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	<title>Sexualidade by géh &#187; gravidez</title>
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	<description>Sexualidade: artigos de pesquisa e entrevistas</description>
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		<title>A peste emocional na maternidade</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Feb 2009 18:02:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[gravidez]]></category>
		<category><![CDATA[maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[parto normal]]></category>
		<category><![CDATA[peste emocional]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Quem acompanha o a história deste portal de arte, sexualidade e corporalidade, deve ter percebido que estamos alterando a estrutura do site estático e migrando todo o <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2009/02/11/a-peste-emocional-na-maternidade/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem acompanha o a história deste portal de arte, sexualidade e corporalidade, deve ter percebido que estamos alterando a estrutura do site estático e migrando todo o conteúdo de mais de 500 mil palavras para uma estrutura de blog. Desta forma, facilitando a publicação de novos conteúdos e permitindo uma melhor interação com os leitores. </p>
<p>Iniciei este portal em 2005, nesse meio tempo tive um filho lindo, que hoje está com dois anos e dez meses, engravidei de meu segundo filho que nasceu a pouco mais de dez dias. O primeiro parto foi cesárea, já o segundo parto normal. </p>
<div id="attachment_522" class="wp-caption aligncenter" style="width: 303px"><img src="http://gehspace.com/sexualidade/wp-content/uploads/2009/02/lawrence-buttigieg-pregnante-girl-red-background.jpg" alt="Pregnante girl red background por Lawrence Buttigieg" title="Pregnante girl red background por Lawrence Buttigieg" width="293" height="440" class="size-full wp-image-522" /><p class="wp-caption-text">Pregnante girl red background por Lawrence Buttigieg</p></div>
<p>Neste artigo quero contar a experiência que tive com a gestação e parto do meu segundo filho. Foi uma gestação calma até os quatro meses, quando comecei a ter alguns desmaios súbitos. Fiz alguns exames e nada indicava o que poderia exatamente a causa. Durante dois meses esses desmaios continuaram acontecendo, principalmente quando eu caminhava em dia ensolarado. Minha pressão que sempre foi baixa despencava. Meu médico percebeu uma pequeno aumento de anemia, muito comum em gestantes. Aumentei a dose de sulfato ferroso e minha situação se nornalizou. </p>
<p>Fiz todo o pré-natal pelo SUS, apesar da desorganização geral do sistema único de saúde, fui razoavelmente bem atendida durante o pré-natal. O parto decidi que desta vez faria pelo SUS, na maternidade Darci Vargas, alguns anos atrás considerada a melhor do país, por possuir o menor índice de óbito fetal.</p>
<p>Quando completei 39 semanas e 5 dias de gestação senti minha primeira contração. Sabia que estava próximo, agora era só aguardar o nascimento tão esperado. Pouco sabia que passaria por emoções tão fortes e conflitantes. Reproduzo abaixo o diário das horas que passei desde a chegada a emergência até a alta do hospital.</p>
<p><strong>18:00hs &#8211; 30/01:</strong><br />
Fui a emergência da maternidade Darci Vargas, pois pela última ultra-som que eu havia feito já havia completado 40 semanas de gestação. Fui bem atendida na recepção da emergência, na triagem e pela médica de plantão. A médica me examinou e disse que aparentemente estava tudo bem com o bebê e que eu já estava com 1,5cm de dilatação. Pediu que eu retornasse na manhã seguinte e realizasse dois exames: eletrocardiograma e ultra-som.</p>
<p>04:00hs as 13:00hs– 31/01:<br />
Em casa comecei a sentir as primeiras contrações e percebi que havia “vazado” um pouco do líquido amniótico. Aguardei até as 05:30 quando resolvi voltar a emergência. Fui atendida novamente pela mesma médica da noite anterior, ela me informou que a dilatação havia aumentado, me aconselhou a voltar para casa e tomar um café da manhã reforçado e então retornar por volta das 8:00 para fazer os exames. Fiz o que me recomendou. Quando retornei a emergência, as contrações e as dores já haviam aumentado. Fui pessimamente atendida pela recepcionista (uma mulher de pele escura e cabelos curtos), que nem olhou para mim, me ignorou por 20 minutos no balcão de atendimento enquanto “conversava com os seguranças e fazia crochê”.  Finalmente perguntou meu nome, meu endereço, minha religião, meu grau de escolaridade&#8230; tudo e menos o que realmente importava: como eu estava me sentindo e o que porque eu havia procurado a emergência. Me fez aguardar na recepção. Fui atendida então pela triagem, que me recebeu bem e disse que retornasse até a sala de recepção. Somente as 10 horas, com as contrações cada vez mais doloridas e menos espaçadas, fui levada para fazer o eletrocardiograma. Novamente volto a recepção e aguardo até as 12:00hs para já me contorcendo de dor, quase sem conseguir caminhar, atravessar os corredores até a sala de ultra-som. Fiz a ultra-som e pediram que aguardasse novamente na recepção da emergência até uma médica poder atender. Várias gestantes percebendo o meu sofrimento, tentaram dar o seu lugar para que a médica me atendesse antes, sendo completamente ignoradas pela auxiliar de enfermagem. As 13:00 fui atendida pela médica de plantão. A médica, muito grossa, impaciente, indiferente a dor que eu estava sentindo,  me machucou ao tentar verificar com quanto de dilatação eu estava usando uma luva sem gel. Então finalmente resolveu me encaminhar para a sala de pré-parto, pois eu já estava com 4 cm de dilatação. </p>
<p><strong>13:30hs as 18:00hs aproximadamente &#8211; 31/01:</strong><br />
No pré parto fui muito bem recebida, com atenção e muito carinho por todos. O mesmo tenho a dizer do pessoal da analgesia e da obstetra na sala do parto. Foi um parto sem dor, a pesar da criança ter nascido com mais de 3,900 kg. A pediatra que acompanhou o parto me informou que a criança estava bem e que por nascer com o peso superior a 3,900kg ela teria que fazer alguns exames de controle de glicose nas primeiras 48 horas.  Após o parto, fui enviada ao berçário, recebi uma sopa como alimentação, já que não comia nada desde as 7:00 da manhã.</p>
<p><strong>A primeira noite de internação:</strong><br />
Uma auxiliar de enfermagem de cabelos curtos pintados “ruivos”, veio buscar a maca onde me encontrava com meu filho recém nascido. Neste momento minha mãe estava ao nosso lado. Esta enfermeira grosseiramente exigiu que minha mãe empurrasse a maca para que ela guiasse pelos corredores. Minha mãe por ser deficiente auditiva, não entendia direito o que esta auxiliar de enfermagem resmungava. Até o momento que ela novamente ordenou que minha mãe empurrasse com mais força e de forma mais rápida a maca para que ela não precisasse fazer força. Foi quando chamei a atenção desta enfermeira dizendo que minhã mãe era deficiente auditiva. Simplesmente amarrou a cara e se quer pediu desculpas pela grosseria feita com minha mãe. Minha mãe estava somente me acompanhando naquele momento, não era funcionária da maternidade. Ao chegar ao quarto, esta mesma auxiliar de enfermagem “ruiva” começou a apertar minha barriga, dizendo que tinha que colocar no lugar e pediu que eu relaxasse, mas eu sentia uma enorme vontade de urinar e pedi para ir ao banheiro. Me ignorou. Outra enfermeira entrou esse momento e percebeu que minha bexiga estava cheia, de forma que eu não conseguiria “relaxar” para a outra enfermeira por meu útero no lugar ou seja lá o que ela pretendia. Me ajudou a sentar na cama e disse que isso facilitaria, pediu para esperar um pouco e se eu não estivesse me sentindo tonta que eu poderia ir ao banheiro e saiu do quarto.  Como estava realmente me sentindo forte e bem, e com muita vontade de urinar, pedi a minha irmã que me acompanharia a noite que me auxiliasse. Aproximadamente uma hora depois a mesma enfermeira “ruiva” volta ao quarto e perguntei se eu já poderia tomar um banho, disse que sim mas que eu não podia lavar a cabeça. Bom esse já é meu segundo filho, e minha primeira obstetra disse que banho e água limpa não fazem mal a ninguém. Com a ajuda da minha irmã, fui ao banho. Quando ainda me banhava a enfermeira abre o box do chuveiro e reclama que eu lavei a cabeça. Lavei-me, não sentia dor, nem tontura, somente um pouco cansada o banho me fez bem. (No dia seguinte questionei a obstetra e ela disse que não havia problema algum em tomar banho após o parto, que era extremamente saudável).  Já se passava das 21:00hs quando finalmente percebemos que não havia acomodação mínima para as acompanhantes no quarto onde estávamos (número 1). Havia três mães no quarto e três acompanhantes e somente uma cadeira. Como a maternidade nos proporcionava direito a um acompanhante, o mínimo esperado era uma cadeira para passar os próximos dias. Minha irmã foi ao posto de enfermagem perguntar onde poderia conseguir uma cadeira para ela e para a acompanhante do leito 2. A resposta que recebeu é que “não tinha cadeira disponível.”</p>
<p>Na volta para o nosso quarto 1 onde nos estávamos ela percebeu vários quartos desocupados com mais de uma cadeira disponível. Questionou as duas enfermeiras de plantão sobre a possibilidade de conseguir as cadeiras disponíveis nos quartos não utilizados e também foi ignorada. Até que finalmente a auxiliar de enfermagem “ruiva” disse que “a direção do hospital não permitia que fossem removida as cadeiras dos quartos, e se o nosso quarto não tinha ela não podia fazer nada. E se não bastasse fez o seguinte comentário: “Não sei pra que acompanhante, não deveria ter acompanhante”. A falta de humanidade com o trato com as pacientes era evidente. Onde estava o respeito ao próximo? Caso estivéssemos sozinhas ficaríamos reféns a esse tipo de ser humano? Passou-se algumas horas até que encontramos de passagem no corredor uma alma caridosa que nos conseguiu duas cadeiras. </p>
<p><strong>Os próximos dias:</strong><br />
A equipe responsável pela limpeza costumava entrar falando alto não respeitando o sono dos bebês. O pessoal responsável pela alimentação também deixava a desejar no trato com as pacientes, obrigava-nos a comer em menos de 30 minutos (principalmente na hora da janta) porque precisavam fechar a cozinha, sem se importar se estávamos ou não amamentando nossos filhos nesse momento. </p>
