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	<title>Sexualidade by géh &#187; edições 71 a 75</title>
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	<description>Sexualidade: artigos de pesquisa e entrevistas</description>
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		<title>O Corpo Político: Sexualidade e Corporalidade em &#8220;A Função do Orgasmo&#8221; de Wilhelm Reich</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 16:13:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 71 a 75]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e política]]></category>
		<category><![CDATA[wilhelm reich]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>Já afirmei em outro artigo que a corporalidade e a sexualidade são fatores decisivos na construção da identidade pessoal, e de certa forma, do equilíbrio emocional. <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/o-corpo-politico-sexualidade-e-corporalidade-em-a-funcao-do-orgasmo-de-wilhelm-reich/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>Já afirmei em outro artigo que a corporalidade e a sexualidade são fatores decisivos na construção da identidade pessoal, e de certa forma, do equilíbrio emocional. O corpo sente, pensa e expressa. A sexualidade também é uma forma de expressão corporal, afetando o ser humano intimamente, de forma tanto positiva como negativa. É altamente dependente de crenças e valores inseridos pela sociedade em que vivemos.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img title="Liebebaum por Ivan Koulakov" src="http://gehspace.com/edicao%2075%20imagens/Liebebaum.jpg" alt="Liebebaum por Ivan Koulakov" width="300" height="515" /><p class="wp-caption-text">Liebebaum por Ivan Koulakov</p></div>
<p>Ao abordar sexualidade e corporalidade é imprescindível falar de Wilhelm Reich. Um homem à frente de sua época, muitas vezes incompreendido, o médico e pesquisador austríaco via mente e corpo como uma unidade.</p>
<p>Iniciamos este artigo com referencias a sua introdução ao livro &#8220;A função do orgasmo &#8211; Problemas econômico-sexuais da energia biológica&#8221;, publicado pela primeira vez em 1942.</p>
<p>Reich afirmou que abordar o tema &#8220;sexualidade&#8221; poderia soar ofensivo para a sociedade da época. Décadas se passaram, o discurso parece ter mudado, mas será que na prática realmente mudou? Falar sobre a sua sexualidade causa constrangimento?</p>
<p>Ao abordar esse tema, segundo Reich, principalmente quando nos referimos ao orgasmo sexual, deparamo-nos com questões derivadas no campo da psicologia, fisiologia, biologia e até da sociologia.</p>
<p>Reich afirma também que a &#8220;natureza e cultura, instinto e moralidade, sexualidade e realização tornam-se incompatíveis, como resultado da cisão na estrutura humana&#8221;. O Homem só se libertaria quando vivenciasse a exigência biológica da satisfação sexual natural, ou seja, quando vivesse plenamente sua sexualidade e sua potencialidade orgástica.</p>
<p>A estrutura do caráter do homem moderno é reflexo de uma cultura patriarcal autoritária caracterizada por um &#8220;encouraçamento&#8221; do caráter contra sua própria natureza interior e contra a miséria social que o rodeia. &#8220;A formação das massas no sentido de serem cegamente obedientes à autoridade se deve não ao amor paternal, mas à autoridade da família. A supressão da sexualidade nas crianças pequenas e nos adolescentes é a principal maneira de conseguir essa obediência&#8221; (Reich, 1991).</p>
<p>Reich afirma que a saúde psíquica está intimamente ligada com a capacidade do indivíduo sentir prazer e ter um orgasmo satisfatório. Para ele as incapacidades psíquicas são a conseqüência do caos sexual da sociedade.</p>
<p>O ser humano manifesta o que sente através da sua corporalidade. Seja através do olhar, da forma de ouvir, do falar, enfim em todos os gestos exprimimos os nossos sentimentos, isto é, são expressões corporais do nosso estado de espírito.</p>
<p>&#8220;No campo da psicoterapia, desenvolvi a técnica vegetoterápica de análise do caráter. Seu principio básico é o restabelecimento da motilidade biopsíquica através da anulação da rigidez (encouraçamento) do caráter e da musculatura. Essa técnica de tratamento de neuroses foi experimentalmente confirmada pela descoberta da natureza bioelétrica da sexualidade e da angústia. Sexualidade e angústia são funções do organismo vivo que operam em direções opostas: expansão agradável e contração angustiante&#8221; (Reich, 1991).</p>
<p>Entre outras palavras, terapia corporal, relaxamento de tensões corporais, proporcionando melhores condições para viver plenamente sua sexualidade, facilitando, no ato sexual, o orgasmo e liberação total destas tensões, melhoram muito a qualidade de vida do ser humano.</p>
<p>A teoria de Reich se fundamenta em libertar o corpo e a mente, criar condições para que o organismo possa se expressar livremente. Esta é uma grande declaração de amor do corpo para a natureza, e que deve nortear nossos princípios de entender a vida do ser humano (Afonso, 2007).</p>
<p>O autor afirma ainda que podemos entender todo o processo das couraças como uma grande dificuldade de amar, porque o amor é uma qualidade de ser, é uma questão de estar aberto para se expressar e para acolher, e isto implica estar em contato com os próprios sentimentos. O indivíduo que não pode compreender seus próprios sentimentos tem uma dificuldade muito grande de amar e de se entregar.</p>
<p>Reich tinha uma idéia cientificamente racional e bem definida da vida social. Baseava esta idéia em sua crença que &#8220;nossa terra jamais encontrará paz duradoura e procurará em vão satisfazer a prática da organização social, enquanto políticos e ditadores de qualquer partido, ignorantes e ingênuos, continuarem a corromper e a liderar massas populares sexualmente doentes&#8221; (Reich, 1991).</p>
<p>Reich afirma que a &#8216;moralidade&#8217; é ditatorial quando confunde com pornografia os sentimentos naturais da vida. Uma revista que fala sobre sexualidade é imoral? Qual o entendimento sobre sexualidade no grande público da internet brasileira?</p>
<p>Analiso constantemente os termos de buscas dos internautas que os trazem até esta revista. Algumas pesquisas são interessantes e bem fundamentadas, mas a maioria delas revela grande grau de ingenuidade e desconhecimento referente a sua própria sexualidade. Muitos esbarram na grande dificuldade encontrar material de qualidade com linguagem acessível, ou encontram artigos em jargão complicado ou informações simplistas e muitas vezes incorretas. Por este motivo tenho me dedicado a esclarecer e desmistificar a sexualidade.</p>
<p>Bibliografia</p>
<p>Reich, Wilhelm. A função do orgasmo &#8211; Problemas econômico-sexuais da energia biológica. São Paulo: Círculo do Livro, 1991.</p>
<p>Afonso, Rubens. Escuta, Zé ninguém! e o poder do amor. Curitiba: Centro Reichiano, 2005. Disponível em: www.centroreichiano.com.br. Acesso em:10/01/2007</p>
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		<title>Uma nova construção da identidade da mulher católica</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 16:09:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[catolicismo]]></category>
		<category><![CDATA[edições 71 a 75]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade feminina]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>Este artigo aborda a construção da identidade da mulher católica moderna no que se refere ao exercício de sua sexualidade.</p>
<p>Abrimos este artigo com uma importante consideração <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/uma-nova-construcao-da-identidade-da-mulher-catolica/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Géssica Hellmann</em></p>
<p>Este artigo aborda a construção da identidade da mulher católica moderna no que se refere ao exercício de sua sexualidade.</p>
