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	<title>Sexualidade by géh &#187; edições 21 a 25</title>
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	<description>Sexualidade: artigos de pesquisa e entrevistas</description>
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		<title>Sexualidade nos manuais de confessores dos séculos XVI e XVII &#8211; Parte II</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 16:27:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 21 a 25]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e política]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Géssica Hellmann</p>
<p class="wp-caption-text">Litografia atribuida a Achille Devéria (1848)</p>
<p>Como continuação do artigo anterior,          este texto apresenta a idéia <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/07/sexualidade-manuais-confessores-seculos-xvi-e-xvii-parte-ii/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Géssica Hellmann</em></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><img title="Litografia atribuida a Achille Devéria (1848)" src="http://gehspace.com/edicao%2025%20imagens/dev6.jpg" alt="arte sexualidade" width="300" height="271" /><p class="wp-caption-text">Litografia atribuida a Achille Devéria (1848)</p></div>
<p>Como continuação do <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/07/sexualidade-nos-manuais-de-confessores-dos-seculos-xvi-e-xvii/">artigo anterior</a>,          este texto apresenta a idéia aventada na obra de Ângela Mendes          de Almeida (1993) de que os manuais de confessores costituíram          um novo &#8220;gênero literário&#8221;, principalmente no que          se refere à Literatura Portuguesa. Abordaremos também as          classificações da luxúria em uma sociedade patriarcal e as diferenças quanto ao significado de certas palavras e expressões          empregadas nesses manuais em comparação ao seu uso contemporâneo.</p>
<p><strong>Manuais de confessores &#8211; um novo gênero literário?</strong></p>
<p>Ao que parece, a Igreja assimilou a crítica          burguesa sobre o caráter imoral dos manuais e tentou apagar e omitir          de seus anais as marcas dessa copiosa literatura. Em Portugal, a lista          de títulos encontrados é extensa, segundo a autora, totalizando          em 82 edições. A literatura é caracterizada pelo          estilo francamente &#8220;desabusado&#8221;, mesmo para os olhares de nossa          geração, com tons que se aproximam, apesar da intenção          piedosa, das atuais publicações pornográficas. Outro          traço marcante no conjunto dessas obras é o papel decisivo          concedido ao pensamento, ou seja, à intenção, à          vontade e ao desejo. Pensamentos de luxúria equivaliam a um ato          de luxúria,          na maior parte das vezes não havendo distinção entre          o desejo e o ato.</p>
<p>Para Azpilcueta Navarro, &#8220;os pecados por vontade,          por palavra e por obra são de uma mesma espécie (&#8230;) por          conseguinte, o estupro mental, que é a vontade de ter cópula          carnal com virgem, será da mesma espécie que o estupro real,          que é a cópula.&#8221; (ALMEIDA, 1993:66)</p>
<p>No caso do &#8220;confessor sedutor&#8221;, discutia-se se          ele era obrigado a confessar apenas &#8220;fornicação&#8221;,          ou &#8220;fornicação com a penitente&#8221;. Discutia-se também          se a mulher seduzida deveria ser obrigada a denunciar o fato e, ainda,          a declarar o nome do sedutor. O fato ameaçava de tal modo a hierarquia          que a Inquisição de Roma chamou para si o processo contra          os padres culpados. As penas eram, em geral, mais leves do que para outros          campos da sexualidade: a reclusão em mosteiros e a proibição          de confessar mulheres.</p>
<p>A presença obsessiva do &#8220;pecado&#8221; enquanto          desejo é testemunho vivo de quanto os homens sentiam-se martirizados          por ter que reprimir o sexo e dominar as vozes da paixão.</p>
<p>Outro fato marcante presente nos manuais portugueses é          a que mostra claramente como toda vida moral girava em torno de uma idéia          contratual subentendida, que aparece sobre forma de promessa acordada          entre as partes, cuja ruptura é um delito e um pecado, porque não          corresponderia à &#8220;justiça&#8221;. No casamento, na família          e na sexualidade esse contrato estava, na maior parte das vezes, ligada          ao patrimônio.</p>
<p><strong>Luxúria</strong></p>
<p>Se o casamento é a ordem, a luxúria seria          a desordem, a paixão desenfreada, conduzida pelos sentidos, vizinha          da loucura. A luxúria era classificada em: &#8220;simples fornicação&#8221;,          &#8220;incesto&#8221;, &#8220;estupro&#8221;, &#8220;rapto&#8221;, &#8220;adultério&#8221;,          &#8220;sacrilégio&#8221; e &#8220;contra a natureza&#8221;.</p>
<p>O título de &#8220;simples fornicação&#8221;          introduz a idéia que as outras fornicações são          complexas, ou seja, cujas circunstâncias as agravam e complicam,          envolvendo direitos relativos a patrimônio ou relações          com a hierarquia da Igreja.</p>
<p>O &#8220;incesto&#8221; tinha significado um pouco diferenciado          do atual. Naquela época, o incesto era quase tudo: o casamento          ou simples relação sexual entre pessoas &#8220;parentes&#8221;          até quarto grau. Porém, cabe diferenciar o sentido dado          ao parentesco. Havia três tipos: &#8220;o espiritual&#8221;, resultante          de batismo ou crisma; o &#8220;parentesco legal&#8221;, de uma pessoa que          adotava uma criança ou tornava-se sua tutora, transformando-se          em parente do adotado; e, por fim, o &#8220;parentesco carnal&#8221;, dividido          entre o &#8220;consangüíneo&#8221; e o &#8220;carnal por afinidade&#8221;,          em que se tornavam parentes pessoas tivessem mantido cópula fora          ou dentro do casamento.</p>
<p>Um exemplo de incesto carnal por afinidade, é o          caso de dois irmãos que mantivessem relações sexuais          com uma mesma prostituta. O que mantivesse por último estaria praticando          incesto.</p>
<p>No caso de uma relação sodomítica,          ou seja, que o &#8220;sêmen&#8221; do homem e da mulher não          se misturassem, não era considerado incesto. Um pai que mantivesse          com a filha, irmã ou outro parente este tipo de relação          não era considerado culpado de incesto mas de pecado por sodomia.</p>
<p>A relação incestuosa que mais era abordada          nos manuais era a &#8220;carnal por afinidade&#8221;, o que reforça          a idéia de que as regras de incesto foram essencialmente um meio          de a Igreja organizar a atividade matrimonial das famílias sobre          a sua égide.</p>
<p>O &#8220;estupro&#8221; era considerado toda a fornicação          com virgem, reservando-se a palavra &#8220;rapto&#8221; o sentido de relação          forçada, quando acompanhada de seqüestro. Mas havia também          a possibilidade de resistência da virgem e haver &#8220;estupro&#8221;          no sentido atual da palavra. No tratamento dado a este pecado admitia-se          ser difícil definir onde terminava a sedução e onde          se iniciava a violência, ou seja, os limites quanto ao consentimento          da virgem.</p>
<p>No caso do estuprador por &#8220;rapto&#8221;, ele estava          roubando o patrimônio do proprietário da &#8220;flor&#8221;,          o pai, na maioria das vezes. Ele deveria pagar casando-se ou pagando um          dote conforme a condição social da jovem. Caso fosse provado          que a jovem consentiu, o estuprador estava desobrigado a pagar o que quer          que fosse.</p>
<p>Conforme visto no artigo anterior, só bem tarde          a Igreja conseguiu impor a oficialidade do casamento religioso, tornando-se,          a partir daí, nulos os casamentos realizados clandestinamente.          Os chamados &#8220;casamentos clandestinos&#8221; eram os casamentos contratuais          realizados sem o consentimento paterno e aos esponsais que ilicitamente          entregavam-se a coabitação e a cópula sem anterior          casamento na presença do padre.</p>
<p>O termo &#8220;divórcio&#8221; também possuía          um significado diferente do atual. A única dissolução          que possibilitava um novo casamento era a anulação do anterior.          Com a anulação, dava-se o direito de separação          de leitos e de casas. Em geral, admitia-se que a mulher tinha o direito          de se separar em caso de crueldade ou de adultério do marido, mas          muitos manuais, só concediam esse direito ao homem em relação          adultera; quanto à mulher, não era de seu ofício          corrigir os atos do marido.</p>
<p>Quanto à paternidade, os filhos deviam amor, obediência          e cuidado aos pais, mas não deviam deixar de delatá-los          à Inquisição em caso de heresia ou traição          ao rei. Na verdade, a relação entre pais e filhos envolve          respeito e obediência por parte dos filhos, e cuidado e assistência          por parte dos pais. Os deveres atribuídos ao pai estendiam-se também          aos criados, escravos e a esposa, ilustrando-se assim a figura da família          patriarcal.</p>
<p>O adultério era um fator de alto poder desorganizador          na circulação dos patrimônios. Caso o adultério          resultasse no nascimento de uma criança, o filho adulterino estaria          extorquindo a &#8220;fazenda&#8221; do marido e de seus herdeiros legítimos.          Neste caso, era determinado que o adúltero restituísse o          marido nos gastos com a criação da criança.</p>