<p>Na manhã do dia 01 de fevereiro recebi a visita da obstetra que foi muito atenciosa e disse que se tudo ocorresse bem no que dependesse dela eu estaria de alta na manhã da segunda feira. No dia seguinte recebi a visita bem cedo da obstetra que me deu alta. Aguardei ansiosa a visita do pediatra para dar alta a meu filho. No dia do parto, como dito anteriormente me avisaram que meu filho faria os testes de controle de glicose, todos deram normais, a meu ver nada mais me impedia de ir embora, somente esperava a visita do pediatra para avaliação final. Horas depois o Dr. Marcelo, pediatra (nome este informado posteriormente por outra funcionária do hospital), um jovem pediatra veio examinar meu filho, disse que aparentemente estava tudo bem com o bebê e só precisava confirmar os dados referente ao peso, disse-me que iria até o pronto atendimento e voltaria em seguida para terminar a avaliação. Fiquei aguardando a volta que não aconteceu. Passou-se do meio dia e nada. Chegou ao final da tarde e nada dele aparecer, fui várias vezes indagar no pronto atendimento onde estaria o pediatra para terminar a avaliação do meu filho e nada. Sempre respostas do estilo “eu acho que ele está não sei a onde”, “assim que ele voltar ele vai provavelmente vai ao seu quarto”&#8230;  Até que me alterei, entrei em crise depressiva pois mais uma vez a funcionária que trazia a janta foi ríspida ao dizer que precisávamos comer em menos de 30 minutos porque ela viria recolher a bandeja. A comida já não descia, eu estava exausta, queria uma resposta e não “achismos” de vários funcionários que eu interpelei. Queria o direito de receber o parecer médico quanto a situação do meu filho. Porque ainda estavam nos mantendo lá? O que havia de errado? Então ao ver que eu não estava bem, enviaram outra pediatra que não podia “avaliar a situação do meu filho”, segundo ela somente o Dr. Marcelo poderia dar alta. E que provavelmente eu ficaria 72 horas no hospital, ou seja mais um dia inteiro naquela situação de stress. Meu marido chegou nesse meio tempo, contei a ele o que estava acontecendo, foi quando ele resolveu procurar a direção do hospital, que coincidentemente é o pediatra do meu outro filho: Dr. Paulo Furlanetto. O meu marido perguntou a ele qual o porcentagem considerada normal por perda de peso do recém nascido após 48 horas: ele prontamente respondeu 10%, ou seja, meu filho poderia perder até 390 gramas que seria considerado normal. Perguntou também como era o procedimento para dar alta e questionou que o médico não terminou a avaliação. Ele disse que o pediatra deveria passar no das 09:00hs até as 12:00hs obrigatoriamente. Passamos mais uma noite, eu e meu filho na maternidade. Nesta mesma noite recebemos duas visitantes: duas baratas, uma apareceu em cima da cama do leito 2 e outra no chão próximo a porta. Foi um susto danado e desagradável. Porque já estávamos aguardando as três mães internadas no quarto 1 a tanto tempo,  ansiosas pela visita dos pediatras para recebermos alta, o stress causado pelo péssimo tratamento por parte dos funcionários que trabalham na internação, que baratas só vinham a confirmar: aquele não era o melhor lugar para manter-nos saudáveis. </p>
<p><strong>05:40 do dia 03/02:</strong><br />
Comecei a sentir dor e cólicas, foi quando percebi que desde que havia “recebido alta” na manhã do dia 02 não havia mais recebido remédios. Fui procurar uma enfermeira e disse a ela que estava sentindo dor se podia me ajudar. A enfermeira em questão era uma mulher negra, de cabelos amarrados, me olhou com cara feia e disse que não podia fazer nada e que não era hora de “remédio”. Então eu disse que estava com muita dor, e não tomava remédio desde o dia anterior, provavelmente porque havia recebido alta. Então ela me disse você devia ter ido ao “postinho” quando recebi alta e pedir os remédios que o médico certamente havia receitado. Eu respondi, como poderia ter ido se meu filho ainda não recebeu alta? Me ignorou e seguiu seu caminho. Se não fosse uma acompanhante do quarto onde eu me encontrava, que tinha em sua bolsa um paracetamol, eu ficaria sentindo dor indefinitivamente. </p>
<p>Finalmente amanheceu e uma enfermeira, que não recordo o nome, muito querida e atenciosa apareceu para ajudar no banho dos bebês. Disse que logo o pediatra deveria aparecer para avaliar os bebês. Já eram 10:00hs da manhã e o pediatra ainda não havia aparecido. Meu marido já estava ao meu lado neste momento. 11:35hs a enfermeira chefe vem ao nosso quarto querendo saber qual o que havia acontecido, pois havia recebido informações da diretoria de insatisfação por parte de paciente. Escutou nossas insatisfações e nos aconselhou a responder ao questionário de avaliação dos serviços prestados pelo hospital. Uma pediatra chega logo após e da alta ao meu filho. Finalmente saímos da prisão, estávamos livres.</p>
<p><strong>A peste emocional na maternidade</strong>: um ambiente pós parto que era para ser de pura felicidade, pois concebemos uma vida nova, com muito amor, alegria e também esforço físico e emocional. percebo a misoginia de mulher contra mulher, a neurose embutida em cada ato, cada ataque verbal. Um ambiente que necessita de aconchego e carinho para mãe e o bebê, transformado aos poucos em cárcere privado. Pessoas não preparadas para trabalhar no trato com seres humanos, pessoas que não sabem o valor do amor ao próximo. </p>
<p>Hoje livre, cansada e feliz , 11 dias após o nascimento de meu filho fui ao pediatra efetuar uma consulta de rotina. Ele está ótimo e saudável. Mais uma ser iluminado, uma fonte de alegria para compartilhar nossas vidas.</p>
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		<title>Quais os limites da intervenção cirúrgica no parto? (continuação)</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 15:41:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
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Christmas Eve Mary por Nathan Florence


<p>Diniz (2006b) questiona ainda &#8220;Será o hospital de fato o melhor cenário? O questionamento à segurança de mãe e criança, prometida pelo <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/limites-intervencao-cirurgica-no-parto-continuacao/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
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<dl class="wp-caption aligncenter" style="width: 364px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img title="Christmas Eve Mary por Nathan Florence" src="http://gehspace.com/edicao%2069%20imagens/Christmas%20Eve%20Mary.JPG" alt="Christmas Eve Mary por Nathan Florence" width="354" height="302" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Christmas Eve Mary por Nathan Florence</dd>
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</div>
<p>Diniz (2006b) questiona ainda &#8220;Será o hospital de fato o melhor cenário? O questionamento à segurança de mãe e criança, prometida pelo parto hospitalar tem sido uma das heresias trazidas pela medicina baseada em evidências, que coloca a possibilidade do parto em Casas de Parto ou mesmo no domicílio como possíveis opções seguras a considerar nos partos de baixo risco. E qual o sentido de ter os partos nos centros cirúrgicos? E na posição horizontal, por que manter as mulheres numa posição tão desfavorável ao bom desenrolar do parto, se há alternativas às quais os profissionais podem se ajustar? E o que fazer com o conceito de que o parto só é normal em retrospecto? Qual o lugar, se algum, do chamado parto dirigido, aquele em que cada uma das funções do corpo feminino no parto &#8211; contração, dilatação, expulsão, etc. &#8211; deve ser substituído por uma intervenção, manejado e ter seu tempo controlado?&#8221;</p>
<p>A autora continua ainda &#8220;Porque fazer uma mulher ser transferida de leito em leito durante o trabalho de parto, como em uma linha de montagem (Martin, 1987; Davis Floyd, 1992; Rothman, 1993), freqüentemente em diferentes andares de um prédio; primeiro no leito de admissão; depois no de pré-parto, fora do centro cirúrgico, até o fim do período de dilatação; para durante a delicada fase chamada de transição (fim da dilatação) a mulher ser rebocada para a sala de parto, no centro cirúrgico; depois do qual para uma maca num corredor ou uma sala de recuperação/pós-operatório; em seguida para o leito de puerpério &#8211; num movimento conforme a conveniência dos serviços porém atrapalhando em todos os sentidos a fisiologia do parto?&#8221;</p>
<p>É certo que ainda precisamos de muitas respostas. É preciso pensar em primeiro lugar na saúde da mãe e do bebê, mudar políticas e procedimentos de rotina agressivos e em muitos casos desnecessários.</p>
<p>No Brasil, ainda temos o problema da &#8220;falta de leitos&#8221;. O direito de acesso ao leito obstétrico para todas as parturientes está inscrito na Constituição Brasileira e na legislação do Sistema Único de Saúde, que definem saúde como direito de todos e dever do Estado.</p>
<p>Na pesquisa de campo observada por Diniz (2006b), muitas maternidades alegam &#8220;falta de leitos&#8221;. Em um dos plantões, intrigada, a observadora perguntou se, de fato, a maternidade estava lotada, o que foi confirmado pelo plantonista; então esta resolveu contar os leitos e viu que, sim, havia leitos disponíveis, tanto no pré-parto e puerpério quanto na UTI neonatal, para além do limite de reserva de leitos, como relatado em um diário de plantão:</p>
<p>&#8220;Retornando ao quarto andar, encontrei o Dr. Lauro no corredor. Apresentei-me a ele e pedi para ele por favor me explicar o motivo das transferências, pois lhe disse que não estava entendendo. Ele disse que já havia providenciado a transferência de quatro mães naquela manhã para o Hospital Stella Maris, incluindo aquelas duas que tinham acabado de descer pois não havia vagas no berçário e os hospitais não aceitam transferências à noite, então era melhor tentar garanti-las durante o dia. Disse-me que tinha acabado de internar uma mulher com 4 cm de dilatação e mecônio, pois os hospitais não aceitam transferência de mulheres com mecônio. Disse-lhe então que tinha acabado de ver que tinha uma vaga na UTI do berçário. Ele respondeu: &#8220;É mesmo?&#8221;. Em seguida, disse que tinha ordens expressas da chefe do plantão de transferir todas as parturientes, guardando as vagas apenas para as mulheres em expulsivo ou as &#8216;patológicas&#8217;. Em seguida, disse-me que também transfere as patológicas &#8220;porque aqui não é um berçário de alto risco&#8221;. [...]</p>
<p>Em outra observação a autora continua: &#8220;[...]Fui até a ala do puerpério e de lá pra enfermaria, dei uma olhada no quadro branco. Perguntei a uma das auxiliares que estava ali se o quadro indicava que não havia vagas. Ela me respondeu que era isso mesmo. Em frente à enfermaria havia uma porta entreaberta. Dava para ver uma cama arrumada e desocupada de onde eu estava. Comentei sobre essa cama com a auxiliar e ela me disse, &#8220;É mesmo. Acabaram de dar algumas altas&#8221;. Perguntei quantas mulheres receberam altas, quantas vagas havia e ela me disse quatro. Novamente, a primeira resposta dela foi que não havia vagas.&#8221;</p>
