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	<title>Sexualidade by géh &#187; repressão sexual</title>
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	<description>Sexualidade: artigos de pesquisa e entrevistas</description>
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		<title>A vontade do saber</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 23:34:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 11 a 15]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[michel foucault]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[repressão sexual]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica          Hellmann</p>
<p align="left">O intuito desta resenha é apresentar          os <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/06/a-vontade-do-saber/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="escreva para a editora" href="mailto:geh@gehspace.com">Géssica          Hellmann</a></p>
<p align="left">O intuito desta resenha é apresentar          os primeiros pensamentos expressos nos dois primeiros capítulos          da História da Sexualidade &#8211; A vontade do saber, de Michel Foucault.</p>
<p>Segundo Foucault, no início do século XVII, os corpos pavoneavam          sem refreios, gestos diretos, discursos sem vergonha, transgressões          visíveis, anatomias a mostra, crianças vagando entre adultos.          No final deste século, porém, a sexualidade é cuidadosamente          encerrada dentro dos quartos dos pais.</p>
<p>Afirmava ele que nesta época tinha-se o pensamento que as crianças          não possuíam sexo: razão para proibi-las de falar          neste assunto (final do século XVII seguindo pelo século          XVIII). Este conceito só viria a mudar com os estudos de Freud.</p>
<p>O discurso de repressão sexual, iniciado no século XVII,          após centenas de anos de expressão sexual livre, é          protegido historicamente e politicamente, coincidindo com o início          do capitalismo.</p>
<p>A explicação enunciada por Foucault sobre o pensamento da          época: &#8220;se o sexo é reprimido com tanto rigor, é          por ser incompatível com uma colocação no trabalho,          geral e intensa; na época que se explora sistematicamente a força          de trabalho&#8230;&#8221; (FOUCAULT, 1977:11).</p>
<p>O que revela que um dos principais motivos, da repressão          sexual, foi controlar a população          para manter uma economia a favor dos dirigentes.</p>
<p>Outra dialética apresentada neste primeiro capítulo foi:          &#8220;se o sexo é reprimido, isto é, fadado à proibição,          a inexistência e ao mutismo, o simples fato de falar dele e da sua          repressão possui como que um ar de transgressão deliberada.&#8221;          (FOUCAULT, 1988:12). Com esta afirmação Foucault quiz levantar          o benefício do locutor que emprega essa linguagem, que de certa          forma se encontra fora do alcance do poder.</p>
<p>A idéia da repressão sexual, não é somente          objeto de teoria. A afirmação de uma sexualidade que nunca          fora dominada com tanto rigor, como na época da hipócrita          burguesia negocista, é acompanhada pela ênfase de um discurso          destinado a dizer a verdade sobre o sexo, a modificar sua economia na          real, mudando seu futuro. Podemos observar que esta &#8220;verdade sobre          o sexo&#8221;, era dita com a finalidade que os efeitos beneficiassem a          burguesia e os que estavam no poder.</p>
<p>No primeiro capítulo, Foucault levantou várias questões,          não para negar a teoria de repressão sexual, e sim para          explicar por quais razões e por que meios se estabeleceu esta repressão.          Questões tais como:<br />
- A repressão do sexo seria realmente a acentuação          ou talvez a instauração desde o século XVII, de um          regime de repressão ao sexo? (Questão histórica)<br />
- A mecânica do poder, a que é posta em jogo em uma sociedade          como a nossa, seria de ordem repressiva? (Questão histórica-teórica)<br />
- O discurso crítico que se dirige a repressão viria a cruzar          com a mecânica do poder, que funcionava até então          sem constatação, barrando-lhe, faria parte dessa mesma rede          histórica daquilo que denuncia, chamada de repressão? (Questão          histórica-política)</p>
<p>No segundo capítulo ele se propõe a responder as questões          levantadas sobre a hipótese repressiva, explicando o motivo da          incitação dos discursos.<br />
