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	<title>Sexualidade by géh &#187; filosofia</title>
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	<description>Sexualidade: artigos de pesquisa e entrevistas</description>
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		<title>Reflexões sobre Sexo, Morte e Religião: uma introdução conceitual à obra &#8220;O Erotismo: o Proibido e a Transgressão&#8221;, de Georges Bataille.</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Dec 2008 19:55:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[bataille]]></category>
		<category><![CDATA[edições 26 a 30]]></category>
		<category><![CDATA[erotismo]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Géssica Hellmann</p>
<p class="wp-caption-text">Spirit por Martin Sklar</p>
<p>Bataille percorre a presença oculta do erótico          na religião e na filosofia <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/08/reflexoes-sexo-morte-religiao-introducao-conceitual-erotismo-proibido-transgressao-georges-bataille/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Géssica Hellmann</em></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 419px"><img title="Spirit por Martin Sklar" src="http://www.gehspace.com/edicao%2026%20imagens/spirit_martin%20sklar.jpg" alt="Martin Sklar - Spirit" width="409" height="275" /><p class="wp-caption-text">Spirit por Martin Sklar</p></div>
<p>Bataille percorre a presença oculta do erótico          na religião e na filosofia relacionando o sexo tanto com a vida          como com a morte.</p>
<p>Segundo o autor, a reprodução sexual que,          na base, faz intervir a divisão das células funcionais,          leva a uma nova espécie de passagem da descontinuidade à          continuidade. O espermatozóide e o óvulo são, no          estado elementar, seres descontínuos, mas que se unem e, em conseqüência,          estabelece-se entre eles uma continuidade que leva à formação          de um novo ser, a partir da morte, do desaparecimento dos seres separados.          Ou seja, a reprodução está intimamente associada          à morte, e é desta relação entre a continuidade          e a morte que surge a fascinação que domina o erotismo.</p>
<p>Em suas reflexões sobre continuidade e descontinuidade,          Bataille determinou três formas de erotismo existentes no homem:          erotismo dos corpos, erotismo dos corações e erotismo sagrado.          Nelas, o que está sempre em questão é substituir          o isolamento do ser (sua descontinuidade) por um sentimento de continuidade          profunda com Deus ou o Universo.</p>
<p>O significado do &#8220;erotismo dos corpos&#8221; é          o de uma violação que beira ao assassínio. O erotismo          tem por fim atingir o ser no seu mais íntimo cerne, lá onde          pensamentos e palavras são inúteis. A passagem do desejo          normal ao desejo erótico supõe em nós a relativa          dissolução do ser constituído na ordem descontínua.</p>
<p>O &#8220;erotismo dos corações&#8221;, aparentemente,          se separa da materialidade do erotismo dos corpos; deste procede, mas          não passa, na maioria das vezes, de um aspecto do erotismo estabilizado          pela recíproca afeição dos amantes. A essência          da paixão é a substituição da persistente          descontinuidade por uma maravilhosa continuidade entre dois seres. Se          é verdade que a posse do ser amado não significa a morte,          também é verdade que ela está necessariamente envolvida          na busca dele. Se aquele que ama não pode possuir o ser amado,          pensa, muitas vezes, em matá-lo, perdê-lo, ou em outros casos,          deseja até a própria morte. A paixão arrasta-nos,          assim, para o sofrimento, uma presente ameaça de separação.</p>
<p>No &#8220;erotismo sagrado&#8221;, mesmo quando o objeto          do sacrifício não é um ser vivo, a vítima          morre, enquanto a assistência participa de um elemento que revela          a sua morte. A esse elemento é o que chamamos de &#8220;sagrado&#8221;,          ou seja, uma continuidade a ser revelada que fixa sua atenção          na morte de um ser descontínuo. A aprovação da vida          na própria morte é um desafio, tanto no erotismo dos corações          como nos dos corpos, com a diferença da morte propriamente dita.</p>
<p>O erotismo é um dos aspectos da vida interior do          homem. Para Bataille, o erotismo é a atividade sexual do homem,          mas a atividade sexual do homem, em um nível, não é          sempre necessariamente erótica, embora o seja em outro nível,          porque se diferencia da sexualidade dos animais. Vestígios do período          paleolítico comprovariam a mutação pela qual o homem          teria se libertado de um &#8220;animalismo inicial&#8221;, compreendendo          que era mortal e passando da &#8220;sexualidade inocente&#8221; à          &#8220;sexualidade envergonhada&#8221;, de que teria brotado o erotismo.</p>
<p>Para Bataille, o erotismo é chave que desvenda aspectos          fundamentais da natureza humana, uma vez que se encontra no limite entre          o natural e o social, o humano e o não-humano.</p>
<p>Quando se tratava de erotismo (ou, geralmente, de religião)          a experiência interior lúcida era impossível numa          época em que permanecia oculta a interdependência da proibição          e da transgressão, exigindo assim uma experiência pessoal,          igual e contraditória, da proibição e da transgressão.          As imagens eróticas, ou religiosas, introduzem essencialmente,          para uns, comportamento de proibição, para outros, comportamentos          trangressivos. Contudo, a transgressão difere do &#8220;retorno          à natureza&#8221;, residindo aí à força do          erotismo e, ao mesmo tempo, a força das religiões. A religião,          neste sentido, entre outras funções, envolve a criação          de regras e limites de comportamento, ou seja, circunscreve as fronteiras          do &#8220;proibido&#8221;, do &#8220;autorizado&#8221; e do &#8220;obrigatório&#8221;.</p>
<p>O foco de Bataille, entretanto, é na direção          do &#8220;proibido&#8221;. Sem o primado da proibição, não          teria sido possível ao homem alcançar a consciência          clara e distinta sobre a qual a ciência se baseia. A proibição          eliminaria a violência e os nossos impulsos sexuais. Quando observamos          a proibição, submetendo-se a ela, não teríamos          consciência desse ato mas, ao transgredi-la, conhecemos a angústia,          sem a qual a proibição não existiria: a experiência          do pecado. A sensibilidade religiosa uniria sempre estreitamente o desejo          e o terror, o prazer intenso e a angústia.</p>
