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	<title>Sexualidade by géh &#187; pornografia</title>
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	<description>Sexualidade: artigos de pesquisa e entrevistas</description>
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		<title>Arte x Pornografia</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 18:01:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[edições 56 a 60]]></category>
		<category><![CDATA[pornografia]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Ariadna Garibaldi</p>
<p>Introdução</p>
<p>Este site é objeto de freqüente julgamento na internet. As ferramentas de busca Google, MSN e Yahoo!, censuram nossas imagens se o internauta não desabilitar <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/09/arte-x-pornografia/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Ariadna Garibaldi</em></p>
<p><em>Introdução</em></p>
<p><em>Este site é objeto de freqüente julgamento na internet. As ferramentas de busca Google, MSN e Yahoo!, censuram nossas imagens se o internauta não desabilitar o filtro de &#8220;conteúdo adulto&#8221; &#8211; sendo que a maioria dos navegantes sequer sabe da existência de tal filtro! Por outro lado, os sistemas de trocas de links &#8211; que recusam sistematicamente sites com &#8220;conteúdo adulto&#8221; &#8211; adotam critérios diferentes.</em></p>
<p><em>Algumas empresas brasileiras, como a Trocando e a GlobalBanner, recusaram nosso site. Entretanto, galerias de arte baseadas no exterior, como a Saatchi Gallery e a Artelistas aceitaram os trabalhos da Galeria Géh como artísticos. Recentemente, a Link2Me, sistema de troca de links, aceitou nosso site na categoria &#8220;Artes Visuais&#8221;. Já as listas de diretório brasileiras divergem muito sobre a classificação do site, variando desde a recusa inapelável até a aceitação imediata em categorias como &#8220;Arte&#8221; e &#8220;Cultura&#8221;. Por outro lado, para nosso espanto e contra nossa vontade, algumas listas de diretório e ferramentas de busca de conteúdo pornográfico incluíram o géh em seus índices!</p>
<p>Ou seja, percebe-se claramente que não há uma definição precisa do que vem a ser &#8220;conteúdo adulto&#8221; na Internet, dependendo tal classificação de critérios absolutamente subjetivos e arbitrários.<br />
Por esse motivo, pedimos à advogada Ariadna Garibaldi que iniciasse um estudo sobre esse assunto: afinal, como podemos definir juridicamente de forma precisa a fronteira entre o que é Arte, Pornografia e esse bicho-papão chamado de &#8220;conteúdo adulto&#8221;?</em></p>
<p><em>(Os editores)</em></p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 383px"><img title="Nude 2 por Larisa Malysheva" src="http://www.gehspace.com/edicao%2058%20imagens/Malysheva,%20Larisa%20-%20nude2.jpg" alt="Nude 2 por Larisa Malysheva" width="373" height="260" /><p class="wp-caption-text">Nude 2 por Larisa Malysheva</p></div>
<p>Pornografia (Dicionário Aurélio Século XXI)</p>
<p>[Do gr. pornográphos, 'autor de escritos pornográficos', + -ia1.]<br />
S. f.<br />
1. Tratado acerca da prostituição.<br />
2. Figura(s), fotografia(s), filme(s), espetáculo(s), obra literária ou de arte, etc., relativos a, ou que tratam de coisas ou assuntos obscenos ou licenciosos, capazes de motivar ou explorar o lado sexual do indivíduo.<br />
3. Devassidão, libidinagem.</p>
<p>Era o ano de 1935 e algumas meninas entre sete e oito anos brincavam de bonecas em uma pequena cidade do Rio Grande do Norte. Com panelas de barro, alguns pedacinhos de madeira e algumas bonequinhas de pano, simulavam o cotidiano, quando uma delas tem a idéia de que a família de bonecos precisava de um filho&#8230; Mas como será que fariam para que tal fosse possível? Sem saber direito como fazer, uma delas vai à vizinha que varria o quintal e observava a alegre brincadeira e pergunta: Donana, minha boneca casou, agora como é que faz pra ela ter um bebê? A mulher arregala os olhos sem esconder o espanto, larga a vassoura e sai correndo pela rua em direção à casa da menina, que fica a olhar atônita sem entender coisa alguma. Poucos minutos o seu pai a chama e sem nada perguntar aplica-lhe uma sova para que ela nunca mais &#8220;fale safadezas&#8221;. Isso aconteceu com a minha ex-sogra.</p>
