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	<title>Sexualidade by géh &#187; wilhelm reich</title>
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	<description>Sexualidade: artigos de pesquisa e entrevistas</description>
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		<title>O poder destrutivo de uma sociedade sexualmente doente</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 18:51:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 91 a 95]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e corporalidade]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e política]]></category>
		<category><![CDATA[wilhelm reich]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann e Alexis Kauffmann</p>
<p>Reich alerta sobre a peste emocional e suas conseqüências arrasadoras. Pensamos agora em todos os crimes contra a humanidade provocados por seres como <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/o-poder-destrutivo-de-uma-sociedade-sexualmente-doente/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Géssica Hellmann e Alexis Kauffmann</em></p>
<p>Reich alerta sobre a peste emocional e suas conseqüências arrasadoras. Pensamos agora em todos os crimes contra a humanidade provocados por seres como nós, &#8220;Zés Ninguéns&#8221;.</p>
<p>Destruímos o belo, o natural, o divino em nome de nosso próprio egoísmo. Voltamos um pouco ao passado. No genocídio do povo judeu, o holocausto. &#8220;E quando arrastas milhares de homens, mulheres e crianças para as câmaras de gás, mais não fazes que cumprir o que te mandam, não é assim, Zé Ninguém? És tão inofensivo que nem sequer te dás conta do que se passa. És um pobre diabo que nada tem a dizer, sem opinião própria; quem és tu para te meteres na política?&#8221; (Reich, 1982:77).</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 361px"><img title="A Part of Eternity 38 por Michael Price" src="http://gehspace.com/edicao%2094%20imagens/A%20Part%20of%20Eternity%2038.jpg" alt="A Part of Eternity 38 por Michael Price" width="351" height="468" /><p class="wp-caption-text">A Part of Eternity 38 por Michael Price</p></div>
<p>Voltemos ainda mais um pouco no tempo, quando a mulher era a personagem central, numa sociedade matriarcal em que não havia divisão entre os sexos no poder. &#8220;Neste período havia uma liberdade sexual maior e, por esse motivo, havia poucas guerras para a conquista de territórios&#8221; (Hellmann, 2007a). Foi somente mais tarde no período neolítico que os homens descobriram o seu papel biológico na função reprodutora. Começaram então a exercer &#8220;seu poder&#8221; escravizando e dominando a mulher e, posteriormente, começaram as lutas pelo poder, guerras por território, a lei do mais forte.</p>
<p>O que era natural, a sexualidade, transforma-se em &#8220;dominação&#8221;: inicia-se a transformação do natural em perverso.</p>
<p>Reich grita nossa responsabilidade, nossa mediocridade, nossas barbaridades concebidas por uma sexualidade doentia: elegemos genocidas e criminosos e crucificamos quem poderia nos libertar.</p>
<p>O autor afirma ainda:</p>
<p>&#8220;Foi-te oferecida a escolha entre a exigência de superação do Übermensch de Nietzsche e a degradação do Üntermensch em Hitler. Berrando &#8220;Viva&#8221;, escolheste o Üntermensch.</p>
<p>Foi-te dado a escolher entre a constituição genuinamente democrática de Lênin e a ditadura de Stálin. Escolheste a ditadura de Stálin.</p>
<p>Tiveste a escolha entre a elucidação de Freud da origem sexual das tuas perturbações emocionais e a sua teoria da adaptação cultural. Escolheste a sua filosofia cultural, que não te trazia qualquer apoio, e esqueceste a teoria sexual. Pudeste escolher entre a magnificente simplicidade de Cristo, e Paulo, com o seu celibato para os padres e o seu casamento indissolúvel. Escolheste o celibato e o casamento indissolúvel esquecendo a mulher simples que pariu seu filho, Jesus, apenas por amor&#8221; (Reich, 1982:62).</p>
<p>Destruímos o que é natural, aprisionamos a &#8220;alma&#8221;, o espírito, num corpo. Deveríamos, sim, perceber que um reflete o outro, é conseqüência de nossas decisões. Não se pode separá-los.</p>
<p>Vivemos em um &#8220;lusco-fusco&#8221;, nem totalmente nas sombras e nem totalmente na luz. Temos a mesma capacidade para fazer o bem e para fazer o mal. O que nos nos leva a ser bons ou maus? Nossa teimosia na escolha de um dos lados. Sim, a persistência em caminhar mais próximo à luz que às trevas nos difere de seres maus, e vice e versa. O Homem Ético pode distorcer os conceitos mais belos e transmutá-los em ferramentas de opressão. Enquanto um homem aparentemente sem ética pode, na verdade, agir como uma força libertária.</p>
<p>Vamos agir direito, tentar ser bons uns com os outros, não porque alguém mandou, porque o livro sagrado disse, ou porque Nietzsche isso ou aquilo. Vamos agir direito, tentar ser bons uns com os outros, porque é a única saída. Porque é bom ser bacana com os outros e é bom quando alguém é bacana com a gente.</p>
<p>Em nossa luta, a maior dificuldade é aprender a não odiar o ódio, não odiar os que odeiam, para não nos tornarmos um deles. Nossa proposta é de sensibilizar, mostrar a beleza da diferença e deixar que o ódio se dissolva diante do Belo, como Ares, o deus da guerra, somente pode apaziguar-se em sua relação com Afrodite, a beleza encarnada em deusa, a sexualidade no ápice de sua expressão artística.<br />
Do que você tem medo? Da mulher? Do gay? Do homem que te olha no carro ao lado? De viver e agir? De se envolver e amar?</p>
<p>Nós não temos medo de dizer &#8211; não ao preconceito. Não temos medo de buscar os fatos. Neste país que se orgulha de se dizer cordial e tolerante, batemos tristes recordes de violência contra minorias. Ódio de quê? Por quê? O que teme, homem brasileiro? Teme perder sua identidade? Teme ser rotulado; por isso rotula antes que alguém o faça? Por que você simplesmente não pode olhar a diferença sem classificar em &#8220;melhor&#8221; ou &#8220;pior&#8221;, &#8220;superior&#8221; ou &#8220;inferior&#8221;?</p>
<p>Acordemos! &#8220;Nada há a temer senão o próprio medo&#8221;. Somos uma gota no oceano. Mas, sem essa gota, o oceano estaria incompleto. Fazemos a nossa parte dando o grito de alerta, expondo fatos e a conclusão é sua.</p>
<p>Lembramos de mais uma afirmação de Reich &#8220;O teu &#8216;chauvinismo&#8217; decorre naturalmente da tua rigidez, da tua prisão de ventre mental, Zé Ninguém. E não o digo com sarcasmo, porque te estimo, embora seja teu hábito esmagar os que te estimam e dizem a verdade&#8221; (Reich, 1982:49).</p>
<p>Os seres humanos conseguem distorcer o belo, transformando o natural em perverso. Reich (1991) afirma que a &#8216;moralidade&#8217; é ditatorial quando confunde com pornografia os sentimentos naturais da vida.</p>
<p>Do pouco que podemos perceber ao revolver a ponta desse iceberg de lama negra, é que o diabo &#8211; a sexualidade reprimida extravasando-se por meios tortuosos &#8211; adora uma &#8220;boa causa&#8221;. Infiltra-se na Igreja, santifica-se e dá rédea solta aos seus verdadeiros asseclas, os apóstolos da &#8220;pureza da fé&#8221;, do &#8220;socialismo real&#8221;, do &#8220;nacional socialismo&#8221;, do &#8220;livre mercado&#8221;. A sexualidade sublimada logo é substituída pela perversidade pura e simples; os parasitas do sistema aboletam-se para tirar suas &#8220;casquinhas&#8221;; os corações repletos de ódio encontram um objeto jurídica e ideologicamente despido de quaisquer direitos para dele se aproveitar e punir como bem entenderem.</p>
<p>&#8220;Na tua mente tudo se perverte. Aquilo a que eu chamo um ato de amor, é, na tua vida, um ato pornográfico&#8221; (Reich, 1982:57).</p>
<p>No início, era o corpo, e o corpo era divino. Depois vieram os discursos sobre o corpo e o debate perdura. Divino é o verbo e, o corpo, satânico? Ou o contrário? Discursos, verbais e não-verbais, exaltam, divinizam, demonizam, mortificam o corpo a um ponto em que não é mais sentido: torna-se os sentidos que a ele se atribuem.</p>
<p>A despeito de toda a abertura e liberalidade conquistadas a duras penas durante o século XX, vemos, ainda hoje, mentes fossilizadas em conceitos sem fundamento outro que não o medo e a ignorância.</p>
<p>Um outro exemplo citado por Reich (1982:56) que demonstra a forma como destruímos nossa liberdade: &#8220;Tu sabes e eu sei e todos sabemos que vives num estado de permanente frustração sexual; que facilmente encaras com avidez qualquer membro do outro sexo; que as conversas que tens com os amigos sobre temas sexuais se resumem ao repertório de anedotas obscenas; que, em suma, a tua imaginação é, sobretudo, pornográfica&#8221;.</p>
<p>Por isso, este site não deixa de dizer o sexo. Com palavras e imagens, exercendo seu papel de educar olhos e ouvidos humanos, abrindo espaço para que Arte cumpra sua missão de encantar os humanos com o deleite do Belo, participando com sua &#8220;vassoura&#8221; da árdua mas sempre alegre faxina de ambientes mentais empoeirados e cheios de mofo, ou como diz Reich, &#8220;prisão de ventre mental&#8221;.</p>
<p>Nossa cultura ensina que a imagem do corpo humano nu e, particularmente, experimentando prazer sexual, é &#8220;pornográfica&#8221;. Ou será pornográfica nossa maneira de ver?</p>
<p>Desta forma não seria &#8220;pervertido&#8221; e até &#8220;proibido&#8221; os belos corpos nus pintados na Capela Sistina? O próprio corpo semi-vestido de Cristo na Cruz? O corpo nu é belo, é natural, é divino. Porque não poderia ter sua beleza perpetuada na arte? Quem pervete tal beleza possui uma mente doentia, uma sexualidade doente.</p>
<p>Abordamos a sexualidade, a corporalidade a arte e o nu. &#8220;Mas qual o limite entre arte e pornografia? Arte na minha opinião é uma forma de expressão cultural da beleza. O que inclui o corpo e o ato sexual em si. Já a pornografia, reduz o corpo e o ato sexual a um simples objeto com a única finalidade de masturbação&#8221;. (Hellmann, 2007b).</p>
<p>Reich (1982:91) mais uma vez mete o dedo na ferida fétida: &#8220;Acusa de pornografia a vida sexual sã, que tem em mente intenções pornográficas. Já te topamos, Zé Ninguém; vais-te tornando transparente sob a tua fachada de desgraça e submissão. O que te é pedido é que determines o rumo do mundo com o teu trabalho e a tua realização &#8211; substituir uma forma de tirania por outra é que nunca. O que se te exige é que te submetas às leis da vida tal como quererias que os outros fizessem; que te modifiques à medida que os vais criticando. Cada vez é mais óbvia a tua predisposição para a tagarelice a tua avidez, a tua irresponsabilidade &#8211; o mal de ti que conspurca toda a beleza da Terra&#8221;.</p>
<p>Liberdade? Queremos realmente a liberdade? Elegemos tiranos que nos mantém submissos, e por quê? Por medo da responsabilidade? Uma sociedade sexualmente doente, reprimida e frustrada: não seria esta a resposta para nossas escolhas?</p>