<p>Como mãe durante todo o meu pré-natal sempre quis fazer um &#8220;parto natural&#8221;. Todas as vezes que explicitei meu desejo para minha médica, Dr. Kátia David Bello, e fui sempre desencorajada. Vezes me respondia que eu corria o risco de não fazer o parto com ela, caso o parto fosse noturno, e vezes ela se referia a falta de vagas na maternidade. Mesmo conhecendo meus direitos sobre o atendimento, que a maternidade não pode se negar a receber e prestar atendimento a uma parturiente, sei que na prática isto não ocorre. Até as últimas semanas ainda persistia meu desejo de parto natural. Na ultima semana a minha médica me desencorajou, afirmando que a criança era muito grande para um parto primário. Acabei optando pela cesariana. Na hora do parto, a médica informou que o bebê estava enrolado no cordão umbilical.</p>
<p>É comum na relação entre médico e paciente muitas vezes, durante o pré-natal, que a paciente seja persuadida pelo médico (caso ela já não esteja convencida) da superioridade da cesárea; a sugestão por parte dos médicos da necessidade de cesárea ainda no pré-natal, ou da &#8220;transformação&#8221; de um parto vaginal em uma cesárea no decorrer do trabalho de parto, como já descrito. (Diniz, 2006b)</p>
<p>A autora não acredita que as mulheres brasileiras estão em sua maioria aderidas à noção de que a cesárea seja uma alternativa superior. Vários estudos mostram que a maioria das mulheres, nas várias camadas sociais, preferem o parto vaginal e buscam profissionais que se comprometam com essa perspectiva, mas não conseguem necessariamente viabilizar o seu desejo &#8211; em geral, não a seu pedido, mas por indicação do profissional, menos ou mais apropriada, no decorrer do parto. &#8220;A paciente tem dois medos: primeiro, a dor, e segundo, não ser atendida pelo médico do pré-natal. Se ela não tiver ele lá, com quem ela tem um vínculo, ela se sente muito abandonada emocionalmente.&#8221;</p>
<p>Chen (2006) levanta dados curiosos sobre os partos no Brasil:<br />
1) 79% dos partos realizados no setor privado são cesarianas. (Dados de 2004)<br />
2) 27% dos partos realizados pelo SUS são cesarianas. (Dados de 2004)<br />
3) A OMS recomenda que apenas 15% dos partos sejam cesáreos.<br />
4) 77% das mulheres brasileiras entrevistadas preferem parto normal, segundo dados de entrevistas realizadas antes e depois do parto.<br />
5) Um parto normal pode durar até 48 horas.<br />
6) O custo do parto normal para médicos e hospitais é até 30% maior do que na cesariana, contabilizando o tempo de atenção dispensados pelas enfermeiras e equipe médica, o tempo de utilização de salas especiais para parto, etc..<br />
7) O número de cesarianas no SUS foi reduzido no momento em que o Governo decidiu estabelecer uma cota mensal de remuneração para cesarianas. Isto é, acima de uma determinada porcentagem, a cesariana não é remunerada.<br />
 <img src='http://gehspace.com/sexualidade/wp-includes/images/smilies/icon_cool.gif' alt='8)' class='wp-smiley' /> O número de cesarianas não diminuiu no setor privado, apesar da equiparação de remuneração dos médicos pelos dois tipos de procedimentos.<br />
9) O Ministério da Saúde não tem o poder de interferir na saúde privada.<br />
10) O órgão regulador que fiscaliza os planos de saúde e convênios é a ANS, que pouco pode fazer enquanto não houver denúncias.<br />
11) Apesar da cesariana ter se tornado uma cirurgia mais segura, continua sendo uma cirurgia de amplo aspecto, com todos os riscos de uma cirurgia de amplo aspecto.<br />
12) Os riscos de complicações posteriores a uma cesariana são 350% maiores para a mãe e, para o bebê, são 400% maiores no que se referem a problemas respiratórios.<br />
13) Hospitais lucram na venda dos medicamentos e nas internações, especialmente internações em UTIs.<br />
14) Hospitais e profissionais da área da saúde também têm metas de &#8220;produtividade&#8221;. Internações e procedimentos desnecessários são utilizados para bater essas metas.<br />
15) Médicos conseguem negociações mais vantajosas com os hospitais, pela quantidade de clientes internados e pela quantidade de horas utilizadas de centro cirúrgico.<br />
16) Os hospitais cobram esta conta dos convênios. Os convênios cobram este custo desnecessário de todos os segurados.<br />
17) O maior cliente do hospital não é o paciente, mas o médico.<br />
18) Cesárea por conveniência médica é uma trangressão ética.<br />
19) Em 60% dos casos de cesárea no Brasil, a razão médica apresentada não justificava o procedimento e era no mínimo duvidosa. (idem artigo acima).</p>
<p>Chen (2006) afirma que &#8220;Num encontro de obstetrícia no Rio de Janeiro, os médicos cariocas alegaram motivos de segurança para realizarem cesarianas com hora marcada. &#8216;Porque é muito perigoso sair de casa à noite para atender um parto no meio da madrugada&#8217;&#8221;.</p>
<p>Esta também foi uma das alusões feitas pela Dr. Kátia durante uma das consultas do meu pré-natal. Disse que várias vezes, tinha sido assaltada a noite e por isso não fazia partos noturnos.</p>
<p>Atingir um índice de 79% de cesáreas na medicina privada é um problema de lesão ao consumidor em escala extraordinária. Isso significa que 2/3 das mulheres que preferem parto normal têm seus desejos desrespeitados.</p>
<p>No caso brasileiro, em que a cirurgia plástica sexual vem cada vez mais se afirmando como especialidade, cresce a demanda por procedimentos como a &#8220;reconstrução de episiotomia&#8221; e &#8220;estreitamento da vagina&#8221; . Todos estes procedimentos instauram e explicitam o modelo de assistência que considera o parto necessariamente como um agravo ao corpo feminino, necessitado de reparos posteriores. (Diniz, 2006b)</p>
<p>A autora continua &#8220;A episiotomia é a operação obstétrica mais freqüentemente realizada no ocidente. É uma das maneiras mais dramáticas e intensas em que o território do corpo das mulheres é apropriado, a única operação feita sobre o corpo de uma mulher saudável sem o seu consentimento. Ela representa o poder da obstetrícia: os bebês não podem sair sem que as mulheres sejam cortadas. Ela evita que as mulheres vivenciem o parto como evento sexual, e é uma forma de ritual de mutilação genital&#8221; (apud BWHBC, 1992:458)</p>
<p>Segundo Diniz (2006b) &#8220;O estudo de Souza (1992) em São Paulo, mostra que, na opinião de parte significativa das entrevistadas, o atendimento aos partos é violento, os funcionários são agressivos, freqüentemente humilham as pacientes e não respeitam sua dor. Outro estudo conduzido em São Paulo mostra que a negligência e os maus-tratos na assistência ao parto são freqüentes nos relatos das mulheres, mobilizando nelas um intenso sentimento de injustiça (IRRRAG,1995)&#8221;.</p>
<p>A autora segue em sua pesquisa &#8220;Como testemunha Carmen Cruz, no &#8216;Tribunal Internacional de Direitos Reprodutivos como Direitos Humanos&#8217;: Durante a lenta recuperação, diante de tanto maltrato [uma sucessão de procedimentos invasivos e perigosos, que resultaram em morte do bebê, perda do útero e infecção hospitalar generalizada], a única coisa que quero é morrer. Da minha vagina continua escorrendo pus, minha filha está morta e, além de tudo, agora sou estéril. Minha familia, para consolar-me, me diz que não sou nem a primeira nem serei a última que passa por isso, que já vou me esquecer deste pesadelo, que me conforme. E é ali, no meio da dor física e moral, da raiva e da impotência, que me pergunto: e as que agora são meninas e um dia decidirão ser mães, vai acontecer a elas o mesmo que me aconteceu? Até quando vamos esperar para denunciar, falar, exigir?&#8221; (Bunch et alli, 2000:117).</p>
<p>Sabe-se que a dor do parto é em grande medida iatrogênica, amplificada e acrescida por rotinas como a imobilização, a indução ou aceleração do parto com ocitócitos, a manobra de Kristeller, a episiotomia e a episiorrafia, a curagem manual pós-parto, entre outras. Pode-se imaginar que a experiência, tanto para o profissional de inflingir esses procedimentos dolorosos, quanto para parturiente, de submeter-se a eles, seja muito diferente com e sem a peridural. (Diniz, 2006b)</p>
<p>É importante lembrar que as chamadas alternativas não-farmacológicas efetivas de manejo da dor (presença de doulas, massagem, banhos, liberdade de movimentos e de posição, entre outras) raramente estão disponíveis.</p>
<p>Em sua pesquisa de campo, Diniz (2006b) relata um depoimento de uma médica de plantão: &#8220;O uso da episiotomia e seu reparo como a primeira oportunidade de treinamento de suturas pelos futuros cirurgiões, de qualquer especialidade e não apenas dos gineco-obstetras, nos foi reiterado em muitas oportunidades: Onde você acha que cirurgião aprende a suturar? O primeiro ponto de todo cirurgião é numa episiorrafia&#8221;.</p>
<p>A autora continua &#8220;Também fazem parte do modelo ensinado alguns mitos já superados pela medicina baseada em evidências, porém reproduzidos na formação, como mostra a cena abaixo, sobre uma episiotomia tida como procedimento que melhoraria a vida sexual da mulher, quando a evidência aponta em contrário: Depois, João (residente) apalpou a barriga da mulher, colocou a mão por dentro do canal vaginal, dizendo que ia doer um pouco mas era importante para evitar infecção. Colocou uma boneca de gaze no interior do canal vaginal da mulher e secou um pouco o sangue por fora para iniciar a sutura. Depois, pediu para que eu pegasse o banquinho para ele sentar. A mulher se queixava de dor durante a sutura, mas estava bem mais tranqüila. Como ela reclamasse muito, ele aplicou anestesia novamente. Num determinado momento da sutura, ele disse que ia dar dois pontos que iam doer um pouco mais, depois comentou que era o &#8220;ponto do marido&#8221;. Perguntei a ele o que era isso e ele disse que era um ponto que era dado para que &#8220;as coisas voltassem a ser parecidas com o que era antes&#8221; e que, se eles não fizessem isso, depois o marido voltava para reclamar&#8221;.</p>
<p>A referência ao marido no parto em geral aparece com o já mencionado ponto do marido, o já referido apertamento final da sutura da vulva na episiotomia, sem a qual os maridos reclamariam da frouxidão. Note-se que os profissionais argumentam que agem aqui na defesa dos interesses do marido, representando seus interesses, e fazem referência ao fato de que se não fizerem tal &#8220;aperto&#8221;, os maridos voltarão ao serviço para reclamar. (Diniz, 2006b)</p>
<p>Esse diálogo no qual a mulher diz para o profissional que está sentindo muita dor e o profissional nega à mulher que ela sofre, foi observado segundo Diniz (2006b), com variações, tanto com médicos como com enfermeiras:</p>
