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	<title>Sexualidade by géh &#187; saúde</title>
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	<description>Sexualidade: artigos de pesquisa e entrevistas</description>
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		<title>Você sabe se é portador do vírus HIV?</title>
		<link>http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/voce-sabe-se-e-portador-do-virus-hiv/</link>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 19:44:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[aids]]></category>
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		<category><![CDATA[edições 101 a 105]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Por Géssica Hellmann</p>
<p>Inicio esse artigo com uma indagação: Você            sabe se é portador do vírus HIV?</p>
<p <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/voce-sabe-se-e-portador-do-virus-hiv/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Géssica Hellmann</em></p>
<p>Inicio esse artigo com uma indagação: <strong>Você            sabe se é portador do vírus HIV</strong>?</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 238px"><img title="Fear of the Future por Cassandra Tiffin-Lavers" src="http://gehspace.com/edicao%20101%20imagens/fearfuture_cassandra.jpg" alt="Fear of the Future por Cassandra Tiffin-Lavers" width="228" height="500" /><p class="wp-caption-text">Fear of the Future por Cassandra Tiffin-Lavers</p></div>
<p>Por favor não responda! Quero apenas que você, leitor, reflita sobre os sentimentos que emergiram a partir dessa pergunta, pois trata-se de uma pergunta extremamente intrusiva, que envolve uma série de pressupostos relativos à sua intimidade: atividade/inatividade sexual, com parceiros estáveis ou ocasionais, com uso ou não preservativos durante o ato sexual, questionamentos sobre a fidelidade no casamento/relacionamento, entre muitas outras questões sensíveis.</p>
<p>Note como é diferente perguntar se “você sabe se é portador de diabetes”?</p>
<p>O diabetes não é uma doença sexualmente transmissível. Logo, tende a não ser sentida como uma pergunta tão “íntima” ou “intrusiva”.</p>
<p>O que me leva a outra questão, extremamente grave: algum médico, já pediu a você um exame de HIV? De minha parte, respondo que o assunto nunca veio à baila no consultório médico até que eu ficasse grávida! Por quê? Será que, talvez, a pergunta não seja feita justamente para não provocar o “mal-estar” e todos os sentimentos que acarreta?</p>
<p>Ou será que os médicos que me atenderam ainda trabalham com a idéia superada de “grupo de risco” e, conseqüentemente, julgaram improvável que eu pudesse ter contraído a doença?</p>
<p>Os profissionais de saúde são unânimes em afirmar que não existem mais “grupos de risco”. Cito, como exemplo, o caso de uma senhora a quem entrevistei, portadora de HIV/AIDS, que acaba de celebrar 80 anos de idade.</p>
<p>Ela afirmou que seu clínico achava que “idosos não pegam AIDS.” Ela teria se infectado aos 70 anos de idade, com seu namorado. Ela atribui à “pílula azul” e às próteses de silicone um aumento na atividade sexual do idoso – grupo definido pelo IBGE como a população a partir dos 60 anos de idade – o que os teria deixado tão expostos ao risco de infecção pelo HIV quanto os mais jovens.</p>
<p>Segundo Parker e Aggleton (2001) “ao longo de duas décadas, enquanto os países, em todo mundo, lutam para dar resposta à epidemia de HIIV/AIDS, as questões do estigma, da discriminação e da negação vêm sendo alguns dos dilemas mais mal entendidos e mais persistentes enfrentados pelo desenvolvimento dos programas de saúde e educação públicas”.</p>
<p>Porque a realidade do HIV/AIDS parece tão fora do nosso círculo “familiar”? É importante enfatizar que, quando o assunto abrange AIDS, o corte na pirâmide socioeconômica é vertical. A AIDS atinge todos os segmentos da população, por qualquer crítério que se queira adotar: sexo, idade, profissão, classe social, grau de instrução, etnia, religião.</p>
<p>Nesses últimos dois anos, realizei entrevistas com psicólogas, profissionais de saúde, jornalistas e pacientes soropositivos. Uma das declarações mais freqüentes é a de que a desinformação mata e ainda é uma das principais causas do assustador crescimento da epidemia de AIDS.</p>
<p>Por exemplo, é alarmante a seguinte declaração de Cláudio Oliveira, assessor de comunicação da ABIA – Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS, fundada pelo sociólogo Herbert de Souza, o “Betinho”: “É importante ressaltar que não há &#8216;cura&#8217; para a AIDS. Um grande problema é que muitas pessoas, não tão bem informadas, ao receberem fragmentos de informação na mídia, ficaram com a impressão de que a AIDS se tornou uma doença crônica, parecida com o diabetes. As pessoas pensam que você passa o resto da vida tomando o remédio e tudo bem, não vai morrer da doença. Só que, em nenhum momento, recebe o devido destaque a realidade das infecções oportunistas, dos efeitos colaterais fortíssimos dos medicamentos&#8230; Há casos de pessoas que vêm a falecer em função desses efeitos colaterais”.</p>