<p>Você é mais do que você pensa, você pode mais do que dizem, você é importante demais para prender-se a rótulos, preconceitos e idéias discriminatórias que não permitem que você exerça a plenitude de seu potencial. Você deve ser livre porque tem o direito de ser livre, porque, não importa de que nomes o chamem, você é, acima de tudo, um ser humano.</p>
<p>Sabemos amar? Amamos ao outro como gostaríamos de ser amado? &#8220;Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo: eis toda a Lei e os Profetas&#8221;.</p>
<p>Você sofreu mais que aquele cara na cruz? Ser cristão não é ser passivo, é preciso agir com vontade férrea para expulsar o Mal de nosso convívio. Mas, antes, amemos a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Amemos as vítimas do Mal mais do que os praticantes do Mal.</p>
<p>Sexualidade ainda é um tabu. Depende somente de nós conquistar a liberdade, um corpo e mente são. Sexo é essencial para a saúde física e mental mas, sem cuidados, pode até prejudicar sua saúde. Você se incomoda de passar adiante suas doenças? Sejam elas físicas ou mentais?</p>
<p>Sim, falemos agora da ignorância humana em relação a tantas doenças sexualmente transmissíveis. &#8220;Isso só acontece com os outros&#8221;. Acorde! Isso pode acontecer com você, com seu filho, com sua mãe, com seu vizinho!</p>
<p>A ignorância mata. A AIDS por exemplo, a guerra contra este mau está longe de ser vencida, e a maior vitória que poderemos conseguir será, sempre, evitar que ainda mais uma pessoa se infecte com esse demônio chamado HIV. Sim a ignorância é a melhor amiga da AIDS.</p>
<p>A quantos comerciais de marcas de preservativos você assistiu na TV nos últimos meses? Bom, eu não consigo me lembrar de nenhuma! Agora, a quantos comerciais de laxantes você assiste todos os dias na TV? Este fato me faz citar novamente Reich (1982:37):</p>
<p>&#8220;Como nunca aprendeste a criar felicidade, a gozá-la e a protegê-la, não conheces a coragem do indivíduo reto. Queres saber o que és, Zé Ninguém? Ouve os anúncios publicitários dos teus laxantes, das tuas pastas de dentes e desodorizantes&#8230; Já alguma vez prestaste atenção às piadas que o intelectualóide larga a teu respeito nas revistas? Piadas sobre ti e sobre ele, piadas de um mundo reles e desgraçado. Escuta a tua publicidade aos laxantes e saberás o que és&#8221;.</p>
<p>Sim o preservativo pode te salvar da AIDS e de tantas outras doenças sexualmente transmissíveis. Há inúmeros fabricantes de preservativos, a concorrência existe. Há dinheiro para isto, então metam a mão no bolso empresários, contratem &#8220;celebridades&#8221; para promovê-los, assim como fazem os fabricantes de &#8220;cerveja&#8221; e os de &#8220;laxantes&#8221;.</p>
<p>Por que, no Carnaval, não vemos camarotes de marcas famosas de preservativo? Divirta-se saudavelmente! Nossos estilistas, designers e artistas famosos poderiam fazer campanhas, obras-de-arte, estilos de moda, designs arrojados, utilizando a saudável camisinha como suporte.</p>
<p>Libertemo-nos da peste emocional, da ignorância, da doença de massa, dessa doença que nos leva à autodestruição. Viver a sexualidade não vai contra a natureza humana, muito pelo contrário. Faz bem, melhora nossa auto-estima, nossa saúde física e mental.</p>
<p>&#8220;Sentes-te infeliz e medíocre, repulsivo, impotente, sem vida, vazio. Não tens mulher e, se a tens, vais com ela para a cama só para provar que és &#8216;homem&#8217;. Nem sabes o que é o amor. Tens prisão de ventre e tomas laxantes&#8230;. Não sabes envolver o teu filho nos braços, de modo que o tratas como um cachorro em quem se pode bater à vontade. A tua vida vai andando sob o signo da impotência, no que pensas, no teu trabalho. A tua mulher abandona-te porque és incapaz de lhe dar amor. Sofres de fobias, nervosismo, palpitações. O teu pensamento dispersa-se em ruminações sexuais. Falam-te de economia sexual. Algo que te entende e poderia ajudar-te. Que te permitiria viveres à noite a tua sexualidade e que te deixaria livre durante o dia para pensar e trabalhar&#8221;. (Reich, 1982:41)</p>
<p>Podemos vivenciar nossa sexualidade de forma extremamente benéfica e positiva para um desenvolvimento sadio, desde que feito com muito amor. Reprimir é anular a si próprio. Respeitar, aprender a sentir e escutar as mensagens que seu corpo transmite proporcionará uma elevação da auto-estima. É preciso saber se amar para aprender a amar o outro. Amar o outro é doar-se. Quem não tem amor a si mesmo, não tem amor para dar.</p>
<p>Não podemos negar esta &#8220;energia vital&#8221; que existe dentro de nós. Não podemos separar o corpo do espírito, é preciso fazer esta higiene mental. Arte, sexualidade e corporalidade: é desta forma que caminhamos nesta missão, com o intuito de fazê-lo pensar. Diga não à ignorância, diga não ao preconceito, diga sim ao belo e ao que é natural. Viva plenamente a sua sexualidade. Eduque seus filhos como você gostaria de ter sido educado, e não como o fostes. Ame como gostaria de ser amado. Liberte-se!</p>
<p>Bibliografia:</p>
<p>Hellmann, Géssica. Da deusa à bruxa. Disponível em: http://www.gehspace.com/sexualidade26a30.htm#27. Acessado em 23/05/2007a.</p>
<p>Hellmann, Géssica. Pornografia, Erotismo e Arte: onde estão as fronteiras? Disponível em: http://www.gehspace.com/sexualidade21a25.htm#22. Acessado em: 23/05/2007b.</p>
<p>Reich, Wilhelm. A função do orgasmo &#8211; Problemas econômico-sexuais da energia biológica. São Paulo: Círculo do Livro, 1991.</p>
<p>_____________. Escuta, Zé Ninguém! Portugal: Martins Fontes Editora, 1982. 10a ed.</p>
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		<title>Sexualidade e Corporalidade &#8211; Seguindo os passos de Reich: O reflexo do orgasmo e a técnica da vegetoterapia de analise do caráter</title>
		<link>http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/sexualidade-e-corporalidade-seguindo-os-passos-de-reich-o-reflexo-do-orgasmo-e-a-tecnica-da-vegetoterapia-de-analise-do-carater/</link>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 18:23:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 86 a 90]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e corporalidade]]></category>
		<category><![CDATA[wilhelm reich]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>Wilhelm Reich, durante seu trabalho sobre análise do caráter, tentou, de maneira sistemática, isolar e desmascarar as atitudes de caráter, sempre com o objetivo de liberar <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/sexualidade-e-corporalidade-seguindo-os-passos-de-reich-o-reflexo-do-orgasmo-e-a-tecnica-da-vegetoterapia-de-analise-do-carater/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Géssica Hellmann</em></p>
<p>Wilhelm Reich, durante seu trabalho sobre análise do caráter, tentou, de maneira sistemática, isolar e desmascarar as atitudes de caráter, sempre com o objetivo de liberar as emoções reprimidas. Todas as dissoluções bem-sucedidas da couraça muscular liberavam emoções de cólera ou e angústia. O tratamento das emoções liberadas tornava possível a restauração da motilidade sexual. Reich descobriu que, se aliasse o tratamento de caráter ao tratamento da couraça muscular, os resultados se tornavam muito mais eficazes.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 402px"><img title="Circus por Erin Prucha" src="http://gehspace.com/edicao%2090%20imagens/circus.jpg" alt="Circus por Erin Prucha" width="392" height="560" /><p class="wp-caption-text">Circus por Erin Prucha</p></div>
<p>Reich tinha a opinião de que a &#8220;rigidez somática&#8221; representava a parte mais essencial do processo de repressão. (Reich, 1991).</p>
<p>Segundo o autor, na infância é que se cria o encouraçamento muscular, seja prendendo a respiração ou aumentando os músculos abdominais. As crianças, muitas vezes, são levadas a reprimir o choro, anular seus impulsos de ódio, angústia ou, até, de amor. Até então, a psicologia analítica havia se dedicado somente aos sentimentos que a criança anularia e aos motivos que a levariam a fazer isso, deixando de lado o &#8220;modo&#8221; pelo qual as crianças lutariam contra os impulsos, ou seja, o processo fisiológico da repressão.</p>
<p>&#8220;A estrutura psíquica é ao mesmo tempo uma estrutura biofísica que representa um estado especifico indicativo da intervenção das forças vegetativas de uma pessoa&#8221; (Reich, 1991, 256).</p>
<p>Segundo o autor, aliar a terapia de análise do caráter às atitudes musculares possibilita evitar o complicado rodeio pela estrutura psíquica, ao atingir-se diretamente os afetos a partir da atitude somática.</p>
<p>A atitude muscular não é nada além que do que aquilo que chamamos de &#8220;expressão corporal&#8221; ou &#8220;corporalidade&#8221;.</p>
<p>&#8220;Reich achava que a couraça muscular está organizada em sete principais segmentos de armadura, que são compostos de músculos e órgãos com funções expressivas relacionadas. Estes segmentos formam uma série de sete anéis mais ou menos horizontais, em ângulos retos com a espinha e o torso. Os principais segmentos da couraça estão centrados nos olhos, boca, pescoço, tórax, diafragma, abdome e pelve&#8221; (Reich 2, 2007).</p>
<p>O autor afirma que, para a dissolução da couraça, são importantes três instrumentos:</p>
<p>- Armazenamento de energia no corpo por meio de respiração profunda;<br />
- Ataque direto aos músculos cronicamente tensos (por meio de pressão) a fim de soltá-los;<br />
- Manutenção da cooperação do paciente, lidando abertamente com quaisquer resistências ou restrições que possam emergir.</p>
<p>A vegetoterapia tem por objetivo dissolver os bloqueios musculares dos sete segmentos citados acima. A energia liberada se expressaria através de ondas de excitação, liberando os afetos e gerando uma elaboração dos conteúdos reprimidos. As couraças podem estar representadas em qualquer um destes segmentos e seu desbloqueio deve ser no sentido céfalo-caudal, iniciando pelo primeiro (ocular) e seguindo em direção ao sétimo nível (pélvico) (Rodrigues, 2007).</p>
<p>Reich descreve as características e os mecanismos de várias atitudes musculares típicas. Dentre elas, a região da cabeça e do pescoço. Dor de cabeça forte é um sintoma comum em muitos pacientes, afirma o autor. Localiza-se freqüentemente acima do pescoço, sobre os olhos ou na testa. (Reich, 1991)</p>
<p>Segundo o autor, quando as pessoas mantém o pescoço tenso por muito tempo, sentirão logo uma dor na parte posterior da cabeça. Já uma dor de cabeça supra-orbital (como uma faixa apertando a cabeça), é geralmente causada pelo hábito de uma elevação crônica das sobrancelhas, causando uma tensão em toda a musculatura do crânio e uma contínua expectativa com relação aos olhos. Outro exemplo citado pelo autor são os espasmos da boca, do queixo e da garganta. Estes pacientes sofrem freqüentemente de náuseas, sua voz é habitualmente baixa, monótona. A mesma reação têm as crianças quando prendem o choro, provocando a tensão no assoalho da boca. Reich afirma que a face como um todo deve ter uma atenção especial, porque ela revela muito do paciente.</p>
<p>Segmento ocular:<br />
