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	<title>Sexualidade by géh &#187; maternidade</title>
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	<description>Sexualidade: artigos de pesquisa e entrevistas</description>
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		<title>A peste emocional na maternidade</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Feb 2009 18:02:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[gravidez]]></category>
		<category><![CDATA[maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[parto normal]]></category>
		<category><![CDATA[peste emocional]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Quem acompanha o a história deste portal de arte, sexualidade e corporalidade, deve ter percebido que estamos alterando a estrutura do site estático e migrando todo o <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2009/02/11/a-peste-emocional-na-maternidade/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem acompanha o a história deste portal de arte, sexualidade e corporalidade, deve ter percebido que estamos alterando a estrutura do site estático e migrando todo o conteúdo de mais de 500 mil palavras para uma estrutura de blog. Desta forma, facilitando a publicação de novos conteúdos e permitindo uma melhor interação com os leitores. </p>
<p>Iniciei este portal em 2005, nesse meio tempo tive um filho lindo, que hoje está com dois anos e dez meses, engravidei de meu segundo filho que nasceu a pouco mais de dez dias. O primeiro parto foi cesárea, já o segundo parto normal. </p>
<div id="attachment_522" class="wp-caption aligncenter" style="width: 303px"><img src="http://gehspace.com/sexualidade/wp-content/uploads/2009/02/lawrence-buttigieg-pregnante-girl-red-background.jpg" alt="Pregnante girl red background por Lawrence Buttigieg" title="Pregnante girl red background por Lawrence Buttigieg" width="293" height="440" class="size-full wp-image-522" /><p class="wp-caption-text">Pregnante girl red background por Lawrence Buttigieg</p></div>
<p>Neste artigo quero contar a experiência que tive com a gestação e parto do meu segundo filho. Foi uma gestação calma até os quatro meses, quando comecei a ter alguns desmaios súbitos. Fiz alguns exames e nada indicava o que poderia exatamente a causa. Durante dois meses esses desmaios continuaram acontecendo, principalmente quando eu caminhava em dia ensolarado. Minha pressão que sempre foi baixa despencava. Meu médico percebeu uma pequeno aumento de anemia, muito comum em gestantes. Aumentei a dose de sulfato ferroso e minha situação se nornalizou. </p>
<p>Fiz todo o pré-natal pelo SUS, apesar da desorganização geral do sistema único de saúde, fui razoavelmente bem atendida durante o pré-natal. O parto decidi que desta vez faria pelo SUS, na maternidade Darci Vargas, alguns anos atrás considerada a melhor do país, por possuir o menor índice de óbito fetal.</p>
<p>Quando completei 39 semanas e 5 dias de gestação senti minha primeira contração. Sabia que estava próximo, agora era só aguardar o nascimento tão esperado. Pouco sabia que passaria por emoções tão fortes e conflitantes. Reproduzo abaixo o diário das horas que passei desde a chegada a emergência até a alta do hospital.</p>
<p><strong>18:00hs &#8211; 30/01:</strong><br />
Fui a emergência da maternidade Darci Vargas, pois pela última ultra-som que eu havia feito já havia completado 40 semanas de gestação. Fui bem atendida na recepção da emergência, na triagem e pela médica de plantão. A médica me examinou e disse que aparentemente estava tudo bem com o bebê e que eu já estava com 1,5cm de dilatação. Pediu que eu retornasse na manhã seguinte e realizasse dois exames: eletrocardiograma e ultra-som.</p>
<p>04:00hs as 13:00hs– 31/01:<br />