<p>É importante entendermos como o processo de estigmatização, descriminação e negação funciona no meio social. O Brasil é considerado país-modelo no terceiro mundo em combate a epidemia de AIDS. Então porque a epidemia continua crescendo assustadoramente, não só no Brasil, como em outros países?</p>
<p>Gaiarsa (2006) sugere que a “abstração e a generalização” podem ser tidas como defesas neuróticas coletivas, e que a generalização, mais vezes sim do que não, “existe a serviço da agressão”, ela é um mecanismo neurótico coletivamente criado e aceito para permitir agressão sem culpa. Um mecanismo gerador de preconceitos. O autor cita como exemplo: “os negros” (todos os negros) “não prestam”, “os judeus” (todos os judeus) “só pensam em dinheiro”, “os americanos”, “os árabes”, e assim por diante. O autor continua: “a raiz do fanatismo é esta: o agarrar-se a uma interpretação da realidade como se ela fosse a única”. Seguindo essa linha de raciocínio, a generalização pode ser a causa “inconsciente” do preconceito contra o que é diferente.</p>
<p>Marshall (segundo Parker e Aggleton, 2001) afirmaria que os primeiros sociólogos viam a discriminação como uma expressão de etnocentrismo ou, em outras palavras, um fenômeno cultural de “não gostar dos diferentes”. Já análises sociológicas mais recentes sobre a discriminação concentram-se em padrões de dominação e opressão, vistos como expressões de busca de poder e privilégio.</p>
<p>Em resumo, pode-se afirmar, segundo Parker e Aggleton (2001), que a natureza do estigma é contextual, histórica, empregada estrategicamente para produzir e reproduzir relações e desigualdades sociais.</p>
<p>Quando falamos da relação de sexualidade, cultura, poder e noções de diferença, parece não ser possível deixar de citar Foucault. Para Parker e Aggleton (2001), “os estudos mais influentes que Foucault fez sobre o poder, Vigiar e Punir e A História da Sexualidade, volume I: A Vontade de Saber, enfatizavam o que ele definia como novo regime de conhecimento/poder que caracterizou as sociedades européias modernas durante o final do século dezenove e começo do século vinte. Dentro desse regime, a violência física ou a coerção foram cada vez mais dando lugar ao que ele descreveu como &#8216;sujeição&#8217;, ou controle social exercido não através da força física, e sim pela produção de sujeitos adestrados e corpos dóceis. Ele explicou como a produção social da diferença está ligada aos regimes estabelecidos de conhecimento e poder”.</p>
<p>Os autores afirmam ainda que é possível ver a estigmatização desempenhando um papel-chave na transformação da diferença em desigualdade, e pode funcionar, em princípio, em relação a qualquer dos eixos principais da desigualdade estrutural interculturalmente presente: classe, gênero, idade, raça ou etnia, sexualidade ou orientação sexual, e assim por diante. Segundo, e mais importante ainda, “o estigma é empregado por atores sociais reais e identificáveis que buscam legitimar o seu próprio status dominante dentro das estruturas de desigualdade social existentes”.</p>
<p>Resumindo, a estigmatização está diretamente relacionada às desigualdades de poder; ela faz com que as desigualdades sociais pareçam ‘razoáveis’ e, por fim, criam e reforçam a exclusão social.</p>
<p>“Um foco sobre as relações entre cultura, poder e diferença na determinação da estigmatização motiva um entendimento da estigmatização e discriminação ligadas ao HIV e à AIDS como parte do que talvez possa ser descrito da melhor forma como economia política da exclusão social presente no mundo contemporâneo” (Parker e Aggleton, 2001).</p>
<p>Desde o início da epidemia de HIV e AIDS, mobilizou-se uma série de metáforas poderosas para reforçar a estigmatização: morte, horror, punição, crime, guerra, vergonha, acontece com “o outro”. É importante enfatizar que, antes do surgimento do HIV/AIDS, já existiam outras formas de estigmatização que, hoje, interagem com a estigmatização da epidemia de HIV/AIDS, tais como a de gênero, orientação sexual, posicão no sistema socioeconômico e raça.</p>
<p>Atrevo-me, então, a supor que, se essas outras formas de estigmatização já estivessem superadas, o portador do vírus HIV, poderia ser encarado como uma pessoa com diabetes ou câncer. O estigma, caso existisse, seria muito menor.</p>