Como já havia comentado, no final do século XVII, não          se podia falar de sexo com as crianças; a regra era silêncio          e discrição absoluta. Mas, quanto ao nível de discurso          a regra era a proliferação, principalmente a partir do século          XVIII. O cerco às regras da decência, provocou uma intensificação          nos discursos indecentes.</p>
<p>Nos discursos no campo do poder havia uma incitação institucional          para falar do sexo, sob forma da articulação explícita          e do detalhamento. A evolução do pastoral católico          e do sacramento da confissão, depois do concílio de Trento,          obrigava todo um exame minucioso do ato sexual. A discrição          é cada vez mais recomendada: no que se refere ao pecado contra          a pureza. é necessária a maior reserva. A contra-reforma          católica dedicava-se a acelerar a quantidade por ano das confissões,          atribuindo grande importância às penitências &#8211; todas          as insinuações carnais, pensamentos, desejos, deleites,          tudo detalhadamente. Por este meio, a Igreja, pretendia controlar o seu          &#8220;rebanho&#8221;, através do amplo e detalhado conhecimento          dos hábitos sexuais da população.</p>
<p>O projeto de uma colocação do sexo em discurso formava-se          já há muito tempo, numa tradição ascética          e monástica. O Século XVIII fez dele uma regra para todos.          Uma obrigação colocada ao bom cristão.</p>
<p>O essencial: que o homem ocidental há três séculos          tenha permanecido atado a essa tarefa que consiste em dizer tudo sobre          seu sexo, que a partir da época clássica tenha havido uma          constante valorização do discurso sobre sexo. Censura sobre          sexo? Pelo contrário, constitui-se uma aparelhagem para a produção          de discursos sobre sexo, suscetíveis a funcionar e de serem efeito          para sua própria economia capitalista. Nasce assim, no século          XVIII, uma incitação política, econômica, técnica          a falar de sexo, sob forma de contabilizar, classificar, especificar,          através de pesquisas quantitativas ou casuais. Foucault demonstra          aqui a verdadeira intenção da repressão sexual, não          como uma forma de censura, mas como uma forma de controle populacional          com objetivos políticos e econômicos.</p>
<p>No século XVIII o sexo torna-se questão de polícia,          não como repressão da desordem e sim como necessidade de          regular o sexo por meio de discursos e não pelo rigor da proibição.          A polícia tinha o papel principal não com o rigor de proibir,          e sim de &#8220;rotular&#8221; os que não seguiam o discurso da época.</p>
<p>Com o surgimento do problema &#8220;população&#8221;, entendeu-se          que controlar o sexo era de certa forma controlar a natalidade, idade          de casamento, filhos legítimos e ilegítimos, freqüência          das relações, a maneira de torná-las fecundas ou          estéreis, celibato entre outros. Forma-se toda uma teoria de observação          sobre o sexo, surgindo as análises de condutas, seus efeitos no          limite entre a biologia e o plano econômico. Através de pesquisas,          governantes e capitalistas controlavam a população, visando          principalmente dominar a &#8220;força de trabalho&#8221;, em benefício          econômico deles próprios.</p>
<p>Já em meados do século XVIII, era incentivado através          de discursos, a orientação de educadores, administradores,          médicos e pais, a uma educação sexual para as crianças,          permitindo intensificar a multiplicação dos discursos, mudando          a estratégia familiar na educação sexual das crianças:          a idéia de que a criança não possuía sexualidade          não teria sido derrubada, mas a educação sexual serviria          para exercer controle sobre elas.</p>
<p>Foucault conclui no fim do segundo capítulo que o que é          próprio das sociedades modernas não é terem condenado          o sexo a permanecer na obscuridade, mas sim o terem devotado a falar dele          sempre, o valorizando como segredo.</p>
<p><strong>FOUCAULT</strong>, Michel. História da sexualidade: a vontade          de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1988. 16a. edição.</p>
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