<p>[...] &#8220;Num momento em que Luciana introduziu um embrulho de gaze energicamente dentro da vagina de Ana Luisa, essa soltou um &#8216;ai!&#8217; e perguntou o que Luciana havia colocado dentro dela. A resposta foi que não tinha colocado nada dentro dela e que o que estava sentindo era sua pele e tecidos sendo repuxados, conforme estava sendo costurada. A sogra confirmou essa afirmação.&#8221;</p>
<p>É possível que este tipo de diálogo de negação da dor, seja uma maneira dos profissionais lidarem com o seu próprio mal estar. Mas, mesmo sem o conhecimento objetivo das evidências, esse sentimento de injustiça por uma vivência de violência, seja ela física ou emocional, surge em várias circunstâncias neste trabalho.</p>
<p>Como percebemos a episiotomia no Brasil tem sido indicada para prevenir o suposto afrouxamento vaginal. O que não se esclarece é que existem vários exercícios pélvicos que facilitam o fortalecimento dos músculos da vagina.</p>
<p>Para Diniz (2006b) &#8220;A desvalorização sexual da vagina, e por decorrência da mulher, ou vice-versa, depois do parto, tem muitas analogias com a sua desvalorização depois do início da vida sexual. Depois do chamado defloramento, a mulher ficaria desvirginada, aberta, frouxa. Por esse motivo, o apelo da episiotomia para &#8220;devolver a mulher à sua condição virginal&#8221;, como proposto por DeLee e outros autores, encontraria tanto eco na cultura brasileira (Diniz, 1997). A necessidade masculina de um orifício devidamente continente e estimulante para a penetração seria então resolvida por esse procedimento médico, preservando o estatuto da vagina como órgão receptor do pênis, em oposição a alternativas como o coito anal.&#8221;</p>
<p>O que queremos sugerir aqui é que a episiotomia e seu ponto do marido, assim como a cesárea e sua &#8220;prevenção do parto&#8221;, no caso brasileiro, podem funcionar, no imaginário de provedores, parturientes e seus parceiros, como promotores de uma vagina medicamente sancionada, simbolicamente condizente com essas exigências da cultura sexual, seja pela prevenção, seja pelo tratamento. (Diniz, 2006b)</p>
<p>No caso da episiorrafia, como é muito dolorosa e a anestesia ineficiente na maioria das vezes, a negação da dor da paciente e mesmo de que ela está sendo suturada é aprendida na formação dos recursos humanos, como vimos, como estratégia de lidar com as usuárias.</p>
<p>Diniz (2006b) afirma que essa culpabilização da mulher, a naturalização e desconsideração da dor, que é evidentemente motivada por um procedimento muitas vezes desnecessário e arriscado, é encontrada em outros estudos etnográficos no Brasil, aparece de forma crua também nestas cenas no já citado trabalho de Alves, Silva e colaboradores (2000), em maternidades no Maranhão:</p>
<p>&#8220;A paciente disse que estava com vontade de vomitar, a anestesista virou-a bruscamente e disse: &#8220;quis ter um filho, então vai ter que sofrer&#8221; repetindo várias vezes a frase: &#8220;a entrada do céu é estreita, tem que sofrer, é assim mesmo&#8221;. Esse anestesista poderia ter citado outra passagem bíblica como &#8220;fundamento científico&#8221; de sua fala: &#8220;E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a dor da tua conceição; em dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará&#8221;. (Gn 3:16)</p>
<p>Entrevistei uma mãe que foi aconselhada a &#8220;reprimir a dor&#8221;: Karin afirmou que tinha sido alertada por outras mulheres a não gritar na sala de pré-parto, porque as enfermeiras não gostavam de mães que gritavam e agiam de forma agressiva. Ela afirma o tempo todo ter mordido o travesseiro, negando a dor para não receber maus tratos. Durante todo o processo do parto o medo a dominou. Afirmou ainda que na hora do parto o médico aconselhou-a a não gritar para que a criança não nascesse sem ar.<br />
Outra violência relatada por ela é que na sala de pré-parto onde estava com outras parturientes a conversa entre as enfermeiras se resumia a casos de morte de crianças no parto.</p>
<p>Já houve a época em que a mulher era a Deusa da fertilidade, da criação do mundo. Depois se instalou a concepção de um Deus (masculinizado), que criou primeiro o homem e a mulher a partir deste. Depois de comer o fruto proibido, foram expulsos do paraíso. &#8220;Agora parir é ato que não está mais ligado ao sagrado e é, antes uma vulnerabilidade do que uma força. A mulher se inferioriza pelo próprio ato de parir, que outrora lhe assegurava a grandeza&#8221;. (Muraro, 1991)</p>
<p>Por um lado, temos as mulheres de classe média, para as quais a dor do parto é insuportável e cujos genitais não suportariam a passagem dos seus filhos, sob risco de deformação irreparável; por outro, temos as mulheres de baixa renda, mais adequadas a suportar o sofrimento e o dano genital, reais ou supostos, e o seu reparo, a episiotomia.</p>
<p>A imagem que o discurso médico sugere é que, depois da passagem de um &#8220;falo&#8221; enorme &#8211; que seria o bebê &#8211; o pênis do parceiro seria proporcionalmente muito pequeno para estimular ou ser estimulado pela vagina. Isso poderia implicar numa autorização para que o homem procure uma mulher &#8220;menos usada&#8221; ou demande como alternativa o coito anal. (Diniz, 2006a)</p>
<p>Numa interpretação oposta do mesmo fenômeno, poder-se-ia descrever a mulher que escolhe a cesárea agendada como aquela vulnerável, mal informada, submetida aos desejos alheios &#8211; de profissionais, de maridos -, obediente a autoridades e capaz de qualquer sacrifício por amor, como se submeter à cesárea ou aceitar sem questionamentos a episiotomia para preservar sua desejabilidade sexual, preservando a vagina, no primeiro caso, ou permitindo seu corte e reparo no segundo (sem o qual, como vimos, diz-se que os maridos voltam ao serviço de saúde para reclamar). Essa não seria a mulher que adere a uma situação vantajosa para ela na negociação de poder social relativo à maternidade, mas a que confisca, que cede a sua integridade corporal e pessoal, iludida por um discurso que a deprecia e exige que se submeta a um ritual de mutilação, seja cortada &#8220;por cima ou por baixo&#8221;, como forma de se ver socialmente sancionada no papel de mater dolorosa moderna que escapou da dor. (Diniz, 2006b)</p>
<p>Questões culturais referentes à sexualidade humana desencadeiam procedimentos incorretos, violência desnecessária, relacionados a uma cultura de procedimento médico como &#8220;produção seriada de partos&#8221;. É preciso entender que não precisamos ser &#8220;passivas e coniventes&#8221;. Temos o direito e devemos lutar para que sejam cumpridos. Ter um filho necessariamente não precisa ser um ato de violência. Precisa, antes de qualquer coisa, ser um ato de amor.</p>
<p>Bibliografia<br />
CHEN, Juty. Ninguém está vendo o que está acontecendo? Disponível em: http://www.partodoprincipio.com.br/conteudo.php?src=assimnaoda&amp;ext=html. Acessado em 02/11/2006.</p>
<p>DINIZ, Simone Grilo. Campanha pela Abolição da Episiotomia de Rotina. Disponível em: http://www.mulheres.org.br/fiqueamigadela/episiotomia.html Acessado em 02/11/2006.(a)</p>
<p>________________. Humanização da assistência ao parto: um diálogo. Disponível em: www.mulheres.org.br/parto. Acessado em: 02/11/2006. (b)</p>
<p>FAÚNDES , Anibal. PERPÉTUO, Ignez Helena Oliva. Cesárea por conveniência e a ética médica. Disponível em: http://www.amigasdoparto.com.br/ac025.html. Acessado em 02/11/2006.</p>
<p>MURARO, Rose Marie. Breve Introdução Histórica.In: SPRENGER, James. KRAMER, Heinrich.O Martelo das feiticeiras. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1991, 2a. ed.</p>
<p>STRINGUETO, Kátia. Mudança de hábito. Disponível em: http://www.unifesp.br/comunicacao/sp/ed07/reports1.htm . Acessado em: 02/11/2006.</p>
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		<title>Quais os limites da intervenção cirúrgica no parto?</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 15:35:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 66 a 70]]></category>
		<category><![CDATA[gravidez]]></category>
		<category><![CDATA[parto]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade feminina]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>Este artigo traz uma reflexão sobre o que parece constituir falta de ética médica e a desinformação de parturientes sobre direitos, opções e riscos quanto a <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/quais-os-limites-da-intervencao-cirurgica-no-parto/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>Este artigo traz uma reflexão sobre o que parece constituir falta de ética médica e a desinformação de parturientes sobre direitos, opções e riscos quanto a intervenções desnecessárias durante o parto. Como bibliografia principal, utilizei o ensaio para doutorado de Simone Grilo Diniz: &#8220;Humanização de assistência ao parto: um diálogo&#8221;. Como fontes secundárias, &#8220;Campanha pela abolição da episiotomia de rotina&#8221; também por Diniz, &#8220;Mudança de hábito&#8221; por Kátia Stringueto, &#8220;Ninguém está vendo o que está acontecendo&#8221; por Juty Chen, &#8220;Cesária por conveniência e a ética médica&#8221; por Aníbal Faúndes e Ignez Helena Oliva Perpétuo, &#8220;Breve Introdução Histórica&#8221; por Rose Marie Muraro ao livro Martelo das Feiticeiras.</p>
<p>Em 1979, foi criado na Europa um comitê regional para estudar os limites das intervenções propostas para reduzir a morbidade e a mortalidade peri-natal e materna naquele continente. Desde então, vários grupos de profissionais passam a se organizar para sistematizar os estudos de eficácia e segurança na assistência à gravidez, ao parto e pós-parto, iniciando um esforço que se estendeu mundialmente, apoiado pela Organização Mundial da Saúde, OMS. (Diniz, 2006b).</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 383px"><img title="Chanson Innocent por Nathan Florence" src="http://gehspace.com/edicao%2068%20imagens/Gravitas%20(M%20at%206%20months).jpg" alt="Chanson Innocent por Nathan Florence" width="373" height="500" /><p class="wp-caption-text">Chanson Innocent por Nathan Florence</p></div>
<p>A autora afirma que &#8220;O grupo que trabalhou as revisões sistemáticas sobre gravidez e parto foi o primeiro de centenas de outros grupos que se organizaram nos anos seguintes para levantar as evidência sobre a eficácia e a segurança de procedimentos em todas as especialidades médicas&#8221;.</p>
