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	<title>Sexualidade by géh &#187; edições 6 a 10</title>
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	<description>Sexualidade: artigos de pesquisa e entrevistas</description>
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		<title>Sadomasoquismo</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 23:00:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 6 a 10]]></category>
		<category><![CDATA[parafilia]]></category>
		<category><![CDATA[prazer sexual]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Géssica          Hellmann</p>
<p align="left">Estela Welldon é psiquiatra e autora          do <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/sadomasoquismo/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong></strong></em><em><strong><a title="escreva para a editora do Géh" href="mailto:geh@gehspace.com">Géssica          Hellmann</a></strong></em></p>
<p align="left">Estela Welldon é psiquiatra e autora          do livro &#8220;Sadomasoquismo&#8221; da coleção Conceitos          da Psicanálise.</p>
<p align="left">O termo &#8220;sadismo&#8221; diz respeito a atividades,          em geral sexuais, que visam provocar dor em outra pessoa, podendo, assim,          dar satisfação à pessoa que a inflige. Mas, segundo          a autora, é importante observar a diferença entre &#8220;fantasias          sádicas&#8221; e &#8220;atos sádicos&#8221;: o que geralmente          constitui perversão são os &#8220;atos&#8221;.</p>
<p>A expressão &#8220;sadismo&#8221; é derivada          do sobrenome do Marquês de Sade, escritor do século XVIII          que se dedicou a uma extensa obra literária sobre atos sexuais          brutais, descritos de forma poética. Ele próprio praticou          várias das atividades por ele descritas, tendo sido preso por isso.</p>
<p>A &#8220;parafilia&#8221;* do masoquismo consiste no ato de ser humilhado,          espancado, atado ou submetido a outro tipo de sofrimento. Masoquismo,          segundo Krafft-Ebing, é o oposto de sadismo. É o desejo          de sofrer dor e de sujeitar-se à força. O termo &#8220;masoquismo&#8221;          é derivado do nome do escritor Leopold Von Sacher-Masoch, que fez          desta perversão a base de seus textos.</p>
<p>A autora afirma que os atos masoquistas podem ser perigosos caso não          se tome os devidos cuidados. Exemplifica uma forma particularmente perigosa          de masoquismo, conhecida como hipoxifilia (a excitação sexual          por privação do oxigênio), obtida por meio de compressão          no peito, estrangulamento, uso de sacos plásticos, máscaras,          entre outros meios. Hipoxifilia também é conhecido popularmente          como &#8220;asfixia erótica&#8221;.</p>
<p>Às vezes ocorrem acidentes fatais, como um triste caso clínico          exemplificado pela autora. Um casal heterossexual planejou um jogo complexo.          A mulher seria acorrentada a uma cama, e o homem começaria a sufocá-la          com um lenço de seda. Quando ela estivesse preste a ficar sem ar,          ele a libertaria, pretendendo desta forma obter orgasmos simultâneos.          Para tanto, era necessário que ambos se olhassem nos olhos durante          todo o ato, para demonstrar confiança um no outro. Em certa ocasião,          o homem não conseguiu parar ainda que quisesse. Afirma ter visto          e sentido nos olhos da mulher que ela estava aterrorizada; sentiu-se paralisado,          interpretando como falta de confiança da mulher, o que o levou          a matá-la acidentalmente. Ficou intensamente arrasado, durante          todo o processo judicial, não acreditando que tinha matado a mulher.</p>
<p>Aparentemente, as fantasias sexuais masoquistas surgem na infância.          Já a idade em que se iniciam as atividades masoquistas com parceiros          varia mas, na maioria dos casos, ocorre no início da vida adulta.          Os sadomasoquistas, geralmente, não tem consciência de que          este tipo de comportamento seja um modo de reviver um trauma anterior.          A repetição indica uma tentativa de solucionar o caso inicial.          Um exemplo citado é o caso de uma paciente que, aos 36 anos, encaminhada          por seu médico para tratamento psicológico, reconheceu pela          primeira vez ter sido vítima de um episódio &#8220;reprimido&#8221;          de incesto. A paciente revelou, então, a descoberta ao médico,          que por mais de 15 anos não entendia as constantes queixas psicossomáticas          da paciente, que a levavam exigir as mais diversas cirurgias. Felizmente          o médico não cedeu às exigências. Ela realmente          não lembrava do abuso, mas o corpo jamais esquecera o que resultou          numa punição severa toda a vez que ela revivia o antigo          trauma.</p>
<p>Outro caso interessante de sadomasoquismo, citado pela autora, de um antigo          paciente que se submetia a grande dor física e ao simbolismo da          castração. O paciente contou muito excitado que tinha acabado          de participar de um concurso onde ele ficava nu no palco e a dominadora          injetou anestésico em seus genitais, depois costurou com uma agulha          bem grossa seus testículos, fazendo uma aba para cobrir-lhe o pênis.          Ele descreveu que sentiu uma dor &#8220;lancinante e divina&#8221;, e que          sentiu ainda mais prazer quando percebeu ser o centro das atenções.</p>
<p>A autora afirma que, ao longo de seu trabalho clínico com pessoas          que se envolvem em sadomasoquismo, ocorre um forte grau de negação.          Alguns pacientes recusam-se a admitir que seus atos possam provocar algum          mal emocional ou físico nos participantes desta atividade. Eles          são categóricos ao afirmar que sua sensação          predominante é de liberdade sexual.</p>
<p>WELLDON, Estela V. <strong>Sadomasoquismo</strong>. Rio          de Janeiro: Relume: Ediouro: Segmento-Duetto, 2005 (Conceitos da Psicanálise;          v.3).</p>
<p><span><em>* Parafilia: Para = desvio; filia = atração.          É um transtorno sexual caracterizado por fantasias, desejos e/ou          práticas sexuais intensas e recorrentes, envolvendo situações          sexuais diferentes da realizada com um ser humano, adulto e vivo, com          finalidade de prazer e/ou procriação. É o mesmo que          transtorno de preferência. Antes chamada perversão sexual.          São exemplos: a necrofilia, a pedofilia, o voyeurismo, o exibicionismo          e o sadomasoquismo. </em></span><em><br />
<span>Fonte: Portal da Sexualidade</span></em></p>
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		<title>Asfixia erótica</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 21:11:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[asfixia erótica]]></category>
		<category><![CDATA[edições 6 a 10]]></category>
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		<category><![CDATA[prazer sexual]]></category>

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		<description><![CDATA[<p class="texto">Lívia: Asfixia erótica ou Hipoxifilia.          Qual a designação correta do fetiche?
