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	<title>Sexualidade by géh &#187; moralidade</title>
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	<description>Sexualidade: artigos de pesquisa e entrevistas</description>
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		<title>Cem edições de &#8220;Sexualidade&#8221; &#8211; escolhas, riscos e vitórias no contínuo processo de libertação</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 19:37:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 96 a 100]]></category>
		<category><![CDATA[moralidade]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Por Géssica Hellmann</p>
<p>Trajetória Pessoal:</p>
<p>Cresci em uma família católica, com numerosos tios, tias e primos, tanto pelo lado materno quanto paterno. Minha mãe um pouco mais expansiva por <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/cem-edicoes-de-sexualidade-escolhas-riscos-e-vitorias-no-continuo-processo-de-libertacao/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Géssica Hellmann</p>
<p>Trajetória Pessoal:</p>
<p>Cresci em uma família católica, com numerosos tios, tias e primos, tanto pelo lado materno quanto paterno. Minha mãe um pouco mais expansiva por ter sido criada no seio de uma família com descendência italiana; meu pai um pouco mais fechado por pertencer a uma família de origem alemã. Ambos tiveram papéis fundamentais para minha criação: positivos e negativos, como em toda família.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 400px"><img title="Nus em movimento por Géssica Hellmann" src="http://gehspace.com/GaleriaGeh/nus%20em%20movimento.jpg" alt="Nus em movimento por Géssica Hellmann" width="390" height="577" /><p class="wp-caption-text">Nus em movimento por Géssica Hellmann</p></div>
<p>Fui condicionada desde cedo a tirar &#8220;boas notas&#8221; na escola, estudar bastante para conseguir um &#8220;bom emprego&#8221;&#8230;. Assim como a ser responsável, educada, não aceitar coisas de estranhos, ir à missa aos domingos&#8230;</p>
<p>Pelo menos até minha crisma, a missa dominical rotineira. &#8220;Crisma&#8221;, para os que não conhecem o ritual católico, é a &#8220;Confirmação&#8221;, um sacramento da Igreja Católica em que o fiel recebe através do bispo uma unção com óleo, reafirmando a submissão à fé à qual se afiliou no sacramento do batismo.</p>
<p>Como era esperado, cedo comecei a trabalhar em &#8220;escritório&#8221;, como se dizia então. Na verdade, meu cargo era &#8220;auxiliar de caixa&#8221; em uma indústria, em regime de oito horas por dia, em troca de um mísero salário mínimo. Lá, aprendi várias coisas positivas, que se refletem no meu caráter. Mas também foi lá que comecei a ver o mundo de uma forma &#8220;quadrada&#8221;. Ao sair dessa indústria, logo fui trabalhar para outra empresa, também na área financeira. Tive de trabalhar 13 anos com finanças para descobrir que eu tinha medo da felicidade. Mantinha-me nesses empregos porque era seguro, mas não era feliz.</p>
<p>Já na faculdade, observava a &#8220;fauna&#8221; ao meu redor. Foi lá que comecei a transgredir alguns conceitos &#8211; ou melhor, a mostrar minha vida interior, o que as pessoas aparentemente ignoravam. Lembro-me do furor quando apresentei um projetos de fotografia com um ensaio fotográfico extremamente sensual.</p>
<p>Que surpresa! Aquela garota que só tirava notas boas e parecia viver enfiada em livros era, na verdade, uma mulher, e corria em suas veias uma energia sexual, como em todo mundo.</p>
<p>Enquanto isso, avós e tios cobravam daquela mesma menina-mulher o &#8220;namorado oficial&#8221;. Eu tinha &#8220;ficantes&#8221;, é obvio, mas nenhum que me interessasse apresentar à família. Irritava-me a cobrança, como se fosse uma obrigação social: TER UM NAMORADO.</p>
<p>Admito, isso machucava muito. Algo haveria de errado comigo? Por que tantas cobranças?</p>