<p>Muita coisa mudou dessa época pra cá e nenhuma criança acredita mais em cegonha. Todos sabem de onde nascem os bebes e muitos, antes da adolescência, aprendem como são feitos. Nunca se falou tanto sobre sexo e nem tão abertamente, muitas vezes de forma apelativa, sem o menor critério e até com palavras e gravuras explícitas. Assim, passou-se a definir tais conteúdos como sendo de interesse adulto, no intuito de preservar a integridade física, moral e intelectual das crianças. Como, no mundo da era digital, diferenciar o que é arte visual ou sensual do que é pornografia, se, segundo o próprio dicionário, qualquer conteúdo gráfico erótico é conteúdo adulto e é pornográfico?</p>
<p>Com o fim da ditadura e da censura, abriu-se um portal para o que antes era proibido e ao invés de se usar isso em favor da cultura, houve uma verdadeira deterioração na programação de TV&#8217;s. Com o advento da internet, proliferaram os sites de conteúdo pornográfico e até pedofilia. E novos conceitos precisaram ser formados para separar o joio do trigo. Foi nessa expectativa que convencionou-se denominar os sites com conteúdo erótico de sites de conteúdo adulto e é a partir daí que surgiu uma verdadeira distorção de interesses. Que tipos de assuntos interessam aos adultos? Será que apenas sexo explícito? E o conceito de pornografia, tal como está no dicionário corresponde à realidade? Então um site sério, que trata da sexualidade de forma cientifica social e como expressão artística tal qual fazemos aqui no géh, pode ser tachado de pornográfico? Em que as obras de arte aqui mostradas agridem os olhos? Em que os assuntos aqui discutidos levam o individuo a pensar em sexo de forma alienada? Precisamos urgentemente definir o conceito jurídico de pornografia, e o conceito social de arte. Arte é arte e pornografia não é arte. A arte existe sob diversas formas e sob diversos aspectos inclusive o corporal. A sexualidade é inerente ao ser humano e por isso, também é expressa artisticamente desde tempos remotos. Vamos juntos tentar entender e, quem sabe, ajudar a conceituar melhor o uso da sexualidade dentro das artes e usar a arte a serviço da nossa sexualidade de modo saudável. É hipocrisia taxar o nosso site de pornográfico enquanto a noveleta das cinco instiga adolescentes a fazerem sexo e falam disso abertamente sem nenhum critério. Vamos juntos separar joio de trigo e aprender e ensinar o verdadeiro conceito de arte sensual de pornografia gratuita. É uma das coisas a que nos propomos desde o início e agora pretendemos fazer mais diretamente, já que fomos vitimados pelo preconceito de gente mal informada, talvez resquício de uma ditadura que teima em não morrer na cabeça de muitos.</p>
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		<title>Entrevista com Jozé de Abreu</title>
		<link>http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/08/entrevista-com-joze-de-abreu/</link>
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		<pubDate>Mon, 08 Dec 2008 23:31:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[edições 31 a 35]]></category>
		<category><![CDATA[erotismo]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>por Géssica Hellmann</p>
<p class="wp-caption-text">Foto por Jozé de Abreu</p>
<p>Géh &#8211; Perfil pessoal: Quem é Jozé de Abreu? Há quanto tempo está no ramo da fotografia? Pode falar sobre <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/08/entrevista-com-joze-de-abreu/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Géssica Hellmann</em></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 360px"><img title="Foto por Jozé de Abreu" src="http://gehspace.com/edicao%2034%20imagens/rd-100-b400.jpg" alt="Foto por Jozé de Abreu" width="350" height="263" /><p class="wp-caption-text">Foto por Jozé de Abreu</p></div>