<p>Era considerado pecado e contra a lei civil que os filhos          adulterinos, de incesto ou de relações com religiosos, fossem          constituídos herdeiros.</p>
<p>O adultério feminino constituía violação          do contrato matrimonial, um &#8220;roubo da honra&#8221;. Quando era o homem          que traia a esposa, mesmo que publicamente, estava-se diante de uma desordem          que, no entanto, não atingia a integridade do patrimônio.          Para esta traição usava-se o termo &#8220;mancebia&#8221;,          assimilado à fornicação com escravas, criadas e prostitutas.          A &#8220;mancebia&#8221; era vista como um mal menor, o que permite perceber          que a desigualdade entre os sexos na sociedade patriarcal envolvia principalmente          questões ligadas ao poder econômico.</p>
<p>Outro ponto levantado nos manuais era o aborto. Em principio,          ele era assimilado ao homicídio, desde que a criatura tivesse &#8220;alma          racional&#8221;. Caso contrário, tratava-se de um &#8220;homicídio          imperfeito&#8221;. Naquela época, entendia-se que os fetos possuiriam          alma racional a partir de 40 dias. Existia uma certa tolerância          em relação ao aborto desde que realizado para salvar a vida          da mãe.</p>
<p>Era obrigatório pagar o &#8220;débito conjugal&#8221;          para a continuidade patrimonial (a cópula com finalidade reprodutiva).          Por esse motivo, a Igreja esmiuçava no mais íntimo a sexualidade          dos casados. Poderia se justificar a negação em caso de          menstruação, parto recente, doença contagiosa, ou          em caso de adultério do outro. Alguns manuais se colocavam contra          a relação sexual com o homem sentado, em pé ou com          a mulher sobre ele. No caso de impotência, tanto de homem quanto          da mulher (&#8220;mulher estreita&#8221;) poderia se recorrer ao médico,          desde que não fosse comprovada a intercessão de feitiçaria.</p>
<p>O tom dos &#8220;pecados de sodomia e polução&#8221;,          revelavam o horror e o escândalo, mesclados, no entanto, com imagens          medievais fantasmagóricas e com ingênua curiosidade. A &#8220;sodomia&#8221;          é abordada com indignação, quer trate-se de homem          com mulher ou de homem com outro homem, sendo esta última sempre          relacionada ao ato sexual com as &#8220;bestas&#8221; ou à relação          homossexual feminina. Nos manuais, eram discutidas também as carícias:          se fossem em sinal de amor, eram lícitas, mas se fossem efetuadas          &#8220;por leviandade&#8221; eram pecados mortais. Os manuais tinham uma          verdadeira obsessão quanto ao tema polução, sendo          este estendido tanto para a ejaculação espontânea          quanto à provocada manualmente.</p>
<p><strong>Conclusão</strong></p>
<p>A perspectiva de reconstituir a maneira pela qual eram          entendidas as questões relativas à sexualidade nos séculos          XVI e XVII, no seio da família sugeriu conclusões, segundo          a autora, que remetem ao próprio quadro de raciocínio que          estruturava decisões e alimentava angústias.</p>
<p>Na mesma medida em que quase toda manifestação          da sexualidade era considerada pecaminosa, quase nada podia, efetivamente,          ser considerado um pecado grave. Havia, na verdade, uma banalização          da falta de moral, um despojamento de seu lado trágico. Um exemplo          é o incesto, que, na época, apesar de ser considerado pecado,          era menos grave do que o valor que atribuímos a ele hoje. Um pecado          realizado sem a intenção era menos grave do que uma intenção          formulada em abstrato sem a capacidade de realização. Todos          poderiam alegar que &#8220;foi sem querer&#8221;, ou que &#8220;não          foi por mal&#8221;. O desejo era desenhado com descrições          detalhadas, classificatórias, nuas e cruas.</p>
<p>Outro ponto que me atrevo a destacar, ao repensar as idéias          da autora, que em certos problemas sexuais &#8220;poderia se recorrer ao          médico, desde que não fosse caso de feitiçaria&#8221;.          Fico a imaginar onde estaria o limite entre o que era considerado feitiçaria          na época da Inquisição, ou a partir de quando a Ciência          tomou pra si parte do controle da &#8220;intimidade das pessoas&#8221;.          Vale ressaltar também, que a Inquisição, em diferentes          épocas e lugares, teve características e até objetivos          diferenciados, e que neste artigo, estamos somente abordando a Inquisição          ocorrida em Portugal entre os séculos XVI e XVII. Essas constituem          lacunas que me proponho a estudar com maior minúcia posteriormente.</p>
<p><strong>Referência Bibliográfica:</strong></p>
<p>ALMEIDA, Ângela Mendes de. <strong>O gosto do pecado:          casamento e sexualidade nos manuais dos confessores dos séculos          XVI e XVII.</strong> Rio de Janeiro: Rocco, 1993, 2a ed.</p>
<p>Géh na Mídia &#8211; Programa Actualidade</p>
<p><strong>Dia 07/01/2006, TV CIDADE (Joinville)<br />
NET: canal 20 | Viamax: canal 28 </strong></p>
<p><strong>Às 13:00 &#8211; Entrevista com Géssica          Hellmann sobre o Géh!</strong></p>
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		<title>Sexualidade nos manuais de confessores dos séculos XVI e XVII</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 16:16:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
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		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e política]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Géssica Hellmann</p>
<p class="wp-caption-text">Saloon-Keepers, Gamblers and Criminals on the way to confession Fonte:http://bettnet.dyndns.org/gallery/anticatholic/source/confession.html</p>
<p>A intenção deste artigo é dar continuidade         <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/07/sexualidade-nos-manuais-de-confessores-dos-seculos-xvi-e-xvii/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Géssica Hellmann</em></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 398px"><img title="Saloon-Keepers, Gamblers and Criminals on the way to confession Fonte:http://bettnet.dyndns.org/gallery/anticatholic/source/confession.html" src="http://gehspace.com/edicao%2024%20imagens/confession.jpg" alt="Saloon-Keepers, Gamblers and Criminals on the way to confession&lt;br /&gt; Fonte:http://bettnet.dyndns.org/gallery/anticatholic/source/confession.html" width="388" height="270" /><p class="wp-caption-text">Saloon-Keepers, Gamblers and Criminals on the way to confession Fonte:http://bettnet.dyndns.org/gallery/anticatholic/source/confession.html</p></div>
<p>A intenção deste artigo é dar continuidade          ao estudo do &#8220;controle da sexualidade&#8221; desempenhado pelo &#8220;Poder          e pela Igreja&#8221; sobre a população, com fins políticos          e econômicos, principalmente entre os séculos XVI e XVII,          utilizando como fonte os primeiros capítulos do livro &#8220;O gosto          e o pecado&#8221; da autora Ângela Mendes de Almeida.</p>
<p>A seguir, apresentaremos o sentido da confissão,          os motivos que levaram a Inquisição para Portugal e, em          conseqüência, às suas colônias, bem como as definições          de &#8220;crime&#8221; e &#8220;pecado&#8221;, especialmente no que se refere          à sexualidade.</p>
<p>É interessante ressaltar que a confissão          nem sempre existiu entre os cristãos; pelo menos, não enquanto          obrigatoriedade ou sacramento. Desde o século XII, os defensores          da confissão esforçavam-se para encontrar nas Escrituras          indícios de que a confissão privada ao padre sempre havia          existido, justificando a confissão como um sacramento.</p>
<p>O historiador Henry Charles Lea, segundo Almeida (1993),          afirma que, nos tempos da Igreja primitiva, era a eucaristia que exercia          sobre os pecadores o poder de controle, reservando-se a Deus o poder de          absolver os pecados. Os pecados, nessa época, eram de &#8220;foro          externo&#8221;, ou seja, públicos; não havia distinção          entre crime e pecado. A Igreja, paralelamente aos tribunais civis, detinha          o poder de julgar delitos. Somente a partir do século XIII, com          o Concílio de Trento, a confissão tornou-se um sacramento.</p>
<p>A introdução dos &#8220;Confessionais&#8221;          está diretamente ligada à evolução da Igreja.          A partir do século XVII, alguns setores sociais imbuídos          de um puritanismo que viria a ser adotado posteriormente pela burguesia,          consideravam escandaloso o estilo franco com que os manuais tratavam dos          temas da sexualidade, um verdadeiro &#8220;convite ao pecado feito às          almas inocentes&#8221;.</p>
<p>Tanto a legislação quanto as regras religiosas,          abordavam os mesmos temas. Quase toda prática sexual era, ao mesmo          tempo, &#8220;crime&#8221; e &#8220;pecado&#8221;: mancebia, incesto, adultério,          aborto, estupro, sodomia, polução, etc. Uma das questões          sensíveis nos manuais religiosos era quanto à intenção          ou ao desejo durante o ato, tornando o pecado mais grave, ou mais leve,          conforme o caso. O ideal de vida integrava uma vigilância constante          sobre os excessos dos sentidos do corpo.</p>