<p>Em entrevista com a psicóloga Mariceli Bernini que trabalha no IPrA como portadores do vírus HIV, ela atesta que, como o fato de que a principal via de transmissão do virus da AIDS é o contato sexual, criam-se muitos problemas adicionais, advindos de questões culturais relacionadas à sexualidade. Se é uma mulher a portadora do HIV, ou é rotulada como “a promíscua” ou como “a traída”; se é um homem, já está previamente rotulado como “homossexual”, se o caso envolve uma pessoa idosa, trata-se de uma “velhinha ou velhinho safado”. Dessa maneira todo soropositivo já se sentiria socialmente pré-rotulado para a exclusão.</p>
<p>Outro estigma relacionado propriamente com a AIDS, é o medo da infecção e o medo da morte. Muita desinformação sobre os meios de contágio, apesar das diversas campanhas realizadas nos últimos 20 anos, ainda transforma os doentes em “Infames” pela sociedade. A desinfomarção continua gerando preconceito, vitimando e culpando os portadores de HIV/AIDS.</p>
<p>Agora, podemos ter uma visão mais ampla dos motivos por trás desses “sentimentos confusos” despertados na indagação quanto a ser ou não portador do vírus HIV. Imagine então como é dificil para uma pessoa portadora do vírus HIV lidar com seus próprios sentimentos, exorcizar os medos, viver um dia de cada vez. E ainda, o quanto é importante o auxílio dos amigos, dos familiares e de profissionais que lidam diretamente com os portadores de HIV para que esse “viver um dia de cada vez” possa ser feito com o máximo de harmonia possível.</p>
<p>A AIDS não acontece somente nos “centros urbanos”. Outra questão de pesquisa gravíssima é o fenômeno da interiorização da AIDS, isto é, a migração da epidemia dos grandes centros urbanos para cidades médias e pequenas do interior do país. Segundo relatos individuais, que pretendo investigar mais a fundo, há casos de pessoas residentes em centros urbanos que, ao se descobrirem com HIV, decidiram “mudar de vida” e migraram para uma cidade menor, tentando “apagar o passado”, mas levando o vírus com elas. E, chegando lá, namoram, casam-se, muitas vezes sem avisar o parceiro(a) que é portador do HIV.</p>
<p>Você sabe com quem seu namorado/parceiro(a) manteve relações sexuais? Sabe que um vírus HIV pode ficar anos incubado sem se manifestar?</p>
<p>“Segundo o Boletim Epidemiológico de 2002, publicado pelo Ministério da Saúde, o número de mulheres contaminadas com o vírus da Aids tem crescido a cada ano e, na maioria dos casos, através de relações heterossexuais. Entre as décadas de 80 e 90 as mulheres maiores de 13 anos, contaminadas pela relação heterossexual, perfaziam um total de 61,1%. No ano de 2002 esta porcentagem elevou-se a 93,5%”. (Giacomozzi, 2004).</p>
<p>A autora afirma ainda que “os dados revelam um aumento desta epidemia, principalmente entre indivíduos heterossexuais com parceiro fixo, em regime de conjugalidade”.</p>
<p>Então lembre-se: AIDS é problema seu também. AIDS é um problema da humanidade!</p>
<p>O HIV não é transmitido por beijos, abraços, suor, saliva, lágrimas, pelo uso comum de piscinas, copos, talheres ou roupas. O contágio é feito por relações sexuais sem protenção (camisinha), transfusões de sangue, pelo uso de agulhas e seringas contaminadas, de mãe soropositiva ao filho durante a gestação, o parto ou a amamentação.</p>
<p>Então agora que você já sabe, seja solidário, converse com seus familiares e amigos, e faça essa pergunta: Você já fez um teste de HIV? Sabe como se prevenir? Com o avanço assustador da epidemia, você pode ser o próximo a precisar de apoio. Pense nisso.</p>
<p>Bibliografia:</p>
<p>Gaiarsa, José Ângelo. Meio século de psicoterapia verbal e coporal. São Paulo: Ágora, 2006.</p>
<p>Giacomozzi, Andréia Izabel. Confiança no parceiro e proteção frente ao hiv: estudo de representações socias. Florianópolis, 2004. Dissertação (Mestrado em Psicologia) &#8211; Universidade Federal de Santa Catarina. Disponível em:</p>
<p>Parker, Richard. Aggleton, Peter. Estigma, discriminação e AIDS. Rio de Janeiro: ABIA, 2001.</p>
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		<title>Câncer x Sexualidade</title>
		<link>http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/09/cancer-x-sexualidade/</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 19:32:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
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		<description><![CDATA[<p> por Géssica Hellmann</p>
<p>A idéia de abordar este tema surgiu em uma conversa com o amigo Dr. Renato Van Wilpe Bach, oncologista pediátrico, que mencionou alguns aspectos <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/09/cancer-x-sexualidade/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em> por Géssica Hellmann</em></p>
