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	<title>Sexualidade by géh &#187; homoerotismo</title>
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	<description>Sexualidade: artigos de pesquisa e entrevistas</description>
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		<title>Pesquisa de Campo</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 21:04:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 6 a 10]]></category>
		<category><![CDATA[homoerotismo]]></category>
		<category><![CDATA[homossexualismo]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade masculina]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica          Hellmann</p>
<p align="left">As cores, as texturas, a decoração,          a <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/pesquisa-de-campo/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a title="escreva para a editora" href="mailto:geh@gehspace.com">Géssica          Hellmann</a></strong></p>
<p align="left">As cores, as texturas, a decoração,          a iluminação fantástica. Ambiente pequeno e aconchegante.          Estava fascinada, cada detalhe me saltava aos olhos. Eu era praticamente          a única representante do sexo feminino.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><img title="Homens - Pastel por Géssica Hellmann - 2005" src="http://gehspace.com/edicao%209%20imagens/homens%20artigo.jpg" alt="Géssica Hellmann - Homens - arte sexualidade" width="400" /><p class="wp-caption-text">Homens - Pastel por Géssica Hellmann - 2005</p></div>
<p>Um ambiente completamente masculino. Às vezes me          olhavam, como se eu fosse &#8220;um objeto estranho&#8221;, que não          se encaixava naquele espaço. Mas não me intimidei. Meus          sentidos registravam tudo, para que nada me escapasse. Sim, era a primeira          vez que eu estava em um ambiente gay.</p>
<p>Não havia mesas livres. Mas isso não era          problema, um amigo nosso conversou com um pessoal que estava sentado,          perguntando se poderíamos ocupar a mesa para jantar quando eles          terminassem a refeição. Prontamente concordaram. Aguardamos.</p>
<p>Risos, burburinho, música, corpos em movimento.          E o melhor de tudo, não havia engraçadinhos com cantadas          chulas ao pé do meu ouvido. Eu estava livre para observar sem ser          incomodada. Com a mesa desocupada, fomos jantar.</p>
<p>Algo notável era a forma como abordavam uns aos          outros. Tocavam-se o tempo todo. A facilidade de se fazer amigos, demonstrar          o interesse pelo outro, sorrisos, olhares, abraços. Uma característica          forte masculina (independente da opção sexual), de estar          com um (a) parceiro (a) e mesmo assim se sentir fortemente atraído          por outro (a), era perceptível. Não faziam questão          de esconder. Talvez por serem homens, sabiam e entendiam esta necessidade,          melhor do que nós mulheres.</p>
<p>O cuidado na aparência, cabelos bem cortados, físicos          bem definidos, corpos malhados. O vestuário consistia na sua maioria          de camisetas T-shirt e calça jeans. Impecáveis. Sem esquecer          dos acessórios, como gargantilhas e anéis, mas sem excesso.</p>
<p>Outro fator que pude observar: o modo como se tocavam.          A bolinação era constante, um agarrava a bunda do outro          abertamente, a fim de demonstrar interesse. Toques fortes, com pressão          masculina.</p>
<p>O beijo! Não posso esquecer do beijo. Fico a imaginar          a sensação. Homem costuma beijar de forma mais bruta, a          mulher já costuma ser mais suave. Beijos entre um casal gay têm          uma sensual brutalidade.</p>
<p>Por fim, o inevitável. A vontade suprema de ir ao          banheiro. Ao percorrer o caminho, cercada por homens, fiquei a imaginar          se existiria na boate um banheiro feminino. Encontrei. &#8220;Feminino&#8221;          não seria bem o termo a definir, havia uma fila e uma entrada para          os sanitários, um deles com uma placa, indicando &#8220;feminino&#8221;.          Como era de se esperar, ambos usados por homens. Havia uns cinco homens          à minha frente. Com extrema gentileza, permitiram que eu passasse          à frente.</p>
<p>Pude perceber que os gays tem grande cuidado com a aparência,          procuram ser discretos em ambientes externos, mas em ambientes fechados          são extremamente expansivos, comunicativos, e acima de tudo: o          toque predomina durante todo o diálogo.</p>
<p>Enfim, não havia bichos-papões: somente uma          expressão de sexualidade diferente da que estava habituada a observar.          Nada como a observação direta para remover quaisquer resquícios          de preconceitos infundados.</p>
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		<title>Homossexualidade</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 20:23:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 6 a 10]]></category>
