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	<title>Sexualidade by géh &#187; michel foucault</title>
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	<description>Sexualidade: artigos de pesquisa e entrevistas</description>
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		<title>Scientia Sexualis</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 16:04:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 21 a 25]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
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		<category><![CDATA[michel foucault]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Géssica Hellmann</p>
<p class="wp-caption-text">Lovers Embracing, Folio from an Erotic Manuscript India, Madhya Pradesh, Malwa, South Asia circa (1660) (Detail) </p>
<p>Como já foi dito antes, o discurso sobre <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/07/scientia-sexualis/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Géssica Hellmann</em></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 438px"><img title="Lovers Embracing, Folio from an Erotic Manuscript India, Madhya Pradesh, Malwa, South Asia circa (1660) (Detail) " src="http://gehspace.com/edicao%2023%20imagens/M81_271_4.jpg" alt="Lovers Embracing, Folio from an Erotic Manuscript India, Madhya Pradesh, Malwa, South Asia circa (1660) (Detail)" width="428" height="382" /><p class="wp-caption-text">Lovers Embracing, Folio from an Erotic Manuscript India, Madhya Pradesh, Malwa, South Asia circa (1660) (Detail) </p></div>
<p>Como já foi dito antes, o discurso sobre o sexo          tem se intensificado, nos últimos três séculos, como          forma de implantação de um &#8220;controle da sexualidade&#8221;,          uma forma de controle populacional com objetivos políticos e econômicos.</p>
<p>Foucault afirma que Freud e outros cientistas teóricos,          em seus discursos sobre o sexo, não fizeram mais do que ocultar,          considerando as análises detalhadas, referindo-se sobretudo às          aberrações, extravagâncias, como procedimentos destinados          a esquivar a verdade excessivamente perigosa sobre o sexo. A ciência          dessa época era subordinada à moralidade, cujas classificações          reiterou sob a forma de ordens médicas.</p>
<p>Favorecendo com isto uma prática médica indiscreta,          involuntariamente ingênua e voluntariamente mentirosa, ativa e provocadora,          essa medicina instaurou toda uma &#8220;licenciosidade mórbida&#8221;.          Em nome de uma urgência biológica e histórica, justificavam-se          os racismos oficiais, então iminentes, fundamentando-os como verdade.</p>
<p>Foucault enfatiza que o sexo constituiu-se em um objeto          de verdade através de dois grandes meios de produção          histórica da verdade sobre o sexo: <em>ars erotica </em>e <em>scientia          sexualis</em>.</p>
<p>Principalmente no oriente, na arte erótica, a verdade          é extraída do próprio prazer, encarado como uma prática;          não por referência do que é proibido ou permitido,          nem por um critério de utilidade. Ao contrário: o sexo deveria          ser conhecido como prazer, segundo sua intensidade, qualidade, duração          e seus efeitos no corpo e na alma. Buscava-se no saber sobre o prazer          formas de ampliá-lo; a verdade sobre o prazer é extraída          do próprio saber. A prática desta arte tinha o objetivo          do domínio do corpo, o gozo excepcional, o elixir da longa vida.</p>
<p>O oposto se desenvolveu na civilização ocidental,          onde se intensificou uma <em>scientia sexualis</em>, como meio de se dizer          a verdade sobre o sexo. Esta verdade era obtida principalmente através          da confissão.</p>
<p>A regulamentação do sacramento de penitência          pelo Concílio de Latrão em 1215; o desenvolvimento das técnicas          de confissão; a evolução dos métodos de interrogatório;          a instauração dos tribunais de Inquisição;          todos esses fatores contribuíram para dar à confissão          um papel central na ordem dos poderes civis e religiosos. A confissão          passou a ser, no ocidente, extremamente valorizada. Desde a penitência          cristã até os dias de hoje, o sexo tem sido assunto privilegiado          na confissão. Sendo este ato, em que se ligam a verdade e o sexo,          a expressão obrigatória e exaustiva de um segredo individual.</p>