<p>Abrimos este artigo com uma importante consideração de Lopes (2006): &#8220;Desde que a humanidade passou a refletir sobre si mesma, o corpo, lugar de prazer, vida e fecundidade, mas ao mesmo tempo lugar interdito e espaço onde o mal pode se alojar, tem sido fruto das mais diversas formas de pensar e teorizar&#8221;.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img title="CONTEMPORARY ADAM AND EVE por Laurentiu Dimisca" src="http://gehspace.com/edicao%2074%20imagens/CONTEMPORARY%20ADAM%20AND%20EVE2.jpg" alt="CONTEMPORARY ADAM AND EVE por Laurentiu Dimisca" width="300" height="420" /><p class="wp-caption-text">CONTEMPORARY ADAM AND EVE por Laurentiu Dimisca</p></div>
<p>A autora afirma que &#8220;as bases ideológicas que situam a mulher como inferior e submissa vêm de muito longe, desde os mitos da Criação, sendo que na igreja cristã temos o mito de Eva: Eva é feita a partir de uma costela de Adão, suprindo, porém, sua necessidade de homem, que não deve ficar sozinho. No entanto, ela simboliza a tentação, o pecado da carne, o desejo de sexo, responsável pela perda da paz e da tranqüilidade do homem, representadas pela perda do paraíso terrestre&#8230; Os pronunciamentos e práticas da tradição judaico-cristã em relação ao uso do corpo afetaram as atitudes sociais contemporâneas, no que se refere à sexualidade feminina, bem como a própria percepção da mulher sobre si mesma&#8221;.</p>
<p>A Igreja Católica, em meados do século XIV e XV, constrói uma outra identidade feminina mítica: a Virgem Maria &#8211; Mãe de Cristo, Mãe da Igreja, Mãe dos pobres e infelizes do planeta, que podem ser absolvidos do pecado original, desde que se convertam às normas da Igreja. As mulheres irão alcançar a salvação ao acatar o ideal de feminilidade de Maria, o que pressupõe uma destituição da sexualidade e do prazer, mantendo apenas a função reprodutiva.(Lopes, 2006)</p>
<p>Como podemos perceber, inicialmente, a mulher foi culpada do &#8220;pecado capital&#8221;, comparada à serpente tentadora e desvirtuadora. Posteriormente, a Igreja permite que a mulher exerça sua sexualidade, desde que sob o controle da Igreja e somente para fins reprodutivos.</p>
<p>A identidade sexual feminina é reduzida ao espaço da maternidade, único lugar que lhe é outorgado pela sociedade. Essa identidade de mulher ideal nega o ato sexual, dessexualizando o corpo, que deve ser santificado. (Lopes, 2006)</p>
<p>A autora afirma que a Igreja Católica impõe, situando as questões de gênero numa perspectiva inteiramente patriarcal, indicando a dominação masculina como &#8220;atitude natural&#8221; ou uma experiência excluída de questionamentos e reconhecida como absolutamente legítima. A prova deste posicionamento, segundo a autora, é dada pela indução de mulheres violentadas que engravidam a terem os bebês, através de trabalho educativo maciço e fornecimento de apoio financeiro. O silêncio consentido das próprias mulheres violentadas, a desonra póstuma da mulher no julgamento de seus assassinatos, que, até nos anos noventa, contaram com os homens absolvidos com a tese de legítima defesa da honra, indicam uma prática cotidiana consensual, compartilhada pelo pensamento social que legitima a Representação Social Hegemônica do corpo-expropriado.</p>
<p>Segundo Dom Fernando Mason, bispo de Piracicaba, &#8220;Por vezes questões ligadas à afetividade e à sexualidade repercutem com muita intensidade na mídia. Sobretudo quando a Igreja manifesta com palavras claras sua posição. E aí, todo mundo se julga entendido, até o profissional formado anteontem na faculdade da esquina acha que pode dizer palavras solenes e importantes sobre o quanto a Igreja é retrógrada, medieval e obscurantista, insensível diante de problemas de hoje. Julga-se no direito de passar uma lição de moral à igreja&#8221;.</p>
<p>O autor afirma que ao falar daquelas forças positivas da natureza chamadas afetividade e sexualidade, a Igreja recorda sempre que também elas devem ser &#8220;humanizadas&#8221;, isto é, devem ser elaboradas, amadurecidas, responsabilizadas, transcendidas.</p>
<p>São muitas as investigações que demonstram a diferença entre o discurso oficial da Igreja e a prática dos católicos sobre a sexualidade, é o que conclui Rodrigues (2006) em sua pesquisa.</p>
<p>&#8220;No contexto da referida pesquisa, deve-se considerar um público de classe média, com nível médio e superior de escolarização, inserido num contexto social urbano, metropolitano e individualista. Todas as participantes da pesquisa receberam educação religiosa católica desde a primeira infância, sendo filhas de pais católicos, com a primeira socialização mais conservadora, marcada pelos preceitos morais da sua religião, ainda que numa segunda socialização tenham assumido uma postura mais liberal em suas vidas&#8221;. (Rodrigues, 2006)</p>
<p>Os resultados da pesquisa apontam que as mulheres católicas modernas sentem uma distância entre suas necessidades afetivas de realização pessoal no campo da sexualidade e as orientações da Igreja nesse aspecto, que limita tal realização.</p>
<p>Alguns valores, principalmente no que se refere à orientação católica sobre a sexualidade, são questionados, refletidos e adaptados às suas realidades. Mesmo assim não desejam deixar de ser católicas, pois os valores vinculados ao amor cristão dão sentido à sua vida.</p>
<p>&#8220;Acredito que, do mesmo modo, mulheres católicas que percebem incompatibilidade entre os valores da sua religião e os seus desejos pessoais diante da vida buscam novos caminhos e interpretações da sua crença. &#8216;Migram&#8217; dentro da própria religião, como quem muda de cidade em busca de melhores condições de vida sem, contudo, mudar de país. Ou seja, dando novos significados à orientação religiosa, é possível elaborar uma identidade religiosa alternativa para vivenciar sua espiritualidade&#8221;. (Rodrigues, 2006)</p>
<p>A autora afirma: &#8220;Penso que a alteração da identidade feminina quanto a &#8216;ser mulher&#8217;, ocorrida radicalmente no último século, desencadeou questionamentos sobre o &#8216;ser mulher católica&#8217; dentro da sociedade, sobretudo para as mulheres católicas. A busca desta resposta &#8211; que contou com os conflitos internos e sociais enfrentados rumo à transformação, que era contrária ao esforço da Igreja Católica pela conservação de valores e costumes &#8211; culminou com uma crise de identidade religiosa&#8221;.</p>
<p>Desta forma, as mulheres católicas modernas tentam buscar um novo caminho, modificando os aspectos do catolicismo que lhes incomodam, passando a agir segundo suas consciências.</p>
<p>Para Rodrigues, (2006) deixar de reprimir a sexualidade e a existência a partir de um papel moral culturalmente estabelecido indica uma busca de saúde psicológica, um momento de ampliação da consciência, e uma evolução crítica humana. Fazê-lo sem perder a identidade religiosa, mas, ao contrário, atribuindo-lhe novos significados, ilustra um processo de metamorfose.</p>
<p>&#8220;Em recente pesquisa sobre identidade religiosa e sexualidade feminina, Michelle Spenser Arsenault (1999) conclui que, quando questionadas sobre ensinamentos católicos e sexualidade e maternidade, as mulheres do seu estudo discordam da Igreja sobre a contracepção, mas escolhem incorporar os ensinamentos católicos sobre maternidade em suas vidas&#8221;.(Rodrigues, 2006.)</p>
<p>Em sua pesquisa, Rodrigues 2006 cita Penélope Ryan (1999), em seu livro &#8220;Católico Praticante&#8221;. Neste livro, a autora questiona o modo pelo qual alguém pode ser um &#8220;bom&#8221; católico no mundo contemporâneo, vistas as divergências entre os ensinamentos transmitidos pela Igreja Católica e a realidade das pessoas que são católicas, apontando para o conflito interno e externo gerado por tal desacordo. O texto indica como principais virtudes almejadas pelo católico a fé, a esperança e caridade, seguidas pela pureza e virgindade. Mas quanto ao que identifica o católico no mundo moderno, a autora apresenta novas virtudes, como a prática social da fé e a justiça.</p>
<p>A autora percebe um resultado semelhante ao citado por Ryan em sua pesquisa: &#8220;As mulheres católicas vivenciam sua fé assumindo os valores da ética cristã de amor e fraternidade nos seus relacionamentos, mas buscam a absolvição de seus &#8220;pecados sexuais&#8221; nas descontinuidades da modernidade. E, de fato, passam a se sentir livres da maioria das &#8216;culpabilidades&#8217; sobre sua conduta sexual. A permanência no Catolicismo está mais ligada à relação que essas mulheres mantém com Deus do que com a afinidade com as orientações e costumes religiosos da pratica sexual.&#8221;</p>