<p>Na visão de Bataille, por oposição          o ato trabalho (racional), a atividade sexual é uma violência,          enquanto impulso imediato, pois pode perturbar o trabalho: uma coletividade          laboriosa não poderia estar à mercê da sexualidade.          Somos levados a pensar que, desde a origem, a liberdade sexual teve que          ser limitada, e a esse limite podemos dar o nome de &#8220;proibição&#8221;          e, ainda mais, podemos acreditar que inicialmente foi o trabalho que impôs          esse limite. Essas restrições variam de acordo com o tempo          e o lugar. Nem todos os povos sentiram a necessidade de ocultar os órgãos          sexuais, por exemplo.</p>
<p>A nudez, nas civilizações ocidentais, tornou-se          objeto de uma proibição bastante vasta. A nudez é          objeto de um rito que comunica aos homens sua essencialidade, isto é,          seu erotismo. Sua presença retoma especialmente a relação          com o sagrado. Para ser &#8220;encontrada&#8221;, a nudez tem que se apresentar          ao sujeito enquanto objeto sagrado e simbólico. A roupa surge assim          como o artifício que redimensionaria a nossa relação          com o nu. Daí a extraordinária percepção de          Bataille: o vestuário seria um meio de se atingir a nudez!</p>
<p>Ao se falar de &#8220;proibições&#8221;, não          podemos deixar de falar de tabus. Nas sociedades arcaicas, a classificação          das pessoas segundo a sua relação de parentesco e a determinação          dos casamentos proibidos tornou-se uma verdadeira ciência. O autor          nos indaga se haveria algo mais firme em nós que o horror do incesto.          Quer na sexualidade ou na morte, o foco estaria sempre na violência,          ao mesmo tempo aterrorizante e fascinante.</p>
<p>Entre outros tabus relacionados à sexualidade, o          autor menciona o sangue menstrual e o sangue do parto. Como o incesto,          eles também estariam estreitamente relacionados ao horror da violência.          A mancha que o sangue emana, alem do sentido da atividade sexual, é          a conseqüência da própria violência.</p>
<p>Segundo o autor, a transgressão não constitui          uma negação da proibição, mas ultrapassa-a          e completa-a. Só o horror e o terror insensatos poderiam substituir          os desmedidos excessos, sendo esta a natureza dos tabus. A violência          humana seria conseqüência não de cálculos, mas          de estados sensíveis como a raiva, o medo, o desejo, e assim por          diante. A transgressão organizada formaria com a proibição          um conjunto que define a vida social dos indivíduos.</p>
<p>Bataille (1980, p.60) afirma que &#8220;Proibição          e transgressão correspondem a dois movimentos contraditórios:          a proibição rejeita, mas o fascínio introduz a transgressão.          A proibição, o tabu, só se opõem ao divino          num sentido, mas o divino é o aspecto fascinante da proibição,          é a proibição transfigurada&#8221;.</p>
<p>A elaboração do erotismo, nesta obra de Bataille,          se faz pela &#8220;experiência interior&#8221;, como a experiência          religiosa. Essa experiência compreende a contradição          entre proibido e transgressão, na qual a transgressão não          elimina radicalmente a proibição. Pelo contrário,          preserva-a no seu seio. O sentido é claro: a religião regularia,          essencialmente, a transgressão das proibições!</p>
<p><strong>Referência Bibliográfica:</strong></p>
<p>BATAILLE, Georges. <strong>O erotismo: o proibido e a transgressão.</strong> Lisboa: Moraes editores, 1980, 2a. ed.</p>
<p><strong>Dica de Leitura</strong> &#8211; <strong>O erotismo:          o proibido e a transgressão</strong></p>
<p>O erotismo é um ensaio original e perturbador sobre          a sexualidade: sua presença oculta na religião e na filosofia          e sua relação com vida e morte. Bataille também aborda          temas controversos como misticismo e incesto.<br />
Na primeira parte da obra, Georges Bataille explora tabus e transgressões          humanas, como orgia, sacrifício e prostituição. Na          segunda, o autor examina vários aspectos do erotismo, analisando,          inclusive, figuras emblemáticas e polêmicas como o marquês          de Sade. O autor apresenta o erotismo como o estado de dissolução          do ser constituído que, quando ao encontro do outro, se perde e          se reencontra, formando uma nova unidade.</p>
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		<title>Scientia Sexualis</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 16:04:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 21 a 25]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>por Géssica Hellmann</p>
<p class="wp-caption-text">Lovers Embracing, Folio from an Erotic Manuscript India, Madhya Pradesh, Malwa, South Asia circa (1660) (Detail) </p>
<p>Como já foi dito antes, o discurso sobre <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/07/scientia-sexualis/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Géssica Hellmann</em></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 438px"><img title="Lovers Embracing, Folio from an Erotic Manuscript India, Madhya Pradesh, Malwa, South Asia circa (1660) (Detail) " src="http://gehspace.com/edicao%2023%20imagens/M81_271_4.jpg" alt="Lovers Embracing, Folio from an Erotic Manuscript India, Madhya Pradesh, Malwa, South Asia circa (1660) (Detail)" width="428" height="382" /><p class="wp-caption-text">Lovers Embracing, Folio from an Erotic Manuscript India, Madhya Pradesh, Malwa, South Asia circa (1660) (Detail) </p></div>
<p>Como já foi dito antes, o discurso sobre o sexo          tem se intensificado, nos últimos três séculos, como          forma de implantação de um &#8220;controle da sexualidade&#8221;,          uma forma de controle populacional com objetivos políticos e econômicos.</p>
<p>Foucault afirma que Freud e outros cientistas teóricos,          em seus discursos sobre o sexo, não fizeram mais do que ocultar,          considerando as análises detalhadas, referindo-se sobretudo às          aberrações, extravagâncias, como procedimentos destinados          a esquivar a verdade excessivamente perigosa sobre o sexo. A ciência          dessa época era subordinada à moralidade, cujas classificações          reiterou sob a forma de ordens médicas.</p>
<p>Favorecendo com isto uma prática médica indiscreta,          involuntariamente ingênua e voluntariamente mentirosa, ativa e provocadora,          essa medicina instaurou toda uma &#8220;licenciosidade mórbida&#8221;.          Em nome de uma urgência biológica e histórica, justificavam-se          os racismos oficiais, então iminentes, fundamentando-os como verdade.</p>
<p>Foucault enfatiza que o sexo constituiu-se em um objeto          de verdade através de dois grandes meios de produção          histórica da verdade sobre o sexo: <em>ars erotica </em>e <em>scientia          sexualis</em>.</p>