<p>Foi nessa mesma época que mergulhei no mundo virtual. Conheci pessoas e, muitas delas, trouxe para a minha vida real. Foi lá que todas aquelas idéias, que aparentemente não deveriam ser ditas no meio social em que eu vivia, foram florescendo, despertando paixões. Comecei a questionar tudo o que era dado como certo &#8220;porque sempre foi assim&#8221;. Toda a hipocrisia da social em relação à sexualidade, eu a trazia à tona em discussões acaloradas.</p>
<p>Sair do ninho e enfrentar a incredulidade dos normopatas.</p>
<p>Eu buscava a liberdade, buscava a verdadeira felicidade.</p>
<p>Como Freire e Brito (1987) afirmaram: &#8220;Risco é sinônimo de liberdade. O máximo de segurança é escravidão&#8221;. É preciso, segundo os autores, viver o presente através das coisas que nos dão prazer.</p>
<p>Nesse momento, fiz uma lista: as coisas que gostaria de fazer e as que eu não queria mais na minha vida. Surgiram duas decisções importantes: queria sair de casa para abrir meus horizontes e fazer mestrado em uma área que me libertasse da necessidade de trabalhar em um curral, digo, &#8220;escritório&#8221;. Durante essa busca, surgiram duas propostas interessantes e, ao mesmo tempo, dois caminhos diferentes: Florianópolis e Rio de Janeiro.</p>
<p>Escolher Florianópolis apresentava várias vantagens: eu já conhecia a cidade, amigos meus moravam lá, fica a apenas duas horas de Joinville, mas faltava alguma coisa&#8230;. Foi quando recebi a proposta para fazer um projeto editorial inesperado: falar sobre a sexualidade humana. Isso sim, envolveria risco: mexer com a libido humana. Foi a busca dessa realização, desse sonho maluco, que me fez seguir o caminho do Rio de Janeiro.</p>
<p>Lembro do olhar assustado das pessoas quando souberam que larguei o meu tão &#8220;seguro emprego&#8221; para viver um sonho. Gaiarsa (2006) explica essa reação: &#8220;Os normopatas vêem bem pouco do que os cerca, vêem bem pouco de si mesmos. E esse pouco é sempre o mesmo&#8230; O normopata mantém-se boa parte do tempo formulando para si mesmo não-razões (desculpas) para não-ações, pensando em tudo que não fez e em tudo que devia ter feito. Vive buscando de quem é a culpa &#8211; ou quem deveria responder por ela&#8221;.</p>
<p>Somente uma das minhas irmãs estava sabendo dos meus projetos e, recebi total apoio dela. Só avisei minha mãe de minha decisão uma semana antes da viagem. Comprei passagem aérea, malas prontas, encaixotei o essencial e enviei pelo correio. Havia chegado a hora.</p>
<p>Projetar o sonho em realidade:</p>
<p>Inicialmente com um formato editorial simples, com muita fé e persistência, dei inicio, assessorada pelo Alexei, a essa revista semanal: o GÉH. Erros e acertos, aprendizagem constante, muita pesquisa e muita dedicação transformou aquele projeto inicial em uma realidade.</p>
<p>Nesses dois anos que se passaram, construímos uma família e conquistamos muitas vitórias. Cresci como mulher, me libertei de várias amarras, ampliei meus horizontes e agora me sinto madura para finalmente ingressar no mestrado tão desejado. Preferi vivenciar o que eu pesquisava e estava aprendendo: é preciso vivenciar para fazer sentido.</p>
<p>Essa pesquisa sobre o comportamento humano, a sexualidade, a corporalidade, tudo isso alterou minha forma de ser. Principalmente, foi extremamente importante na minha vida ter acesso aos escritos de Reich. Foi com ele que aprendi a olhar o mundo, as pessoas e a mim mesma de uma forma mais completa. Comecei a entender meus bloqueios, e acima de tudo, me libertar deles. Aprendi a perdoar mágoas antigas, que delas nem me lembrava, mas compuseram toda a minha trajetória, influenciando diretamente a minha personalidade.</p>
<p>Como afirmam Freire e Brito (1987), &#8220;conhecer, sem dúvida, é descobrir por nós mesmos, no ato de viver e de se relacionar como próprio corpo, a nossa identidade. Mas é também, ao mesmo tempo, ir além dos limites pessoais, conviver com a natureza social do homem: ser os outros, através da necessidade de comunicação, de relação, de integração e de associação, além da de reprodução. Quando amamos alguém, apesar de tudo o que essa pessoa representa para nós, ainda estamos presos à nossa identidade. A sensação mais pura e perfeita da existência do outro (além da evidência física) é quando alguém nos ama de verdade e nos certificamos, disso, pasmos, gratos e deslumbrados&#8221;.</p>