Em casa comecei a sentir as primeiras contrações e percebi que havia “vazado” um pouco do líquido amniótico. Aguardei até as 05:30 quando resolvi voltar a emergência. Fui atendida novamente pela mesma médica da noite anterior, ela me informou que a dilatação havia aumentado, me aconselhou a voltar para casa e tomar um café da manhã reforçado e então retornar por volta das 8:00 para fazer os exames. Fiz o que me recomendou. Quando retornei a emergência, as contrações e as dores já haviam aumentado. Fui pessimamente atendida pela recepcionista (uma mulher de pele escura e cabelos curtos), que nem olhou para mim, me ignorou por 20 minutos no balcão de atendimento enquanto “conversava com os seguranças e fazia crochê”.  Finalmente perguntou meu nome, meu endereço, minha religião, meu grau de escolaridade&#8230; tudo e menos o que realmente importava: como eu estava me sentindo e o que porque eu havia procurado a emergência. Me fez aguardar na recepção. Fui atendida então pela triagem, que me recebeu bem e disse que retornasse até a sala de recepção. Somente as 10 horas, com as contrações cada vez mais doloridas e menos espaçadas, fui levada para fazer o eletrocardiograma. Novamente volto a recepção e aguardo até as 12:00hs para já me contorcendo de dor, quase sem conseguir caminhar, atravessar os corredores até a sala de ultra-som. Fiz a ultra-som e pediram que aguardasse novamente na recepção da emergência até uma médica poder atender. Várias gestantes percebendo o meu sofrimento, tentaram dar o seu lugar para que a médica me atendesse antes, sendo completamente ignoradas pela auxiliar de enfermagem. As 13:00 fui atendida pela médica de plantão. A médica, muito grossa, impaciente, indiferente a dor que eu estava sentindo,  me machucou ao tentar verificar com quanto de dilatação eu estava usando uma luva sem gel. Então finalmente resolveu me encaminhar para a sala de pré-parto, pois eu já estava com 4 cm de dilatação. </p>
<p><strong>13:30hs as 18:00hs aproximadamente &#8211; 31/01:</strong><br />
No pré parto fui muito bem recebida, com atenção e muito carinho por todos. O mesmo tenho a dizer do pessoal da analgesia e da obstetra na sala do parto. Foi um parto sem dor, a pesar da criança ter nascido com mais de 3,900 kg. A pediatra que acompanhou o parto me informou que a criança estava bem e que por nascer com o peso superior a 3,900kg ela teria que fazer alguns exames de controle de glicose nas primeiras 48 horas.  Após o parto, fui enviada ao berçário, recebi uma sopa como alimentação, já que não comia nada desde as 7:00 da manhã.</p>
<p><strong>A primeira noite de internação:</strong><br />
Uma auxiliar de enfermagem de cabelos curtos pintados “ruivos”, veio buscar a maca onde me encontrava com meu filho recém nascido. Neste momento minha mãe estava ao nosso lado. Esta enfermeira grosseiramente exigiu que minha mãe empurrasse a maca para que ela guiasse pelos corredores. Minha mãe por ser deficiente auditiva, não entendia direito o que esta auxiliar de enfermagem resmungava. Até o momento que ela novamente ordenou que minha mãe empurrasse com mais força e de forma mais rápida a maca para que ela não precisasse fazer força. Foi quando chamei a atenção desta enfermeira dizendo que minhã mãe era deficiente auditiva. Simplesmente amarrou a cara e se quer pediu desculpas pela grosseria feita com minha mãe. Minha mãe estava somente me acompanhando naquele momento, não era funcionária da maternidade. Ao chegar ao quarto, esta mesma auxiliar de enfermagem “ruiva” começou a apertar minha barriga, dizendo que tinha que colocar no lugar e pediu que eu relaxasse, mas eu sentia uma enorme vontade de urinar e pedi para ir ao banheiro. Me ignorou. Outra enfermeira entrou esse momento e percebeu que minha bexiga estava cheia, de forma que eu não conseguiria “relaxar” para a outra enfermeira por meu útero no lugar ou seja lá o que ela pretendia. Me ajudou a sentar na cama e disse que isso facilitaria, pediu para esperar um pouco e se eu não estivesse me sentindo tonta que eu poderia ir ao banheiro e saiu do quarto.  