<p>Principalmente no oriente, na arte erótica, a verdade          é extraída do próprio prazer, encarado como uma prática;          não por referência do que é proibido ou permitido,          nem por um critério de utilidade. Ao contrário: o sexo deveria          ser conhecido como prazer, segundo sua intensidade, qualidade, duração          e seus efeitos no corpo e na alma. Buscava-se no saber sobre o prazer          formas de ampliá-lo; a verdade sobre o prazer é extraída          do próprio saber. A prática desta arte tinha o objetivo          do domínio do corpo, o gozo excepcional, o elixir da longa vida.</p>
<p>O oposto se desenvolveu na civilização ocidental,          onde se intensificou uma <em>scientia sexualis</em>, como meio de se dizer          a verdade sobre o sexo. Esta verdade era obtida principalmente através          da confissão.</p>
<p>A regulamentação do sacramento de penitência          pelo Concílio de Latrão em 1215; o desenvolvimento das técnicas          de confissão; a evolução dos métodos de interrogatório;          a instauração dos tribunais de Inquisição;          todos esses fatores contribuíram para dar à confissão          um papel central na ordem dos poderes civis e religiosos. A confissão          passou a ser, no ocidente, extremamente valorizada. Desde a penitência          cristã até os dias de hoje, o sexo tem sido assunto privilegiado          na confissão. Sendo este ato, em que se ligam a verdade e o sexo,          a expressão obrigatória e exaustiva de um segredo individual.</p>
<p>Utilizando de métodos similares, com um objetivo          &#8220;científico&#8221;, médicos e teóricos se utilizaram          da confissão para elaborar seus discursos sobre o sexo. A confissão          constituiu, progressivamente, um grande arquivo dos prazeres do sexo.          Durante séculos a verdade do sexo foi encerrada nesta forma discursiva;          excluída do discurso do ensino, da iniciação, passando          ao largo da forma que rege a &#8220;arte erótica oriental&#8221;.</p>
<p>Podemos afirmar que a <em>scientia sexualis</em> é          o correlato desta pratica discursiva sobre o sexo e sexualidade. A história          da sexualidade deve ser estudada, segundo Foucault, pelo ponto de vista          de uma história de discursos.</p>
<p>É importante saber que a <em>ars erotica </em>não          desapareceu completamente da civilização ocidental. Existiu,          na confissão cristã, todo um aparato que se assemelha à          <em>ars erotica</em>: orientação pelo mestre, ao longo de          uma via de iniciação. Mas é preciso enfatizar que          a <em>ars erotica</em> não funciona, pelo menos em algumas de suas          dimensões, como a <em>scientia sexualis</em>. A arte erótica,          no saber ocidental sobre a sexualidade, encontra-se apenas, na sua utilização          normalizadora, na sua multiplicação e intensificação          dos prazeres ligados à produção da verdade sobre          o sexo. Essa produção de verdade, mesmo intimidada pelo          modelo científico, pode ter até intensificado seus prazeres          intrínsecos.</p>
<p>Muito mais do que um mecanismo negativo de exclusão          ou de rejeição, trata-se da colocação em funcionamento          de uma rede sutil de discursos, saberes, prazeres e poderes. O autor conclui          que estudar esse mecanismo, é essencial para compreender as estratégias          de poder imanentes a essa vontade de saber, constituindo uma &#8220;economia          política&#8221; desta vontade.</p>
<p>FOUCAULT, Michel. <strong>História da sexualidade:          a vontade de saber</strong>. Rio de Janeiro: Graal, 1988. 16a. edição</p>
<p>Outros artigos sobre a História da Sexualidade: <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/a-vontade-do-saber/" target="_self">Parte          I</a>, <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/vontade-do-saber-implantacao-perversa/">Parte          II</a>.</p>
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		<item>
		<title>A vontade do saber &#8211; A implantação perversa</title>
		<link>http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/vontade-do-saber-implantacao-perversa/</link>
		<comments>http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/vontade-do-saber-implantacao-perversa/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 23:52:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 11 a 15]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[michel foucault]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica          Hellmann</p>
<p>No século XIX ocorreu uma dispersão          de sexualidade <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/vontade-do-saber-implantacao-perversa/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="escreva para a editora" href="mailto:geh@gehspace.com">Géssica          Hellmann</a></p>
<p>No século XIX ocorreu uma dispersão          de sexualidade e uma implantação múltiplas das perversões.          Multiplicaram-se as condenações judiciárias das perversões          menores, atribuindo-se a irregularidade sexual à doença          mental; da infância à velhice, foram impostas normas caracterizando          todos os desvios possíveis; enfatizaram-se os controles pedagógicos          e médicos.</p>
<p>Segundo Foucault, até o final do século XVIII, três          códigos estavam explícitos: o direito canônico, a          pastoral cristã e a lei civil. Cada código com suas próprias          normas, centrados nas relações matrimoniais. Na lista dos          pecados graves, estavam: o estupro (fora do casamento), o adultério,          o rapto, o incesto espiritual ou carnal, e a sodomia (carícia recíproca).</p>
<p>Quanto aos tribunais, condenavam tanto a homossexualidade quanto a infidelidade,          o casamento sem consentimento dos pais ou a &#8220;bestialidade&#8221;.          Na ordem civil como na religiosa, o que se levava em conta era um ilegalismo          global. Por muito tempo, os hermafroditas foram considerados criminosos          ou filhos do crime.</p>
<p>Os discursos do século XVIII e XIX enfatizavam a investigação          da sexualidade das crianças, dos homossexuais, dos loucos e criminosos          e das &#8220;grandes raivas&#8221;. Os chamados &#8220;pervertidos&#8221;          levavam o estigma de &#8220;loucura moral&#8221;, &#8220;neurose genital&#8221;          ou &#8220;desequilíbrio psíquico&#8221;. Daí a adoção          da expressão &#8220;contra-natureza&#8221; no campo da sexualidade,          que rapidamente se tornavam mais condenadas do que as outras &#8211; como o          adultério e o rapto &#8211; conquistando praticamente a autonomia: &#8220;casar          com parente próximo ou praticar a sodomia, seduzir uma religiosa          ou praticar sadismo, enganar a mulher ou violar cadáveres tornaram-se          coisas essencialmente diferentes&#8221;. (FOUCAULT, 1988:40)</p>