<p>Na transição da confissão pública          para a vida privada, o &#8220;foro íntimo&#8221;, permanecia o hábito          de recomendar a denúncia dos pecados alheios. Muitos foram os fatores          concretos para esta transição. Um deles foi o medo do pecador          de ser condenado civilmente por seu delito. Casos como adultério          da esposa, cuja punição era a sua morte e a do amante, eram          contra-indicados para a confissão pública.</p>
<p>As novas funções do clero e as diversas modificações          nas regras de comportamento dos cristãos proporcionaram o surgimento          de uma vasta literatura religiosa: os manuais de confessores.</p>
<p>Os detalhamentos desses manuais criavam polêmica          em fins do século XVIII e no século XIX, com o escabroso          e minucioso detalhamento dos delitos. Na época, os confessores          deviam interrogar o penitente através de uma lista detalhada de          pecados, enunciando todas as probabilidades contidas nos dez mandamentos,          nos sete pecados capitais, nos &#8220;abusos&#8221; dos cinco sentidos e          nos pensamentos. A preocupação da Igreja era tanto com os          penitentes quanto aos confessores, que poderiam se excitar durante o interrogatório.</p>
<p>Os manuais eram caracterizados pela casuística (estudos          de caso) e pelo probabilismo. O probabilismo, embora ancorado em posições          filosóficas e morais, tornava-se cada vez mais polêmico,          pois a doutrina probabilística permitia ao pecador, em caso de          dúvida quanto à obrigação de cumprir uma norma          ditada pelas leis religiosas, não cumpri-la, segundo uma opinião          provável, ou seja, que tivesse partidários respeitáveis.          Outro problema era a intenção. Sua existência era          verificada no confessionário, tornando-se usual só considerar          pecado o ato intencional. Assim o probabilismo e casuística vieram          a ser sinônimos, de condescendência para com os pecadores,          quando não de venialidade na concessão da absolvição,          mediante favores, segundo críticos da época.</p>
<p>Entre outros temas, probabilismo foi empregado principalmente          na aplicação de normas referentes à sexualidade,          à família e ao casamento.</p>
<p>O levantamento minucioso e ordenado das situações          pecaminosas possíveis, associados a difusão da imprensa,          criaram um novo gênero literário.</p>
<p>Paralelamente ao catolicismo, na resposta aos protestantes,          funda-se a ordem religiosa &#8220;Companhia de Jesus&#8221;, simbolizando          nos séculos seguintes a nova vertente cristã, do livre-arbítrio,          e por fim a confissão ganha seu perfil moderno de diálogo          privado.</p>
<p>Os manuais dos confessores pode ser considerado um fenômeno          imerso no século XVI católico, meridional e, em certa medida          ibérico, principalmente quando se pensa na contra-reforma como          uma instituição hegemonizada pelos jesuítas.</p>
<p>Segundo Almeida (1993), o movimento da Inquisição          em Portugal, visava espoliar a fortuna dos &#8220;cristãos-novos&#8221;,          comerciantes em sua grande maioria, e quebrar a supremacia ascendente          da burguesia comercial, da qual a maioria era judia. Outros objetivos          eram o de coibir a vida intelectual e científica &#8211; cujo florescimento          humanista tinha como personagens centrais os &#8220;eramistas&#8221; (luteranos)          &#8211; e o de policiar a sociabilidade e a sexualidade das populações.          A intromissão na vida íntima das populações          eram compartilhadas de modo geral pelas monarquias e pelas sedes episcopais.</p>
<p>Como vimos anteriormente, o objetivo político está          subentendido principalmente quando se fala em &#8220;coibir a vida intelectual          e científica&#8221;. Um povo pensante e questionador? Seria totalmente          contrário aos ideais de controle de uma nação.</p>
<p>A definição de crime e pecado estava diretamente          ligada à condição social da vítima. Todas          as penas eram estabelecidas segundo esta condição: agravava-se          se o acusado era de condição social inferior à da          vítima. Mais uma vez, se vê implícita a questão          econômica.</p>
<p>O casamento, antes de ser considerado um sacramento, era          muito mais um contrato, em que o noivo comprava a noiva e pagava os dotes          ao seu pai. Como o casamento era considerado uma circulação          de patrimônio, caso houvesse a &#8220;infecundidade da mulher&#8221;,          o casamento poderia ser dissolvido. Era contra isso que a Igreja lutava,          tentando introduzir o casamento eclesiástico e indissolúvel.</p>
<p>A Igreja, sem forças para agir diretamente, estabeleceu          regras de incesto que atingiam parentes até de sétimo grau,          com a intenção de manter o controle sobre a instituição          do casamento.</p>
<p>A Igreja também ocupava-se de vários delitos          relativos ao casamento, definindo punições desde a morte          por &#8220;tormento&#8221;, o degredo (exílio), os açoites,          entre outros. A bigamia era punida com a morte do homem e da mulher bígamos.</p>
<p>O adultério feminino era punido com a morte, a não          ser que o amante fosse de uma classe social superior à do marido.          O marido tinha o direito de perdoar a mulher em favor do matrimônio;          neste caso, o amante seria apenas degredado.</p>
<p>Eram punidas também as relações do          homem com a mãe, filha, irmã, nora, cunhada, madrasta, enteada,          sogra, tia, prima até o quarto grau, mesmo que viúvas. As          penas atingindo aos dois envolvidos variavam entre degredo, execução          e morte pelo &#8220;fogo em pó&#8221; (o condenado era queimado vivo).          A mulher poderia ser perdoada se tivesse menos que 13 anos ou delatasse          o homem.</p>
<p>A princípio, a Igreja não punia gravemente          a união entre dois solteiros livres (denominada como &#8220;fornicação          simples&#8221;): geralmente, a &#8220;pena&#8221; era o casamento, desde          que não estivesse impedido pelo incesto.</p>
<p>No caso dos barregueiros casados, que tinham &#8220;barregã          teúda e manteúda&#8221; (1), a pena era de degredo e o pagamento          da quadragésima parte de seus bens. Já a pena para as barregãs          de homens casados, era o açoite público e o pagamento da          metade que tinha sido paga pelo barregão. No caso de barregãs          de religiosos, a mulher deveria pagar multas e ser degredada, ficando          implícito que a Igreja puniria os clérigos envolvidos.</p>
<p>A repressão à sexualidade ia muito mais além,          violando a intimidade, ao legislar penas para os que cometem pecado de          sodomia, para mulheres que umas com as outras praticavam o &#8220;pecado          contra natura&#8221; (2), para os que carnalmente tivessem ajuntamento          com alguma &#8220;alimária&#8221; (3), e para pessoas que, com outra          do mesmo sexo, cometessem o pecado de &#8220;molície&#8221; (4).          A pena para sodomia era a mais grave: as condenações eram          pelo &#8220;fogo em pó&#8221;, tendo todos os bens confiscados e          seus descendestes considerados inábeis e infames. A legislação          também previa recompensas para as pessoas que delatassem esses          pecados e delitos, que poderiam chegar até a metade da multa ou          dos bens confiscados. Como podemos perceber, as multas podem ser entendidas          como mais um objetivo econômico.</p>
<p>Podemos perceber que quase todos os tópicos eram simultaneamente          considerados delito e pecado e pouco se diferenciavam entre a legislação          civil e as normas religiosas, e todas, no fundo, apresentavam objetivos          de controle da população.</p>
<p>Notas:<br />
(1) &#8220;Concubina tida e mantida por longo tempo&#8221;.<br />
(2) Eufemismo para &#8220;lesbianismo&#8221;.<br />
(3) Sexo com animais, &#8220;zoofilia erótica&#8221;.<br />
(4) Eufemismo para &#8220;sensualidade homossexual&#8221;.</p>
<p><strong>Referência Bibliográfica:</strong></p>
<p>ALMEIDA, Ângela Mendes de. <strong>O gosto do pecado:          casamento e sexualidade nos manuais dos confessores dos séculos          XVI e XVII.</strong> Rio de Janeiro: Rocco, 1993, 2a ed.</p>
<p>Géh na Mídia &#8211; Programa Actualidade</p>
<p><strong>Dia 07/01/2006, TV CIDADE (Joinville)<br />
NET: canal 20 | Viamax: canal 28 </strong></p>
<p><strong>Às 13:00 &#8211; Entrevista com Géssica          Hellmann sobre o Géh!</strong></p>
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		<title>Scientia Sexualis</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 16:04:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 21 a 25]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[michel foucault]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Géssica Hellmann</p>
<p class="wp-caption-text">Lovers Embracing, Folio from an Erotic Manuscript India, Madhya Pradesh, Malwa, South Asia circa (1660) (Detail) </p>
