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	<title>Sexualidade by géh &#187; sexualidade e política</title>
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	<description>Sexualidade: artigos de pesquisa e entrevistas</description>
	<lastBuildDate>Tue, 07 Jul 2009 14:51:44 +0000</lastBuildDate>
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		<title>O que sempre foi assim pode ser diferente</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Jul 2009 14:33:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[neurose]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e política]]></category>

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		<description><![CDATA[<p class="wp-caption-text">I Am A Bundle of Neuroses por Pauline Lim</p>
<p>A sociedade parece viver presa a crendices, muitos sequer sabem o motivo, pelo simples fato de que &#8220;sempre <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2009/07/07/o-que-sempre-foi-assim-pode-ser-diferente/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_533" class="wp-caption aligncenter" style="width: 334px"><img class="size-full wp-image-533" title="I Am A Bundle of Neuroses por Pauline Lim" src="http://gehspace.com/sexualidade/wp-content/uploads/2009/07/pauline_lin.jpg" alt="I Am A Bundle of Neuroses por Pauline Lim" width="324" height="434" /><p class="wp-caption-text">I Am A Bundle of Neuroses por Pauline Lim</p></div>
<p>A sociedade parece viver presa a crendices, muitos sequer sabem o motivo, pelo simples fato de que &#8220;sempre foi assim&#8221;.  Vejo pessoas vivendo dentro de uma caixinha de fósforo, amarradas a camisas de força, mal conseguem respirar e nem notam onde estão.</p>
<p>Jogam seus filhos desde cedo em creches e escolinhas. Crianças que deveriam brincar, usam uniformes e passam mais tempo com estranhos do que com a família. A escola muitas vezes pode se tornar uma instituição doentia. Acredito que toda a criança merece ter uma base emocional fortalecida antes de ser colocada em uma instituição de ensino.</p>
<p>Sei que muitos podem se sentir contrários a minha opinião. Mas decidi que quero que meus filhos estejam preparados antes de se verem obrigados a ir diariamente a escola com mais de 40 alunos por sala e uma professora, nem sempre qualificada e preparada psicologicamente. Sim todos temos traumas, neuroses, ninguém é livre delas.</p>
<p>Aos três anos meu filho mais velho já recebe aulas de natação para fortalecer o físico, renovando suas energias a cada vitória conquistada. Desde seu nascimento, em casa, utilizamos a música como meio de expressão. Prepará-lo para uma iniciação musical e expressão artística é outro recurso que encontramos para fortalecê-lo emocionalmente.</p>
<p>Assim ele aprende a conhecer a si mesmo e ao mundo brincando. Toda criança precisa brincar. Toda criança precisa de amor e se sentir protegida por seus pais.</p>
<p>Somente aos cinco anos, quando ele estiver se comunicando plenamente e confiante em si mesmo, apresentarei a ele a escola. Na escola ele irá encontrar outras crianças, pessoas com o todo o tipo de crenças, superstições, neuroses. Lá ele também aprenderá muitas coisas boas, mas estará fortalecido para saber como lidar com o que é diferente, em aceitar as limitações de outras pessoas que não pensam da mesma forma que ele, mas também saberá como expor suas ideias, seus sentimentos.</p>
<p>Recebo olhares de contrariedade quando me perguntam porque meu filho de três anos não está na escola ainda? Eu respondo: é por amor, ele é criança e quer brincar. É brincando e se divertindo que fortalecerá seu caráter, seu espírito criativo e indagador.</p>
<p>Também sei que nem todos tem a opção de cuidar de seus filhos. Eu tenho um escritório em casa, por isso posso passar mais tempo junto aos meus filhos.  Nossa relação enfatiza a confiança, a sinceridade e o carinho entre nós.</p>
<p>Paralelo a isso, vejo a cidade mudando, a verticalização chegando e todos parecem cegos deixando-se levar pelo burburinho &#8220;é o progresso&#8221;. Progresso? Onde?</p>
<p>Pois digo o que vejo: a morte de uma cidade, a instalação de uma prisão, de um hospício ao ar livre. Duplica-se a cada nova construção vertical a quantidade de habitantes de um bairro. Até um ano atrás, as ruas estavam limpas, você não encontrava lixo nas calçadas. Hoje vejo pessoas que fugiram de uma metrópole violenta recorrendo a uma vida em uma cidade mais ao sul, interior do Brasil em busca da &#8220;vida saudável&#8221;.</p>
<p>Parece bom, a princípio, se não fosse por um porém: elas trazem seus vícios e os implantam aqui. Estão tão acostumadas a falta de qualidade de vida, que não conseguem se livrar de sua neurose.</p>
<p>Trouxeram os traficantes, as favelas, os moradores de rua, a miséria, o lixo nas ruas e em pouco tempo implantarão aqui também o medo. Agora pergunto: a verticalização é o progresso?</p>
<p>Cidades do interior são mais propícias ao aumento contínuo da AIDS e outras doenças transmissíveis sexualmente. Passeio pelas ruas e vejo pessoas fumando cigarros de maconha como se fossem cigarros normais durante a luz do dia. Em uma das principais ruas da cidade, um rapaz fumando crack as 16:00 da tarde é manchete do jornal.</p>
<p>E os nativos da cidade parece não quererem ver, andam tão centrados em sua própria camisa de força que se esquecem de dar valor a vida. Novos prédios significam mais desmatamento, mais carros nas ruas, mais poluição, mais violência.</p>
<p>A sexualidade é outro tema tratado com muita naturalidade em nossa casa. A sexualidade é altamente relacionada a base emocional do ser humano. Por isso a necessidade de fornecer recursos para o fortalecimento emocional  de nossas crianças. Tudo para que estejam preparadas para conviver em uma sociedade repletas de neurose.</p>
<p>Precisamos aprender a respirar, a escutar os avisos transmitidos por nosso corpo, aprender a ter uma vida mais saudável. Comece com pequenos atos como um abraço, um carinho, dando amor e atenção as pessoas com que você convive. Diga um bom dia com um sorriso para o motorista do ônibus, para seu vizinho. Dance, cante, crie e encante a vida. Saia da rotina, da mesmice, do que sempre foi assim: trasnforme sua vida com alegria e amor ao próximo.</p>
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		<title>Aspectos políticos da sexualidade: curar a sociedade ou remendar o doente?</title>
		<link>http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/aspectos-politicos-da-sexualidade-curar-a-sociedade-ou-remendar-o-doente/</link>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 19:49:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 101 a 105]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e política]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade feminina]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Por Géssica Hellmann</p>
<p>Aos que já me conhecem e acompanham as atualizações da revista, sabem que desde 2005 edito e publico neste espaço temas referente à sexualidade humana. <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/aspectos-politicos-da-sexualidade-curar-a-sociedade-ou-remendar-o-doente/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Géssica Hellmann</p>
<p>Aos que já me conhecem e acompanham as atualizações da revista, sabem que desde 2005 edito e publico neste espaço temas referente à sexualidade humana. Sou brasileira, nasci no sul do país, morei algum tempo no Rio de Janeiro e hoje estou em Santa Catarina.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 400px"><img title="Circe por Cassandra Tiffin-Lavers" src="http://gehspace.com/edicao%20104%20imagens/Circe.jpg" alt="Circe por Cassandra Tiffin-Lavers" width="390" height="492" /><p class="wp-caption-text">Circe por Cassandra Tiffin-Lavers</p></div>
<p>Nasci em uma cidade onde as mulheres são criadas para namorar, casar, ter filhos e ser dona de casa. Algumas para estudar&#8230; mas nunca se espera que elas sustentem a família. O homem é educado para o papel de provedor. Muitos homens casados acham que sentir prazer e fazer sexo &#8211; com todas as fantasias possíveis – é algo que só deve fazer no prostíbulo na esquina. Com a mulher, em casa, o “correto” limita-se ao &#8220;papai-mamãe&#8221;. Se a mulher pede algo a mais, ou tenta inovar, o homem já acha que está sendo traído: onde ela aprendeu tudo isso se não foi com ele?</p>
<p>Há muitas mulheres que ultrapassam os &#8220;limites impostos pela sociedade&#8221;. Estudam, ampliam os horizontes, querem ser independentes. Algumas conseguem um espaço. A maioria acaba saindo da cidade, em busca de &#8220;ar&#8221; ou de pessoas com outro tipo de pensamento. As mulheres, em sua maioria, são mais evoluídas do que os homens, mas muitas param ou se acomodam no cumprimento do papel que se espera delas.</p>
<p>A isso chamo de “educação tradicionalista”.</p>
<p>Mas essas definições rígidas dos papéis sexuais acontece somente em cidades tradicionalistas? Não. Esse é um fenômeno universal, que afeta a toda a humanidade, principalmente nas sociedades ocidentais. A diferença está no modo como essas neuroses são “revestidas”.</p>
<p>Em uma cidade metropolitana como o Rio de Janeiro, por exemplo, parte dessa moralidade funciona às avessas, mas de forma igualmente terrível. Se uma mulher quer se casar virgem, a moralidade vigente grita: “Mas você ainda é virgem”? O policiamento sobre o comportamento do outro e a exclusão quando se quebra as “sagradas regras sociais” são constantes, mas assumem forma de “bom humor”, através de piadinhas tão depreciativas quanto uma acusação direta. O carioca “tem” que gostar de pagode, de carnaval e de torrar na praia. Porque é isso que se espera dele. Ele precisa ignorar solenemente o que está debaixo de seu nariz: as praias poluídas, as calçadas imundas, a violência verbal e física a cada esquina, a falta de educação, gentileza e cordialidade&#8230; Mas o Rio é lindo!</p>
<p>“Em política cada um culpa os demais, nunca a si mesmo. É hora de parar de culpar o bode expiatório. Já é mais do que na hora de ver o que divide a humanidade. É a peste emocional, chamada “pecado” na Cristandade, que fragmenta a humanidade. É a couraça que torna o homem desamparado e prostrado. É novamente a couraça que é o terror da Vida viva, fluente, que cria os portadores da peste, que se tornam os sargentos dos exércitos de nações cruéis” (Reich, 1995 p.206).</p>
<p>Demos o exemplo da mulher, mas a culpa é somente dos homens? Não. A culpa é da sociedade e de suas “regras morais”. Qualquer pessoa que infringir as regras é crucificado. Quem faz a sociedade? O Zé Ninguém e a Maria Ninguém, ou seja, nós. Vivemos em uma sociedade que produz neurose, uma sociedade em que desde que se nasce, já se é doente. Será que a solução se encontra em “remendar” o problema em consultórios de psicoterapias? Ou será que Reich estava certo ao defender que era preciso “produzir” saúde? Por que, mesmo nas comunidades auto-intituladas “reichianas”, pouco se fala sobre seu importantíssimo trabalho político?</p>
<p>Além de editora, sou artista plástica, e abordo na arte a corporalidade e a sexualidade humana. Daqui a duas semanas, farei uma exposição cujo o tema é uma homenagem aos 50 anos de morte de Wilhelm Reich, chamada “Função do Orgasmo”.</p>