A couraça dos olhos é expressa por uma imobilidade da testa e uma expressão vazia dos olhos. A couraça pode ser desfeita fazendo com que os pacientes abram bem seus olhos como se estivessem com medo, forçando uma expressão emocional e encorajando o movimento livre dos olhos.</p>
<p>Segundo Santos (2007) &#8220;Como doenças degenerativas do sistema nervoso podemos encontrar o mal de Parkinson, mal de Wilson, Esclerose em placa, biopatias neuromusculares como distrofia muscular progressiva, miotroia de Thomsen, etc. Como biopatias da pele podemos citar o eczema, urticária, psoríase, miotrofia de herpes, alopecia, etc. Nos olhos encontramos os erros de refração da visão tais como miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia, além de dores de cabeça, enxaqueca, etc. No nariz e ouvido temos a rinite, otites, etc. No âmbito emocional, irá resultar em uma dificuldade de contato com outras pessoas, confusão de pensamentos e idéias, falta de ponto, de foco (objetivos), etc. (NAVARRO, 1995)&#8221;.</p>
<p>Segmento oral:<br />
Este segmento inclui os músculos do queixo, garganta e parte de trás da cabeça. A &#8220;retenção do choro&#8221; ou de expressões emocionais como morder com raiva, gritar e fazer caretas são inibidas no segmento oral. O encouraçamento pode ser desfeito estimulando-se o choro e com exercícios com os lábios para trabalhar os músculos tencionados.</p>
<p>&#8220;Como biopatias mais comuns encontramos os problemas ortodônticos, bruxismo, bulimia, inapetência, boca seca, náuseas, sensação de &#8220;bolo&#8221; na garganta, etc&#8221;(Santos, 2007).</p>
<p>Segmento cervical:<br />
Este segmento inclui músculos profundos do pescoço, da língua, do esternocleidomastoídeo e a glândula tireóide. O encouraçamento acontece principalmente ao reprimir o choro ou a raiva. Para desencouraçar estes músculos, os exercícios de gritar, cantar e vomitar podem liberar a energia tencionada.</p>
<p>Segundo Santos (2007), &#8220;As biopatias mais comuns são o torcicolo, tensão ou dor muscular na região dos ombros e pescoço, reumatismo muscular, artrose cervical, hiper ou hipotiroidismo, entre outras&#8221;.</p>
<p>Segmento torácico:<br />
Neste segmento encontram-se o tórax, incluindo o coração, o pulmão, timo e os membros superiores. Ele serve como inibidor do riso, da raiva, da tristeza, do desejo, do amor e do ódio. A inibição da respiração, que é um meio importante de suprimir toda emoção, ocorre geralmente no tórax. O exercício respiratório completo é essencial para liberar as energias reprimidas neste segmento.</p>
<p>&#8220;As biopatias recorrentes dos bloqueios deste nível são a asma brônquica, aumento da frequência cardíaca, palpitações, dores no peito e nas costas, aterosclerose, arteriosclerose, hipertensão, enfisema pulmonar, tremores ou sensação de fraqueza, sudorese, mãos frias e úmidas, etc&#8221; (Santos, 2007).</p>
<p>Segmento diafragmático:<br />
Neste segmento inclui-se o diafragma, o plexo solar, o estômago e outros órgãos internos, além dos músculos das vértebras torácicas baixas. Este encouraçamento inibe a raiva extremada.</p>
<p>&#8220;O bloqueio diafragmático traz uma ansiedade de espera da punição ocasionando biopatias como ansiedade, inquietação, falta de ar, fadiga, dores na região lombar, problemas no estômago (úlcera, gastrite), fígado, baço, diabete, etc&#8221; (Santos, 2007)</p>
<p>Segmento abdominal:<br />
Neste segmento incluem-se os músculos abdominais longos e os músculos das costas. É importante lembrar que os segmentos devem ser liberados de primeiro ao sétimo, nesta ordem.</p>
<p>&#8220;As biopatias apresentadas neste nível ocasionam problemas intestinais, renais, etc&#8221; (Santos, 2007).</p>
<p>Segmento pélvico:<br />
Este segmento inclui os músculos da pelve, dos membros inferiores, e os órgãos internos (ovários, útero, bexiga, genitais). Portanto este encouraçamento inibe a ansiedade, a raiva e o prazer. A inibição da ansiedade e a raiva resulta na inibição do prazer sexual.</p>
<p>&#8220;As biopatias deste segmento são problemas sexuais como frigidez, impotência, ejaculação precoce, varizes, etc&#8221; (Santos, 2007).</p>
<p>Reich afirma que a inibição respiratória e a fixação do diafragma são os principais atos da supressão das sensações de prazer no abdômen (Reich, 1991).</p>
<p>Segundo o autor, desde crianças somos levados a reter (controlar) nossas emoções; somos tão reprimidos que esquecemos como respirávamos quando éramos bebês e começamos a fazer uma respiração incompleta.</p>
<p>Com este mapeamento do corpo humano sugerido por Reich, torna-se possível e viável a técnica da vegetoterapia. Um ser humano com suas couraças liberadas está aberto a novas descobertas, e principalmente a uma nova maneira de olhar o mundo e a sociedade ao seu redor; está aberto a se conhecer, se amar e amar ao próximo com a mesma intensidade.</p>
<p>Como mãe, pesa a responsabilidade de uma boa educação para meu filho. Lembrar-nos constantemente da importância de como nos relacionamos com eles ainda pequenos. Frases como &#8220;não chore&#8221;, &#8220;fale baixo&#8221;, ou outras intimidações verbais, será que são necessárias? O quanto elas podem se transformar em couraças? Como incentivar meu filho a expressar seus sentimentos &#8211; e, conseqüentemente, sua corporalidade e sexualidade &#8211; de uma forma sadia?</p>
<p>Bibliografia</p>
<p>Reich, Wilhelm. A função do orgasmo &#8211; Problemas econômico-sexuais da energia biológica. São Paulo: Círculo do Livro, 1991.</p>
<p>Rodrigues, Henrique J. Leal F. Da Vegetoterapia à Orgonomia: uma mudança de paradigma. Disponível em: &lt; http://www.reich.psc.br/pdf/Da%20Vegetoterapia%20a%20Orgonomia%20uma%20mudan%E7a%20de%20paradigma.pdf&gt;. Acessado em 18/04/2006.</p>
<p>Santos, C. N. Mapeamento emocional do corpo humano. In: CONVENÇÃO BRASIL LATINO AMÉRICA, CONGRESSO BRASILEIRO E ENCONTRO PARANAENSE DE PSICOTERAPIAS CORPORAIS. 1., 4., 9., Foz do Iguaçu. Anais&#8230; Centro Reichiano, 2004. CD-ROM. [ISBN - 85-87691-12-0]</p>
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		<title>Sexualidade e Corporalidade &#8211; Seguindo os passos de Reich: A irrupção no campo biológico III</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 17:59:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 86 a 90]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e corporalidade]]></category>
		<category><![CDATA[wilhelm reich]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>Em 1933, os entendimentos do campo psíquico e somático mostravam para Reich que os impulsos e sensações não eram produzidos pelos nervos, mas apenas transmitidos por <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/sexualidade-e-corporalidade-seguindo-os-passos-de-reich-a-irrupcao-no-campo-biologico-iii/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Géssica Hellmann</em></p>
<p>Em 1933, os entendimentos do campo psíquico e somático mostravam para Reich que os impulsos e sensações não eram produzidos pelos nervos, mas apenas transmitidos por eles. &#8220;Todos os impulsos biológicos e sensações biológicas do organismo podem ser reduzidos à expansão (alongamento, dilatação) e contração (encolhimento, constrição)&#8221;.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 306px"><img title="por Erin Prucha" src="http://gehspace.com/edicao%2088%20imagens/erin54.jpg" alt="por Erin Prucha" width="296" height="442" /><p class="wp-caption-text">por Erin Prucha</p></div>
<p>O autor afirma que as pesquisas sobre as &#8220;inervações vegetativas&#8221; dos órgãos mostra que o sistema parassimpático funciona quando há expansão, dilatação, hiperemia, tensão e prazer. Já os nervos simpáticos funcionam quando há contração, quando o sangue foge da periferia e aparecem a palidez, angústia e a dor.</p>
<p>&#8220;Na experiência do prazer, os vasos sanguíneos se dilatam na periferia, a pele se torna corada, o prazer é experimentado desde a mais suave das formas até o mais alto grau de êxtase sexual&#8221;. No prazer, ocorre a dilatação parassimpática, em que o coração se expande. Na angústia, o coração se contrai, aumentando a freqüência cardíaca.</p>
<p>Psiquicamente, a expansão biológica é experimentada como prazer e, a contração, como desprazer. No campo dos fenômenos instintivos, a expansão funciona como excitação sexual e a contração como angústia. Já no nível da fisiologia, a expansão corresponde ao funcionamento parassimpático e, a contração, ao funcionamento simpático.</p>
<p>Reich, pouco a pouco, mapeava o funcionamento das emoções no corpo humano. Aprofundou seus estudos no campo biológico, principalmente no prazer e desprazer (expansão e contração). Concluiu que as emoções (sensações) estavam ligadas a carga e descarga de tensão. Como vimos anteriormente, Reich percebeu que as resistências dos pacientes se manifestavam através do encouraçamento do caráter e também da couraça muscular, ocasionando tensões musculares que impediam o ser humano de manifestar claramente suas emoções.</p>
<p>Reich, então, se questiona: de onde se origina a energia vegetativa? Onde era seu centro? Levando em conta dados conhecidos na época: &#8220;Na região abdominal &#8211; a chamada sede das emoções &#8211; encontramos os geradores da energia biofísica. São os grandes centros como do sistema nervoso autônomo, especialmente o plexo solar, o plexo hipogástrico e o plexo lombo-sagrado&#8221;.</p>
<p>Reich se perguntava como cada órgão funcionava normalmente no prazer e na angústia. O sistema nervoso parassimpático dilata os vasos sanguíneos, aumentando o fluxo de sangue para a periferia, tornando lenta a ação do coração. Já o sistema simpático contrai os vasos sanguíneos da periferia para o centro, estimulando a ação do coração.</p>
<p>Podemos perceber o funcionamento da função simpática da angústia quando lembramos que o sistema nervoso simpático estimula o músculo que impede a micção, enquanto o sistema nervoso parassimpático tem efeito contrário, relaxando ou inibindo o mesmo músculo. No organismo em geral, é também significativo que, no prazer, as pupilas sejam contraídas pelo sistema parassimpático, aguçando a visão. Na angústia, ou paralisia causada pelo medo, a visão diminui por causa da dilatação das pupilas.</p>
<p>Em 1934, Reich escreve uma pequena monografia sobre seus estudos e tenta participar do XIII congresso psicanalítico, sem sucesso. Ao chegar ao congresso, Reich soube, por meio do secretário da Sociedade Psicanalítica Alemã, da qual havia sido membro, que havia sido expulso da Sociedade, sem prévia justificativa ou notificação, em 1933.</p>
<p>Segundo Reich, a teoria do orgasmo podia orgulhar-se de ter feito importantes contribuições à compreensão da fisiologia do organismo. Cada vez mais desvendava as emoções e seus reflexos corporais, unindo suas descobertas sobre a sexualidade e corporalidade humana.</p>
<p>No próximo artigo, introduziremos as reflexões reichianas sobre o reflexo do orgasmo e a técnica da vegetoterapia de análise do caráter.</p>
<p>Bibliografia</p>
<p>Reich, Wilhelm. A função do orgasmo &#8211; Problemas econômico-sexuais da energia biológica. São Paulo: Círculo do Livro, 1991.</p>