<p>Conceição de Oliveira Dias, mãe de meu marido, Alexei Gonçalves, em seu depoimento referente aos partos de seus dois filhos afirma ter sido obrigada a aceitar anestesia geral, porque segundo o seu médico: &#8220;A mulher atrapalha na hora do parto&#8221;. Teve a primeira filha, Dayse, no Rio de Janeiro, com procedimento de episiotomia. Em 1968, teve o segundo filho, Alexei e, segundo ela, o marido , sr. Nicolau Gonçalves de Oliveira, queria que ela fizesse o parto na cidade de Santo Antonio de Pádua, onde residiam. Ela não queria ter seu filho lá, porque muitas mulheres reclamavam de humilhações e violências. A frase que mais se escutava, segundo depoimentos das amigas e vizinhas era: &#8220;Na hora de fazer você gostou e agora agüenta!&#8221;. Durante a discussão com o seu marido, a resposta do senhor Nicolau teria sido: &#8220;Em que você é melhor que as outras mulheres desta cidade?&#8221;.</p>
<p>No primeiro parto, Conceição teve problemas de dilatação, estreitamento de bacia e, por este motivo, teve forças para lutar para ter seu segundo filho no Rio de Janeiro. Mas nem por este motivo ficou imune à violência. Além da anestesia geral, o parto foi feito com fórceps e episiotomia. Foram horas de sofrimento tanto para mãe quanto para o bebê.</p>
<p>Os estudos mostram que, quando a mulher está informada sobre as suas possibilidades de escolha no parto &#8211; aí incluídos o lugar de dar à luz, o profissional e demais pessoas que vão acompanhá-la e os procedimentos eletivos na assistência &#8211; este parto tem mais chance tanto de ser mais saudável para mãe e bebê quanto da mulher expressar maior satisfação com a experiência (Diniz, 2006b).</p>
<p>&#8220;Na prática, no Brasil como em outros países, esta, como outras recomendações, vem sendo sistematicamente desconsideradas &#8211; isto quando são conhecidas. Este é o caso de condutas como o monitoramento de bem-estar físico e emocional da mulher, a oferta oral de fluidos durante o trabalho de parto e parto, as técnicas não-invasivas e não farmacológicas de alívio da dor (como a massagem, o banho e o relaxamento); a liberdade de posição no trabalho de parto e parto, o encorajamento a posturas verticais, entre outras. Os procedimentos reconhecidamente danosos, ineficazes, e que deveriam ser eliminados, continuam a fazer parte do dia a dia da maioria dos serviços, como o uso da posição horizontal durante o trabalho de parto e parto; o uso de rotina do enema; da tricotomia; da infusão intravenosa; a administração de ocitocina para acelerar o trabalho de parto e os esforços expulsivos dirigidos durante o segundo estágio do trabalho de parto. Isto sem contar com a perigosa manobra de Kristeller, entre outros&#8221;. (Diniz, 2006b)</p>
<p>Para Faúndes e Perpétuo (2006) &#8220;A incerteza aumenta ainda mais ao comparar as mulheres que expressaram desejo de ter parto cesáreo com as que queriam parto vaginal. A metade das que queriam cesárea receberam francamente uma justificativa não-médica para marcar a cesárea: férias do médico, conveniência de horário, etc. Apenas 17% das que queriam parto vaginal receberam uma explicação igualmente franca. Para quase dois terços do grupo que desejava parto vaginal, foi dada uma razão &#8220;médica&#8221; que não justificava a conduta ou que era, no mínimo, duvidosa. Tudo indica, portanto, que a conduta franca de informar a paciente das verdadeiras razões para marcar uma cesárea e permitir que ela decida, se dá apenas em torno de um terço dos casos sem indicação real de cesárea eletiva, e que isso é três vezes mais provável quando a paciente já expressou o desejo pessoal de ter parto cesáreo. Quando a mulher expressa o desejo de um parto vaginal, a tendência é criar um motivo médico que seja aceitável pela paciente e pela família, o que constitui gravíssima transgressão ética&#8221;.</p>
<p>Diniz (2006b) afirma que &#8220;Para alguns autores (Gaskin, 2000; Davis-Floyd, 1997; Wagner, 2000), com os quais nos identificamos, por parto normal devemos entender o parto que ocorre conforme a fisiologia, sem intervenções desnecessárias nem seqüelas destas intervenções.&#8221; Um parto vaginal que sofre abordagem médico-cirúrgica e pelo modelo tecnocrático: &#8220;a mulher imobilizada ou semi-imobilizada, privada de alimentos e líquidos por via oral, usando de drogas para a indução ou aceleração do parto , com a mulher imobilizada e em posição de litotomia no período expulsivo, com eventual uso de fórceps, e com o uso de rotina episiotomia e episiorrafia&#8221;, ou seja, incluindo um conjunto de intervenções desnecessárias que vão deixar seqüelas físicas e um maior desgaste emocional da mulher com sua experiência, deveria se chamar de &#8220;parto típico&#8221;.</p>
<p>Um dos procedimentos que permanece sendo usado de rotina é a episiotomia, apesar de há muitos anos os abundantes dados disponíveis revelarem que esse procedimento não cumpre os objetivos que justificariam sua realização, sejam eles a prevenção de lesões nos genitais da mãe ou na cabeça do recém-nascido. Infelizmente, ela permanece na rotina de assistência em nossos serviços, implicando em centenas de milhares de lesões inúteis, arriscadas e potencialmente danosas sobre os genitais femininos.</p>
<p>Estudos recentes apontam um aumento no risco de trauma, infecções, hematoma e dor, além de maior tendência à incontinência urinária entre as parturientes que passaram pela cirurgia. &#8220;Não existe o efeito protetor que todos imaginávamos. Não é porque se fez episiotomia que a mulher não ficará com a vagina dilatada ou com a bexiga baixa&#8221;, diz Eduardo de Souza, chefe do centro obstétrico do Hospital São Paulo (Stringueto, 2006)</p>
<p>Segundo Diniz (2006b), nas palavras de um professor universitário que trabalha pela promoção da assistência perinatal baseada na evidência: &#8220;Como essa discussão democrática aqui, tem por trás a busca da cidadania, eu fico muito preocupado com as mulheres brasileiras, se eu fosse mulher eu já teria feito&#8230; sei lá, pegado em armas, porque é muita violência&#8230; porque ela vai para a maternidade, ou lhe fazem um corte na barriga, desnecessário na maioria das vezes, ou no períneo. De todo jeito alguém vai atacá-la com uma faca, então é preciso que isso seja melhor pensado, eu acho que é fundamental essa pressão da clientela para forçar o médico a tomar atitude de acordo com a melhor ciência existente (Athala, 1999).</p>
<p>&#8220;Poucas questões de saúde e de violência sexual tem a magnitude e a gravidade na vida das mulheres, e são tão preveníveis quanto a episiotomia. Além de seu potencial em reduzir o sofrimento das mulheres, a restrição do uso da episiotomia implicaria ainda em uma importante economia do setor saúde, preservando desse agravo milhões de mulheres por ano. Nas demais regiões do mundo, as evidências científicas levaram a uma gradual redução das episiotomias, enquanto na América Latina, há uma enorme resistência à mudança e a maioria dos serviços, públicos ou privados, mantêm uma taxa de episiotomia de mais de 90% nos partos vaginais.&#8221; (Diniz, 2006a).</p>
<p>&#8220;No caso brasileiro, a questão da episiotomia é marcadamente um problema de classe social e de raça: enquanto as mulheres brancas e de classe média que contam com o setor privado da saúde, em sua maioria serão &#8220;cortadas por cima&#8221; na epidemia de cesárea, as mulheres que dependem do SUS (mais de dois terços delas) serão &#8220;cortadas por baixo&#8221;, passarão pelo parto vaginal com episiotomia. Como as mulheres negras têm características diferentes em termos de cicatrização, pela maior tendência a formação de quelóides (cicatrizes tumoriformes mais comuns nos indivíduos de raça negra), acreditamos que estão mais sujeitas a complicações cicatriciais da episiotomia&#8221; (Diniz, 2006a).</p>
<p>Optar por um parto sem episiotomia traz dois benefícios relevantes: primeiro, não se faz o corte na mulher (que implica uso de anestesia e risco de infecção), e, segundo, mantém-se íntegra a musculatura perineal, já que nem sempre o obstetra consegue recompor o assoalho pélvico como antes, o que pode facilitar o afrouxamento da região e rebaixamento da bexiga, levando à incontinência urinária. Curioso é que, mesmo com todas essas vantagens, a maioria dos obstetras ainda realiza o procedimento como quem cumpre um ritual. Basta o parto demorar um pouco e pronto. Falta paciência e, pior, falta esclarecimento. (Stringueto 2006).</p>
<p>Fazer a criança nascer mais rápido não significa nascer melhor. Muitas mulheres sofrem esta violência sem saber de seus direitos.</p>
<p>&#8220;É essa consciência que se espera do médico. Abreviar o parto quando necessário, se o bebê está em sofrimento. Mas manter a integridade do corpo da mulher sempre que possível. O abuso da episiotomia remete a outra questão importante: como o parto é conduzido. Dar à luz na posição inclinada &#8211; e não deitada &#8211; facilita o nascimento e diminui a episio. Quanto ao medo de lesões, vale saber: &#8220;As lesões que se pode causar à mulher ao cortar-se o músculo perineal, entre a vagina e o ânus, são piores do que as pequenas lacerações&#8221;, diz a enfermeira obstetra Ana Cristina d&#8217;Andretta Tanaka, do Departamento de Saúde Materno Infantil da Faculdade de Saúde Pública da USP&#8221;. (Stringueto 2006)</p>
<p>Para Diniz (2006b), além dos vários mecanismos de pagamento diferenciado que fazem a cesárea mais rentável para serviços e profissionais, o estabelecimento de nova ordem de produção, marcada pela possibilidade da produção em série, potencializaria, sob a convicção da inocuidade da cesariana, o parto com hora marcada (Chiaravalloti &amp; Goldenberg, 1998).</p>
<p>Uma grande mudança em relação a humanização no parto tem sido o tratamento ao recém-nascido. Antigamente, ele sofria intervenções de rotina agressivas e perigosas, tais como o uso de drogas, luzes fortes e o aparelho de ar condicionado ligado, forçando o bebê a um choque térmico entre o ambiente intracorporal de cerca de 36 graus e o meio externo. O bebê tinha o cordão clampeado imediatamente, levando a uma supressão súbita de oxigênio e à respiração forçada e dolorosa, era pendurado pelos pés e não raramente, recebia um tapa para atestar sua vitalidade. Depois disso, era separado da mãe e levado por outros profissionais, e de rotina, mesmo que estivesse respirando perfeitamente, passava por uma &#8220;reanimação&#8221; que incluía uma sonda introduzida até o estômago, sofria ainda instilação de gotas profiláticas nos olhos que além de dolorosas, deixavam o recém-nascido com a visão nublada por várias horas ou dias.</p>
<p>Atualmente, em muitas maternidades, tem-se evitado a permanência desnecessária em berçários para bebês normais. Um dos recursos para a humanização da assistência ao recém-nascido, que tem sido incorporado em um número crescente de serviços por ser muito custo-efetivo, e recentemente contar com um apoio efetivo do Ministério da Saúde, é o programa Mãe Canguru, sobre qual trataremos no próximo artigo.</p>
<p>(continua&#8230;)</p>
<p>Bibliografia<br />
CHEN, Juty. Ninguém está vendo o que está acontecendo? Disponível em: http://www.partodoprincipio.com.br/conteudo.php?src=assimnaoda&#038;ext=html . Acessado em 02/11/2006.</p>