<p>Imaginem agora, nesse momento estou enviando convites para o coquetel da exposição. Muitos me perguntam qual é a reação das pessoas ao verem que o tema é relacionado com sexualidade. Não espero ser recebida com flores, aplausos e confetes. Procuro tratar o tema com a maior naturalidade, já que é assim que sempre deveria ser tratado.</p>
<p>Fui muito bem recebida pela mídia até o momento e tenho certeza de ter despertado pelo menos a curiosidade de alguns: “quem é esta artista que fala sobre sexo”? Essa estranheza vem de que muitos limitam sua idéia de sexualidade ao ato sexual, sem perceber que o termo se refere a toda nossa existência.</p>
<p>As obras que preparei para essa esposição retratam a mulher desde o matriarcado, quando ainda podemos dizer que havia uma “sexualidade natural”, até a mulher contemporânea. Com a passagem do matriarcado para o patriarcado, surge o “pecado original” e também a “peste emocional”, quando a sociedade começa a reprimir e anular no corpo tudo o que é o belo e natural.</p>
<p>É isso que a psicologia corporal nos mostra, ao ensinar-nos a ler a corporalidade, as expressões corporais. Reich foi o fundador da psicologia corporal. Ele e seus contemporâneos mapearam o corpo humano e nos mostraram que há possibilidade de libertar essa energia represada no que chamou de couraça muscular. Mas Reich foi mais além, nos instigando a não somente remendar os estragos sociais através da terapia, incitando-nos.a mudar todo o pensamento político e ideológico que nos mantém nessa prisão sem muros que é a sexualidade amordaçada.</p>
<p>Voltando ao nosso inimigo contemporâneo, a AIDS, sinto que devo lutar contra esse monstro aqui em Santa Catarina. A idéia que se transmite na mídia sobre o &#8220;Coquetel anti-AIDS&#8221; como solução para o problema, sem abordar os graves efeitos colaterais da medicação antiretroviral, ou as dificuldades do dia a dia de um HIV positivo. Uma pessoa que desenvolveu a doença precisa de apoio diário: psicológico, atividade física, massoterapia, terapias de grupo e outras atividades em que os pacientes possam dar e receber apoio mútuo.</p>
<p>A AIDS, assim como as outras DSTs, são conseqüências diretas da &#8220;Peste Emocial&#8221;, do desconhecimento e intolerância com relação à própria sexualidade. Na década de 1960, explode a &#8220;liberação sexual&#8221;, o lema &#8220;sexo, drogas e rock and roll&#8221;. Nos anos 1980 surge a AIDS, e a tal “liberação” sem liberdade de fato cobra o seu preço. Onde está a liberdade real?</p>
<p>Não vou mudar o mundo. Mas se eu puder alertar e fazer alguma diferença no pensamento e atitude de quem estiver próximo, eu o farei, e a arte estará a meu lado.</p>
<p>Bibliografia:</p>
<p>Reich, Wilhelm. O assassinato de Cristo. São Paulo: Martins Fontes, 1995.</p>
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		<title>Hipocrisia</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 19:07:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 96 a 100]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e política]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Géssica Hellmann</p>
<p>Quantos vestem a carapuça de respeitáveis &#8220;pais de família&#8221; e possuem amantes ou &#8220;casos&#8221; fora do casamento? Pelo menos respeitam o corpo de seus cônjuges <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/hipocrisia/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Géssica Hellmann</em></p>
<p>Quantos vestem a carapuça de respeitáveis &#8220;pais de família&#8221; e possuem amantes ou &#8220;casos&#8221; fora do casamento? Pelo menos respeitam o corpo de seus cônjuges utilizando preservativos? Ou não se importam de passar adiante suas doenças &#8211; psíquicas ou somáticas?</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 400px"><img title="Fruto de pasion I por Mary Cary" src="http://gehspace.com/edicao%2096%20imagens/Fruto%20de%20Pasion%20I.jpg" alt="Fruto de pasion I por Mary Cary" width="390" height="481" /><p class="wp-caption-text">Fruto de pasion I por Mary Cary</p></div>
<p>Dentre esses pais, muitos ainda têm coragem de julgar um filho por sua orientação sexual. Como se homossexualidade fosse um crime, um ato maligno. Que honra tem este pai ou esta mãe de família para se achar juiz das escolhas do modo de amar de um filho? Ele pratica o ódio, a violência? Não! Ele fez uma escolha diferente para amar.</p>
<p>Quem sou eu para julgar? Quem é você? Que direito temos de ser juizes do próximo e esquecemos muitas vezes de olhar nosso próprio umbigo?</p>
<p>Quantos ditos &#8220;católicos&#8221; que dizem defender o amor ao próximo e são os primeiros a julgar e condenar e promover o ódio e o preconceito? É isto que Cristo nos ensinou como amor ao próximo? É esta a mensagem que ele quis nos deixar ao ser condenado à cruz?</p>
<p>Quantas vezes ainda julgaremos as pessoas pelas vestes? Quantas vezes as rotulamos e as condenamos por puro preconceito? A Peste Emocional grita dentro de cada um de nós. Quando nos libertaremos desta máscara de hipocrisia?</p>
<p>Ele é negro, então provavelmente ignorante, dou-lhe pouco valor. Tolo! Não sabe que este mesmo homem, independente de sua cor, é brilhante, iluminado e capaz de grandes obras?</p>
<p>Ou então, aquele outro, que é homossexual então provavelmente, sua mente pequena e preconceituosa sussurra: &#8220;este não gosta de trabalhar porque gosta de ser sustentado por seu parceiro&#8221;.</p>
<p>Aquela é separada, o marido a abandonou. Conseqüentemente, ela é &#8220;fácil&#8221;, e a respeitarei menos que do que a moças do prostíbulo que freqüento.</p>
<p>Sim já ouvi demais barbaridades como essas. E denuncio aqui minha repugnância.</p>
<p>Cito Ariadna Garibaldi &#8220;As diferenças nos ensinam, as diferenças nos acrescentam, as diferenças nos tornam mais fortes. Respeitar as diferenças e aprender com elas é prova de inteligência; rejeitar a diversidade e segregar aqueles que não se adequam aos nossos padrões é roubar de nós mesmos a chance de crescermos e de nos tornarmos melhores&#8221;.</p>
<p>Aqui neste espaço contamos a história, denunciamos fatos: a conclusão é sua. Sim esperamos contra-argumentação: então o que recebemos na maioria das vezes? Adjetivos. Argumentem, mas o façam com fatos.</p>
<p>Lutamos contra todo o tipo de violência, verbal ou não-verbal.</p>
<p>&#8220;Tomo partido do que acredito. Deixar de seguir meus valores seria minha anulação. São esses os princípios que como mãe, mulher e esposa, quero transmitir ao meu filho e a todos os que neles acreditarem&#8221; (Hellmann 2007).</p>
<p>As pessoas são mais do que rótulos, são seres humanos e querem e precisam ser amados.</p>
<p>A desinformação é uma arma muito poderosa. Manter as pessoas na ignorância é muito conveniente a alguns. Hipocrisia é o que combato. Falamos de hombridade, nobreza de caráter, mas sabemos realmente o que é ter hombridade? Quando somos tão pequenos e temos tanto medo de quem faz escolhas diferentes das nossas?</p>
<p>Então me deparo novamente, em minha vida, com a questão: fazer o bem ou lutar contra o mal? O que tem isso haver com a missão que defendemos neste espaço ou com sexualidade?</p>
<p>Tudo. É sua essência.</p>
<p>Muitas vezes sinto que não há escolha. A batalha está ai, acontecendo. Você pode optar por ficar na vanguarda lutando contra o mal, lhe impondo obstáculos. Você pode optar por uma missão de resgate, ajudando quem estiver ao seu alcance. Você pode &#8220;optar&#8221; por não fazer nada, não reagir, não seguir adiante&#8230; Se você escolher este caminho lembre-se:</p>
<p>O universo já subiu um degrau. Você ficará para trás?</p>
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		<item>
		<title>O poder destrutivo de uma sociedade sexualmente doente</title>
		<link>http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/o-poder-destrutivo-de-uma-sociedade-sexualmente-doente/</link>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 18:51:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 91 a 95]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e corporalidade]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e política]]></category>
		<category><![CDATA[wilhelm reich]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann e Alexis Kauffmann</p>
<p>Reich alerta sobre a peste emocional e suas conseqüências arrasadoras. Pensamos agora em todos os crimes contra a humanidade provocados por seres como <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/o-poder-destrutivo-de-uma-sociedade-sexualmente-doente/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Géssica Hellmann e Alexis Kauffmann</em></p>
<p>Reich alerta sobre a peste emocional e suas conseqüências arrasadoras. Pensamos agora em todos os crimes contra a humanidade provocados por seres como nós, &#8220;Zés Ninguéns&#8221;.</p>
<p>Destruímos o belo, o natural, o divino em nome de nosso próprio egoísmo. Voltamos um pouco ao passado. No genocídio do povo judeu, o holocausto. &#8220;E quando arrastas milhares de homens, mulheres e crianças para as câmaras de gás, mais não fazes que cumprir o que te mandam, não é assim, Zé Ninguém? És tão inofensivo que nem sequer te dás conta do que se passa. És um pobre diabo que nada tem a dizer, sem opinião própria; quem és tu para te meteres na política?&#8221; (Reich, 1982:77).</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 361px"><img title="A Part of Eternity 38 por Michael Price" src="http://gehspace.com/edicao%2094%20imagens/A%20Part%20of%20Eternity%2038.jpg" alt="A Part of Eternity 38 por Michael Price" width="351" height="468" /><p class="wp-caption-text">A Part of Eternity 38 por Michael Price</p></div>
<p>Voltemos ainda mais um pouco no tempo, quando a mulher era a personagem central, numa sociedade matriarcal em que não havia divisão entre os sexos no poder. &#8220;Neste período havia uma liberdade sexual maior e, por esse motivo, havia poucas guerras para a conquista de territórios&#8221; (Hellmann, 2007a). Foi somente mais tarde no período neolítico que os homens descobriram o seu papel biológico na função reprodutora. Começaram então a exercer &#8220;seu poder&#8221; escravizando e dominando a mulher e, posteriormente, começaram as lutas pelo poder, guerras por território, a lei do mais forte.</p>
<p>O que era natural, a sexualidade, transforma-se em &#8220;dominação&#8221;: inicia-se a transformação do natural em perverso.</p>
<p>Reich grita nossa responsabilidade, nossa mediocridade, nossas barbaridades concebidas por uma sexualidade doentia: elegemos genocidas e criminosos e crucificamos quem poderia nos libertar.</p>
<p>O autor afirma ainda:</p>
<p>&#8220;Foi-te oferecida a escolha entre a exigência de superação do Übermensch de Nietzsche e a degradação do Üntermensch em Hitler. Berrando &#8220;Viva&#8221;, escolheste o Üntermensch.</p>
<p>Foi-te dado a escolher entre a constituição genuinamente democrática de Lênin e a ditadura de Stálin. Escolheste a ditadura de Stálin.</p>
<p>Tiveste a escolha entre a elucidação de Freud da origem sexual das tuas perturbações emocionais e a sua teoria da adaptação cultural. Escolheste a sua filosofia cultural, que não te trazia qualquer apoio, e esqueceste a teoria sexual. Pudeste escolher entre a magnificente simplicidade de Cristo, e Paulo, com o seu celibato para os padres e o seu casamento indissolúvel. Escolheste o celibato e o casamento indissolúvel esquecendo a mulher simples que pariu seu filho, Jesus, apenas por amor&#8221; (Reich, 1982:62).</p>