É popular utilizar o termo asfixia erótica.</p>
<p <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/asfixia-erotica/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="texto"><strong>Lívia: Asfixia erótica ou Hipoxifilia.          Qual a designação correta do fetiche?</strong><br />
É popular utilizar o termo asfixia erótica.</p>
<p class="texto"><strong>Lívia: Desde quando você conhece essa          prática?</strong><br />
Bem, você se refere à minha prática ou à prática          em geral?</p>
<p class="texto"><strong>Lívia: A ambas. Fale do geral e vá          para o particular.</strong><br />
Quanto à asfixia erótica, passei a conhecê-la lá          pelos idos de 1995, ano em que comecei a acessar a Internet e, por conseguinte,          pesquisar assuntos heterodoxos, como este. Quanto à minha prática&#8230;          Desde criança. Ou melhor, desde que comecei a manifestar sensações          de caráter erótico.</p>
<p class="texto"><strong>Lívia: Que interessante&#8230;Quer dizer que          sempre esteve com você. A asfixia é excitante mesmo dissociada          de elementos eróticos? Mesmo sem o caráter perverso de quem          estrangula, mesmo sem a &#8220;submissão&#8221;?</strong><br />
Sim. Imagine uma hipotética cena em que, por exemplo, uma moça          ameaçada por um estuprador, consiga reagir de alguma forma e o          estrangule. Não há o caráter sadomasoquista, não          há perversidade nela (imagine uma perda temporária da noção          da realidade). Assim mesmo, é extremamente excitante. Claro que          se torna mais excitante se os dois elementos estiverem presentes.</p>
<p class="texto"><strong>Lívia: E o que é que o excita nessa          prática? O que é que pressupõe ser excitante o ato          de asfixiar?</strong><br />
Não consigo definir bem o que torna tão excitante. Já          refleti muito a respeito, mas não cheguei a uma conclusão.</p>
<p class="texto"><strong>Lívia: Tirando a asfixia, há alguma          prática sadomasoquista que seja excitante para você?</strong><br />
Não&#8230; Nenhuma. Aquelas práticas clássicas (bondage,          velas, etc&#8230;) não me atraem nem um pouco.</p>
<p class="texto"><strong>Lívia: Você assistiu ao filme Império          dos Sentidos?</strong><br />
Sem dúvida! (risada)</p>
<p class="texto"><strong>Lívia: O que achou do filme?</strong><br />
Dois aspectos: o filme em si eu achei bem interessante. O final, por motivos          óbvios, eu adorei. Mas já assisti há muitos anos&#8230;          Talvez uns 15.</p>
<p class="texto"><strong>Lívia: Você costuma fantasiar sobre          Asfixia erótica?</strong><br />
Fantasiar em que sentido? Seja mais específica.</p>
<p class="texto"><strong>Lívia: Fantasiar situações          envolvendo o fetiche. Como a cena hipotética que me descreveu há          pouco.</strong><br />
Sem dúvida! Com freqüência inacreditável.</p>
<p class="texto"><strong>Lívia: Pode me descrever uma?</strong><br />
Vejamos&#8230; Bem&#8230; Como você sabe, sou médico. A última          paciente do dia entra no consultório. A secretária já          foi embora (hipótese improvável, nesses tempos de processos          por assédio sexual&#8230;). Começa a me contar o problema&#8230;          Como sou ortopedista, ela alega alguma dor nos joelhos. Tenho que examinar.          Sou um médico responsável. Mas ela está usando meias          finas&#8230; O exame não seria possível assim. Ela começa          a tirar as meias (bem, antes tiraria os sapatos, o que renderia outra          entrevista&#8230; (mais risadas)</p>
<p class="texto"><strong>Lívia: O que seria tão interessante          quanto esta! Continue.</strong><br />
Mas, ao invés de colocar as meias em algum lugar, envolve meu pescoço          com uma delas. E começa a apertar. A princípio, incrédulo,          não esboço reação. Quando resolvo que a coisa          está indo longe demais, tento reagir, mas já estou meio          fraco, pelo hiato de oxigenação. Quase no &#8220;final do          serviço&#8221;, ela sente piedade e me solta. Por aí vai.</p>
<p class="texto"><strong>Lívia: Uau&#8230;Até eu prendi a respiração!          Então pelo que eu posso perceber, o ato da asfixia o excita por          si só, mesmo não envolvendo o sexo como o entendemos convencionalmente?</strong><br />
Exato!</p>
<p class="texto"><strong>Lívia: Interessante e inusitado. Diga-me,          já praticou a asfixia?</strong><br />
Bem&#8230; Deixe-me explicar uma coisa antes. Excita-me a hipótese          da asfixia. O ritual. Não necessariamente tenho que ser asfixiado          para sentir prazer. Se a moça, num jogo sensual, fica fazendo o          movimento, mesmo sem apertar, ou falando, ameaçando, já          excita demais. Tendo dito isto, eu diria que, no aspecto da insinuação,          do clima&#8230; Inúmeras vezes. No aspecto efetivo, isto é,          ser asfixiado para valer somente uma vez.</p>
<p class="texto"><strong>Lívia: Entendo o que quer dizer. Há          algum aspecto que eu não abordei e que você acha que merece          menção?</strong><br />
Sim. O modo de encarar essa espécie de parafilia. Durante muitos          anos, eu me assustava com essa preferência heterodoxa. Talvez por          minha inexperiência. Hoje, vejo como um fetiche, como outro qualquer.          Há inclusive fetiches muito mais estranhos. O fato é que,          se a moça gostar do jogo, e, principalmente, sentir-se excitada          também, é o máximo. Mas, se ela, por algum motivo,          tiver restrição a isso. Bem, não é imprescindível.          E, um último aspecto: Sempre me imaginei a exceção          entre as exceções. Hoje, graças à Internet,          sei que há milhares de homens (e mulheres) que têm o mesmo          fetiche. Não me sinto mais só.</p>
<p class="texto">F. 42 anos.</p>
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		<title>Pesquisa de Campo</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 21:04:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 6 a 10]]></category>
		<category><![CDATA[homoerotismo]]></category>
		<category><![CDATA[homossexualismo]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade masculina]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica          Hellmann</p>
<p align="left">As cores, as texturas, a decoração,          a <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/pesquisa-de-campo/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a title="escreva para a editora" href="mailto:geh@gehspace.com">Géssica          Hellmann</a></strong></p>
<p align="left">As cores, as texturas, a decoração,          a iluminação fantástica. Ambiente pequeno e aconchegante.          Estava fascinada, cada detalhe me saltava aos olhos. Eu era praticamente          a única representante do sexo feminino.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><img title="Homens - Pastel por Géssica Hellmann - 2005" src="http://gehspace.com/edicao%209%20imagens/homens%20artigo.jpg" alt="Géssica Hellmann - Homens - arte sexualidade" width="400" /><p class="wp-caption-text">Homens - Pastel por Géssica Hellmann - 2005</p></div>
<p>Um ambiente completamente masculino. Às vezes me          olhavam, como se eu fosse &#8220;um objeto estranho&#8221;, que não          se encaixava naquele espaço. Mas não me intimidei. Meus          sentidos registravam tudo, para que nada me escapasse. Sim, era a primeira          vez que eu estava em um ambiente gay.</p>