<p>Foucault afirma que, no século XIX, a severidade do código          foi atenuada, cedida pela própria justiça em benefício          da Medicina. Já em termos de controle, ocorreu grande severidade          em todos os mecanismos de vigilância instalados, pela Pedagogia          e pela terapêutica. Foucault descreveu quatro operações          bem diferentes da simples proibição:</p>
<p>1 &#8211; As velhas proibições de alianças consangüíneas          e a condenação do adultério com sua inevitável          freqüência e, por outro lado, os recentes controles da sexualidade          das crianças. É evidente que não se tratam do mesmo          mecanismo de poder: uma, é lei, penalidade; a outra (pelo comparecimento          da Medicina) o adestramento. Organizou-se assim, em torno na criança,          um dispositivo de barragem, com linhas de penetração infinitas.</p>
<p>2 &#8211; Esta nova caça às &#8220;sexualidades periféricas&#8221;,          provoca a incorporação da idéia de &#8220;perversão&#8221;          e uma nova especificação dos indivíduos. O homossexual          do século XIX, torna-se uma personagem, uma anatomia indiscreta.          Nada do que ele é escapa à sua sexualidade. Como uma personagem,          a homossexualidade apareceu quando foi transferida, da prática          da sodomia, para uma espécie de androgenia interior.</p>
<p>3 &#8211; Engajadas no corpo, transformadas em caráter, as extravagâncias          sexuais sobrepõem-se à tecnologia da saúde e do patológico.          O poder toma a seu cargo a sexualidade, mediante exames e observações          insistentes, implicando em proximidades e sensações intensas,          assume como um dever de roçar os corpos, acariciar-lhe com os olhos,          estimular regiões do corpo, dramatizar momentos conturbados. Cria-se,          assim, um aumento do domínio sob controle e uma sensualização          do poder em beneficio do prazer. Os exames médicos, psiquiátricos,          pedagógicos e controles familiares podem ter objetivo de dizer          não às sexualidades, mas funcionam como mecanismos de incitação          do prazer e poder.</p>
<p>4 &#8211; Surgem assim os dispositivos de &#8220;saturação sexual&#8221;.          Afirma-se freqüentemente que a sociedade moderna tentou reduzir a          sexualidade ao casal. Mas também pode-se afirmar que ela fez proliferar          grupos com elementos múltiplos de sexualidade em busca do prazer.          Na sociedade moderna, instalou-se uma rede de prazeres-poderes articulados.          A separação entre o quarto das crianças e do casal,          a separação dos meninos e meninas, os cuidados com os bebês          (amamentação e higiene), os perigos da masturbação,          a puberdade, a vigilância sugerida aos pais, extorsões e          segredos, isso tudo tranformou-se em uma rede complexa e saturada de sexualidades          múltiplas.</p>
<p>Foucault conclui este capítulo sugerindo que as sexualidades múltiplas,          as práticas sexuais, de lugar, gosto ou tipo de prática,          são, todas elas, formas de poder. Poder e prazer não se          anulam e, sim, se entrelaçam, através de mecanismos que          excitam e incitam.</p>
<p><strong>FOUCAULT</strong>, Michel. História da sexualidade: a vontade          de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1988. 16a. edição.</p>
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		<title>A vontade do saber</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 23:34:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 11 a 15]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[michel foucault]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[repressão sexual]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica          Hellmann</p>
<p align="left">O intuito desta resenha é apresentar          os <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/a-vontade-do-saber/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="escreva para a editora" href="mailto:geh@gehspace.com">Géssica          Hellmann</a></p>
<p align="left">O intuito desta resenha é apresentar          os primeiros pensamentos expressos nos dois primeiros capítulos          da História da Sexualidade &#8211; A vontade do saber, de Michel Foucault.</p>
<p>Segundo Foucault, no início do século XVII, os corpos pavoneavam          sem refreios, gestos diretos, discursos sem vergonha, transgressões          visíveis, anatomias a mostra, crianças vagando entre adultos.          No final deste século, porém, a sexualidade é cuidadosamente          encerrada dentro dos quartos dos pais.</p>
<p>Afirmava ele que nesta época tinha-se o pensamento que as crianças          não possuíam sexo: razão para proibi-las de falar          neste assunto (final do século XVII seguindo pelo século          XVIII). Este conceito só viria a mudar com os estudos de Freud.</p>
<p>O discurso de repressão sexual, iniciado no século XVII,          após centenas de anos de expressão sexual livre, é          protegido historicamente e politicamente, coincidindo com o início          do capitalismo.</p>
<p>A explicação enunciada por Foucault sobre o pensamento da          época: &#8220;se o sexo é reprimido com tanto rigor, é          por ser incompatível com uma colocação no trabalho,          geral e intensa; na época que se explora sistematicamente a força          de trabalho&#8230;&#8221; (FOUCAULT, 1977:11).</p>
<p>O que revela que um dos principais motivos, da repressão          sexual, foi controlar a população          para manter uma economia a favor dos dirigentes.</p>
<p>Outra dialética apresentada neste primeiro capítulo foi:          &#8220;se o sexo é reprimido, isto é, fadado à proibição,          a inexistência e ao mutismo, o simples fato de falar dele e da sua          repressão possui como que um ar de transgressão deliberada.&#8221;          (FOUCAULT, 1988:12). Com esta afirmação Foucault quiz levantar          o benefício do locutor que emprega essa linguagem, que de certa          forma se encontra fora do alcance do poder.</p>
<p>A idéia da repressão sexual, não é somente          objeto de teoria. A afirmação de uma sexualidade que nunca          fora dominada com tanto rigor, como na época da hipócrita          burguesia negocista, é acompanhada pela ênfase de um discurso          destinado a dizer a verdade sobre o sexo, a modificar sua economia na          real, mudando seu futuro. Podemos observar que esta &#8220;verdade sobre          o sexo&#8221;, era dita com a finalidade que os efeitos beneficiassem a          burguesia e os que estavam no poder.</p>
<p>No primeiro capítulo, Foucault levantou várias questões,          não para negar a teoria de repressão sexual, e sim para          explicar por quais razões e por que meios se estabeleceu esta repressão.          Questões tais como:<br />
- A repressão do sexo seria realmente a acentuação          ou talvez a instauração desde o século XVII, de um          regime de repressão ao sexo? (Questão histórica)<br />