<p>Géh &#8211; Perfil pessoal: Quem é Jozé de Abreu? Há quanto tempo está no ramo da fotografia? Pode falar sobre sua trajetória?</p>
<p>Jozé de Abreu: Poxa, se você me disser quem sou eu, ficarei eternamente agradecido. Pergunta difícil, moça. Sou ator de muitos papéis, malabarista por necessidade, gozador por opção, cheio de dúvidas e dívidas, como todo brasileiro que já passou dos 50. Tenho mulher, filhos, uma casa e muitos livros. Sou um privilegiado!</p>
<p>A fotografia entrou muito cedo em minha vida. Meu avô tinha uma coleção de daguerreótipos e cartões-postais franceses do início do século passado, com belas mulheres nuas. Eu era menino ainda e ele me mostrava às escondidas. Deve ter vindo daí meu interesse pela fotografia erótica. Mas só comecei a fotografar aos 25 anos, quando comprei minha primeira câmera.</p>
<p>Tem uma coisa que faço questão de deixar claro: não sou fotógrafo profissional. Raramente ganho dinheiro com minhas fotos.</p>
<p>Géh &#8211; Erotismo nos meios de comunicação: Fala-se muito sobre uma erotização crescente da exibição do corpo feminino por parte dos meios de comunicação brasileiros. Você concorda com essa visão? Em caso positivo, a que você atribui esse fenômeno? Em caso negativo, o que você diria sobre esse assunto?</p>
<p>Jozé de Abreu: Existe, sim, mas o fenômeno não é novo nem se restringe ao Brasil. Erotismo vende e a lógica da mídia ocidental é, obviamente, capitalista. Há mais de 30 anos, as Chacretes já faziam as delícias dos marmanjos rebolando aquelas bundas imensas na TV, em pleno sábado à tarde. Acho que às vezes rola um certo exagero na TV aberta, mas os códigos de auto-regulamentação são eficientes e terminam ajustando as coisas. Na verdade, não acho que essa seja uma questão muito importante. Pior, bem pior, é a banalização do mal, da violência. Prefiro ter filhos erotizados do que ter filhos bandidos.</p>
<p>Géh &#8211; Fronteiras entre erotismo e pornografia: A discussão sobre os limites entre &#8220;erotismo&#8221; e &#8220;pornografia&#8221; é um tema recorrente. Um exemplo é o de uma campanha humorística na web que exibia um banner com os dizeres &#8220;Abaixo as fotos sensuais! Quero ver mulher pelada&#8221;. Como diferenciar o que é o &#8220;nu artístico&#8221;, a &#8220;fotografia erótica&#8221; e a &#8220;fotografia pornográfica&#8221;? Como fotógrafo, qual a sua opinião sobre o limite entre arte e pornografia?</p>
<p>Jozé de Abreu: Essa é uma discussão estéril. A fronteira entre o erótico e o pornográfico é difusa, subjetiva e pessoal. Muda de acordo com a época, com a cultura. Durante a ditadura, era proibido mostrar os mamilos e os pelos pubianos. As modelos que saiam na Playboy não tinham pentelhos nem mamilos, pareciam umas &#8220;Barbies&#8221;. Hoje a Playboy é lida até em sala de espera de dentista e ninguém engasga com os pentelhos.</p>
<p>Acho a expressão &#8220;nu artístico&#8221; muito pedante. Qual seria o oposto do nu artístico? &#8220;Artístico&#8221; aí é usado como sinônimo de bom gosto e, nós sabemos, o bom gosto é socialmente determinado. Nem toda nudez tem apelo sexual. Por exemplo, as fotos do Spencer Tunik, aquele que fotografa um monte de gente nua amontoada nas ruas, não são eróticas, nem pornográficas. São políticas.</p>
<p>Mas, vamos lá! Do ponto de vista de quem consome: Pornográfica é a foto que você não se sente à vontade de admirar junto com seus pais ou com seus filhos. Do ponto de vista de quem produz: a foto é pornográfica quando tem a intenção de provocar excitação sexual. Pelo menos, essa é a distinção que me ocorre no momento.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 288px"><img title="Foto por Jozé de Abreu" src="http://gehspace.com/edicao%2034%20imagens/carol-125-d.jpg" alt="Foto por Jozé de Abreu" width="278" height="370" /><p class="wp-caption-text">Foto por Jozé de Abreu</p></div>