<p>Não havia mesas livres. Mas isso não era          problema, um amigo nosso conversou com um pessoal que estava sentado,          perguntando se poderíamos ocupar a mesa para jantar quando eles          terminassem a refeição. Prontamente concordaram. Aguardamos.</p>
<p>Risos, burburinho, música, corpos em movimento.          E o melhor de tudo, não havia engraçadinhos com cantadas          chulas ao pé do meu ouvido. Eu estava livre para observar sem ser          incomodada. Com a mesa desocupada, fomos jantar.</p>
<p>Algo notável era a forma como abordavam uns aos          outros. Tocavam-se o tempo todo. A facilidade de se fazer amigos, demonstrar          o interesse pelo outro, sorrisos, olhares, abraços. Uma característica          forte masculina (independente da opção sexual), de estar          com um (a) parceiro (a) e mesmo assim se sentir fortemente atraído          por outro (a), era perceptível. Não faziam questão          de esconder. Talvez por serem homens, sabiam e entendiam esta necessidade,          melhor do que nós mulheres.</p>
<p>O cuidado na aparência, cabelos bem cortados, físicos          bem definidos, corpos malhados. O vestuário consistia na sua maioria          de camisetas T-shirt e calça jeans. Impecáveis. Sem esquecer          dos acessórios, como gargantilhas e anéis, mas sem excesso.</p>
<p>Outro fator que pude observar: o modo como se tocavam.          A bolinação era constante, um agarrava a bunda do outro          abertamente, a fim de demonstrar interesse. Toques fortes, com pressão          masculina.</p>
<p>O beijo! Não posso esquecer do beijo. Fico a imaginar          a sensação. Homem costuma beijar de forma mais bruta, a          mulher já costuma ser mais suave. Beijos entre um casal gay têm          uma sensual brutalidade.</p>
<p>Por fim, o inevitável. A vontade suprema de ir ao          banheiro. Ao percorrer o caminho, cercada por homens, fiquei a imaginar          se existiria na boate um banheiro feminino. Encontrei. &#8220;Feminino&#8221;          não seria bem o termo a definir, havia uma fila e uma entrada para          os sanitários, um deles com uma placa, indicando &#8220;feminino&#8221;.          Como era de se esperar, ambos usados por homens. Havia uns cinco homens          à minha frente. Com extrema gentileza, permitiram que eu passasse          à frente.</p>
<p>Pude perceber que os gays tem grande cuidado com a aparência,          procuram ser discretos em ambientes externos, mas em ambientes fechados          são extremamente expansivos, comunicativos, e acima de tudo: o          toque predomina durante todo o diálogo.</p>
<p>Enfim, não havia bichos-papões: somente uma          expressão de sexualidade diferente da que estava habituada a observar.          Nada como a observação direta para remover quaisquer resquícios          de preconceitos infundados.</p>
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		<item>
		<title>O Amor Sublime II (em &#8220;O Núcleo do Cometa&#8221; por Benjamin Péret)</title>
		<link>http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/o-amor-sublime-ii-em-o-nucleo-do-cometa-por-benjamin-peret/</link>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 20:58:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[edições 6 a 10]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://gehspace.com/sexualidade/?p=58</guid>
		<description><![CDATA[<p>Traduzido por Worgtal</p>
<p>
(&#8220;Le Noyau de la Cométe&#8221;. Fragmentos extraídos          da introdução da &#8220;Anthologie de l’amour sublime&#8221;,   <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/o-amor-sublime-ii-em-o-nucleo-do-cometa-por-benjamin-peret/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Traduzido por Worgtal</p>
<p><strong><em><br />
(&#8220;Le Noyau de la Cométe&#8221;. Fragmentos extraídos          da introdução da &#8220;Anthologie de l’amour sublime&#8221;,          tal como foram publicados na &#8220;Medium-Comunication surréaliste&#8221;,          nº 4, janeiro de 1955, Ed. Arcanes, Paris, pág. 20/22. Tradução          para o espanhol de Juan Carlos Otaño.)</em></strong></p>
<p>Se o homem é um ser social com toda certeza, é          porque tem o sentimento inato de insuficiência individual, derivada          de sua condição humana propriamente dita. Dali pode inferir-se          sua angústia. De tal maneira, desde sua origem, se vê inclinado          a buscar fora de si aquilo de que carece, já que &#8220;a necessidade          de amor revela em nós, desde esse instante, um princípio          de dissociação&#8221; (3). Se o ser humano fosse completo          e perfeito, não teria tendência alguma de unir-se a seus          semelhantes, tampouco inclusive de buscar sua companhia, por qualquer          motivo que fosse. Cada indivíduo seria um ser acabado sem evolução          possível. Unicamente poderia conceber uma harmonia individual num          universo imóvel para sempre, enquanto Heráclito já          via no mundo &#8220;uma harmonia de tensões opostas&#8221;, uma &#8220;harmonia          de tensões alternadamente convergentes e divergentes&#8221;, já          que &#8220;a discordância cria a mais bela harmonia&#8221;. Enquanto          isso, Platão, no &#8220;Banquete&#8221;, assinala que o grave e o          agudo só alcançam a harmonia em seu acorde. Para que este          acorde seja possível, é necessário, a partir do ponto          em que o grave e o agudo se confundem, que seja reconhecida a gama de          um e do outro, desde a mais alta do agudo até a mais baixa do grave.          Em uma palavra, é necessário alcançar a maior diferenciação          entre os sons para então poder examinar o acorde. O mesmo sucede          entre o homem e a mulher. Unicamente quando esta diferenciação          seja cumprida em sua totalidade, quer dizer, quando o homem tenha desenvolvido          todas as suas possibilidades viris e a mulher todas as suas virtudes femininas,          seu acorde perfeito se tornará possível. Para que a harmonia          reine, para conhecer a felicidade, cada parte, possuindo assim mesmo uma          individualidade claramente pronunciada, pode então pensar no ser          que lhe falta. O amor sublime é precisamente este acorde perfeito          entre dois seres harmonicamente combinados. É a esta harmonia que          aspira o Ocidente, sem ter dele uma consciência clara. Dali provém          que, no nosso mundo, o amor sublime continua sendo a-social e, às          vezes, inclusive anti-social, porque este mundo, o dos nossos dias, mantém          no limite um dualismo de que extrai todo o seu poder repressivo, perceptível          até nos detalhes mais ínfimos da vida cotidiana.</p>
<p><em>(3) Novalis: &#8220;Journal intime: Phsychologie&#8221;, Stock, París.,          1927.</em></p>
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		<title>A vida dentro do Armário II</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 20:55:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 6 a 10]]></category>
		<category><![CDATA[homossexualismo]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade masculina]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica          Hellmann</p>
<p>1 &#8211; Como foi sua descoberta da sexualidade?