<p>DINIZ, Simone Grilo. Campanha pela Abolição da Episiotomia de Rotina. Disponível em: http://www.mulheres.org.br/fiqueamigadela/episiotomia.html Acessado em 02/11/2006.(a)</p>
<p>DINIZ, Simone Grilo. Humanização da assistência ao parto: um diálogo. Disponível em: www.mulheres.org.br/parto . Acessado em: 02/11/2006. (b)</p>
<p>FAÚNDES , Anibal. PERPÉTUO, Ignez Helena Oliva. Cesárea por conveniência e a ética médica. Disponível em: http://www.amigasdoparto.com.br/ac025.html . Acessado em 02/11/2006.</p>
<p>MURARO, Rose Marie. Breve Introdução Histórica. In: SPRENGER, James. KRAMER, Heinrich.O Martelo das feiticeiras. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1991, 2a. ed.</p>
<p>STRINGUETO, Kátia. Mudança de hábito. Disponível em: http://www.unifesp.br/comunicacao/sp/ed07/reports1.htm . Acessado em: 02/11/2006.</p>
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		<title>Direitos da Gestante (O.M.S)</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Dec 2008 23:59:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[direito]]></category>
		<category><![CDATA[edições 36 a 40]]></category>
		<category><![CDATA[gravidez]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade feminina]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Confira abaixo os dez Direitos da Gestante, promulgados pela Organização Mundial de Saúde. Se você estiver grávida, exerça-os, fazendo assim a sua parte para ter um parto <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/08/direitos-da-gestante-oms/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Confira abaixo os dez Direitos da Gestante, promulgados pela Organização Mundial de Saúde. Se você estiver grávida, exerça-os, fazendo assim a sua parte para ter um parto do jeito que mais desejar!</p>
<p>&#8221; Receber informações sobre gravidez e escolher o parto que deseja.</p>
<p>&#8221; Conhecer os procedimentos rotineiros do parto.</p>
<p>&#8221; Não se submeter a tricotomia (raspagem dos pêlos) e a enema (lavagem intestinal), se não desejar.</p>
<p>&#8221; Recusar a indução do parto, feita apenas por conveniência do médico (sem que seja clinicamente necessária).</p>
<p>&#8221; Não se submeter à ruptura artificial da bolsa amniótica, procedimento que não se justifica cientificamente, podendo a gestante recusá-lo.</p>
<p>&#8221; Escolher a posição que mais lhe convier durante o trabalho de parto.</p>
<p>&#8221; Não se submeter à episiotomia (corte do períneo), que também não se justifica cientificamente, podendo a gestante recusá-la.</p>
<p>&#8221; Não se submeter a uma Cesárea, a menos que haja riscos para ela ou o bebê (o que pode ocorrer, estatisticamente, em torno de 20% dos casos, embora o índice de Cesáreas na rede hospitalar privada, no Brasil, esteja em torno de 80%).</p>
<p>&#8221; Começar a amamentar seu bebê sadio logo após o parto.</p>
<p>&#8221; A mãe pode exigir ficar junto com seu bebê recém-nascido sadio.</p>
<p>Observações &#8211; Texto em Português correspondente a tradução consagrada em diversas publicações.<br />
Fonte: http://www.aleitamento.org.br/arquivos/direitogestantes.html</p>
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		<title>Cartilha da Gestante</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Dec 2008 21:09:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[direito]]></category>
		<category><![CDATA[edições 31 a 35]]></category>
		<category><![CDATA[gravidez]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade feminina]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Toda mulher tem direito a uma gravidez saudável e a um parto seguro. Embora a saúde seja um direito de todos, conforme diz a Constituição Federal, muitas <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/08/cartilha-da-gestante/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Toda mulher tem direito a uma gravidez saudável e a um parto seguro. Embora a saúde seja um direito de todos, conforme diz a Constituição Federal, muitas vezes esse direito é desrespeitado e o acesso ao atendimento é dificultado. Às vezes isso acontece porque as pessoas desconhecem seus direitos. Sabemos que, se a população tiver informações a respeito das leis, do funcionamento dos serviços e sobre os atos dos profissionais de saúde, isso poderá ajudá-la a exigir o tratamento digno a que todo cidadão tem direito. Quando você está grávida tem direitos que devem ser respeitados para que sua gravidez seja saudável e seu parto seguro.</p>
<p><strong>DIREITOS SOCIAIS</strong><br />
&#8221; Em várias instituições públicas e privadas existem guichês e caixas especiais ou prioridade nas filas para atendimento a gestantes. Procure informações no próprio estabelecimento;<br />
&#8221; Não aceite agressões físicas ou morais por parte de estranhos, do seu companheiro ou de familiares. Caso isso aconteça, procure uma delegacia, preferencialmente a delegacia da mulher do seu município, para prestar queixa.</p>
<p><strong>DIREITOS NO TRABALHO (Garantidos pelas leis trabalhistas &#8211; CLT)</strong><br />
&#8221; Sempre que você for às consultas de pré-natal ou fizer algum exame necessário ao acompanhamento de sua gravidez, solicite ao serviço de saúde uma DECLARAÇÃO DE COMPARECIMENTO. Apresentando esta declaração à sua chefia você terá sua falta justificada no trabalho;<br />
&#8221; Você tem o direito de mudar de função ou setor no seu trabalho, caso o mesmo possa provocar problemas para a sua saúde ou do bebê. Para isso, apresente à gerência um atestado médico comprovando que você precisa mudar de função;<br />
&#8221; Enquanto estiver grávida, e até cinco meses após o parto, você tem estabilidade no emprego e não pode ser demitida, a não ser por &#8220;justa causa&#8221;, isto é, nos casos previstos pela legislação trabalhista (se cometer algum crime, como roubo ou homicídio, por exemplo);<br />
&#8221; Você tem direito a uma licença-maternidade de 120 dias &#8211; recebendo salário integral e benefícios legais &#8211; a partir do oitavo mês de gestação;<br />
&#8221; Até o bebê completar seis meses, você tem direito de ser dispensada do seu trabalho todos os dias, por dois períodos de trinta minutos, para amamentar;<br />
&#8221; O seu companheiro tem direito a uma licença-paternidade de cinco dias, logo após o nascimento do bebê.</p>
<p>Conhecendo os seus direitos, você pode exigi-los e fazer com que sejam cumpridos. Mas, caso estes direitos não sejam respeitados, procure os sindicatos ou associações de sua categoria profissional, para encontrar uma solução. Se a sua categoria profissional não tiver sindicato ou associação, você pode buscar ajuda diretamente na Justiça do Trabalho ou no Ministério Público.</p>
<p><strong>DIREITOS NOS SERVIÇOS DE SAÚDE:</strong><br />
&#8221; Ser atendida com respeito e dignidade pela equipe de saúde, sem discriminação de cor, raça, orientação sexual, religião, idade ou condição social;<br />
&#8221; Aguardar o atendimento em lugar arejado e limpo, tendo à sua disposição água potável e sanitário limpo;<br />
&#8221; Um serviço de saúde de qualidade deve atender a gestante chamando-a pelo seu próprio nome, criar alternativas para evitar longas esperas e procurar lhe dar prioridade nas filas. ISTO TAMBÉM É QUALIDADE DE ATENÇÃO À SAÚDE. ISTO TAMBÉM É RECONHECER OS DIREITOS DE CIDADANIA.</p>
<p><strong>Calendário Obstétrico:</strong> Procure nas datas em &#8220;preto&#8221; a data do início da sua última menstruação, e a seguir procure nas &#8220;datas em vermelho&#8221; logo abaixo a data prevista para o parto. Por exemplo: se sua última menstruação foi dia 10 de janeiro, a data prevista do parto será dia 17 de outubro do mesmo ano. Acrescente uma margem de erro de 20 dias, sendo 10 dias antes da data prevista e 10 depois. Ou seja, se a data prevista é 17 de outubro, há boas chances de que o parto ocorra entre 07 e 27 de outubro.</p>
<div id="attachment_201" class="wp-caption alignnone" style="width: 610px"><a href="http://gehspace.com/sexualidade/wp-content/uploads/2008/12/carlendario-da-gestante1.jpg"><img class="size-medium wp-image-201" title="Calenedário Obstétrico" src="http://gehspace.com/sexualidade/wp-content/uploads/2008/12/carlendario-da-gestante1-300x200.jpg" alt="Calenedário Obstétrico" width="600" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">Calenedário Obstétrico</p></div>
<p><strong>O Direito ao Pré-Natal</strong><br />
Se você desconfia que está grávida, procure a unidade de saúde mais próxima para confirmar a gravidez e iniciar o seu acompanhamento de saúde.<br />
O pré-natal pode lhe assegurar uma gestação saudável e um parto seguro.</p>
<p>&#8221; Você tem direito a fazer pelo menos seis consultas durante toda a gravidez;<br />
&#8221; Caso deseje ou precise, você pode solicitar ao serviço de saúde a presença de uma pessoa de sua confiança nas consultas do pré-natal.</p>
<p><strong>Você tem direito ao CARTÃO DA GESTANTE</strong><br />
Esse cartão deve conter todas as anotações sobre seu estado de saúde, sobre o desenvolvimento de sua gestação e os resultados dos exames que você fez. Leve esse cartão a todas as consultas e verifique se ele está sendo preenchido. Não esqueça de apresentá-lo aos profissionais de saúde na hora do parto.</p>
<p><strong>FIQUE DE OLHO</strong><br />
Em todas as consultas de pré-natal, a equipe de saúde deverá medir sua pressão arterial, verificar seu peso, medir sua barriga e escutar o coração do bebê.</p>
<p><strong>EXAMES DO PRÉ-NATAL</strong><br />
Fique atenta e veja o que é considerado o mínimo de exames a serem feitos:<br />
1. Exames de Sangue: para descobrir diabetes, sífilis e anemia e classificar o seu tipo de sangue.<br />
2. Exames de Urina: podem descobrir infecções e presença de proteína na urina.<br />
3. Preventivo de Câncer de Colo do Útero (Papanicolau): esse exame informa sobre a existência de problemas que podem levar ao câncer de colo do útero, permitindo o tratamento imediato. Este exame deve ser realizado a cada três anos. Caso você não tenha feito neste período, deve fazer no pré-natal.</p>
<p>Teste anti-HIV (para identificar o vírus da AIDS): Caso você queira, você pode fazer esse exame durante o pré-natal. Ele é uma proteção para a mulher e para a criança. Uma mulher portadora do HIV pode começar o tratamento durante a gravidez, evitando que o vírus passe para o bebê durante a gestação e o parto.</p>
<p><strong>Ligadura de trompas</strong></p>
<p>&#8221; A ligadura de trompas é uma forma definitiva de evitar uma gravidez e exige uma cirurgia para a sua realização. Ela só deve ser feita se você tiver certeza de que não quer mais engravidar;<br />
&#8221; O período da gravidez e parto não é o melhor momento para decidir sobre a ligadura de trompas, porque você estará muito envolvida pelas emoções da chegada do bebê;<br />