<p>Em sua pesquisa a autora diz que embora as entrevistadas conheçam a posição oficial da Igreja, não consideram pecado praticar sexo antes do casamento e declaram que sua sexualidade não atrapalha sua religiosidade. Percebe-se uma visão positiva em relação à sexualidade, associando sexo ao amor. A maioria das entrevistadas utiliza métodos contraceptivos em suas relações.</p>
<p>Dom Fernando Mason (2006), afirma que a Igreja não é contra o planejamento familiar, é a favor da paternidade responsável, só afirma que a Igreja tem uma posição diferente da usual e comum, mas, não entra em maiores detalhes em seu artigo.</p>
<p>Rodrigues (2006) afirma que, em relação ao aborto, embora quase metade das participantes já tenham passado por um aborto, sendo que seis delas o provocaram, a maioria o considera crime e cinco o apontam como pecado. &#8220;Os sentimentos descritos com relação à prática foram paradoxais: variam da culpabilidade, arrependimento, tristeza, medo e depressão à alegria e alívio&#8221;.</p>
<p>Desta forma, percebe-se uma distância entre o discurso oficial da Igreja e a prática da sexualidade das mulheres católicas modernas. Segundo a autora, ao associar sexo ao amor, concluem que Deus é amor e que, por isso, está presente em sua sexualidade, o que legitimaria suas condutas.</p>
<p>A Igreja Católica, como Dom Fernando Mason faz questão de ressaltar, tem mais de 2000 anos de respostas para quase tudo o que se refere à conduta humana. Deixo a questão em aberto e faço um convite para um representante que possa falar em nome da Igreja para descrever como a Igreja tem lidado com as transformações no contexto moderno de &#8220;ser católico&#8221;, quando muitos acreditam que sua sexualidade não interfere em sua religiosidade e sua fé, sentindo-se assim bons católicos por praticarem atos de compaixão, solidariedade, a prática social da fé e da justiça? A Igreja é contra o uso de preservativos como método de planejamento familiar, mas quanto ao risco e o controle da epidemia da Aids, que outro método de prevenção pode ser adotado? Abstinência sexual em massa até o casamento?</p>
<p>Bibliografia</p>
<p>Lopes, Helena Theodoro. Mulher negra, mitos e sexualidade. Disponível em: www.lpp-uerj.net/olped/documentos/ppcor/0224.pdf. Acessado em: 19/12/2006.</p>
<p>Mason, Dom Fernando &#8211; Bispo de Piracicaba. Sentido cristão da sexualidade. Disponível em: http://www.catequisar.com.br/txt/materias/especial/bispo/38.htm. Acessado em: 19/12/2006.</p>
<p>Rodrigues, Cátia S. Lima.Católicas e Femininas: Identidade Religiosa e Sexualidade de Mulheres Católicas Modernas. Revista de Estudos da Religião Nº 2 / 2003 / pp. 36-55.</p>
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		<title>Sexualidade do povo brasileiro: uma construção de identidade</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 16:04:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>Que dimensão a sexualidade ocupa na construção na idéia de identidade nacional? O Brasil é um paraíso sexual, com habitantes sexualmente liberais? Este artigo é uma <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/sexualidade-do-povo-brasileiro-uma-construcao-de-identidade/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Géssica Hellmann</em></p>
<p>Que dimensão a sexualidade ocupa na construção na idéia de identidade nacional? O Brasil é um paraíso sexual, com habitantes sexualmente liberais? Este artigo é uma introdução a criação de identidade principalmente no contexto de sexualidade e gênero.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 384px"><img title="Onde eu estaria feliz por Di Cavalcanti" src="http://gehspace.com/edicao%2073%20imagens/022_onde_eu_estaria_feliz.jpg" alt="Onde eu estaria feliz por Di Cavalcanti" width="374" height="284" /><p class="wp-caption-text">Onde eu estaria feliz por Di Cavalcanti</p></div>
<p>Segundo Heilborn (2006) dizem &#8220;que os brasileiros são &#8216;quentes&#8217;, calorosos e estão sempre prontos a fazer de tudo na cama. Essa noção foi construída historicamente: Segundo relatos, o Brasil-colônia era uma terra &#8220;sem rei e sem lei&#8221;, com costumes como, por exemplo, o das tribos Tupi (da região costeira), de homens oferecerem suas mulheres a forasteiros como prova de reciprocidade, o que era muito estranho para os europeus. A idéia dos colonizadores era de que o Brasil era um país sem moralidade sexual, com nativos muito sensuais, imagem que foi muitas vezes reproduzida por historiadores e viajantes europeus&#8221;.</p>
<p>Nos últimos anos, alguns historiadores questionaram a imagem desregrada da Colônia, produzida pelos observadores dos primeiros séculos da Colonização e pelos intelectuais dos anos vinte e trinta do século passado, encontrando muitas regras, normas e formas de culpabilização, onde outros viram apenas caos e descompromisso. (Rago, 2006).</p>
<p>Um dos intelectuais relatados pela autora foi Paulo Prado:</p>
<p>&#8220;Em seu ensaio inaugural de 1928, &#8216;Retrato do Brasil. Ensaio sobre a Tristeza do Brasil&#8217;, Paulo Prado procura explicar o Brasil, construindo um fiel retrato, como indica o próprio título. Logo na primeira página, o autor afirma: &#8220;Numa terra radiosa vive um povo triste&#8221;. Nas seguintes, explicita o significado da tristeza, que passa progressivamente a denominar, a partir de um vocabulário médico, de &#8220;melancolia&#8221;. Somos, então, informados de que melancolia é o estado físico e psíquico decorrente da &#8216;hiperestesia sexual&#8217;. De tantos excessos sexuais e vícios da multiplicação das &#8216;uniões de pura animalidade&#8217;, desde os inícios da colonização no Brasil, os brasileiros se tornaram um povo triste, cansado, prostrado. A terra virgem, a mata abundante, os rios caudalosos, a natureza farta, o clima, &#8216;o homem livre na solidão&#8217;, o encanto da nudez total das índias, posteriormente a presença das negras sensuais, tudo, na formação histórica do país, contribuiu para que os brasileiros se tornassem um povo mole, instintivo e sensual, dionisíaco, em comparação com os norte-americanos apolíneos&#8221;.</p>
<p>Seriam as &#8220;índias&#8221; tão &#8220;devassas&#8221;, ou melhor, deveria eu mudar a pergunta: devassa segundo moralidade de qual cultura? Dos europeus, invasores, bárbaros, estupradores e genocidas?</p>
<p>Outro trecho mencionado pela autora:</p>
<p>&#8220;A história do Brasil é o desenvolvimento desordenado dessas obsessões subjugando o espírito e o corpo de suas vítimas. Para o erotismo exagerado contribuíram como cúmplices &#8211; já dissemos &#8211; três fatores: o clima, a terra, a mulher indígena ou a escrava africana. Na terra virgem, tudo incitava ao culto do vício sexual&#8230; Desses excessos de vida sensual ficaram traços indeléveis no caráter brasileiro. Os fenômenos de esgotamento não se limitam às funções sensoriais e vegetativas; estendem-se até o domínio da inteligência e dos sentimentos. Produzem no organismo perturbações somáticas e psíquicas, acompanhadas de profunda fadiga, que facilmente toma aspectos patológicos, indo do nojo até o ódio (PRADO, 1929: 120)&#8221;.</p>
<p>A autora afirma que &#8220;o paulistano Prado é conhecido como membro da elite oligárquica decadente, representante de seu pessimismo em termos da avaliação do país, às vésperas das transformações políticas de 1930. Medo da degeneração da raça, do escurecimento em vez do embranquecimento populacional que tanto queriam, medo do predomínio do instinto sobre a razão, medo de uma &#8220;psyché racial&#8221; que predeterminaria os brasileiros ao fracasso&#8221;.</p>
<p>Finalmente a autora conclui que &#8220;esta visão pessimista sobre o povo brasileiro parece assentar numa concepção altamente negativa da sexualidade que tem o próprio autor, para além de toda a influência do darwinismo social em sua obra. Afinal, o excesso de energia sexual, a abertura para o outro, a facilidade de contato físico, em princípio, poderiam não ser percebidos como fatores negativos na constituição de um povo&#8221;.</p>