Foi razoavelmente cedo. Aos 7 anos eu já tinha experiência <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/a-vida-dentro-do-armario-ii/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="escreva para a editora" href="mailto:geh@gehspace.com">Géssica          Hellmann</a></p>
<p><strong>1 &#8211; Como foi sua descoberta da sexualidade?</strong><br />
Foi razoavelmente cedo. Aos 7 anos eu já tinha experiência          sexual com minha irmã de 14. Não havia penetração,          ficávamos só no &#8220;esfrega-esfrega&#8221;, ela me pedia          para tocá-la, roçar meu corpo no dela. Nesse mesmo período,          lembro também que eu e minha prima costumávamos &#8220;brincar          de médico&#8221;.</p>
<p><strong>2 &#8211; Quando percebeu que se sentia atraído          pelo mesmo sexo?</strong><br />
Na época não tinha consciência mas, hoje, ao recordar          cenas da infância, lembro-me de que sentia uma forte atração          ao ver os pêlos do peito do meu tio, na época eu achava bonito,          admirava. Acho que, no fundo, já era uma tendência.</p>
<p><strong>3 &#8211; Sua primeira experiência homossexual?</strong><br />
Eu tinha 12 anos, e como todo menino na época adorava jogar futebol.          Sempre fui metido a valentão e acho que, por isso, nunca me chamavam          de &#8220;viadinho&#8221;, como era costume chamarem os garotos mais retraídos.          Nos jogos de futebol, eu tinha um amigo mais velho, com 18 anos, que sempre          jogava conosco. Lembro do dia que eu ganhei uma corrente de ouro da minha          mãe e, depois de jogar, sentamos lado a lado num banco. Senti que          ele mantinha a perna próxima, muitas vezes roçando a minha.          Achei meio estranho na hora, mas não me incomodei, pois era meu          amigo. Na hora de ir pra casa, ele tirou a corrente do meu pescoço          e ficou na brincadeira dizendo que não ia devolver. Eu sabia que          mais tarde ele devolveria. Como já tinha carteira de motorista,          ele costumava ir ao jogo de carro. Naquela tarde ao voltar pra casa ele          sofreu um acidente e ficou três meses sem aparecer ao jogo e com          minha corrente.</p>
<p>Meses depois nos reencontramos e ele devolveu minha corrente.          Na ocasião, comentou que haveria uma festa e convidou-me para dormir          na casa dele de modo que pudéssemos ir juntos à tal festa.          Na época, eu já estava com quase 13, e minha mãe          não me deixava ir a festas sozinho. Aproveitei a desculpa de ir          dormir na casa do amigo pra poder sair. Lembro que, depois da festa, ao          voltar pra casa, ele me beijou, foi meu primeiro contato. Na hora parecia          uma brincadeira. Mas no dia seguinte veio a rejeição, senti          repulsa e nunca mais quis ver ou saber dele.</p>
<p><strong>4 &#8211; Você casou e é pai, como foi esse          período?</strong><br />
Aos 14, comecei a namorar uma menina, linda, me apaixonei, e como dois          adolescentes com excesso de hormônios, foi difícil refrear          o impulso sexual. Aos 15, já era pai, foi maravilhoso e assustador.          Ficamos casados por 4 anos. Foi muito difícil quando nos separamos,          eu não queria, apesar de saber que tinha errado (pulado a cerca)          algumas vezes. Hoje somos grandes amigos. O meu filho foi o melhor presente          que recebi, não sei hoje o que seria sem ele. Dois anos depois          voltei a ter novos relacionamentos homossexuais.</p>
<p><strong>5 &#8211; Como sua família reagiu?</strong><br />
Foi difícil contar, mas eu sabia que não poderia esconder          por muito tempo. Imagino que não tenha sido fácil para minha          mãe, mas ela compreendeu. Hoje ela faz todo o tipo de pergunta          sobre sexo, meus sentimentos, meus namorados. Minha ex e meu filho também          sabem. Bom, meu filho sabe o que um menino de 8 anos pode saber (risos),          ele gosta muito do meu atual namorado e sente ciúmes quando uma          amiga brinca que é minha namorada. Confesso que não tenho          medo de rejeição por parte dele, mas sim, do que ele pode          sofrer por ser filho de um homossexual, isso me incomoda porque não          quero que ele sofra.</p>
<p><strong>6 &#8211; Hoje como você sente o preconceito social?</strong><br />
Moro numa cidade onde a cultura predominante é extremamente tradicionalista,          o preconceito existe. Não há espaço para homossexuais,          mas isso não impede que eles existam. É costume sair para          as capitais próximas, onde o preconceito é menor e há          ambientes próprios para gays. Para evitar confrontos, prefiro ser          discreto.</p>
<p><strong>7 &#8211; Existe a necessidade de certa forma, viver          dentro do armário?</strong><br />
Como disse anteriormente, prefiro a descrição ao confronto          desnecessário. A sexualidade é algo tão íntimo          que não há necessidade de expor para todo mundo.</p>
<p class="texto"><em>S.T., 24 anos.</em></p>
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		<title>O Amor Sublime (por Benjamin Péret)</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 20:49:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[edições 6 a 10]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[sexo]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Traduzido por Worgtal</p>
<p>
(&#8220;Le Noyau de la Cométe&#8221;. Fragmentos extraídos          da introdução da &#8220;Anthologie de l’amour sublime&#8221;,   <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/o-amor-sublime-por-benjamin-peret/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Traduzido por Worgtal</em></p>
<p><strong><em><br />
(&#8220;Le Noyau de la Cométe&#8221;. Fragmentos extraídos          da introdução da &#8220;Anthologie de l’amour sublime&#8221;,          tal como foram publicados na &#8220;Medium-Comunication surréaliste&#8221;,          nº 4, janeiro de 1955, Ed. Arcanes, Paris, pág. 20/22. Tradução          para o espanhol de Juan Carlos Otaño.)</em></strong></p>
<p>Todos os mitos refletem a ambivalência do homem frente          ao mundo e frente a si mesmo, ambivalência que, por sua vez, é          resultante do profundo sentimento de dissociação experimentado          pelo homem e inerente a sua natureza. Considera-se a si mesmo como débil,          desamparado, frente às forças naturais que o dominam. Pressente          que poderia levar uma existência menos precária, sentir-se          mais afortunado. Mas não pode discernir o caminho do seu bem-estar          sob as condições de vida que a natureza e a sociedade lhe          impõe e se consola em situá-lo em uma idade de ouro perdida          ou em um futuro extraterrestre. A importância dos mitos reside então          na aspiração à felicidade que contém, na percepção          de sua possibilidade, e nos obstáculos que se interpõem          entre o homem e seu desejo. Em suma, expressam o sentimento de uma dualidade          na natureza da qual o homem participa, e na qual não vê uma          solução possível na extensão de sua existência.</p>
<p>Os mitos religiosos refletem esse processo; mas em vez de tentar resolver          essa dualidade inicial, ocupam-se em acentuá-la ao extremo. É          por isso que sua função consiste em proteger a estrutura          da sociedade da qual reclamam ou que as aceita. Os mitos primitivos tendem          a um mesmo fim, porém em menor escala, tanto sua sociedade seja          mais homogênea. Por isso, em compensação e numa mesma          proporção, valorizam os elementos de exaltação          inerentes a esses mitos. Apresentam, em temas diversos, o aspecto dual          referido ao consolo e a exaltação, depositando a ênfase,          quase sempre, sobre o primeiro destes. Expressam, portanto, o desejo humano          e o sentimento dos obstáculos que deve superar para alcançar          seu objetivo.</p>