Como estava realmente me sentindo forte e bem, e com muita vontade de urinar, pedi a minha irmã que me acompanharia a noite que me auxiliasse. Aproximadamente uma hora depois a mesma enfermeira “ruiva” volta ao quarto e perguntei se eu já poderia tomar um banho, disse que sim mas que eu não podia lavar a cabeça. Bom esse já é meu segundo filho, e minha primeira obstetra disse que banho e água limpa não fazem mal a ninguém. Com a ajuda da minha irmã, fui ao banho. Quando ainda me banhava a enfermeira abre o box do chuveiro e reclama que eu lavei a cabeça. Lavei-me, não sentia dor, nem tontura, somente um pouco cansada o banho me fez bem. (No dia seguinte questionei a obstetra e ela disse que não havia problema algum em tomar banho após o parto, que era extremamente saudável).  Já se passava das 21:00hs quando finalmente percebemos que não havia acomodação mínima para as acompanhantes no quarto onde estávamos (número 1). Havia três mães no quarto e três acompanhantes e somente uma cadeira. Como a maternidade nos proporcionava direito a um acompanhante, o mínimo esperado era uma cadeira para passar os próximos dias. Minha irmã foi ao posto de enfermagem perguntar onde poderia conseguir uma cadeira para ela e para a acompanhante do leito 2. A resposta que recebeu é que “não tinha cadeira disponível.”</p>
<p>Na volta para o nosso quarto 1 onde nos estávamos ela percebeu vários quartos desocupados com mais de uma cadeira disponível. Questionou as duas enfermeiras de plantão sobre a possibilidade de conseguir as cadeiras disponíveis nos quartos não utilizados e também foi ignorada. Até que finalmente a auxiliar de enfermagem “ruiva” disse que “a direção do hospital não permitia que fossem removida as cadeiras dos quartos, e se o nosso quarto não tinha ela não podia fazer nada. E se não bastasse fez o seguinte comentário: “Não sei pra que acompanhante, não deveria ter acompanhante”. A falta de humanidade com o trato com as pacientes era evidente. Onde estava o respeito ao próximo? Caso estivéssemos sozinhas ficaríamos reféns a esse tipo de ser humano? Passou-se algumas horas até que encontramos de passagem no corredor uma alma caridosa que nos conseguiu duas cadeiras. </p>
<p><strong>Os próximos dias:</strong><br />
A equipe responsável pela limpeza costumava entrar falando alto não respeitando o sono dos bebês. O pessoal responsável pela alimentação também deixava a desejar no trato com as pacientes, obrigava-nos a comer em menos de 30 minutos (principalmente na hora da janta) porque precisavam fechar a cozinha, sem se importar se estávamos ou não amamentando nossos filhos nesse momento. </p>
<p>Na manhã do dia 01 de fevereiro recebi a visita da obstetra que foi muito atenciosa e disse que se tudo ocorresse bem no que dependesse dela eu estaria de alta na manhã da segunda feira. No dia seguinte recebi a visita bem cedo da obstetra que me deu alta. Aguardei ansiosa a visita do pediatra para dar alta a meu filho. No dia do parto, como dito anteriormente me avisaram que meu filho faria os testes de controle de glicose, todos deram normais, a meu ver nada mais me impedia de ir embora, somente esperava a visita do pediatra para avaliação final. Horas depois o Dr. Marcelo, pediatra (nome este informado posteriormente por outra funcionária do hospital), um jovem pediatra veio examinar meu filho, disse que aparentemente estava tudo bem com o bebê e só precisava confirmar os dados referente ao peso, disse-me que iria até o pronto atendimento e voltaria em seguida para terminar a avaliação. Fiquei aguardando a volta que não aconteceu. Passou-se do meio dia e nada. Chegou ao final da tarde e nada dele aparecer, fui várias vezes indagar no pronto atendimento onde estaria o pediatra para terminar a avaliação do meu filho e nada. Sempre respostas do estilo “eu acho que ele está não sei a onde”, “assim que ele voltar ele vai provavelmente vai ao seu quarto”&#8230;  Até que me alterei, entrei em crise depressiva pois mais uma vez a funcionária que trazia a janta foi ríspida ao dizer que precisávamos comer em menos de 30 minutos porque ela viria recolher a bandeja. A comida já não descia, eu estava exausta, queria uma resposta e não “achismos” de vários funcionários que eu interpelei. Queria o direito de receber o parecer médico quanto a situação do meu filho. Porque ainda estavam nos mantendo lá? O que havia de errado? Então