<p>Com o melhoramento da minha percepção corporal pude exorcizar bloqueios antigos. E foi através da arte que desenvolvi o exercício da percepção, é através da arte que expresso as conclusões de meus estudos. Minhas pinturas são uma maneira não-verbal de expressar o que penso e sinto. O teatro e a dança também foram fundamentais para o desenvolvimento da liberdade corporal, para melhor &#8220;administrar minhas energias&#8221;, como diria Reich.</p>
<p>Ética: o que não aceitei fazer nesse percurso e por quê.</p>
<p>Nesses dois anos surgiram várias sugestões para a linha editorial do GÉH, assim também como propostas de trabalho, algumas aceitei outras não. Mas o que isso tem a ver com o assunto em questão?</p>
<p>No inicio, recebi várias críticas, olhares estranhos: &#8220;Uma mulher abordando a sexualidade? Quem é ela? No mínimo, é &#8220;fácil&#8221; e só pensa em sexo; talvez seja garota de programa, prostituta ou vai ver que só quer dar&#8221;!</p>
<p>Sim, eu podia ler esses pensamentos nas mentes e nos olhares das pessoas a quem tentávamos explicar o conceito da revista, pensamentos e olhares que se confirmava, hipocritamente, com piadinhas e &#8220;ótimas&#8221; sugestões: &#8220;Site de garota de programa dá dinheiro sabia? Por que vocês não procuram sex-shops e motéis para patrocinar o seu site?&#8221;.</p>
<p>Tentar abrir mentes tão encarceradas parecia um trabalho impossível. A solução foi ignorar e seguir em frente.</p>
<p>Recebi propostas para fazer websites, em boa hora admito, pois a nossa situação econômica naquele período estava no vermelho. Aceitei e fiz com prazer esses trabalhos. Mas surgiram outras propostas também, em que o conflito ético falou mais alto do que a necessidade de dinheiro, por mais desesperadora que fosse. E eu: disse NÃO.</p>
<p>Uma das propostas foi uma oferta para trabalhar como representante em uma área que poderia me abrir vários portas no mercado gráfico. Aceitei pela manhã e recusei logo ao anoitecer. A mesma pessoa que havia me convidado publicou um texto extremamente machista, com agressões verbais violentas a &#8220;mulheres loiras&#8221;, como se a cor dos cabelos nos transformasse imediatamente em prostitutas. Por mais que precisasse do dinheiro, eu não suportaria trabalhar com uma pessoa que me tratasse como um ser inferior.</p>
<p>No inicio deste ano de 2007, recebi duas propostas quase simultâneas. Uma a de trabalhar em uma instituição não-governamental de apoio a soropositivos. Outra, a de fazer um website, que envolveria um bom retorno financeiro, mas que, na verdade, era um site de agenciamento de garotas de programa. Há quem faça o trabalho, existem muitos profissionais que não se importariam em fazer esse projeto.</p>
<p>Trabalhar voluntariamente contribuindo para fazer o bem, um ato de solidariedade ou ganhar dinheiro fazendo um projeto que apoiaria um trabalho ilegal? Não foi moralismo que me fez declinar a segunda proposta, e sim o fato da &#8220;ilegalidade&#8221;. Não sou contra nem a favor da prostituição. Sou contra a exploração sexual. Impedir que exista uma &#8220;profissão&#8221; tão antiga quanto essa, é hipocrisia, pois sabemos que existe desde o inicio do patriarcado e do casamento monogâmico. E se ela existe há uma razão para isso.</p>
<p>Mas acima de tudo sei da importância de cada ato, escolha ou caminho que percorri e continuo percorrendo. Abordar a sexualidade sem cair na promiscuidade, identificar cada &#8220;Zé ninguém&#8221;, fazê-lo olhar-se no espelho e se reconhecer é uma tarefa enriquecedora. Libertar-se e ajudar outros a se libertar é uma missão de vida.</p>
<p>Centésima edição de sexualidade: conquista de novas oportunidades</p>
<p>Aqui estamos, na centésima edição dessa revista. Com um enriquecimento cultural, intelectual e vivencial. Sentimos novamente &#8211; agora falo no plural, porque formamos uma equipe &#8211; a necessidade de estar em movimento. De continuar crescendo como seres humanos, de continuar em constante aprendizagem.</p>