<p>Até aqui a humanidade não concebeu mais do que um único          mito de exaltação pura, o amor sublime, o qual, partindo          mesmo do coração do desejo, aspira à sua satisfação          total. É assim o grito da angústia humana metamorfoseado          em canto de alegria. Com o amor sublime, o maravilhoso perde igualmente          seu caráter sobrenatural, extraterrestre ou celeste, que até          então havia tido em todos os mitos. De alguma forma, regressa à          sua fonte para descobrir sua verdadeira solução e inscrever-se          nos limites da existência humana.</p>
<p>Partindo das aspirações primordiais mais poderosas do indivíduo,          o amor sublime lhe oferece uma via de transmutação confluente          rumo a um acordo entre a carne e o espírito, tendendo a confundi-los          numa unidade superior onde já não podem ser distinguidos          mutuamente, encarregando-se o desejo de realizar esta fusão que          é sua justificativa última. É o ponto extremo ao          qual a humanidade atual pode aspirar. Em conseqüência, o amor          sublime se opõe à religião e especialmente ao cristianismo,          posto que o cristão não pode senão reprovar o amor          sublime, chamado a divinizar o ser humano. Como conseqüência,          este amor não tem lugar senão em sociedades onde a divindade          aparece como oposta ao homem: o cristianismo e o islamismo; em acréscimo          neste último caso, sendo que desde sua origem, o peso da teologia          impediu que pudesse integrar-se ao ser humano (1).</p>
<p>O amor sublime representa então em princípio, uma revolta          do indivíduo contra a religião e a sociedade, dado uma apoiar-se          na outra.</p>
<p>É o &#8220;Grande Desejo, aquele que une o Corpo e o Espírito,          durante um tempo muito mais vasto do que a união com o corpo no          pequeno desejo&#8221; (2). O &#8220;Grande Desejo&#8221; enraizado na condição          humana expressa essa tensão do homem orientada rumo à felicidade          total, que pode ser esperada pela supressão de sua ruptura, não          sendo esta felicidade possível até que suas causas sejam          descobertas. O amor sublime só poderia satisfazer este &#8220;Grande          Desejo&#8221; entrementes, se alimentado e ampliado pela satisfação          do &#8220;pequeno desejo&#8221; carnal. O reconhecimento da universalidade          deste desejo, de sua significação cósmica e de suas          manifestações no homem, reclama por sua vez sua sublimação          e a do seu objeto. Ao manter-se afastado do amor sublime, o ser humano          &#8211; o homem, sobretudo &#8211; quase não se entrega ao desejo exceto na          medida em que este o conduza ao seu estado mais primitivo. No amor sublime,          os seres arrebatados pela vertigem não aspiram senão a deixar-se          levar o mais longe possível nesse estado. O desejo, permanecendo          ligado à sexualidade, se vê então transfigurado. Frente          à perspectiva da saciedade, tem a possibilidade de incorporar todos          os benefícios que sua sublimação anterior, inclusive          a mais absoluta, lhe haviam acarretado e que provocam sua renovada exaltação.          Fora do amor sublime, de algum modo, a sublimação do desejo          leva implícita sua desencarnação, já que para          obter satisfação, deve perder de vista o objeto que a suscitou.          Por este meio se mantém no homem um estado de dualidade, em favor          do qual a carne e o espírito permanecem opostos. Por outro lado,          no amor sublime essa sublimação não é possível          a não ser a partir da intermediação com seu objeto          carnal, que tende a restabelecer no homem uma coesão com a anterioridade          inexistente. O desejo, no amor sublime, longe de perder de vista o ser          carnal que lhe deu origem, tende então, em definitivo, a sexualizar          o universo.</p>
<p><em>(1) Os sufis árabes parecem, à primeira          vista, conter uma aspiração ao amor sublime; mas se trata          na verdade de um amor que rechaçou todo objeto humano em proveito          da divindade a qual atributos humanos, às vezes carnais, são          atribuídos. Ref. &#8220;Les plus beaux textes arabes&#8221;, apresentados          por Emile Dermenghem, ed. La Colombe, Paris.</em></p>
<p><em><br />
(2) R. Schwaller de Lubicz: &#8220;Adam l’homme rouge&#8221;, Librairie          Le Soudier, Paris. Nesta obra consagrada ao esoterismo do amor, me indica          André Breton, o autor exalta uma concepção dos intercâmbios          amorosos que, em mais de um ponto, coincide com o amor sublime.</em></p>
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		<item>
		<title>Moralidade ocidental &#8211; Mulher brasileira</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 20:44:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[edições 6 a 10]]></category>
		<category><![CDATA[moralidade]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade feminina]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica          Hellmann</p>
<p>Segundo Vasconcelos (2005), na sociedade brasileira o poder familiar sempre imperou nas mãos do homem. Foi a <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/moralidade-ocidental-mulher-brasileira/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="escreva para a editora" href="mailto:geh@gehspace.com">Géssica          Hellmann</a></p>
<p>Segundo Vasconcelos (2005), na sociedade brasileira o poder familiar sempre imperou nas mãos do homem. Foi a família patriarcal a célula mais importante da formação de sociedade brasileira. Esta organização perdurou no Brasil até meados do século XIX. Os direitos civis no Brasil, basicamente, até 1890, eram uma extensão dos de Portugal. O primeiro Código Civil Brasileiro só entrou em vigor a partir de 1917. De modo geral, nossas Constituições limitavam-se a afirmar o princípio de igualdade, mas a realidade era bem diferente.</p>
<p>A monogamia foi criada para preservar o poderio econômico dentro de um mesmo grupo sangüíneo. Por este motivo a sexualidade feminina era rigorosamente controlada, pois esta era a única forma de que o homem dispunha para assegurar a paternidade. Tornou-se , portanto, indispensável valorizar o papel da esposa, tornando-se a fidelidade da mulher fator preponderante em uma união e punições deveriam ser aplicadas àquelas que não cumprisse mcom este dever. O adultério feminino era punido com mais rigor que o masculino. O homem considerava a fidelidade da mulher como parte da sua honra para e, por isso, passou a ter o direito de vida e de morte sobre ela. Essa ideologia trouxe um aumento no número de mortes e na violência doméstica em geral.</p>
<p>Barbosa (2005) afirma que o debate político público sobre a moralidade sexual, o casamento e as relações entre gêneros, no início do século XX, pretendia assegurar o engajamento das mulheres e da família nas tarefas de reprodução social, segundo o interesse dos governantes.</p>
<p>Do ponto de vista econômico o trabalho feminino foi cada vez mais necessário para a economia familiar. Mas o problema para o Estado consistia em como conciliar o emprego feminino com a função de ligar as mulheres com seus deveres familiares e a preservar a divisão sexual do trabalho familiar. O emprego feminino deveria somente complementar o trabalho masculino, com salários mais baixos, para não &#8220;violentar&#8221; sua feminilidade e seu papel doméstico.</p>
<p><strong>Conclusão</strong></p>
<p>Desde o início do cristianismo a mulher era tratada como ser inferior. Em vários momentos ela foi e de certa forma é ainda controlada por instituições como a Família, a Igreja e o Estado. Onde estão os direitos de igualdade? Muito destes direitos já foram adquiridos, mas até quanto essa &#8220;falsa liberdade moral&#8221; continuará? Por que muitas mulheres se sujeitam a esse esquema, ou a pergunta deveria ser, o que elas ganham com isso? O que fazer pra mudar? Será que queremos realmente que mude? Queimaremos novamente sutiãs? Na verdade, acho que devemos mergulhar em nós mesmas e descobrir as possíveis respostas: talvez a mudança encontre-se no nosso próprio conceito de moralidade.</p>