<p>Utilizando de métodos similares, com um objetivo          &#8220;científico&#8221;, médicos e teóricos se utilizaram          da confissão para elaborar seus discursos sobre o sexo. A confissão          constituiu, progressivamente, um grande arquivo dos prazeres do sexo.          Durante séculos a verdade do sexo foi encerrada nesta forma discursiva;          excluída do discurso do ensino, da iniciação, passando          ao largo da forma que rege a &#8220;arte erótica oriental&#8221;.</p>
<p>Podemos afirmar que a <em>scientia sexualis</em> é          o correlato desta pratica discursiva sobre o sexo e sexualidade. A história          da sexualidade deve ser estudada, segundo Foucault, pelo ponto de vista          de uma história de discursos.</p>
<p>É importante saber que a <em>ars erotica </em>não          desapareceu completamente da civilização ocidental. Existiu,          na confissão cristã, todo um aparato que se assemelha à          <em>ars erotica</em>: orientação pelo mestre, ao longo de          uma via de iniciação. Mas é preciso enfatizar que          a <em>ars erotica</em> não funciona, pelo menos em algumas de suas          dimensões, como a <em>scientia sexualis</em>. A arte erótica,          no saber ocidental sobre a sexualidade, encontra-se apenas, na sua utilização          normalizadora, na sua multiplicação e intensificação          dos prazeres ligados à produção da verdade sobre          o sexo. Essa produção de verdade, mesmo intimidada pelo          modelo científico, pode ter até intensificado seus prazeres          intrínsecos.</p>
<p>Muito mais do que um mecanismo negativo de exclusão          ou de rejeição, trata-se da colocação em funcionamento          de uma rede sutil de discursos, saberes, prazeres e poderes. O autor conclui          que estudar esse mecanismo, é essencial para compreender as estratégias          de poder imanentes a essa vontade de saber, constituindo uma &#8220;economia          política&#8221; desta vontade.</p>
<p>FOUCAULT, Michel. <strong>História da sexualidade:          a vontade de saber</strong>. Rio de Janeiro: Graal, 1988. 16a. edição</p>
<p>Outros artigos sobre a História da Sexualidade: <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/a-vontade-do-saber/" target="_self">Parte          I</a>, <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/vontade-do-saber-implantacao-perversa/">Parte          II</a>.</p>
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		<title>A vontade do saber &#8211; A implantação perversa</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 23:52:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Géssica          Hellmann</p>
<p>No século XIX ocorreu uma dispersão          de sexualidade <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/vontade-do-saber-implantacao-perversa/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="escreva para a editora" href="mailto:geh@gehspace.com">Géssica          Hellmann</a></p>
<p>No século XIX ocorreu uma dispersão          de sexualidade e uma implantação múltiplas das perversões.          Multiplicaram-se as condenações judiciárias das perversões          menores, atribuindo-se a irregularidade sexual à doença          mental; da infância à velhice, foram impostas normas caracterizando          todos os desvios possíveis; enfatizaram-se os controles pedagógicos          e médicos.</p>
<p>Segundo Foucault, até o final do século XVIII, três          códigos estavam explícitos: o direito canônico, a          pastoral cristã e a lei civil. Cada código com suas próprias          normas, centrados nas relações matrimoniais. Na lista dos          pecados graves, estavam: o estupro (fora do casamento), o adultério,          o rapto, o incesto espiritual ou carnal, e a sodomia (carícia recíproca).</p>
<p>Quanto aos tribunais, condenavam tanto a homossexualidade quanto a infidelidade,          o casamento sem consentimento dos pais ou a &#8220;bestialidade&#8221;.          Na ordem civil como na religiosa, o que se levava em conta era um ilegalismo          global. Por muito tempo, os hermafroditas foram considerados criminosos          ou filhos do crime.</p>