<p>Géh &#8211;  Pornografia e Internet: Recentemente, a Internet deu novo fôlego à indústria pornográfica, que fatura hoje pelo menos vinte vezes mais do que nas décadas de 1980 e de 1990. Agora se pode ter acesso a imagens e vídeos de sexo com um simples clique do mouse. A que você atribui esta incrível demanda?</p>
<p>Jozé de Abreu: De certo modo, a Internet democratizou o acesso a esse tipo de material. E as páginas com conteúdo sexual são realmente as campeãs de acesso. Acho que isso se deve a vários fatores. A maioria dos internautas é jovens, esse é o primeiro ponto. Outro aspecto importante é que a Internet permite que as pessoas acessem esse tipo de material sem se exporem, sem ter que ir à banca de revista ou à locadora de vídeo.</p>
<p>Géh &#8211; Masturbação: Percebe-se na mídia a crescente busca por imagens do corpo nu erotizado, atividades sexuais, com finalidade primariamente masturbatória. Na sua opinião o público masculino ainda é o maior consumidor neste mercado?</p>
<p>Jozé de Abreu: O público masculino ainda é maioria, mas isso vem mudando. É cada dia maior o número de mulheres que consomem material pornográfico. As estatísticas dos sites pagos mostram isso claramente. O número de assinantes do sexo feminino vem aumentando consistentemente.</p>
<p>Géh &#8211; Influência social da pornografia: Existem opiniões contraditórias sobre a pornografia em geral. Alguns sugerem que há uma relação entre pornografia e estupro, e outras formas de violência. Já a escritora Wendy McElroy afirma que: &#8220;Ela estimula fantasias sexuais. Ensina a pessoa a ter prazer no sexo&#8221;. Para outros, a pornografia incentiva a tratar o sexo com franqueza. &#8220;A pornografia beneficia as mulheres&#8221;, diz a escritora. Qual a sua visão sobre a influência social da pornografia?</p>
<p>Jozé de Abreu: Concordo com a Wendy. A pornografia é necessária e desejável. Ela confronta as pessoas com suas próprias fantasias, faz com que o homem ou mulher constate que não está sozinho em suas esquisitices, que existem outras pessoas que compartilham os mesmos gostos e interesses. A pornografia tem um lado educativo também. Mas é preciso ter em mente que os filmes pornográficos são ficção. Quem assiste ao Homem Aranha não sai por aí tentando saltar entre os edifícios. Do mesmo modo, quem assiste filme pornô não deve tomar o desempenho dos atores e atrizes como referência para seu próprio desempenho.</p>
<p>Géh &#8211; Vício Pornográfico: Nem todo mundo que vê pornografia ficará viciado. Alguns, talvez, apenas ficarão com algumas idéias distorcidas sobre mulher, sexo, casamento e crianças. Porém, outros terão algum tipo de abertura emocional que permitirá que o vício tome lugar. A pornografia pode distorcer o conceito que a pessoa tem sobre o sexo oposto?</p>
<p>Jozé de Abreu: Claro que pode. Toda mídia tem essa capacidade de distorcer conceitos e percepções. Portanto, não é só a pornografia que pode levar a uma visão distorcida do outro. Os programas de auditório, por exemplo, fazem isso de forma muito mais eficiente.</p>
<p>Géh &#8211; A Estética do belo: Na sua opinião, como apreciador da fotografia, gostaria que abordasse a &#8220;estética do belo&#8221; na fotografia primeiramente:</p>
<p>- Num conceito geral sobre fotografia:</p>
<p>Jozé de Abreu: Os conceitos estéticos mudam com o tempo. O problema é que, hoje, essas mudanças se processam mais rapidamente. Alguns fotógrafos conseguem superar isso e fazer fotos atemporais, que são belas hoje e continuarão sendo daqui a 50, 100 anos. Acho que o segredo é não se deixar influenciar por padrões impostos, ter um olhar só seu, mas isso nem sempre é possível.</p>
<p>Quem fotografa para revistas, por exemplo, não tem como escapar à ditadura da estética imposta pela mídia. Fotógrafos como Helmut Newton, Robert Maplethorpe e Irina Ionesco são exceções. A Irina, por exemplo, disse certa vez o seguinte: &#8220;em fotografia, só o que é estranho me interessa&#8221;.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 390px"><img title="Foto por Jozé de Abreu" src="http://gehspace.com/edicao%2034%20imagens/livia60.jpg" alt="Foto por Jozé de Abreu" width="380" height="284" /><p class="wp-caption-text">Foto por Jozé de Abreu</p></div>