- A mecânica do poder, a que é posta em jogo em uma sociedade          como a nossa, seria de ordem repressiva? (Questão histórica-teórica)<br />
- O discurso crítico que se dirige a repressão viria a cruzar          com a mecânica do poder, que funcionava até então          sem constatação, barrando-lhe, faria parte dessa mesma rede          histórica daquilo que denuncia, chamada de repressão? (Questão          histórica-política)</p>
<p>No segundo capítulo ele se propõe a responder as questões          levantadas sobre a hipótese repressiva, explicando o motivo da          incitação dos discursos.<br />
Como já havia comentado, no final do século XVII, não          se podia falar de sexo com as crianças; a regra era silêncio          e discrição absoluta. Mas, quanto ao nível de discurso          a regra era a proliferação, principalmente a partir do século          XVIII. O cerco às regras da decência, provocou uma intensificação          nos discursos indecentes.</p>
<p>Nos discursos no campo do poder havia uma incitação institucional          para falar do sexo, sob forma da articulação explícita          e do detalhamento. A evolução do pastoral católico          e do sacramento da confissão, depois do concílio de Trento,          obrigava todo um exame minucioso do ato sexual. A discrição          é cada vez mais recomendada: no que se refere ao pecado contra          a pureza. é necessária a maior reserva. A contra-reforma          católica dedicava-se a acelerar a quantidade por ano das confissões,          atribuindo grande importância às penitências &#8211; todas          as insinuações carnais, pensamentos, desejos, deleites,          tudo detalhadamente. Por este meio, a Igreja, pretendia controlar o seu          &#8220;rebanho&#8221;, através do amplo e detalhado conhecimento          dos hábitos sexuais da população.</p>
<p>O projeto de uma colocação do sexo em discurso formava-se          já há muito tempo, numa tradição ascética          e monástica. O Século XVIII fez dele uma regra para todos.          Uma obrigação colocada ao bom cristão.</p>
<p>O essencial: que o homem ocidental há três séculos          tenha permanecido atado a essa tarefa que consiste em dizer tudo sobre          seu sexo, que a partir da época clássica tenha havido uma          constante valorização do discurso sobre sexo. Censura sobre          sexo? Pelo contrário, constitui-se uma aparelhagem para a produção          de discursos sobre sexo, suscetíveis a funcionar e de serem efeito          para sua própria economia capitalista. Nasce assim, no século          XVIII, uma incitação política, econômica, técnica          a falar de sexo, sob forma de contabilizar, classificar, especificar,          através de pesquisas quantitativas ou casuais. Foucault demonstra          aqui a verdadeira intenção da repressão sexual, não          como uma forma de censura, mas como uma forma de controle populacional          com objetivos políticos e econômicos.</p>
<p>No século XVIII o sexo torna-se questão de polícia,          não como repressão da desordem e sim como necessidade de          regular o sexo por meio de discursos e não pelo rigor da proibição.          A polícia tinha o papel principal não com o rigor de proibir,          e sim de &#8220;rotular&#8221; os que não seguiam o discurso da época.</p>
<p>Com o surgimento do problema &#8220;população&#8221;, entendeu-se          que controlar o sexo era de certa forma controlar a natalidade, idade          de casamento, filhos legítimos e ilegítimos, freqüência          das relações, a maneira de torná-las fecundas ou          estéreis, celibato entre outros. Forma-se toda uma teoria de observação          sobre o sexo, surgindo as análises de condutas, seus efeitos no          limite entre a biologia e o plano econômico. Através de pesquisas,          governantes e capitalistas controlavam a população, visando          principalmente dominar a &#8220;força de trabalho&#8221;, em benefício          econômico deles próprios.</p>
<p>Já em meados do século XVIII, era incentivado através          de discursos, a orientação de educadores, administradores,          médicos e pais, a uma educação sexual para as crianças,          permitindo intensificar a multiplicação dos discursos, mudando          a estratégia familiar na educação sexual das crianças:          a idéia de que a criança não possuía sexualidade          não teria sido derrubada, mas a educação sexual serviria          para exercer controle sobre elas.</p>
<p>Foucault conclui no fim do segundo capítulo que o que é          próprio das sociedades modernas não é terem condenado          o sexo a permanecer na obscuridade, mas sim o terem devotado a falar dele          sempre, o valorizando como segredo.</p>
<p><strong>FOUCAULT</strong>, Michel. História da sexualidade: a vontade          de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1988. 16a. edição.</p>
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		<title>O Amor Sublime III (em &#8220;O Núcleo do Cometa&#8221; por Benjamin Péret)</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 21:08:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Traduzido por Worgtal</p>
<p> (&#8220;Le Noyau de la Cométe&#8221;.          Fragmentos extraídos da introdução da &#8220;Anthologie     <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/o-amor-sublime-iii-em-o-nucleo-do-cometa-por-benjamin-peret/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Traduzido por Worgtal</p>
<p><strong><em> (&#8220;Le Noyau de la Cométe&#8221;.          Fragmentos extraídos da introdução da &#8220;Anthologie          de l’amour sublime&#8221;, tal como foram publicados na &#8220;Medium-Comunication          surréaliste&#8221;, nº 4, janeiro de 1955, Ed. Arcanes, Paris,          pág. 20/22. Tradução para o espanhol de Juan Carlos          Otaño.)</em></strong></p>
<p>Enquanto prosseguia o processo de diferenciação          entre os seres e os sexos, o amor não podia ser considerado. Durante          milênios, os seres humanos não haviam podido obedecer mais          que a impulsos sexuais primordiais, a mulher submetendo-se passivamente          ante o homem. Se sua inferioridade física lhe havia significado          conhecer uma das condições mais precárias (4), foi          também em seu benefício que se levou a cabo a primeira diferenciação:          o homem manifestando sua força e abusando dela, enquanto a mulher          exagerava sua debilidade e utilizando-a para proteger-se. De tal maneira,          o homem assegurava a vida cotidiana da família por meio da caça,          da pesca e da coleta, quer dizer, suprimindo a vida; a mulher, enquanto          isso, assumia a carga da perpetuação da espécie,          a fim de que o ciclo da vida e da morte pudesse prosseguir.<br />