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		<title>Sexualidade e Corporalidade &#8211; Seguindo os passos de Reich: A irrupção no campo biológico II</title>
		<link>http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/sexualidade-e-corporalidade-seguindo-os-passos-de-reich-a-irrupcao-no-campo-biologico-ii/</link>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 17:52:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 86 a 90]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e corporalidade]]></category>
		<category><![CDATA[wilhelm reich]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>(Sugira um tema para esta revista)</p>
<p>Com vários anos de trabalhos e estudos no campo da sexologia e da psicanálise, uma definição simples e direta para o <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/sexualidade-e-corporalidade-seguindo-os-passos-de-reich-a-irrupcao-no-campo-biologico-ii/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Géssica Hellmann</em></p>
<p>(Sugira um tema para esta revista)</p>
<p>Com vários anos de trabalhos e estudos no campo da sexologia e da psicanálise, uma definição simples e direta para o termo &#8220;energia biopsíquica&#8221; ainda não havia sido formulada. Retomando o ponto de partida da teoria do orgasmo, &#8220;as neuroses e as psicoses funcionais são sustentadas por uma energia sexual excessiva e inadequadamente descarregada&#8221;. O que se sabia, entretanto, é que elas estavam enraizadas (encouraçadas) no corpo. Reich afirma que, apesar dos avanços de Freud, a ciência oficial não queria saber nem se posicionar a respeito da sexualidade.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 344px"><img title="por Erin Prucha" src="http://gehspace.com/edicao%2087%20imagens/erin67.jpg" alt="por Erin Prucha" width="334" height="480" /><p class="wp-caption-text">por Erin Prucha</p></div>
<p>Reich tratou de um paciente, em 1933, que apresentava resistência à revelação de suas fantasias homossexuais. Esta resistência era expressa principalmente pela rigidez (encouraçamento) do pescoço. &#8220;Durante três dias, foi abalado por aguda manifestações de choque vegetativo&#8221;. De pálido mudava rapidamente de branco para amarelo ou azulado, a pele ficou manchada de cores diferentes, sentia dores no pescoço e atrás da cabeça, aumento de batimento cardíaco, diarréia. O aparente &#8220;pescoço rígido&#8221;, até então, mantinha presas suas energias vegetativas que se soltavam agora de forma caótica e descontrolada. &#8220;A energia da vida sexual pode ser contida por tensões musculares crônicas&#8221;.</p>
<p>Reich então tinha confirmado algo importante: &#8220;se a couraça de caráter podia ser expressa pela couraça muscular, e vice-versa, então a unidade de funcionamento psíquico e somático havia sido entendida de princípio e podia ser influenciada de maneira prática&#8221;.</p>
<p>A liberação das tensões musculares produzia sensações corporais como tremores, contrações de músculos, impressão de alfinetadas, frio, calor, excitação nervosa, angústia, cólera e prazer.</p>
<p>Reich sentia que algo mais além da corrente sangüínea provocava este &#8220;aperto no peito&#8221; (angústia). Seguindo estes pensamentos, Reich chegou à noção de &#8220;bioeletricidade&#8221;.</p>
<p>Baseando-se nos experimentos do médico berlinense Krauss, que verificou que o corpo seria governado por processos elétricos, Reich seguia na comprovação de sua fórmula do orgasmo: tensão &gt; carga &gt; descarga &gt; relaxação.</p>
<p>A tensão sexual é sentida no corpo todo, mais fortemente expressa nas regiões do coração e do abdômen. A excitação se concentra gradualmente nos órgãos genitais, que se tornam congestionados com sangue, atingindo com cargas elétricas a superfície dos genitais. Um toque em uma parte do corpo pode excitar outras áreas do corpo. O processo de fricção aumenta a tensão até atingir o orgasmo (descarga elétrica) seguida de relaxação.<br />
Este conceito leva Reich novamente para a idéia de uma bexiga elástica cheia. A bexiga elástica teria um mecanismo de carga operando automaticamente no centro, seria carregada espontaneamente a partir de seu interior, a carga poderia ser maior em algumas áreas e menor em outras. Dentro da bexiga, as cargas elétricas estariam em constante movimento, mas uma direção prevaleceria do centro para fora. Se a energia interna se torna grande demais, a bexiga poderia, contraindo-se, descarregar a energia para fora.</p>
<p>Fazendo uma comparação da bexiga com o corpo animal, Reich constatou que o corpo animal no mais baixo estágio de desenvolvimento possui um mecanismo que gera eletricidade a partir do centro para a periferia. São os chamados gânglios vegetativos, células nervosas ligadas a todos os órgãos do corpo que se dividem em sistemas &#8220;simpático&#8221; e &#8220;parassimpático&#8221;.</p>
<p>&#8220;Nossa bexiga imaginária pode expandir-se e contrair-se. (&#8230;) Se nos esforçássemos realmente por manter uma pressão constante sobre a superfície toda, i.e., impedindo-a de expandir-se apesar da continua produção interior de energia, ficaria em um perpétuo estado de angústia&#8221;. (Reich, 1991)</p>
<p>A bexiga sentindo-se incapaz de fazer algo por si mesma precisaria da ajuda de outra pessoa para aliviar esta tensão. Por exemplo, através de massagem, ginástica, furando-a se necessário (fantasia de estar sendo aberta em furos), machucando-se (fantasia masoquista) e se nada resolvesse, destruindo-a (morte sacrifical). Reich, ao utilizar este exemplo, fazia a comparação com a neurose da sociedade do século XX.</p>
<p>Segundo Reich, esta bexiga encouraçada teria uma atitude estranha e hostil em relação a ela. Sentiria-se muito especial, uma raça superior pelo simples fato de usar um uniforme e um colarinho. A natureza seria considerada &#8220;vil&#8221;, &#8220;impulsiva&#8221;, &#8220;demoníaca&#8221;. Ao mesmo tempo, a bexiga sentiria em si os vestígios desta natureza: associar a natureza a convulsões do corpo seria blasfêmia. Assim mesmo, criaria industrias de pornografia, sem perceber a contradição.</p>
<p>No campo da fisiologia a idéia de uma bexiga encouraçada se confirmava pelo fato que os músculos se contraem espontaneamente e/ou por estímulos elétricos. Uma observação minuciosa na função cardíaca comprovou também que o processo de &#8220;tensão-carga&#8221; governa a função cardíaca. O resultado da carga e descarga é o vazamento do sangue através da aorta por causa da contração do coração.</p>
<p>Outro exemplo citado por Reich no campo da biologia é que a bexiga urinária não se contrai a fim de cumprir sua função mictória ou de poderes &#8220;divinos&#8221; ou sobrenaturais. Contrai-se simplesmente porque seu enchimento mecânico induz uma contração. Esse mesmo princípio pode ser aplicado nos termos das relações sexuais: não temos relações sexuais para gerar filhos, e sim porque uma congestão de fluido carrega bioeletricamente os órgãos genitais e pressiona em direção à descarga. &#8220;Assim a sexualidade não está a serviço da procriação; mais propriamente, a procriação é um resultado incidental do processo tensão-carga nos genitais&#8221;.</p>
<p>A cada novo argumento Reich &#8220;destrinchava&#8221; a neurose sexual e política vigente, como um grito ao vento de ouvidos surdos à realidade.</p>
<p>Bibliografia</p>
<p>Reich, Wilhelm. A função do orgasmo &#8211; Problemas econômico-sexuais da energia biológica. São Paulo: Círculo do Livro, 1991.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sexualidade e Corporalidade &#8211; Seguindo os passos de Reich: A irrupção no campo biológico</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 17:40:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 81 a 85]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e corporalidade]]></category>
		<category><![CDATA[wilhelm reich]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>por Géssica Hellmann</p>
<p>Como vimos nos artigos anteriores, Reich, em seus estudos sobre a sexualidade, conclui que &#8220;a repressão sexual é de origem econômico-social e não biológica&#8221;. Outra <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/sexualidade-e-corporalidade-seguindo-os-passos-de-reich-a-irrupcao-no-campo-biologico/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Géssica Hellmann</em></p>
<p>Como vimos nos artigos anteriores, Reich, em seus estudos sobre a sexualidade, conclui que &#8220;a repressão sexual é de origem econômico-social e não biológica&#8221;. Outra pergunta sem resposta: é como um indivíduo são como pode viver em uma sociedade neurótica? Os instintos são de origem natural (biológica), como os de todos os seres vivos: &#8220;o homem precisa, primeiro e acima de tudo, matar a fome e satisfazer seus desejos sexuais&#8221;. O primeiro, a sociedade atual já torna difícil de satisfazer e, a última, a sociedade frustra. Se o homem pode ser livre, por que procura viver reprimido?</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 357px"><img title="Tension por Mike McCuen" src="http://gehspace.com/edicao%2085%20imagens/tension%20-%20Blockprinting%20Inks%20and%20Acrylics%20on%20Canvas.jpg" alt="Tension por Mike McCuen" width="347" height="488" /><p class="wp-caption-text">Tension por Mike McCuen</p></div>
<p>Reich abria caminho em suas pesquisas no campo biológico na procura de uma solução para o problema do masoquismo.</p>
<p>&#8220;Para a psicanálise, o prazer de sofrer a dor era o resultado de uma necessidade biológica&#8221;. Caso fosse diagnosticado este sintoma no paciente, nada poderia ser feito. Em seu trabalho terapêutico, Reich se viu diante da questão: por que o masoquismo transforma o desejo de prazer em um desejo de desprazer?</p>
<p>Em 1928, Reich tratou de um paciente masoquista. Os pedidos incessantes do paciente para ser surrado impediam a comunicação entre Reich e o paciente. Após meses dedicados ao trabalho psicanalítico habitual, Reich perguntou a ele o que faria se satisfizesse seu desejo. Sorriu com alegria. Reich, então pegou uma régua e deu-lhe duas pancadas nas nádegas. O paciente deixou escapar um grito, sem sinal algum de prazer.</p>
<p>Foi então que Reich compreendeu que a dor e o desprazer não são o objetivo do instinto masoquista, pois quando apanha, ele, como toda pessoa normal, sente dor. Mais tarde, Reich descobriu a fantasia por trás do instinto masoquista: o desejo de romper-se. Só desta maneira o paciente conseguiria a relaxação. Ao mesmo tempo em que desejam romper-se, sentem um medo profundo deste rompimento. A dor não é o objetivo do impulso; é simplesmente uma experiência desagradável durante a liberação de tensões existentes e reais.</p>
<p>O masoquista permanece na estimulação pré-genital, aumentando assim a tensão e diminui a capacidade de experimentar a relaxação. O masoquista fica preso a esse círculo vicioso. O medo da excitação orgástica se encontra em todas as neuroses, desta forma, as fantasias masoquistas estão presentes em todas as enfermidades emocionais.</p>