<p>Destruímos o que é natural, aprisionamos a &#8220;alma&#8221;, o espírito, num corpo. Deveríamos, sim, perceber que um reflete o outro, é conseqüência de nossas decisões. Não se pode separá-los.</p>
<p>Vivemos em um &#8220;lusco-fusco&#8221;, nem totalmente nas sombras e nem totalmente na luz. Temos a mesma capacidade para fazer o bem e para fazer o mal. O que nos nos leva a ser bons ou maus? Nossa teimosia na escolha de um dos lados. Sim, a persistência em caminhar mais próximo à luz que às trevas nos difere de seres maus, e vice e versa. O Homem Ético pode distorcer os conceitos mais belos e transmutá-los em ferramentas de opressão. Enquanto um homem aparentemente sem ética pode, na verdade, agir como uma força libertária.</p>
<p>Vamos agir direito, tentar ser bons uns com os outros, não porque alguém mandou, porque o livro sagrado disse, ou porque Nietzsche isso ou aquilo. Vamos agir direito, tentar ser bons uns com os outros, porque é a única saída. Porque é bom ser bacana com os outros e é bom quando alguém é bacana com a gente.</p>
<p>Em nossa luta, a maior dificuldade é aprender a não odiar o ódio, não odiar os que odeiam, para não nos tornarmos um deles. Nossa proposta é de sensibilizar, mostrar a beleza da diferença e deixar que o ódio se dissolva diante do Belo, como Ares, o deus da guerra, somente pode apaziguar-se em sua relação com Afrodite, a beleza encarnada em deusa, a sexualidade no ápice de sua expressão artística.<br />
Do que você tem medo? Da mulher? Do gay? Do homem que te olha no carro ao lado? De viver e agir? De se envolver e amar?</p>
<p>Nós não temos medo de dizer &#8211; não ao preconceito. Não temos medo de buscar os fatos. Neste país que se orgulha de se dizer cordial e tolerante, batemos tristes recordes de violência contra minorias. Ódio de quê? Por quê? O que teme, homem brasileiro? Teme perder sua identidade? Teme ser rotulado; por isso rotula antes que alguém o faça? Por que você simplesmente não pode olhar a diferença sem classificar em &#8220;melhor&#8221; ou &#8220;pior&#8221;, &#8220;superior&#8221; ou &#8220;inferior&#8221;?</p>
<p>Acordemos! &#8220;Nada há a temer senão o próprio medo&#8221;. Somos uma gota no oceano. Mas, sem essa gota, o oceano estaria incompleto. Fazemos a nossa parte dando o grito de alerta, expondo fatos e a conclusão é sua.</p>
<p>Lembramos de mais uma afirmação de Reich &#8220;O teu &#8216;chauvinismo&#8217; decorre naturalmente da tua rigidez, da tua prisão de ventre mental, Zé Ninguém. E não o digo com sarcasmo, porque te estimo, embora seja teu hábito esmagar os que te estimam e dizem a verdade&#8221; (Reich, 1982:49).</p>
<p>Os seres humanos conseguem distorcer o belo, transformando o natural em perverso. Reich (1991) afirma que a &#8216;moralidade&#8217; é ditatorial quando confunde com pornografia os sentimentos naturais da vida.</p>
<p>Do pouco que podemos perceber ao revolver a ponta desse iceberg de lama negra, é que o diabo &#8211; a sexualidade reprimida extravasando-se por meios tortuosos &#8211; adora uma &#8220;boa causa&#8221;. Infiltra-se na Igreja, santifica-se e dá rédea solta aos seus verdadeiros asseclas, os apóstolos da &#8220;pureza da fé&#8221;, do &#8220;socialismo real&#8221;, do &#8220;nacional socialismo&#8221;, do &#8220;livre mercado&#8221;. A sexualidade sublimada logo é substituída pela perversidade pura e simples; os parasitas do sistema aboletam-se para tirar suas &#8220;casquinhas&#8221;; os corações repletos de ódio encontram um objeto jurídica e ideologicamente despido de quaisquer direitos para dele se aproveitar e punir como bem entenderem.</p>
<p>&#8220;Na tua mente tudo se perverte. Aquilo a que eu chamo um ato de amor, é, na tua vida, um ato pornográfico&#8221; (Reich, 1982:57).</p>
<p>No início, era o corpo, e o corpo era divino. Depois vieram os discursos sobre o corpo e o debate perdura. Divino é o verbo e, o corpo, satânico? Ou o contrário? Discursos, verbais e não-verbais, exaltam, divinizam, demonizam, mortificam o corpo a um ponto em que não é mais sentido: torna-se os sentidos que a ele se atribuem.</p>
<p>A despeito de toda a abertura e liberalidade conquistadas a duras penas durante o século XX, vemos, ainda hoje, mentes fossilizadas em conceitos sem fundamento outro que não o medo e a ignorância.</p>
<p>Um outro exemplo citado por Reich (1982:56) que demonstra a forma como destruímos nossa liberdade: &#8220;Tu sabes e eu sei e todos sabemos que vives num estado de permanente frustração sexual; que facilmente encaras com avidez qualquer membro do outro sexo; que as conversas que tens com os amigos sobre temas sexuais se resumem ao repertório de anedotas obscenas; que, em suma, a tua imaginação é, sobretudo, pornográfica&#8221;.</p>
<p>Por isso, este site não deixa de dizer o sexo. Com palavras e imagens, exercendo seu papel de educar olhos e ouvidos humanos, abrindo espaço para que Arte cumpra sua missão de encantar os humanos com o deleite do Belo, participando com sua &#8220;vassoura&#8221; da árdua mas sempre alegre faxina de ambientes mentais empoeirados e cheios de mofo, ou como diz Reich, &#8220;prisão de ventre mental&#8221;.</p>
<p>Nossa cultura ensina que a imagem do corpo humano nu e, particularmente, experimentando prazer sexual, é &#8220;pornográfica&#8221;. Ou será pornográfica nossa maneira de ver?</p>
<p>Desta forma não seria &#8220;pervertido&#8221; e até &#8220;proibido&#8221; os belos corpos nus pintados na Capela Sistina? O próprio corpo semi-vestido de Cristo na Cruz? O corpo nu é belo, é natural, é divino. Porque não poderia ter sua beleza perpetuada na arte? Quem pervete tal beleza possui uma mente doentia, uma sexualidade doente.</p>
<p>Abordamos a sexualidade, a corporalidade a arte e o nu. &#8220;Mas qual o limite entre arte e pornografia? Arte na minha opinião é uma forma de expressão cultural da beleza. O que inclui o corpo e o ato sexual em si. Já a pornografia, reduz o corpo e o ato sexual a um simples objeto com a única finalidade de masturbação&#8221;. (Hellmann, 2007b).</p>
<p>Reich (1982:91) mais uma vez mete o dedo na ferida fétida: &#8220;Acusa de pornografia a vida sexual sã, que tem em mente intenções pornográficas. Já te topamos, Zé Ninguém; vais-te tornando transparente sob a tua fachada de desgraça e submissão. O que te é pedido é que determines o rumo do mundo com o teu trabalho e a tua realização &#8211; substituir uma forma de tirania por outra é que nunca. O que se te exige é que te submetas às leis da vida tal como quererias que os outros fizessem; que te modifiques à medida que os vais criticando. Cada vez é mais óbvia a tua predisposição para a tagarelice a tua avidez, a tua irresponsabilidade &#8211; o mal de ti que conspurca toda a beleza da Terra&#8221;.</p>
<p>Liberdade? Queremos realmente a liberdade? Elegemos tiranos que nos mantém submissos, e por quê? Por medo da responsabilidade? Uma sociedade sexualmente doente, reprimida e frustrada: não seria esta a resposta para nossas escolhas?</p>
<p>Você é mais do que você pensa, você pode mais do que dizem, você é importante demais para prender-se a rótulos, preconceitos e idéias discriminatórias que não permitem que você exerça a plenitude de seu potencial. Você deve ser livre porque tem o direito de ser livre, porque, não importa de que nomes o chamem, você é, acima de tudo, um ser humano.</p>
<p>Sabemos amar? Amamos ao outro como gostaríamos de ser amado? &#8220;Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo: eis toda a Lei e os Profetas&#8221;.</p>
<p>Você sofreu mais que aquele cara na cruz? Ser cristão não é ser passivo, é preciso agir com vontade férrea para expulsar o Mal de nosso convívio. Mas, antes, amemos a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Amemos as vítimas do Mal mais do que os praticantes do Mal.</p>
<p>Sexualidade ainda é um tabu. Depende somente de nós conquistar a liberdade, um corpo e mente são. Sexo é essencial para a saúde física e mental mas, sem cuidados, pode até prejudicar sua saúde. Você se incomoda de passar adiante suas doenças? Sejam elas físicas ou mentais?</p>
<p>Sim, falemos agora da ignorância humana em relação a tantas doenças sexualmente transmissíveis. &#8220;Isso só acontece com os outros&#8221;. Acorde! Isso pode acontecer com você, com seu filho, com sua mãe, com seu vizinho!</p>
<p>A ignorância mata. A AIDS por exemplo, a guerra contra este mau está longe de ser vencida, e a maior vitória que poderemos conseguir será, sempre, evitar que ainda mais uma pessoa se infecte com esse demônio chamado HIV. Sim a ignorância é a melhor amiga da AIDS.</p>
<p>A quantos comerciais de marcas de preservativos você assistiu na TV nos últimos meses? Bom, eu não consigo me lembrar de nenhuma! Agora, a quantos comerciais de laxantes você assiste todos os dias na TV? Este fato me faz citar novamente Reich (1982:37):</p>
<p>&#8220;Como nunca aprendeste a criar felicidade, a gozá-la e a protegê-la, não conheces a coragem do indivíduo reto. Queres saber o que és, Zé Ninguém? Ouve os anúncios publicitários dos teus laxantes, das tuas pastas de dentes e desodorizantes&#8230; Já alguma vez prestaste atenção às piadas que o intelectualóide larga a teu respeito nas revistas? Piadas sobre ti e sobre ele, piadas de um mundo reles e desgraçado. Escuta a tua publicidade aos laxantes e saberás o que és&#8221;.</p>
<p>Sim o preservativo pode te salvar da AIDS e de tantas outras doenças sexualmente transmissíveis. Há inúmeros fabricantes de preservativos, a concorrência existe. Há dinheiro para isto, então metam a mão no bolso empresários, contratem &#8220;celebridades&#8221; para promovê-los, assim como fazem os fabricantes de &#8220;cerveja&#8221; e os de &#8220;laxantes&#8221;.</p>
<p>Por que, no Carnaval, não vemos camarotes de marcas famosas de preservativo? Divirta-se saudavelmente! Nossos estilistas, designers e artistas famosos poderiam fazer campanhas, obras-de-arte, estilos de moda, designs arrojados, utilizando a saudável camisinha como suporte.</p>
<p>Libertemo-nos da peste emocional, da ignorância, da doença de massa, dessa doença que nos leva à autodestruição. Viver a sexualidade não vai contra a natureza humana, muito pelo contrário. Faz bem, melhora nossa auto-estima, nossa saúde física e mental.</p>
<p>&#8220;Sentes-te infeliz e medíocre, repulsivo, impotente, sem vida, vazio. Não tens mulher e, se a tens, vais com ela para a cama só para provar que és &#8216;homem&#8217;. Nem sabes o que é o amor. Tens prisão de ventre e tomas laxantes&#8230;. Não sabes envolver o teu filho nos braços, de modo que o tratas como um cachorro em quem se pode bater à vontade. A tua vida vai andando sob o signo da impotência, no que pensas, no teu trabalho. A tua mulher abandona-te porque és incapaz de lhe dar amor. Sofres de fobias, nervosismo, palpitações. O teu pensamento dispersa-se em ruminações sexuais. Falam-te de economia sexual. Algo que te entende e poderia ajudar-te. Que te permitiria viveres à noite a tua sexualidade e que te deixaria livre durante o dia para pensar e trabalhar&#8221;. (Reich, 1982:41)</p>
<p>Podemos vivenciar nossa sexualidade de forma extremamente benéfica e positiva para um desenvolvimento sadio, desde que feito com muito amor. Reprimir é anular a si próprio. Respeitar, aprender a sentir e escutar as mensagens que seu corpo transmite proporcionará uma elevação da auto-estima. É preciso saber se amar para aprender a amar o outro. Amar o outro é doar-se. Quem não tem amor a si mesmo, não tem amor para dar.</p>