<p>Nada é mais como fora ontem. Tudo é mutável. E nós precisamos continuar evoluindo. Brindamos essa edição com novos projetos para esse período de nossas vidas: Mestrado, Doutorado, novos trabalhos em uma nova morada. Aceitando o risco como parte do contínuo processo de liberdade.</p>
<p>O Géh com 40 mil visitações mensais (estimado), com um banco de dados de mais de 500 mil palavras, 2 mil imagens é referência nos temas que se propôs: Arte, Sexualidade e Corporalidade. Fruto de muito trabalho e dedicação.</p>
<p>Posso dizer que hoje sei qual é o gosto da liberdade, da felicidade e do prazer. Essas conquistas foram importantes para meu o amadurecimento. Valorizo tudo o que tenho, o que aprendi, o que mudei, o que conquistei, o que vivi. Cada erro e cada acerto fizeram parte desse processo de libertação.</p>
<p>Viver é um eterno caminhar, é estar sempre em movimento. Como diria Gaiarsa (2006) &#8220;o próprio caminho é feito a cada passo&#8221;. E é assim que nos movemos rumo a novas realizações.</p>
<p>Bibliografia</p>
<p>Freire, Roberto. Brito, Fausto. Utopia e Paixão: A política do cotidiano. Rio de Janeiro: Rocco, 1987.</p>
<p>Gaiarsa, José Ângelo. Meio século de psicoterapia verbal e corporal. São Paulo: Ágora, 2006.</p>
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		<title>Moralidade ocidental &#8211; Mulher brasileira</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 20:44:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
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<p>Segundo Vasconcelos (2005), na sociedade brasileira o poder familiar sempre imperou nas mãos do homem. Foi a <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/moralidade-ocidental-mulher-brasileira/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="escreva para a editora" href="mailto:geh@gehspace.com">Géssica          Hellmann</a></p>
<p>Segundo Vasconcelos (2005), na sociedade brasileira o poder familiar sempre imperou nas mãos do homem. Foi a família patriarcal a célula mais importante da formação de sociedade brasileira. Esta organização perdurou no Brasil até meados do século XIX. Os direitos civis no Brasil, basicamente, até 1890, eram uma extensão dos de Portugal. O primeiro Código Civil Brasileiro só entrou em vigor a partir de 1917. De modo geral, nossas Constituições limitavam-se a afirmar o princípio de igualdade, mas a realidade era bem diferente.</p>
<p>A monogamia foi criada para preservar o poderio econômico dentro de um mesmo grupo sangüíneo. Por este motivo a sexualidade feminina era rigorosamente controlada, pois esta era a única forma de que o homem dispunha para assegurar a paternidade. Tornou-se , portanto, indispensável valorizar o papel da esposa, tornando-se a fidelidade da mulher fator preponderante em uma união e punições deveriam ser aplicadas àquelas que não cumprisse mcom este dever. O adultério feminino era punido com mais rigor que o masculino. O homem considerava a fidelidade da mulher como parte da sua honra para e, por isso, passou a ter o direito de vida e de morte sobre ela. Essa ideologia trouxe um aumento no número de mortes e na violência doméstica em geral.</p>
<p>Barbosa (2005) afirma que o debate político público sobre a moralidade sexual, o casamento e as relações entre gêneros, no início do século XX, pretendia assegurar o engajamento das mulheres e da família nas tarefas de reprodução social, segundo o interesse dos governantes.</p>
<p>Do ponto de vista econômico o trabalho feminino foi cada vez mais necessário para a economia familiar. Mas o problema para o Estado consistia em como conciliar o emprego feminino com a função de ligar as mulheres com seus deveres familiares e a preservar a divisão sexual do trabalho familiar. O emprego feminino deveria somente complementar o trabalho masculino, com salários mais baixos, para não &#8220;violentar&#8221; sua feminilidade e seu papel doméstico.</p>
<p><strong>Conclusão</strong></p>