<p>A idéia de abordar este tema surgiu em uma conversa com o amigo Dr. Renato Van Wilpe Bach, oncologista pediátrico, que mencionou alguns aspectos referentes às crianças com câncer e as possíveis conseqüências em sua sexualidade adulta, principalmente no aspecto reprodutivo. &#8220;Quais os possíveis efeitos da quimioterapia e da radioterapia em crianças sobre células reprodutivas &#8216;troncos&#8217;, elas mesmas de linhagens que desembocam em espermatozóides e óvulos? Partimos do desconhecimento total da matéria, época em que assumíamos que nenhuma menina com câncer unilateral de ovário seria capaz de reproduzir, até o terreno pantanoso de hoje, em que já evidenciamos inúmeros casos de sucesso, com ou sem fertilização in vitro, sem que sejamos capazes, contudo, de tecer prognósticos a respeito da vida sexual e reprodutiva futura de meninas que hoje tratamos&#8221;. Segundo o Dr. Bach, este tema precisa ser mais pesquisado.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 380px"><img title="Câncer por Priscilla Hlodan" src="http://gehspace.com/edicao%2065%20imagens/cancer-b.jpg" alt="Câncer por Priscilla Hlodan" width="370" height="371" /><p class="wp-caption-text">Câncer por Priscilla Hlodan</p></div>
<p>Neste artigo veremos como o câncer pode afetar a sexualidade do indivíduo adulto, desde o aspecto psicológico quanto o reprodutivo. Falar sobre as necessidades sexuais do paciente durante o tratamento oncológico é importantíssimo para sua vida sexual e seus relacionamentos, mesmo quando as mudanças são apenas temporárias.</p>
<p>Freqüentemente muitos tratamentos oncológicos estão relacionados com alguma disfunção sexual, afirmação válida para ambos os sexos. A pesquisa indica que em torno de 50% das mulheres que sofreram de câncer da mama têm disfunções sexuais prolongadas mais ou menos na mesma proporção de mulheres que apresentaram câncer ginecológico. Já para os homens com câncer da próstata, a taxa se encontra em torno de 70% e, no caso de câncer testicular, em torno de 25%. (Ballone, 2006).</p>
<p>Apesar dos muitos fatores químicos, cirúrgicos e oncológicos que podem determinar problemas da sexualidade no paciente com câncer, não menos importantes são os fatores psicológicos.</p>
<p>&#8220;As mudanças na imagem corporal podem interferir com o apetite sexual em alguns sobreviventes de câncer, mas a repercussão dos tratamentos cirúrgicos do câncer, como por exemplo a mastectomia, tem sido exagerada e muito estimulada pelos valores culturais atrelados à estética corporal.&#8221; (Ballone, 2006).</p>
<p>O apetite sexual é fortemente regulado pelo sistema nervoso central mediante recepção de estímulos sensoriais. A serotonina é uma das substâncias que possibilitam a liberaçao dos neurotransmissores responsáveis pela ativação dos centros eréteis. Ativados os centros eréteis, subseqüentemente procede-se a ereção, o orgasmo e, a seguir, a detumescência (volta à flacidez) nos homens, enquanto nas mulheres ocorre uma congestão sanguínea genital, lubrificação vaginal e aumento do clitóris. Em alguns pacientes que apresentam estado depressivo, são empregados medicamentos que estimulam o aumento da taxa de serotonina, como a fluoxetina, a fluvoxamina, a paroxetina e a sertralina. Mas o excesso de serotonina pode causar a diminuição do apetite sexual. Segundo Ballone (2006(, nestes casos, pode-se tentar alterar o horário de administração destes medicamentos, para depois ou imediatamente antes do coito.</p>
<p>&#8220;Pacientes que se submeteram a ostomização (pessoas com câncer de colo ou reto que precisam abrir um orifício no abdômen para eliminação de fezes em uma bolsinha plástica, não podendo mais evacuar pelo ânus) sofrem muito para reassumir a atividade sexual, já que a bolsa plástica passa a fazer parte constante de suas vidas. Tanto para os homens, quanto para as mulheres, é uma fonte constante de sentimentos de inferiorização e vergonha. Temem que a bolsa com fezes atrapalhe ou vaze durante o esforço da atividade sexual. No sexo com esse tipo de preocupação, não há como se envolver ou fantasiar: o sexo não se torna satisfatório. A comunicação é essencial e o aconselhamento e reeducação sexual por um sexólogo é de grande utilidade&#8221; (Sexo, 2006).</p>
<p>Segundo Hallak (2006), os tipos de câncer que mais comumente afetam pacientes do sexo masculino em idade reprodutiva são: câncer de testículo, Doença de Hodgkin e leucemias. O autor afirma que, nos últimos anos, devido a novos métodos de tratamento e à abordagem multidisciplinar do paciente portador de neoplasias, têm-se observado taxas de sobrevida e de cura cada vez mais significativas para qualquer tipo de câncer, especialmente para adolescentes e crianças Entretanto, estes tratamentos freqüentemente resultam em infertilidade temporária ou esterilidade permanente.</p>
<p>Por isso é importantíssimo instruir o paciente sobre a possibilidade de se fazer a criopreservação (preservação de pré-embriões e espermatozóides) antes da quimioterapia, radioterapia ou cirurgia. Além disso, é importante que as amostras criopreservadas sejam usadas com critério, fazendo com que cada tentativa de gravidez seja feita com a melhor técnica de reprodução assistida possível.</p>