ao ver que eu não estava bem, enviaram outra pediatra que não podia “avaliar a situação do meu filho”, segundo ela somente o Dr. Marcelo poderia dar alta. E que provavelmente eu ficaria 72 horas no hospital, ou seja mais um dia inteiro naquela situação de stress. Meu marido chegou nesse meio tempo, contei a ele o que estava acontecendo, foi quando ele resolveu procurar a direção do hospital, que coincidentemente é o pediatra do meu outro filho: Dr. Paulo Furlanetto. O meu marido perguntou a ele qual o porcentagem considerada normal por perda de peso do recém nascido após 48 horas: ele prontamente respondeu 10%, ou seja, meu filho poderia perder até 390 gramas que seria considerado normal. Perguntou também como era o procedimento para dar alta e questionou que o médico não terminou a avaliação. Ele disse que o pediatra deveria passar no das 09:00hs até as 12:00hs obrigatoriamente. Passamos mais uma noite, eu e meu filho na maternidade. Nesta mesma noite recebemos duas visitantes: duas baratas, uma apareceu em cima da cama do leito 2 e outra no chão próximo a porta. Foi um susto danado e desagradável. Porque já estávamos aguardando as três mães internadas no quarto 1 a tanto tempo,  ansiosas pela visita dos pediatras para recebermos alta, o stress causado pelo péssimo tratamento por parte dos funcionários que trabalham na internação, que baratas só vinham a confirmar: aquele não era o melhor lugar para manter-nos saudáveis. </p>
<p><strong>05:40 do dia 03/02:</strong><br />
Comecei a sentir dor e cólicas, foi quando percebi que desde que havia “recebido alta” na manhã do dia 02 não havia mais recebido remédios. Fui procurar uma enfermeira e disse a ela que estava sentindo dor se podia me ajudar. A enfermeira em questão era uma mulher negra, de cabelos amarrados, me olhou com cara feia e disse que não podia fazer nada e que não era hora de “remédio”. Então eu disse que estava com muita dor, e não tomava remédio desde o dia anterior, provavelmente porque havia recebido alta. Então ela me disse você devia ter ido ao “postinho” quando recebi alta e pedir os remédios que o médico certamente havia receitado. Eu respondi, como poderia ter ido se meu filho ainda não recebeu alta? Me ignorou e seguiu seu caminho. Se não fosse uma acompanhante do quarto onde eu me encontrava, que tinha em sua bolsa um paracetamol, eu ficaria sentindo dor indefinitivamente. </p>
<p>Finalmente amanheceu e uma enfermeira, que não recordo o nome, muito querida e atenciosa apareceu para ajudar no banho dos bebês. Disse que logo o pediatra deveria aparecer para avaliar os bebês. Já eram 10:00hs da manhã e o pediatra ainda não havia aparecido. Meu marido já estava ao meu lado neste momento. 11:35hs a enfermeira chefe vem ao nosso quarto querendo saber qual o que havia acontecido, pois havia recebido informações da diretoria de insatisfação por parte de paciente. Escutou nossas insatisfações e nos aconselhou a responder ao questionário de avaliação dos serviços prestados pelo hospital. Uma pediatra chega logo após e da alta ao meu filho. Finalmente saímos da prisão, estávamos livres.</p>
<p><strong>A peste emocional na maternidade</strong>: um ambiente pós parto que era para ser de pura felicidade, pois concebemos uma vida nova, com muito amor, alegria e também esforço físico e emocional. percebo a misoginia de mulher contra mulher, a neurose embutida em cada ato, cada ataque verbal. Um ambiente que necessita de aconchego e carinho para mãe e o bebê, transformado aos poucos em cárcere privado. Pessoas não preparadas para trabalhar no trato com seres humanos, pessoas que não sabem o valor do amor ao próximo. </p>
<p>Hoje livre, cansada e feliz , 11 dias após o nascimento de meu filho fui ao pediatra efetuar uma consulta de rotina. Ele está ótimo e saudável. Mais uma ser iluminado, uma fonte de alegria para compartilhar nossas vidas.</p>
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		<title>Maternidade e Paternidade uma missão de amor</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 18:18:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[edições 86 a 90]]></category>