<p>Géh:- Na fotografia do corpo, fotografia sensual:</p>
<p>Jozé de Abreu: O corpo é sempre um desafio e é isso que me fascina: conseguir uma abordagem nova e surpreendente. Claro que a técnica conta. A luz, o equipamento, a produção cuidadosa. Mas isso não basta. Fundamental mesmo é o olhar.</p>
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		<title>Pornografia, Erotismo e Arte: onde estão as fronteiras?</title>
		<link>http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/07/pornografia-erotismo-arte-onde-estao-as-fronteiras/</link>
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		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 15:46:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[edições 21 a 25]]></category>
		<category><![CDATA[erotismo]]></category>
		<category><![CDATA[pornografia]]></category>

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		<description><![CDATA[
<p>por Géssica Hellmann</p>
<p>No presente artigo farei uma introdução            aos limites entre arte e a pornografia, procedendo <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/07/pornografia-erotismo-arte-onde-estao-as-fronteiras/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p><em>por Géssica Hellmann</em></p>
<p>No presente artigo farei uma introdução            aos limites entre arte e a pornografia, procedendo uma breve revisão            teórica e expondo minha posição a respeito do tema.</p>
<p>O erotismo está presente nas manifestações            artísticas desde a Antiguidade, uma constante, inesgotável,            fonte de inspiração. Na Bíblia há várias            passagens relativas ao tema, referindo-se principalmente à prostituição.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><img title="Courtesan (1900) por Auguste Rodin" src="http://gehspace.com/edicao%2022%20imagens/auguste%20rodin.jpg" alt="Courtesan (1900) por Auguste Rodin" width="300" height="393" /><p class="wp-caption-text">Courtesan (1900) por Auguste Rodin</p></div>
<p>O Antigo Testamento nos revela um belíssimo exemplo          erotismo poético-literário em o &#8220;Cântico dos          Cânticos&#8221;:</p>
<p><em>Primeiro canto<br />
&#8220;<strong>Anseios de amor</strong></em></p>
<p><em>Sua boca me cubra de beijos!<br />
São mais suaves que o vinho tuas carícias,<br />
e mais aromático que teus perfumes<br />
é teu nome, mais que perfume derramado;<br />
por isso as jovens de ti se enamoram.<br />
Leva-me contigo! Corramos!<br />
O rei introduziu-me em seus aposentos.</em></p>
<p><em>Coro.<br />
Queremos contigo exultar de gozo e alegria,<br />
celebrando tuas carícias, superiores ao vinho.<br />
Com razão as jovens de ti se enamoram. &#8221;<br />
(&#8230;.)</em></p>
<p><em>Terceiro canto<br />
(&#8230;)</em></p>
<p><em>&#8220;<strong>Recanto de amor</strong></em></p>
<p><em>Ele.<br />
És um jardim fechado, minha irmã e minha noiva,<br />
uma nascente fechada, uma fonte selada.<br />
(&#8230;)&#8221;</em></p>
<p><em>&#8220;<strong>Apelo da amada</strong></em></p>
<p><em>Ela.<br />
Que entre meu amado em seu jardim<br />
para comer dos frutos deliciosos!</em></p>
<p><em>Ele.<br />
Já vou ao meu jardim, minha irmã e minha noiva,<br />
colher mirra e bálsamo,<br />
comer do favo de mel, beber vinho e leite.<br />
(&#8230;)&#8221;</em></p>
<p>Costa (2003), afirma que basta ter um mínimo de          leitura antropológica e observar a semelhança entre os cânticos          e ao estilo do antigo lírico-árabe, para notarmos que se          trata mesmo de amor entre homem e mulher.</p>
<p>A Igreja Católica contesta essa idéia afirmando          que, se fosse referente a um amor profano, não teria sido jamais          inserido nos livros das Escrituras. De acordo com a Igreja, os Cânticos          referem-se ao amor mútuo entre Deus e o fiel piedoso e que o racionalismo          moderno tentou despojá-lo dessa auréola divina, reduzindo          ao eco de simples amores profanos. (Bíblia Sagrada. São          Paulo: Paulinas, 1989. P. 716.)</p>