<p>Para Reich, o masoquismo é o resultado e não a causa da neurose; é a expressão de uma tensão sexual que não pode ser aliviada; sua fonte é o medo da descarga orgástica. Esta compreensão abriu caminho, para Reich, no campo biológico.</p>
<p>Os pacientes queixavam-se de estarem tensos até o ponto de explodirem; temiam qualquer ataque ao seu encouraçamento. Reich afirmava que o masoquismo tornou-se o problema central da psicologia das massas. &#8220;As massas trabalhadoras sofrem graves privações, são dominadas e exploradas por poucos que detêm o poder. Em forma de ideologia prática de várias religiões patriarcais, o masoquismo prolifera como erva má e sufoca todos os direitos naturais à vida. Mantém as pessoas no estado abissal de submissão. Impede suas tentativas de chegar a uma ação racional comum e os satura do medo de assumir a responsabilidade de sua existência. É a causa do fracasso dos melhores impulsos de democratização da sociedade&#8221;. (Reich, 1991).</p>
<p>Esta idéia do caráter humano como uma couraça envolta de um organismo vivo era muito significativa. Imaginem uma bexiga sendo pressionada que pudesse falar: pediria para ser aberta com furos, rompida para aliviar a tensão causada pelo mundo exterior. Agora imaginem uma bexiga encouraçada no espírito, imaginemos um organismo vivo em que a membrana da superfície seria a couraça do caráter. A energia interna (sexual ou excitação biológica) fazendo pressão para fora e a parede externa da couraça impede esse impulso, exercendo uma pressão de fora para dentro, tornando rígido o organismo.</p>
<p>Os esforços para entrar em contato com a vida, com o prazer natural, são freqüentemente dolorosos. O organismo encouraçado não pode romper-se para livrar-se de sua tensão interior. Desta forma ou ele se torna masoquista ou pode fazer a descarga orgástica da energia represada em direção ao exterior.</p>
<p>Ao se aprofundar em sua pesquisa da função do orgasmo, Reich percebeu que não poderia utilizar no campo fisiológico os mesmos conceitos e a forma de abordagem utilizados no campo psíquico. O último procura &#8220;significados&#8221; e o primeiro simplesmente &#8220;funciona&#8221;. Reich, mais uma vez, se deparava com os problemas do mecanismo e do vitalismo.</p>
<p>Segundo Reich, sua teoria masoquista foi importante para encontrar uma solução para este problema. O seu pensamento se desenvolveu da seguinte maneira: a psique é determinada pela qualidade da idéia e, o soma, pela quantidade de energia em ação. Os problemas observados em sua experiência terapêutica demonstravam que a qualidade de uma atitude psíquica depende da quantidade de excitação somática da qual provém. Ainda não estava muito clara a resposta, mas Reich sabia que a energia biológica governaria tanto o psíquico quanto o somático.</p>
<p>Reich percebeu, então, que se completava uma seqüência de idéias: &#8220;O que anteriormente parecia uma excitação psíquica surgia agora como uma corrente biofisiológica&#8230; Na excitação sexual, os vasos periféricos se dilatam. Na angústia, sente-se uma tensão interior centralizada como se fosse explodir, os vasos periféricos se contraem. O pênis sexualmente estimulado expande-se. Na angústia contrai-se. As fontes de energia ativa encontram-se no &#8216;centro de energia biológica&#8217;&#8221;.</p>
<p>Vários preconceitos na estrutura psicanalítica foram destruídos com esta descoberta. Reich percebia cada vez mais que se distanciava da organização psicanalítica e desbravava um novo caminho no estudo da sexualidade.</p>
<p>Bibliografia</p>
<p>Reich, Wilhelm. A função do orgasmo &#8211; Problemas econômico-sexuais da energia biológica. São Paulo: Círculo do Livro, 1991.</p>
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		<title>Sexualidade e Corporalidade &#8211; Seguindo os passos de Reich: Origem social da repressão sexual e o irracionalismo fascista</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 17:31:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 81 a 85]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e corporalidade]]></category>
		<category><![CDATA[wilhelm reich]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>Nos importantes centros que formaram a opinião pública da Europa em 1930, o direito de milhões de pessoas à felicidade terrena não foi encarado como evidente <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/sexualidade-e-corporalidade-seguindo-os-passos-de-reich-origem-social-da-repressao-sexual-e-o-irracionalismo-fascista/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Géssica Hellmann</em></p>
<p>Nos importantes centros que formaram a opinião pública da Europa em 1930, o direito de milhões de pessoas à felicidade terrena não foi encarado como evidente por si mesmo. Nem sua falta foi encarada como digna de discussão (Reich, 1991).</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 335px"><img title="Peste Emocional - Couraça por Géssica Hellmann " src="http://gehspace.com/edicao%2083%20imagens/couraca.jpg" alt="Peste Emocional - Couraça&lt;br /&gt; por Géssica Hellmann " width="325" height="459" /><p class="wp-caption-text">Peste Emocional - Couraça por Géssica Hellmann </p></div>
<p>A sexualidade humana há milhares de anos vive na obscuridade: uma vida falsa e ulcerosa. O assassinato de origem sexual, os abortos criminosos, a agonia sexual dos adolescentes, a destruição dos impulsos vitais das crianças, a pornografia, a exploração dos anseios humanos por amor por uma vulgar industria consumista. A avaliação social e moral da sexualidade humana estava nas mãos de homens e mulheres sexualmente frustrados.</p>
<p>Qual a origem da repressão sexual? Biológica, como afirmada por seguidores de Freud? Malinowski respondeu a esta questão ao apresentar seu trabalho sobre a vida sexual dos &#8220;selvagens&#8221; da ilha de Trobriand, provando ser a repressão sexual de origem social e não biológica. Os habitantes da ilha viviam em uma sociedade matriarcal, as crianças desconheciam a repressão sexual, desenvolvendo-se naturalmente. Sua sociedade ignorava as perversões sexuais. O casamento monogâmico voluntário não-compulsivo, que pode ser dissolvido a qualquer hora, prevalece como forma social de vida sexual. Em uma oura ilha próxima, uma tribo vivia um sistema patriarcal e possuía todas as características das neuroses européias.</p>
<p>A repressão sexual é de origem econômico-social e não biológica. Sua função é fundamentar uma cultura patriarcal e autoritária para a escravidão econômica. Esta era patriarcal tentou manter sob controle os impulsos anti-sociais por meio de proibições morais compulsivas, desenvolvendo, assim, uma estrutura psíquica que pode ser dividia em três extratos:</p>
<p>- Superficial: usando uma máscara de autocontrole e polidez compulsiva.<br />
- Inconsciente freudiano: no qual o sadismo, avareza, sensualidade, inveja, perversões de toda sorte são mantidas sob controle, manifestando-se como um &#8220;vazio interior&#8221;;<br />
- Profundidade: onde existem e agem a sociabilidade e a sexualidade naturais, a alegria espontânea no trabalho e a capacidade para o amor.</p>
<p>O extrato de profundidade estaria em total desacordo com os aspectos da educação e do &#8220;controle autoritário&#8221;.</p>
<p>Após a Primeira Guerra Mundial, que havia aniquilado muitas famílias patriarcais e autoritárias, a comunidade européia &#8220;lutava pela liberdade&#8221;, mas cometeu um grande erro ao não reconhecer o defeito universal da neurose de caráter. Na monstruosa traição às massas por governos autoritários que alegavam representar o interesse do povo, na ingenuidade de milhares de jovens que acreditavam servir a uma idéia, o fascismo floresceu sobre o desamparo dos cidadãos do mundo. Com o fascismo, tornou-se patente a neurose da massa. O fascismo alemão deixou claro que não operava com a &#8220;inteligência&#8221; do povo, e sim, com suas reações emocionais infantis.</p>
<p>As massas queriam &#8220;liberdade&#8221;, Hitler prometeu-lhes autoridade, liderança ditatorial. Queriam liberdade, mas tinham medo da responsabilidade sobre esta liberdade; encontraram, então, no Führer, o homem que a assumiria por elas.</p>
<p>Reich afirma que o &#8220;fascismo é meramente a extrema conseqüência reacionária de todas as anteriores formas não democráticas de liderança dentro da estrutura do mecanismo social&#8221;. Foi o anseio pela liberdade e o medo dela que tornou possível o fascismo.</p>
<p>Foi assim que Hitler subiu ao poder. Ele prometia separar o conceito de sexualidade e o conceito de procriação. Chamava de &#8220;procriação eugênica superior&#8221; a &#8220;felicidade no amor&#8221;. A teoria de raça é apenas uma extensão das convenientes teorias da hereditariedade. Em outras palavras, a &#8220;pureza do sangue alemão&#8221; era a justificativa para se livrar da sífilis e da &#8220;contaminação judia&#8221;. Adolescentes podiam agora entregar-se a relações sexuais se alegassem que estavam procriando filhos no interesse do aperfeiçoamento racial.</p>
<p>Quando um fascista diz &#8220;judeu&#8221;, quer dizer &#8220;capitalista&#8221;, &#8220;ganhador de dinheiro&#8221;, e mais profundamente o conceito pode significar &#8220;sujo&#8221;, &#8220;bestial&#8221;, &#8220;sensual&#8221;, &#8220;castrador&#8221;, &#8220;assassino&#8221;.</p>
<p>Reich afirma que o &#8220;anseio inconsciente do prazer sexual na vida e da pureza sexual, unido ao medo da sexualidade natural e ao horror da sexualidade perversa, produz o fascismo e o sádico anti-semitismo&#8221;.</p>
<p>Esses fatores permitiriam que o &#8220;psicopata sexual&#8221; pervertido e criminoso Julius Streicher pusesse seu &#8220;Der Stürmer&#8221; nas mãos de milhares de jovens e adultos alemães. Os exemplos a seguir foram publicados em edições de 1934:</p>
<p>&#8220;Um dia, o velho judeu lançou-se sobre a desprevenida garota não-judia no sótão, violou-a e insultou-a &#8230;&#8221;</p>
<p>&#8220;&#8230; Ele tentou fechar a janela para impedir que os vizinhos olhassem para dentro. Então tocou novamente a mulher de modo vil, de um modo tipicamente judeu&#8230; Ele até ria de suas tentativas de gritar por socorro&#8230;. Verbalmente, agredi-a com palavras mais vis e mais obscenas. E então lançou-se como um tigre sobre o corpo da mulher e completou seu trabalho diabólico&#8221;.</p>
<p>Segundo Reich, Stürmer confirmou efetivamente um milhão de vezes a angústia de castração genital, excitando e nutrindo fantasias perversas na população alemã e noutras populações que o leram. Quando questionado sobre essas publicações, Reich fez um sumário curto com as medidas necessárias para combater essa situação:</p>
<p>- Era preciso primeiro explicar as diferenças entre sexualidade doente e sã.<br />
- Denunciar e reunir material de caráter pornográfico do streicherismo a qualquer pessoa de bom senso.<br />
- Reunir e publicar todo material que mostrasse à população que Streicher e seus cúmplices eram psicopatas e criminosos.<br />
- Expor o segredo da influência de Streicher sobre as massas: ele provocava fantasias patológicas.<br />