<p>Para Rago (2006) &#8220;Enxergaram nas práticas sexuais dos indígenas todos os vícios que o cristianismo lhes ensinava ver. As índias nuas foram transformadas em &#8220;ninfomaníacas&#8221; e &#8220;devassas&#8221;, segundo as classificações das &#8220;perversões sexuais&#8221; elaboradas pelo médico vienense Von Krafft-Ebing, em meados do século XIX. As representações instituíram-se como fatos, e, apenas nas últimas décadas têm-se desconstruído essas imagens, entre misóginas e racistas, veiculadas pela documentação&#8221;.</p>
<p>Obcecados com a sexualidade, voyeuristas disfarçados, os homens da ciência não paravam de falar da sexualidade desde o século XIX, principalmente para condená-la. Dissecaram o corpo da meretriz, do cafetão, do homossexual, &#8220;perverteram o sexo&#8221;. Todas as práticas sexuais foram postas sob o signo do discurso científico, explicadas, analisadas, classificadas, contidas e condenadas. Mas, todas ganharam ampla visibilidade. Dir-se-ia que a ciência domou o sexo, com medo de ser dominada. (Rago, 2006)</p>
<p>Mais adiante a autora continua &#8220;Em relação à prostituição, por exemplo, o médico Francisco Ferraz de Macedo classificava as prostitutas que encontrava na cidade do Rio de Janeiro, por volta de 1872, na esteira do que diria o pai da antropologia criminal, Cesare Lombroso, como &#8220;degeneradas natas&#8221;, gulosas, preguiçosas, excêntricas, irrecuperáveis para a Nação, signos da involução das espécies: sub-raça. Seus pares insistiam na ausência de instinto sexual nas &#8220;mulheres castas&#8221;, a não ser para fins reprodutivos. Juristas como Viveiros de Castro, ao lado dos médicos, enxergavam onanistas, pedófilos, homossexuais, tríbades, perversos sexuais em quase todos os cantos da cidade, sobretudo nas ruas, bares, restaurantes, teatros e cafés-concertos do submundo&#8221;.</p>
<p>&#8220;Do olhar dos viajantes e inquisidores à historiografia, essas misóginas e fantasiosas representações sobre a &#8216;realidade brasileira&#8217; foram reproduzidas e repetidas indefinidamente, ensinando quem era e o que seria ser brasileiro. O resultado é a construção de um campo discursivo etnocêntrico e xenófobo, apreende o outro biologicamente como raça inferior; falocêntrico, institui o masculino como lugar da verdade e da perfeição&#8221;.</p>
<p>Podemos agora ter uma ligeira de como foi entendida e contada a história ao longo dos anos e o porque os brasileiros são vistos como um povo erotizado.</p>
<p>Segundo Heilborn, (2006) &#8220;Os estudos dos processos histórico-culturais demonstram como algumas condutas, perfeitamente aceitas em determinados momentos da história, passam a ser interditadas em outros períodos, modificando a forma como os sujeitos vivenciam as sensações corporais. Através do autocontrole individual os interditos são internalizados e atos que eram praticados publicamente se transformam em comportamentos cada vez mais privados&#8221;. Em palavras simples, você acha que o &#8220;outro não faz&#8221;, e começa a fazer escondido, temendo reprovação e alimentando sentimentos de vergonha.</p>
<p>A autora exemplifica sua afirmação:</p>
<p>&#8220;Atualmente compartilhar com alguém o mesmo copo onde se bebe água é um ato que exige um certo nível de intimidade. Nesse caso, estão em jogo representações da ordem do &#8216;sujo&#8217; e &#8216;desconhecido&#8221;, em oposição às dimensões do &#8216;limpo&#8217; e &#8216;conhecido&#8217;. Assim, uma das maneiras de demonstrar amor é suspender as barreiras entre os corpos. Um casal de namorados pode trocar chicletes já mastigados sem que isso provoque nojo entre eles, o que ilustra a suspensão dos limites entre os corpos das pessoas que se amam&#8221;.</p>
<p>A autora considera que o sexo deva ser encarado como um aprendizado natural, análogo qualquer outra atividade humana. Afirma que os indivíduos são socializados para a entrada na vida sexual por meio da cultura, que orienta roteiros e comportamentos, considerados aceitáveis para cada grupo social.</p>
<p>Para a autora a um tópico relevante é a concepção do sexo como atividade legítima de comunicação ou de mobilidade social, o que também varia de acordo com o gênero, a classe e o contexto histórico. O sexo pode ser pensado como uma alternativa digna ou menos aceitável de estabelecer relações que não almejam somente um vínculo erótico, afetivo ou reprodutivo. &#8220;Na cultura brasileira é altamente possível o uso do sexo como forma de ascensão social em determinados contextos. A preferência de homens negros por mulheres brancas, em casamentos inter-raciais, é reveladora de uma forma de ascensão social e de uma hierarquia, tanto de beleza como racial, o que integra distintos modos de prática e de representações da sexualidade&#8221;.</p>
<p>&#8220;Michel Bozon, em seu artigo sobre a composição de casais, ressalta que geralmente, quando se pensa em um par, o homem deve ser mais alto que a mulher. Por que é esteticamente inadequado que uma mulher seja mais alta que o homem? Essa formulação expressa uma relação hierárquica de gênero, revelando uma representação de gênero baseado na dominação masculina&#8221;. (Heilborn, 2006)</p>
<p>Segundo a autora é extremamente importante uma abordagem sociológica sobre a sexualidade pois, através dela, é possível demonstrar os mecanismos inconscientes, repletos de regras coletivas totalmente interiorizadas.</p>
<p>A autora prossegue afirmando que &#8220;a imagem do Brasil como um país de moralidade sexual flexível diante dos padrões europeus oriundos do catolicismo e protestantismo é resultante de um conjunto heterogêneo de representações científicas e populares. Esse mito está presente também na divulgação de um tipo de propaganda do país, na publicidade do turismo, que promove, por exemplo, a imagem da mulata: uma mulher sexualmente muito liberada, &#8216;quente&#8217; e &#8216;fogosa&#8217;, o resultado da miscigenação de um homem branco com uma mulher negra. A publicidade difunde uma imagem de um país no qual as pessoas andam quase nuas nas praias, com mulatas, de modo que há uma associação entre as imagens do carnaval com as de paraíso sexual. Mais recentemente, o Brasil também é vendido como um paraíso gay, indicando um país onde há muita tolerância e liberdade em relação à homossexualidade, tanto masculina como feminina. Na realidade, não é exatamente assim que se passa&#8221;.</p>
<p>Uma ampla pesquisa foi realizada em três cidades muitos distintas no Brasil, segundo a autora, sendo Porto Alegre a cidade mais ao sul do país, com a maior parte de sua população branca (75% de brancos), de origem alemã, italiana e polonesa. Já a cidade de Salvador possui 60% de negros e é a capital brasileira com a maior população negra. Essas diferenças podem dar origem a idéias preconceituosas, em função de estereótipos raciais. &#8220;Por exemplo, quando falava da pesquisa com meus companheiros acadêmicos, lhes perguntava: qual seria a cidade com iniciação sexual mais precoce? &#8211; como uma forma de aproximação do imaginário presente. Todos, sem exceção, respondiam que seria Salvador, por ser uma cidade com uma grande proporção de negros&#8221;.</p>
<p>A pesquisa comprovou justamente o contrário. Salvador foi a cidade com a iniciação sexual mais tardia, e a iniciação sexual mais precoce foi observada na cidade de Porto Alegre com uma população que descende, em sua maior parte, de imigrantes europeus brancos. A autora afirma que &#8220;não se trata de explicar a diferença pelo impacto modernizador dos europeus, mas de desconstruir o vínculo entre raça e sexualidade mais precoce&#8221;.</p>