<p>Como já foi dito antes, o discurso sobre <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/07/scientia-sexualis/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Géssica Hellmann</em></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 438px"><img title="Lovers Embracing, Folio from an Erotic Manuscript India, Madhya Pradesh, Malwa, South Asia circa (1660) (Detail) " src="http://gehspace.com/edicao%2023%20imagens/M81_271_4.jpg" alt="Lovers Embracing, Folio from an Erotic Manuscript India, Madhya Pradesh, Malwa, South Asia circa (1660) (Detail)" width="428" height="382" /><p class="wp-caption-text">Lovers Embracing, Folio from an Erotic Manuscript India, Madhya Pradesh, Malwa, South Asia circa (1660) (Detail) </p></div>
<p>Como já foi dito antes, o discurso sobre o sexo          tem se intensificado, nos últimos três séculos, como          forma de implantação de um &#8220;controle da sexualidade&#8221;,          uma forma de controle populacional com objetivos políticos e econômicos.</p>
<p>Foucault afirma que Freud e outros cientistas teóricos,          em seus discursos sobre o sexo, não fizeram mais do que ocultar,          considerando as análises detalhadas, referindo-se sobretudo às          aberrações, extravagâncias, como procedimentos destinados          a esquivar a verdade excessivamente perigosa sobre o sexo. A ciência          dessa época era subordinada à moralidade, cujas classificações          reiterou sob a forma de ordens médicas.</p>
<p>Favorecendo com isto uma prática médica indiscreta,          involuntariamente ingênua e voluntariamente mentirosa, ativa e provocadora,          essa medicina instaurou toda uma &#8220;licenciosidade mórbida&#8221;.          Em nome de uma urgência biológica e histórica, justificavam-se          os racismos oficiais, então iminentes, fundamentando-os como verdade.</p>
<p>Foucault enfatiza que o sexo constituiu-se em um objeto          de verdade através de dois grandes meios de produção          histórica da verdade sobre o sexo: <em>ars erotica </em>e <em>scientia          sexualis</em>.</p>
<p>Principalmente no oriente, na arte erótica, a verdade          é extraída do próprio prazer, encarado como uma prática;          não por referência do que é proibido ou permitido,          nem por um critério de utilidade. Ao contrário: o sexo deveria          ser conhecido como prazer, segundo sua intensidade, qualidade, duração          e seus efeitos no corpo e na alma. Buscava-se no saber sobre o prazer          formas de ampliá-lo; a verdade sobre o prazer é extraída          do próprio saber. A prática desta arte tinha o objetivo          do domínio do corpo, o gozo excepcional, o elixir da longa vida.</p>
<p>O oposto se desenvolveu na civilização ocidental,          onde se intensificou uma <em>scientia sexualis</em>, como meio de se dizer          a verdade sobre o sexo. Esta verdade era obtida principalmente através          da confissão.</p>
<p>A regulamentação do sacramento de penitência          pelo Concílio de Latrão em 1215; o desenvolvimento das técnicas          de confissão; a evolução dos métodos de interrogatório;          a instauração dos tribunais de Inquisição;          todos esses fatores contribuíram para dar à confissão          um papel central na ordem dos poderes civis e religiosos. A confissão          passou a ser, no ocidente, extremamente valorizada. Desde a penitência          cristã até os dias de hoje, o sexo tem sido assunto privilegiado          na confissão. Sendo este ato, em que se ligam a verdade e o sexo,          a expressão obrigatória e exaustiva de um segredo individual.</p>
<p>Utilizando de métodos similares, com um objetivo          &#8220;científico&#8221;, médicos e teóricos se utilizaram          da confissão para elaborar seus discursos sobre o sexo. A confissão          constituiu, progressivamente, um grande arquivo dos prazeres do sexo.          Durante séculos a verdade do sexo foi encerrada nesta forma discursiva;          excluída do discurso do ensino, da iniciação, passando          ao largo da forma que rege a &#8220;arte erótica oriental&#8221;.</p>
<p>Podemos afirmar que a <em>scientia sexualis</em> é          o correlato desta pratica discursiva sobre o sexo e sexualidade. A história          da sexualidade deve ser estudada, segundo Foucault, pelo ponto de vista          de uma história de discursos.</p>
<p>É importante saber que a <em>ars erotica </em>não          desapareceu completamente da civilização ocidental. Existiu,          na confissão cristã, todo um aparato que se assemelha à          <em>ars erotica</em>: orientação pelo mestre, ao longo de          uma via de iniciação. Mas é preciso enfatizar que          a <em>ars erotica</em> não funciona, pelo menos em algumas de suas          dimensões, como a <em>scientia sexualis</em>. A arte erótica,          no saber ocidental sobre a sexualidade, encontra-se apenas, na sua utilização          normalizadora, na sua multiplicação e intensificação          dos prazeres ligados à produção da verdade sobre          o sexo. Essa produção de verdade, mesmo intimidada pelo          modelo científico, pode ter até intensificado seus prazeres          intrínsecos.</p>
<p>Muito mais do que um mecanismo negativo de exclusão          ou de rejeição, trata-se da colocação em funcionamento          de uma rede sutil de discursos, saberes, prazeres e poderes. O autor conclui          que estudar esse mecanismo, é essencial para compreender as estratégias          de poder imanentes a essa vontade de saber, constituindo uma &#8220;economia          política&#8221; desta vontade.</p>
<p>FOUCAULT, Michel. <strong>História da sexualidade:          a vontade de saber</strong>. Rio de Janeiro: Graal, 1988. 16a. edição</p>
<p>Outros artigos sobre a História da Sexualidade: <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/a-vontade-do-saber/" target="_self">Parte          I</a>, <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/vontade-do-saber-implantacao-perversa/">Parte          II</a>.</p>
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		<title>Mulher em Propaganda de Cerveja &#8211; A manutenção da estigmatização feminina pela mídia</title>
		<link>http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/07/mulher-em-propaganda-de-cerveja/</link>
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		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 15:54:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 21 a 25]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[mídia]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e política]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Carla de Paula</p>
<p>O estabelecimento do lugar da mulher na sociedade vem sendo          empreendido misoginamente pelas mídias, sendo <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/07/mulher-em-propaganda-de-cerveja/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Carla de Paula</em></p>
<p>O estabelecimento do lugar da mulher na sociedade vem sendo          empreendido misoginamente pelas mídias, sendo a mulher retratada          segundo paradigmas masculinos de representação. No exemplo          deste estudo, notamos que grande parte das marcas de cerveja no país          faz uso de imagens femininas em suas campanhas e coopera para a estigmatização          da mulher na sociedade.</p>
<p>As marcas &#8220;Antarctica&#8221; e &#8220;Brahma&#8221; foram          duas das primeiras a utilizar esse artifício de venda, aliando          o corpo, a expressividade feminina e demais artifícios semióticos          à sua marca. Num contexto castrador e de &#8220;manutenção          da virtude&#8221;, que remete ao início do século XX, alguns          anúncios emergem como um caso exterior às regras gerais          de moralidade. A repressão em torno da mulher era ainda muito expressiva:          os discursos sociais e a esfera familiar contribuíam em demasia          para a construção de sua identidade de gênero como          &#8220;mãe&#8221; e &#8220;esposa&#8221;, uma representação          inserida em um universo estritamente doméstico.</p>
<p>Observa-se que há uma conjuntura conflituosa, uma          cultura que restringe as liberdades individuais das mulheres &#8211; movida          pelo pretexto de conservação dos valores &#8211; e que concebe,          ao mesmo tempo, a exposição de seus corpos em rótulos          de garrafas e estampas de jornais.<br />
Vive-se uma realidade patriarcal, na qual o homem é, além          de produtor e principal consumidor, o controlador dos meios de comunicação.          Mantém-se, canalhamente, uma espécie de acordo permissivo          e velado em que todos se fazem de cegos e mudos diante da hipocrisia instaurada.          No que se refere à satisfação do prazer masculino          não há instâncias moldáveis e as senhoras ainda          andam de luvas.</p>
<p>O interesse viril não prevê os prejuízos          à identidade feminina. Segundo Foucault, as identidades são          construídas no interior das relações de poder. Os          discursos proferidos por meio de apropriações mercadológicas          da imagem feminina, por anúncios de cerveja, reificam a manutenção          da condição servil feminina em relação ao          gênero oposto. Ainda hoje, na era chamada de &#8220;pós-modernidade&#8221;,          não há um código de ética que preveja com          rigor a proteção às causas femininas na publicidade          e o discurso de sujeição sexual da mulher parece fórmula          para vender cerveja.</p>