- A sexualidade patológica que constituía o campo da teoria racial de Hitler e dos crimes de Streicher pode ser combatida mais eficazmente mostrando-se ao povo os processos e modos sadios do comportamento na vida sexual.</p>
<p>Reich afirma que o povo compreenderia a diferença proporcionada por uma sexualidade sadia e satisfatória, que envolve, entre outros fatores, a possibilidade de privacidade com o companheiro amado; que a satisfação sexual não é o mesmo que procriação; que é necessário instalar um numero suficiente de clinicas para tratar de perturbações sexuais; que uma educação sexual afirmativa e racional é imprescindível; que a abstinência sexual prolongada é nociva e só a satisfação livre do sentimento de culpa é benéfica. Em resumo, é preciso lutar pelos direitos de exercer uma sexualidade natural das massas populares.</p>
<p>Bibliografia</p>
<p>Reich, Wilhelm. A função do orgasmo &#8211; Problemas econômico-sexuais da energia biológica. São Paulo: Círculo do Livro, 1991.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sexualidade e Corporalidade &#8211; Seguindo os passos de Reich: A higiene mental e o problema da cultura</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 17:19:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 81 a 85]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e corporalidade]]></category>
		<category><![CDATA[wilhelm reich]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: left;">Géssica Hellmann</p>
<p style="text-align: left;">O trabalho &#8220;político-sexual&#8221; de Reich aos poucos, foi adquirindo autonomia autonomia. Promovia reuniões abertas em que era indagado por pessoas de todos <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/sexualidade-e-corporalidade-seguindo-os-passos-de-reich-a-higiene-mental-e-o-problema-da-cultura/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><em>Géssica Hellmann</em></p>
<p style="text-align: left;">O trabalho &#8220;político-sexual&#8221; de Reich aos poucos, foi adquirindo autonomia autonomia. Promovia reuniões abertas em que era indagado por pessoas de todos os círculos e profissões. Ele apresenta alguns exemplos de perguntas freqüentes:</p>
<p align="center">
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 339px"><img title="Freedom VS Fear - por Ahtello" src="http://gehspace.com/edicao%2082%20imagens/FREEDOM%20VS%20FEAR%20-%20ahtello.jpg" alt="Freedom VS Fear - por Ahtello" width="329" height="400" /><p class="wp-caption-text">Freedom VS Fear - por Ahtello</p></div>
<p>&#8220;O que se deve fazer quando a mulher, apesar de um desejo consciente, tem a vagina seca&#8221;? &#8220;Com que freqüência se deve praticar o ato sexual&#8221;? &#8220;Pode-se praticar o ato sexual durante a menstruação&#8221;? &#8220;O que se deve fazer quando o homem quer, e ela não?&#8221;. &#8220;O ato sexual entre irmão e irmã é punido na União Soviética?&#8221;. &#8220;O que se fazer quando se quer ter uma relação sexual e há outras pessoas no quarto&#8221;? &#8220;Meu marido tem outra mulher. O que devo fazer&#8221;? &#8220;Gostaria de ter outro homem. Há algo errado nisso&#8221;? &#8220;A liberdade sexual não levaria à completa destruição da família&#8221;? &#8220;O coitus interruptus é nocivo&#8221;? &#8220;A masturbação é nociva? Dizem que provoca vertigens&#8221;. Reich, durante as reuniões, procurava responder e elucidar todas as questões apresentadas (Reich, 1991).</p>
<p>Nesta fase de seu trabalho Reich percebia quatro indagações que precisavam de respostas:</p>
<p>1 &#8211; Quais seriam as conseqüências finais da teoria e da terapia psicanalíticas?<br />
2 &#8211; Seria possível ao psicanalista continuar limitando-se apenas às análises individuais? A neurose era uma epidemia que agiria sob a superfície e a sociedade como um todo estaria enferma.<br />
3 &#8211; Qual a natureza do papel que o movimento psicanalítico deve assumir na estrutura social?<br />
4 &#8211; Porque a sociedade produziria neurose em massa?</p>
<p>Reich, através de sua experiência clínica, chegou à conclusão que mais de 60% dos jovens demonstravam ter graves moléstias neuróticas. Em seis dos centros que estavam sob a supervisão de Reich, das pessoas que buscavam ajuda, somente 30% não precisavam de ajuda psicanalítica. O restante precisava de um tratamento de, no mínimo, três anos de terapia. Era necessária uma higiene mental social para mudar esse curso.</p>
<p>A fonte mais importante da neurose, segundo Reich, era a educação familiar sexualmente repressiva e autoritária. Uma repressão mecanizada: os pais reprimem os filhos, primeiro porque também foram reprimidos na infância, e segundo porque as leis sociais de moralidade assim exigem. Agem mecanicamente porque é &#8220;certo&#8221;. As crianças, com a sua expressão natural bloqueada, se enchem de culpa, tornando-se adultos com sérias neuroses de caráter que, depois, transmitiriam as neuroses para seus próprios filhos.</p>
<p>O que fazer para mudar essa situação? Segundo Reich, a resposta estaria na teoria do orgasmo. Seria possível libertar-se da neurose enraizada na infância com uma sexualidade genital satisfatória.</p>
<p>Se a neurose é em massa, como pode viver em sociedade uma pessoa sã? Reich sabia que não seria fácil superar os efeitos da miséria sexual da sociedade.</p>
<p>Na infância, o treinamento &#8220;adestramento&#8221; para o &#8220;bom comportamento&#8221;, &#8220;higiene&#8221;, &#8220;autocontrole&#8221;, tornariam a criança dócil para a proibição mais importante do período seguinte: a masturbação. Na puberdade, repete-se o erro da educação, que levaria à estagnação psíquica e ao encouraçamento do caráter. Este é uns dos motivos também por que a maior parte das neuroses e psicoses se desenvolveria na puberdade. A hipocrisia social permitia legalmente a um adolescente casar-se na véspera do seu décimo sexto aniversário &#8211; afirmando assim que a sexualidade em si, não é nociva para os casados, apenas para os solteiros.</p>
<p>A juventude de hoje é a geração de amanhã. Seja qual forem as etapas que uma geração nova vá enfrentar, conflito estará sempre entre o medo da geração mais velha quanto à sexualidade e o espírito de luta do jovem. Reich afirmava que a educação convencional torna as pessoas incapazes para o prazer &#8211; criando uma couraça para o desprazer.</p>
<p>&#8220;A miséria psíquica não é a finalidade do caos sexual, mas faz parte integrante dele. O casamento e a família compulsivos reproduzem a estrutura humana de uma era econômica e psiquicamente mecanizada&#8221;. (Reich, 1991).</p>
<p>Reich afirmava também que uma pessoa atormentada por problemas materiais também teria grande dificuldade em sentir prazer, podendo facilmente se transformar em um psicopata sexual.</p>
<p>Os argumentos de Reich tinham um efeito provocador, ele sabia disso, mesmo sem que ele ainda sequer tivesse mencionado a &#8220;obrigação conjugal&#8221; impingida legalmente, e a &#8220;obediência aos pais&#8221; sob punição física. Parecia um assunto proibido nos círculos acadêmicos, encarados como &#8220;não científicos e políticos&#8221;.</p>
<p>Para Reich, tornava-se cada vez mais claro que, a felicidade cultural em geral, e a felicidade sexual em particular, seriam os conteúdos reais da vida e deveriam ser o objetivo de uma política efetiva do povo. Muitos se opunham a essa idéia, inclusive os marxistas. Reich sabia que este era o caminho, sua pesquisa provara isso. Toda a produção de cultura, da história de amor às mais altas realizações da poesia, confirmavam sua teoria. Toda a política cultural gira em torno do elemento sexual, as indústrias e a mídia capitalizam-no. Então, por que não tornar o sonho em realidade?</p>
<p>Freud fugia a este tema e refugiava-se na sua teoria do sofrimento biológico, visando sempre a uma saída para a catástrofe da civilização em um &#8220;esforço por parte de Eros&#8221;. Reich sabia que estava cada vez mais seguindo seu próprio caminho e se afastando da teoria freudiana.</p>
<p>Segundo Reich &#8220;Toda educação sofre com o fato de que a adaptação social requer a repressão da sexualidade natural, e de que essa repressão torna as pessoas doentes e anti-sociais&#8221;. Mas a indagação era: porque a adaptação social exige repressão? Poderia um dia solucionar-se a contradição entre o anseio do prazer e a frustração social do prazer?</p>
<p>Para Reich a psicanálise havia se transformado em uma teoria abstrata de &#8220;adaptação cultural&#8221; cheia de contradições.</p>
<p>As conclusões de Freud eram desesperadoras, segundo Reich. &#8220;Embora admitisse que o anseio de prazer é inextirpável, afirmava que não é o caos social, mas o impulso de prazer, o que deveria ser modificado&#8221;.</p>
<p>Reich se afastava cada vez mais da posição de Freud e foi à procura de uma solução econômico-sexual desses problemas. Primeiro, era preciso entender o fator biológico e, depois, a questão social: entender por que as pessoas desejavam e temiam ao mesmo tempo tanto a felicidade.</p>
<p>Bibliografia</p>
<p>Reich, Wilhelm. A função do orgasmo &#8211; Problemas econômico-sexuais da energia biológica. São Paulo: Círculo do Livro, 1991.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sexualidade e Corporalidade &#8211; Seguindo os passos de Reich: A couraça do caráter e a moralidade social</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 17:03:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 81 a 85]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e corporalidade]]></category>
		<category><![CDATA[wilhelm reich]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>Em seu trabalho, Wilhelm Reich distinguiu a aparente confusão entre agressão, sadismo, destruição e instinto de morte. Sua experiência clínica levou-o à conclusão que todas as <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/sexualidade-e-corporalidade-seguindo-os-passos-de-reich-a-couraca-do-carater-e-a-moralidade-social/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>Em seu trabalho, Wilhelm Reich distinguiu a aparente confusão entre agressão, sadismo, destruição e instinto de morte. Sua experiência clínica levou-o à conclusão que todas as manifestações que poderiam ser interpretadas como &#8220;instinto de morte&#8221;, na verdade, provaram ser produtos da neurose.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 416px"><img title="Detalhe &quot;Peste Emocional - Instintos Perversos&quot; por Géssica Hellmann" src="http://gehspace.com/edicao%2081%20imagens/detalhe_pesteemocional.jpg" alt="Detalhe " width="406" height="336" /><p class="wp-caption-text">Detalhe &quot;Peste Emocional - Instintos Perversos&quot; por Géssica Hellmann</p></div>
<p>Segundo Reich (1991) &#8220;o medo da morte e de morrer equivale a uma inconsciente angústia de orgasmo, e o suposto instinto da morte, o desejo de desintegração na inexistência é o desejo inconsciente da solução orgástica da tensão&#8221;. Entre outras palavras o medo da morte podia sempre ser reduzido a um medo de catástrofes, e esse medo, por sua vez a uma angústia genital.</p>