<p>Não podemos negar esta &#8220;energia vital&#8221; que existe dentro de nós. Não podemos separar o corpo do espírito, é preciso fazer esta higiene mental. Arte, sexualidade e corporalidade: é desta forma que caminhamos nesta missão, com o intuito de fazê-lo pensar. Diga não à ignorância, diga não ao preconceito, diga sim ao belo e ao que é natural. Viva plenamente a sua sexualidade. Eduque seus filhos como você gostaria de ter sido educado, e não como o fostes. Ame como gostaria de ser amado. Liberte-se!</p>
<p>Bibliografia:</p>
<p>Hellmann, Géssica. Da deusa à bruxa. Disponível em: http://www.gehspace.com/sexualidade26a30.htm#27. Acessado em 23/05/2007a.</p>
<p>Hellmann, Géssica. Pornografia, Erotismo e Arte: onde estão as fronteiras? Disponível em: http://www.gehspace.com/sexualidade21a25.htm#22. Acessado em: 23/05/2007b.</p>
<p>Reich, Wilhelm. A função do orgasmo &#8211; Problemas econômico-sexuais da energia biológica. São Paulo: Círculo do Livro, 1991.</p>
<p>_____________. Escuta, Zé Ninguém! Portugal: Martins Fontes Editora, 1982. 10a ed.</p>
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		<title>O Corpo Político: Sexualidade e Corporalidade em &#8220;A Função do Orgasmo&#8221; de Wilhelm Reich</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 16:13:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 71 a 75]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e política]]></category>
		<category><![CDATA[wilhelm reich]]></category>

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<p>Já afirmei em outro artigo que a corporalidade e a sexualidade são fatores decisivos na construção da identidade pessoal, e de certa forma, do equilíbrio emocional. <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/o-corpo-politico-sexualidade-e-corporalidade-em-a-funcao-do-orgasmo-de-wilhelm-reich/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>Já afirmei em outro artigo que a corporalidade e a sexualidade são fatores decisivos na construção da identidade pessoal, e de certa forma, do equilíbrio emocional. O corpo sente, pensa e expressa. A sexualidade também é uma forma de expressão corporal, afetando o ser humano intimamente, de forma tanto positiva como negativa. É altamente dependente de crenças e valores inseridos pela sociedade em que vivemos.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img title="Liebebaum por Ivan Koulakov" src="http://gehspace.com/edicao%2075%20imagens/Liebebaum.jpg" alt="Liebebaum por Ivan Koulakov" width="300" height="515" /><p class="wp-caption-text">Liebebaum por Ivan Koulakov</p></div>
<p>Ao abordar sexualidade e corporalidade é imprescindível falar de Wilhelm Reich. Um homem à frente de sua época, muitas vezes incompreendido, o médico e pesquisador austríaco via mente e corpo como uma unidade.</p>
<p>Iniciamos este artigo com referencias a sua introdução ao livro &#8220;A função do orgasmo &#8211; Problemas econômico-sexuais da energia biológica&#8221;, publicado pela primeira vez em 1942.</p>
<p>Reich afirmou que abordar o tema &#8220;sexualidade&#8221; poderia soar ofensivo para a sociedade da época. Décadas se passaram, o discurso parece ter mudado, mas será que na prática realmente mudou? Falar sobre a sua sexualidade causa constrangimento?</p>
<p>Ao abordar esse tema, segundo Reich, principalmente quando nos referimos ao orgasmo sexual, deparamo-nos com questões derivadas no campo da psicologia, fisiologia, biologia e até da sociologia.</p>
<p>Reich afirma também que a &#8220;natureza e cultura, instinto e moralidade, sexualidade e realização tornam-se incompatíveis, como resultado da cisão na estrutura humana&#8221;. O Homem só se libertaria quando vivenciasse a exigência biológica da satisfação sexual natural, ou seja, quando vivesse plenamente sua sexualidade e sua potencialidade orgástica.</p>
<p>A estrutura do caráter do homem moderno é reflexo de uma cultura patriarcal autoritária caracterizada por um &#8220;encouraçamento&#8221; do caráter contra sua própria natureza interior e contra a miséria social que o rodeia. &#8220;A formação das massas no sentido de serem cegamente obedientes à autoridade se deve não ao amor paternal, mas à autoridade da família. A supressão da sexualidade nas crianças pequenas e nos adolescentes é a principal maneira de conseguir essa obediência&#8221; (Reich, 1991).</p>
<p>Reich afirma que a saúde psíquica está intimamente ligada com a capacidade do indivíduo sentir prazer e ter um orgasmo satisfatório. Para ele as incapacidades psíquicas são a conseqüência do caos sexual da sociedade.</p>
<p>O ser humano manifesta o que sente através da sua corporalidade. Seja através do olhar, da forma de ouvir, do falar, enfim em todos os gestos exprimimos os nossos sentimentos, isto é, são expressões corporais do nosso estado de espírito.</p>
<p>&#8220;No campo da psicoterapia, desenvolvi a técnica vegetoterápica de análise do caráter. Seu principio básico é o restabelecimento da motilidade biopsíquica através da anulação da rigidez (encouraçamento) do caráter e da musculatura. Essa técnica de tratamento de neuroses foi experimentalmente confirmada pela descoberta da natureza bioelétrica da sexualidade e da angústia. Sexualidade e angústia são funções do organismo vivo que operam em direções opostas: expansão agradável e contração angustiante&#8221; (Reich, 1991).</p>
<p>Entre outras palavras, terapia corporal, relaxamento de tensões corporais, proporcionando melhores condições para viver plenamente sua sexualidade, facilitando, no ato sexual, o orgasmo e liberação total destas tensões, melhoram muito a qualidade de vida do ser humano.</p>
<p>A teoria de Reich se fundamenta em libertar o corpo e a mente, criar condições para que o organismo possa se expressar livremente. Esta é uma grande declaração de amor do corpo para a natureza, e que deve nortear nossos princípios de entender a vida do ser humano (Afonso, 2007).</p>
<p>O autor afirma ainda que podemos entender todo o processo das couraças como uma grande dificuldade de amar, porque o amor é uma qualidade de ser, é uma questão de estar aberto para se expressar e para acolher, e isto implica estar em contato com os próprios sentimentos. O indivíduo que não pode compreender seus próprios sentimentos tem uma dificuldade muito grande de amar e de se entregar.</p>
<p>Reich tinha uma idéia cientificamente racional e bem definida da vida social. Baseava esta idéia em sua crença que &#8220;nossa terra jamais encontrará paz duradoura e procurará em vão satisfazer a prática da organização social, enquanto políticos e ditadores de qualquer partido, ignorantes e ingênuos, continuarem a corromper e a liderar massas populares sexualmente doentes&#8221; (Reich, 1991).</p>
<p>Reich afirma que a &#8216;moralidade&#8217; é ditatorial quando confunde com pornografia os sentimentos naturais da vida. Uma revista que fala sobre sexualidade é imoral? Qual o entendimento sobre sexualidade no grande público da internet brasileira?</p>
<p>Analiso constantemente os termos de buscas dos internautas que os trazem até esta revista. Algumas pesquisas são interessantes e bem fundamentadas, mas a maioria delas revela grande grau de ingenuidade e desconhecimento referente a sua própria sexualidade. Muitos esbarram na grande dificuldade encontrar material de qualidade com linguagem acessível, ou encontram artigos em jargão complicado ou informações simplistas e muitas vezes incorretas. Por este motivo tenho me dedicado a esclarecer e desmistificar a sexualidade.</p>
<p>Bibliografia</p>
<p>Reich, Wilhelm. A função do orgasmo &#8211; Problemas econômico-sexuais da energia biológica. São Paulo: Círculo do Livro, 1991.</p>
<p>Afonso, Rubens. Escuta, Zé ninguém! e o poder do amor. Curitiba: Centro Reichiano, 2005. Disponível em: www.centroreichiano.com.br. Acesso em:10/01/2007</p>
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		<title>Dia Internacional da Mulher?</title>
		<link>http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/08/dia-internacional-da-mulher/</link>
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		<pubDate>Mon, 08 Dec 2008 23:35:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[dia internacional da mulher]]></category>
		<category><![CDATA[edições 31 a 35]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e política]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Esta foi uma semana sacal em matéria de &#8220;dia internacional da mulher&#8221;.</p>
<p>Será que esquecem que neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/08/dia-internacional-da-mulher/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esta foi uma semana sacal em matéria de &#8220;dia internacional da mulher&#8221;.</p>
<p>Será que esquecem que neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas? Que estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram trancadas na fábrica onde se deflagrara um incêndio e cerca de 130 mulheres morreram queimadas? E que, por isso então, em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como &#8220;Dia Internacional da Mulher&#8221;?</p>
<p>Esse papo hipócrita de &#8220;parabéns pelo seu dia heim?&#8221;, com aquele sorrisinho masculino idiota, tapinha nas costas&#8230; argh! Torrou meu dia!</p>
<p>Fala sério!!! Não entendem que este dia serve pra lembrar todos esses séculos de luta pelo nosso espaço na sociedade machista e repressora? Que não queremos ser homenageadas uma vez por ano, mas sim, queremos ser lembradas todos os dias! Ser reconhecidas pela nossa luta. Nós, mulheres vencedoras, guerreiras. Casa, comida, roupa lavada, criança limpinha e educada, sexo animal, ajuda no orçamento doméstico e tem homem que reclama!</p>
<p>Internet, Ipod, palm top, celular que toca mp3 e ainda temos que provar na justiça que foi estupro sim, e não seduzimos ninguém. Grande evolução! Casamento informal, produção independente, clonagem, e tantas sofrem tendo de esconder que apanham de seus companheiros para preservar a &#8220;família&#8221;, e ainda ter um pai em casa pros filhos. CTPS, FGTS, salário família, licença maternidade, e ainda temos o salário 40% menor que o dos homens.</p>
<p>Você, mulher, o que quer hoje? RECONHECIMENTO. RESPEITO. CARINHO. AMOR. PAIXÃO. PAZ. E, por favor, um homem cavalheiro!</p>
<p>Homens, por favor, reconheçam a MULHER que está a seu lado. Que lhes apóia, procura um espaço digno na sociedade, é independente, trabalha fora, ajuda em casa e ainda faz tricô pros netos ou sobrinhos. Que não tem a bunda dura daquela modelo, mas faz de tudo pra ficar gostosa pra vc. Que não tem os lábios da Angelina Jolie, mas lhe dá um beijo terno todas as noites. Que chega cansada em casa depois de trabalhar o dia todo, mas ainda sim vai pra cozinha fazer seu prato favorito. E depois de lavar a louça, se perfuma para fazer seu papel de amante. Se assim não o for, reconheça-a como o ser humano maravilhoso que é, e trate-a com carinho, que, quem sabe é isso que ela precisa pra poder ter vontade de fazer tudo o que você quer que ela faça.</p>
<p>Filhos, tratem bem suas mães. Dêem carinho, amor, e um lindo café da manhã nos fins de semana&#8230; na cama! Respeitem os conselhos. Mãe sabe tudo!</p>
<p>Mulheres, desejo a vocês não um tapinha nas costas de &#8220;feliz nosso dia&#8221;, mas desejo que sejam RECONHECIDAS pelo seu VALOR, que sejam AMADAS como merecem ser, que tenham sempre seu momento de LAZER pra descansar a semana de luta que viveram, que tenham muita SAÚDE pra continuar lutando, que sejam RESPEITADAS no meio profissional que disputam espaço e que continuem sendo INSUPERÁVEIS.</p>