<p>Segundo a autora deve ser agregado aos resultados da pesquisa as &#8220;condições materiais de existência também estão presentes na modelação da sexualidade. Porto Alegre, por exemplo, governada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) durante 16 anos, é a cidade que possui os melhores índices de desenvolvimento social e de escolaridade, maior cobertura dos serviços de saúde, melhor índice de uso de contraceptivos na primeira relação sexual e uma distribuição de renda mais equânime, em um país com tantas desigualdades sociais como o Brasil. Porto Alegre, no âmbito da comparação empreendida pela mencionada pesquisa, apresenta os percentuais de gravidez menos precoce. Esse cenário rapidamente descrito serve para relativizar os mitos difundidos sobre a sexualidade brasileira&#8221;.</p>
<p>Na pesquisa, perguntou-se aos jovens se era possível controlar a vontade de fazer sexo por pouco tempo, por muito tempo ou se era impossível controlá-la. &#8220;O sexo como uma necessidade física tem pequena proporção de aceitação entre mulheres de maior escolaridade e é mais aceito em moças com menor nível de escolaridade. Mas, na comparação dos dados dos jovens com alta escolaridade, observa-se uma diferença de gênero muito importante. Os homens altamente escolarizados, pertencentes às camadas médias e médias altas da sociedade, são os que melhor expressam a ideologia de gênero do sexo masculino, que associa o sexo a uma necessidade física e a uma força incontrolável, o que contrasta com as mulheres do mesmo grupo social. São exatamente os privilegiados que vão rejeitar uma perspectiva mais relacional da sexualidade, afirmando valores tradicionais da supremacia do desejo masculino.&#8221;</p>
<p>Outro dado interessante é que parece que a tolerância à homosssexualidade masculina é maior entre as moças do que entre os rapazes. Outro fator percebido é que a iniciação sexual no Brasil não apresenta variações entre grupos sociais, mas sim variações entre homens e mulheres: para os primeiros é uma obrigação social para garantir o status de virilidade. Já para as mulheres, a iniciação sexual depende das formas de controle da família, do nível de escolaridade e de religião.</p>
<p>Quanto à religião, destaco um fator que, nos últimos anos, vem se processando com freqüência principalmente entre muitos católicos: &#8220;São muitas as investigações que demonstram a diferença entre o discurso oficial da Igreja e a prática dos católicos sobre sexualidade&#8221;. (Rodrigues, 2006). A pesquisa efetuada por Rodrigues foi realizada com um público de classe média, com nível médio e superior de escolarização, inserido num contexto social urbano. Sobre este assunto abordarei com maiores detalhes em um próximo artigo.</p>
<p>Heilborn (2006) conclui que o quadro está longe de se aproximar da imagem de um país sexualmente desinibido. Modos de significação e contabilidade das práticas sexuais se apresentam como demarcadores de universos distintos para homens e mulheres. O destaque dado pelos rapazes à experiência do sexo anal contrasta fortemente com dados de pesquisas internacionais, considerada a mesma faixa etária. &#8220;Parece-me assim possível arrazoar sobre o intrincado nexo entre o imaginário (o de paraíso sexual) e as condições concretas (simbólicas e materiais) do exercício da sexualidade no Brasil&#8221;.</p>
<p>Pelo que tenho pesquisado e presenciado, mesmo em grandes centros urbanos, observo uma resistência, relacionada provavelmente a algum tipo neurose sexual coletiva, quando revelo que estudo sexualidade e mantenho um site sobre o assunto. As reações envolvem um misto de curiosidade, surpresa e censura velada nos semblantes. Essa neurose coletiva revela-se sem limites em expressões que costumo escutar: &#8220;ela pediu isso, estava procurando&#8221;, quando mulheres se vestem (ou melhor, quase nada vestem) seguindo o que dita a moda e recebem agressões verbais, cantadas, bolinações e até o estupro propriamente dito. Por seguir a moda e vestir-se de um jeito ou de outro, as vítimas transformam-se em culpadas no discurso social.</p>
<p>Muitas mulheres ainda não conhecem sua própria anatomia. Poderia até apostar que muitas delas nunca pararam para ver sua própria genitália na frente do espelho. Mesmos as mulheres que se vestem com micro-roupas, rotuladas pela mídia como &#8220;poposudas&#8221;, principalmente as de baixa renda, não usam anticoncepcionais, ou outros métodos para evitar uma gravidez, porque seus &#8220;companheiros&#8221; ainda vivem da aparência social: &#8220;homem tem que fazer filhos para se mostrar viril&#8221;.</p>
<p>Uma nação em que se observam esses comportamentos de forma tão generalizada ainda precisa quebrar muitas barreiras na abordagem da própria sexualidade e, mais, longe estamos de ser um país com uma &#8220;liberalidade sexual&#8221;. Como em todos os países &#8211; e isto inclui o Brasil &#8211; é óbvio que os turistas encontraram aqui todo o tipo de pessoa, de profissão, de opções sexuais, mas não é possível dizer que o brasileiro, coletivamente, é sexualmente desinibido, bem resolvido ou, mesmo, sexualmente liberal.</p>
<p>Bibliografia</p>
<p>Heilborn, Maria Luiza. Entre as tramas da sexualidade brasileira. Disponível em: Estudos Feministas, Florianópolis, 14(1): 336, janeiro-abril/2006.</p>
<p>Rago, Margareth. Sexualidade e identidade na historiografia brasileira. Disponível em: www.unicamp.br/~aulas. Acessado em: 12/12/2006.</p>
<p>Rodrigues, Cátia S. Lima. Católicas e Femininas:Identidade Religiosa e Sexualidade de Mulheres Católicas Modernas. Revista de Estudos da Religião Nº 2 / 2003 / pp. 36-55.</p>
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		<title>Manual da Sexualidade de Venette</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 15:59:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 71 a 75]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Este artigo aborda algumas crenças sexuais do século XVIII publicadas no manual de sexualidade do médico francês Nicolas Venette. Utilizo como fonte principal &#8220;Venus Minsiecke Gasthuis: Crenças <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/manual-da-sexualidade-de-venette/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este artigo aborda algumas crenças sexuais do século XVIII publicadas no manual de sexualidade do médico francês Nicolas Venette. Utilizo como fonte principal &#8220;Venus Minsiecke Gasthuis: Crenças sexuais na Holanda do século XVIII&#8221; de Herman Ronndenburg, &#8220;&#8216;Venus minsieke gasthuis&#8217; Over seksuele attitudes in de achttiende eeuwse Republiek&#8221; também de Herman Ronndenburg, e bibliografias secundárias a &#8220;História da Farmácia: Paracelso x Galeno&#8221;, &#8220;A repressão sexual nos limites da loucura: uma introdução à história da Inquisição (parte II)&#8221; por Géssica Hellmann, &#8220;Sexo e Pecado &#8211; dos conceitos judaico-cristãos à moralidade sexual na Viena do século XIX&#8221;.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img title="Adam and Eve por Ivan Koulakov" src="http://gehspace.com/edicao%2072%20imagens/Adam%20and%20Eve.jpg" alt="Adam and Eve por Ivan Koulakov" width="300" height="403" /><p class="wp-caption-text">Adam and Eve por Ivan Koulakov</p></div>
<p>Vários manuais foram publicados entre os séculos XV e XIX a fim de regrar a vida sexual entre quatro paredes. Os autores desses manuais não se restringiam à classe médica; muitos religiosos, filósofos e pensadores também contribuíram, através dos séculos, para escrever &#8220;catecismos&#8221; sobre o que se pode ou não fazer, o que é moralmente condenável ou não, escritos que eram baseados em crenças e no que era considerado óbvio em sua época.</p>
<p>&#8220;As idéias médicas de Venette, como as da maioria dos médicos de seu tempo, baseavam-se em grande parte nas obras de Hipócrates e Galeno. O seu tratado é dominado pela patologia de humores de Hipócrates: a ciência dos quatro fluidos corporais sangue, muco, bile branca e bile negra. Com base nesses quatro fluidos, distinguiam-se quatro temperamentos: o sangüíneo, o fleumático, o colérico e o melancólico&#8221;. (Roodenburg, 2006).</p>
<p>A classe médica naquela época aderia a ciência dos pneumatas, ou seja, os três espíritos de Galeno.</p>