		<category><![CDATA[homoerotismo]]></category>
		<category><![CDATA[homossexualismo]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>A homossexualidade ainda é percebida, especialmente          entre leigos, como um estigma, uma doença ou, o que pode ser <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/homossexualidade/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A homossexualidade ainda é percebida, especialmente          entre leigos, como um estigma, uma doença ou, o que pode ser pior,          uma demonstração de sem vergonhice propositadamente cometida.</p>
<p>O aspecto mais básico do problema é o educacional, pois          a sexualidade ainda é percebida como algo de sujo, de ruim, de          vergonhoso, especialmente no que diz respeito às suas manifestações          entre as minorias sexuais.<br />
Claro que, se transmitimos a uma criança a idéia          de que o homoerotismo é uma distorção, será          muito difícil que, mais tarde, ela possa desenvolver uma visão          menos preconceituosa sobre o assunto.</p>
<p>Estudos demonstram que crescer é basicamente uma questão          de moldagem, de ajuste a uma sociedade. É um processo vital, pois          nenhum de nós poderia sobreviver por muito tempo sem ser membro          de algum grupamento social.</p>
<p>Se os estereótipos culturais dessa sociedade forem demasiadamente          rígidos, eles impedem o crescimento dos seus membros, instalando-se          a estagnação. Observa-se que tal rigidez pode mutilar a          mente dos indivíduos de forma tão grave e permanente como          o costume de atar os pés mutilava antigas gerações          de mulheres chinesas.</p>
<p>No entanto, se os estereótipos forem amorfos demais, a sociedade          fracassa em prover seus membros dos meios necessários para a cooperação          e, em pouco tempo, se desintegra.</p>
<p>A tendência dos estereótipos culturais em resistir à          mudança é essencial para a manutenção da sociedade,          mas a flexibilidade é fundamental para a saúde, tanto da          sociedade quanto de seus membros.</p>
<p>É essa flexibilidade que oferece a oportunidade de se atingir o          &#8220;ponto-chave&#8221; de compreensão diante de novos conceitos          e acontecimentos. E é justamente em sua ausência que as incompatibilidades          quanto à homossexualidade repousam e criam seus mais diversos modos          de encará-la, e por que não dizer, de abordá-la.</p>
<p>Sendo o Homem um ser bio-psico-social, enquanto &#8220;bio&#8221;, podemos          entender que ele nasce, entre outras, com as características fisiológicas,          que faz indivíduos homens ou mulheres. É enquanto &#8220;psico&#8221;          que ele aprende a expressar, isto é, a transmitir a sua sexualidade          dentro de um contexto. E é o componente &#8220;social&#8221; propriamente          dito que determina a obrigação de que as pessoas do sexo          masculino comportem-se como &#8220;machos&#8221;, enquanto as do sexo feminino          devem ser &#8220;femininas&#8221;. Portanto, quando o ser humano se percebe          portador de desejo por outro do mesmo sexo, ele entra em dissonância          (crise), porque aquilo que ele sente não combina com o que é          determinado socialmente.</p>
<p>A questão da escolha afetiva é determinada e aceita, socialmente,          a partir da heterossexualidade. A mulher deve escolher o homem, o homem          deve escolher a mulher, e essa escolha deve dar prazer, ser satisfatória          e coerente. E é justamente aí que reside a incoerência,          pois a escolha de parceria afetiva é individual, pessoal.</p>
<p>Neste sentido, a homossexualidade se caracteriza pela opção          por parceria afetiva do mesmo sexo, isto é, escolha de objeto amoroso          e não de um modo de vida.</p>
<p>A confusão entre escolha de objeto amoroso e escolha de um modo          de vida representa grande parte do sofrimento emocional que experimentam          as pessoas que têm dificuldade em conciliar a sua orientação          sexual com o contexto social. Ou seja, se a homossexualidade é          vivida como a escolha de um modo de vida, ela tende a se manifestar em          todas as áreas de inter-relação do indivíduo.</p>
<p>No entanto, por temerem antagonismos ou rejeitação por sua          condição homoerótica, os homossexuais empreendem          um enorme esforço no sentido de expressá-la apenas nos &#8220;guetos&#8221;,          tentando escondê-la em outras situações do cotidiano.          Ou, ainda, podem adotar uma outra atitude: a luta incessante pela aceitação          social de sua opção sexual.</p>
<p>O que podemos afirmar é que não existe uma forma homossexual          de lidar com o mundo, de ver a realidade, que não seja a estereotipada          ou estigmatizada, ditada a partir da heterossexualidade. Exemplo disso          é acreditar que o homossexual assumido é aquele que expressa          características do sexo oposto.</p>
