas, o ato sexual se manifesta historicamente          na arte. Renomados artistas, tais como Fragonard, Picasso, Paul Gauguin,          Gustave Courbet, Dali, Di Cavalcanti, entre outros, retratam a sexualidade,          o corpo humano nu e o ato sexual em si.</p>
<p>O pintor polonês Balthasar Klossowski de Rola define          erotismo e afirma nada ter a ver com pornografia: &#8220;As formas de uma          jovem ou uma adolescente são puras, ainda intactas (&#8230;) O erotismo          nada tem a ver com o desejo sexual, muito menos pornografia. Penso que          o erotismo, que se encontra nos meus quadros, está na vista, no          espírito ou na imaginação da pessoa que os observa&#8221;          (ALCANTARA, 2005). Entretanto, nossa cultura ensina que a imagem do corpo          humano nu e, particularmente, experimentando prazer sexual, é &#8220;pornográfica&#8221;.</p>
<p>Segundo Lins (2005), na Inglaterra, há pouco mais          de cem anos, as pernas de piano tinham de ser cobertas com capas para          não excitar os homens por sua semelhança com as pernas femininas.          A moral vitoriana tentava controlar tudo o que considerava pornográfico.          Pode parecer absurdo, mas até o vocabulário teve que mudar.          Palavras como &#8220;suor&#8221;, &#8220;gravidez&#8221; e &#8220;sexo&#8221;,          tiveram de ser substituídas por termos mais evasivos. As mulheres          passaram a descrever o local da dor para os médicos apontando para          um ponto semelhante numa boneca. Qualquer parte do corpo entre o pescoço          e os joelhos passou a ser chamado de &#8220;fígado&#8221;.</p>
<p>Para Mesquita (2005) (psiquiatra, dramaturgo e colaborador da curadoria          da exposição Erotica), na arte, o sentido que as coisas          têm é aquele que o olhar de cada um lhes empresta. Em última          instância, o sentido da vida é o sentido que emprestamos          a ela. Ele afirma que o erotismo não é definido satisfatoriamente          em dicionários de várias línguas, dentre elas a portuguesa.          A julgar pelas reações individuais, a maioria das pessoas          parece saber que os limites do erotismo existem, embora quase ninguém          saiba precisar onde eles se situam. A simples menção do          termo &#8220;erótico&#8221; provoca, na melhor das hipóteses,          algo parecido com &#8220;entusiasmo cuidadoso&#8221;: o sujeito tem seus          ânimos excitados, mas teme os excessos e a &#8220;queda no abismo&#8221;          da pornografia.</p>
<p>A psicanalista Miriam Chnaiderman diz que, na arte erótica,          ela localiza o resgate do olhar, enquanto, na pornografia, atua a visão,          &#8220;função fisiológica do olho&#8221;. A &#8220;visão&#8221;          é definida como o contexto em que o olhar se desenvolve. A visão          se move do eu para a coisa, enquanto o olhar é um ato provocado          por uma imagem de algo que vem até nós. O olhar é          despertado fora de nós, surge quando somos cegados por um foco          de luz, que pode vir do espelho, de uma outra pessoa ou de um quadro.          Essa luz põe em andamento algo no inconsciente, enquanto o eu fica          confuso e ofuscado. Para ela, toda arte é erótica, pois,          se não for violação, não é arte (RIVITTI,          2005).</p>
<p>Para Girolamo (2005), o erotismo está sempre se          transformando, abrindo nossas percepções a novas experiências          sensoriais. Todos sonham com uma imagem idealizada do feminino ou do masculino,          é nossa imaginação trabalhando, criando imagens,          um quadro no nosso espírito. Uma imagem erótica vale milhões          de palavras, não só pelo seu valor descritivo, mas principalmente          pelo seu valor simbólico. Os instrumentos da fantasia consistem          também no conteúdo mas seu foco principal é na forma.          Recorre à alegoria, à expressão facial, para sugerir          significados, para evocá-los através de elementos visuais,          como traço, cor e composição.</p>
<p>No âmbito do Direito Brasileiro, encontramos, sobre          o tema &#8220;pornografia&#8221;, uma decisão do Supremo Tribunal          Federal:</p>