<p>Que todas dores sejam esquecidas no vento e no tempo, e as cicatrizes sejam apenas marcas de sua força e coragem de superar os momentos difíceis.</p>
<p>Que encontrem o colo de que precisarem, um amor lindo para viver, uma casa toda sua para enfeitar, um SPA por ano pra descansar, filhos saudáveis e inteligentes, amigas para rir e brincar a valer.</p>
<p>Tudo é possível! Porque nós podemos. SEMPRE! E só olhar pra trás e ver tudo que já conseguimos conquistar.</p>
<p><em>Andréa Paes</em></p>
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		<title>E agora?</title>
		<link>http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/08/e-agora/</link>
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		<pubDate>Mon, 08 Dec 2008 22:00:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e política]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade feminina]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Maria Antonieta R. Matos</p>
<p>Maria Antonieta é uma CD (Crossdresser). Engenheira e física, é professora e uma das diretoras do BCC (Brazilian Crossdresser Club). Se você quiser <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/08/e-agora/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Maria Antonieta R. Matos</em></p>
<p>Maria Antonieta é uma CD (Crossdresser). Engenheira e física, é professora e uma das diretoras do BCC (Brazilian Crossdresser Club). Se você quiser saber mais sobre ela acesse o site www.bccclub.com.br e, na página das associadas, encontrará uma biografia da colunista.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 395px"><img title="Lovers 19 por Nicoletta Tomas Caravia." src="http://www.gehspace.com/edicao%2033%20imagens/lovers%2019%20%20Nicoletta%20Tomas%20Caravia.jpg" alt="Lovers 19 por Nicoletta Tomas Caravia." width="385" height="305" /><p class="wp-caption-text">Lovers 19 por Nicoletta Tomas Caravia.</p></div>
<p><span style="color: #cc0000;"><strong>Queridos amigos.</strong></span></p>
<p>Tenho lido em revistas, tenho visto em jornais, na TV e na mídia em geral, uma débâcle feminina. Quando a propalada &#8220;Revolução Feminina&#8221; &#8211; cujos primórdios não vêm, necessariamente, ao caso &#8211; ganhou corpo a partir das décadas de 1960/70 para desembocar na realidade atual, nem só de acontecimentos memoráveis vivemos então. É sabido que, mercado de trabalho, é um só. A vaga deverá ser ocupada apenas por um funcionário. Até os anos 1960 não de discutia isto. A vaga era de um homem e pronto.</p>
<p>Mudou&#8230; e mudamos todos. Porém nem só de mercado de trabalho vive o homem e a mulher. Existem coisas imutáveis, ao que eu saiba, que a &#8220;Revolução Sexual&#8221; não alcançou ainda. Vamos exercitar um pouquinho o assunto &#8220;maternidade&#8221;, que, a meu ver, ainda é exclusividade feminina&#8230; risos. Ser mãe&#8230; Por milhares de anos ser mãe era, foi, ponto pacífico. O homem “nos enchia a barriga” e lá íamos nós, numa escalada biológica que desembocava na maternidade.</p>
<p>Mas, e agora? Num mundo tão moderno; quando o relógio biológico começa a apitar, escolher entre ser mãe ou não, e aceitar todos os desdobramentos que vêm junto com a maternidade pode ser uma experiência angustiante para a mulher moderna. O engraçado é que quem vê a questão dos dois lados do gênero, como eu, pode ter muita certeza em grande parte do tema e, com um pouquinho de exercício intelectual, completar as lacunas faltantes com grande margem de acerto. As amigas que lerem esta crônica têm toda a liberdade de discordar se quiserem&#8230;</p>
<p>Viver tarefas sem-fim de amamentação não raro passa a significar, num nível mais abstrato, o mesmo que apontar uma espada para a, até então, independente e faceira mulher, que orgulhosamente encheu o peito de silicone. Como enchê-los de leite agora? Como substituir o orgulho da ostentação “fake” pela ternura do verdadeiro?</p>
<p>Essa mulher, filha da revolução feminista, percebe que transitar à vontade pelo mundo e disputá-lo centímetro a centímetro com homens e unha a unha com mulheres tem seu preço. No ápice da maturidade é que as filhas da revolução começam a esbarrar em dúvidas maiores, existenciais; percebem a lacuna que o rótulo do feminismo impôs: elas, orgulhosamente, ganharam espaço ao sol, conseguiram bons empregos; mas será que, caso se retirem para dar à luz, o sol continuará a brilhar?</p>
<p>Nesse caso, como a revolucionária pode repousar as armas, descansar e parir tranqüilamente vendo a guilhotina sobre sua cabeça? Tateando um universo repleto de oportunidades e armadilhas e observando o jogo de espelho entre passado e presente, as atuais filhas da revolução enfrentam valentemente tanto a feminilidade quanto o feminismo e assumem as conseqüências de ambos. Dedicam-se ao trabalho ao mesmo tempo em que ouvem as exigências descabidas determinadas pela mídia, que prega juventude eterna, magreza e beleza a todo custo – situação dissonante com a realidade e tão opressora quanto era, no passado, ter um pai ou marido déspota.</p>
<p>Nesse caso, porém, a autoridade passou das mãos do homem para as garras de uma entidade maior, invisível, com a qual também não há a menor possibilidade de diálogo, porque é tirânica por natureza e está a serviço dos interesses do mercado. Estaremos menos oprimidas atualmente porque somos ditas modernas?</p>
<p>Se as filhas da revolução, depois de tanto oscilarem do feminismo para a feminilidade na tentativa de achar um equilíbrio, resolvem ser mães, deparam-se então com outra decisão importante: optar entre parto normal ou cesárea – ponto delicado, já que soa um tanto sádico esperar que elas, na sua maioria sedentárias, engordem apenas doze quilos durante os nove meses, tenham uma musculatura pélvica forte para no final da gestação irem quase correndo à maternidade deixando que a natureza faça sua parte e o bebê escorregue por entre suas pernas.</p>
<p>Assistindo a tudo isso há, em meu modo de ver e do lado feminino, uma platéia que anseia pela estampa de um sorriso plácido, de nossa senhora prestes a parir o menino Jesus, e do feminista uma equipe que exige produção a todo vapor até o último instante. Do lado humano, apenas ela com ela mesma e seu filho prestes a deixar o ventre.</p>
<p>O que parece faltar às filhas da revolução é solidariedade para entender as idiossincrasias próprias da feminilidade, porque, moldadas que foram à imagem e semelhança masculina, tem-se a obrigação de ser, em qualquer circunstância, “normais” — nos moldes masculinos — e o dever de serem produtivas e felizes, interpretando uma segunda natureza, que passou por um processo de aculturamento no qual vale a pena parar e pensar quais foram os ganhos reais para nós, mulheres filhas da revolução. As tentativas de pensar nas mudanças são urgentes, mas a coragem de aplicá-las parece ainda um tanto incipiente.</p>
<p>E agora?</p>
<p>Maria Antonieta R Mattos.</p>
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		<title>Sexualidade nos manuais de confessores dos séculos XVI e XVII &#8211; Parte II</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 16:27:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 21 a 25]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e política]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Géssica Hellmann</p>
<p class="wp-caption-text">Litografia atribuida a Achille Devéria (1848)</p>
<p>Como continuação do artigo anterior,          este texto apresenta a idéia <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/07/sexualidade-manuais-confessores-seculos-xvi-e-xvii-parte-ii/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Géssica Hellmann</em></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><img title="Litografia atribuida a Achille Devéria (1848)" src="http://gehspace.com/edicao%2025%20imagens/dev6.jpg" alt="arte sexualidade" width="300" height="271" /><p class="wp-caption-text">Litografia atribuida a Achille Devéria (1848)</p></div>
<p>Como continuação do <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/07/sexualidade-nos-manuais-de-confessores-dos-seculos-xvi-e-xvii/">artigo anterior</a>,          este texto apresenta a idéia aventada na obra de Ângela Mendes          de Almeida (1993) de que os manuais de confessores costituíram          um novo &#8220;gênero literário&#8221;, principalmente no que          se refere à Literatura Portuguesa. Abordaremos também as          classificações da luxúria em uma sociedade patriarcal e as diferenças quanto ao significado de certas palavras e expressões          empregadas nesses manuais em comparação ao seu uso contemporâneo.</p>
<p><strong>Manuais de confessores &#8211; um novo gênero literário?</strong></p>
<p>Ao que parece, a Igreja assimilou a crítica          burguesa sobre o caráter imoral dos manuais e tentou apagar e omitir          de seus anais as marcas dessa copiosa literatura. Em Portugal, a lista          de títulos encontrados é extensa, segundo a autora, totalizando          em 82 edições. A literatura é caracterizada pelo          estilo francamente &#8220;desabusado&#8221;, mesmo para os olhares de nossa          geração, com tons que se aproximam, apesar da intenção          piedosa, das atuais publicações pornográficas. Outro          traço marcante no conjunto dessas obras é o papel decisivo          concedido ao pensamento, ou seja, à intenção, à          vontade e ao desejo. Pensamentos de luxúria equivaliam a um ato          de luxúria,          na maior parte das vezes não havendo distinção entre          o desejo e o ato.</p>
<p>Para Azpilcueta Navarro, &#8220;os pecados por vontade,          por palavra e por obra são de uma mesma espécie (&#8230;) por          conseguinte, o estupro mental, que é a vontade de ter cópula          carnal com virgem, será da mesma espécie que o estupro real,          que é a cópula.&#8221; (ALMEIDA, 1993:66)</p>
<p>No caso do &#8220;confessor sedutor&#8221;, discutia-se se          ele era obrigado a confessar apenas &#8220;fornicação&#8221;,          ou &#8220;fornicação com a penitente&#8221;. Discutia-se também          se a mulher seduzida deveria ser obrigada a denunciar o fato e, ainda,          a declarar o nome do sedutor. O fato ameaçava de tal modo a hierarquia          que a Inquisição de Roma chamou para si o processo contra          os padres culpados. As penas eram, em geral, mais leves do que para outros          campos da sexualidade: a reclusão em mosteiros e a proibição          de confessar mulheres.</p>
<p>A presença obsessiva do &#8220;pecado&#8221; enquanto          desejo é testemunho vivo de quanto os homens sentiam-se martirizados          por ter que reprimir o sexo e dominar as vozes da paixão.</p>
<p>Outro fato marcante presente nos manuais portugueses é          a que mostra claramente como toda vida moral girava em torno de uma idéia          contratual subentendida, que aparece sobre forma de promessa acordada          entre as partes, cuja ruptura é um delito e um pecado, porque não          corresponderia à &#8220;justiça&#8221;. No casamento, na família          e na sexualidade esse contrato estava, na maior parte das vezes, ligada          ao patrimônio.</p>
<p><strong>Luxúria</strong></p>