<p>Ainda segundo Hallak (2006), a terapia que visa à cura do câncer pode ter como efeito deletério a perda do mecanismo de emissão e ejaculação anterógrada do sêmen, fato paralelo e adicional aos efeitos diretos da neoplasia ou de seu tratamento sobre a espermatogênese. O exemplo mais comum é o câncer do testículo, em que a grande maioria dos homens apresenta, inicialmente, parâmetros seminais anormais antes da administração de terapias gonadotóxicas, e muitos se submetem a cirurgias retroperitoneais, que podem lesar potencialmente os nervos simpáticos que controlam o mecanismo normal de emissão do sêmen e ejaculação. Com a introdução das técnicas de dissecção retroperitoneal com preservação dos nervos, essas complicações têm se tornado menos freqüentes.</p>
<p>Aproximadamente dois terços dos pacientes com câncer de testículo que recebem radioterapia profilática para seminoma ficam azoospérmicos por um período que varia de 1,5 a 3,5 anos. Apesar de existir um certo cuidado para que homens irradiados não tenham filhos no período pós-tratamento, por receio de efeitos teratogênicos adquiridos pelo espermatozóide, existem poucas evidências até o momento de que isto aconteça, pois os poucos trabalhos que abordam esse tópico não demonstraram aumento significativo dessas anomalias.</p>
<p>A quimioterapia tem um papel muito importante no tratamento do câncer metastático do testículo. Entretanto, o efeito colateral tem um impacto negativo muito significativo na produção de espermatozóides. Aproximadamente 96% dos pacientes submetidos à quimioterapia vão se tornar azoospérmicos num período de tempo curto, após o primeiro ciclo de quimioterapia. Felizmente, 67% destes homens voltam a apresentar espermatozóides no ejaculado, no período de 2 a 3 anos após o término da quimioterapia.</p>
<p>Para Melo (2006), &#8220;A infertilidade, como conseqüência do tratamento oncológico, traz um alto grau de estresse, angústia e ansiedade para os pacientes, tanto homens como mulheres. O impacto do diagnóstico de câncer e a infertilidade, como conseqüência, são dois sofrimentos monumentais e devastadores para os pacientes&#8221;.</p>
<p>Novas esperanças são hoje oferecidas ao homem pós-quimioterapia ou radioterapia que se manteve infértil, porém nada ainda substitui o cuidado em se indicar a criopreservação dos espermatozóides antes de qualquer tratamento.</p>
<p>Bibliografia</p>
<p>Ballone GJ &#8211; Psiquiatria Oncológica &#8211; in. PsiqWeb Psiquiatria Geral, Internet, 2001 &#8211; disponível em http://gballone.sites.uol.com.br/psicossomatica/cancer4.html revisto em 2002</p>
<p>Hallak, Jorge. Criopreservação em pacientes com câncer. Disponível em: http://www.oncoguia.com.br/reproducao/01_crio.asp. Acessado em: 12/10/2006.</p>
<p>Melo, Ana Georgia Cavalcanti de. Aspectos Psicológicos da Infertilidade Decorrente do Tratamento Oncológico. Disponível em: http://gballone.sites.uol.com.br/psicossomatica/cancer4.html. Acessado em: 12/10/2006</p>
<p>Sexo e o Câncer. Disponível em: http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?380. Acessado em: 12/10/2006.</p>
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		<title>Hepatite B: uma DST evitável</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 19:26:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
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		<category><![CDATA[hepatite B]]></category>
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		<description><![CDATA[<p> por Alexis Kauffmann</p>
<p>Em outubro de 2001, descobri-me infectado pelo vírus da Hepatite B. Em muitos casos as pessoas que desenvolvem a forma aguda da doença, criam <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/09/hepatite-b-uma-dst-evitavel/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em> por Alexis Kauffmann</em></p>
<p><em>Em outubro de 2001, descobri-me infectado pelo vírus da Hepatite B. Em muitos casos as pessoas que desenvolvem a forma aguda da doença, criam os anticorpos necessários para neutralizar o vírus e, para todos os efeitos clínicos, ficam &#8220;curadas&#8221;. No meu caso, a situação não foi tão simples. Meses se arrastavam sem que apresentar sintoma algum da doença aguda. Pouco a pouco foi-se instalando o medo de desenvolver um quadro crônico&#8230; E o medo materializou-se. Dezenas de exames e uma cirurgia de biópsia hepática deram o veredito.</em></p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 412px"><img title="Liver 2001 por Tara Massarsky" src="http://gehspace.com/edicao%2064%20imagens/liver%202001%20Tara%20Massarsky.jpg" alt="Liver 2001 por Tara Massarsky" width="402" height="304" /><p class="wp-caption-text">Liver 2001 por Tara Massarsky</p></div>
<p>Fiz uma pergunta mais do que justa: &#8220;Mas como eu peguei isso, doutor&#8221;?</p>
<p>Resposta do médico, que vai ficar para sempre em minha memória: &#8220;Ah, hepatite B é uma DST. Provavelmente você transou com uma mulher infectada e ela passou a doença para você&#8221;.</p>