<p>Na década de noventa, a exposição          do corpo feminino intensificou-se enormemente nas campanhas publicitárias.          Antarctica, Skol, Brahma, Kaiser, entre outras, mercantilizaram abertamente          o corpo feminino em suas campanhas publicitárias, incitaram adolescentes          ao sexo (já que as imagens veiculadas exercem forte atração          sobre os indivíduos nesta faixa etária) e reforçaram          um estereótipo de beleza feminina &#8211; mulher branca, magra e jovem.</p>
<p>Os artigos 19 e 20 do Código Brasileiro de Auto-Regulamentação          Publicitária do CONAR (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação          Publicitária) prevêem, respectivamente:</p>
<p>&#8220;Toda atividade publicitária deve caracterizar-se          pelo respeito à dignidade da pessoa humana, à intimidade          do lar, ao interesse social, às instituições e símbolos          nacionais, às autoridades constituídas e ao núcleo          familiar&#8221;</p>
<p>&#8220;Nenhum anúncio deve favorecer ou estimular          qualquer espécie de ofensa ou discriminação social,          racial, política, religiosa ou de nacionalidade&#8221;</p>
<p>Para dizer o mínimo, a propaganda veiculada por grande parte dos          fabricantes de cerveja no país parece desconhecer ou ignorar o          alcance desses artigos.</p>
<p>As agências sempre associaram o gênero masculino          ao público consumidor de cerveja (a não ser enquanto era          avaliada por seus supostos &#8220;valores medicinais&#8221; e consumida          até por crianças), em detrimento do feminino.</p>
<p>Devido a algumas manifestações por parte          dos defensores dos direitos da mulher, parte da propaganda embrenhou por          algum tempo por caminhos diferentes dos &#8220;tradicionais&#8221;, realizando          alguns testes sem muito sucesso. Jogadores de futebol, bichos engraçadinhos          da fauna brasileira, bordões.</p>
<p>Mas, por uma variedade de motivos, a velha fórmula          é reutilizada e, novamente garante às marcas popularidade          junto a seu público-alvo &#8211; homem heterossexual. Infere-se que houve          sempre um condicionamento masculino a elementos semióticos de apelo          sexual. Signos que remetam ao prazer são o código de acesso          das marcas ao público masculino.</p>
<p>A Skol, por exemplo, insistindo na ridicularização          e desrespeito à mulher, leva ao ar a cena de um casamento em que          o noivo, no altar, condiciona sua fidelidade à noiva caso esta          mantenha sua silhueta esbelta com o decorrer dos anos e não termine          como sua mãe, que também aparece no anúncio (já          uma senhora e acima do peso). O ator jura fidelidade incondicional, em          uma cena boçal, apenas à cerveja. É bastante claro,          neste caso, o discurso de reforço ao protótipo de beleza          feminina presente nesse anúncio &#8211; mulher branca, magra, jovem e          de seios volumosos. Através do humor aparentemente &#8220;despretensioso&#8221;,          desculpabiliza-se também a infidelidade masculina.</p>
<p>Ao longo dos mais de cem anos de propaganda no país,          nota-se uma apropriação do corpo feminino com fins utilitários          e discursos de incentivo à manutenção de um comportamento          submisso. A repetição frenética de comerciais de          cerveja pode influenciar em muito os conceitos de grupos sociais em fase          de formação de caráter, pois o discurso envolve-se          na constituição de todas as dimensões da estrutura          social moldando-o e restringindo-o. O discurso é uma prática          não apenas de representação do mundo, mas de significação          do mundo.</p>
<p>Fugindo de um julgamento marxista, que admite a recepção          como passiva, é necessário ressaltar a existência          de uma subjetividade que confere a cada indivíduo um potencial          de interpretação singular e que, no caso dos anúncios          de cerveja, objeto deste estudo, pode variar desde uma reprovação          ou indiferença até a incorporação dos padrões          incentivados por essas mensagens.</p>
<p>Uma cena apresentada durante recente campanha da Skol          reproduz claramente conceitos machistas e de limitação da          mulher a um nível somático. O não-dito adquire ares          de humor e criatividade e a eficácia ideológica presente          nesses discursos torna-os ainda mais nocivos, posto que, por ser velada,          é naturalizada, incorporada como verdade, não sendo questionada.</p>
<p>O comercial exibe um provador feminino em uma loja de          roupas, cuja cortina se estende até quase atingir o chão,          tornando visíveis apenas os pés de uma mulher. O locutor,          em off, profere a seguinte frase: &#8220;Se o provador tivesse sido inventado          por um bebedor de Skol, ele seria assim&#8221;. Em seguida, a longa cortina          se transforma em um objeto redondo (jargão da marca), que cobre          o rosto da mulher (loira), enquanto seu corpo, de biquíni amarelo          (cor que coincide com a da cerveja) fica ostensivamente exposto. Ela é          magra, branca, loira e tem seios grandes. O vídeo assume sem cerimônias          a redução da mulher ao seu corpo. A cabeça é          inutilizada e reverencia-se o corpo malhado e bronzeado.</p>
<p>Isso equivale à mais descarada admissão          do utilitarismo feminino disseminado por esses anúncios. Eles difundem          padrões de comportamento, estereótipos, representações          da idéia de mulher como prestadora de serviços sexuais e          intelectualmente inferior ao homem. A cabeça é, nesse comercial,          substituída por um pequeno artefato redondo que expõe o          corpo feminino não só em termos físicos mas, principalmente,          ao domínio masculino. Por trás desses recursos semiológicos          há a concepção da mulher acéfala, da sua funcionalidade          a cargo do gênero oposto.</p>
<p>De acordo com Marx, &#8220;a materialização          de relações baseadas na propriedade privada impõe          o exercício de uma violência social&#8221; e, seguindo essa          lógica de mercado, são disseminados padrões de beleza          e qualidade de subordinação da mulher, culminando na &#8220;construção&#8221;          de identidades meramente utilitárias, em que seus corpos são          objetificados e &#8220;decapitados&#8221; para atender a uma expectativa          masculina de mercado. A mulher acéfala tem maior validade publicitária.</p>
<p>Verifica-se, nesses casos, uma violência latente,          por vezes descarada, em torno da liberdade individual da mulher. Os prejuízos          à identidade de gênero, promovidos pelas campanhas de cerveja,          são gravíssimos e, apesar disso, são ínfimas          as atitudes reativas. Uma manifestação recente em Belém          do Pará foi um caso isolado de protesto. Mas não foi a primeira,          nem será a última.</p>
<p>Contudo, as mesmas marcas-alvos do ativismo permanecem          promovendo o estado de violência contra a mulher através          da mídia, com a difusão da indignificação          do gênero que a comporta. Quando a violência contra a mulher          é retratada na mídia, essa acontece de maneira insuficiente,          restringindo-se o conceito à prática de &#8220;atos de violência&#8221;          entendidos em termos estritamente físicos. A violência mais          grave, se pratica veladamente, e não é comprovável          com um exame de corpo de delito. Com esse reducionismo, a mídia          fortalece o Estado de Violência contra a mulher e a sua estigmatização          na sociedade.</p>
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		<title>Pornografia, Erotismo e Arte: onde estão as fronteiras?</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 15:46:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[edições 21 a 25]]></category>
		<category><![CDATA[erotismo]]></category>
		<category><![CDATA[pornografia]]></category>

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<p>por Géssica Hellmann</p>
<p>No presente artigo farei uma introdução            aos limites entre arte e a pornografia, procedendo <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/07/pornografia-erotismo-arte-onde-estao-as-fronteiras/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p><em>por Géssica Hellmann</em></p>
<p>No presente artigo farei uma introdução            aos limites entre arte e a pornografia, procedendo uma breve revisão            teórica e expondo minha posição a respeito do tema.</p>
<p>O erotismo está presente nas manifestações            artísticas desde a Antiguidade, uma constante, inesgotável,            fonte de inspiração. Na Bíblia há várias            passagens relativas ao tema, referindo-se principalmente à prostituição.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><img title="Courtesan (1900) por Auguste Rodin" src="http://gehspace.com/edicao%2022%20imagens/auguste%20rodin.jpg" alt="Courtesan (1900) por Auguste Rodin" width="300" height="393" /><p class="wp-caption-text">Courtesan (1900) por Auguste Rodin</p></div>
<p>O Antigo Testamento nos revela um belíssimo exemplo          erotismo poético-literário em o &#8220;Cântico dos          Cânticos&#8221;:</p>
<p><em>Primeiro canto<br />
&#8220;<strong>Anseios de amor</strong></em></p>
<p><em>Sua boca me cubra de beijos!<br />
São mais suaves que o vinho tuas carícias,<br />
e mais aromático que teus perfumes<br />
é teu nome, mais que perfume derramado;<br />
por isso as jovens de ti se enamoram.<br />
Leva-me contigo! Corramos!<br />
O rei introduziu-me em seus aposentos.</em></p>
<p><em>Coro.<br />
Queremos contigo exultar de gozo e alegria,<br />