<p>Se o casamento é a ordem, a luxúria seria          a desordem, a paixão desenfreada, conduzida pelos sentidos, vizinha          da loucura. A luxúria era classificada em: &#8220;simples fornicação&#8221;,          &#8220;incesto&#8221;, &#8220;estupro&#8221;, &#8220;rapto&#8221;, &#8220;adultério&#8221;,          &#8220;sacrilégio&#8221; e &#8220;contra a natureza&#8221;.</p>
<p>O título de &#8220;simples fornicação&#8221;          introduz a idéia que as outras fornicações são          complexas, ou seja, cujas circunstâncias as agravam e complicam,          envolvendo direitos relativos a patrimônio ou relações          com a hierarquia da Igreja.</p>
<p>O &#8220;incesto&#8221; tinha significado um pouco diferenciado          do atual. Naquela época, o incesto era quase tudo: o casamento          ou simples relação sexual entre pessoas &#8220;parentes&#8221;          até quarto grau. Porém, cabe diferenciar o sentido dado          ao parentesco. Havia três tipos: &#8220;o espiritual&#8221;, resultante          de batismo ou crisma; o &#8220;parentesco legal&#8221;, de uma pessoa que          adotava uma criança ou tornava-se sua tutora, transformando-se          em parente do adotado; e, por fim, o &#8220;parentesco carnal&#8221;, dividido          entre o &#8220;consangüíneo&#8221; e o &#8220;carnal por afinidade&#8221;,          em que se tornavam parentes pessoas tivessem mantido cópula fora          ou dentro do casamento.</p>
<p>Um exemplo de incesto carnal por afinidade, é o          caso de dois irmãos que mantivessem relações sexuais          com uma mesma prostituta. O que mantivesse por último estaria praticando          incesto.</p>
<p>No caso de uma relação sodomítica,          ou seja, que o &#8220;sêmen&#8221; do homem e da mulher não          se misturassem, não era considerado incesto. Um pai que mantivesse          com a filha, irmã ou outro parente este tipo de relação          não era considerado culpado de incesto mas de pecado por sodomia.</p>
<p>A relação incestuosa que mais era abordada          nos manuais era a &#8220;carnal por afinidade&#8221;, o que reforça          a idéia de que as regras de incesto foram essencialmente um meio          de a Igreja organizar a atividade matrimonial das famílias sobre          a sua égide.</p>
<p>O &#8220;estupro&#8221; era considerado toda a fornicação          com virgem, reservando-se a palavra &#8220;rapto&#8221; o sentido de relação          forçada, quando acompanhada de seqüestro. Mas havia também          a possibilidade de resistência da virgem e haver &#8220;estupro&#8221;          no sentido atual da palavra. No tratamento dado a este pecado admitia-se          ser difícil definir onde terminava a sedução e onde          se iniciava a violência, ou seja, os limites quanto ao consentimento          da virgem.</p>
<p>No caso do estuprador por &#8220;rapto&#8221;, ele estava          roubando o patrimônio do proprietário da &#8220;flor&#8221;,          o pai, na maioria das vezes. Ele deveria pagar casando-se ou pagando um          dote conforme a condição social da jovem. Caso fosse provado          que a jovem consentiu, o estuprador estava desobrigado a pagar o que quer          que fosse.</p>
<p>Conforme visto no artigo anterior, só bem tarde          a Igreja conseguiu impor a oficialidade do casamento religioso, tornando-se,          a partir daí, nulos os casamentos realizados clandestinamente.          Os chamados &#8220;casamentos clandestinos&#8221; eram os casamentos contratuais          realizados sem o consentimento paterno e aos esponsais que ilicitamente          entregavam-se a coabitação e a cópula sem anterior          casamento na presença do padre.</p>
<p>O termo &#8220;divórcio&#8221; também possuía          um significado diferente do atual. A única dissolução          que possibilitava um novo casamento era a anulação do anterior.          Com a anulação, dava-se o direito de separação          de leitos e de casas. Em geral, admitia-se que a mulher tinha o direito          de se separar em caso de crueldade ou de adultério do marido, mas          muitos manuais, só concediam esse direito ao homem em relação          adultera; quanto à mulher, não era de seu ofício          corrigir os atos do marido.</p>
<p>Quanto à paternidade, os filhos deviam amor, obediência          e cuidado aos pais, mas não deviam deixar de delatá-los          à Inquisição em caso de heresia ou traição          ao rei. Na verdade, a relação entre pais e filhos envolve          respeito e obediência por parte dos filhos, e cuidado e assistência          por parte dos pais. Os deveres atribuídos ao pai estendiam-se também          aos criados, escravos e a esposa, ilustrando-se assim a figura da família          patriarcal.</p>
<p>O adultério era um fator de alto poder desorganizador          na circulação dos patrimônios. Caso o adultério          resultasse no nascimento de uma criança, o filho adulterino estaria          extorquindo a &#8220;fazenda&#8221; do marido e de seus herdeiros legítimos.          Neste caso, era determinado que o adúltero restituísse o          marido nos gastos com a criação da criança.</p>
<p>Era considerado pecado e contra a lei civil que os filhos          adulterinos, de incesto ou de relações com religiosos, fossem          constituídos herdeiros.</p>
<p>O adultério feminino constituía violação          do contrato matrimonial, um &#8220;roubo da honra&#8221;. Quando era o homem          que traia a esposa, mesmo que publicamente, estava-se diante de uma desordem          que, no entanto, não atingia a integridade do patrimônio.          Para esta traição usava-se o termo &#8220;mancebia&#8221;,          assimilado à fornicação com escravas, criadas e prostitutas.          A &#8220;mancebia&#8221; era vista como um mal menor, o que permite perceber          que a desigualdade entre os sexos na sociedade patriarcal envolvia principalmente          questões ligadas ao poder econômico.</p>
<p>Outro ponto levantado nos manuais era o aborto. Em principio,          ele era assimilado ao homicídio, desde que a criatura tivesse &#8220;alma          racional&#8221;. Caso contrário, tratava-se de um &#8220;homicídio          imperfeito&#8221;. Naquela época, entendia-se que os fetos possuiriam          alma racional a partir de 40 dias. Existia uma certa tolerância          em relação ao aborto desde que realizado para salvar a vida          da mãe.</p>
<p>Era obrigatório pagar o &#8220;débito conjugal&#8221;          para a continuidade patrimonial (a cópula com finalidade reprodutiva).          Por esse motivo, a Igreja esmiuçava no mais íntimo a sexualidade          dos casados. Poderia se justificar a negação em caso de          menstruação, parto recente, doença contagiosa, ou          em caso de adultério do outro. Alguns manuais se colocavam contra          a relação sexual com o homem sentado, em pé ou com          a mulher sobre ele. No caso de impotência, tanto de homem quanto          da mulher (&#8220;mulher estreita&#8221;) poderia se recorrer ao médico,          desde que não fosse comprovada a intercessão de feitiçaria.</p>
<p>O tom dos &#8220;pecados de sodomia e polução&#8221;,          revelavam o horror e o escândalo, mesclados, no entanto, com imagens          medievais fantasmagóricas e com ingênua curiosidade. A &#8220;sodomia&#8221;          é abordada com indignação, quer trate-se de homem          com mulher ou de homem com outro homem, sendo esta última sempre          relacionada ao ato sexual com as &#8220;bestas&#8221; ou à relação          homossexual feminina. Nos manuais, eram discutidas também as carícias:          se fossem em sinal de amor, eram lícitas, mas se fossem efetuadas          &#8220;por leviandade&#8221; eram pecados mortais. Os manuais tinham uma          verdadeira obsessão quanto ao tema polução, sendo          este estendido tanto para a ejaculação espontânea          quanto à provocada manualmente.</p>
<p><strong>Conclusão</strong></p>
<p>A perspectiva de reconstituir a maneira pela qual eram          entendidas as questões relativas à sexualidade nos séculos          XVI e XVII, no seio da família sugeriu conclusões, segundo          a autora, que remetem ao próprio quadro de raciocínio que          estruturava decisões e alimentava angústias.</p>
<p>Na mesma medida em que quase toda manifestação          da sexualidade era considerada pecaminosa, quase nada podia, efetivamente,          ser considerado um pecado grave. Havia, na verdade, uma banalização          da falta de moral, um despojamento de seu lado trágico. Um exemplo          é o incesto, que, na época, apesar de ser considerado pecado,          era menos grave do que o valor que atribuímos a ele hoje. Um pecado          realizado sem a intenção era menos grave do que uma intenção          formulada em abstrato sem a capacidade de realização. Todos          poderiam alegar que &#8220;foi sem querer&#8221;, ou que &#8220;não          foi por mal&#8221;. O desejo era desenhado com descrições          detalhadas, classificatórias, nuas e cruas.</p>
<p>Outro ponto que me atrevo a destacar, ao repensar as idéias          da autora, que em certos problemas sexuais &#8220;poderia se recorrer ao          médico, desde que não fosse caso de feitiçaria&#8221;.          Fico a imaginar onde estaria o limite entre o que era considerado feitiçaria          na época da Inquisição, ou a partir de quando a Ciência          tomou pra si parte do controle da &#8220;intimidade das pessoas&#8221;.          Vale ressaltar também, que a Inquisição, em diferentes          épocas e lugares, teve características e até objetivos          diferenciados, e que neste artigo, estamos somente abordando a Inquisição          ocorrida em Portugal entre os séculos XVI e XVII. Essas constituem          lacunas que me proponho a estudar com maior minúcia posteriormente.</p>
<p><strong>Referência Bibliográfica:</strong></p>
<p>ALMEIDA, Ângela Mendes de. <strong>O gosto do pecado:          casamento e sexualidade nos manuais dos confessores dos séculos          XVI e XVII.</strong> Rio de Janeiro: Rocco, 1993, 2a ed.</p>
<p>Géh na Mídia &#8211; Programa Actualidade</p>
<p><strong>Dia 07/01/2006, TV CIDADE (Joinville)<br />
NET: canal 20 | Viamax: canal 28 </strong></p>
<p><strong>Às 13:00 &#8211; Entrevista com Géssica          Hellmann sobre o Géh!</strong></p>
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		<item>
		<title>Sexualidade nos manuais de confessores dos séculos XVI e XVII</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 16:16:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 21 a 25]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e política]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Géssica Hellmann</p>
<p class="wp-caption-text">Saloon-Keepers, Gamblers and Criminals on the way to confession Fonte:http://bettnet.dyndns.org/gallery/anticatholic/source/confession.html</p>
<p>A intenção deste artigo é dar continuidade         <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/07/sexualidade-nos-manuais-de-confessores-dos-seculos-xvi-e-xvii/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Géssica Hellmann</em></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 398px"><img title="Saloon-Keepers, Gamblers and Criminals on the way to confession Fonte:http://bettnet.dyndns.org/gallery/anticatholic/source/confession.html" src="http://gehspace.com/edicao%2024%20imagens/confession.jpg" alt="Saloon-Keepers, Gamblers and Criminals on the way to confession&lt;br /&gt; Fonte:http://bettnet.dyndns.org/gallery/anticatholic/source/confession.html" width="388" height="270" /><p class="wp-caption-text">Saloon-Keepers, Gamblers and Criminals on the way to confession Fonte:http://bettnet.dyndns.org/gallery/anticatholic/source/confession.html</p></div>