<p>O Brasil nasceu erótico. Desde o descobrimento,          o Novo Mundo era descrito com sedução e grande carga erótica,          principalmente no que se referia a nudez das índias no Brasil.</p>
<p>Silva (2005) afirma que &#8220;A sociedade escravista tinha          o homem branco como centro do poder e dono da moral&#8221;. Senhor do corpo          do escravizado, o patriarca esmerou-se em construir uma imagem &#8216;para inglês          ver&#8217; e, outra, para satisfazer-se. Do outro escravizado, fez seu objeto          de prazer, enquanto defendia-se de sua culpa com um forte moralismo, auxiliado          pelo aparato religioso.</p>
<p>Prossegue o autor: &#8220;Com a hipocrisia fundamentada,          a pulsação erótica trabalhou no sentido de elaborar          sua vingança. Realizou-se como sátira. Termos ligados ao          sexo adquiriram significados fortemente agressivos que, até hoje,          servem aos objetivos de uma sexualidade reprimida e por isso problemática.&#8221;</p>
<p>O erotismo na Literatura Brasileira adotou aspectos resultantes          da &#8220;moral e bons costumes&#8221; ao estilo do &#8220;faça o          que digo mas não o que faço&#8221;. Era comum entre os autores          que falavam sobre sexo, em suas poesias, usarem pseudônimos.</p>
<p>Silva (2005) afirma ainda que, na produção          erótica, não houve grandes avanços poéticos          na passagem para o século XX. As dificuldades de expressão          permaneceram. Foi encontrada a forma da malandragem para permitir o trânsito          da vertente erótica. &#8220;Macunaíma&#8221; é um exemplo,          em que encontra-se o uso de eufemismos como &#8220;brincar&#8221; para significar          a relação sexual.</p>
<p>Tabus e preconceitos estão presentes fortemente          em nossa cultura. E são incentivados, principalmente, pelos que          estão no &#8220;poder&#8221;, seja Igreja ou Estado, tendo como principal          objetivo o controle através da sexualidade.</p>
<p>Como escritora de poemas eróticos, sofri preconceitos.          Algumas pessoas claramente me viam como devassa, promíscua, garota          de programa, entre outros rótulos. Estudar a sexualidade humana          nos permite reconhecer mitos sexuais, entender e mitigar esse tipo de          preconceito.</p>
<p>Sabemos que não é fácil abordar o          sexo sem cair na vulgaridade. Segundo a escritora Ariadna Garibaldi &#8220;é          difícil falar porque a linha que separa o sensual do vulgar é          muito tênue&#8221;.</p>
<p>Denomino essa linha tênue de &#8220;andar no fio da          navalha&#8221;. Poder falar sobre sexualidade sem cair na pornografia.          Tabus e preconceitos existem, negar é hipocrisia. Falar sobre o          &#8220;sexo&#8221; ou algo relacionado ao &#8220;órgão sexual&#8221;          é sempre complicado. Mas o que vem ser o órgão sexual,          se não um órgão como qualquer outro do corpo humano?          Estômago, fígado, pulmão, genitália: no final,          tudo &#8220;é pó e ao pó reverterá&#8221;.</p>
<p>Nas artes plásticas, o ato sexual se manifesta historicamente          na arte. Renomados artistas, tais como Fragonard, Picasso, Paul Gauguin,          Gustave Courbet, Dali, Di Cavalcanti, entre outros, retratam a sexualidade,          o corpo humano nu e o ato sexual em si.</p>
<p>O pintor polonês Balthasar Klossowski de Rola define          erotismo e afirma nada ter a ver com pornografia: &#8220;As formas de uma          jovem ou uma adolescente são puras, ainda intactas (&#8230;) O erotismo          nada tem a ver com o desejo sexual, muito menos pornografia. Penso que          o erotismo, que se encontra nos meus quadros, está na vista, no          espírito ou na imaginação da pessoa que os observa&#8221;          (ALCANTARA, 2005). Entretanto, nossa cultura ensina que a imagem do corpo          humano nu e, particularmente, experimentando prazer sexual, é &#8220;pornográfica&#8221;.</p>