<p>Desde o início do cristianismo a mulher era tratada como ser inferior. Em vários momentos ela foi e de certa forma é ainda controlada por instituições como a Família, a Igreja e o Estado. Onde estão os direitos de igualdade? Muito destes direitos já foram adquiridos, mas até quanto essa &#8220;falsa liberdade moral&#8221; continuará? Por que muitas mulheres se sujeitam a esse esquema, ou a pergunta deveria ser, o que elas ganham com isso? O que fazer pra mudar? Será que queremos realmente que mude? Queimaremos novamente sutiãs? Na verdade, acho que devemos mergulhar em nós mesmas e descobrir as possíveis respostas: talvez a mudança encontre-se no nosso próprio conceito de moralidade.</p>
<p>BARBOSA, Regina Helena Simões. <strong>Mulheres, reprodução e aids: as tramas da ideologia na assistência à saúde de gestantes HIV+</strong>. Disponível em: http://portalteses.cict.fiocruz.br/transf.php?script=thes_chap&amp;id=00006703&amp;lng=pt&amp;nrm=iso . Acessado em: 21 ago. 2005.</p>
<p>VASCONCELOS, Eliane. <strong>Não as matem</strong>. Disponível em: http://www.casaruibarbosa.gov.br/eliane_vasconcelos/Agulha/main_agulha.html. Acessado em: 21 ago. 2005.</p>
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		<title>Sexo e Pecado &#8211; dos conceitos judaico-cristãos à moralidade sexual na Viena do século XIX</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 20:35:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Géssica          Hellmann</p>
<p>Segundo Glasmam (2005), um ponto teológico crucial surgiu a partir da noção de pecado. No surgimento do <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/sexo-pecado-conceitos-judaico-cristaos-moralidade-sexual-viena-seculo-xix/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong><a title="escreva para a editora" href="mailto:geh@gehspace.com">Géssica          Hellmann</a></strong></em></p>
<p>Segundo Glasmam (2005), um ponto teológico crucial surgiu a partir da noção de pecado. No surgimento do cristianismo, um conceito extremamente polêmico. Radicais da época, como os essênios, pregavam o celibato como meio de purificação para o juízo final. De forma geral, os judeus dos tempos antigos eram puritanos, mas não pudicos. Sua aceitação do sexo, era de um &#8220;realismo moralista&#8221;.</p>
<p>A lógica judaica consistia na seguinte idéia: &#8220;se o impulso sexual fosse meramente uma tentação do diabo, teria Deus colocado seus filhos a mercê dele para que fossem desviados e levados à destruição?&#8221;. Ao contrário, eles achavam que o sexo só levaria a luxúria porque o mal residia no próprio pecador.</p>
<p>A prática do adultério na antiga sociedade judaica era vista com horror e uma ameaça à integridade moral do individuo. Era exigida também completa abstinência sexual entre os solteiros, independente do sexo. Para que os jovens não caíssem em tentação, era costume celebrar o casamento com pouca idade. Era aconselhado aos casados que não se excedessem no amor sexual, mas também não era aconselhado reprimi-lo.</p>
<p>A força central do cristianismo era um profundo ascetismo, uma intensa hostilidade pela sexualidade humana, a qual trouxe para a humanidade um ideal de amor altruísta e não-sexual. A abstinência sexual era considerada o ideal moral. Com o apogeu do cristianismo, as mulheres perderam todos os direitos legais que haviam adquirido com os romanos: elas passaram a ser consideradas submissas ao homem.</p>
<p>Já na Idade Média, a mulher era vista por dois ângulos: um, simbolizando Eva, a sedutora; outro, representado pela Virgem Maria, símbolo de pureza. Em outras palavras, a &#8220;prostituta&#8221; e a &#8220;mulher direita&#8221;. Pensamentos que, como veremos no exemplo a seguir, dominaram o conceito e o papel da mulher ocidental.</p>
<h4>Moralidade Sexual e Prostituição em Viena &#8211; século XIX</h4>
<p>A sexologia recebeu importantes contribuições da comunidade vienense a partir da metade do século XIX, com inúmeras publicações sobre a sexualidade, relacionadas com higiene, genética e psicanálise. As idéias eram discutidas entre médicos, advogados, economistas, psicanalistas, historiadores, teólogos e feministas, todos com diferentes pontos-de-vista, mas um denominador comum: a sexualidade era entendida como algo primitivo, difícil de controlar e que se manifestava de forma diferente entre mulheres e homens.</p>