<p>A intenção deste artigo é dar continuidade          ao estudo do &#8220;controle da sexualidade&#8221; desempenhado pelo &#8220;Poder          e pela Igreja&#8221; sobre a população, com fins políticos          e econômicos, principalmente entre os séculos XVI e XVII,          utilizando como fonte os primeiros capítulos do livro &#8220;O gosto          e o pecado&#8221; da autora Ângela Mendes de Almeida.</p>
<p>A seguir, apresentaremos o sentido da confissão,          os motivos que levaram a Inquisição para Portugal e, em          conseqüência, às suas colônias, bem como as definições          de &#8220;crime&#8221; e &#8220;pecado&#8221;, especialmente no que se refere          à sexualidade.</p>
<p>É interessante ressaltar que a confissão          nem sempre existiu entre os cristãos; pelo menos, não enquanto          obrigatoriedade ou sacramento. Desde o século XII, os defensores          da confissão esforçavam-se para encontrar nas Escrituras          indícios de que a confissão privada ao padre sempre havia          existido, justificando a confissão como um sacramento.</p>
<p>O historiador Henry Charles Lea, segundo Almeida (1993),          afirma que, nos tempos da Igreja primitiva, era a eucaristia que exercia          sobre os pecadores o poder de controle, reservando-se a Deus o poder de          absolver os pecados. Os pecados, nessa época, eram de &#8220;foro          externo&#8221;, ou seja, públicos; não havia distinção          entre crime e pecado. A Igreja, paralelamente aos tribunais civis, detinha          o poder de julgar delitos. Somente a partir do século XIII, com          o Concílio de Trento, a confissão tornou-se um sacramento.</p>
<p>A introdução dos &#8220;Confessionais&#8221;          está diretamente ligada à evolução da Igreja.          A partir do século XVII, alguns setores sociais imbuídos          de um puritanismo que viria a ser adotado posteriormente pela burguesia,          consideravam escandaloso o estilo franco com que os manuais tratavam dos          temas da sexualidade, um verdadeiro &#8220;convite ao pecado feito às          almas inocentes&#8221;.</p>
<p>Tanto a legislação quanto as regras religiosas,          abordavam os mesmos temas. Quase toda prática sexual era, ao mesmo          tempo, &#8220;crime&#8221; e &#8220;pecado&#8221;: mancebia, incesto, adultério,          aborto, estupro, sodomia, polução, etc. Uma das questões          sensíveis nos manuais religiosos era quanto à intenção          ou ao desejo durante o ato, tornando o pecado mais grave, ou mais leve,          conforme o caso. O ideal de vida integrava uma vigilância constante          sobre os excessos dos sentidos do corpo.</p>
<p>Na transição da confissão pública          para a vida privada, o &#8220;foro íntimo&#8221;, permanecia o hábito          de recomendar a denúncia dos pecados alheios. Muitos foram os fatores          concretos para esta transição. Um deles foi o medo do pecador          de ser condenado civilmente por seu delito. Casos como adultério          da esposa, cuja punição era a sua morte e a do amante, eram          contra-indicados para a confissão pública.</p>
<p>As novas funções do clero e as diversas modificações          nas regras de comportamento dos cristãos proporcionaram o surgimento          de uma vasta literatura religiosa: os manuais de confessores.</p>
<p>Os detalhamentos desses manuais criavam polêmica          em fins do século XVIII e no século XIX, com o escabroso          e minucioso detalhamento dos delitos. Na época, os confessores          deviam interrogar o penitente através de uma lista detalhada de          pecados, enunciando todas as probabilidades contidas nos dez mandamentos,          nos sete pecados capitais, nos &#8220;abusos&#8221; dos cinco sentidos e          nos pensamentos. A preocupação da Igreja era tanto com os          penitentes quanto aos confessores, que poderiam se excitar durante o interrogatório.</p>
<p>Os manuais eram caracterizados pela casuística (estudos          de caso) e pelo probabilismo. O probabilismo, embora ancorado em posições          filosóficas e morais, tornava-se cada vez mais polêmico,          pois a doutrina probabilística permitia ao pecador, em caso de          dúvida quanto à obrigação de cumprir uma norma          ditada pelas leis religiosas, não cumpri-la, segundo uma opinião          provável, ou seja, que tivesse partidários respeitáveis.          Outro problema era a intenção. Sua existência era          verificada no confessionário, tornando-se usual só considerar          pecado o ato intencional. Assim o probabilismo e casuística vieram          a ser sinônimos, de condescendência para com os pecadores,          quando não de venialidade na concessão da absolvição,          mediante favores, segundo críticos da época.</p>
<p>Entre outros temas, probabilismo foi empregado principalmente          na aplicação de normas referentes à sexualidade,          à família e ao casamento.</p>
<p>O levantamento minucioso e ordenado das situações          pecaminosas possíveis, associados a difusão da imprensa,          criaram um novo gênero literário.</p>
<p>Paralelamente ao catolicismo, na resposta aos protestantes,          funda-se a ordem religiosa &#8220;Companhia de Jesus&#8221;, simbolizando          nos séculos seguintes a nova vertente cristã, do livre-arbítrio,          e por fim a confissão ganha seu perfil moderno de diálogo          privado.</p>
<p>Os manuais dos confessores pode ser considerado um fenômeno          imerso no século XVI católico, meridional e, em certa medida          ibérico, principalmente quando se pensa na contra-reforma como          uma instituição hegemonizada pelos jesuítas.</p>
<p>Segundo Almeida (1993), o movimento da Inquisição          em Portugal, visava espoliar a fortuna dos &#8220;cristãos-novos&#8221;,          comerciantes em sua grande maioria, e quebrar a supremacia ascendente          da burguesia comercial, da qual a maioria era judia. Outros objetivos          eram o de coibir a vida intelectual e científica &#8211; cujo florescimento          humanista tinha como personagens centrais os &#8220;eramistas&#8221; (luteranos)          &#8211; e o de policiar a sociabilidade e a sexualidade das populações.          A intromissão na vida íntima das populações          eram compartilhadas de modo geral pelas monarquias e pelas sedes episcopais.</p>
<p>Como vimos anteriormente, o objetivo político está          subentendido principalmente quando se fala em &#8220;coibir a vida intelectual          e científica&#8221;. Um povo pensante e questionador? Seria totalmente          contrário aos ideais de controle de uma nação.</p>
<p>A definição de crime e pecado estava diretamente          ligada à condição social da vítima. Todas          as penas eram estabelecidas segundo esta condição: agravava-se          se o acusado era de condição social inferior à da          vítima. Mais uma vez, se vê implícita a questão          econômica.</p>
<p>O casamento, antes de ser considerado um sacramento, era          muito mais um contrato, em que o noivo comprava a noiva e pagava os dotes          ao seu pai. Como o casamento era considerado uma circulação          de patrimônio, caso houvesse a &#8220;infecundidade da mulher&#8221;,          o casamento poderia ser dissolvido. Era contra isso que a Igreja lutava,          tentando introduzir o casamento eclesiástico e indissolúvel.</p>
<p>A Igreja, sem forças para agir diretamente, estabeleceu          regras de incesto que atingiam parentes até de sétimo grau,          com a intenção de manter o controle sobre a instituição          do casamento.</p>
<p>A Igreja também ocupava-se de vários delitos          relativos ao casamento, definindo punições desde a morte          por &#8220;tormento&#8221;, o degredo (exílio), os açoites,          entre outros. A bigamia era punida com a morte do homem e da mulher bígamos.</p>
<p>O adultério feminino era punido com a morte, a não          ser que o amante fosse de uma classe social superior à do marido.          O marido tinha o direito de perdoar a mulher em favor do matrimônio;          neste caso, o amante seria apenas degredado.</p>
<p>Eram punidas também as relações do          homem com a mãe, filha, irmã, nora, cunhada, madrasta, enteada,          sogra, tia, prima até o quarto grau, mesmo que viúvas. As          penas atingindo aos dois envolvidos variavam entre degredo, execução          e morte pelo &#8220;fogo em pó&#8221; (o condenado era queimado vivo).          A mulher poderia ser perdoada se tivesse menos que 13 anos ou delatasse          o homem.</p>
<p>A princípio, a Igreja não punia gravemente          a união entre dois solteiros livres (denominada como &#8220;fornicação          simples&#8221;): geralmente, a &#8220;pena&#8221; era o casamento, desde          que não estivesse impedido pelo incesto.</p>
<p>No caso dos barregueiros casados, que tinham &#8220;barregã          teúda e manteúda&#8221; (1), a pena era de degredo e o pagamento          da quadragésima parte de seus bens. Já a pena para as barregãs          de homens casados, era o açoite público e o pagamento da          metade que tinha sido paga pelo barregão. No caso de barregãs          de religiosos, a mulher deveria pagar multas e ser degredada, ficando          implícito que a Igreja puniria os clérigos envolvidos.</p>
<p>A repressão à sexualidade ia muito mais além,          violando a intimidade, ao legislar penas para os que cometem pecado de          sodomia, para mulheres que umas com as outras praticavam o &#8220;pecado          contra natura&#8221; (2), para os que carnalmente tivessem ajuntamento          com alguma &#8220;alimária&#8221; (3), e para pessoas que, com outra          do mesmo sexo, cometessem o pecado de &#8220;molície&#8221; (4).          A pena para sodomia era a mais grave: as condenações eram          pelo &#8220;fogo em pó&#8221;, tendo todos os bens confiscados e          seus descendestes considerados inábeis e infames. A legislação          também previa recompensas para as pessoas que delatassem esses          pecados e delitos, que poderiam chegar até a metade da multa ou          dos bens confiscados. Como podemos perceber, as multas podem ser entendidas          como mais um objetivo econômico.</p>
<p>Podemos perceber que quase todos os tópicos eram simultaneamente          considerados delito e pecado e pouco se diferenciavam entre a legislação          civil e as normas religiosas, e todas, no fundo, apresentavam objetivos          de controle da população.</p>
<p>Notas:<br />
(1) &#8220;Concubina tida e mantida por longo tempo&#8221;.<br />
(2) Eufemismo para &#8220;lesbianismo&#8221;.<br />
(3) Sexo com animais, &#8220;zoofilia erótica&#8221;.<br />
(4) Eufemismo para &#8220;sensualidade homossexual&#8221;.</p>
<p><strong>Referência Bibliográfica:</strong></p>
<p>ALMEIDA, Ângela Mendes de. <strong>O gosto do pecado:          casamento e sexualidade nos manuais dos confessores dos séculos          XVI e XVII.</strong> Rio de Janeiro: Rocco, 1993, 2a ed.</p>