<p><em>&#8220;Obscenidade e pornografia. O direito constitucional          de livre manifestação do pensamento não exclui a          punição penal, nem a repressão administrativa de          material impresso, fotografado, irradiado ou divulgado por qualquer meio,          para divulgação pornográfica ou obscena, nos termos          e forma da lei. À falta de conceito legal do que é pornográfico,          obsceno ou contrário aos bons costumes, a autoridade deverá          guiar-se pela consciência de homem médio de seu tempo, perscrutando          os propósitos dos autores do material suspeito, notadamente a ausência,          neles, de qualquer valor literário, artístico, educacional          ou científico que o redima de seus aspectos mais crus e chocantes.          A apreensão de periódicos obscenos cometida ao Juiz de Menores          pela Lei de Imprensa visa à proteção de crianças          e adolescentes contra o que é impróprio à sua formação          moral e psicológica, o que não importa em vedação          absoluta do acesso de adultos que os queiram ler. Nesse sentido, o Juiz          poderá adotar medidas razoáveis que impeçam a venda          aos menores até o limite de idade que julgar conveniente, desses          materiais, ou a consulta dos mesmos por parte deles&#8221;.<br />
(BRASIL, Supremo Tribunal Federal, Recurso em Mandado de Segurança:          RMS-18534, Segunda Turma, Relator: Ministro Aliomar Baleeiro, 1/10/1968.)</em></p>
<p>Pode-se perceber que, mesmo no âmbito da legislação,          não está clara a definição de pornografia,          ou seja, quem define o que é ou não pornográfico          é o juiz, de acordo com a sua visão subjetiva e arbitrária.</p>
<p>Para Girolamo (2005), na sociedade moderna, a pornografia          passou a se diferenciar do erotismo nos aspectos estéticos e éticos,          no conteúdo mais explícito da pornografia e mais implícito          do erotismo, no reforço pornográfico da relação          genital sem envolvimento, sem compromisso e sem afeto, apenas enfatizando          o prazer solitário masturbatório, evitando o requinte artístico,          a profundidade e o clima de paixão e enamoramento sempre presentes          no erotismo.</p>
<p>Mesmo nos períodos de forte repressão, como          a chamada Idade Média européia, em que aprendemos ter sido          de predomínio da Igreja Católica, houve significativa manifestação          do erotismo. Tabus enraizados passam de geração a geração.          A melhor maneira de quebrar esses tabus é a informação.          Mas qual o limite entre arte e pornografia? Arte na minha opinião          é uma forma de expressão cultural da beleza. O que inclui          o corpo e o ato sexual em si. Já a pornografia, reduz o corpo e          o ato sexual a um simples objeto com a única finalidade de masturbação.</p>
<p><strong>Referências Bibliográficas</strong></p>
<p>ALCÂNTARA , Marco-Aurélio de. <strong>Estética          de Brennand repercute</strong>. Disponível em: &lt; http://www.pernambuco.com/diario/2004/05/12/viver3_0.html          &gt; . Acessado em: 14 dez. 2005.</p>
<p><strong>BÍBLIA SAGRADA</strong>. São Paulo:          Paulinas, 1989. P. 716</p>
<p>COSTA, Flávio Moreira da. <strong>As 100 melhores          histórias eróticas da literatura universal</strong>. Rio          de Janeiro: Ediouro, 2003.</p>
<p>GIROLAMO, Fabiano Puhlmann Di. <strong>Erotismo e Pornografia</strong>.          Disponível em: &lt; http://www.revistapsicologia.com.br/materias/pontoDeVista/erotismo_porno.htm          &gt;.<br />
Acessado em: 14 dez. 2005.</p>
<p>LINS, Regina Navarro. <strong>Erotismo ou pornografia?</strong> Disponível em: &lt; http://www.casadobruxo.com.br/poesia/r/reginan10.htm          &gt;. Acessado em: 14 dez. 2005.</p>
<p>MARZOCHI, Marcelo De Luca. <strong>Pornografia na Internet</strong>. Disponível em: &lt; http://64.233.187.104/search?q=cache:AL5ze6wo6UgJ:https://www.agu.gov.br/Publicacoes/artigos/&#8230;&gt;.<br />
Acessado em: 14 dez. 2005.</p>
<p>MESQUITA, Reinado. <strong>A Erótica</strong>. Disponível          em: &lt; http://www.bb.com.br/appbb/portal/bb/ctr/art/ArtigoCompl.jsp?Artigo.codigo=1504          &gt;. Acessado em: 10 dez. 2005.</p>
<p>RIVITTI, Thais. <strong>Erotismo na era virtual</strong>.          Disponível em: &lt; http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/2673,1.shl          &gt; . Acessado em: 14 dez. 2005.</p>
<p>SILVA, Luís. <strong>Poesia erótica nos cadernos          negros</strong>. Disponível em: &lt; http://www.quilombhoje.com.br/ensaio/cuti/ensaioCuti.htm          &gt; . Acessado em: 14 dez. 2005.</div>
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