<p>Segundo Lins (2005), na Inglaterra, há pouco mais          de cem anos, as pernas de piano tinham de ser cobertas com capas para          não excitar os homens por sua semelhança com as pernas femininas.          A moral vitoriana tentava controlar tudo o que considerava pornográfico.          Pode parecer absurdo, mas até o vocabulário teve que mudar.          Palavras como &#8220;suor&#8221;, &#8220;gravidez&#8221; e &#8220;sexo&#8221;,          tiveram de ser substituídas por termos mais evasivos. As mulheres          passaram a descrever o local da dor para os médicos apontando para          um ponto semelhante numa boneca. Qualquer parte do corpo entre o pescoço          e os joelhos passou a ser chamado de &#8220;fígado&#8221;.</p>
<p>Para Mesquita (2005) (psiquiatra, dramaturgo e colaborador da curadoria          da exposição Erotica), na arte, o sentido que as coisas          têm é aquele que o olhar de cada um lhes empresta. Em última          instância, o sentido da vida é o sentido que emprestamos          a ela. Ele afirma que o erotismo não é definido satisfatoriamente          em dicionários de várias línguas, dentre elas a portuguesa.          A julgar pelas reações individuais, a maioria das pessoas          parece saber que os limites do erotismo existem, embora quase ninguém          saiba precisar onde eles se situam. A simples menção do          termo &#8220;erótico&#8221; provoca, na melhor das hipóteses,          algo parecido com &#8220;entusiasmo cuidadoso&#8221;: o sujeito tem seus          ânimos excitados, mas teme os excessos e a &#8220;queda no abismo&#8221;          da pornografia.</p>
<p>A psicanalista Miriam Chnaiderman diz que, na arte erótica,          ela localiza o resgate do olhar, enquanto, na pornografia, atua a visão,          &#8220;função fisiológica do olho&#8221;. A &#8220;visão&#8221;          é definida como o contexto em que o olhar se desenvolve. A visão          se move do eu para a coisa, enquanto o olhar é um ato provocado          por uma imagem de algo que vem até nós. O olhar é          despertado fora de nós, surge quando somos cegados por um foco          de luz, que pode vir do espelho, de uma outra pessoa ou de um quadro.          Essa luz põe em andamento algo no inconsciente, enquanto o eu fica          confuso e ofuscado. Para ela, toda arte é erótica, pois,          se não for violação, não é arte (RIVITTI,          2005).</p>
<p>Para Girolamo (2005), o erotismo está sempre se          transformando, abrindo nossas percepções a novas experiências          sensoriais. Todos sonham com uma imagem idealizada do feminino ou do masculino,          é nossa imaginação trabalhando, criando imagens,          um quadro no nosso espírito. Uma imagem erótica vale milhões          de palavras, não só pelo seu valor descritivo, mas principalmente          pelo seu valor simbólico. Os instrumentos da fantasia consistem          também no conteúdo mas seu foco principal é na forma.          Recorre à alegoria, à expressão facial, para sugerir          significados, para evocá-los através de elementos visuais,          como traço, cor e composição.</p>
<p>No âmbito do Direito Brasileiro, encontramos, sobre          o tema &#8220;pornografia&#8221;, uma decisão do Supremo Tribunal          Federal:</p>
<p><em>&#8220;Obscenidade e pornografia. O direito constitucional          de livre manifestação do pensamento não exclui a          punição penal, nem a repressão administrativa de          material impresso, fotografado, irradiado ou divulgado por qualquer meio,          para divulgação pornográfica ou obscena, nos termos          e forma da lei. À falta de conceito legal do que é pornográfico,          obsceno ou contrário aos bons costumes, a autoridade deverá          guiar-se pela consciência de homem médio de seu tempo, perscrutando          os propósitos dos autores do material suspeito, notadamente a ausência,          neles, de qualquer valor literário, artístico, educacional          ou científico que o redima de seus aspectos mais crus e chocantes.          