<p>O autor afirma também que um ser vivo desenvolve um impulso destrutivo quando quer eliminar uma fonte de perigo. O motivo original não é o prazer da destruição, não tem conotação sexual.</p>
<p>&#8220;Agressão&#8221; no sentindo estrito da palavra, não se relacionaria com sadismo ou destruição, seu significado seria de &#8220;aproximação&#8221;. Agressão é a expressão da vida na musculatura e no sistema de movimento. O autor descreve: &#8220;agressão é sempre uma tentativa de prover meios para a satisfação de uma necessidade vital. Assim, a agressão não é um instinto no sentido estrito da palavra; consiste mais no meio indispensável de satisfação de todo impulso instintivo&#8221;.</p>
<p>Toda agressão aos impulsos sexuais provocaria ódio, agressividade não-dirigida e tendências destrutivas. Em suas análises clínicas, Reich considerava impossível desprezar a redução dos impulsos de ódio nos pacientes que haviam conseguido atingir a satisfação genital. Perversões ou fantasias sádicas no ato sexual reduziam-se na medida que a satisfação crescia.</p>
<p>&#8220;Acabei por entender os traços brutais de caráter que se manifestam em condições de insatisfação sexual crônica. Pude observar esse fenômeno em solteironas malevolentes e em moralistas ascéticos&#8221; (Reich, 1991).</p>
<p>Parecia ser insuficiente atingir o objetivo terapêutico da função orgástica, pois a energia destrutiva também estava enrustida em muitos pontos e formas na couraça do caráter. Precisava-se desfazer o bloqueio efetivo.</p>
<p>Reich constatou que a angústia sexual é causada por uma frustração externa da satisfação do instinto e é internamente ancorada pelo medo da excitação sexual represada. A conseqüente angústia do orgasmo seria devida ao desconhecimento da experiência do prazer genital. Essa angústia formaria a base do generalizado medo da vida.</p>
<p>O autor percebeu também que as pacientes mulheres ofereciam melhores possibilidades para seu estudo, já que, nos homens, a sensação de ejaculação esconde freqüentemente a angústia de orgasmo. Em suas pacientes, percebeu que suas mais freqüentes angústias são de sujar-se durante a excitação. Quando inibida a excitação orgástica por fantasias não-genitais, a experiência orgástica é sentida como um aniquilamento físico.</p>
<p>Outro fator percebido em suas análises clínicas é que toda forma de neurose teria uma perturbação genital correspondente: a histeria feminina caracteriza-se por uma perturbação localizada de excitação vaginal, junto com uma hipersexualidade geral. Um exemplo seria abstinência causada pela angústia genital. Os homens histéricos seriam incapazes de experimentar uma ereção no ato sexual, ou sofreriam de ejaculação precoce.</p>
<p>As neuroses compulsivas tornariam as mulheres geralmente incapazes de excitar-se e, os homens, geralmente potentes na ereção, mas nunca orgasticamente potentes. Alguns homens sentiriam a necessidade de provar sua potência de forma fálico-narcisista: o ato sexual representaria para eles apenas uma evacuação, seguida de uma ereção de desgosto. Raramente seriam capazes de amar a mulher; seu comportamento sexual criaria profunda aversão ao ato sexual.</p>
<p>Reich identificou erros em algumas regras básicas da psicanálise convencional. Uma das regras era interpretar o material na mesma seqüência em que o paciente o oferecia, sem considerar a estratificação e a profundidade. Reich sugeriu que as resistências fossem tratadas uma a uma, começando com a mais próxima a superfície. A neurose devia ser combatida de uma posição segura. &#8220;Uma remoção sistemática dos estratos da couraça do caráter deveria levar em conta a estratificação dos mecanismos neuróticos&#8221;.</p>
<p>A maioria dos pacientes era incapaz de seguir a regra básica da psicanálise: &#8220;dizer tudo que vem à mente&#8221;. Reich, ao contrário dos outros psicanalistas, analisava não somente o que era dito pelo paciente e sim o modo &#8220;como&#8221; era dito. Analisava seu comportamento, suas expressões corporais. Segundo Reich, as palavras podem mentir, a expressão nunca. Reich também evitava usar terminologia psicanalítica, que poderia dificultar o diálogo com os pacientes. O paciente não mais falava de seu &#8220;ódio&#8221;, sentia-o.</p>
<p>Em seu trabalho clínico, Reich também reverteu o caráter acadêmico das transferências de amor e ódio entre paciente e analista. Uma coisa era falar sobre um erotismo anal na infância, outra era experimentá-lo como uma necessidade real durante a sessão. Reich sentia que precisava se libertar da atitude acadêmica e afirmava a si mesmo que, como um sexólogo, ele precisava lidar com a sexualidade da mesma forma que um médico lida com os órgãos do corpo. Seu método levou a descobrir o sério obstáculo gerado pela regra analítica convencional de que o paciente deveria viver em abstinência sexual durante o tratamento. Muitas regras analíticas eram carregadas de forte tabu, o que em nada ajudava o paciente.</p>
<p>A intenção de Reich durante as análises era que o paciente o visse como ser humano e não como autoridade. Sua prioridade era libertar os pacientes das inibições do prazer genital.</p>
<p>Ao mudar sua atitude, Reich percebeu em suas analises que, na base do mecanismo neurótico, por trás de todas as fantasias, impulsos perigosos, havia um cerne simples e decente. Com muita espontaneidade, os pacientes começaram a experimentar com estranheza as atitudes moralistas do mundo ao seu redor. Pacientes que não tinham escrúpulos em procurar prostitutas tornaram-se incapazes de procurá-las depois que passavam a se sentir orgasticamente potentes. Mulheres infelizes em seus casamentos não se sentiam mais obrigadas ao ato conjugal. Esses comportamentos iam contra as regras morais vigentes na época, mas seus pacientes estavam se libertando de seus próprios preconceitos. &#8220;A mudança na atitude dos pacientes a respeito desse código moralista não era nem claramente negativa, nem claramente positiva&#8230; A moralidade funciona como obrigação. É incompatível com a satisfação natural dos instintos&#8221;.</p>
<p>Uma pessoa regulada e estruturada pela moralidade é uma pessoa sexualmente repleta de &#8220;deveres e proibições&#8221;. Quando se liberta desta &#8220;moralidade&#8221;, tem o controle sobre sua couraça, porque não precisa mais coibir os &#8220;impulsos proibidos&#8221;.</p>
<p>Somente anos mais tarde Reich entendeu porque essa &#8220;liberdade&#8221; assustava tanto as pessoas. &#8220;Aquilo que se afirmava e se desejava no plano das idéias despertava angústia e terror quando se tratava da realidade, pois era estranho à estrutura vigente&#8221;. Para poder competir com esse mundo, às pessoas tinham de suprir aquilo que era realmente básico nelas mesmas; tinham de desejar aniquilá-lo e vencê-lo com a parede grossa da couraça do caráter. Ou seja, a sociedade moldaria o caráter humano, que por sua vez, reproduziria, em massa, a ideologia social.</p>
<p>Reich sabia que o caminho era árduo, e que para uma solução era preciso uma pesquisa ampla sobre os aspectos sociais da psicoterapia. Como haveria de viver em uma sociedade neurótica e moralista um paciente curado?</p>
<p>Concluo este artigo, para fins de reflexão, um poema de nossa querida Sole Mazzeto:</p>
<p>&#8220;Veja</p>
<p>A lua brilha lá fora<br />
E cá dentro do meu seio<br />
Explode em cores o sol<br />
O lampejo se afoga<br />
A brincadeira segue em roda<br />
A virgula sai pelos poros<br />
A maciez da carne<br />
Envenena o ócio<br />
E dobra-se em debrum vermelho<br />
A figura vive<br />
A conquista reside<br />
O peito clama<br />
E a morte não vem &#8230;&#8221;</p>
<p>Bibliografia</p>
<p>Reich, Wilhelm. A função do orgasmo &#8211; Problemas econômico-sexuais da energia biológica. São Paulo: Círculo do Livro, 1991.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sexualidade e Corporalidade &#8211; Seguindo os passos de Reich: A couraça do caráter</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 16:46:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 76 a 80]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e corporalidade]]></category>
		<category><![CDATA[wilhelm reich]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>A couraça do caráter foi o resultado do tratamento de Reich em sua busca por desfazer as resistências dos pacientes.</p>
<p>&#8220;A função da terapia psicanalítica era descobrir <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/sexualidade-e-corporalidade-seguindo-os-passos-de-reich-a-couraca-do-carater/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Géssica Hellmann</em></p>
<p>A couraça do caráter foi o resultado do tratamento de Reich em sua busca por desfazer as resistências dos pacientes.</p>
<p>&#8220;A função da terapia psicanalítica era descobrir e eliminar resistências&#8230; O analista devia partir da repressão dos impulsos inconscientes pelo ego moralista. Mas não era somente um ponto que precisava se romper para penetrar nas defesas do ego, atrás das quais se estende o grande domínio do inconsciente. Na realidade, os desejos instintivos e as funções de defesa do ego se entretecem e se permeiam com a estrutura psíquica inteira&#8221;. (Reich, 1991).</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 398px"><img title="por Erin Prucha" src="http://gehspace.com/edicao%2080%20imagens/erin26.jpg" alt="por Erin Prucha" width="388" height="260" /><p class="wp-caption-text">por Erin Prucha</p></div>
<p>Reich encontrou algumas inconsistências na teoria psicanalítica, como o fato de que os psicanalistas, em seus trabalhos teóricos, não faziam diferença entre a teoria, a estrutura hipotética e fenômenos claramente visíveis, e ao fato de se referirem ao inconsciente como algo concreto, obstruindo, desta forma, uma investigação das bases biológicas do funcionamento psíquico.</p>
<p>Em sua observação clínica, Reich conseguiu perceber a &#8220;unidade funcional antitética que existe entre o que reprime e o que é reprimido&#8221;. Afirma também que o caráter de uma pessoa seria a soma funcional de todas as experiências passadas.</p>
<p>Reich esquematiza um caso de &#8220;efeito cascata&#8221; de repressões-reações da seguinte forma:</p>
<p>=&gt; Um paciente com amor genital objetivo em relação à mãe se defenderia com um sentimento de desapontamento com a mãe;</p>
<p>=&gt; A esse desapontamento, o paciente reage com medo da vagina;</p>
<p>=&gt; Esse medo da vagina provocaria uma atitude sádica em relação a mãe; com um desejo de transpassar; um desejo fálico.</p>
<p>=&gt; O desejo fálico criaria um medo de ser mulher, originando uma reação de atitude passivo-feminina em relação ao pai; um erotismo anal.</p>
<p>=&gt; O erotismo anal criaria um medo de ser castrado originando uma reação de desejo de castrar o pai.</p>
<p>=&gt; O desejo de castrar o pai criaria como reação de autoproteção, um medo de ser destruído, originando impulsos assassinos em direção ao pai.</p>
<p>=&gt; Os impulsos assassinos criariam um medo de agressão, originando uma defesa em forma de agressão à autoridade.</p>