celebrando tuas carícias, superiores ao vinho.<br />
Com razão as jovens de ti se enamoram. &#8221;<br />
(&#8230;.)</em></p>
<p><em>Terceiro canto<br />
(&#8230;)</em></p>
<p><em>&#8220;<strong>Recanto de amor</strong></em></p>
<p><em>Ele.<br />
És um jardim fechado, minha irmã e minha noiva,<br />
uma nascente fechada, uma fonte selada.<br />
(&#8230;)&#8221;</em></p>
<p><em>&#8220;<strong>Apelo da amada</strong></em></p>
<p><em>Ela.<br />
Que entre meu amado em seu jardim<br />
para comer dos frutos deliciosos!</em></p>
<p><em>Ele.<br />
Já vou ao meu jardim, minha irmã e minha noiva,<br />
colher mirra e bálsamo,<br />
comer do favo de mel, beber vinho e leite.<br />
(&#8230;)&#8221;</em></p>
<p>Costa (2003), afirma que basta ter um mínimo de          leitura antropológica e observar a semelhança entre os cânticos          e ao estilo do antigo lírico-árabe, para notarmos que se          trata mesmo de amor entre homem e mulher.</p>
<p>A Igreja Católica contesta essa idéia afirmando          que, se fosse referente a um amor profano, não teria sido jamais          inserido nos livros das Escrituras. De acordo com a Igreja, os Cânticos          referem-se ao amor mútuo entre Deus e o fiel piedoso e que o racionalismo          moderno tentou despojá-lo dessa auréola divina, reduzindo          ao eco de simples amores profanos. (Bíblia Sagrada. São          Paulo: Paulinas, 1989. P. 716.)</p>
<p>O Brasil nasceu erótico. Desde o descobrimento,          o Novo Mundo era descrito com sedução e grande carga erótica,          principalmente no que se referia a nudez das índias no Brasil.</p>
<p>Silva (2005) afirma que &#8220;A sociedade escravista tinha          o homem branco como centro do poder e dono da moral&#8221;. Senhor do corpo          do escravizado, o patriarca esmerou-se em construir uma imagem &#8216;para inglês          ver&#8217; e, outra, para satisfazer-se. Do outro escravizado, fez seu objeto          de prazer, enquanto defendia-se de sua culpa com um forte moralismo, auxiliado          pelo aparato religioso.</p>
<p>Prossegue o autor: &#8220;Com a hipocrisia fundamentada,          a pulsação erótica trabalhou no sentido de elaborar          sua vingança. Realizou-se como sátira. Termos ligados ao          sexo adquiriram significados fortemente agressivos que, até hoje,          servem aos objetivos de uma sexualidade reprimida e por isso problemática.&#8221;</p>
<p>O erotismo na Literatura Brasileira adotou aspectos resultantes          da &#8220;moral e bons costumes&#8221; ao estilo do &#8220;faça o          que digo mas não o que faço&#8221;. Era comum entre os autores          que falavam sobre sexo, em suas poesias, usarem pseudônimos.</p>
<p>Silva (2005) afirma ainda que, na produção          erótica, não houve grandes avanços poéticos          na passagem para o século XX. As dificuldades de expressão          permaneceram. Foi encontrada a forma da malandragem para permitir o trânsito          da vertente erótica. &#8220;Macunaíma&#8221; é um exemplo,          em que encontra-se o uso de eufemismos como &#8220;brincar&#8221; para significar          a relação sexual.</p>
<p>Tabus e preconceitos estão presentes fortemente          em nossa cultura. E são incentivados, principalmente, pelos que          estão no &#8220;poder&#8221;, seja Igreja ou Estado, tendo como principal          objetivo o controle através da sexualidade.</p>
<p>Como escritora de poemas eróticos, sofri preconceitos.          Algumas pessoas claramente me viam como devassa, promíscua, garota          de programa, entre outros rótulos. Estudar a sexualidade humana          nos permite reconhecer mitos sexuais, entender e mitigar esse tipo de          preconceito.</p>
<p>Sabemos que não é fácil abordar o          sexo sem cair na vulgaridade. Segundo a escritora Ariadna Garibaldi &#8220;é          difícil falar porque a linha que separa o sensual do vulgar é          muito tênue&#8221;.</p>
<p>Denomino essa linha tênue de &#8220;andar no fio da          navalha&#8221;. Poder falar sobre sexualidade sem cair na pornografia.          Tabus e preconceitos existem, negar é hipocrisia. Falar sobre o          &#8220;sexo&#8221; ou algo relacionado ao &#8220;órgão sexual&#8221;          é sempre complicado. Mas o que vem ser o órgão sexual,          se não um órgão como qualquer outro do corpo humano?          Estômago, fígado, pulmão, genitália: no final,          tudo &#8220;é pó e ao pó reverterá&#8221;.</p>
<p>Nas artes plásticas, o ato sexual se manifesta historicamente          na arte. Renomados artistas, tais como Fragonard, Picasso, Paul Gauguin,          Gustave Courbet, Dali, Di Cavalcanti, entre outros, retratam a sexualidade,          o corpo humano nu e o ato sexual em si.</p>
<p>O pintor polonês Balthasar Klossowski de Rola define          erotismo e afirma nada ter a ver com pornografia: &#8220;As formas de uma          jovem ou uma adolescente são puras, ainda intactas (&#8230;) O erotismo          nada tem a ver com o desejo sexual, muito menos pornografia. Penso que          o erotismo, que se encontra nos meus quadros, está na vista, no          espírito ou na imaginação da pessoa que os observa&#8221;          (ALCANTARA, 2005). Entretanto, nossa cultura ensina que a imagem do corpo          humano nu e, particularmente, experimentando prazer sexual, é &#8220;pornográfica&#8221;.</p>
<p>Segundo Lins (2005), na Inglaterra, há pouco mais          de cem anos, as pernas de piano tinham de ser cobertas com capas para          não excitar os homens por sua semelhança com as pernas femininas.          A moral vitoriana tentava controlar tudo o que considerava pornográfico.          Pode parecer absurdo, mas até o vocabulário teve que mudar.          Palavras como &#8220;suor&#8221;, &#8220;gravidez&#8221; e &#8220;sexo&#8221;,          tiveram de ser substituídas por termos mais evasivos. As mulheres          passaram a descrever o local da dor para os médicos apontando para          um ponto semelhante numa boneca. Qualquer parte do corpo entre o pescoço          e os joelhos passou a ser chamado de &#8220;fígado&#8221;.</p>
<p>Para Mesquita (2005) (psiquiatra, dramaturgo e colaborador da curadoria          da exposição Erotica), na arte, o sentido que as coisas          têm é aquele que o olhar de cada um lhes empresta. Em última          instância, o sentido da vida é o sentido que emprestamos          a ela. Ele afirma que o erotismo não é definido satisfatoriamente          em dicionários de várias línguas, dentre elas a portuguesa.          A julgar pelas reações individuais, a maioria das pessoas          parece saber que os limites do erotismo existem, embora quase ninguém          saiba precisar onde eles se situam. A simples menção do          termo &#8220;erótico&#8221; provoca, na melhor das hipóteses,          algo parecido com &#8220;entusiasmo cuidadoso&#8221;: o sujeito tem seus          ânimos excitados, mas teme os excessos e a &#8220;queda no abismo&#8221;          da pornografia.</p>
<p>A psicanalista Miriam Chnaiderman diz que, na arte erótica,          ela localiza o resgate do olhar, enquanto, na pornografia, atua a visão,          &#8220;função fisiológica do olho&#8221;. A &#8220;visão&#8221;          é definida como o contexto em que o olhar se desenvolve. A visão          se move do eu para a coisa, enquanto o olhar é um ato provocado          por uma imagem de algo que vem até nós. O olhar é          despertado fora de nós, surge quando somos cegados por um foco          de luz, que pode vir do espelho, de uma outra pessoa ou de um quadro.          Essa luz põe em andamento algo no inconsciente, enquanto o eu fica          confuso e ofuscado. Para ela, toda arte é erótica, pois,          se não for violação, não é arte (RIVITTI,          2005).</p>
<p>Para Girolamo (2005), o erotismo está sempre se          transformando, abrindo nossas percepções a novas experiências          sensoriais. Todos sonham com uma imagem idealizada do feminino ou do masculino,          é nossa imaginação trabalhando, criando imagens,          um quadro no nosso espírito. Uma imagem erótica vale milhões          de palavras, não só pelo seu valor descritivo, mas principalmente          pelo seu valor simbólico. Os instrumentos da fantasia consistem          também no conteúdo mas seu foco principal é na forma.          Recorre à alegoria, à expressão facial, para sugerir          significados, para evocá-los através de elementos visuais,          como traço, cor e composição.</p>
<p>No âmbito do Direito Brasileiro, encontramos, sobre          o tema &#8220;pornografia&#8221;, uma decisão do Supremo Tribunal          Federal:</p>
<p><em>&#8220;Obscenidade e pornografia. O direito constitucional          de livre manifestação do pensamento não exclui a          punição penal, nem a repressão administrativa de          material impresso, fotografado, irradiado ou divulgado por qualquer meio,          para divulgação pornográfica ou obscena, nos termos          e forma da lei. À falta de conceito legal do que é pornográfico,          obsceno ou contrário aos bons costumes, a autoridade deverá          guiar-se pela consciência de homem médio de seu tempo, perscrutando          os propósitos dos autores do material suspeito, notadamente a ausência,          neles, de qualquer valor literário, artístico, educacional          ou científico que o redima de seus aspectos mais crus e chocantes.          A apreensão de periódicos obscenos cometida ao Juiz de Menores          pela Lei de Imprensa visa à proteção de crianças          e adolescentes contra o que é impróprio à sua formação          moral e psicológica, o que não importa em vedação          absoluta do acesso de adultos que os queiram ler. Nesse sentido, o Juiz          poderá adotar medidas razoáveis que impeçam a venda          aos menores até o limite de idade que julgar conveniente, desses          materiais, ou a consulta dos mesmos por parte deles&#8221;.<br />