		<category><![CDATA[maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[paternidade]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann e Alexis Kauffmann</p>
<p>Como dizia Wilhelm Reich, a procriação não é finalidade da sexualidade, como muitos afirmavam na época, mas faz parte dela. Hoje falaremos sobre <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/maternidade-e-paternidade-uma-missao-de-amor/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Géssica Hellmann e Alexis Kauffmann</p>
<p>Como dizia Wilhelm Reich, a procriação não é finalidade da sexualidade, como muitos afirmavam na época, mas faz parte dela. Hoje falaremos sobre maternidade e paternidade. Um texto escrito a quatro mãos e três corações.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 414px"><img title="Martin adormecido - acrílico sobre tela - Géssica Hellmann" src="http://gehspace.com/edicao%2089%20imagens/Martin%20adormecido_copy.jpg" alt="Martin adormecido por Géssica Hellmann" width="404" height="402" /><p class="wp-caption-text">Martin adormecido - acrílico sobre tela - Géssica Hellmann</p></div>
<p>Junho de 2005 foi quando decidimos que queríamos ter um filho. Corre-corre atrás de plano de saúde, de informações sobre pré-parto, ginecologista-obstetra. Um sentimento crescente de amor dentro do peito.</p>
<p>Meses se passaram, e já no final de agosto, sabendo que minhas regras estavam com uma semana atraso, eu e meu marido fomos fazer um passeio no shopping aqui perto de casa. Lá ele entra por impulso em uma farmácia e compra um kit de teste de gravidez.</p>
<p>Lá fui eu ao banheiro do shopping para fazer o teste. O nervosismo e a ansiedade eram tão grandes que não consegui fazer o teste. Senti algumas gotas de sangue saindo de mim. Abalada, com lágrimas nos olhos e o coração apertado corri para os braços de meu marido. Sentia-me frustrada. Ele carinhosamente me aninhou e me levou pra casa.</p>
<p>Após algumas horas, já mais calma, ele me pede para fazer o teste, mesmo que minha menstruação aparentemente tivesse descido, &#8220;para saber como é que se faz&#8221;. Fiz o teste e não acreditava no resultado que aparecia no visor. Chorei, ri, vibrei e senti algo muito maior dentro de mim. Positivo era o resultado. Sim eu estava esperando um filho, o fruto de nosso amor.</p>
<p>Como pais de primeira viagem, surgiram as primeiras dúvidas, será que seriamos bons pais? Trazer uma criança à vida ao mundo atual é certamente uma grande responsabilidade. Um fato era certo: ele havia sido planejado, esperado e amado mesmo antes de ser feito. O amor superava todos os receios.</p>
<p>Sentia uma energia nova, uma vida nova se formava em meu ser. Já não era somente eu, éramos dois e três ao mesmo tempo.</p>
<p>Mesmo após o resultado positivo obtido pelo teste adquirido na farmácia, continuava um pequeno corrimento de sangue, que nos preocupava. Saímos a procura de obstetras para acompanhar o pré-natal. A primeira médica que fomos solicitou vários exames e me receitou um medicamento de uso ginecológico. Mal olhou na minha cara e disse que não acreditava em testes de farmácia.</p>
<p>Anjos da guarda existem! Meu marido comprou o remédio prescrito e me entregou, pouco antes de usa-lo resolvi fazer algo que não é de meu costume: ler bula de remédio. E lá dizia &#8220;Não deve ser utilizado durante a gravidez e a amamentação. Informe seu médico se ocorrer gravidez ou iniciar amamentação durante o uso deste medicamento&#8221;.</p>
<p>Guardo o remédio até hoje, não sei exatamente o motivo, talvez para lembrar-me sempre destes anjos que nos acompanham. Fomos a outros médicos, até encontrar um em quem sentimos confiança.</p>
<p>O teste de laboratório confirmou a gravidez. Um novo ser crescia dentro de mim. No primeiro mês meu filho escolheu seu nome. Sim é dele o mérito. Seria Martin. Como já sabia que era um menino? Impossível explicar, mas já o sabíamos. Nosso lado racional nos pedia para escolher um nome feminino, o fizemos, mas sem muita convicção.</p>