Esta evolução, longe de traduzir-se por meio de uma linha          reta e contínua, esteve pelo contrário sujeita a toda sorte          de retrocessos e avatares. Conheceu etapas em que foi tentada uma conciliação          provisória, fragmentária ou ilusória. Enquanto a          mulher havia sido submetida passivamente ao homem, nenhum acordo era possível,          porque suas simples necessidades físicas não estavam satisfeitas.          Todavia, certos índios da América (5) proíbem às          companheiras qualquer manifestação de orgasmo, algo considerado          por eles como um sinal de libertinagem. Durante muito tempo, o homem deve          ter visto no orgasmo um privilégio de sua virilidade. Assim, viu-se          estabelecer uma nova distinção entre o homem e a mulher          que consolidava a divisão da humanidade em dois grupos, beneficiando-se          cada um por seu lado de uma solidariedade interna, sendo objeto reciprocamente          tanto da desconfiança quanto do desejo. Quando o homem foi impelido          a renunciar a este privilégio &#8211; no sentido mais enérgico          da palavra &#8211; que ele mesmo se havia atribuído, não podia          fazer menos que reconhecer o mérito daquilo que experimentava sua          companheira; por outro lado, o comportamento dela nessa situação          devia mobilizá-lo. Mas, ao não lhe ser possível compreender          o simples resultado das atitudes normais da mulher, que permaneciam invariáveis          no mundo mágico que era então o dela, o orgasmo feminino          devia representar-se somente como o produto da própria capacidade          de comunicação dela com um mundo sobrenatural. Assim, por          esse meio, o orgasmo feminino assumiu um caráter mágico          desde suas origens, no que constitui a primeira sublimação          da sexualidade, num plano que não é seu sob qualquer aspecto.          Esta origem mágica ainda não havia sido esquecida durante          a antigüidade clássica, porque o paganismo conhecia ritos          orgiásticos. Por outro lado, não foi completamente esquecido          na atualidade (6).<br />
Esta comunhão sexual se reveste de uma importância decisiva,          haja visto os intercâmbios levados a cabo entre o homem e a mulher,          no sentido em que revela uma primeira possibilidade de acordo, certamente          muito limitada, mas indispensável para um acordo futuro mais completo.          Indica também que esta conciliação se realiza em          virtude de uma sublimação &#8211; aqui artificial &#8211; da sexualidade          e de um alcance tanto mais limitado na medida em que somente é          o homem quem participa dela. Para que o homem e a mulher possam alcançar          um acordo total, será necessário que a sublimação,          em sentido convergente, se produza simultaneamente no plano humano mais          essencial, nunca mais em um mundo imaginado somente pelo homem.<br />
Por fim, a medida em que a comunhão sexual passava do sagrado ao          profano, integrando-se aos costumes, não podia de deixar de levar          o homem a reconsiderar sua apreciação da mulher. Sem dúvida,          não era ainda o caso para a época de Platão porque          no &#8220;Banquete&#8221;, o amor homossexual prevalece sobre o amor heterossexual,          até o ponto de não reconhecer outro papel à mulher          que não o da concepção. Somente o povo, segundo ele,          podia amar uma mulher, de tal modo que não considerava este sentimento          mais que um amor &#8220;popular&#8221;, grosseiro e sensual. O sábio          ama os rapazes não pelas satisfações sexuais que          lhe podem reportar &#8211; estas são secundárias &#8211; mas pelos prazeres          intelectuais que representa lidar com eles, sendo a mulher intelectualmente          inferior ao homem. O amor homossexual deveria assim ser um amor &#8220;celestial&#8221;.          A comunhão puramente sexual com a mulher acompanha-se de uma comunhão          espiritual com o homem, com conseqüências sexuais, abrindo          uma nova fase no processo alternativo de dissociação e conciliação          entre o homem e a mulher.</p>
<p>A simples comunhão sexual é então considerada insuficiente,          às vezes até grosseira. Assim, o homem e a mulher não          alcançam mais que um acordo fugaz, tornando-se em seguida completos          estranhos um para o outro. O homem evoluído desta época          é induzido a considerar, em virtude dos postulados platônicos,          que a inteligência é um privilégio da virilidade (da          mesma maneira que, pouco antes, havia-se atribuído o benefício          exclusivo do orgasmo), a subestimar a mulher, quando não a depreciá-la,          e a intercambiar com os homens um arranjo espiritual de que derivam relações          sexuais. Reciprocamente, a mulher é compelida a ter que preferir          a sensibilidade e doçura dos seres do seu sexo, antes que a violência          masculina. De tal maneira se pronunciou como nunca a separação          entre homens e mulheres. É a razão pela qual &#8220;a diferença          entre nossa vida erótica e a da antigüidade consiste em que,          outrora, era sobretudo a tendência que importava, enquanto que atualmente          é o objeto&#8221; (7). Ao mesmo tempo, estão dadas as condições          para uma conciliação superior entre o homem e a mulher,          uma vez reconhecida como ilusória a desigualdade imaginada por          Platão e descobertos os tesouros do psiquismo feminino. Plutarco          (8) foi o primeiro a percebê-los, mas o cristianismo já estava          ali.</p>
<p>Estava reservado a esta religião opôr à sexualidade          um amor inteiramente desencarnado, orientado unicamente para a divindade.          A moral cristã ensina que a mulher deve estar submetida ao homem          (ao marido); e o único objetivo que atribui à sexualidade          é o da concepção dentro do matrimônio. Esta          submissão do homem tem sido indicada até pela forma do coito          prescrita pela Igreja. Ao livre exercício da sexualidade, sem outro          objetivo inicial que sua satisfação, a Igreja impõe          uma mancha inevitável. Canaliza o impulso sexual sem esforçar-se          em transcendê-lo no plano afetivo, conformando-se em orientar para          a divindade as forças espirituais que tendem obscuramente à          metamorfose no amor. Por ele mesmo, o ser humano não encontra proveito,          não ganha mais que uma possibilidade de evasão. A mulher          se constitui numa simples matriz, cuja vida afetiva não encontra          outra saída que não a do exercício da maternidade          e na ternura que possa esperar dos filhos. É o único amor          carnal cujo benefício legítimo reconhece o cristianismo,          e se não lhe impõe limite algum é porque representa          um benefício para ele. Com esta religião, o homem, e a mulher          mais ainda, vão conhecer a angústia permanente do pecado.          Vendo-se a afetividade feminina compelida a prosseguir por vias divergentes,          quando não opostas: o amor maternal e o amor espiritual surgidos          do amor sexual negado à humanidade, cujos impulsos ela foi obrigada          a desviar na direção da divindade.</p>