<p>Foi nesse momento que comecei a pesquisar essa doença, pois eu estava certo de não ter contraído a doença por via sexual.<br />
Esclareço e compartilho aqui minhas descobertas durante essa dolorosa trajetória de dois anos de um tratamento caríssimo. Porque não me conformo, nem jamais me conformarei, em aceitar o fato de que contraí uma doença que para a qual existe vacina preventiva. Uma doença cujo tratamento consistiu em consumir uma caixa de medicamento antiviral por mês durante dois anos seguidos, ao custo de uma dose de vacina por caixa. Vamos por partes.</p>
<p>O que é hepatite B?</p>
<p>A hepatite B é definida como inflamação do fígado causada por uma infecção pelo Vírus da Hepatite B (HBV), um vírus DNA, da família Hepdaniridae (1). O HBVé um vírus DNA, transmitido por sangue. Não se adquire hepatite B através de talheres, pratos, beijo, abraço ou qualquer outro tipo de atividade social aonde não ocorra contato com sangue. Após a infecção, o vírus concentra-se quase que totalmente nas células do fígado, onde seu DNA fará o hepatócito construir novos vírus (2). O HBV é mil vezes mais contagioso do que o vírus da AIDS e muito mais resistente: embora seja um vírus que infecta somente seres humanos, ele pode resistir por até 7 dias fora do corpo &#8211; por exemplo, em uma gota de sangue seco &#8211; e ainda assim causar a infecção (3).</p>
<p>O período médio de incubação do HBV é de 45 dias, embora possa prolongar-se por mais de seis meses. A maior parte das pessoas infectadas não sabe que tem o vírus, mas são portadores assintomáticos e podem disseminar a doença. O contágio se dá pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas: sangue, esperma, secreções vaginais, saliva. É também possível a transmissão vertical, isto é, da mulher grávida para o feto, por contato social: cortes, abrasões, mordidas e arranhões. Também é possível contrair a doença através do uso de instrumentos dentários, alicates de unha, instrumentos de tatuagem e piercing contaminados, uso comum de navalhas, lâminas, aparelhos de barbear e escova-de-dentes (4).</p>
<p>A prática de tatuagem ou piercing são considerados procedimentos de risco, porque o material cirúrgico deve ser esterilizado em autoclave a 121°C por 20 minutos ou estufa a 170° por 2 horas. Ou seja, não adianta jogar água fervente ou passar um algodãozinho com álcool.</p>
<p>Mais de 50% da população mundial já foi contaminada pelo vírus da hepatite B. Estima-se algo em torno de 2 bilhões de pessoas que já entraram em contato com o vírus, 350 milhões de portadores crônicos e 50 milhões de novos casos a cada ano. Em áreas com maior incidência, de 8 a 25% da população carregam o vírus e de 60 a 85% já foram expostas. No Brasil, 15% da população já foi contaminada e 1% é portadora crônica (5).</p>
<p>Ou seja, o HBV, bem o como o vírus da hepatite C, &#8220;é o capeta&#8221;, como admitiu o médico que acompanhou o meu caso. Embora esteja comprovado que a hepatite B é uma DST &#8211; ou seja, pode ser transmitida por via sexual &#8211; o fato é que, no caso de um paciente específico, é muito difícil determinar a causa, justamente pelo longo período de incubação. No período de 45 dias a seis meses, quantas oportunidades de contato com material contaminado uma pessoa pode ter &#8211; desde o consultório dentário até na manicure ou na barbearia? (6)</p>
<p>A boa notícia é que, ao contrário da hepatite C, não é preciso expor-se ao risco de contrair a hepatite B. A vacina existe desde 1994 e é considerada uma das mais seguras que existem. O esquema de vacinação inclui 3 aplicações de injeção intramuscular, sendo a segunda normalmente dose aplicada um mês após a primeira e, a terceira, cinco meses depois. Sua eficácia é enorme e, aparentemente, imuniza a pessoa por toda a vida sem necessidade de doses de reforço (7).</p>
<p>Por outro lado, o tratamento de quem já está infectado e desenvolveu a forma crônica da doença, envolve aplicação de injeções regulares dolorosas de interferon, tratamento com fortes efeitos colaterais, ou doses diárias de antivirais como a lamivudina e o adefovir a custos altíssimos. É mais barato vacinar-se do que tratar-se.</p>
<p>Se você ainda tem alguma dúvida, leia a posição oficial da Organização Mundial de Saúde sobre a vacinação contra hepatite B:</p>