<p>Os discursos do século XVIII e XIX enfatizavam a investigação          da sexualidade das crianças, dos homossexuais, dos loucos e criminosos          e das &#8220;grandes raivas&#8221;. Os chamados &#8220;pervertidos&#8221;          levavam o estigma de &#8220;loucura moral&#8221;, &#8220;neurose genital&#8221;          ou &#8220;desequilíbrio psíquico&#8221;. Daí a adoção          da expressão &#8220;contra-natureza&#8221; no campo da sexualidade,          que rapidamente se tornavam mais condenadas do que as outras &#8211; como o          adultério e o rapto &#8211; conquistando praticamente a autonomia: &#8220;casar          com parente próximo ou praticar a sodomia, seduzir uma religiosa          ou praticar sadismo, enganar a mulher ou violar cadáveres tornaram-se          coisas essencialmente diferentes&#8221;. (FOUCAULT, 1988:40)</p>
<p>Foucault afirma que, no século XIX, a severidade do código          foi atenuada, cedida pela própria justiça em benefício          da Medicina. Já em termos de controle, ocorreu grande severidade          em todos os mecanismos de vigilância instalados, pela Pedagogia          e pela terapêutica. Foucault descreveu quatro operações          bem diferentes da simples proibição:</p>
<p>1 &#8211; As velhas proibições de alianças consangüíneas          e a condenação do adultério com sua inevitável          freqüência e, por outro lado, os recentes controles da sexualidade          das crianças. É evidente que não se tratam do mesmo          mecanismo de poder: uma, é lei, penalidade; a outra (pelo comparecimento          da Medicina) o adestramento. Organizou-se assim, em torno na criança,          um dispositivo de barragem, com linhas de penetração infinitas.</p>
<p>2 &#8211; Esta nova caça às &#8220;sexualidades periféricas&#8221;,          provoca a incorporação da idéia de &#8220;perversão&#8221;          e uma nova especificação dos indivíduos. O homossexual          do século XIX, torna-se uma personagem, uma anatomia indiscreta.          Nada do que ele é escapa à sua sexualidade. Como uma personagem,          a homossexualidade apareceu quando foi transferida, da prática          da sodomia, para uma espécie de androgenia interior.</p>
<p>3 &#8211; Engajadas no corpo, transformadas em caráter, as extravagâncias          sexuais sobrepõem-se à tecnologia da saúde e do patológico.          O poder toma a seu cargo a sexualidade, mediante exames e observações          insistentes, implicando em proximidades e sensações intensas,          assume como um dever de roçar os corpos, acariciar-lhe com os olhos,          estimular regiões do corpo, dramatizar momentos conturbados. Cria-se,          assim, um aumento do domínio sob controle e uma sensualização          do poder em beneficio do prazer. Os exames médicos, psiquiátricos,          pedagógicos e controles familiares podem ter objetivo de dizer          não às sexualidades, mas funcionam como mecanismos de incitação          do prazer e poder.</p>
<p>4 &#8211; Surgem assim os dispositivos de &#8220;saturação sexual&#8221;.          Afirma-se freqüentemente que a sociedade moderna tentou reduzir a          sexualidade ao casal. Mas também pode-se afirmar que ela fez proliferar          grupos com elementos múltiplos de sexualidade em busca do prazer.          Na sociedade moderna, instalou-se uma rede de prazeres-poderes articulados.          A separação entre o quarto das crianças e do casal,          a separação dos meninos e meninas, os cuidados com os bebês          (amamentação e higiene), os perigos da masturbação,          a puberdade, a vigilância sugerida aos pais, extorsões e          segredos, isso tudo tranformou-se em uma rede complexa e saturada de sexualidades          múltiplas.</p>
<p>Foucault conclui este capítulo sugerindo que as sexualidades múltiplas,          as práticas sexuais, de lugar, gosto ou tipo de prática,          são, todas elas, formas de poder. Poder e prazer não se          anulam e, sim, se entrelaçam, através de mecanismos que          excitam e incitam.</p>
<p><strong>FOUCAULT</strong>, Michel. História da sexualidade: a vontade          de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1988. 16a. edição.</p>