(BRASIL, Supremo Tribunal Federal, Recurso em Mandado de Segurança:          RMS-18534, Segunda Turma, Relator: Ministro Aliomar Baleeiro, 1/10/1968.)</em></p>
<p>Pode-se perceber que, mesmo no âmbito da legislação,          não está clara a definição de pornografia,          ou seja, quem define o que é ou não pornográfico          é o juiz, de acordo com a sua visão subjetiva e arbitrária.</p>
<p>Para Girolamo (2005), na sociedade moderna, a pornografia          passou a se diferenciar do erotismo nos aspectos estéticos e éticos,          no conteúdo mais explícito da pornografia e mais implícito          do erotismo, no reforço pornográfico da relação          genital sem envolvimento, sem compromisso e sem afeto, apenas enfatizando          o prazer solitário masturbatório, evitando o requinte artístico,          a profundidade e o clima de paixão e enamoramento sempre presentes          no erotismo.</p>
<p>Mesmo nos períodos de forte repressão, como          a chamada Idade Média européia, em que aprendemos ter sido          de predomínio da Igreja Católica, houve significativa manifestação          do erotismo. Tabus enraizados passam de geração a geração.          A melhor maneira de quebrar esses tabus é a informação.          Mas qual o limite entre arte e pornografia? Arte na minha opinião          é uma forma de expressão cultural da beleza. O que inclui          o corpo e o ato sexual em si. Já a pornografia, reduz o corpo e          o ato sexual a um simples objeto com a única finalidade de masturbação.</p>
<p><strong>Referências Bibliográficas</strong></p>
<p>ALCÂNTARA , Marco-Aurélio de. <strong>Estética          de Brennand repercute</strong>. Disponível em: &lt; http://www.pernambuco.com/diario/2004/05/12/viver3_0.html          &gt; . Acessado em: 14 dez. 2005.</p>
<p><strong>BÍBLIA SAGRADA</strong>. São Paulo:          Paulinas, 1989. P. 716</p>
<p>COSTA, Flávio Moreira da. <strong>As 100 melhores          histórias eróticas da literatura universal</strong>. Rio          de Janeiro: Ediouro, 2003.</p>
<p>GIROLAMO, Fabiano Puhlmann Di. <strong>Erotismo e Pornografia</strong>.          Disponível em: &lt; http://www.revistapsicologia.com.br/materias/pontoDeVista/erotismo_porno.htm          &gt;.<br />
Acessado em: 14 dez. 2005.</p>
<p>LINS, Regina Navarro. <strong>Erotismo ou pornografia?</strong> Disponível em: &lt; http://www.casadobruxo.com.br/poesia/r/reginan10.htm          &gt;. Acessado em: 14 dez. 2005.</p>
<p>MARZOCHI, Marcelo De Luca. <strong>Pornografia na Internet</strong>. Disponível em: &lt; http://64.233.187.104/search?q=cache:AL5ze6wo6UgJ:https://www.agu.gov.br/Publicacoes/artigos/&#8230;&gt;.<br />
Acessado em: 14 dez. 2005.</p>
<p>MESQUITA, Reinado. <strong>A Erótica</strong>. Disponível          em: &lt; http://www.bb.com.br/appbb/portal/bb/ctr/art/ArtigoCompl.jsp?Artigo.codigo=1504          &gt;. Acessado em: 10 dez. 2005.</p>
<p>RIVITTI, Thais. <strong>Erotismo na era virtual</strong>.          Disponível em: &lt; http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/2673,1.shl          &gt; . Acessado em: 14 dez. 2005.</p>
<p>SILVA, Luís. <strong>Poesia erótica nos cadernos          negros</strong>. Disponível em: &lt; http://www.quilombhoje.com.br/ensaio/cuti/ensaioCuti.htm          &gt; . Acessado em: 14 dez. 2005.</div>
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		<item>
		<title>Entrevista com Oswaldo M. Rodrigues Jr.</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 15:31:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 21 a 25]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[sexologia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://gehspace.com/sexualidade/?p=148</guid>
		<description><![CDATA[<p>por Géssica Hellmann</p>
<p></p>
<p>Entrevista          com o Psicólogo Oswaldo M. Rodrigues Jr. &#8211; CRP 06/20610-7 &#8211; Presidente    <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/07/entrevista-com-oswaldo-m-rodrigues-jr/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Géssica Hellmann</em></p>
<p><img src="http://gehspace.com/edicao%2021%20imagens/foto_oswrod.gif" alt="Oswaldo Rodrigues - psicólogo especialista em sexualidade humana" width="58" height="43" /></p>
<p>Entrevista          com o Psicólogo Oswaldo M. Rodrigues Jr. &#8211; CRP 06/20610-7 &#8211; Presidente          (2005-2007) &#8211; <strong>SBRASH &#8211; Sociedade Brasileira para o Estudo em Sexualidade          Humana</strong></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 281px"><img title="Round Bench por Emil Alzamora" src="http://gehspace.com/edicao%2021%20imagens/alzamora_roundbench_el.jpg" alt="Alzamora Roundbench" width="271" height="200" /><p class="wp-caption-text">Round Bench por Emil Alzamora</p></div>
<p><strong>Géh: Falando como especialista, qual a importância          de se estudar a sexualidade e da facilitação do acesso a          informações sobre o tema?</strong></p>
<p><strong>Oswaldo:</strong> Estudar sexualidade nos leva          a preencher um dos três aspectos envolvidos em problemas da sexualidade          que ocorrem na vida toda. A compreensão cognitiva é um passo          muito importante por permitir a liberdade e a auto-produção          da vida sexual.O estudo da sexualidade humana permite reconhecer os mitos          e enfrentar os erros do passado na vida de uma pessoa ou mesmo impedir          que mitos e idéias errôneas produzam ansiedades e comportamentos          de esquiva.</p>
<p><strong>Géh: Em 2006 acontecerá o XIII Congresso          Latino Americano de Sexologia em Salvador. Como Vice-Presidente do Comitê          Organizador poderia falar sobre os principais temas abordados, a importância          e as expectativas em relação a esse evento? </strong></p>
<p><strong>Oswaldo:</strong> São várias          áreas que chamam a atenção dos profissionais e que          serão apresentadas neste que é o maior evento sobre sexualidade          na América Latina. O congresso acontece a cada dois anos. O último          foi em Santiago do Chile e já esteve em Belo Horizonte em 1992.</p>
<p>A área mais em moda é a destinada às disfunções          sexuais com os medicamentos que foram colocados nas farmácias desde          1998 para auxiliar vencer dificuldades de ereção nos homens.          A discussão sobre formas de tratamentos ainda é calorosa,          pois mantém-se a tentativa e expectativa de que apenas os medicamentos          bastam para curar estes problemas comportamentais&#8230; Claro que isto não          é verdadeiro, pois nenhum governo foi mobilizado para distribuir          gratuitamente o medicamento para acabar com estes problemas. Nesta área          deve ser apresentado um medicamento para reposição hormonal          em homens para restabelecimento de funções vitais que são          a base do desejo sexual masculino.</p>
<p>A Educação Sexual estará representada          de forma fortalecida com mesas-redondas, com grande divulgação          e facilidades nas inscrições para professores da rede de          ensino básico e médio que desejem participar do congresso          (XIII CLASES). Um grupo de professores universitários, dentre eles          posso citar a Profa. Sonia Melo (UDESC), a Profa. Mary Neide Figueiro          (UEL), e Paulo Rennes (UNESP) deverão apresentar o “State          of the Art” da Educação Sexual no Brasil. Professores          de outros países também trarão suas teorias e métodos          para a Educação na Sexualidade.</p>
<p>Estudos sociais da sexualidade e pesquisas antropológicas          e psicológicas também estão entre os destaques. A          Violência sexual e de gênero permeará as discussões          e mesas redondas. Ambicionamos um público que pode atingir 1000          profissionais de Educação e Saúde. Já contamos          com o apoio formal de várias entidades brasileiras, em especial          as filiadas à FLASSES: SBRASH – Sociedade Brasileira para          os Estudos em Sexualidade Humana; CEPCoS – Centro de Estudos e Pesquisas          em Comportamento e Sexualidade, InPaSex – Instituto Paulista de          Sexualidade, CESEX – Centro de Estudos em Sexologia de Brasília.</p>
<p><strong>Géh: Na cultura brasileira, ainda se prevalece          mitos e tabus relacionados ao sexo e a sexualidade. Qual a sua visão          sobre isto?</strong></p>
<p><strong>Oswaldo:</strong> Toda e qualquer cultura          tem que manter mitos e tabus sobre a sexualidade para exercer poder sobre          os indivíduos. A sexualidade é a única área          de relacionamento interpessoal que é menos dirigida pela cultura          e pela sociedade. Por ser uma área não pública, a          cultura tem menos acesso a modelar o comportamento e atitudes das pessoas.          Assim, instituir tabus e mitos permite que o controle social seja exercido          sobre as pessoas até mesmo em sua intimidade.</p>