<p><em>(4) A guerra é suficiente para que ela volte          a experimentá-la: telegramas de agências noticiosas reportavam,          em 1945-46, durante as primeiras semanas da ocupação russa,          que as autoridades civis de Viena haviam recebido 160 mil denúncias          de mulheres violentadas. </em></p>
<p><em>(5) Marqués de Wavrin: &#8220;Moeurs et coutumes          des Indiens sauvages de l’Amérique du Sud&#8221;, Payot, París,          1937, p.176 e &#8220;Les Indiens sauvages de l’Amérique du          Sud&#8221;, Payot, 1948, p.138. </em></p>
<p><em>Tenho todo direito de crer que nestas sociedades, comumente,          a mulher ignora o orgasmo durante a vida inteira. A este respeito, uma          pesquisa levada a cabo no interior francês, seria sem dúvida          das mais edificantes. O relatório Kinsey sobre as mulheres norte-americanas          nos informa, por outro lado, que somente entre 40 ou 50% delas chega ao          orgasmo em cada relação e, 10% delas nunca chegam a experimentá-lo.          Informa-se também que 25% se sente frustrada durante seu primeiro          ano de casamento e que 14% tem de esperar 10 anos para atingir o orgasmo.          Faz-se referência inclusive ao caso de uma mulher que precisou completar          29 anos de casada para conseguir isso e de outra que não o obteve          se não com o quinto marido. Como compensação, a maioria          delas havia praticado o &#8220;petting&#8221; (carícias onde tudo          é permitido, menos penetração) desde os 12 anos de          idade. De tal modo, uma época de involução tem como          resultante levar uma mulher a um estado que ela havia conhecido em tempos          primitivos, em que existiam grupos de retardados. </em></p>
<p><em>(6) Geyraud (&#8220;L’Occultisme à Paris,          les Religions secrètes de Paris&#8221;, etc.) demonstra que a magia          sexual goza de predileção inclusive na atualidade. </em></p>
<p><em>(7) Freud: &#8220;Trois essais sur la sexualité&#8221;.</em></p>
<p><em>(8) Plutarco: &#8220;Oeuvres morales&#8221;, traduzidas          por Amyot, impressor de Cussac, Paris, ano X, T.V.: De l&#8217;amour, p. 68.</em></p>
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		<title>O Amor Sublime II (em &#8220;O Núcleo do Cometa&#8221; por Benjamin Péret)</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 20:58:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[edições 6 a 10]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Traduzido por Worgtal</p>
<p>
(&#8220;Le Noyau de la Cométe&#8221;. Fragmentos extraídos          da introdução da &#8220;Anthologie de l’amour sublime&#8221;,   <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/o-amor-sublime-ii-em-o-nucleo-do-cometa-por-benjamin-peret/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Traduzido por Worgtal</p>
<p><strong><em><br />
(&#8220;Le Noyau de la Cométe&#8221;. Fragmentos extraídos          da introdução da &#8220;Anthologie de l’amour sublime&#8221;,          tal como foram publicados na &#8220;Medium-Comunication surréaliste&#8221;,          nº 4, janeiro de 1955, Ed. Arcanes, Paris, pág. 20/22. Tradução          para o espanhol de Juan Carlos Otaño.)</em></strong></p>
<p>Se o homem é um ser social com toda certeza, é          porque tem o sentimento inato de insuficiência individual, derivada          de sua condição humana propriamente dita. Dali pode inferir-se          sua angústia. De tal maneira, desde sua origem, se vê inclinado          a buscar fora de si aquilo de que carece, já que &#8220;a necessidade          de amor revela em nós, desde esse instante, um princípio          de dissociação&#8221; (3). Se o ser humano fosse completo          e perfeito, não teria tendência alguma de unir-se a seus          semelhantes, tampouco inclusive de buscar sua companhia, por qualquer          motivo que fosse. Cada indivíduo seria um ser acabado sem evolução          possível. Unicamente poderia conceber uma harmonia individual num          universo imóvel para sempre, enquanto Heráclito já          via no mundo &#8220;uma harmonia de tensões opostas&#8221;, uma &#8220;harmonia          de tensões alternadamente convergentes e divergentes&#8221;, já          que &#8220;a discordância cria a mais bela harmonia&#8221;. Enquanto          isso, Platão, no &#8220;Banquete&#8221;, assinala que o grave e o          agudo só alcançam a harmonia em seu acorde. Para que este          acorde seja possível, é necessário, a partir do ponto          em que o grave e o agudo se confundem, que seja reconhecida a gama de          um e do outro, desde a mais alta do agudo até a mais baixa do grave.          Em uma palavra, é necessário alcançar a maior diferenciação          entre os sons para então poder examinar o acorde. O mesmo sucede          entre o homem e a mulher. Unicamente quando esta diferenciação          seja cumprida em sua totalidade, quer dizer, quando o homem tenha desenvolvido          todas as suas possibilidades viris e a mulher todas as suas virtudes femininas,          seu acorde perfeito se tornará possível. Para que a harmonia          reine, para conhecer a felicidade, cada parte, possuindo assim mesmo uma          individualidade claramente pronunciada, pode então pensar no ser          que lhe falta. O amor sublime é precisamente este acorde perfeito          entre dois seres harmonicamente combinados. É a esta harmonia que          aspira o Ocidente, sem ter dele uma consciência clara. Dali provém          que, no nosso mundo, o amor sublime continua sendo a-social e, às          vezes, inclusive anti-social, porque este mundo, o dos nossos dias, mantém          no limite um dualismo de que extrai todo o seu poder repressivo, perceptível          até nos detalhes mais ínfimos da vida cotidiana.</p>
<p><em>(3) Novalis: &#8220;Journal intime: Phsychologie&#8221;, Stock, París.,          1927.</em></p>
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		<title>O Amor Sublime (por Benjamin Péret)</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 20:49:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[edições 6 a 10]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[sexo]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Traduzido por Worgtal</p>
<p>
(&#8220;Le Noyau de la Cométe&#8221;. Fragmentos extraídos          da introdução da &#8220;Anthologie de l’amour sublime&#8221;,   <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/o-amor-sublime-por-benjamin-peret/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Traduzido por Worgtal</em></p>
<p><strong><em><br />