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		<title>A vontade do saber</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 23:34:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
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		<category><![CDATA[repressão sexual]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica          Hellmann</p>
<p align="left">O intuito desta resenha é apresentar          os <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/a-vontade-do-saber/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="escreva para a editora" href="mailto:geh@gehspace.com">Géssica          Hellmann</a></p>
<p align="left">O intuito desta resenha é apresentar          os primeiros pensamentos expressos nos dois primeiros capítulos          da História da Sexualidade &#8211; A vontade do saber, de Michel Foucault.</p>
<p>Segundo Foucault, no início do século XVII, os corpos pavoneavam          sem refreios, gestos diretos, discursos sem vergonha, transgressões          visíveis, anatomias a mostra, crianças vagando entre adultos.          No final deste século, porém, a sexualidade é cuidadosamente          encerrada dentro dos quartos dos pais.</p>
<p>Afirmava ele que nesta época tinha-se o pensamento que as crianças          não possuíam sexo: razão para proibi-las de falar          neste assunto (final do século XVII seguindo pelo século          XVIII). Este conceito só viria a mudar com os estudos de Freud.</p>
<p>O discurso de repressão sexual, iniciado no século XVII,          após centenas de anos de expressão sexual livre, é          protegido historicamente e politicamente, coincidindo com o início          do capitalismo.</p>
<p>A explicação enunciada por Foucault sobre o pensamento da          época: &#8220;se o sexo é reprimido com tanto rigor, é          por ser incompatível com uma colocação no trabalho,          geral e intensa; na época que se explora sistematicamente a força          de trabalho&#8230;&#8221; (FOUCAULT, 1977:11).</p>
<p>O que revela que um dos principais motivos, da repressão          sexual, foi controlar a população          para manter uma economia a favor dos dirigentes.</p>
<p>Outra dialética apresentada neste primeiro capítulo foi:          &#8220;se o sexo é reprimido, isto é, fadado à proibição,          a inexistência e ao mutismo, o simples fato de falar dele e da sua          repressão possui como que um ar de transgressão deliberada.&#8221;          (FOUCAULT, 1988:12). Com esta afirmação Foucault quiz levantar          o benefício do locutor que emprega essa linguagem, que de certa          forma se encontra fora do alcance do poder.</p>
<p>A idéia da repressão sexual, não é somente          objeto de teoria. A afirmação de uma sexualidade que nunca          fora dominada com tanto rigor, como na época da hipócrita          burguesia negocista, é acompanhada pela ênfase de um discurso          destinado a dizer a verdade sobre o sexo, a modificar sua economia na          real, mudando seu futuro. Podemos observar que esta &#8220;verdade sobre          o sexo&#8221;, era dita com a finalidade que os efeitos beneficiassem a          burguesia e os que estavam no poder.</p>
<p>No primeiro capítulo, Foucault levantou várias questões,          não para negar a teoria de repressão sexual, e sim para          explicar por quais razões e por que meios se estabeleceu esta repressão.          Questões tais como:<br />
- A repressão do sexo seria realmente a acentuação          ou talvez a instauração desde o século XVII, de um          regime de repressão ao sexo? (Questão histórica)<br />
- A mecânica do poder, a que é posta em jogo em uma sociedade          como a nossa, seria de ordem repressiva? (Questão histórica-teórica)<br />
- O discurso crítico que se dirige a repressão viria a cruzar          com a mecânica do poder, que funcionava até então          sem constatação, barrando-lhe, faria parte dessa mesma rede          histórica daquilo que denuncia, chamada de repressão? (Questão          histórica-política)</p>
<p>No segundo capítulo ele se propõe a responder as questões          levantadas sobre a hipótese repressiva, explicando o motivo da          incitação dos discursos.<br />