<p>BARBOSA, Regina Helena Simões. <strong>Mulheres, reprodução e aids: as tramas da ideologia na assistência à saúde de gestantes HIV+</strong>. Disponível em: http://portalteses.cict.fiocruz.br/transf.php?script=thes_chap&amp;id=00006703&amp;lng=pt&amp;nrm=iso . Acessado em: 21 ago. 2005.</p>
<p>VASCONCELOS, Eliane. <strong>Não as matem</strong>. Disponível em: http://www.casaruibarbosa.gov.br/eliane_vasconcelos/Agulha/main_agulha.html. Acessado em: 21 ago. 2005.</p>
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		<item>
		<title>A Masturbação</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 20:39:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 6 a 10]]></category>
		<category><![CDATA[masturbação]]></category>
		<category><![CDATA[prazer sexual]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Acredito não haver dúvida de que a masturbação é o ato sexual mais praticado pela humanidade desde seus primórdios até hoje. A procura do prazer solitário, a <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/a-masturbacao/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acredito não haver dúvida de que a masturbação é o ato sexual mais praticado pela humanidade desde seus primórdios até hoje. A procura do prazer solitário, a famosa masturbação, normalmente é a primeira manifestação sexual, presente na vida de todas as pessoas.</p>
<p>Embora hoje, já seja vista como uma prática até mesmo saudável e necessária para o conhecimento do próprio corpo, no que tange a busca do prazer sexual e a forma de obtê-lo, sabemos que nem sempre foi assim.</p>
<p>Devido a tantos mitos, tabus, preceitos religiosos e normas pseudo-científicas, teve sua importância claramente menosprezada na grande maioria dos estudos sobre a sexualidade humana.</p>
<p>A palavra masturbação vem do latim, “masturbare, masturbatio&#8221;, (masturbar, masturbação) ou seja , sujar as mãos. Assim já podemos perceber o enorme significado negativo que herdamos com relação a prática da masturbação.</p>
<p>Quase todos os rapazes na puberdade e adolescência se masturbam, assim como também, hoje, as meninas, em função do maior volume de informações e melhor conhecimento do próprio corpo. Por muito tempo a masturbação foi uma conduta tida como masculina, poucas mulheres efetivamente se masturbavam e, as que o faziam, silenciavam frente a tal transgressão.</p>
<p>O mais natural é que todos acabem descobrindo o prazer do toque sexual com as próprias mãos; afinal de contas o desejo começa na puberdade, se consagra na adolescência e permanece por toda a vida.</p>
<p>No relacionamento sexual com o outro é por demais importante que a pessoa possa informar ao parceiro como gosta de ser tocada e exatamente onde sente mais prazer, lembrando o conhecimento do próprio corpo facilitado pela masturbação.</p>
<p>A culpa ainda ronda a liberdade do toque masturbatório pois, por muito tempo, a masturbação se manteve como a grande vilã da sexualidade, um prazer não lícito. A máxima de que todo prazer deveria ser espiritual, tornou a masturbação absolutamente proibida.</p>
<p>A maioria das mulheres consegue o orgasmo pela masturbação, o que nem sempre ocorre no relacionamento com o parceiro, entre outros motivos, pela facilidade de encontrar o toque perfeito, pela liberdade do desempenho e pelo descompromisso com o tempo. Por este mesmo motivo, a intensidade do orgasmo sentido pela masturbação costuma ser maior. Isso não quer dizer que seja mais satisfatório. O orgasmo sentido no relacionamento sexual a dois tem o outro como aquele que autoriza e testemunha o pleno prazer.</p>
<p>A masturbação acabou penalizada na base de conceitos infundados. A ela foi atribuída não só a loucura, mas uma série de anomalias e doenças que poderiam advir de sua prática. Era a encarnação da impureza, trazendo como resultado prejuízos à saúde.</p>
<p>Hoje sabemos que a masturbação torna-se necessária até mesmo como uma forma de entendimento da própria sexualidade e que sua manifestação e ação não acontece por fatores externos e, sim, por uma necessidade interna, descobrindo as próprias sensações na lida com o desejo, desejo este que aparece mais claramente a partir da puberdade.<br />
A condenação do ato masturbatório e suas conseqüências foram tão fortes que, até hoje, e possivelmente por muito tempo, ainda estará associada à vergonha e pecado, herança das crenças religiosas que encontraram na masturbação o bode expiatório de suas teorias sobre virgindade, pureza. Como a masturbação era prazer do corpo e não do espírito, o sexo deveria ser usado unicamente para a função reprodutiva, como os animais.</p>
<p>Curiosamente, o onanismo era associado à criatividade e já foi usado para explicar e descrever a criação do mundo pelos próprios elaboradores das religiões. O deus Aton, a utilizara para a criação do mundo. Também é oportuno lembrar que, na Idade Média, as mulheres eram protagonistas de prática masturbatória intensa, aceita e até mesmo incentivada.<br />
Quando morriam, levavam junto ao corpo os objetos fálicos, com os quais em vida se masturbavam.</p>
<p>Contribuindo, ainda, para a má fama da masturbação, por volta de 1758 o médico suíço Samuel Tissot desenvolvia um trabalho sobre sexualidade em que categoricamente descrevia e defendia as conseqüências maléficas da masturbação. Afirmava que a prática masturbatória enfraquecia o sistema nervoso, facilitando as doenças e fragilizando o organismo como um todo, inclusive podendo levar seus praticantes desde a loucura até a morte.</p>
<p>Não é a toa que hoje tenhamos recebido esta abominável herança em que o prazer sexual mal compreendido, foi responsável por muitos preconceitos e traumas de toda ordem com relação ao sexo e a sexualidade.</p>
<p>Desde a infância a curiosidade se torna acentuada, uma vez que tudo é novo, e não seria diferente com as primeiras sensações sexuais, já se manifestando. Embora o toque tenha a condição erótica, muitas vezes, trata-se de uma manifestação fisiológica.</p>
<p>Na adolescência se intensificam as manifestações sexuais. Nos meninos, as ereções são constantes e nem sempre os mesmos conseguem ter o controle de sua intensidade e intervalos. Nas meninas há uma intensificação das secreções vaginais.</p>
<p>O simples fato de trazer a memória alguma cena ou situação erótica, já é o bastante tanto nos meninos, quanto nas meninas para que ocorram os desejos sexuais, abrindo o caminho das descobertas, em que a masturbação vai acontecer espontaneamente, num misto de curiosidade e experimentos a ela relacionados.</p>
<p>A grande carga hormonal presente na adolescência, será responsável pelas transformações do corpo, tanto das meninas quanto dos meninos, com o aparecimento dos pêlos púbicos em ambos os sexos.</p>
<p>Nas meninas o aparecimento das mamas e as formas arredondadas dos quadris, nos meninos a musculatura se avoluma, a voz engrossa, os pêlos se distribuem pelo corpo, inclusive no rosto. Os adolescentes entram na fase em que se preparam sexualmente como reprodutores, podendo transmitir seus genes e assim dar continuidade a vida.</p>
<p>A explosão hormonal que aconteceé tão intensa que acaba trazendo junto, além das espinhas no rosto, uma insegurança com as transformações corporais, e hoje sabemos que isso ocorre independentemente dos adolescentes se masturbarem ou não, como sugerem tantos preconceitos emanados sobretudo dos mitos religiosos e informações pseudo-científicas.</p>
<p>A masturbação costuma ser saudável em todas as fases da vida. Somente deixa de ser benéfica ao tornar-se tão exclusiva que elimine qualquer outra manifestação sexual entre os parceiros. Deixando ainda de ser sadia na medida em que objetiva aplacar a ansiedade e as tensões: o individuo já não consegue exercer suas atividades corriqueiras e naturais, tais como: divertir-se, sair com amigos, praticar esportes, estudar ou até mesmo cumprir suas funções profissionais. Em casos como esse, a masturbação torna-se uma atividade compulsiva, refletindo outras disfunções. Torna-se oportuna uma avaliação e acompanhamento terapêutico para investigar o foco das tensões, conflitos emocionais envolvidos e conseqüente compulsão.</p>