<p>Também se mantêm mitos e tabus pela falta          de acesso a informações fidedignas sobre sexualidade. As          discussões e debates sobre sexo precisam ocorrer sempre, pois sempre          temos novos adolescentes com idênticos questionamentos que, se não          forem resolvidos, permanecerão até a vida adulta, trazendo          problemas e afastamentos da sexualidade.</p>
<p><strong>Géh: Ao falar em tabus, é interessante          falar sobre parafilias, antigamente chamadas de “perversões          sexuais”. Poderia nos citar os tipos mais comuns de parafilias?</strong></p>
<p><strong>Oswaldo:</strong> As formas diferentes de          se fazer sexo sempre preocuparam as sociedades que sentiam suas regras          quebradas pelos praticantes desses &#8220;sexos diferentes&#8221;. Por isso          eram chamadas de &#8220;perversões&#8221;, um chamativo moral e não-científico,          mas que foi assumido por profissionais de saúde desde o século          XIX.</p>
<p>Atualmente as formas mais comuns de se obter excitação          e prazer sexuais são: travestismo fetichista, sadomasoquismo, sexo          virtual. Com advento da internet, muitos praticantes isolados encontraram          suas turmas e têm trocado informações, incluindo o          aumento do numero de praticantes entre pessoas que antes nem pensavam          em determinadas práticas. O controle social imediato foi perdido          e a modelagem do comportamento passa a ser virtual e a partir de desconhecidos.</p>
<p><strong>Géh: Pedofilia, se verificarmos no curso          ao longo da História, desde a antiguidade, sempre ocorreu de uma          forma ou de outra. O que leva as pessoas a praticarem a pedofilia? E quais          os traumas que podem sofrer as crianças que sofrem deste abuso?</strong></p>
<p><strong>Oswaldo:</strong> Existe uma grande diferença          entre o que a legislação chama de pedofilia e o que a psicologia          denomina pedofilia.</p>
<p>Na legislação brasileira, e na maior parte          do mundo, denomina-se pedofilia o sexo de um(a) adulto(a) com um(a) criança          ou adolescente. Mistura-se o conceito com o crime de estupro (sexo não          consensual ou com presunção de força com menores          de 14 anos).</p>
<p>O brasileiro adulto, geralmente homem, que gosta de fazer          sexo com adolescentes é muito normótico, muito parecido          com qualquer um da rua. Historicamente sempre foi uma prática muito          tolerada e socialmente considerada positiva. Falar aos amigos que transou          com uma “menina” sempre foi motivo de orgulho para muitos          homens. Assim é que temos algumas centenas de milhares de prostitutas          menores de idade no Brasil, sustentadas por talvez, uma dezena de milhões          de homens adultos&#8230;</p>
<p>O que se denomina pedófilo, em Psicologia, é          o adulto, geralmente homem, que precisa de uma pessoa de pouca idade para          conseguir excitar-se e realizar-se sexualmente. São pessoas que          estruturam a sexualidade ao redor de um padrão muito específico          de objeto sexual. Este adulto específico, por exemplo, somente          desejará meninos com idades em torno de 10 anos; o outro apenas          meninas com 8 anos&#8230; e assim por diante.</p>
<p>Muitas vezes, esta estereotipização implica          em padrões de personalidade psiquiatricamente reconhecíveis          como perturbadas, mesmo porque são pessoas que não assimilaram          adequadamente a cultura e as regras sociais (sem falar nas legais).</p>
<p>Considera-se que cerca de 30% dos adultos foram abusados          sexualmente quando crianças. Apenas para alguns isto terá          significado negativo e promoverá comportamentos semelhantes na          vida adulta. Para a maioria não haverá maiores problemas.          Um dos problemas mais sérios será a falta de confiança          nos relacionamentos afetivos. Não existe associação          entre abuso sexual infantil e disfunções sexuais na vida          adulta.</p>
<p><strong>Géh: Recentemente entrevistamos um adepto          a Hipoxifilia, denominada por ele como “asfixia erótica”.          Quais os perigos dessa prática para a saúde?</strong></p>
<p><strong>Oswaldo: </strong>Apenas um perigo: morte.</p>
<p>De uma a duas pessoas a cada milhão de habitantes          em grandes cidades morrem a cada ano devido a esta prática. O risco          advém do pouco tempo entre a possibilidade de curtir o prazer sexual          e o morrer asfixiado. Muitos que morrem ainda são classificados          nas delegacias e hospitais como suicidas&#8230; o que está muito longe          da realidade. Quando morrem foi porque cometeram um erro de avaliação          de tempo.</p>
<p><strong>Géh: Na vida real, assim como representações          na arte e no cinema, temos exemplos de sadismo e masoquismo. Relembrando          a cena do filme “A professora de Piano”, dirigido pelo alemão          Michael Hanek, trata de dominação e opressão em relacionamentos          – tanto amorosos como familiares. Erika Kohut é uma professora          de piano na faixa dos 40 anos que é tratada como uma criança          e oprimida pela mãe. Por trás da aparência fria e          indiferente, se esconde uma mulher com bizarros fetiches sexuais. As fantasias          de Erika vão além do voyeurismo e pensamentos sadomasoquistas.          Ela cria seu próprio conceito de amor e chega a se mutilar sexualmente          em busca de um prazer. Muitos adeptos ao sadomasoquismo negam ter um problema          psicológico. É um problema psicológico ou não?          Em caso positivo, como se trata este problema?</strong></p>
<p><strong>Oswaldo:</strong> Sempre existe um limite entre          o saudável e o doente. Tudo que seja contra a manutenção          de vida saudável tem a consideração de doença.          Mesmo porque, se uma pessoa deseja mutilar-se e a sociedade compreende          que esta mutilação eliminará parte da produtividade          desta pessoa, a sociedade considerará isto doença, ou será          ilegal.</p>
<p>Alguns praticantes do sadomasoquismo têm apresentações          psicológicas problemáticas com as quais não sabe          lidar. Muitas vezes, o comportamento sádico ou masoquista se instalou          na pessoa (sem a vontade dela exercer escolha) para diminuir o estresse          e a ansiedade frente a problemas da vida. Assim, não se resolve          o problema e cria-se um comportamento que o evita&#8230; Isto sempre foi considerado          neurótico&#8230; Mas a mesma formulação serve para o          uso do álcool, cigarro ou explosões de raiva.</p>
<p><strong>Investir em saúde reprodutiva ajuda no desenvolvimento          social</strong></p>
<p>O investimento em serviços de saúde          reprodutiva contribui para o fortalecimento do papel da mulher na sociedade          pós-moderna e é um forte aliado na construção          do desenvolvimento social e econômico sustentável. De acordo          com o Programa de Ação da Conferência de Cairo (1994)          a saúde reprodutiva tem uma relação intrínseca          com estado de completo bem-estar social, mental e físico e o sistema          reprodutivo humano. Esse conceito é fruto do amadurecimento das          noções de saúde sexual e planejamento familiar.</p>
<p>Experiências mundiais têm demonstrado que a integração          dos serviços de planejamento familiar implica o fortalecimento          do sistema de saúde como um todo. Isso significa melhorar a coordenação          entre as diversas áreas e facilitar o atendimento às necessidades          da população. O fato é que, em muitas culturas, a          desvalorização da mulher, seu status inferior na escala          social, assim como seu baixo poder de decisão sobre a própria          sexualidade e capacidade reprodutiva a impede de desfrutar de serviços          que poderiam melhorar sua qualidade de vida. Desde adolescente, ela deveria          obter informações sobre a transição para a          maturidade, livre de gravidez indesejada, DST/AIDS ou aborto inseguro;          a prevenção e tratamento de DST e HIV/AIDS; a saúde          e mortalidade materna etc.</p>
<p><strong>Dados</strong><br />
* A Aids já atingiu mais de 258 mil pessoas: 73 mil mulheres e          185 mil homens. No inicio dos anos 80 a relação era de 25          homens para cada mulher infectada e agora já é de 1 mulher          para cada 2 homens. Entre as mulheres, 55% tem entre 20 a 29 anos, predominando          as afrodescendentes e as de camadas mais pobres, segundo o Ministério          da Saúde, 2003.<br />
* Anualmente, são realizados cerca de um milhão de abortos,          a maior parte deles clandestinos. No país, a interrupção          voluntária da gestação é permitida apenas          em caso de risco de morte da mãe ou se ela for resultado de estupro,          de acordo com o Center for Reproductive, 2004.<br />
* Mais de quatro milhões de mulheres morrem a cada ano na América          Latina por complicações causadas por abortos inseguros.          Essa prática representa 13% da mortalidade materna nos países          da região. (Center for Reproductive; 2004)<br />
* No mundo inteiro, estima-se que uma de cada três mulheres já          foi espancada, forçada ao ato sexual ou agredida de outras formas.          A violência contra as mulheres e meninas pode ser física,          sexual, psicológica ou econômica, porém o sexo forçado          e a agressão dentro do matrimônio estão entre suas          manifestações mais comuns.<br />
Fonte: <a href="http://www.agende.org.br/" target="_blank">http://www.agende.org.br</a></p>
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