&#8221; A nova lei sobre planejamento familiar permite a realização da ligadura em mulheres com mais de 25 anos ou com mais de dois filhos. Mas a ligadura não poderá ser feita logo após o parto ou a cesárea, a não ser que você tenha algum problema grave de saúde ou tenha feito várias cesarianas.</p>
<p>Fazer uma cesariana para realizar ligadura de trompas é contra a lei e é um risco desnecessário à sua saúde. Não caia nessa!<br />
&#8221; Antes de decidir pela ligadura de trompas, você tem o direito de ser informada sobre todos os outros métodos para evitar uma gravidez. Pense bem antes de decidir. Ligadura é para sempre!</p>
<p>Se você decidir ligar as trompas, saiba que a ligadura pode ser feita GRATUITAMENTE nos hospitais públicos e conveniados ao SUS.<br />
Não aceite nenhum tipo de cobrança para a realização da ligadura de trompas. Assim como o planejamento familiar, o pré-natal e o parto, este é um direito seu!</p>
<p><strong>SE VOCÊ ESTIVER ABORTANDO, LEMBRE-SE:</strong></p>
<p>&#8221; Você tem o direito de ser atendida imediatamente e de maneira respeitosa, sem recriminações ou críticas;<br />
&#8221; Durante o atendimento, você deve ser esclarecida sobre todos os tratamentos propostos;<br />
&#8221; Você tem o direito de receber anestesia para tratamento do aborto;<br />
&#8221; Você tem o direito de ser informada sobre onde buscar ajuda nos casos de complicações pós-aborto;</p>
<p><strong>ATENÇÃO!</strong></p>
<p>Caso a gravidez coloque a sua vida em risco ou se você foi estuprada e engravidou:<br />
&#8221; Nos casos de estupro você tem direito a atendimento especial e pode solicitar a interrupção da gravidez, sem precisar de autorização de juiz. É recomendável que você faça o &#8220;Boletim de Ocorrência&#8221; na delegacia, logo após ter sofrido o abuso sexual;<br />
&#8221; Nestes casos, procure a unidade ou a Secretaria de Saúde de seu município para que lhe indiquem os hospitais que realizam este tipo de atendimento;<br />
&#8221; Nos casos de risco de vida para você, a equipe de saúde deverá informá-la de forma simples e clara sobre os riscos e, caso você concorde, poderá ser solicitada a interrupção da gravidez;<br />
&#8221; Nestas situações você tem o direito de realizar o aborto gratuitamente, de forma segura e com um atendimento respeitoso e digno.</p>
<p><strong>O PAI TAMBÉM TEM DIREITOS NOS SERVIÇOS DE SAÚDE</strong></p>
<p>&#8221; A participar do pré-natal. Isto pode ser muito importante para você, para ele e para o bebê;<br />
&#8221; A ter suas dúvidas esclarecidas sobre a gravidez, sobre o relacionamento com a mulher e sobre os cuidados com o bebê. Ele não é apenas o seu acompanhante, mas é também o pai da criança que vai nascer;<br />
&#8221; A ser informado sobre como a gravidez está evoluindo e sobre qualquer problema que possa aparecer;<br />
&#8221; Na época do parto, a ser reconhecido como PAI e não como &#8220;visita&#8221; nos serviços de saúde;<br />
&#8221; A ter acesso facilitado para acompanhar você e o bebê a qualquer hora do dia;<br />
&#8221; É importante que o pai vá com você na consulta pós-parto, para receber as informações e orientações sobre contracepção e prevenção de doenças transmitidas em relação sexual e AIDS. Paricipar é fundamental!</p>
<p>A participação do pai durante a gravidez, parto e pós-parto é um direito que deve ser exercido.</p>
<p>Seus Direitos no Parto<br />
Você sabia que o parto normal é o mais seguro para a grande maioria das mulheres?</p>
<p><strong>FIQUE ATENTA:</strong></p>
<p>O parto é considerado uma urgência e o seu atendimento não pode ser recusado em nenhum hospital, maternidade ou casa de parto. Se a unidade de saúde não puder atendê-la naquele momento, os profissionais de saúde devem examinar você antes de encaminhá-la para outro local. Você só poderá ser transferida se houver tempo suficiente para isso e depois de terem sido confirmadas a existência de vaga e a garantia de atendimento no outro estabelecimento de saúde.</p>
<p><strong>Durante a INTERNAÇÃO e NO TRABALHO DE PARTO, você também tem direitos:</strong><br />
&#8221; De ser escutada em suas queixas e reclamações e ter as suas dúvidas esclarecidas;<br />
&#8221; De expressar os seus sentimentos e suas reações livremente. Não se envergonhe nem se intimide se você tiver vontade de chorar, gritar ou rir. Essas são reações normais, que podem ocorrer durante o trabalho de parto com todas as mulheres. Nenhum profissional de saúde pode recriminar você por isso;<br />
&#8221; As roupas utilizadas durante o trabalho de parto devem ser confortáveis e estar de acordo com o seu tamanho. Devem ser de tecidos e modelos que não exponham o seu corpo, causando-lhe constrangimento;<br />
&#8221; Caso você queira contar com a presença de acompanhante no momento do parto, como o pai da criança, parente ou pessoa amiga, solicite isto ao serviço que está atendendo você. De preferência, acerte isso antes do parto.</p>
<p><strong>INFORMAÇÕES IMPORTANTES PARA O SEU BEM-ESTAR:</strong><br />
&#8221; Nem sempre é necessária a realização da lavagem intestinal e da raspagem de pêlos antes do parto. Converse sobre isso com quem está atendendo você;<br />
&#8221; Muitas vezes, durante o trabalho de parto, você poderá receber alimentos líquidos (sucos, sopas, caldos). A equipe de saúde lhe dirá se você precisa ficar em jejum em situações especiais;<br />
&#8221; O soro com medicamentos para apressar o parto só deve ser utilizado em situações especiais. Se este for o seu caso, solicite à equipe de saúde que lhe explique as razões de uso do soro.</p>
<p>Você tem o direito de ter um parto normal e de ser atendida por uma equipe preparada e atenciosa. Na grande maioria dos casos, o parto normal é a maneira mais segura e saudável de ter filhos e deve ser estimulado por uma assistência humanizada, gentil, segura e de boa qualidade, para você e seus acompanhantes.</p>
<p><strong>PARTO SEM DOR</strong></p>
<p>Cada mulher e cada parto são diferentes. A dor no parto costuma ser uma dor forte, mas muitas mulheres acham que é uma dor suportável e preferem não ter anestesia. Se você sentir necessidade, peça anestesia mesmo no caso de um parto normal, inclusive nos hospitais públicos ou conveniados ao SUS.</p>
<p><strong>DICAS PARA ALIVIAR A DOR:</strong><br />
&#8221; Estar na companhia de quem você gosta e confia;<br />
&#8221; Banhos de água morna: podem ser de chuveiro, com a água caindo em cima da barriga e das costas;<br />
&#8221; Caminhar durante o trabalho de parto pode facilitar a descida do bebê. Faça isto se for confortável para você.</p>
<p><strong>QUANDO O BEBÊ ESTÁ NASCENDO:</strong><br />
&#8221; Às vezes o médico faz um corte na vagina, a chamada episiotomia, que pretende evitar o rompimento da pele, mas nem sempre ela é necessária.</p>
<p><strong>SE VOCÊ PRECISA DE CESÁREA:</strong><br />
&#8221; Em alguns casos, a cesárea pode ser necessária para proteger você e o bebê, mas você tem o direito de ser informada dos motivos para fazer esta cirurgia;<br />
&#8221; Se o seu primeiro parto foi cesariana, é possível que você possa ter agora um parto normal. Lembre-se: o parto normal, geralmente, é mais seguro para a mãe e para o bebê.</p>
<p>A cesárea é mais arriscada que o parto normal. Para a mulher, existe um risco maior de infecção e problemas com a anestesia. O bebê pode ter problemas respiratórios ou nascer antes do tempo certo. Por isso, ela só deve ser realizada quando for para o bem da sua saúde ou do bebê.</p>
<p><strong>DEPOIS DO PARTO você tem direito a:</strong><br />
&#8221; Ter a criança ao seu lado, em alojamento conjunto, e amamentar. Vocês só precisam ficar separados se algum dos dois tiver algum problema;<br />
&#8221; Receber orientações sobre a amamentação e suas vantagens, para você e para a criança;<br />
&#8221; No momento da alta você deve sair com orientações sobre quando e onde deverá fazer a consulta de pós-parto e do controle do bebê.</p>
<p><strong>INFORMAÇÕES E ACONSELHAMENTO</strong><br />
&#8221; Durante as consultas de pré-natal a equipe de saúde deve dar orientações sobre gravidez, parto, pós-parto e cuidados com o bebê. Você também poderá obter informações sobre sexualidade, nutrição e cuidados com a saúde no período da gestação e preparação para amamentação;<br />
&#8221; Cada vez que a equipe indicar para você um exame, tratamento ou cirurgia, ou quando lhe derem algum remédio, você tem o direito de ser informada sobre os motivos dessa conduta, com palavras simples, para que você possa entender o que foi explicado;<br />
&#8221; Quando você tiver algum problema de saúde que possa ser tratado de mais de uma maneira, você tem o direito de ser informada sobre as diferentes opções de tratamento;<br />
&#8221; Aproveite as consultas de pré-natal para esclarecer todas as suas dúvidas sobre gravidez, parto e pós-parto. Informe-se também sobre doenças sexualmente transmissíveis, AIDS e métodos para evitar gravidez. Lembre-se: quanto mais você souber sobre seu corpo, sua sexualidade, sobre formas de preservar sua saúde, melhor para você;<br />
&#8221; Em algumas cidades, além das maternidades tradicionais existem outros locais de atendimento ao parto. Procure conhecer os recursos disponíveis na sua comunidade para fazer a melhor escolha para você e seu bebê. Isto também é ser feliz!</p>
<p>O que fazer caso você não seja bem atendida em qualquer momento da sua gravidez ou parto:<br />
Você pode procurar a gerência do serviço de saúde que atendeu você e informar sobre a sua insatisfação. Você tem o direito de ser atendida com respeito e dignidade. Todo cidadão deve contribuir para a melhoria do atendimento à saúde em nosso país.</p>
<p>Fonte: Site do Ministério da Saúde &#8211; www.saude.gov.br</p>
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		<title>Gravidez</title>
		<link>http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/gravidez/</link>
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		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 00:37:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[gravidez]]></category>
		<category><![CDATA[parto]]></category>

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		<description><![CDATA[<p class="wp-caption-text">Sweet-girl por Diego Manuel</p>
<p style="text-align: center;">Géh e Léh esperam um bebê! Como editora          deste espaço, gostaria de <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/gravidez/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 210px"><img title="Sweet-girl por Diego Manuel" src="http://gehspace.com/edicao%2015%20imagens/sweet-girl_diegomanuel.jpg" alt="Diego Manuel - Sweet Girl" width="200" height="248" /><p class="wp-caption-text">Sweet-girl por Diego Manuel</p></div>