<p>Quanto maior tranqüilidade tiverem os pais e educadores com relação ao desenvolvimento sexual de seus filhos e educandos, quanto mais conseguirem discutir assuntos referentes ao sexo e a sexualidade, incluindo a masturbação, tanto melhor serão os conhecimentos da vida sexual como um todo.</p>
<p>Lembrar ainda que a atividade masturbatória acaba sendo uma forma de prazer saudável, na ausência do parceiro em qualquer fase da vida, na vida de solteiro, na velhice, na viuvez ou, ainda, quando acontece impotência do companheiro.</p>
<p>Mulheres casadas com homens que se tornam impotentes têm na masturbação um recurso importante e saudável para manutenção da atividade e prazer sexual.</p>
<p>Como já enfatizamos, o relacionamento com o parceiro tornar-se a melhor, mais saudável e proveitoso, na medida que as pessoas tiverem maiores conhecimentos sobre o sexo, sensações e possibilidades sexuais. A satisfação masturbatória inclusive prepara e enriquece o relacionamento sexual com o parceiro.</p>
<p><strong>Novos tempos&#8230; Novos conceitos</strong></p>
<p>Em tempos modernos não podemos mais prescindir de informações precisas e lúcidas sobre os verdadeiros efeitos da masturbação, suas manifestações e benefícios. Considerar a masturbação como um vício, como arremedo de prazer, condenando-a simplesmente sem maiores motivos, nada mais é do que falta de conhecimento, num mundo que exige uma constante elucidação dos mistérios da vida e principalmente respeito às manifestações espontâneas e necessárias para uma vida saudável, objetivando a busca de uma sexualidade adequada aos padrões modernos, sem mitos e sem culpas.</p>
<p>A iniciação sexual que se faz através da masturbação é um direito que necessita ser exercido com conhecimento e tranqüilidade, sem julgamentos simplistas e muitas vezes aviltantes, que acabam causando prejuízos desnecessários.</p>
<p>Cabe aos educadores a missão de orientar e respeitar a sexualidade emergente dos jovens, que farão de seus conhecimentos e experimentos, uma vida sexual salutar e construtiva. Ou fazemos algo para colocar as coisas em seu devido lugar, ou os mitos, medos e preconceitos podem se perpetuar, dificultando e empobrecendo a vida sexual das pessoas.</p>
<p><a title="fale com o autor" href="http://www.cassiodosreis.psc.br/teste/formular.htm">Cássio          dos Reis</a></p>
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		<title>Sexo e Pecado &#8211; dos conceitos judaico-cristãos à moralidade sexual na Viena do século XIX</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 20:35:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[edições 6 a 10]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Géssica          Hellmann</p>
<p>Segundo Glasmam (2005), um ponto teológico crucial surgiu a partir da noção de pecado. No surgimento do <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/sexo-pecado-conceitos-judaico-cristaos-moralidade-sexual-viena-seculo-xix/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong><a title="escreva para a editora" href="mailto:geh@gehspace.com">Géssica          Hellmann</a></strong></em></p>
<p>Segundo Glasmam (2005), um ponto teológico crucial surgiu a partir da noção de pecado. No surgimento do cristianismo, um conceito extremamente polêmico. Radicais da época, como os essênios, pregavam o celibato como meio de purificação para o juízo final. De forma geral, os judeus dos tempos antigos eram puritanos, mas não pudicos. Sua aceitação do sexo, era de um &#8220;realismo moralista&#8221;.</p>
<p>A lógica judaica consistia na seguinte idéia: &#8220;se o impulso sexual fosse meramente uma tentação do diabo, teria Deus colocado seus filhos a mercê dele para que fossem desviados e levados à destruição?&#8221;. Ao contrário, eles achavam que o sexo só levaria a luxúria porque o mal residia no próprio pecador.</p>
<p>A prática do adultério na antiga sociedade judaica era vista com horror e uma ameaça à integridade moral do individuo. Era exigida também completa abstinência sexual entre os solteiros, independente do sexo. Para que os jovens não caíssem em tentação, era costume celebrar o casamento com pouca idade. Era aconselhado aos casados que não se excedessem no amor sexual, mas também não era aconselhado reprimi-lo.</p>
<p>A força central do cristianismo era um profundo ascetismo, uma intensa hostilidade pela sexualidade humana, a qual trouxe para a humanidade um ideal de amor altruísta e não-sexual. A abstinência sexual era considerada o ideal moral. Com o apogeu do cristianismo, as mulheres perderam todos os direitos legais que haviam adquirido com os romanos: elas passaram a ser consideradas submissas ao homem.</p>
<p>Já na Idade Média, a mulher era vista por dois ângulos: um, simbolizando Eva, a sedutora; outro, representado pela Virgem Maria, símbolo de pureza. Em outras palavras, a &#8220;prostituta&#8221; e a &#8220;mulher direita&#8221;. Pensamentos que, como veremos no exemplo a seguir, dominaram o conceito e o papel da mulher ocidental.</p>
<h4>Moralidade Sexual e Prostituição em Viena &#8211; século XIX</h4>
<p>A sexologia recebeu importantes contribuições da comunidade vienense a partir da metade do século XIX, com inúmeras publicações sobre a sexualidade, relacionadas com higiene, genética e psicanálise. As idéias eram discutidas entre médicos, advogados, economistas, psicanalistas, historiadores, teólogos e feministas, todos com diferentes pontos-de-vista, mas um denominador comum: a sexualidade era entendida como algo primitivo, difícil de controlar e que se manifestava de forma diferente entre mulheres e homens.</p>
<p>Segundo Jusek (1995), a teoria popular supunha que a sexualidade masculina era ativa e precisava ser satisfeita, e a feminina era passiva: a mulher não teria frustração sexual. Como o casamento monogâmico era visto como a única base social viável, e este tipo de casamento restringia a sexualidade masculina, a válvula de escape encontrada foi a procura da prostituição. O aumento desta demanda levou os estudiosos da época a admitir que, no caso das prostitutas, elas tinham a sexualidade tão ativa quanto a masculina. Em conseqüência deste pensamento, a categoria feminina foi dividida entre as mulheres respeitáveis (passivas) e as prostitutas (ativas). As mulheres, portanto, eram julgadas pelo seu comportamento sexual.</p>
<p>A divisão por comportamento também podia ser percebida com a divisão de classes sociais, as mulheres de classe média e alta (respeitáveis/passivas) e as mulheres de classe baixa, (ativas/sem pudores), o que levava a casamentos somente entre pessoas da mesma classe social.</p>
<p>Nesta mesma época, Freud se realizava em suas primeiras análises sobre o conceito de libido. Freud concordava que homens e mulheres poderiam ter reações diferentes no comportamento sexual, mas não estava inteiramente certo de que a mulher era totalmente passiva. Ao contrário, admitia a possibilidade de que a sexualidade feminina fosse tão ativa quanto a masculina.</p>
<p>A Igreja católica era combatia fortemente o sexo fora do casamento. A Igreja afirmava também que a abstinência sexual era benéfica ao ser humano, o que era contestado por muitos médicos da época. A Igreja atribuía à mulher o papel de mãe e apenas com este intuito consentia a prática sexual.</p>
<p>Segundo Jusek (1995), Weininger afirmava que a mulher não era nenhum mistério. Em suas pesquisas ele &#8220;descobrira&#8221; que ela era não somente polígama, como também irracional, caótica, ilógica e nada entendia de moralidade. Afirmava que, para tornar-se humana, a mulher deveria reprimir totalmente sua sexualidade. Como um corolário racista/sexista, afirmava que os judeus eram uma raça inferior porque possuíam características femininas.</p>
<p>O livro de Weininger obteve um grande impacto. A partir de suas afirmações, não se atribuía mais diferença ao exercício da sexualidade feminina entre as classes sociais: todas eram consideradas inferiores.</p>