<p>&#8220;Por ter sido considerada ilegal a dissecação do corpo humano, Galeno utilizava porcos e macacos-de-Gibraltar em suas demonstrações de anatomia e fisiologia. Suas teorias reuniam um misto de idéias filosóficas e a doutrina dos três espíritos (pneuma) ou forças-mães: animal, vital e natural (localizados, respectivamente no cérebro, no coração e no fígado).O fígado, grande gerador de sangue; o cérebro, sede do pensamento e da alma; o coração, órgão do calor e o pulmão o do resfriamento&#8221;. (História, 2006).</p>
<p>&#8220;Venette e seus contemporâneos estavam convencidos de que o esperma era extraído do corpo todo e particularmente do cérebro. Pois é a partir do cérebro que os espíritos animais fluem para os órgãos sexuais e, por causa disso, sexo em demasia podia prejudicar o cérebro&#8221;. (Roodenburg, 2006).</p>
<p>O autor afirma que uma outra teoria de Galeno era também aceita nos séculos XVII e XVIII: acreditava-se que tanto os homens como as mulheres tinham emissão seminal durante o orgasmo. Até o século XVI, os médicos aceitavam a teoria de Aristóteles de que a única contribuição da mulher para a concepção se dava pelo sangue menstrual. Se o esperma entrasse no útero, ocorreria um processo de fermentação e esse processo produziria um embrião cerca de 40 dias depois. Ao contrario de Aristóteles, Galeno atribuía às mulheres um papel ativo na procriação: era vital um orgasmo, uma emissão seminal.</p>
<p>Para Venette, mesmo acreditando que as mulheres davam sua contribuição seminal na procriação, elas continuavam seres inferiores, tanto física como mentalmente.</p>
<p>Venette afirmava que o útero sentia fome de esperma masculino e que, por esse motivo, o útero se inclinava em direção ao pênis durante o coito, a fim de sugar o esperma e, dessa forma, satisfazer sua inpudicícia. Venette afirmava: &#8216;noch de hel, noch het vyer, noch de aerde zijn soo verslindende niet&#8217; als dit orgaan&#8221;1, ["Nem o inferno, nem o fogo,nem a terra devoram com tanta verocidade como este órgão"]. (Roodenburg, 2006).</p>
<p>Venette também associava a histeria com o útero: &#8220;Se o útero não recebesse esperma masculino e o esperma feminino se acumulasse, então o útero apodreceria e levaria as mulheres à loucura&#8221;. Segundo Venette, as freiras de Loudun sofreram dessa aflição.</p>
<p>Venette refere-se ao episódio ocorrido no convento de Loudun na segunda década do século XVII: &#8220;Logo após Joana dos Anjos assumir a direção do convento, apareceu em Loudun um padre chamado Urbano Grandier que se tornou o pároco da região, acabando por atrair sobre si o interesse das senhoras. Tornou-se famoso por sua arte de consolar viúvas e confortar moças solteiras com métodos não inteiramente de acordo com a ortodoxia do sacerdócio. Seduziu a filha do procurador régio e, mais tarde, conheceu Madeleine de Brou, filha do conselheiro do rei, que compôs em honra de Grandier um espirituoso tratado contra o celibato dos padres. Tais escândalos chegaram ao ouvido de Joana dos Anjos, que começou a ter &#8220;sonhos pecaminosos&#8221;. Sua perturbação psíquica agravou-se a um ponto em que começou a ter ataques histéricos noturnos no convento. Pediu ajuda às freiras para que a flagelassem. Pouco depois, várias outras feiras começaram a sofrer alucinações parecidas com as de Joana&#8221;. (Seligmann, 1948, apud Hellmann 2006a)</p>
<p>Del Priore (2006) afirma também que &#8220;Nicolas Venette repetia os antigos afirmando que as mulheres eram mais responsáveis pela esterilidade do que os homens (apud Darmon, 1981, p. 27)&#8221;.</p>
<p>O fato mais escandaloso publicado em seu livro para a época referia-se a ênfase que o autor dava ao prazer sexual. Segundo Roodenburg (2006), Venette afirmava que os abraços mútuos (referindo-se ao coito) eram os laços de amor do casamento. Ele indica as zonas erógenas, chamando o clitóris de &#8220;het vyer of het woeden der liefde&#8221;2 (&#8220;o fogo ou a paixão do amor&#8221;). A natureza ali situara o &#8220;trono de sua lascívia e impudicícia&#8221;, &#8220;tal como fizera no topo da haste do homem&#8221;.</p>
<p>Segundo o autor, outra questão freqüentemente levantada por Venette era quem seria mais vigoroso o homem ou a mulher? Qual dos dois teria mais prazer na cama? Quais posições poderiam ocupar na hora do coito? Venette chegou também a apresentar sugestões de como uma noiva deflorada poderia se passar por virgem na noite de núpcias. Segundo ele, ela deveria introduzir na boca do útero duas ou três bolinhas de sangue de carneiro congelado.</p>
<p>Outra questão era sobre a melhor idade para o casamento, segundo ele, para os homens após os 25 anos, e para as mulheres após os 20. Antes desta idade correriam o risco de que a semente do homem fosse &#8220;muito pobre em espíritos animais&#8221;, e de que a mulher fosse internamente muito estreita. Era quase certo que uma união dessas poderia gerar apenas meninas ou crianças muito pequenas e raquíticas.</p>
<p>Venette também fornece indicações sobre o melhor horário do dia para o coito, segundo ele, a melhor hora do dia é de quatro a cinco horas depois da refeição do meio-dia ou de quatro a cinco horas depois da refeição noturna. Sugere no máximo cinco coitos na mesma noite, pois se o homem tentar a sexta vez, sua semente pode sair aguada. Segundo ele &#8220;os homens se exaurem exatamente quando as mulheres tornam-se ardentes&#8221;. Atribui este fato à divisão do trabalho na cama: o homem faz todo o trabalho enquanto a mulher só recebe. Desta forma a mulher não tem desculpa para recusar o marido, o que não seria mais do que sua obrigação. (Roodenburg, 2006)</p>
<p>Quanto às posições era recomendado o homem por cima e a mulher por baixo. Sexo por trás, somente era admissível quando a mulher estava grávida ou era muito gorda.</p>
<p>Venette combatia alguns temores relacionados à sexualidade, como a existência de íncubos e súcubos, dizia que eram somente frutos da imaginação humana. Seriam os pesadelos dos homens e mulheres com pensamentos impuros. (Roodenburg, 2006)</p>
<p>O autor afirma ainda que outra crença comum entre a elite da época consistia na pretensa imaginação materna. As pessoas acreditavam que as anormalidade do feto, como nascer com manchas avermelhadas, marcas de nascença e outras deformidades, eram provocadas pela imaginação da mãe grávida. Era possível, por exemplo, que um desejo súbito por uma fruta, se insatisfeito, provocaria o nascimento de uma criança com uma mancha no tamanho e formato da fruta. Ou se a mulher grávida se assustasse com a visão de um homem ou mulher deformados, a criança poderia nascer com esta deformidade. Venette não era muito claro em sua opinião sobre esta crença, mas ele chega a mencionar as conseqüências da imaginação materna, não no contexto gravidez, mas durante o próprio coito.</p>
<p>Venette menciona que em seu tempo eram raros os casos de hermafroditas, afirma que no passado eram considerados maus presságios e monstros, e que, em seu tempo, eram considerados assuntos raros. Ele distingue cinco tipos de hermafroditas, sendo que um deles diz respeito às mulheres que possuem um clitóris excepcionalmente grande, chamadas de tríbades pelos gregos e ribaudes pelos franceses, que poderiam dar prazer a outras mulheres.</p>
<p>Sabe-se que, na época, os médicos consideravam a sodomia muito pior que o tribadismo, principalmente na Holanda do século XVIII. Os praticantes de sodomia eram punidos com muito mais rigor. Uma das explicações que podem ser atribuídas a este fato é que as tríbades não praticavam sexo anal e os sodomitas sim. Desta forma percebe-se que a tolerância de Venette se dá somente aos heterossexuais, a homossexualidade masculina é ignorada e a feminina é encarada como um lamentável desvio da natureza.</p>
<p>O fundamento dessa opinião vinha do fato de que ainda se seguia o princípio de que as mulheres seriam seres inferiores por serem mais &#8220;próximas à natureza&#8221; e por serem impulsivas como os animais. Essa idéia foi seguida também em outros livros, como o publicado no século XIX por Weininger:</p>
<p>&#8220;Segundo Jusek (1995), Weininger afirmava que a mulher não era nenhum mistério. Em suas pesquisas ele &#8220;descobrira&#8221; que ela era não somente polígama, como também irracional, caótica, ilógica e nada entendia de moralidade. Afirmava que, para tornar-se humana, a mulher deveria reprimir totalmente sua sexualidade. Como um corolário racista/sexista, afirmava que os judeus seriam uma raça inferior porque possuiriam características femininas. (Helmann, 2006b)</p>