(&#8220;Le Noyau de la Cométe&#8221;. Fragmentos extraídos          da introdução da &#8220;Anthologie de l’amour sublime&#8221;,          tal como foram publicados na &#8220;Medium-Comunication surréaliste&#8221;,          nº 4, janeiro de 1955, Ed. Arcanes, Paris, pág. 20/22. Tradução          para o espanhol de Juan Carlos Otaño.)</em></strong></p>
<p>Todos os mitos refletem a ambivalência do homem frente          ao mundo e frente a si mesmo, ambivalência que, por sua vez, é          resultante do profundo sentimento de dissociação experimentado          pelo homem e inerente a sua natureza. Considera-se a si mesmo como débil,          desamparado, frente às forças naturais que o dominam. Pressente          que poderia levar uma existência menos precária, sentir-se          mais afortunado. Mas não pode discernir o caminho do seu bem-estar          sob as condições de vida que a natureza e a sociedade lhe          impõe e se consola em situá-lo em uma idade de ouro perdida          ou em um futuro extraterrestre. A importância dos mitos reside então          na aspiração à felicidade que contém, na percepção          de sua possibilidade, e nos obstáculos que se interpõem          entre o homem e seu desejo. Em suma, expressam o sentimento de uma dualidade          na natureza da qual o homem participa, e na qual não vê uma          solução possível na extensão de sua existência.</p>
<p>Os mitos religiosos refletem esse processo; mas em vez de tentar resolver          essa dualidade inicial, ocupam-se em acentuá-la ao extremo. É          por isso que sua função consiste em proteger a estrutura          da sociedade da qual reclamam ou que as aceita. Os mitos primitivos tendem          a um mesmo fim, porém em menor escala, tanto sua sociedade seja          mais homogênea. Por isso, em compensação e numa mesma          proporção, valorizam os elementos de exaltação          inerentes a esses mitos. Apresentam, em temas diversos, o aspecto dual          referido ao consolo e a exaltação, depositando a ênfase,          quase sempre, sobre o primeiro destes. Expressam, portanto, o desejo humano          e o sentimento dos obstáculos que deve superar para alcançar          seu objetivo.</p>
<p>Até aqui a humanidade não concebeu mais do que um único          mito de exaltação pura, o amor sublime, o qual, partindo          mesmo do coração do desejo, aspira à sua satisfação          total. É assim o grito da angústia humana metamorfoseado          em canto de alegria. Com o amor sublime, o maravilhoso perde igualmente          seu caráter sobrenatural, extraterrestre ou celeste, que até          então havia tido em todos os mitos. De alguma forma, regressa à          sua fonte para descobrir sua verdadeira solução e inscrever-se          nos limites da existência humana.</p>
<p>Partindo das aspirações primordiais mais poderosas do indivíduo,          o amor sublime lhe oferece uma via de transmutação confluente          rumo a um acordo entre a carne e o espírito, tendendo a confundi-los          numa unidade superior onde já não podem ser distinguidos          mutuamente, encarregando-se o desejo de realizar esta fusão que          é sua justificativa última. É o ponto extremo ao          qual a humanidade atual pode aspirar. Em conseqüência, o amor          sublime se opõe à religião e especialmente ao cristianismo,          posto que o cristão não pode senão reprovar o amor          sublime, chamado a divinizar o ser humano. Como conseqüência,          este amor não tem lugar senão em sociedades onde a divindade          aparece como oposta ao homem: o cristianismo e o islamismo; em acréscimo          neste último caso, sendo que desde sua origem, o peso da teologia          impediu que pudesse integrar-se ao ser humano (1).</p>
<p>O amor sublime representa então em princípio, uma revolta          do indivíduo contra a religião e a sociedade, dado uma apoiar-se          na outra.</p>
<p>É o &#8220;Grande Desejo, aquele que une o Corpo e o Espírito,          durante um tempo muito mais vasto do que a união com o corpo no          pequeno desejo&#8221; (2). O &#8220;Grande Desejo&#8221; enraizado na condição          humana expressa essa tensão do homem orientada rumo à felicidade          total, que pode ser esperada pela supressão de sua ruptura, não          sendo esta felicidade possível até que suas causas sejam          descobertas. O amor sublime só poderia satisfazer este &#8220;Grande          Desejo&#8221; entrementes, se alimentado e ampliado pela satisfação          do &#8220;pequeno desejo&#8221; carnal. O reconhecimento da universalidade          deste desejo, de sua significação cósmica e de suas          manifestações no homem, reclama por sua vez sua sublimação          e a do seu objeto. Ao manter-se afastado do amor sublime, o ser humano          &#8211; o homem, sobretudo &#8211; quase não se entrega ao desejo exceto na          medida em que este o conduza ao seu estado mais primitivo. No amor sublime,          os seres arrebatados pela vertigem não aspiram senão a deixar-se          levar o mais longe possível nesse estado. O desejo, permanecendo          ligado à sexualidade, se vê então transfigurado. Frente          à perspectiva da saciedade, tem a possibilidade de incorporar todos          os benefícios que sua sublimação anterior, inclusive          a mais absoluta, lhe haviam acarretado e que provocam sua renovada exaltação.          Fora do amor sublime, de algum modo, a sublimação do desejo          leva implícita sua desencarnação, já que para          obter satisfação, deve perder de vista o objeto que a suscitou.          Por este meio se mantém no homem um estado de dualidade, em favor          do qual a carne e o espírito permanecem opostos. Por outro lado,          no amor sublime essa sublimação não é possível          a não ser a partir da intermediação com seu objeto          carnal, que tende a restabelecer no homem uma coesão com a anterioridade          inexistente. O desejo, no amor sublime, longe de perder de vista o ser          carnal que lhe deu origem, tende então, em definitivo, a sexualizar          o universo.</p>
<p><em>(1) Os sufis árabes parecem, à primeira          vista, conter uma aspiração ao amor sublime; mas se trata          na verdade de um amor que rechaçou todo objeto humano em proveito          da divindade a qual atributos humanos, às vezes carnais, são          atribuídos. Ref. &#8220;Les plus beaux textes arabes&#8221;, apresentados          por Emile Dermenghem, ed. La Colombe, Paris.</em></p>
<p><em><br />
(2) R. Schwaller de Lubicz: &#8220;Adam l’homme rouge&#8221;, Librairie          Le Soudier, Paris. Nesta obra consagrada ao esoterismo do amor, me indica          André Breton, o autor exalta uma concepção dos intercâmbios          amorosos que, em mais de um ponto, coincide com o amor sublime.</em></p>
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