<p>=&gt; A agressão à autoridade originaria medo e sentimento de inferioridade em relação à autoridade,</p>
<p>=&gt; O medo da autoridade daria origem a uma atitude de despeito, ridículo, desconfiança e ânsia de poder.</p>
<p>=&gt; Finalmente, essa ânsia de poder criaria um medo de perder o amor e a proteção o transformando em um adulto polido, impotente, ascético e angustiado.</p>
<p>Reich acreditava que, eliminando as camadas de resistências, era possível encontrar o cerne do problema. No caso acima, o &#8220;amor genital objetivo em relação à mãe&#8221;. A soma dessas resistências Reich chamou de &#8220;couraça&#8221;.</p>
<p>Após anos de pesquisa, Reich compreendeu que a &#8220;tendência destrutiva cravada no caráter não é senão a cólera que o indivíduo sente por causa da sua frustração na vida e de sua falta de satisfação sexual&#8221;.</p>
<p>O autor afirma ainda que uma pessoa orgasticamente insatisfeita desenvolve um caráter artificial e um medo às reações espontâneas da vida.</p>
<p>A avaliação de Reich sobre as várias teorias conflitantes entre os psicanalistas da época não era das mais generosas. Stekel rejeitava as neuroses atuais e o complexo de castração. Adler, que lutava contra a teoria da sexualidade, chegou a um beco-sem-saída quando percebeu sentimentos de culpa e agressão, transformando-se em um filósofo finalista e moralista social. Jung generalizou a tal ponto o conceito de libido que este perdeu completamente seu significado de energia sexual. Ferenczi tinha perfeita consciência da desolação reinante no campo da terapia e procurou a solução no corpo, mas por estar pouco familiarizado com a neurose estásica, cometeu o erro de não levar a sério teoria do orgasmo.<br />
Todos afundaram por uma única questão: &#8220;onde e como deverá o paciente expressar sua sexualidade natural quando esta for libertada da repressão&#8221;? Freud fugia à discussão sobre esse problema.</p>
<p>Segundo Reich, seus colegas não conseguiam ver que era justamente a incapacidade de experimentar satisfação sexual o que caracterizava a neurose. A satisfação sexual poderia resolver todos os problemas, mas nem sempre era fácil consegui-la. Era preciso encontrar os pontos que desviavam essa energia.</p>
<p>Seu método de cura era estabelecido em quatro etapas:</p>
<p>1 &#8211; Completa investigação do comportamento humano, incluindo o ato sexual;<br />
2 &#8211; Compreensão e controle do sadismo humano;<br />
3 &#8211; Investigação das manifestações mais importantes da enfermidade psíquica que tem suas raízes em períodos anteriores a fase genital da infância;<br />
4 &#8211; Investigação da causa social das perturbações genitais.</p>
<p>Na psicanálise, confundiam-se muito os termos &#8220;agressão, sadismo, destruição e instinto de morte&#8221;. A elucidação deste equívoco e a seqüência da pesquisa de Reich sobre o caráter será vista no próximo artigo.</p>
<p>Bibliografia</p>
<p>Reich, Wilhelm. A função do orgasmo &#8211; Problemas econômico-sexuais da energia biológica. São Paulo: Círculo do Livro, 1991.</p>
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		<title>Sexualidade e Corporalidade &#8211; Seguindo os passos de Reich: primeiras experiências para a base da teoria do caráter e da couraça muscular</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 16:38:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Géssica Hellmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[edições 76 a 80]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade e corporalidade]]></category>
		<category><![CDATA[wilhelm reich]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Géssica Hellmann</p>
<p>Para Reich um dos fatos mais importantes que teria aprendeu no seminário de psicanálise foi que os analistas se referiam a &#8220;transferência&#8221; para designar somente a <a href="http://gehspace.com/sexualidade/2008/12/10/sexualidade-e-corporalidade-seguindo-os-passos-de-reich-primeiras-experiencias-para-a-base-da-teoria-do-carater-e-da-couraca-muscular/"  >&#187;&#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Géssica Hellmann</em></p>
<p>Para Reich um dos fatos mais importantes que teria aprendeu no seminário de psicanálise foi que os analistas se referiam a &#8220;transferência&#8221; para designar somente a transferência positiva omitindo a negativa. &#8220;Os analistas temiam, ouvir, examinar, confirmar ou refutar opiniões depreciativas e criticas embaraçosas dos pacientes&#8221;. (Reich, 1991).</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 430px"><img title="por Erin Prucha" src="http://gehspace.com/edicao%2079%20imagens/erin71.jpg" alt="por Erin Prucha" width="420" height="300" /><p class="wp-caption-text">por Erin Prucha</p></div>
<p>O autor percebia, na época, vários procedimentos incorretos que ocasionavam tratamentos ineficientes e errados. Tentou dissuadir os analistas de tentar &#8220;convencer&#8221; os pacientes da exatidão de uma interpretação. &#8220;Todo paciente é profundamente cético em relação ao tratamento&#8221;.</p>
<p>Debatia-se a estrutura pessoal do terapeuta, que tinha que enfrentar e dominar a agressão e a sexualidade. Mas, como atingir esse objetivo, se os próprios terapeutas eram filhos de sua época? &#8220;A situação da análise exigia liberdade dos padrões convencionais e, em relação à sexualidade, uma atitude desembaraçada de preconceitos morais&#8221;.</p>
<p>Reich, em sua experiência clínica constatava que se, por um lado, muitas vezes as neuroses se curavam rapidamente pela satisfação genital, por outro revelava que eram mais difíceis os casos em que a satisfação não era plenamente conseguida.</p>
<p>Em seu trabalho, começou a enfatizar o estudo das fixações pré-genitais, dos desvios da satisfação sexual e dos problemas sociais de uma vida sexual satisfatória. Ou seja, a estrutura social impunha muitos obstáculos para uma vida sexual plena.</p>
<p>As publicações de Freud &#8220;Além do princípio do prazer&#8221;, em 1920, e &#8220;O ego e o id&#8221;, em 1923, causaram um impacto desconcertante na prática analítica, cujo interesse central estava nas dificuldades sexuais do paciente. O instinto de morte colocava-se em pé de igualdade com o instinto sexual. Em vez de &#8220;sexualidade&#8221;, os analistas começaram a falar de &#8220;Eros&#8221;. O id era &#8220;mau&#8221;, o superego era &#8220;austero&#8221;, e o pobre &#8220;ego&#8221; se transformava em &#8220;medianeiro&#8221;. A descrição vívida dos fatos era substituída por um método mecânico, as discussões clínicas deixadas de lado. &#8220;A sexualidade tornou-se algo indistinto; o conceito de &#8216;libido&#8217; foi despido de todos os traços de conteúdo sexual&#8221;. Reich se opunha a essa mudança.</p>
<p>Na mesma época, segundo o autor, Reik publicou &#8220;Geständniszwang und Strafbedürfnis&#8221; (Compulsão de confessar a necessidade de punição), cuja idéia poderia se descrita como a eliminação do medo da punição pelas transgressões sexuais cometidas na infância.</p>
<p>Freud presumia que a substância viva era governada por duas forças: &#8220;Eros&#8221;, que despertava os instintos turbulentos, clamorosos, responsáveis pelo tumulto da vida, e outro a que chamou &#8220;Thánatos&#8221;, instinto de morte, um instinto mudo, reduzindo a substância da vida a uma condição inanimada, manifestando-se em impulsos masoquistas.</p>
<p>&#8220;Agora se dizia que a neurose era um conflito entre uma exigência sexual e uma exigência de punição&#8221;. Para Reich, essa afirmação representava a completa destruição da teoria psicanalítica da neurose (Reich, 1991). Se o analista não conseguia curar um paciente, o instinto de morte era responsável por isso e não a inabilidade do analista de tratar da angústia de prazer do paciente.</p>
<p>No Congresso de 1924, Reich defendeu duas teses básicas:<br />
- A neurose é a manifestação de uma perturbação genital e não apenas sexual em geral;<br />
- Uma recaída em neurose após tratamento analítico pode ser evitada na medida em que a satisfação orgástica no ato sexual houver sido curada.</p>
<p>Com base na teoria psicanalítica da neurose, parecia lógico procurar a energia necessária para estabelecer a plena potência orgástica, na fase não-genital da primeira infância: se uma grande quantidade de interesse sexual se focalizar em sugar, morder ou nos hábitos anais, por exemplo, a capacidade de experimentar o prazer genital seria reduzida.</p>
<p>Para Reich &#8220;toda a idéia psíquica durante o ato sexual pode apenas prejudicar a concentração na excitação&#8221;. O autor afirmava também que &#8220;somente o aparelho genital é capaz de proporcionar o orgasmo e de descarregar plenamente a energia biológica&#8221;.</p>
<p>Muitas divergências ficaram evidentes depois de 1922 quanto ao problema central da angústia. A idéia original era que, se existisse um bloqueio para a descarga da excitação sexual, esta excitação se converteria em angústia. Mas nada se dizia sobre como se dava esta conversão.</p>
<p>Em 1924, Reich tratou de uma paciente com neurose cardíaca e percebeu que, com o aparecimento da excitação genital, diminuía a angústia cardíaca. Conseguiu também localizar o ponto da sensação de angústia na região do coração e do diafragma, concluindo assim que tanto a excitação sexual quanto a angústia tinham algo a ver com o sistema nervoso vegetativo.</p>
<p>A cada novo caso analisado, para Reich &#8220;tornava-se cada vez mais claro que a sobrecarga do sistema vasovegetativo com excitação sexual não descarregada é o mecanismo da angústia e, portanto da neurose&#8221;. Ele distinguia o conceitos de ansiedade e medo: ter medo de ser castrado, surrado ou punido é diferente da angústia quando se depara com um perigo real. Era preciso distinguir a angústia que resultava de uma estase de excitação, da angústia que era causada pela repressão sexual. A primeira determinava a neurose estásica e, a segunda, a psiconeurose, sendo que os dois tipos de angústia poderiam agir simultaneamente.</p>
<p>Mais tarde, Freud publicou &#8220;Inibição, sintoma e angústia&#8221;, afirmando que era impossível fazer uma conexão entre angústia real e angústia neurótica. Isso foi um duro golpe para o trabalho de Reich.</p>
<p>Mas Reich continuou firme em sua teoria. Em seus trabalhos clínicos, tornava-se cada vez mais necessário reconverter a angustia estásica em excitação genital. Quando alcançava esse objetivo, o paciente apresentava grandes melhoras. Mas nem sempre conseguia liberar a angústia cardíaca e fazê-la oscilar com a excitação genital. O que causava esse bloqueio? Parecia que os pacientes estavam &#8220;encouraçados&#8221; contra qualquer ataque. Era o caráter como um todo que resistia, retendo toda a energia.</p>
<p>Reich se aproximava da base do desenvolvimento da técnica de análise do caráter e da couraça muscular, a sexualidade refletida no próprio corpo, como veremos no próximo artigo.</p>
<p>Bibliografia</p>
<p>Reich, Wilhelm. A função do orgasmo &#8211; Problemas econômico-sexuais da energia biológica. São Paulo: Círculo do Livro, 1991.</p>
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