<p>&#8220;O objetivo principal das estratégias de imunização para hepatite B é prevenir a infecção crônica pelo HBV infecção e suas conseqüências sérias, inclusive cirrose hepática e câncer hepatocellular. A vacinação rotineira de todas as crianças contra infecção do HBV deveria se tornar uma parte integral programas de imunização nacional em nível mundial&#8230; Uma variedade de programas pode ser usada para imunização de hepatite B em programas nacionais, dependendo da situação epidemiológica local e considerações pragmáticas. Porém, em países onde uma proporção alta das infecções por HBV são adquiridas por via perinatal, a primeira dose de vacina contra hepatite B deveria ser efetuada o mais rápido possível (&lt;24 horas) após o nascimento&#8230; As estratégias voltadas para faixas etárias mais velhas com fatores de risco para adquirir infecção por HBV deveria ser considerado como um suplemento para a vacinação rotineira de crianças em países de endemicidade média ou baixa&#8230; Em países com altos índices de endemicidade, a vacinação rotineira ampla de crianças rapidamente reduz o transmissão do HBV. Nestas circunstâncias, a vacinação de crianças mais velhas crianças e adultos tem choque relativamente pequeno na doença crônica, porque muitas dessas pessoas já se encontram infectadas &#8221; (8).</p>
<p>Logo, consulte seu médico, verifique se está ou não contaminado. Se estiver, você pode tratar-se precocemente, reduzindo muito os riscos de complicações. Se não estiver, você pode vacinar-se e nunca mais se preocupar com essa doençazinha maldita.</p>
<p>Só não se esqueça de continuar a praticar sexo seguro (em bom português, use camisinha) e ter muito cuidado com material &#8220;cirúrgico&#8221;, inclusive objetos domésticos como alicates de cutícula e lâminas de barbear. Afinal, a hepatite B é apenas mais uma praga entre muitas outras que assombram a sexualidade humana.</p>
<p>Fontes:</p>
<p>1 &#8211; http://www.dstfacil.hpg.ig.com.br/hepatite_b.htm<br />
2 &#8211; http://www.hepcentro.com.br/hepatite_b.htm<br />
3 &#8211; http://www.cdc.gov/ncidod/diseases/hepatitis/b/faqb.htm<br />
4 &#8211; http://www.saude.to.gov.br/mostra_programa.php?codigo=163&amp;tab=tab7&amp;status=abre<br />
5 &#8211; http://www.hepcentro.com.br/hepatite_b.htm<br />
6 &#8211; http://www.hivandhepatitis.com/2006icr/icaac/docs/092906_hbv_a.html<br />
7 &#8211; http://www.hepb.org/hepb/vaccine_information.htm<br />
8 &#8211; http://www.who.int/entity/immunization/topics/WHO_position_paper_HepB.pdf</p>
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		<title>Aqui não tem receita de Tesão de Vaca!</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 15:53:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>Não sei quanto a vocês mas, nascida no sul deste Brasil, eu já tinha escutado por alto a lenda extraordinária do miraculoso &#8220;Tesão de Vaca&#8221;. A <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/09/aqui-nao-tem-receita-de-tesao-de-vaca/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Géssica Hellmann</em></p>
<p>Não sei quanto a vocês mas, nascida no sul deste Brasil, eu já tinha escutado por alto a lenda extraordinária do miraculoso &#8220;Tesão de Vaca&#8221;. A lenda conta que, ao ingerir esse medicamento de uso veterinário diluído nas bebidas das mulheres, ele faz com que elas sintam vontade de fazer sexo desesperadamente com o primeiro que aparecer.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 460px"><img title="My dear cow (1991) por Tatiana Iu Ianovskaia" src="http://www.gehspace.com/edicao%2047%20imagens/IANOVSKAIA%20Tatiana%20Iu.%20%20%20-%20my%20dear%20cow%201991.jpg" alt="My dear cow (1991) por Tatiana Iu Ianovskaia" width="450" height="334" /><p class="wp-caption-text">My dear cow (1991) por Tatiana Iu Ianovskaia</p></div>
<p>Assunto esse sempre circulando entre jovens mancebos, principalmente em cidades do interior, como se fosse a grande descoberta da humanidade. Como conseguir transar com aquela garota que não te dá mole?</p>
<p>Em uma das mesas-redondas lideradas pela co-editora Lívia Santana, um dos participantes fez a seguinte indagação:&#8221;Vocês conhecem &#8220;tesão de vaca&#8221;? Tesão de vaca é um produto afrodisíaco lendário, que é vendido no mercado negro dos Sex Shops&#8230; Tira as meninas do sério. É o que esses &#8220;garotões&#8221; usam pra dopar as garotas. O problema é que tem efeitos colaterais: náusea, dores de cabeça, desorientação etc&#8221;.</p>
<p>Curiosamente, a expressão &#8220;Tesão de Vaca&#8221; tem liderado nos últimos meses, segundo nossos relatórios de audiência, as palavras-chaves em sites de busca que conduzem ao nosso site. Pessoas procurando saber onde comprar o produto e quanto diluir nas bebidas das mulheres&#8230; Isso não é um verdadeiro absurdo? Quem ainda acredita nesta lenda?</p>
<p>Além de um grande absurdo, é uma grande irresponsabilidade. Primeiro: aos desavisados, a libido humana, segundo a ginecologista Dra. Kátia Davy Bello, é provocada, em sua maior parte pelo emocional e uma pequena porcentagem pelo fator hormonal. Ou seja, se o emocional não estiver bem, não existe remédio que aumente a libido e o apetite sexual. A Dra. Kátia afirma que, quando é procurada por pacientes procurando soluções para aumentar a libido, não indica remédio algum.</p>