<p>Segundo Jusek (1995), a teoria popular supunha que a sexualidade masculina era ativa e precisava ser satisfeita, e a feminina era passiva: a mulher não teria frustração sexual. Como o casamento monogâmico era visto como a única base social viável, e este tipo de casamento restringia a sexualidade masculina, a válvula de escape encontrada foi a procura da prostituição. O aumento desta demanda levou os estudiosos da época a admitir que, no caso das prostitutas, elas tinham a sexualidade tão ativa quanto a masculina. Em conseqüência deste pensamento, a categoria feminina foi dividida entre as mulheres respeitáveis (passivas) e as prostitutas (ativas). As mulheres, portanto, eram julgadas pelo seu comportamento sexual.</p>
<p>A divisão por comportamento também podia ser percebida com a divisão de classes sociais, as mulheres de classe média e alta (respeitáveis/passivas) e as mulheres de classe baixa, (ativas/sem pudores), o que levava a casamentos somente entre pessoas da mesma classe social.</p>
<p>Nesta mesma época, Freud se realizava em suas primeiras análises sobre o conceito de libido. Freud concordava que homens e mulheres poderiam ter reações diferentes no comportamento sexual, mas não estava inteiramente certo de que a mulher era totalmente passiva. Ao contrário, admitia a possibilidade de que a sexualidade feminina fosse tão ativa quanto a masculina.</p>
<p>A Igreja católica era combatia fortemente o sexo fora do casamento. A Igreja afirmava também que a abstinência sexual era benéfica ao ser humano, o que era contestado por muitos médicos da época. A Igreja atribuía à mulher o papel de mãe e apenas com este intuito consentia a prática sexual.</p>
<p>Segundo Jusek (1995), Weininger afirmava que a mulher não era nenhum mistério. Em suas pesquisas ele &#8220;descobrira&#8221; que ela era não somente polígama, como também irracional, caótica, ilógica e nada entendia de moralidade. Afirmava que, para tornar-se humana, a mulher deveria reprimir totalmente sua sexualidade. Como um corolário racista/sexista, afirmava que os judeus eram uma raça inferior porque possuíam características femininas.</p>
<p>O livro de Weininger obteve um grande impacto. A partir de suas afirmações, não se atribuía mais diferença ao exercício da sexualidade feminina entre as classes sociais: todas eram consideradas inferiores.</p>
<p>Uma declaração detalhada da política adotada pela polícia da época afirmava que as seguintes mulheres eram uma ameaça para a moralidade:</p>
<p>1) As prostitutas comuns, que ganhavam a vida com a prostituição;<br />
2) As prostitutas ocasionais, recrutadas nas fileiras das costureiras, modistas, dançarinas, atrizes, empregadas domésticas e trabalhadoras de fábricas &#8211; estas geralmente passando para categoria 1;<br />
3) Amantes;<br />
4) Concubinas.</p>
<p>Chegou-se ao ponto em que cada mulher envolvida em uma relação extra-conjugal era considerada prostituta. No final do século XIX, o número de prostitutas em Viena era estimado entre 30 a 50 mil. As mulheres que se colocavam voluntariamente sob o controle da polícia eram tão molestadas que fugiam. Toda mulher cuja conduta levantasse suspeita tinha que ser submetida a exame médico.</p>
<p>Os esforços do governo, na época, visavam controlar a sexualidade em geral através das mulheres. Na prática, o comportamento feminino devia ser mantido sob controle, primeiramente do pai, do marido ou, em caso de negligencia desses, pela polícia.</p>
<p>GLASMAM, Jane Bichmacher de. Judaísmo, Cristianismo, sexo e pecado. Disponível em: &lt;http://riototal.com.br/comunidade-judaica/juda5a4.htm&gt;. Acessado em: 21 ago. 2005.</p>
<p>JUSEK, Karin J. A moralidade sexual e o significado da prostituição na Viena do Fin-De-Siècle. Org. BREMMER, Jam. In: De Safo a Sade &#8211; Momentos na história da sexualidade. Campinas: Papirus, 1995, p. 157-197.</p>
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