<p>Géh na Mídia &#8211; Programa Actualidade</p>
<p><strong>Dia 07/01/2006, TV CIDADE (Joinville)<br />
NET: canal 20 | Viamax: canal 28 </strong></p>
<p><strong>Às 13:00 &#8211; Entrevista com Géssica          Hellmann sobre o Géh!</strong></p>
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		<title>Mulher em Propaganda de Cerveja &#8211; A manutenção da estigmatização feminina pela mídia</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 15:54:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 21 a 25]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[mídia]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e política]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Carla de Paula</p>
<p>O estabelecimento do lugar da mulher na sociedade vem sendo          empreendido misoginamente pelas mídias, sendo <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/07/mulher-em-propaganda-de-cerveja/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Carla de Paula</em></p>
<p>O estabelecimento do lugar da mulher na sociedade vem sendo          empreendido misoginamente pelas mídias, sendo a mulher retratada          segundo paradigmas masculinos de representação. No exemplo          deste estudo, notamos que grande parte das marcas de cerveja no país          faz uso de imagens femininas em suas campanhas e coopera para a estigmatização          da mulher na sociedade.</p>
<p>As marcas &#8220;Antarctica&#8221; e &#8220;Brahma&#8221; foram          duas das primeiras a utilizar esse artifício de venda, aliando          o corpo, a expressividade feminina e demais artifícios semióticos          à sua marca. Num contexto castrador e de &#8220;manutenção          da virtude&#8221;, que remete ao início do século XX, alguns          anúncios emergem como um caso exterior às regras gerais          de moralidade. A repressão em torno da mulher era ainda muito expressiva:          os discursos sociais e a esfera familiar contribuíam em demasia          para a construção de sua identidade de gênero como          &#8220;mãe&#8221; e &#8220;esposa&#8221;, uma representação          inserida em um universo estritamente doméstico.</p>
<p>Observa-se que há uma conjuntura conflituosa, uma          cultura que restringe as liberdades individuais das mulheres &#8211; movida          pelo pretexto de conservação dos valores &#8211; e que concebe,          ao mesmo tempo, a exposição de seus corpos em rótulos          de garrafas e estampas de jornais.<br />
Vive-se uma realidade patriarcal, na qual o homem é, além          de produtor e principal consumidor, o controlador dos meios de comunicação.          Mantém-se, canalhamente, uma espécie de acordo permissivo          e velado em que todos se fazem de cegos e mudos diante da hipocrisia instaurada.          No que se refere à satisfação do prazer masculino          não há instâncias moldáveis e as senhoras ainda          andam de luvas.</p>
<p>O interesse viril não prevê os prejuízos          à identidade feminina. Segundo Foucault, as identidades são          construídas no interior das relações de poder. Os          discursos proferidos por meio de apropriações mercadológicas          da imagem feminina, por anúncios de cerveja, reificam a manutenção          da condição servil feminina em relação ao          gênero oposto. Ainda hoje, na era chamada de &#8220;pós-modernidade&#8221;,          não há um código de ética que preveja com          rigor a proteção às causas femininas na publicidade          e o discurso de sujeição sexual da mulher parece fórmula          para vender cerveja.</p>
<p>Na década de noventa, a exposição          do corpo feminino intensificou-se enormemente nas campanhas publicitárias.          Antarctica, Skol, Brahma, Kaiser, entre outras, mercantilizaram abertamente          o corpo feminino em suas campanhas publicitárias, incitaram adolescentes          ao sexo (já que as imagens veiculadas exercem forte atração          sobre os indivíduos nesta faixa etária) e reforçaram          um estereótipo de beleza feminina &#8211; mulher branca, magra e jovem.</p>
<p>Os artigos 19 e 20 do Código Brasileiro de Auto-Regulamentação          Publicitária do CONAR (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação          Publicitária) prevêem, respectivamente:</p>
<p>&#8220;Toda atividade publicitária deve caracterizar-se          pelo respeito à dignidade da pessoa humana, à intimidade          do lar, ao interesse social, às instituições e símbolos          nacionais, às autoridades constituídas e ao núcleo          familiar&#8221;</p>
<p>&#8220;Nenhum anúncio deve favorecer ou estimular          qualquer espécie de ofensa ou discriminação social,          racial, política, religiosa ou de nacionalidade&#8221;</p>
<p>Para dizer o mínimo, a propaganda veiculada por grande parte dos          fabricantes de cerveja no país parece desconhecer ou ignorar o          alcance desses artigos.</p>
<p>As agências sempre associaram o gênero masculino          ao público consumidor de cerveja (a não ser enquanto era          avaliada por seus supostos &#8220;valores medicinais&#8221; e consumida          até por crianças), em detrimento do feminino.</p>
<p>Devido a algumas manifestações por parte          dos defensores dos direitos da mulher, parte da propaganda embrenhou por          algum tempo por caminhos diferentes dos &#8220;tradicionais&#8221;, realizando          alguns testes sem muito sucesso. Jogadores de futebol, bichos engraçadinhos          da fauna brasileira, bordões.</p>
<p>Mas, por uma variedade de motivos, a velha fórmula          é reutilizada e, novamente garante às marcas popularidade          junto a seu público-alvo &#8211; homem heterossexual. Infere-se que houve          sempre um condicionamento masculino a elementos semióticos de apelo          sexual. Signos que remetam ao prazer são o código de acesso          das marcas ao público masculino.</p>
<p>A Skol, por exemplo, insistindo na ridicularização          e desrespeito à mulher, leva ao ar a cena de um casamento em que          o noivo, no altar, condiciona sua fidelidade à noiva caso esta          mantenha sua silhueta esbelta com o decorrer dos anos e não termine          como sua mãe, que também aparece no anúncio (já          uma senhora e acima do peso). O ator jura fidelidade incondicional, em          uma cena boçal, apenas à cerveja. É bastante claro,          neste caso, o discurso de reforço ao protótipo de beleza          feminina presente nesse anúncio &#8211; mulher branca, magra, jovem e          de seios volumosos. Através do humor aparentemente &#8220;despretensioso&#8221;,          desculpabiliza-se também a infidelidade masculina.</p>
<p>Ao longo dos mais de cem anos de propaganda no país,          nota-se uma apropriação do corpo feminino com fins utilitários          e discursos de incentivo à manutenção de um comportamento          submisso. A repetição frenética de comerciais de          cerveja pode influenciar em muito os conceitos de grupos sociais em fase          de formação de caráter, pois o discurso envolve-se          na constituição de todas as dimensões da estrutura          social moldando-o e restringindo-o. O discurso é uma prática          não apenas de representação do mundo, mas de significação          do mundo.</p>
<p>Fugindo de um julgamento marxista, que admite a recepção          como passiva, é necessário ressaltar a existência          de uma subjetividade que confere a cada indivíduo um potencial          de interpretação singular e que, no caso dos anúncios          de cerveja, objeto deste estudo, pode variar desde uma reprovação          ou indiferença até a incorporação dos padrões          incentivados por essas mensagens.</p>
<p>Uma cena apresentada durante recente campanha da Skol          reproduz claramente conceitos machistas e de limitação da          mulher a um nível somático. O não-dito adquire ares          de humor e criatividade e a eficácia ideológica presente          nesses discursos torna-os ainda mais nocivos, posto que, por ser velada,          é naturalizada, incorporada como verdade, não sendo questionada.</p>
<p>O comercial exibe um provador feminino em uma loja de          roupas, cuja cortina se estende até quase atingir o chão,          tornando visíveis apenas os pés de uma mulher. O locutor,          em off, profere a seguinte frase: &#8220;Se o provador tivesse sido inventado          por um bebedor de Skol, ele seria assim&#8221;. Em seguida, a longa cortina          se transforma em um objeto redondo (jargão da marca), que cobre          o rosto da mulher (loira), enquanto seu corpo, de biquíni amarelo          (cor que coincide com a da cerveja) fica ostensivamente exposto. Ela é          magra, branca, loira e tem seios grandes. O vídeo assume sem cerimônias          a redução da mulher ao seu corpo. A cabeça é          inutilizada e reverencia-se o corpo malhado e bronzeado.</p>
<p>Isso equivale à mais descarada admissão          do utilitarismo feminino disseminado por esses anúncios. Eles difundem          padrões de comportamento, estereótipos, representações          da idéia de mulher como prestadora de serviços sexuais e          intelectualmente inferior ao homem. A cabeça é, nesse comercial,          substituída por um pequeno artefato redondo que expõe o          corpo feminino não só em termos físicos mas, principalmente,          ao domínio masculino. Por trás desses recursos semiológicos          há a concepção da mulher acéfala, da sua funcionalidade          a cargo do gênero oposto.</p>
<p>De acordo com Marx, &#8220;a materialização          de relações baseadas na propriedade privada impõe          o exercício de uma violência social&#8221; e, seguindo essa          lógica de mercado, são disseminados padrões de beleza          e qualidade de subordinação da mulher, culminando na &#8220;construção&#8221;          de identidades meramente utilitárias, em que seus corpos são          objetificados e &#8220;decapitados&#8221; para atender a uma expectativa          masculina de mercado. A mulher acéfala tem maior validade publicitária.</p>
<p>Verifica-se, nesses casos, uma violência latente,          por vezes descarada, em torno da liberdade individual da mulher. Os prejuízos          à identidade de gênero, promovidos pelas campanhas de cerveja,          são gravíssimos e, apesar disso, são ínfimas          as atitudes reativas. Uma manifestação recente em Belém          do Pará foi um caso isolado de protesto. Mas não foi a primeira,          nem será a última.</p>
<p>Contudo, as mesmas marcas-alvos do ativismo permanecem          promovendo o estado de violência contra a mulher através          da mídia, com a difusão da indignificação          do gênero que a comporta. Quando a violência contra a mulher          é retratada na mídia, essa acontece de maneira insuficiente,          restringindo-se o conceito à prática de &#8220;atos de violência&#8221;          entendidos em termos estritamente físicos. A violência mais          grave, se pratica veladamente, e não é comprovável          com um exame de corpo de delito. Com esse reducionismo, a mídia          fortalece o Estado de Violência contra a mulher e a sua estigmatização          na sociedade.</p>
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