<p>A maternidade é maravilhosa, só o sabem que é mãe. Os preparativos dos meses a seguir, roupinhas, comprar o berço, a expectativa e, a cada dia, uma nova descoberta, uma nova sensação.</p>
<p>Senti-lo desenvolver-se dentro de mim foi fantástico. Cada ultra-sonografia uma emoção, um sentimento de incredulidade misturado com esperança. O pai emocionado brinca com palavras e rimas para expressar seu sentimento:</p>
<p>Amor de pai</p>
<p>&#8220;Tuas mamas amnióticas<br />
Ferem as trompas de Eustáquio<br />
Do teu homem mais neurótico<br />
Reduzido a batráquio<br />
Ciúme sente psicótico<br />
Como o empalador Valáquio<br />
Um desejo estrambótico<br />
Por teu útero terráqueo<br />
Isto não é um soneto<br />
Ângulo de hipotenusa<br />
Vértice ou longitude:<br />
Um amor que amiúde<br />
Envaidece minha Musa<br />
Sete notas de um cateto!&#8221;</p>
<p>Minha gravidez foi tranqüila, inicialmente com um pouco de anemia e um pequeno corrimento, que cessou após tratamento correto. Enjôo, só com creme dental. O pai cantava e tocava sua velha guitarra para nós. A mãe pintava seus quadros em meio a cores e emoções. Os meses se passaram, já estávamos na reta final&#8230; Ou inicial? Quase nada podia usar de meu guarda-roupa, a barriga imensa e imponente. A avó materna do Martin, chega ao Rio semanas antes do seu nascimento para acompanhar os pais de primeira viagem.</p>
<p>Sempre quis parto normal, mas minha médica argumentava falando sobre a dificuldade de encontrar leitos em boas maternidades (pelo menos, nas que meu plano de saúde cobria), e que, se fosse o parto fosse à noite ela não poderia realiza-lo. É a realidade aqui no Rio de Janeiro: violência, medo de assaltos e o que eu costumo chamar de &#8220;parto industrializado&#8221;.</p>
<p>Sim é verdade que os obstetras ganham mais em cesáreas, e também é verdade que são muito mais práticos para a maternidade aqueles que são realizados com hora marcada. A livre escolha da mãe é, muitas vezes, comprometida por essas inseguranças e por esta realidade.</p>
<p>Dia 18 de abril véspera do dia tão esperado. Quem conseguia dormir? Mala preparada, primeira roupinha que meu amor usaria quando viesse ao mundo. Vovó, mamãe e papai ansiosos pelo dia amanhecer. Jejum desde as 20:00 do dia 18, parto marcado para as 10:00 horas da manhã do dia 19 de abril.</p>
<p>Dores do pós-operatório não se comparavam a emoção de ter meu filho nos braços, meu guerreiro iluminado. Ser mãe vale a pena!</p>
<p>Curtir cada dia sua evolução, suas descobertas, seu olhar carinhoso com um sorriso maroto. Primeiros gestos expressivos, sua sinceridade em avaliar as pessoas. Um ser iluminado. Mesmo quando os pais sentiam-se cheios de dúvidas, sofrendo pressões no dia-a-dia, lá estava ele, sempre pronto para nos doar carinho e coragem para seguir em frente.</p>
<p>Nos questionamos sempre sobre sua educação para que tenha uma vida saudável, nesta sociedade com tantos preconceitos e tabus, com tantas neuroses enraizadas. Como pesquisadora em corporalidade e sexualidade, procuramos educar nosso filho para o amor ao próximo, para aprender a respeitar a diferenças, para uma sexualidade sadia e natural. Rezamos e agradecemos a Deus a cada dia pela oportunidade ser pais de um menino tão amado.</p>
<p>Aos três meses, já queria &#8220;andar&#8221; e percorreu sua primeira &#8220;maratona de um metro&#8221;. Filmamos, fizemos festa. Sim ele só tinha três meses, não era idade nem para engatinhar e já queria andar.</p>
<p>No aniversário do pai, em janeiro deste ano, ele o presenteou aprendendo a engatinhar e a percorrer toda a casa com uma rapidez incrível. No aniversário da mãe em março ele me acorda batendo palmas. Alegria única. Chama mamãe de &#8220;Mã&#8221; e papai de &#8220;Tdê&#8221;. Hoje, em seu primeiro aniversário, presenteou a avó e as tias que moram longe com um espetáculo de beijos pela webcam.</p>
<p>Ele é assim, nossa vida, nosso amor, nossa razão de ser e existir. Esta edição é dedicada ao Martin, nosso filho e amigo que completa hoje um ano de existência.</p>
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