<p style="text-align: center;">Géh e Léh esperam um bebê! Como editora          deste espaço, gostaria de partilhar com vocês algumas informações          úteis para gestantes.</p>
<p><strong>Tipos de Parto</strong></p>
<p>É comum encontrarmos artigos, ou mesmo cursos de preparação          para gestantes, focados na questão dos &#8220;tipos de parto&#8221;,          que geralmente acabam artificialmente classificados da seguinte forma:</p>
<p>Parto Normal</p>
<p>Parto Vaginal</p>
<p>Parto Natural</p>
<p>Parto Fórceps</p>
<p>Parto de Cócoras</p>
<p>Parto na Água</p>
<p>Parto Humanizado</p>
<p>Parto sem Dor</p>
<p>Parto Leboyer</p>
<p>Cesariana</p>
<p>Em primeiro lugar, devemos pensar o seguinte: é          possível classificar partos antes deles acontecerem?</p>
<p>Em segundo lugar: mesmo que fosse possível, é coerente achar          que partos, nascimentos, bebês, mulheres possam ser classificados          por tipos? Vamos fazer um balanço da história recente da          obstetrícia, para entender porque e como os partos foram classificados.</p>
<p>A separação dos partos por tipos aconteceu em decorrência          do nosso sistema obstétrico. Desde que o atendimento passou a ser          hospitalar, feito exclusivamente pelos médicos, em macas horizontais,          com as mulheres em posição ginecológica, a classificação          ficou óbvia: &#8220;Parto Normal&#8221; ou &#8220;Cesariana&#8221;.          Não havia alternativa. Se a mulher não conseguia dar à          luz nessas condições padronizadas, ia para a cesárea.</p>
<p>As condições padronizadas sob as quais as mulheres deveriam          tentar o &#8220;Parto          Normal&#8221; eram: separação do          companheiro ou qualquer acompanhante, salas de pré-parto coletivas          sem qualquer privacidade, impossibilidade de livre movimentação,          soro com hormônios para acelerar as contrações e portanto          encurtar o trabalho de parto, período expulsivo com a mulher deitada          de costas, pernas amarradas a suportes, comandos para fazer força,          enfermeiras empurrando a barriga da mulher, entre outras situações          que variavam de serviço para serviço. Convém lembrar          que em muitos hospitais do Brasil essa ainda é a regra, infelizmente,          indo contra todas as recomendações da Organização          Mundial da Saúde.</p>
<p>Eventualmente o parto ficava difícil e havia a aplicação          do fórceps alto (um instrumento que consiste de um par de colheres          metálicas), que buscava a cabeça do bebê no canal          de parto para puxá-lo para fora. Essas experiências eram          traumáticas para a mãe e com freqüência lesavam          irreversivelmente o bebê. Era o &#8220;Parto Fórceps&#8221;          ou ainda &#8220;Parto a Ferro&#8221;. Hoje em dia caiu em desuso e os médicos          agora usam o &#8220;fórceps de alívio&#8221;, quando o bebê          já está mais baixo no canal de parto. Usado com parcimônia          seria um excelente recurso para acelerar o período expulsivo em          casos de emergêcia ou sofrimento fetal, lembrando que estas são          ocorrências extremamente raras em partos de baixo risco. O uso rotineiro          é desconselhado, o que vale para qualquer intervenção          médica em um processo natural e fisiológico.</p>
<p>A partir da década de 70 o mundo inteiro testemunhou inúmeros          movimentos pelo resgate do parto como um evento social, afetivo e familiar.          Aqui e ali surgiram obstetras preocupados com o excesso de medicalização          e grupos de consumidoras que lutavam por melhores condições          para darem à luz seus bebês.</p>
<p>Na França, Leboyer foi um dos expoentes desse movimento e advogou          uma forma mais amena de se nascer: pouca luz, silêncio, sem violência,          banho do bebê perto da mãe, amamentação precoce.          No entanto seu foco era o bebê, não a mulher. Geralmente          esta estava deitada de costas, pernas em estribos e o uso da episiotomia          era rotina. De qualquer forma, por seu pioneirismo, pela qualidade de          nascimento oferecida ao bebê &#8211; mais do que pela qualidade de experiência          de parto oferecida à mãe &#8211; no mundo inteiro esses partos          ficaram conhecidos por &#8220;Parto Leboyer&#8221;.</p>
<p>Ainda na França, na cidade de Pithiviers, Michel Odent, entre várias          inovações dignas de mérito, começou a usar          banheira com água quente para o conforto das parturientes. De lá          para cá, o &#8220;Parto na Água&#8221; tem sido utilizado          no mundo inteiro, em banheiras especiais ou improvisadas. Nas maternidades          européias as banheiras são oferecidas às parturientes          tanto para o alívio das dores do trabalho de parto, como para o          parto em si. Estudos científicos comprovam que o uso da água          quente no trabalho de parto é um excelente coadjuvante no combate          à tensão e à dor. No Brasil pouquíssimas clínicas          e médicos oferecem esse conforto às pacientes, infelizmente.</p>
<p>Onde havia liberdade para movimentação das mulheres, o &#8220;Parto          de Cócoras&#8221; ganhou terreno, por ser mais rápido, mais          cômodo para a mulher e mais saudável para o bebê, pois          não se produzia mais a compressão de importantes vasos sanguíneos,          o que acontece com a mulher deitada de costas. No Brasil o Dr. Moysés          Paciornik estudou comunidades indígenas e resgatou o parto verticalizado.          Criou com seu filho Dr. Cláudio Paciornik uma cadeira para ser          usada em hospitais, que permitia várias posições          para a mãe, sem comprometer o conforto do médico. Embora          não haja necessidade de cadeiras especiais para que a mulher assuma          essa posição, muitos profissionais afirmam que não          fazem partos de cócoras porque no hospital não existe &#8220;a          cadeira para parto de cócoras&#8221; à disposição.</p>
<p>Desde os anos 80, com a popularização das questões          ecológicas, e com os movimentos de resgate de uma vida mais saudável,          natural e espiritualizada, muitas mulheres passaram a optar pelo &#8220;Parto          Natural&#8221;, sem intervenções, sem anestesia e domiciliar          em muitos casos. No entanto o termo &#8220;Parto Natural&#8221; muitas vezes          tem sido utilizado como sinônimo de &#8220;Parto Vaginal&#8221;, o          que nem sempre é verdadeiro. Um parto vaginal com episiotomia,          rompimento artificial da bolsa d&#8217;água, aceleração          com soro, anestesia, raspagem dos pêlos, entre outras intervenções,          não pode ser classificado com o nome de &#8220;Parto Natural&#8221;.</p>
<p>O termo &#8220;Parto Sem Dor&#8221; tem várias conotações.          Os métodos psicoprofiláticos desenvolvidos especialmente          nos Estados Unidos propunham uma espécie de treinamento às          gestantes, baseado em técnicas respiratórias, de relaxamento,          de concentração, entre outas. A idéia geral é          que uma mulher bem preparada para o parto e bem acompanhada durante todo          o processo terá muito menos dor do que uma mulher assustada e tensa.          A idéia faz sentido, mas convém lembrar que a dor do parto          continua existindo, agora sem o sofrimento causado por medo e tensão.          Os métodos mais conhecidos são Bradley, Lamaze e Hipnobirth.</p>
<p>No Brasil &#8220;Parto Sem Dor&#8221; é comumente confundido com          parto sob anestesia. Obviamente a anestesia bloqueia a dor, mas também          diminui as sensações das pernas e do assoalho pélvico.          Essas sensações são responsáveis pela força          que a mulher faz na hora de &#8220;empurrar&#8221; o bebê para fora.          Portanto, embora haja o bloqueio a dor, alguns efeitos indesejáveis          como a perda do controle sobre o processo do parto, entre outros, podem          ocorrer. Em muitos serviços médicos a anestesia é          aplicada no final do trabalho de parto, já no período expulsivo,          de modo que o período de dilatação não se          passa sob efeito das drogas anestésicas. De qualquer modo, as formas          naturais de se lidar com a dor deveriam ser largamente oferecidos e utilizados          antes de serem aplicados os métodos farmacológicos de bloqueio          da dor.</p>
<p>Atualmente um novo termo tem sido utilizado: &#8220;Parto Humanizado&#8221;.          Como não houve uma formal definição do termo, ele          é usado em todo tipo de circunstância. Para o Ministério          da Saúde, parto humanizado significa o direito que toda gestante          tem de passar por pelo menos 6 consultas de pré-natal e ter sua          vaga garantida em um hospital na hora do parto. Para um grupo de médicos,          significa permitir que o bebê fique sobre a barriga da mãe          por alguns minutos após o parto, antes de ser levado para o berçário.          Em alguns hospitais públicos significa salas de partos individuais,          a presença de um acompanhante, alojamento conjunto, incentivo à          amamentação, entre outros benefícios.</p>
<p>&gt;No mundo inteiro, no entanto, o que está se discutindo é:          &#8220;o atendimento centrado na mulher&#8221;. Isso deveria ser o correto          significado de parto humanizado. Se a mulher vai escolher dar à          luz de cócoras ou na água, quanto tempo ela vai querer ficar          com o bebê no colo após seu nascimento, quem vai estar em          sua companhia, se ela vai querer se alimentar e beber líquidos,          todas essas decisões deverão ser tomadas por ela, protagonista          de seu próprio parto e dona de seu corpo. São as decisões          informadas e baseadas em evidências científicas.</p>
<p>Enquanto nós mulheres não reivindicarmos nossos direitos,          enquanto as decisões couberem aos profissionais prestadores de          serviços médicos, aos hospitais que elas escolheram, à          diretoria que cria as condições de atendimento, enfim, enquanto          deixarmos que os outros cuidem do que é nosso, os &#8220;tipos de          parto&#8221; fazem sentido. É a classificação dos          partos que nos serão permitidos ou oferecidos de acordo com as          necessidades, conveniências e crenças dos outros.</p>
<p><strong>Ana Cris Duarte</strong></p>
<p>&#8220;Republicado com autorização da          autora. Mais informações sobre o tema nos sites:<a href="http://www.amigasdoparto.com.br/" target="_blank">www.amigasdoparto.com.br</a>,          <a href="http://www.doulas.com.br/" target="_blank">www.doulas.com.br</a>,          <a href="http://www.maternidadeativa.com.br/" target="_blank">www.maternidadeativa.com.br</a></p>
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