<p>Os medicamentos popularmente conhecidos como &#8220;Tesão de Vaca&#8221; são produtos de uso exclusivamente veterinário, como, por exemplo, compostos de cloprostenol, um indutor de cio. Débora Poplawski, coordenadora de atendimento técnico e farmacovigilância do laboratório Schering-Plough, disse que &#8220;Conhecendo as fases do ciclo estral de uma fêmea, é possível se programar para reduzir o período de tempo em que o animal levaria para entrar em cio novamente, portanto o produto &#8220;não dá tesão&#8221; e sim, apenas antecipa uma fase do ciclo estral.&#8221;</p>
<p>A Dra. Poplawski alerta ainda que o produto é absorvido através da pele. Portanto não se recomenda que mulheres grávidas, pessoas asmáticas e pessoas com problemas bronquiais ou qualquer outro tipo de problema respiratório manipulem este produto. Quando acidentalmente ocorrer a exposição ao produto ou contato com a pele, deverá lavar imediatamente o local com abundante água e sabão. Em caso de broncoespasmo, deverá se administrar imediatamente um broncodilatador de ação rápida como a Isoprenalina o salbutamol por inalação.</p>
<p>Existem outros medicamentos indutores de cio bovino compostos principalmente por prostaglandina (PGF2µ) e progesterona (P4), associados ou não. Segundo o Dr. Amaury Mendes Júnior, sexólogo, &#8220;em minha clínica de sexualidade, ou nas aulas que ministro, ainda não atendi ninguém que tivesse usado tais substâncias para estimulo sexual, o que na verdade causaria dor uterina pela ação da prostaglandina, inchação e retenção liquida pela ação do progesterona, podendo até alterar o fluxo menstrual. Acredito que, pela dosagem usada nos animais, se forem as mesmas usadas pelas pessoas desinformadas, as reações colaterais possam ser inúmeras, além das citadas: náuseas, desconforto gástrico, ansiedade, inchação das mamas e dor muita dor, podendo até provocar aborto em caso de gravidez pelas contrações excessivas.&#8221;</p>
<p>Segundo o psiquiatra Dr. Luiz Alberto Py, a analogia que podemos fazer com pessoas que administram uma substância sem o consentimento da vítima com a finalidade de forçá-la a fazer sexo, seria com o crime de estupro.</p>
<p>Lenda ou não, o fato de existir tanta demanda por esse &#8220;produto milagroso&#8221; abre as portas para o risco de que se estabeleça um mercado negro para tráfico deste tipo de produto. Segundo a médica veterinária Dra. Tatiana Pinheiro França, um outro caso de administração de medicamentos de uso veterinário irresponsavelmente em seres humanos é o &#8220;Boa Noite Cinderela (BNC)&#8221;. Como os remédios indutores de sono e sedativos de uso humano são de mais difícil acesso, os criminosos costumam apelar para os de uso veterinário. Na experiência do Dr. Luiz Alberto Py, porém, o uso de BNC&#8217;s está mais ligado a crimes de assalto e seqüestro do que de estupros, rejeitando, por esse motivo, a analogia com o &#8220;tesão de vaca&#8221;.</p>
<p>O que me impressiona na verdade é a intenção de crime e a total falta de moralidade. Caso o remédio fizesse o efeito desejado, o fato de supostamente a vítima sentir a urgência de fazer sexo isentaria o indivíduo de culpa?</p>
<p>Sabendo que os efeitos colaterais são extremamente perigosos e pondo em risco a própria vida da vítima, a advogada Dra. Ariadna Garibaldi avalia que &#8220;dependendo das provas que se tenha em mãos, ainda é tentativa de estupro,confome o Código que define o crime de estupro no art. 213 (&#8220;Constranger mulher à conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça: Pena – reclusão, de 6 a 10 anos&#8221;), denominado de estupro simples. No art. 223 (&#8220;Se da violência resulta lesão corporal de natureza grave: Pena – reclusão, de 8 a 12 anos) e no parágrafo único, do mesmo artigo (&#8220;Se do fato resulta morte: Pena – reclusão, de 12 a 25 anos), estão previstos os estupros qualificados. Por fim, existe ainda o estupro presumido, previsto no art. 224 (&#8220;Presume-se a violência, se a vítima: a) &#8211; não é maior de 14 anos; b) &#8211; é alienada ou débil mental, e o agente conhecia esta circunstância; c) &#8211; não pode, por qualquer outra causa, oferecer resistência&#8221;).</p>
<p>Faço agora outra pergunta ao sexo masculino: como está a auto-estima de vocês? Anda tão baixa assim que precisa de um estimulo desse tipo? Faço minhas as palavras ditas pela Dra. Kátia Davy Bello: &#8220;Precisar recorrer a esse tipo de expediente para transar com uma mulher é o cúmulo da incopetência&#8221;.</p>
<p>Brincadeiras à parte, repito o que disse no título: aqui não tem receita de tesão de vaca! Mas para não desanimar aos que vieram em busca desta informação, abaixo vai uma outra receita de Vaca que é um verdadeiro tesão e sua namorada vai adorar:</p>
<p><strong>Vaca Preta</strong><br />
<strong>1 bola de sorvete de chocolate<br />
1 bola de sorvete de morango<br />
1 bola de sorvete de creme<br />
290ml de coca-cola</strong></p>
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