A apreensão de periódicos obscenos cometida ao Juiz de Menores          pela Lei de Imprensa visa à proteção de crianças          e adolescentes contra o que é impróprio à sua formação          moral e psicológica, o que não importa em vedação          absoluta do acesso de adultos que os queiram ler. Nesse sentido, o Juiz          poderá adotar medidas razoáveis que impeçam a venda          aos menores até o limite de idade que julgar conveniente, desses          materiais, ou a consulta dos mesmos por parte deles&#8221;.<br />
(BRASIL, Supremo Tribunal Federal, Recurso em Mandado de Segurança:          RMS-18534, Segunda Turma, Relator: Ministro Aliomar Baleeiro, 1/10/1968.)</em></p>
<p>Pode-se perceber que, mesmo no âmbito da legislação,          não está clara a definição de pornografia,          ou seja, quem define o que é ou não pornográfico          é o juiz, de acordo com a sua visão subjetiva e arbitrária.</p>
<p>Para Girolamo (2005), na sociedade moderna, a pornografia          passou a se diferenciar do erotismo nos aspectos estéticos e éticos,          no conteúdo mais explícito da pornografia e mais implícito          do erotismo, no reforço pornográfico da relação          genital sem envolvimento, sem compromisso e sem afeto, apenas enfatizando          o prazer solitário masturbatório, evitando o requinte artístico,          a profundidade e o clima de paixão e enamoramento sempre presentes          no erotismo.</p>
<p>Mesmo nos períodos de forte repressão, como          a chamada Idade Média européia, em que aprendemos ter sido          de predomínio da Igreja Católica, houve significativa manifestação          do erotismo. Tabus enraizados passam de geração a geração.          A melhor maneira de quebrar esses tabus é a informação.          Mas qual o limite entre arte e pornografia? Arte na minha opinião          é uma forma de expressão cultural da beleza. O que inclui          o corpo e o ato sexual em si. Já a pornografia, reduz o corpo e          o ato sexual a um simples objeto com a única finalidade de masturbação.</p>
<p><strong>Referências Bibliográficas</strong></p>
<p>ALCÂNTARA , Marco-Aurélio de. <strong>Estética          de Brennand repercute</strong>. Disponível em: &lt; http://www.pernambuco.com/diario/2004/05/12/viver3_0.html          &gt; . Acessado em: 14 dez. 2005.</p>
<p><strong>BÍBLIA SAGRADA</strong>. São Paulo:          Paulinas, 1989. P. 716</p>
<p>COSTA, Flávio Moreira da. <strong>As 100 melhores          histórias eróticas da literatura universal</strong>. Rio          de Janeiro: Ediouro, 2003.</p>
<p>GIROLAMO, Fabiano Puhlmann Di. <strong>Erotismo e Pornografia</strong>.          Disponível em: &lt; http://www.revistapsicologia.com.br/materias/pontoDeVista/erotismo_porno.htm          &gt;.<br />
Acessado em: 14 dez. 2005.</p>
<p>LINS, Regina Navarro. <strong>Erotismo ou pornografia?</strong> Disponível em: &lt; http://www.casadobruxo.com.br/poesia/r/reginan10.htm          &gt;. Acessado em: 14 dez. 2005.</p>
<p>MARZOCHI, Marcelo De Luca. <strong>Pornografia na Internet</strong>. Disponível em: &lt; http://64.233.187.104/search?q=cache:AL5ze6wo6UgJ:https://www.agu.gov.br/Publicacoes/artigos/&#8230;&gt;.<br />
Acessado em: 14 dez. 2005.</p>
<p>MESQUITA, Reinado. <strong>A Erótica</strong>. Disponível          em: &lt; http://www.bb.com.br/appbb/portal/bb/ctr/art/ArtigoCompl.jsp?Artigo.codigo=1504          &gt;. Acessado em: 10 dez. 2005.</p>
<p>RIVITTI, Thais. <strong>Erotismo na era virtual</strong>.          Disponível em: &lt; http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/2673,1.shl          &gt; . Acessado em: 14 dez. 2005.</p>
<p>SILVA, Luís. <strong>Poesia erótica nos cadernos          negros</strong>. Disponível em: &lt; http://www.quilombhoje.com.br/ensaio/cuti/ensaioCuti.htm          &gt; . Acessado em: 14 dez. 2005.</div>
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