<p>Para Roodenburg, (2006) ficou claro que, no manual sexual de Venette, o fato que nossos ancestrais do século XVIII, e talvez do século XIX, sustentavam noções sobre o corpo inteiramente distintas daquelas que possuímos hoje. Seria interessante averiguar em que medida esses conceitos, considerados óbvios na época, estava ligado às inúmeras discussões teológicas e morais sobre as mulheres.</p>
<p>Faço a pergunta agora: por que os manuais eram tão vendáveis, os &#8220;resultados de pesquisas&#8221; interessavam tanto a elite de suas épocas? Por que ainda hoje são tão populares livros do estilo &#8220;saiba tudo sobre sexo&#8221; ou &#8220;como agradar seu companheiro na cama&#8221;? A sexualidade continua sendo um mistério? Por que a própria palavra sexualidade já gera tanto furor? Porque tantos firewalls corporativos bloqueiam sites que têm a palavra sexualidade, enquanto na televisão, em horários que nossos filhos estão assistindo TV, pode-se ouvir tantas expressões como &#8220;popozuda&#8221;, &#8220;cachorra&#8221;, acompanhada de imagens de mulheres representadas apenas como objeto de desejo sexual masturbatório? Ao que parece o discurso evoluiu muito. Já as mentalidades&#8230;</p>
<p>Notas:</p>
<p>1 &#8211; Citação em Holandes de Roodenburg, Herman. &#8216;Venus minsieke gasthuis&#8217; Over seksuele attitudes in de achttiende eeuwse Republiek. Disponível em: http://www.dbnl.org/tekst/rood006venu01_01/rood006venu01_01_0001.htm. Acessado em:06/12/2006.</p>
<p>2 &#8211; Citação em Holandes de Roodenburg, Herman. &#8216;Venus minsieke gasthuis&#8217; Over seksuele attitudes in de achttiende eeuwse Republiek. Disponível em: http://www.dbnl.org/tekst/rood006venu01_01/rood006venu01_01_0001.htm. Acessado em:06/12/2006.</p>
<p>Bibliografia</p>
<p>DEL PRIORE, Mary. Men and women: imagery about sterility in Portuguese America. Hist. cienc. saude-Manguinhos., Rio de Janeiro, v. 8, n. 1, 2001. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-59702001000200005&amp;lng=en&amp;nrm=iso. Access on: 06 Dec 2006. doi: 10.1590/S0104-59702001000200005.</p>
<p>HELLMANN, Géssica.A repressão sexual nos limites da loucura: uma introdução à história da Inquisição (parte II). Disponível: http://www.gehspace.com/sexualidade26a30.htm#29. Acessado em: 07/12/2006 a.</p>
<p>________________. Sexo e Pecado &#8211; dos conceitos judaico-cristãos à moralidade sexual na Viena do século XIX. Disponível em: http://www.gehspace.com/sexualidade6a10.htm#6. Acessado em: 07/12/2006 b.</p>
<p>HISTÓRIA DA FARMÁCIA: PARACELSO X GALENO. Disponível em: http://www.lapemm.ufba.br/historia.htm. Acessado em: 06/12/2006.</p>
<p>ROODENBURG, Herman. Venus Minsiecke Gasthuis: Crenças sexuais na Holanda do século XVIII. In Bremmer, Jam (org). De Safo a Sade: Momentos na história da sexualidade. Campinas, SP: Papirus, 1995.</p>
<p>_____________________. &#8216;Venus minsieke gasthuis&#8217; Over seksuele attitudes in de achttiende eeuwse Republiek. Disponível em: http://www.dbnl.org/tekst/rood006venu01_01/rood006venu01_01_0001.htm. Acessado em:06/12/2006.</p>
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		<title>Sexualidade X Pessoas Especiais</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 15:54:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 71 a 75]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas portadoras de deficiências]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas portadoras de necessidades especiais]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>Neste artigo abordo a orientação sobre a sexualidade de crianças e adolescentes especiais, como, por exemplo, portadores de Síndrome de Down e Cadeirantes. Sabemos que a <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/sexualidade-x-pessoas-especiais/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Géssica Hellmann</em></p>
<p>Neste artigo abordo a orientação sobre a sexualidade de crianças e adolescentes especiais, como, por exemplo, portadores de Síndrome de Down e Cadeirantes. Sabemos que a sexualidade em si já é encarada com certo preconceito. Falar sobre ela já gera polêmica, imagine abordar este assunto no contexto de pessoas especiais.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 430px"><img title="Tela por Erin Prucha" src="http://gehspace.com/edicao%2071%20imagens/erin16.jpg" alt="Tela por Erin Prucha" width="420" height="338" /><p class="wp-caption-text">Tela por Erin Prucha</p></div>
<p>Segundo Trabbold (2006) &#8220;Por medo de expor o adolescente a riscos físicos e emocionais, muitos pais negam a existência do problema e preferem encarar o filho como um &#8220;anjo assexuado&#8221;. Por outro lado, os profissionais das instituições especializadas tendem a rotulá-los como pessoas hipersexualizadas, que não têm autocontrole&#8221;.</p>
<p>Segundo a autora, uma pesquisa feita pelo psicólogo Hugues Costa da França Ribeiro, comprovou o que sua experiência de dez anos na área já havia lhe ensinado: que eles têm desejo sexual, anseiam por uma relação afetiva e que são capazes de aprender a lidar com sua própria sexualidade.</p>
<p>Para Gejer (2006) &#8220;O deficiente mental, como qualquer outro indivíduo, tem necessidade de expressar seus sentimentos de modo próprio e intransferível. A repressão da sexualidade, nestes indivíduos, pode alterar seu equilíbrio interno, diminuindo as possibilidades de se tornar um ser psiquicamente integral. Por outro lado, quando bem encaminhada, a sexualidade melhora o desenvolvimento afetivo, facilitando a capacidade de se relacionar, melhorando a auto-estima e a adequação à sociedade&#8221;.</p>
<p>&#8220;Uma pessoa com deficiência mental leve ou moderada pode compreender e adquirir parâmetros para discernir o que é adequado ou não, o que é privado ou público, quem tem permissão de tocar em suas partes íntimas e ainda entender as conseqüências do ato sexual, como a gravidez e o contágio de doenças sexualmente transmissíveis &#8230; A sexualidade é um fator importante para o desenvolvimento da personalidade de qualquer indivíduo, algo que não pode ser negado ou sublimado&#8221; afirma Ribeiro. (Trabbold, 2006)</p>
<p>A autora continua &#8220;Isolados em suas casas, em instituições especializadas, o deficiente geralmente é afastado do contato com outros grupos sociais&#8221;. Este &#8220;círculo&#8221; de proteção pode também restringir a evolução do indivíduo.</p>
<p>Existem controvérsias entre a escolha de uma Instituição Educacional Especializada e a inclusão em Escolas Normais. Qual delas é melhor para o desenvolvimento da criança e adolescente? Qual delas vai facilitar o desenvolvimento da independência, da socialização? Teoricamente a sociabilização do individuo especial com outros considerados &#8220;normais&#8221; facilita a inclusão. E quanto ao preconceito? Pode haver rejeição? Como lidar com isso?</p>
<p>A informação, o diálogo é extremamente importante para o desenvolvimento da sexualidade da criança e do adolescente.</p>
<p>&#8220;A omissão do tema em casa, na escola ou no consultório médico gera desinformação e preconceito. Muita gente prefere acreditar, por exemplo, que eles não sejam capazes de compreender os cuidados necessários para o sexo seguro. Por isso, o tema não deve ser tratado apenas nas entrelinhas. É preciso fornecer informações claras e precisas para que sejam assimiladas&#8221;. (Belisário, 2006)</p>
<p>É importante lembrar que a sexualidade faz parte da natureza humana. É preciso lembrar que a sexualidade vai além do ato sexual.</p>
<p>&#8220;Apesar das diferenças entre os deficientes, quase todos são capazes de aprender a desenvolver algum nível de habilidade social e conhecimento sexual. Isso pode incluir habilidade para diferenciar comportamento apropriado e não apropriado e para desenvolver um senso de responsabilidade de cuidados pessoais e relacionamento com os outros&#8221;. (Gejer, 2006).</p>
<p>A autora afirma que:</p>