<p>Uma declaração detalhada da política adotada pela polícia da época afirmava que as seguintes mulheres eram uma ameaça para a moralidade:</p>
<p>1) As prostitutas comuns, que ganhavam a vida com a prostituição;<br />
2) As prostitutas ocasionais, recrutadas nas fileiras das costureiras, modistas, dançarinas, atrizes, empregadas domésticas e trabalhadoras de fábricas &#8211; estas geralmente passando para categoria 1;<br />
3) Amantes;<br />
4) Concubinas.</p>
<p>Chegou-se ao ponto em que cada mulher envolvida em uma relação extra-conjugal era considerada prostituta. No final do século XIX, o número de prostitutas em Viena era estimado entre 30 a 50 mil. As mulheres que se colocavam voluntariamente sob o controle da polícia eram tão molestadas que fugiam. Toda mulher cuja conduta levantasse suspeita tinha que ser submetida a exame médico.</p>
<p>Os esforços do governo, na época, visavam controlar a sexualidade em geral através das mulheres. Na prática, o comportamento feminino devia ser mantido sob controle, primeiramente do pai, do marido ou, em caso de negligencia desses, pela polícia.</p>
<p>GLASMAM, Jane Bichmacher de. Judaísmo, Cristianismo, sexo e pecado. Disponível em: &lt;http://riototal.com.br/comunidade-judaica/juda5a4.htm&gt;. Acessado em: 21 ago. 2005.</p>
<p>JUSEK, Karin J. A moralidade sexual e o significado da prostituição na Viena do Fin-De-Siècle. Org. BREMMER, Jam. In: De Safo a Sade &#8211; Momentos na história da sexualidade. Campinas: Papirus, 1995, p. 157-197.</p>
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		<title>Homossexualidade</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 20:23:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 6 a 10]]></category>
		<category><![CDATA[homoerotismo]]></category>
		<category><![CDATA[homossexualismo]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>A homossexualidade ainda é percebida, especialmente          entre leigos, como um estigma, uma doença ou, o que pode ser <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/homossexualidade/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A homossexualidade ainda é percebida, especialmente          entre leigos, como um estigma, uma doença ou, o que pode ser pior,          uma demonstração de sem vergonhice propositadamente cometida.</p>
<p>O aspecto mais básico do problema é o educacional, pois          a sexualidade ainda é percebida como algo de sujo, de ruim, de          vergonhoso, especialmente no que diz respeito às suas manifestações          entre as minorias sexuais.<br />
Claro que, se transmitimos a uma criança a idéia          de que o homoerotismo é uma distorção, será          muito difícil que, mais tarde, ela possa desenvolver uma visão          menos preconceituosa sobre o assunto.</p>
<p>Estudos demonstram que crescer é basicamente uma questão          de moldagem, de ajuste a uma sociedade. É um processo vital, pois          nenhum de nós poderia sobreviver por muito tempo sem ser membro          de algum grupamento social.</p>
<p>Se os estereótipos culturais dessa sociedade forem demasiadamente          rígidos, eles impedem o crescimento dos seus membros, instalando-se          a estagnação. Observa-se que tal rigidez pode mutilar a          mente dos indivíduos de forma tão grave e permanente como          o costume de atar os pés mutilava antigas gerações          de mulheres chinesas.</p>
<p>No entanto, se os estereótipos forem amorfos demais, a sociedade          fracassa em prover seus membros dos meios necessários para a cooperação          e, em pouco tempo, se desintegra.</p>
<p>A tendência dos estereótipos culturais em resistir à          mudança é essencial para a manutenção da sociedade,          mas a flexibilidade é fundamental para a saúde, tanto da          sociedade quanto de seus membros.</p>
<p>É essa flexibilidade que oferece a oportunidade de se atingir o          &#8220;ponto-chave&#8221; de compreensão diante de novos conceitos          e acontecimentos. E é justamente em sua ausência que as incompatibilidades          quanto à homossexualidade repousam e criam seus mais diversos modos          de encará-la, e por que não dizer, de abordá-la.</p>
<p>Sendo o Homem um ser bio-psico-social, enquanto &#8220;bio&#8221;, podemos          entender que ele nasce, entre outras, com as características fisiológicas,          que faz indivíduos homens ou mulheres. É enquanto &#8220;psico&#8221;          que ele aprende a expressar, isto é, a transmitir a sua sexualidade          dentro de um contexto. E é o componente &#8220;social&#8221; propriamente          dito que determina a obrigação de que as pessoas do sexo          masculino comportem-se como &#8220;machos&#8221;, enquanto as do sexo feminino          devem ser &#8220;femininas&#8221;. Portanto, quando o ser humano se percebe          portador de desejo por outro do mesmo sexo, ele entra em dissonância          (crise), porque aquilo que ele sente não combina com o que é          determinado socialmente.</p>
<p>A questão da escolha afetiva é determinada e aceita, socialmente,          a partir da heterossexualidade. A mulher deve escolher o homem, o homem          deve escolher a mulher, e essa escolha deve dar prazer, ser satisfatória          e coerente. E é justamente aí que reside a incoerência,          pois a escolha de parceria afetiva é individual, pessoal.</p>
<p>Neste sentido, a homossexualidade se caracteriza pela opção          por parceria afetiva do mesmo sexo, isto é, escolha de objeto amoroso          e não de um modo de vida.</p>
<p>A confusão entre escolha de objeto amoroso e escolha de um modo          de vida representa grande parte do sofrimento emocional que experimentam          as pessoas que têm dificuldade em conciliar a sua orientação          sexual com o contexto social. Ou seja, se a homossexualidade é          vivida como a escolha de um modo de vida, ela tende a se manifestar em          todas as áreas de inter-relação do indivíduo.</p>
<p>No entanto, por temerem antagonismos ou rejeitação por sua          condição homoerótica, os homossexuais empreendem          um enorme esforço no sentido de expressá-la apenas nos &#8220;guetos&#8221;,          tentando escondê-la em outras situações do cotidiano.          Ou, ainda, podem adotar uma outra atitude: a luta incessante pela aceitação          social de sua opção sexual.</p>
<p>O que podemos afirmar é que não existe uma forma homossexual          de lidar com o mundo, de ver a realidade, que não seja a estereotipada          ou estigmatizada, ditada a partir da heterossexualidade. Exemplo disso          é acreditar que o homossexual assumido é aquele que expressa          características do sexo oposto.</p>
<p>Ora, se o conceito de homossexualidade nos diz que essa condição          é a escolha amorosa por alguém do mesmo sexo, o ato de assumir          características do sexo oposto, neste caso, é uma reprodução          (ainda que inconsciente) do modelo heterossexual, em que, para se formar          uma parceria, um membro deve ter as características de homem e,          a outra pessoa, as de mulher.</p>
<p>O que se deve ponderar, quando necessário, é o uso que a          pessoa faz da sua sexualidade. É nesse uso que podemos nos deparar          com prostituição, comportamentos sexuais bizarros, ligações          de dependência patológica, por exemplo.</p>
<p>A resolução quanto à própria sexualidade reside          no fato de perceber-se capaz de seduzir, ser seduzido, e, principalmente,          poder discriminar, nessas situações, com quem se deseja          um envolvimento maior pelo nível de satisfação e          prazer que essa escolha amorosa possa proporcionar.</p>
<p>Sob esta ótica, a homossexualidade pode ser considerada uma variante          normal do comportamento sexual, assim como outras diferenças inerentes          à condição humana.</p>
<p>Margareth de Mello F. dos Reis</p>
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