Como já havia comentado, no final do século XVII, não          se podia falar de sexo com as crianças; a regra era silêncio          e discrição absoluta. Mas, quanto ao nível de discurso          a regra era a proliferação, principalmente a partir do século          XVIII. O cerco às regras da decência, provocou uma intensificação          nos discursos indecentes.</p>
<p>Nos discursos no campo do poder havia uma incitação institucional          para falar do sexo, sob forma da articulação explícita          e do detalhamento. A evolução do pastoral católico          e do sacramento da confissão, depois do concílio de Trento,          obrigava todo um exame minucioso do ato sexual. A discrição          é cada vez mais recomendada: no que se refere ao pecado contra          a pureza. é necessária a maior reserva. A contra-reforma          católica dedicava-se a acelerar a quantidade por ano das confissões,          atribuindo grande importância às penitências &#8211; todas          as insinuações carnais, pensamentos, desejos, deleites,          tudo detalhadamente. Por este meio, a Igreja, pretendia controlar o seu          &#8220;rebanho&#8221;, através do amplo e detalhado conhecimento          dos hábitos sexuais da população.</p>
<p>O projeto de uma colocação do sexo em discurso formava-se          já há muito tempo, numa tradição ascética          e monástica. O Século XVIII fez dele uma regra para todos.          Uma obrigação colocada ao bom cristão.</p>
<p>O essencial: que o homem ocidental há três séculos          tenha permanecido atado a essa tarefa que consiste em dizer tudo sobre          seu sexo, que a partir da época clássica tenha havido uma          constante valorização do discurso sobre sexo. Censura sobre          sexo? Pelo contrário, constitui-se uma aparelhagem para a produção          de discursos sobre sexo, suscetíveis a funcionar e de serem efeito          para sua própria economia capitalista. Nasce assim, no século          XVIII, uma incitação política, econômica, técnica          a falar de sexo, sob forma de contabilizar, classificar, especificar,          através de pesquisas quantitativas ou casuais. Foucault demonstra          aqui a verdadeira intenção da repressão sexual, não          como uma forma de censura, mas como uma forma de controle populacional          com objetivos políticos e econômicos.</p>
<p>No século XVIII o sexo torna-se questão de polícia,          não como repressão da desordem e sim como necessidade de          regular o sexo por meio de discursos e não pelo rigor da proibição.          A polícia tinha o papel principal não com o rigor de proibir,          e sim de &#8220;rotular&#8221; os que não seguiam o discurso da época.</p>
<p>Com o surgimento do problema &#8220;população&#8221;, entendeu-se          que controlar o sexo era de certa forma controlar a natalidade, idade          de casamento, filhos legítimos e ilegítimos, freqüência          das relações, a maneira de torná-las fecundas ou          estéreis, celibato entre outros. Forma-se toda uma teoria de observação          sobre o sexo, surgindo as análises de condutas, seus efeitos no          limite entre a biologia e o plano econômico. Através de pesquisas,          governantes e capitalistas controlavam a população, visando          principalmente dominar a &#8220;força de trabalho&#8221;, em benefício          econômico deles próprios.</p>
<p>Já em meados do século XVIII, era incentivado através          de discursos, a orientação de educadores, administradores,          médicos e pais, a uma educação sexual para as crianças,          permitindo intensificar a multiplicação dos discursos, mudando          a estratégia familiar na educação sexual das crianças:          a idéia de que a criança não possuía sexualidade          não teria sido derrubada, mas a educação sexual serviria          para exercer controle sobre elas.</p>
<p>Foucault conclui no fim do segundo capítulo que o que é          próprio das sociedades modernas não é terem condenado          o sexo a permanecer na obscuridade, mas sim o terem devotado a falar dele          sempre, o valorizando como segredo.</p>
<p><strong>FOUCAULT</strong>, Michel. História da sexualidade: a vontade          de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1988. 16a. edição.</p>
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