<p>- Jovens com deficiência são sexualmente ativos;<br />
- As aspirações sociais e sexuais de pessoas especiais não são diferentes dos seus pares;<br />
- Estudos demonstram que problemas físicos e mentais têm menor influência sobre a expressão sexual do deficiente do que sua integração social;<br />
- Pais de adolescentes com deficiência devem se unir com outros educadores para proporcionar uma boa educação sexual para seus filhos;</p>
<p>&#8220;O desejo e as descobertas da sexualidade são sinais de saúde. Mas quando o adolescente com deficiência começa a sair, conhecer pessoas, namorar e buscar uma vida sexual ativa, a família perde o controle sobre suas atividades, o que pode gerar medo de que ele seja rejeitado ou até mesmo abusado sexualmente. Com o intuito de proteger os filhos com deficiência, os pais costumam tratá-los como eternas crianças, negando assim o seu direito à sexualidade. Para acabar com medos, os processos de inclusão na escola e na comunidade são estratégias fundamentais&#8221;. (Belisário, 2006)</p>
<p>A arte é uma das atividades recomendadas pelos educadores como alternativa para o desenvolvimento da sexualidade das pessoas especiais. Tanto a arte como a sexualidade são prazerosas para o indivíduo.</p>
<p>Rocha (2006) diz que a Declaração Universal dos Direitos Humanos é inegavelmente um marco de referência para o posicionamento do ser humano no Mundo, na sua dimensão individual e social, destacando-se os princípios consignados na Declaração as &#8220;Normas sobre a Igualdade de Oportunidades para as Pessoas com Deficiência&#8221; (Nações Unidas, 1994).</p>
<p>O autor afirma que a conscientização acerca do que é qualidade de vida das pessoas com deficiência mental torna-se fundamental em áreas determinantes como: interação e relações sociais; bem-estar psicoafetivo e autonomia e poder de decisão. Contudo, não faz qualquer sentido falarmos destas dimensões da qualidade de vida da pessoa portadora de deficiência mental quando, ao mesmo tempo, se lhe é vedado o direito à sua sexualidade. &#8220;A pessoa portadora de deficiência mental deve aprender desde logo a reconhecer a sua individualidade, compreender o comportamento social e o seu comportamento como membro de uma sociedade, conhecer a sua própria vulnerabilidade e, essencialmente, saber escolher, decidir e desenvolver a sua própria sexualidade&#8221;.</p>
<p>A sexualidade faz parte do indivíduo, não se pode negar à pessoa especialal a liberdade de viver e expressar a sua sexualidade. Ela pode ser entendida também como expressão da afetividade, construção da auto-estima e do bem-estar.</p>
<p>Pais e educadores, entretanto, negociam suas representações com a realidade da vida na instituição e da vida familiar, produzindo &#8220;regulações&#8221; da sexualidade, em especial aquelas ligadas à contracepção (Venâncio, 2006).</p>
<p>Além das pessoas com deficiência mental, outras que sofrem preconceitos quanto a sua sexualidade são os cadeirantes. Principalmente porque &#8220;esbarram&#8221; em fatores culturais quanto à função social masculina e feminina.</p>
<p>&#8220;A despeito das mudanças que se processam quanto à função social da mulher hoje, principalmente a partir do seu engajamento no mercado de trabalho e, decorrente, de seu papel mais participativo em termos de eqüidade com o homem no seio da família, permanecem ainda resquícios da sociedade patriarcal e autoritária da sociedade fálica&#8221;. (Salimene, 2006)</p>
<p>A autora continua &#8220;Esses valores atingem de modo severo os portadores de deficiência física (em conseqüência de danos neurológicos). Estes, a despeito das disfunções sexuais presentes em diferentes níveis, quanto à ereção, ejaculação, orgasmo e reprodução, mantêm a sua sexualidade latente, quando entendida no seu conceito ampliado&#8221;.</p>
<p>&#8220;A ereção é resultado do enchimento dos corpos cavernosos do pênis por sangue. Como a conexão com o cérebro está prejudicada (pela lesão medular), a ereção psicogênica (pensar em algo que lhe de tesão) não ocorrerá. A ereção ocorrerá por mecanismos reflexos, ou seja, pela manipulação do pênis. Então, você poderá recorrer a métodos físicos, como colocar um anel na base do pênis para preservar a ereção por tempo mais prolongado. Com isto, você estará retendo o sangue nos corpos cavernosos. Os métodos químicos, que consistem em injeção na base do pênis ou introdução pela uretra de determinadas substâncias (prostaglandina), deverá ter o seu uso controlado por indicação médica para evitar efeitos colaterais indesejáveis. A solução definitiva mais comum é a colocação de uma prótese, feita de um material flexível, ficando o pênis sempre em estado de semi-ereção. Uma outra prótese, seria formada por tubos colocados no local dos corpos cavernosos. Estes tubos estariam em contato com uma bolsa cheia de líquido, que quando pressionada os encheria. Este líquido preenchendo os tubos agiria como se fosse o sangue preenchendo os corpos cavernosos, provocando a ereção&#8221;. (Moraes, 2006)</p>
<p>&#8220;É necessário que se incorporem ações terapêuticas voltadas para a reabilitação sexual dessas pessoas para ajudá-las a superar suas dificuldades. Assim buscamos caminhos para que possam exercitar sua sexualidade o mais plenamente possível, com a obtenção do prazer físico e psíquico, fatores contribuintes para sua reintegração social saudável&#8221;. (Salimene, 2006)</p>
<p>Ao aceitar o seu corpo lesado e, por incrível que possa parecer para alguns, até curti-lo, você estará pronto para que outras pessoas possam também aceitá-lo com suas limitações. Cito como exemplo a entrevista concedida ao Géh na primeira edição de sexualidade: &#8220;Costumo dizer que o sexo com os cadeirantes é muito mais parecido do que diferente do &#8220;tradicional&#8221;.As pessoas imaginam que é complexo, muito diferente, ou até mesmo que somos assexuados. Claro que cada caso é um caso. Falo de mim e do que sei dos meus amigos. Fazer sexo é sempre bom. Sinto o mesmo desejo de antes e as sensações são até mais intensas. A principal diferença é um trabalho maior do parceiro, que vai me ajudar com as posições&#8230;&#8221; afirma Juliana Oliveira, tetraplégica.</p>
<p>Se você não sente metade do seu corpo, você descobrirá sozinho ou junto com seu parceiro que seu corpo é uma fonte de prazer e que ao estimular outras partes sensíveis, como a boca, a orelha, o peito e as costas você poderá estar descobrindo a sua nova sexualidade. (Moraes, 2006)</p>
<p>Ao compreendermos que a sexualidade é mais complexa que o ato sexual, é carinho, é sentimento, é sensações, é tudo que proporciona bem estar e prazer ao indivíduo. Desta forma é possível quebrar tabus e viver plenamente a sexualidade. Este conceito é válido para todas as pessoas, especiais ou não.</p>
<p>Bibliografia</p>
<p>Belisário Filho, José Ferreira. Sexualidade e Deficiência: superando preconceitos. Disponível em:  http://www.andi.org.br/noticias/templates/boletins/template_pontoj.asp?articleid=2933&amp;zoneid=23. Acessado em: 24/11/2006.</p>
<p>Gejer, Débora. O adolescente com deficiência mental e sua sexualidade. Disponível em: http://www.entreamigos.com.br/textos/sexualid/oadole.htm. Acessado em: 24/11/2006.</p>
<p>Morais, José Carlos. Conversando sobre sexo. Disponível em:  http://www.entreamigos.com.br/textos/sexualid/sexo.html. Acessado em: 24/11/2006.</p>
<p>Rocha, Jorge. Viver a sexualidade é um direito de todos. Disponível em: http://www.malhatlantica.pt/ecae-cm/sexualidade1.htm. Acessado em: 24/11/2006.</p>
<p>Salimene , Arlete Camargo de Melo. A Sexualidade da pessoa com deficiência física. Disponível em: http://www.entreamigos.com.br/textos/sexualid/sexpede.htm. Acessado em: 24/11/2006.</p>
<p>Trabbold, Ângela. Sexo dos Anjos. Disponível em: http://www.entreamigos.com.br/textos/sexualid/sexanjo.htm. Acessado em: 24/11/2006.</p>
<p>Venâncio, Ana Teresa A. Representações sociais da diferença: sexualidade e deficiência mental. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0103-73312006000100008&amp;lng=es&amp;nrm=&amp;tlng=pt. Acessado em: 24/11/2006.</p>
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