<p>Ora, se o conceito de homossexualidade nos diz que essa condição          é a escolha amorosa por alguém do mesmo sexo, o ato de assumir          características do sexo oposto, neste caso, é uma reprodução          (ainda que inconsciente) do modelo heterossexual, em que, para se formar          uma parceria, um membro deve ter as características de homem e,          a outra pessoa, as de mulher.</p>
<p>O que se deve ponderar, quando necessário, é o uso que a          pessoa faz da sua sexualidade. É nesse uso que podemos nos deparar          com prostituição, comportamentos sexuais bizarros, ligações          de dependência patológica, por exemplo.</p>
<p>A resolução quanto à própria sexualidade reside          no fato de perceber-se capaz de seduzir, ser seduzido, e, principalmente,          poder discriminar, nessas situações, com quem se deseja          um envolvimento maior pelo nível de satisfação e          prazer que essa escolha amorosa possa proporcionar.</p>
<p>Sob esta ótica, a homossexualidade pode ser considerada uma variante          normal do comportamento sexual, assim como outras diferenças inerentes          à condição humana.</p>
<p>Margareth de Mello F. dos Reis</p>
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		<title>Vida dentro do armário</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 13:22:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 1 a 5]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Sexualidade homoerótica ainda é reprimida, apesar de tudo. Uma espiada pelas frestas da porta do armário revela dramas e alegrias humanas de gente como todo mundo&#8230; Com <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/vida-dentro-do-armario/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Sexualidade homoerótica ainda é reprimida, apesar de tudo. Uma espiada pelas frestas da porta do armário revela dramas e alegrias humanas de gente como todo mundo&#8230; Com preferências, desejos e prazeres &#8211; e também dores, conflitos e angústias. Gente que ama, sente e vive o seu prazer como mandam os seus corpos e mentes</em>.</p>
<p>Foi mais difícil no começo, admitir pra mim mesmo que não era igual aos outros. Por algum tempo, me enganei com raciocínios como &#8220;é uma fase&#8221; ou &#8220;se nunca transei com mulheres, não tenho como saber&#8221;, etc. No entanto, algumas experiências decepcionantes com o sexo oposto me fizeram cair na real. O que facilitou muito a minha vida foi a Internet, onde pude conversar com outros adolescentes que passavam pela mesma situação, mantendo o anonimato.</p>
<p>Foi também graças à Internet que consegui minha primeira experiência homossexual com um rapaz de outra cidade. Não foi muito boa, mas precisava confirmar. Esse negócio de &#8220;confirmar&#8221; orientação sexual é uma bobagem, percebi, porque muito antes de ter qualquer tipo de contato físico com homens ou mulheres, já sabia do que gostava só de olhar (homens são visuais).</p>
<p>No meu caso, foi mais difícil admitir pra mim mesmo do que para os outros. Uma vez vencidos os meus próprios preconceitos, os dos outros ficaram fáceis. Mas isso porque eu dei sorte, e venho de uma família de pessoas esclarecidas. Meus amigos também aceitaram bem, alguns se afastaram, mas a maioria permanece fiel.</p>
<p>Sei que muitos homossexuais vêm de famílias preconceituosas ou trabalham em ambientes homofóbicos. Nesses casos, o armário é uma prisão segura. Não entendo esse negócio de ter que sair do armário. Vida sexual é um assunto privado, não deveria ser da conta dos outros. Imagine se todo mundo que gosta de apanhar durante o sexo recebesse um rótulo e fosse identificado por ele? &#8220;Olha lá, um masoquista!&#8221;.</p>
<p>Mas o pior é fingir ser o que não é. Por exemplo, o cara pode se casar e ter três filhos, lá pelos 40, vem a crise masculina da meia-idade, ele se pergunta: &#8220;O que estou fazendo da minha vida?&#8221;. Em seguida, começa a freqüentar &#8220;saunas masculinas&#8221;, escondido da esposa. Quanto mais o cara espera, mais difícil fica pra sair. Há muito mais coisas em jogo: emprego, família, reputação. Tenho um amigo de São Paulo que tem 3 filhos. A mulher dele, quando casou, sabia que ele preferia homem, mas eles se casaram assim mesmo. Os filhos sabem da preferência do pai e, pra eles, é normal.</p>
<p>No armário, eu era mais revoltado. Quando se é parte de uma minoria oprimida qualquer, surge um sentimento de cumplicidade com outras minorias na mesma situação. Logo, quando se abandona o preconceito em relação ao próprio desejo, abandonam-se também outros preconceitos, como os de racismo, religiosos, políticos e assim por diante.</p>
<p><em>JWK, 25 anos, catarinense.</em></p>
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